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segunda-feira, 15 de julho de 2019

Aprendendo com a História: Resistir é preciso. Texto de Márcio Sotelo Feippe, Procurador de Estado, divulgado pelo jornalista Floresar Fernandes Júnior


  "A experiência francesa durante a ocupação alemã guarda certa similitude com o Brasil de hoje. Na França parte da sociedade (muito maior do que os franceses gostam de admitir) foi complacente ou colaborou com o invasor que massacrava seu povo e aniquilava os mais elementares direitos dos franceses. Hoje, parte da sociedade brasileira assiste inerte, é complacente, apoia ou apoiou usurpadores que vão reduzindo a pó o pouco de direitos e garantias de um povo já miserável."


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Resistir é Preciso

   Em um artigo publicado em 1944, A república do silêncio, Sartre escreveu que os franceses nunca foram tão livres quanto no tempo da ocupação alemã. Um chocante e brilhante paradoxo que só a grande Filosofia, como exercício de pensar fora do senso comum, é capaz de produzir. Por que os franceses eram livres se todos os direitos haviam sido aniquilados pelos alemães e não havia qualquer liberdade de expressão? Como se podia ser livre sob a cerrada opressão do invasor que fiscalizava os gestos mais triviais do cotidiano? Porque, dizia Sartre, cada gesto era um compromisso. A resistência significava uma escolha e, pois, um exercício de liberdade. Significava não renunciar à construção de sua própria existência quando os invasores queriam moldá-la, reduzindo-a a objeto passivo e sem forma.

    Em linguagem retórica e poética Rosa de Luxemburgo disse algo semelhante: quem não se movimenta não percebe as correntes que o aprisionam.

   Sartre era existencialista: a existência precede a essência. Isto significa que não há algo anterior à existência que impeça um ser humano de tomar livremente as decisões que construirão o seu futuro. Isto dá ao humano a plena imputabilidade pelos seus atos. O que ele faz da sua existência é culpa ou mérito exclusivamente seu. O que ela é hoje resulta de decisões que tomou no passado, e o que será resultará das decisões que toma no presente.

  A experiência francesa durante a ocupação alemã guarda certa similitude com o Brasil de hoje. Na França parte da sociedade (muito maior do que os franceses gostam de admitir) foi complacente ou colaborou com o invasor que massacrava seu povo e aniquilava os mais elementares direitos dos franceses. Hoje, parte da sociedade brasileira assiste inerte, é complacente, apoia ou apoiou usurpadores que vão reduzindo a pó o pouco de direitos e garantias de um povo já miserável.

  Na França colaborava-se por ser fascista ou filofascista. Por egoísmo social. Por ressentimento. Por ódio de classe. Para pequenas vinganças privadas, para atingir um inimigo pessoal. Colaborava-se por ausência de qualquer sentimento de solidariedade social. A colaboração com o invasor desvelava a mais baixa extração moral. Quanto a nós, tomo como paradigma uma cena do cotidiano que presenciei dia desses. Duas mulheres ao meu lado conversavam. Uma disse que seu filho de 13 anos era fã do Bolsonaro. A outra, algo espantada, faz uma crítica sutil, perguntando se ela não conversava com o filho sobre política. A resposta: “acho bonito que meu filho seja politizado nessa idade”. Com isto, quis dizer que não importava de que modo seu filho estava precocemente se politizando.

