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sexta-feira, 10 de agosto de 2018

Míriam, deprimente; Waack, abjeto. Mas é da Globo a maior vergonha. Por Fernando Brito






Publicado originalmente no Tijolaço
POR FERNANDO BRITO, jornalista e editor do blog Tijolaço
O triste espetáculo de Míriam Leitão, repetindo, tatibitati, a nota da Rede Globo, ao final (espichado) da entrevista de Jair Bolsonaro foi um dos mais deprimentes episódios da TV dos tempos recentes.
Não precisaria ter sido, porque Miriam tem traquejo, experiência e autoridade dentro da emissora suficiente para que pudesse resolver a situação.
Pedir um “brake”, pedir a nota por escrito e ler, com o texto na mão, deixando claro que era um editorial e não gaguejando, com olhos de vidro, num humilhante “jogral”. Um robô, nitidamente.
Deprimente, mas dentro do limite flácido da dignidade de quem já aceitou reproduzir a voz do dono da emissora, informalmente, mas que, como profissional,  deveria saber colocar o tom que até mesmo um Cid Moreira – que não era jornalista, mas apenas locutor – se obrigava a fazer.
E o fez em momentos certamente terríveis, para ele, como o do direito de resposta concedido a Leonel Brizola no Jornal Nacional.
Ao contrário de nós, que fomos “bagrinhos” nas empresas Globo, Miriam não seria demitida sumariamente.
Nem toquei no assunto, aqui, porque os leitores deste site já têm perfeita consciência de quem é Miriam Leitão, que aceita, como já fez de outras vezes, ser ofendida por aqueles a quem serve, como no episódio quem que recebeu um “que bobagem, Míriam” – aliás, com razão – de José Serra, na campanha de 2010.
Míriam mostrou, porém, os limites de sua valentia verbal.
Ao ponto de ser “zoada” por ninguém menos que William Waack, 21 anos de Globo, antes de ser “afastado” pelo notório “coisa de preto” dito fora do ar.
Coisa de gente sem caráter promover-se dizendo que não fala as coisas porque o “chefe está no ponto”, referindo-se ao fone de ouvido do apresentador e, pior ainda, imitando o gaguejar da ex-colega.
O comportamento de Miriam foi deprimente, vergonhoso. O de Waak, abjeto. Mas não se pode esquecer, nunca, que menos perdoável que o papel do humilhado é o de quem humilha.
Dias depois de ter baixado o AI-5 em que diz como os seus empregados devem se portar, em matéria de política, abstendo-se de terem opiniões e simpatias, a Globo fez uma errata, ao vivo, neste episódio.
Eles não só podem como devem ter, e têm, uma opinião: a dos seus patrões.

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

As golpistas familias e conglomerados reacionários midiáticos da Globo, Folha, Estadão, Band e outros temem o equilíbrio e clareza informacional do The Interccept, BBC e El País e, agora, querem impedi-los de divulgar informação verdadeira no Brasil dos golpistas



Crise e concorrência. Pavor dos jornalões!


Cartel da mídia impressa vai ao STF contra sites independentes | Brasil 24/7
Por Altamiro Borges

A mídia privada adora bravatear sobre as maravilhas da livre iniciativa, mas morre de medo da concorrência. Na semana passada, a Associação Nacional de Jornais (ANJ) ingressou com uma ação direta de inconstitucionalidade (ADIN) para que o Supremo Tribunal Federal (STF) confirme que sites e portais noticiosos estão sujeitos à lei que limita a participação de capital estrangeiro no setor jornalístico. Na era da internet, o temor dos barões da mídia é com o crescimento do acesso aos veículos internacionais – talvez em função de perda de credibilidade e de qualidade dos jornalões nativos. Na ação, a ANJ deixa explícito que deseja impor alguma forma de censura aos sites estrangeiros:

"Admitir que as empresas jornalísticas que atuem na internet não precisem respeitar as regras constitucionalmente aplicáveis exclusivamente em razão do meio usado frustraria, de maneira cabal, a finalidade da norma constitucional". A entidade patronal, que sempre atacou a Constituição, agora contraditoriamente prega rigor na sua aplicação. Ela lembra que o seu artigo 222 proíbe a presença de empresas estrangeiras no setor e conclui que a norma “não abrange apenas pessoas jurídicas que produzam publicações impressas e periódicas, mas toda e qualquer organização econômica que produza, veicule ou divulgue notícias voltadas ao público brasileiro, por qualquer meio de comunicação, impresso ou digital”.

