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domingo, 14 de agosto de 2016

Cunha, Temer e a história dos “cinco amiguinhos” que foram passear no poder, por Fernando Brito

laurotemer
A coluna de Lauro Jardim, em O Globo, daqui a pouco deve ser desmentida no twitter de Eduardo Cunha, que odeia o colunista global com todas as suas forças.
A história da vez é a de que um amigo de Cunha foi conversar com o presidente golpista e contou uma parábola: “O Eduardo me disse: ‘era uma vez cinco amigos que faziam tudo junto, viajavam, faziam negócios…. então, um virou presidente, três viraram ministros e o último foi abandonado’… E que isso não vai ficar assim.”
A metáfora – na geração deles todos leram o “O Caso dos Dez Negrinhos”, da Agatha Christie – não parece muito ao estilo de Eduardo Cunha.
Parece destinada mais a mostrar a suposta resposta:
Temer, de acordo com o relato que Cunha tem feito a pessoas muito próximas, respondeu: “Ele sabe que estou tentando ajudá-lo”.
Seja como for, a chantagem e o medo que ela provoca estão se tornando explícitos.
Como está se tornando explícito o asqueroso papel do Ministério Público e do Judiciário em apenas assistir ao o esquema mafioso  – em cujas  entranhas os vermes do golpe ameaçam entredevorar-se – consume a ruptura do regime democrático no Brasil, reduzidos a conferir prazos, formalidades, selos e estampilhas.
A imagem de Nossa Senhora colocada às paredes de certos ambientes ao menos coram, ruborizadas pela luz avermelhada com que as iluminam.

quarta-feira, 29 de junho de 2016

Temer bota ministros do STF no papel de bobos. O Globo mostra que Cunha dirige Câmara do Palácio do Jaburu. Artigo de Fernando Brito

pasdedeux
Os ministros do Supremo Tribunal Federal estão fazendo explícito papel de bobos.
Proíbem Eduardo Cunha de ir à Câmara para não interferir no controle do Legislativo.
Mas Cunha vai ao Palácio do Jaburu e decide com quem tem a caneta: Michel Temer.
Nem O Globo esconde  mais isso:
Interlocutores do Palácio do Planalto tentam um acordo para viabilizar a eleição do deputado Rogério Rosso (PSD-DF) à presidência da Câmara, como sucessor do presidente afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Um dos pontos da conversa do presidente interino Michel Temer com Cunha, na noite de domingo, foi exatamente a sucessão na Casa. O presidente afastado quer ajuda do governo para eleger um aliado seu para o cargo de presidente como última tentativa de tentar manter o mandato.
Em troca, renunciaria ao posto de presidente, permitindo que seja solucionado o desgoverno na Câmara, provisoriamente comandada por Waldir Maranhão (PP-MA).
— A renúncia é ótima para o governo. Não dá para a Câmara ficar parada deste jeito, com um presidente interino que deixa uma semana toda sem votar nada. Há algum tempo teria sido mais fácil viabilizar este tipo de acordo. Mas deixa ele (Cunha) tentar, vamos ver no que dá — afirmou um auxiliar do Planalto.
Na conversa com Temer, segundo relatos, Cunha insinuou querer ajuda para viabilizar esta saída. Demonstrou não ter condições de articular isto por conta própria e necessitar do apoio do governo. O pedido de Cunha foi de apoio a um deputado que não lhe perseguiria após a renúncia à presidência.
— Não dá para querer que ele renuncie sem o compromisso de que o sucessor não lhe seja hostil — defendeu o assessor do Planalto.
(…)
— Tem que ter muito cuidado para o governo não aparecer nesta disputa. O risco de ter prejuízo é bem maior que um eventual benefício, porque pode despertar nos excluídos uma reação — comentou um assessor do Planalto, lembrando as retaliações sofridas pelo governo petista por ter tentado derrotar Eduardo Cunha.
Doutor Teori Zavascki, Doutor Luis Roberto Barroso, de que adiantam suas caras sérias e severas? Vocês tiraram Eduardo Cunha da Câmara mas ele está lá, no centro do poder.
Tiraram o sofá da sala, mas não viram que ficou lá uma cama ultraextraking-size para todo tipo de “saliência”.
Quem é que lembra do personagem do Jô Soares, o Tavares,  que tinha como bordão aquele “tem pai que é cego!”?

Cunha e Temer, sócios no Golpe, escolhem agora Rogério Rosso para presidir a Câmara dos Deputados



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O deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e o interino Michel Temer definiram, no encontro secreto do último domingo, que o deputado Rogério Rosso (PSD-DF) será o candidato do Palácio do Planalto à presidência da Câmara dos Deputados; Cunha e Temer, que são "sócios" no impeachment da presidente Dilma Rousseff, querem colocar um aliado no comando do Legislativo; assim, Cunha renunciaria à presidência da Câmara e tentaria preservar seu mandato; caso o acordão prospere e Cunha consiga se salvar, seria evitada uma delação premiada que implodiria o PMDB e o próprio governo interino de Temer; falta, no entanto, combinar com a Justiça Federal do Paraná, onde a filha e a esposa de Cunha respondem a processo, e com o STF, que transformou o deputado novamente em réu por 11 votos a zero na semana passada.
247 – Uma reportagem das jornalistas Júnia Gama e Simone Iglesias (leia aqui) revela o que foi tratado no encontro secreto entre o deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e o interino Michel Temer.
Na reunião, ocorrida no Palácio do Jaburu, eles definiram que o deputado Rogério Rosso (PSD-DF) será o candidato do Palácio do Planalto à presidência da Câmara dos Deputados.
Cunha e Temer, que são "sócios" no impeachment da presidente Dilma Rousseff, querem colocar um aliado no comando do Legislativo, no lugar de Waldir Maranhão (PP-MA).
Assim, Cunha renunciaria à presidência da Câmara e tentaria preservar seu mandato parlamentar, mantendo o foro privilegiado.
Caso o acordão prospere e Cunha consiga se salvar, seria evitada uma delação premiada que implodiria o PMDB e o próprio governo interino de Temer.
Falta, no entanto, combinar com a Justiça Federal do Paraná, onde Danielle Dytz e Cláudia Cruz, a filha e a esposa de Cunha, respondem a processo, e com o STF, que transformou o deputado, pela segunda vez, em réu por 11 votos a zero na semana passada.
Cunha é acusado de receber R$ 52 milhões de propina em apenas uma das acusações, que envolve a Carioca Engenharia. Em coluna publicada nesta quarta, o jornalista Ricardo Noblat disse que Temer faz o que pode para salvar Cunha (leia aqui), a quem chamou de "batalhador político e jurídico".