   Pode-se razoavelmente supor que ela, mulher, ignore que Bolsonaro disse que há mulheres que merecem ser estupradas? Que saudou, diante de todo país, em rede nacional de televisão, o mais célebre torturador da ditadura militar? Que declarou que prefere o filho morto se ele for homossexual? Como ignorar isso tudo é altamente improvável, porque seria supor que tal mulher vive em uma bolha impenetrável em plena era das redes sociais, podemos concluir, com Sartre, que escolheu o sórdido para si e para seu filho. O que resultará dessa escolha não poderá ser imputado a Deus, ao destino, aos fatos da natureza ou a qualquer fórmula vaga e estúpida do tipo “a vida é assim”, mas a ela mesma e a seus pares brancos de classe média que tem atitudes semelhantes.
  Do mesmo modo como a parcela colaboracionista da sociedade francesa escolheu a opressão do invasor estrangeiro, parcela da sociedade brasileira escolheu o retrocesso, o obscurantismo e a selvageria.
  Foi em massa às ruas em nome do combate à corrupção apoiando um processo político liderado por notórios corruptos.
  Regozija-se com o câncer e com o AVC do adversário politico, demonstrando completa ausência de qualquer traço de fraternidade e respeito ao próximo.
  Suas agruras e dificuldades econômicas e sociais transformam-se em ódio justamente contra os excluídos e em apoio às ricas oligarquias que controlam a vida política do país (das quais julgam-se espelhos), a fórmula clássica do fascismo.
  Permanece indiferente, omissa ou dá franco apoio ao aniquilamento de direitos, ao fim, na prática, da aposentadoria para milhões de brasileiros, à eliminação dos direitos trabalhistas, à entrega do patrimônio nacional a grandes empresas estrangeiras.
  Seu ódio transforma em esgoto as redes sociais.
  Não há como prever o que acontecerá a esta sociedade. Uma convulsão social poderá desalojar os usurpadores do poder, ou poderemos seguir para o cadafalso como povo. A História sempre é prenhe de surpresas. O que é certo, no entanto, tomando a frase de Sartre, é que somente poderão dizer no futuro que foram livres, no Brasil pós-golpe de 2016, os que agora estão se comprometendo e resistindo. É uma trágica liberdade de tempos sombrios, mas se nos foi dado viver neste tempo, que vivamos com a dignidade que somente os seres livres podem ostentar.
  Hoje são livres os que resistem.

  Márcio Sotelo Felippe é pós-graduado em Filosofia e Teoria Geral do Direito pela Universidade de São Paulo. Procurador do Estado, exerceu o cargo de Procurador-Geral do Estado de 1995 a 2000. Membro da Comissão da Verdade da OAB Federal

sábado, 11 de maio de 2019

Mouzar Benedito reúne as melhores frases sobre liberdade, de Malcolm X a Machado de Assis, passando por Simone de Beauvoir e Cecília Meireles, para dar algum ânimo na era do neofascismo e do discurso autoritário dos sombrios tempos de Bolsonaro, Paulo Guedes e Mourão



do Blog da Boitempo

Cultura inútil: Liberdade! Liberdade?