Ainda segundo a ADIN, a norma tentou “garantir que a informação produzida para brasileiros passasse por seleção e filtro de brasileiros... [Foi] uma opção constitucional por estabelecer uma espécie de alinhamento societário e editorial com vista à formação da opinião pública nacional”. O diretor-executivo da ANJ, Ricardo Pedreira, não esconde que o objetivo da ação no STF é coibir o que ele chama de “concorrência desleal” dos sites “que atuam no mercado, como empresas jornalísticas, em desrespeito ao limite de 30% de participação societária de capital estrangeiro... O que buscamos é que, para atuar no Brasil como empresa jornalística, eles se enquadrem na Constituição", afirma o adorador do livre mercado!

2016: “Um ano difícil para os jornais”

A ação restritiva da ANJ confirma o desespero dos jornalões brasileiros diante da crescente queda de tiragens e da fuga de anunciantes privados. Daí o pavor com a “concorrência desleal” de veículos estrangeiros. Na semana passada, a própria ombudsman da Folha, a afável Paula Cesarino Costa, publicou um artigo que revela a gravidade da crise. Após citar alguns exemplos mundiais, ela lamentou a decadência dos jornais nativos:

*****

No Brasil, a crise no setor de comunicação começou há alguns anos, com o declínio da publicidade... A Folha encerrou 2015 com receita líquida de R$ 526 milhões e lucro líquido de R$ 2,6 milhões. Em 2016, apesar do aperto maior da crise, espera fechar o ano no azul. Reduziu pessoal, cortou papel, remodelou editorias, na premente corrida contra o encolhimento do orçamento. O cenário não foi róseo para a Folha, mas se desenhou ainda pior para os concorrentes diretos. ‘O Estado de S. Paulo’ fechou 2015 com receita líquida de R$ 440 milhões e prejuízo de R$ 3 milhões. A empresa que edita ‘O Globo’ obteve receita de R$ 667 milhões, com prejuízo de R$ 51,5 milhões. Nada indica que 2016 será melhor.

Cresceu a pressão por aumento mais rápido da receita digital, dominada por poderosas organizações como Google e Facebook. Por que a ombudsman da Folha se dedica ao tema? Porque diz respeito a você, leitor, e à sociedade em que vive. Que não se entenda como tentativa de justificar falhas ou piora de qualidade. O leitor continua pagando, tem direitos e deve exigir que o jornal seja cada vez melhor. Desde que assumi a função de ombudsman, há seis meses, não houve semana em que não recebesse mensagem de leitor lamentando o corte de um caderno ou protestando contra a diminuição de espaço.

"Venho observando a Folha despencar, seja em número de cadernos, de páginas, na qualidade das tirinhas e horóscopos, mas, principalmente, com devidas e respeitáveis exceções, nos teores jornalísticos, analíticos e opinativos", criticou um dos mais severos leitores. Mais que futuro, a realidade da imprensa já é ser consumida por meio de multiplataformas, com a versão impressa cada vez mais tendo seu espaço reduzido. Segue essencial saber hierarquizar e priorizar – notícias, recursos, equipes, espaço editorial. É preciso remoldar e refundar os jornais, tornando o impresso sustentável.

A questão central é encontrar o modelo de negócio capaz de dar vida a uma publicação independente, crítica e com capacidade investigativa, resumiu Caio Túlio Costa, especialista em investigação do futuro dos meios de comunicação e primeiro ombudsman do jornal. A saída não é fácil. Em todo o mundo procura-se uma fórmula de sucesso. Minha impressão é que os jornais brasileiros estão a reboque dos acontecimentos. Os cortes de pessoal e de espaço editorial parecem responder a questões momentâneas de fluxo de caixa. Não bastaram, não bastam e não bastarão.


*****

Diante deste diagnóstico tenebroso, a ombudsman conclui que “2016 confirma-se como um ano difícil para os jornais em todo o mundo”. Pelo andar da carruagem, com o agravamento da crise econômica, o aumento da migração para a internet e a recorrente perda de credibilidade e de qualidade dos diários, o próximo deverá ser ainda pior. Crescem os boatos sobre demissões de jornalistas, extinção de cadernos e até de falência de alguns veículos impressos. O Estadão, por exemplo, é um dos diários que se encontra às portas do inferno!

