Enquanto passeava sem máscara pelos shoppings do Brasil, Pazuello deixava seu amigo pessoal Airton "Cascavel" cuidando do ministério da saúde; tudo na informalidade. Cascavel já foi acusado de corrupção ativa, grilagem e até de coisas ainda mais cabulosas.
Jornal GGN – O Estado brasileiro foi denunciado à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) por conta do cenário de violações ao direito à vida, saúde e integridade, diante do colapso no sistema de saúde no estado do Amazonas e a falta de oxigênio medicinal e insumos hospitalares em meio à pandemia da covid-19.
A representação destaca que as violações se agravam no que se refere aos direitos das populações indígenas, quilombolas e ribeirinhas da Amazônia Legal, que foram atingidas pela Covid-19 devido ao não acesso a informações confiáveis sobre a doença e a medidas de proteção e isolamento que pudessem coibir o crescente número de contágios e mortes anunciadas nos territórios.
Além disso, o conjunto de violações se torna ainda mais alarmante no contexto da pandemia e da posição do Brasil como um dos países mais afetados no mundo todo, recordista de mortes em decorrência da pandemia – e que pior lidou com a crise.
O cenário de caos em Manaus havia sido informado desde o mês de agosto, quando houve alertas sobre crescimento de casos e a falta de insumos e, em 04 de janeiro, ao ministério da saúde, comandado pelo general da ativa Eduardo Pazuello – o qual, sabendo que o sistema de saúde poderia entrar em colapso, fez apenas recomendação de tratamento precoce com medicamentos cientificamente comprovados pelo risco de dano cardíaco e pela sua ineficácia contra o coronavírus.
A medida cautelar foi assinada e tem o apoio das instituições Artigo 19; Conectas Direitos Humanos; Justiça Global; Terra de Direitos; Coalizão Negra por Direitos; Agência de Jornalismo Amazônia Real; Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib); Associação de Travestis, Transexuais e Transgêneros do Estado do Amazonas (Assotram); Centro Feminista de Estudos e Assessoria (Cfemea); Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab); Movimento de Mulheres Negras da Floresta – Dandara; Observatório de Direitos Humanos, Crise e Covid-19; Transparência Brasil.
Além das organizações, as evidências reunidas nas denúncias foram apresentadas por Kátia Brasil (jornalista e fundadora da agência de jornalismo Amazônia Real); Jesem Orellana (epidemiologista da Fiocruz); Mauricio Ruiz (médico geriatra da Fundação Dr. Thomas – Lar de Idosos público); Vanda Ortega (técnica de enfermagem e liderança indígena do Parque das Tribos); e Marinete Almeida Costa (liderança indígena do Povo Tukano).
Os grandes jogadores atuam com outra lógica. Primeiro, estimam o cenário de médio prazo. Depois, traçam uma linha entre o presente e o futuro. E vão acompanhando o mercado.
No período em que convivi com o banqueiro Walther Moreira Salles, o Brasil estava em moratória e havia a necessidade de uma negociação penosa com os credores e governos nacionais. Em um de nossos almoços, um dos filhos indagou como ele faria pra renegociar a dívida, ele que foi o grande negociador da dívida externa brasileira nos anos 50.
Ele foi objetivo. Chegaria nos Estados Unidos e marcaria um encontro com um irmão do presidente George Bush em um clube de tênis em Nova York. Depois, encontro com outroamericano ilustre em um clube social de Washington. Indaguei dele sobre as tecnicalidades da negociação. Moreira Salles foi sucinto:
– Podem existir computadores, planilhas, tecnicalidades. Mas, na diplomacia nada substitui as relações pessoais.
Nos últimos tempos, o chanceler Ernesto Araújo, o idiota,se vangloriava do país ter se tornado um pária internacional. Confrontado com a realidade, assumiu-se como pária:“Sim, o Brasil hoje fala de liberdade através do mundo. Se isso faz de nós um pária internacional, então que sejamos esse pária”.
Hoje a vacinação depende de produtos ativos importados da China e do Índia. E não há uma interlocução sequer entre Itamarati e a diplomacia desses países.
É a comprovação chocante da irresponsabilidade de sucessivos governos. Em outros países, o início da Covid levou a ações de emergência, juntando instituições públicas e privadas visando conferir autonomia ao país, na produção de insumos essenciais.
Por aqui, o governo Bolsonaro não se preveniu nem em relação a insumos básicos, como seringas e oxigênio. E deparou-se, na China e na Índia, com a demanda mundial pressionando pelos insumos, e sem nenhuma interlocuação diplomacia.
A explicação de Ernesto foi simples: a falta de insumos não se deve a problemas diplomáticos, mas a excesso de demanda. É óbvio!, Ernesto. É nesses momentos que a diplomacia se torna essencial, pela capacidade de cortar etapas, de colocar interesses recíprocos nacionais furando a fila das demandas.
Outra idiotice nacional é tomar o pulso da economia pelo mercado. Diariamente, notáveis analistas de mercado são consultados para saber por que a bolsa subiu ou caiu e, com isso, vão monitorando ações de governo em benefício do mercado.