por Mouzar Benedito

Nós saciólogos (sic) fazemos muitas atividades por aí, e sempre nos perguntam como é que o Saci perdeu uma perna. Há várias versões. Conto a que prefiro.
Reza a lenda que o Saci era um pequeno deus guarani – pequenino mesmo, um curumim. Os colonizadores, para facilitarem o domínio dos povos indígenas, “transformaram” todos os seus deuses em demônios. Para aumentar o preconceito contra o Saci, nos tempos de escravidão negra, o transformaram em negro. E ele foi pego e escravizado por um fazendeiro. À noite, ficava acorrentado por uma perna, preso a um cepo na senzala. Uma noite, ele mesmo cortou a perna presa e fugiu. Preferiu ser um perneta livre do que um escravo de duas pernas.
Nestes tempos em que tem gente desprezando solenemente a liberdade, e aspirando a volta da ditadura, me lembrei disso. E coletei um monte de frases sobre o tema. Aí vão.
Benjamin Franklin: “Aqueles que abrem mão da liberdade essencial por um pouco de segurança temporária não merecem nem a liberdade nem a segurança”.
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Benjamin Franklin, de novo: “Onde mora a liberdade, ali está minha pátria”.
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Graham Greene: “Heresia é apenas um outro nome para liberdade de pensamento”.
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Virginia Woolf: “Não há barreira, fechadura ou ferrolho que possas impor à liberdade da minha mente”.
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Jeanne Manon Roland: “Liberdade, liberdade, os crimes que se cometem em teu nome”.
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Machado de Assis: “A liberdade não é surda-muda nem paralítica. Ela vive, ela fala, ela bate as mãos, ela ri, ela assobia, ela clama, ela vive da vida”.
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O gêmeo Paulo, no romance Esau e Jacó, de Machado de Assis: “A abolição é a aurora da liberdade; emancipado o preto, resta emancipar o branco”.
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Bakunin: “A liberdade do outro estende a minha ao infinito”.
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Françoise Sagan: “Desejo tanto que respeitem a minha liberdade que sou incapaz de não respeitar a dos outros”.
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Clarice Lispector: “A liberdade é pouco. O que eu quero ainda não tem nome”.
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Clarice Lispector, de novo: “Acho que devemos fazer coisa proibida, senão sufocamos. Mas sem sentimento de culpa e sim como aviso de que somos livres”.
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Clarice Lispector, mais uma vez: “Eu tenho uma aparente liberdade, mas estou presa dentro de mim”.
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Clarice Lispector, ainda: “Mas quero a liberdade de dizer coisas sem nexo como profunda forma de te atingir. Só o errado me atrai, e amo o pecado, a flor do pecado”.
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E mais uma da Clarice Lispector: “A liberdade ofende”.
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Stanislaw Ponte Preta: “Política tem esta desvantagem: de vez em quando, o sujeito vai preso, em nome da liberdade”.
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Rubem Alves: “O desejo de liberdade é mais forte que a paixão. Pássaro, eu não amaria quem me cortasse as asas. Barco, eu não amaria quem me amarrasse no cais”.
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Marina Tsvetayeva: “A liberdade é uma puta bêbada esperneando contra um soldado que tenta dominá-la”.
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Luís Freitas Rodrigues: “A liberdade não evita que um indivíduo se torne hipócrita; é contudo, inegavelmente, uma lei contra a hipocrisia”.
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Marquês de Maricá: “O que ganhamos em autoridade, perdemos em liberdade”.
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Não sei quem: “Se você acha que a liberdade não enche a barriga, tente passar dez anos na prisão com a barriga cheia”.
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Nietzsche: “Qual é o sinal da liberdade realizada? Não sentir vergonha de si mesmo”.
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Nietzsche, de novo: “O homem livre é imoral, porque em todas as coisas quer depender de si mesmo e não de algo estabelecido”.
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Carlos Drummond de Andrade: “A liberdade é defendida com discursos e atacada com metralhadoras”.
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Balzac: “A liberdade leva à desordem, a desordem à repressão, e a repressão novamente à liberdade”.
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Juscelino Kubistchek: “Não consentirá o governo que a liberdade seja utilizada para assassinar a própria liberdade”.
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Juscelino, de novo: “A liberdade, para nós, corresponde a uma série de conquistas econômicas, sociais e políticas”.
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D. Xiquote: “Liberdade é o direito que se tem de não permitir que os outros façam aquilo que querem”.
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José Bonifácio: “O amor da liberdade deve ser, na frase bíblica, invencível como é a morte; deve, como o apóstolo, ter a sede do infinito; deve ser grande como o universo que o contém”.
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Graça Aranha: “A liberdade é uma relatividade humana, que forçamos à existência para a nossa ilusão criadora”.
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Gustave Le Bon: “Muitos são os homens que falam de liberdade, mas poucos são os que não passam a vida a construir amarras”.
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Jean-Jacques Rousseau: “O homem nasceu livre e por toda a parte vive acorrentado”.
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Rousseau, de novo: “Povos livres, lembrai-vos desta máxima: a liberdade pode ser conquistada mas nunca recuperada”.
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Baruch Espinoza: “É aos escravos, e não aos homes livres, que se dá um prêmio para os recompensar por terem se comportado bem”.
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Manuel de Barros: “Quem anda nos trilhos é trem. Sou água que corre entre pedras – liberdade caça jeito”.
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Guimarães Rosa: “A água de boa qualidade é como a saúde ou a liberdade: só tem valor quando acaba”.
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Guimarães Rosa, de novo: “O passarinho na gaiola pensa que uma árvore e o céu o prendem”.
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Henrik Ibsen: “Nunca vista as suas melhores calças quando sair para lutar pela liberdade e pela verdade”.
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Millôr Fernandes: “A liberdade é um cachorro vira-lata”.
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Millôr, de novo: “Não existe liberdade consentida. A liberdade é de baixo para cima, imposta pelas reivindicações e pela consciência do indivíduo. As tiranias, por vontade própria, jamais dãoliberdade. Apenas, à proporção em que se sentem seguras, vão pondo elos na corrente que prende todos os cidadãos”.
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Millôr, mais uma vez: “Ser livre, é bom notar, não é ser libertado. ‘Eu te dou toda liberdade’ é a restrição suprema”
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Denis Diderot: “O homem só será livre quando o último rei for enforcado com as tripas do último padre”.
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Rui Barbosa: “Bem acanhado tino o dos que preferem a coroa do terror que um sopro arrebata, à do contentamento público na liberdade, que a gratidão perpetua”.
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Montesquieu: “A liberdade é o direito de fazer tudo que as leis permitem”.