Este cenário ajuda a explicar porque os donos dos jornalões foram tão afoitos na militância favorável ao “golpe dos corruptos”. Eles contam com o covil golpista de Michel Temer para socorrê-los neste momento de desespero. A Folha mesmo já foi contemplada com o aumento das verbas da publicidade oficial, segundo comprovou o blogueiro Miguel do Rosário, do Cafezinho. Na prática, deixando de lado a retórica liberal, os barões da mídia nativa detestam a concorrência e adoram mamar nas tetas do Estado.

terça-feira, 30 de agosto de 2016

O usurpador paga bem à Mídia Golpista, especialmente a Globo, Folha e Estadão. Veja o artigo de Fernando Brito


MARRETA
Já que o Governo Temer se mostrou tão zeloso em cortar a publicidade dos blogs e sites progressistas – e não deste aqui, que jamais recebeu um tostão – vou dar minha cota de colaboração para que todos vejam que, quando é para dar publicidade a grande mídia vale tudo, até transformar jornais cariocas e paulistas em gaúchos e usar para isso matéria legal, publicada por determinação judicial.
O caso é o seguinte: o Instituto de Defesa do Consumidor de Crédito ganhou uma ação contra o Banco do Brasil por cobranças indevida de mutuários, na modesta comarca de Garibaldi, cidade gaúcha de 30 mil habitantes. E o juiz, certamente para informar aos tomadores do crédito, mandou publicar a sentença em “cinco dias intercalados, sem exclusão da edição de domingo”, em “três jornais de grande circulação no Rio Grande do Sul, na dimensão mínima  de 20x20 cm”.
Decisão dada, decisão cumprida.
Só que o juiz certamente não contava que isso fosse gerar uma “marreta” para os jornalões de toda parte
Na sexta-feira, na página 22,  no domingo, na página 32 e hoje, na 25, lá estão em O Globo os “tijolões” que o juiz mandou colocar em jornais de grande circulação no Rio Grande do Sul.
Calculado a preço de tabela para a chamada “matéria legal”, saem pela bagatela de R$ 61 mil cada, nos quatro dias úteis e R$ 82,5 mil no domingo.
No total, R$ 326 mil reais, mais do que custaria a publicação na Zero Hora, Correio do Povo e Jornal do Comércio – jornais, estes sim, do RS – somados.
Na Folha, onde o edital hoje está na página A26, o “pacote” custa meio milhão de reais, pela tabela em circulação nacional.
No Estadão é mais baratinho, se entrou como publicidade legal: “só” R$ 300 mil e o anúncio está lá, na página B5 do “jornal gaúcho” dos Mesquita.
Um milhão e pico de reais só por um simples edital judicial que era para ser publicado apenas no Rio Grande do Sul, que tal?
Daria para comprar o “triplex do Lula” que não é do Lula.
É essa a turma do Governo e da mídia que reclama de uns anúncios mixurucas que o governo federal punha em alguns blogs? E, repito, não neste, que não recebeu dele um tostão sequer.
E olhem que isso é apenas um casinho, pego por um velho ranzinza que já cuidou de publicidade e se deu ao trabalho de pegar um gatinho em pleno pulo.
Porque esse é apenas “um trocado”, que este  blogueiro aqui – limpinho , limpinho, podem vir em cima, porque vivo das contribuições dos leitores e dos anúncios do Google – mostra para que se tenha ideia da exploração perversa que fizeram com publicações e profissionais respeitáveis que, por menos que isso, foram expostos como se fossem aproveitadores do dinheiro público.
Texto de Fernando Brito, extraído do Tijolaço.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Alberto Dines alerta: "A Liberdade corre riscos quando não se sabe o que fazer com ela". A tendenciosidade da mídia no caso Santiago Andrade

PERIGO À VISTA

Liberdade corre riscos quando não se sabe o que fazer com ela

Por Alberto Dines em 14/02/2014 na edição 785



A história está mal contada. E mesmo assim a imprensa a entrega ao freguês como absolutamente verdadeira, verossímil. E inquestionável. 

