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sábado, 4 de junho de 2016

Merval Pereira, o manipulador alckmista global...

Torturem os fatos até eles confessarem o que eu quero. Ou Merval foi pago com a sonegação da Globo?

mervtogado
Inacreditável.
Ontem, Merval Pereira disse que tinham encontrado “na nuvem” cibernética mensagens que indicariam que a Odebrecht teria pago Celso Kamura, cabeleireiro que cuidou de Dilma durante as campanhas eleitorais e, algumas vezes, em caráter particular.
Dilma e o próprio Kamura se manifestaram dizendo que (a) durante as campanhas ele foi contratado pela produtora Pólis, responsável pelas gravações da candidata e (b) quando os serviços foram particulares Dilma os pagou. Ambos dizem que têm os contratos, recibos e notas fiscais.
Pensa que Merval se deu por vencido?
Coisa nenhuma.
A manchete de O Globo, neste momento, sustenta que “empreiteiros” o pagaram, porque – vejam o raciocínio! – como João Santana, dizem os investigadores, teria recebido dinheiro da Odebrecht e a empresa de Santana pagou o salário do cabeleireiro, então a Odebrecht pagou o cabeleireiro.
É o mesmo que eu dizer que, como a Globo sonegou impostos e isso acabou virando aquele famoso processo que sumiu, levado – dizem – por uma funcionária da Receita que, sem mais nem porque, resolveu coloca-lo na bolsa e como a Globo pagou o salário de Merval, então, Merval foi pago com dinheiro da sonegação.
Tá bom assim, Merval? Se vale lá, vale cá também, não é? Não, ninguém pode dizer isso desta maneira, tornando você cúmplice de um crime.
Ah, mas afirmações absurdas com a gente doem e com os outros são jornalismo, não é?
Acontece que, como escreveu ontem o Mário Marona, precisavam de alguém para escrever o que, de outra forma, seria só lixo.
Tanto que o resto da imprensa não deu a menor bola para a “descoberta” do acadêmico, toda feita com  declarações anônimas. A propria materia de hoje diz que “o colunista Merval Pereira mostrou que documentos em posse da Procuradoria-Geral da República revelam pagamentos de itens pessoais de Dilma pelo esquema montado na Petrobras, como as idas de Celso Kamura a Brasília, que custavam R$ 5 mil cada.”
Merval não mostrou documento algum, apenas alegou que existiriam.
E, dando com os burros n’água, não tiveram a honradez de se corrigirem e nem sequer a esperteza do gato, que enterra certas coisas que faz…
Insistem, porque é clássica a frase de que o papel aceita tudo e contam que a justiça brasileira, diante da Globo, trema de medo e não puna este tipo de difamação.

quarta-feira, 1 de abril de 2015

"Quando o oprimido adota o discurso do opressor" - o bizarro exemplo de Fernando Holiday , por Francisco Fernandes Ladeira




MÍDIA & PRECONCEITO

Quando o oprimido adota o discurso do opressor


Por Francisco Fernandes Ladeira em 31/03/2015 na edição 844 do Observatório da Imprensa

Conforme a realidade nos mostra, as piores faces do preconceito e da intolerância são apresentadas quando o oprimido passa a adotar o discurso ideológico do opressor. Nesse sentido, podemos citar os casos dos trabalhadores pelegos, dos latino-americanos que se consideravam racialmente inferiores aos europeus, dos negros que passam pelo processo de “branqueamento social”, das mulheres que incorporam os preceitos machistas, ou, como diria Tim Maia, quando os pobres se tornam eleitores da direita política.

Um exemplo emblemático de cidadão de cor oriundo das classes baixas que replica a ideologia da elite branca pode ser encontrado nos vídeos postados na internet pelo estudante negro Fernando Silva, vulgo Fernando Holiday. Recrutado pelo Movimento Brasil Livre (MBL) – grupo apartidário que agrega setores conservadores de nossa sociedade – Holiday tem feito bastante sucesso nas redes sociais com seus discursos em que ridiculariza a política de cotas raciais, compara Zumbi dos Palmares a Hitler, exalta valores burgueses como a meritocracia, defende a redução da maioridade penal e, como não poderia deixar de ser, dispara várias palavras ofensivas contra o governo federal. “Faz nem três meses que a Dilma assumiu o segundo mandato e já f... como Brasil inteiro. Dilma não tem mais condições de governar esse país”, apontou em um vídeo a favor do impeachment da presidenta.

Segundo Fernando, os universitários cotistas são “vermes e parasitas atrás do Estado” e, se há cotas para negros, também deveriam haver vagas especiais para as “gostosas” no ensino público, pois, de acordo com o senso comum, mulheres sexualmente atrativas são “burras” e precisam de cotas. Para ele, negros e pobres podem vencer na vida através do mérito: “Nós sempre conseguimos vencer as adversidades da vida.” Ou seja, Holiday parece desconhecer todos os entraves sociais e raciais que dificultam a trajetória de milhões de negros no Brasil. Acreditar que, em uma sociedade demasiadamente hierarquizada e personalista como a brasileira, pelo simples esforço individual seja possível que cidadãos de classes sociais distintas, com desafios e histórias de vida completamente diferentes, tenham as mesmas chances e oportunidades ao longo da vida é algo extremamente falacioso. Não obstante, o militante do MBL também é capaz das mais esdrúxulas analogias: “Um dia para homenagear Zumbi? Esse cara torturava negro, escravizava negro, botava os negão lá na roça. [...] Um dia da Consciência Negra para homenagear Zumbi é o mesmo que criar um Dia da Consciência Branca para homenagear Hitler.” Por fim, Fernando Holiday destaca que o Movimento Negro possui um discurso de “vagabundagem”, “inércia” e “vitimista”.

Visão deturpada

“Talvez ele seja um fantoche nas mãos do movimento ou aja por convicções próprias. O mais provável é uma combinação das duas situações, na qual o MBL encontrou a figura perfeita para anular as críticas de que é reduto da elite branca e o Holiday fica famoso com milhares de curtidas no Facebook”, asseverou o jornalista Marcos Sacramento em um artigo. Prática similar foi realizada por Danilo Gentili em um vídeo gravado durantes as manifestações do último dia 15 de março. Para demonstrar que o protesto contra o governo não se tratava de uma mobilização convocada pelas camadas sociais mais abastadas, o apresentador do SBT entrevistou um negro presente no evento, referindo-se ironicamente a ele como um representante da “elite branca”.

  Ora, um único caso de indivíduo de cor não traz uma conotação popular a um determinado acontecimento. Conforme as imagens exibidas exaustivamente pela grande imprensa demonstraram, a esmagadora maioria dos “manifestantes” do dia 15 de março era composta por pessoas brancas das classes média e alta. Por outro lado, em nenhum momento de seus vídeos, Fernando Holiday lembra o extermínio de jovens negros na periferia das grandes cidades ou a estigmatização do negro na mídia hegemônica e nas campanhas publicitárias. Nem os adeptos da quimérica teoria conhecida como “democracia racial” possuem uma visão tão deturpada das relações étnicas no Brasil.

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Francisco Fernandes Ladeira é especialista em Ciências Humanas: Brasil, Estado e Sociedade pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e professor de Geografia em Barbacena, MG