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Thomas Jefferson: “O preço da liberdade é a eterna vigilância”
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George Orwell: “Às vezes penso que o preço da liberdade não é tanto a eterna vigilância, mas o eterno jogo sujo”.
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Nelson Rodrigues: “A liberdade é mais importante que o pão”.
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Adão Myszak: “Na época atual, a liberdade só existe para os fortes. Ninguém precisa dos fracos”.
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Austregésilo: “Ser livre, para o homem contemporâneo, é ser justo, é ser culto, é respeitar o direito alheio, o direito individual, diante de si mesmo”.
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Coelho Neto: “Nada mais livre do que a natureza e, todavia, é regida por leis invariáveis”.
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Heitor Moniz: “O liberalismo tem uma bandeira bonita e aspectos exteriores que o tornam na verdade sedutor. É apenas uma aparência enganosa”.
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Heitor Moniz, de novo: “O liberalismo tudo promete ao povo e dá tudo aos fortes e aos ricos”.
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Vivaldo Coaraci: “O homem é tanto mais livre quanto maior a sua capacidade de renúncia”.
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Antônio Costa: “Liberdade! A natureza toda é um espelho onde a tua grandeza se reflete”.
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Leôncio Basbaum: “Liberdade quer dizer vida e natureza, em toda sua exuberante, espontânea e livre manifestação”.
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Leoni Kaseff: “O fim último da vida não é o progresso, nem mesmo a verdade, mas a liberdade”.
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Wilson Chagas: “É livre quem aprendeu a livrar-se daquilo que o impede justamente de ser livre”.
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Albert Camus: “Julgavam-se livres e nunca alguém será livre enquanto houver flagelos”.
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Dei Bao: “A liberdade não é nada senão a distância entre a caça e o caçador”.
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Victor Hugo: “Tudo que aumenta a liberdade, aumenta a responsabilidade”.
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George Bernard Shaw: “Liberdade significa responsabilidade. É por isso que tanta gente tem medo dela”.
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Sigmund Freud: “A maioria das pessoas não quer realmente a liberdade, pois a liberdade envolve responsabilidade, e a maioria das pessoas tem medo da responsabilidade”.
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George Orwell: “Se a liberdade significa alguma coisa, será sobretudo o direito de dizer às outras pessoas o que elas não querem ouvir”.
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Rabindranah Tagore: “É tão fácil esmagar, em nome da liberdade exterior, a liberdade interior”.
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Mahtma Gandhi: “A prisão não são as grades, a liberdade não é a rua; existem homens presos na rua e livres na prisão. É uma questão de consciência”.
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Goethe: “Ninguém é mais escravo do que aquele que se julga livre sem o ser”.
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Francis Bacon: “É um estranho desejo, desejar o poder e perder a liberdade”.
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Voltaire: “Se o homem nasceu livre, deve governar-se; se ele tem tiranos, deve destroná-los”.
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Madame de Staël: “A liberdade e o amor são incompatíveis. Quem ama é sempre escravo”.
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Malcolm X: “Não se pode separar paz de liberdade, porque ninguém consegue estar em paz sem que tenha sua liberdade”.
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Pablo Neruda: “Você é libre para fazer suas escolhas, mas é prisioneiro das consequências”.
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Simone de Beauvoir: “Querer ser livre é querer livres os outros”.
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Simone de Beauvoir, de novo: “O homem é livre. Para essa liberdade só há um caminho: o desprezo das coisas que não dependem de nós”.
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Benito Mussolini: “A verdade é que os homens estão cansados de liberdade”.
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Isaac Asimov: “A liberdade não tem preço, a mera possibilidade de obtê-la já vale a pena”.
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José Martí: “A liberdade custa muito caro e temos que nos resignarmos a viver sem ela ou nos decidirmos a pagar seu preço”.
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Che Guevara: “Sonha e serás livre de espírito… Luta e serás livre na vida”.
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Gustave Le Bom: “Para os homens, a liberdade, na maioria dos casos, não é outra coisa senão a faculdade de escolherem a servidão que mais lhe convém”.
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Nelson Mandela: “Nenhum poder na Terra é capaz de deter um povo oprimido, determinado a conquistar a liberdade”.
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John Lennon: “A mulher é o negro do mundo. É a escrava dos escravos. Se ela tenta ser livre, tu dizes que ela não te ama. Se ela pensa, tu dizes que ela quer ser homem”.
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Hilda Hilst: “Sinto-me livre para fracassar”.
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Woody Allen: “A liberdade é o oxigênio da alma”.
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Henri Barbusse: “A liberdade e a fraternidade são palavras, enquanto a igualdade é uma coisa”.
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Bob Marley: “Acredito na liberdade para todos, não apenas para os negros”.
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Beethoven: “Os músicos utilizam todas as liberdades que podem”.
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Cecília Meireles: “Liberdade de voar num horizonte qualquer, liberdade de pousar onde o coração quiser”.
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Leon Tolstoi: “Não alcançamos a liberdade buscando a liberdade, mas sim a verdade. A liberdade não é um fim, mas uma consequência”.
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Lauro de Oliveira Lima: “Tudo está fluindo. O homem está em permanente reconstrução; por isso é livre: liberdade é o direito de transformar-se”.
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Fernando Pessoa: “A liberdade é a possibilidade de isolamento. Se te é impossível viver só, nasceste escravo”.
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Jean Paul Sartre: “A pátria, a honra, a liberdade… Nada disso! O Universo gira em torno de um par de nádegas e isso é tudo…”.
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Luís Fernando Veríssimo: “Mas eu desconfio que a única pessoa livre, realmente livre, é a que não tem medo do ridículo”.
***
Mouzar Benedito, jornalista, nasceu em Nova Resende (MG) em 1946, o quinto entre dez filhos de um barbeiro. Trabalhou em vários jornais alternativos (Versus, Pasquim, Em Tempo, Movimento, Jornal dos Bairros – MG, Brasil Mulher). Estudou Geografia na USP e Jornalismo na Cásper Líbero, em São Paulo. É autor de muitos livros, dentre os quais, publicados pela Boitempo, Ousar Lutar(2000), em co-autoria com José Roberto Rezende, Pequena enciclopédia sanitária(1996), Meneghetti – O gato dos telhados (2010, Coleção Pauliceia) e Chegou a tua vez, moleque! (2017, e-book). Colabora com o Blog da Boitempo quinzenalmente, às terças.