Dois jornalistas do Rio, ambos da Folha de S.Paulo (Janio de Freitas e Paula Cesarino Costa), não engoliram a armação (quinta, 13/2, págs. A-7 e A-2). Mas não são todos os leitores que se dispõem a ler comentários dissidentes, céticos, em textos distantes do noticiário, das fotos e da badalação marqueteira (ver “Sem resposta” e “Quem são eles?”). 

Nas matérias factuais sobre a caça aos responsáveis pela morte de Santiago Andrade, transparece o desdém pela inteligência do leitor. Vale o que dizem as fontes e autoridades. Porém, tanto as fontes como as autoridades parecem empenhadas em encerrar o caso atribuindo a culpa pela violência nas manifestações a partidos e políticos de extrema esquerda. 

E por que não se investiga a hipótese de que o aliciamento dos baderneiros faz parte da estratégia das milícias para desacreditar o governo estadual e as autoridades policiais?

Foi impecável o trabalho de edição e análise do material televisivo apresentado pela TV Globo no sábado (8/2) com a ajuda do perito Nelson Massini. Graças a ele foi possível identificar com incrível rapidez e chegar ao Bandido nº1, Fabio Raposo, e dois dias depois ao nº 2, Caio de Souza, corresponsáveis pelo disparo do rojão que matou o cinegrafista da Band.

Esta “incrível rapidez” é que chama a atenção. No domingo (9), o Bandido nº 1, ainda na condição de suspeito, já havia contratado um advogado, se apresentara à polícia e era longamente entrevistado pelo Fantástico

Na quarta-feira (12), o Bandido nº 2 era localizado numa pousada em Feira de Santana (BA), já com um advogado a tiracolo – o mesmo do outro! – e dava entrevista à Globo antes de embarcar para o Rio sob escolta policial.

A informação de que os arruaceiros recebiam dinheiro de políticos para radicalizar os protestos foi dada por Caio de Souza e confirmada pelo advogado, Jonas Tadeu Nunes. Se ele conhecia esta conexão política, por que razão não a adiantou à polícia tão logo prenderam o Bandido nº 1? 

Contra a democracia

E quem é este super-causídico que se desloca com tanta rapidez e eficiência para atender clientes aparentemente sem conexão e, de repente, implicados no mesmo crime? Jonas Tadeu Nunes não parece o clássico rábula de porta do xadrez. Tem escritório num shopping fuleiro do Recreio dos Bandeirantes, tem amigos na polícia civil do Rio, já defendeu um ex-deputado estadual (Natalino Guimarães) acusado de fazer parte das milícias e tem entre os clientes um ex-coronel da PM fluminense, exonerado pelo secretário de Segurança do Estado do Rio. Alega que o Bandido nº 1 era conhecido do estagiário do seu escritório e que chegou ao nº 2 porque eram amigos.

A suspeita de que partidos de extrema-esquerda são aliciadores dos vândalos permeia insistentemente o noticiário desde segunda-feira (10/2) sem comprovações ou indícios concretos. A presença do advogado Jonas Tadeu Nunes não despertou desconfianças. 

Neste mix de tons de cinza, siglas, militâncias e agentes provocadores circula a figura sofisticada da “ativista” Elisa Sanzi, vulgo Sininho. E a partir da edição de quinta-feira do Globo, incorporou-se ao insólito grupo o ex-governador Anthony Garotinho (hoje no PR tentando chantagear o PT), desde o ano passado acusado de ser o instigador da cruzada contra o governador Sérgio Cabral Filho.

O ingrediente mais preocupante desta desconjuntada cobertura começou logo depois do anúncio da morte cerebral do cinegrafista da TV Bandeirantes, quando a mídia em peso lançou-se numa emocionada cruzada em defesa da liberdade de expressão. Na sua edição de quinta-feira (13/2), seis páginas do Globo levavam no cabeçalho o selo “Ataque à Liberdade de Expressão”, numa evidente exploração política da tragédia.
Tanto os vídeos como os depoimentos da dupla de bandidos coincidem em demonstrar que o rojão-assassino foi aceso e colocado no chão. Não foi apontado contra o cinegrafista, nem contra alguém em especial. O cadáver que se procurava era o da democracia.

A liberdade de expressão corre perigo sempre. Em qualquer momento e lugar. Mas, sobretudo, quando seus beneficiários e defensores se atrapalham e não sabem o que fazer com ela.

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