sexta-feira, 8 de março de 2019

No dia de hoje, 8 de março… Esperamos que o martírio dessas meninas, moças, filhas, mães, irmãs, exposto à luz da história, impeça o martírio de outras meninas, moças, filhas, mães, irmãs



por Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos

No dia de hoje… 
08 de março é dia de prestar nossas homenagens – nesta série de textos sobre a violência estatal e suas vítimas – às mulheres que, direta ou indiretamente, foram atingidas pela violência do Estado.
Como fizeram Aldir Blanc e João Bosco, é preciso lembrar das Marias e Clarices, que choraram, mas que sobretudo resistiram criando seus filhos após terem visto seus maridos serem presos e recebido uma comunicação falsa de suicídio.
É preciso lembrar das Marias, Mahins e Marielles, mulheres negras e imortais, que lutaram contra a escravidão e a injustiça que se instalou mesmo após a abolição.
Fica aqui registrado o nosso agradecimento à Mangueira, por nos ensinar que o nome do Brasil é Dandara, guerreira, mulher de Zumbi dos Palmares, que se suicidou quando foi presa para nunca mais voltar a ser escrava.
Hoje é dia de lembrar de Isabel e de Janaína, que conheceram a violência estatal ainda crianças de tenra idade, para que suas mães fossem forçadas a entregar informações sobre seus familiares; de Criméia Alice que, grávida de seu companheiro na Guerrilha do Araguaia, André Grabois, voltou para a cidade, mas caiu em mãos sujas que a colocaram num pau de arara; de Patrícia, irmã de um sobrevivente da chacina da Candelária, e que luta em nome dele e de tantas outras crianças vitimadas apenas por terem nascido pobres e negras; de Débora, que teve seu filho, jovem e já trabalhador há 07 anos – como gari -, gratuitamente assassinado pela Polícia Militar no fatídico mês de maio de 2006; de Ana Rosa, Heleny, Ísis, Walquíria, Lenira e de tantas outras resistentes, assassinadas por forças estatais, mas que sequer tiveram seus corpos entregues às famílias para sepultamento.
Esperamos que o martírio dessas meninas, moças, filhas, mães, irmãs, exposto à luz da história, impeça o martírio de outras meninas, moças, filhas, mães, irmãs.
“Para que não se esqueça, para que não se repita”.

quarta-feira, 26 de setembro de 2018

#EleNao internacional: brasileiros de Harvard lançam manifesto anti-Bolsonaro


Resultado de imagem para rejeição a bolsonaro aumenta

De Gabriel Mascarenhas na Coluna Radar da Veja.
Alunos e acadêmicos brasileiros de Harvard divulgaram na noite desta quarta-feira um manifesto virtual contra Jair Bolsonaro (leia a íntegra ao final da nota).
O documento, “em defesa da democracia e do respeito às diferenças”, não declara apoio a qualquer outro candidato, apenas critica duramente as bandeiras do capitão.
O texto sustenta que Bolsonaro “representa uma evidente ameaça à democracia e um risco à estabilidade política, econômica e social do Brasil, (além de) valores e posturas que vão na contramão do diálogo”.
Lembra ainda que o presidenciável do PSL vem “louvando autoritarismo da ditadura militar” e “concebendo
políticas públicas com base em mera opinião e sentimentos”.
Embora tenha sido elaborado por integrantes da comunidade acadêmica de brasileiros na universidade, o documento está disponível na internet e pode ser assinado por qualquer pessoa.
Ao fim, os responsáveis pelo texto dizem que planejam voltar ao Brasil e que só conseguirão “contribuir, na diversidade e pluralidade”, para que o país melhore, se “a razão vencer o ódio”.
“Um manifesto pela defesa da democracia e o respeito às diferenças
Nós, estudantes e acadêmicos brasileiros da [Escola de Governo da Universidade de Harvard e outras instituições de ensino], aqui subscritos, não temos um(a) candidato(a) à Presidência que nos una. Temos distintas visões sobre quais são as prioridades e soluções para os problemas que afligem o Brasil.
Votaremos em nomes de todo o espectro político, com os mais distintos programas de governo. Concordamos, porém, que a diversidade de visões e propostas só é possível em um ambiente democrático. 
Concordamos, também, que Jair Bolsonaro, do PSL, representa uma evidente ameaça à democracia e um risco para a estabilidade política, econômica e social do Brasil.
Bolsonaro apresenta valores e posturas que vão na contramão do diálogo. A busca de consensos é necessária para encontrar o equilíbrio e construir, juntos, caminhos para superar a crise política e econômica que vivemos.
Este é um momento fundamental para a definição do futuro do país. Podemos escolher usá-lo como oportunidade de entender nosso passado, corrigir rumos, reduzir privilégios, reverter injustiças, e construir um Brasil mais próspero e digno para todos e todas. Não será fácil nem indolor, mas é possível.
De maneira contrária, Bolsonaro propõe aprofundar divisões que permeiam, mas não definem, a nossa sociedade. Elevando a agressividade no debate político. Negando a vulnerabilidade histórica de minorias e atacando direitos arduamente conquistados. Louvando o autoritarismo da ditadura militar. Concebendo políticas públicas com base em mera opinião e sentimentos. Ameaçando não reconhecer o resultado das urnas em caso de derrota, pedra fundamental do processo democrático.
O mundo assiste ao discurso do ódio ganhar força. Esse não é o caminho que queremos para o Brasil. Já experimentamos, no passado, a ascensão de lideranças políticas utilizando discursos apelativos que prometiam salvar a pátria para implementar soluções autoritárias. Em pouco tempo, o país se arrependeu dessas escolhas.
Nós voltaremos para o Brasil. Sonhamos em contribuir, na diversidade e pluralidade, para que o Brasil dos nossos filhos e netos seja melhor do que o Brasil dos nossos pais.
Só conseguiremos se a razão vencer o ódio. Se nos mantivermos unidos pela defesa da democracia e do respeito às diferenças como valores fundamentais e inquestionáveis.
ASSINATURA
(…)
O texto foi produzido por um grupo de alunos da Harvard Kennedy School, mas o apoio e a assinatura de
pessoas de todas as demais instituições são bem-vindas e desejáveis“.

Fonte: Diário do Centro do Mundo

terça-feira, 25 de setembro de 2018

#Somostrêsmilhões: marquem esse dia!, por Grauninha





Somos três milhões. No dia de hoje, neste exato momento, 3.003.729 Manas! Nesse dia pela sexta vez, aos 33 anos de idade,  ela foi eleita a melhor jogadora de futebol do mundo!!!! Assisti a pouco o trecho em que a Fatima Bernardes, Revolts-Pistola, quebrou todos os "sapatinhos de cristal" que desempoderam a mulher, ainda, em pleno século XXI quanto ao seu direito a escolhas relacionadas ao casamento, trabalho, amor, maternidade, estudos, sexualidade, espiritualidade, etc etc
Marta Vieira da Silva botou a chuteira no pé e chutou longe esses sapatinhos de cristal!
Eitcha Mulherão da... Dia 29 faremos história! Vem também! Até lá!
Fonte do texto: GGN

segunda-feira, 24 de setembro de 2018

Mais um manifesto contra candidatura proto-ditatorial de Jair Bolsonaro


"É preciso dizer, mais que uma escolha política, a candidatura de Jair Bolsonaro representa uma ameaça franca ao nosso patrimônio civilizatório primordial. É preciso recusar sua normalização, e somar forças na defesa da liberdade, da tolerância e do destino coletivo entre nós." - Trecho do Manifesto Democracia Sim

O cardápio de adesões (do manifesto) é variado e com uma única pauta em comum entre tantos: um manifesto contra a candidatura de Jair Bolsonaro. O manifesto chama-se 'Democracia Sim' (e, implicitamente patente, o #Elenão).

Do GGN:




De Miguel Reale Jr. a Rento Janine Ribeiro, de Maria Alice Setúbal a Caetano Veloso, de Oscar Vilhena a Drauzio Varella. O cardápio de adesões é variado e com uma única pauta em comum entre tantos: um manifesto contra a candidatura de Jair Bolsonaro. O manifesto chama-se 'Democracia Sim'.
O documento ressalta as diferenças ideológicas entre tantos signatários. Mas explica a que veio quando compara o sucesso de Bolsonaro, ex-capitão, a outros presidentes que assumiram  com promessas populistas relacionadas ao fim da corrupção. 
Já com 330 adesões, o documento afirma que o Brasil enfrenta desafios e que o desgaste da classe política levou a um sentimento de descrença. 'Mas sabemos também dos perigos de pretender responder a isso com concessões ao autoritarismo, à erosão das instituições democráticas ou à desconstrução da nossa herança humanista primordial', diz o texto.
No documento, a certeza de que as assinaturas unem brasileiros de diferentes matizes políticos, diferentes apoios a partidos e candidatos diversos, que defendem causas, ideias e projetos distintos, mas que têm em comum o compromisso com a democracia, a liberdade, a convivência plural e o respeito mútuo. 'E acreditamos no Brasil. Um Brasil formado por todos os seus cidadãos, ético, pacífico, dinâmico, livre de intolerância, preconceito e discriminação', afirma.
E a pauta comum é o repúdio à candidatura de Bolsonaro. 'É preciso dizer, mais que uma escolha política, a candidatura de Jair Bolsonaro representa uma ameaça franca ao nosso patrimônio civilizatório primordial. É preciso recusar sua normalização, e somar forças na defesa da liberdade, da tolerância e do destino coletivo entre nós', diz o texto.
Por fim, o texto lembra que é a democracia que provê abertura, inclusão e prosperidade aos povos que a cultivam com solidez. 'Que nos trouxe nos últimos 30 anos a estabilidade econômica, o início da superação de desigualdades históricas e a expansão sem precedentes da cidadania entre nós... Por isso, estamos preparados para estar juntos na sua defesa em qualquer situação, e nos reunimos aqui no chamado para que novas vozes possam convergir nisso. E para que possamos, na soma da nossa pluralidade e diversidade, refazer as bases da política e cidadania compartilhadas e retomar o curso da sociedade vibrante, plena e exitosa que precisamos e podemos ser', pontua.
Leia o manifesto a seguir.
Pela Democracia, pelo Brasil
Somos diferentes. Temos trajetórias pessoais e públicas variadas. Votamos em pessoas e partidos diversos. Defendemos causas, ideias e projetos distintos para nosso país, muitas vezes antagônicos.
Mas temos em comum o compromisso com a democracia. Com a liberdade, a convivência plural e o respeito mútuo. E acreditamos no Brasil. Um Brasil formado por todos os seus cidadãos, ético, pacífico, dinâmico, livre de intolerância, preconceito e discriminação.
Como todos os brasileiros, sabemos da profundidade dos desafios que nos convocam nesse momento. Mais além deles, do imperativo de superar o colapso do nosso sistema político, que está na raiz das crises múltiplas que vivemos nos últimos anos e que nos trazem ao presente de frustração e descrença.
Mas sabemos também dos perigos de pretender responder a isso com concessões ao autoritarismo, à erosão das instituições democráticas ou à desconstrução da nossa herança humanista primordial.
Podemos divergir intensamente sobre os rumos das políticas econômicas, sociais ou ambientais, a qualidade deste ou daquele ator político, o acerto do nosso sistema legal nos mais variados temas e dos processos e decisões judiciais para sua aplicação. Nisso, estamos no terreno da democracia, da disputa legítima de ideias e projetos no debate público.
Quando, no entanto, nos deparamos com projetos que negam a existência de um passado autoritário no Brasil, flertam explicitamente com conceitos como a produção de nova Constituição sem delegação popular, a manipulação do número de juízes nas cortes superiores ou recurso a autogolpes presidenciais, acumulam declarações francamente xenofóbicas e discriminatórias contra setores diversos da sociedade, refutam textualmente o princípio da proteção de minorias contra o arbítrio e lamentam o fato das forças do Estado terem historicamente matado menos dissidentes do que deveriam, temos a consciência inequívoca de estarmos lidando com algo maior, e anterior a todo dissenso democrático.
Conhecemos amplamente os resultados de processos históricos assim. Tivemos em Jânio e Collor outros pretensos heróis da pátria, aventureiros eleitos como supostos redentores da ética e da limpeza política, para nos levar ao desastre. Conhecemos 20 anos de sombras sob a ditadura, iniciados com o respaldo de não poucos atores na sociedade. Testemunhamos os ecos de experiências autoritárias pelo mundo, deflagradas pela expectativa de responder a crises ou superar impasses políticos, afundando seus países no isolamento, na violência e na ruína econômica. Nunca é demais lembrar, líderes fascistas, nazistas e diversos outros regimes autocráticos na história e no presente foram originalmente eleitos, com a promessa de resgatar a autoestima e a credibilidade de suas nações, antes de subordiná-las aos mais variados desmandos autoritários.
Em momento de crise, é preciso ter a clareza máxima da responsabilidade histórica das escolhas que fazemos.
Esta clareza nos move a esta manifestação conjunta, nesse momento do país. Para além de todas as diferenças, estivemos juntos na construção democrática no Brasil. E é preciso saber defendê-la assim agora.
É preciso dizer, mais que uma escolha política, a candidatura de Jair Bolsonaro representa uma ameaça franca ao nosso patrimônio civilizatório primordial. É preciso recusar sua normalização, e somar forças na defesa da liberdade, da tolerância e do destino coletivo entre nós.
Prezamos a democracia. A democracia que provê abertura, inclusão e prosperidade aos povos que a cultivam com solidez no mundo. Que nos trouxe nos últimos 30 anos a estabilidade econômica, o início da superação de desigualdades históricas e a expansão sem precedentes da cidadania entre nós. Não são, certamente, poucos os desafios para avançar por dentro dela, mas sabemos ser sempre o único e mais promissor caminho, sem ovos de serpente ou ilusões armadas.
Por isso, estamos preparados para estar juntos na sua defesa em qualquer situação, e nos reunimos aqui no chamado para que novas vozes possam convergir nisso. E para que possamos, na soma da nossa pluralidade e diversidade, refazer as bases da política e cidadania compartilhadas e retomar o curso da sociedade vibrante, plena e exitosa que precisamos e podemos ser.