Os grandes jogadores atuam com outra lógica. Primeiro, estimam o cenário de médio prazo. Depois, traçam uma linha entre o presente e o futuro. E vão acompanhando o mercado, criando pequenas expectativas aqui e ali, uma perspectiva de reforma (que não mudará em um centímetro a realidade) aqui,outro ali. Mas sabendo que no final da linha haverá ou um boom ou um desastre.
É evidente que o cenário futuro é de desastre:
1. Um trapalhão no Ministério da Saúde, Eduardo Pazuello, precisando administrar uma estratégia complexa, de garantir insumos, mapear vacinados, garantir a segunda vacinação no prazo, cuidar da logística.
2. Outro trapalhão no Ministério da Economia, que garante que a economia vai se recuperar daqui a alguns meses, por isso não haveria necessidade de renovar a ajuda de emergência agora – que seria essencial para permitir à economia se recuperar mais adiante.
3. O terceiro trapalhão no Itamarati.
Não há nenhuma possibilidade de dar certo.
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"Bastava observar as orelhas e bochechas afogueadas, o tom ríspido, as frases curtas, ao estilo de quem dá ordem ao batalhão, para ver que o ainda ministro Eduardo Pazuello transbordava irritação e insatisfação, diante do que se viu no Hospital das Clínicas", escreve a jornalista Denise Assis sobre o ministro da Saúde
Bastava observar as orelhas e bochechas afogueadas, o tom ríspido, as frases curtas, ao estilo de quem dá ordem ao batalhão, para ver que o ainda ministro Eduardo Pazuello transbordava irritação e insatisfação, diante do que se viu no Hospital das Clínicas, cenário escolhido pelo governador João Doria, para o anúncio da aprovação, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), da vacina Coronavac, desenvolvida em conjunto com a China.
Para ele, o dia não era de esperança, como para todos nós, que reservamos o domingo para assistirmos plenos de felicidade – independente de ser João Doria ou menos João Doria, a comandar o evento. Para Pazuello, importou marcar na lousa o x da derrota, imposta dele para com ele mesmo, ou de Bolsonaro para com o subordinado. Não tivesse o governo estipulado a aprovação à vacina como uma corrida de cem metros rasos, e estariam todos no mesmo palco, comemorando a vitória da saúde, da vida e do país.
Mas Bolsonaro primeiramente e Pazuello, por submissão, tomaram a si o caráter de batalha dado à conquista da primeira dose de vacina. Um troféu que lhes escapou da mão e, se era vidro, se quebrou. Vamos guardar para depois as observações sobre a sanha marketeira de Doria, vamos comentar mais tarde que ele também topou a disputa. Porém, neste momento, é difícil tirar do governador os motivos para montar com rigor uma cerimônia em que estavam presentes os nomes dos envolvidos neste brilhante trabalho de descoberta científica. Não faltou o senso de justiça social, de elevar à condição histórica duas mulheres representativas – Mônica Aparecida Calazans, 54 anos, e Vanuzia Costa Santos, da etnia Kaimbé, 50 – com a cara do Brasil, que tanto Bolsonaro quanto Pazuello desprezam e torcem para que morram.
Mônica pega ônibus e se expõe ao contágio todos os dias, para estar na linha de frente ajudando os que agonizam na unidade onde trabalha. Ela atua no Instituto de Infectologia Emílio Ribas, na capital paulista, em turnos de 12 horas, em dias alternados, na UTI do Hospital. Vanuzia está na capital paulista desde 1988, representando o povo Kaimbé, da Bahia, e milita na causa dos direitos humanos. Após ser vacinada, Vanuzia contou que sonha um dia retornar para cuidar dos moradores da aldeia de Massacará, na cidade de Euclides da Cunha, onde nasceu.
Ambas receberam as doses de vacina no Hospital das Clínicas, durante o anúncio de aprovação do imunizante coronavac, aprovado havia minutos, pela Anvisa, a despeito de todos os entraves colocados pelo governo federal.
Enquanto isto, em Brasília, um papelucho amarfanhado e escrito à mão – conforme as câmeras deixavam ver -, tremulava nas mãos do ministro, dando mostras de por que foi o governo de São Paulo, e não o seu ministério, que desenvolveu uma vacina capaz de doravante – se realmente seguido o roteiro do Plano Nacional de Imunização, encaminhado para e por exigência do Supremo Tribunal Federal (STF) – salvar vidas no Brasil.
O governador Doria confeccionou camisas, escolheu com critério as primeiras vacinadas, preparou púlpitos, convocou a imprensa nacional e internacional e direcionava pessoalmente as perguntas aos técnicos capazes de respondê-las, quanto ao ministro, não teve o capricho de pedir a um assessor que digitasse o seu roteiro, não destacou alguém para entregar a tempo o microfone para os jornalistas que fariam as perguntas (mal se ouvia o que falavam) e não escondeu a rispidez costumeira, nem sequer por trás de uma falsa alegria, que fosse, pela vitória obtida na tarde de hoje.
Pazuello não só não comemorou, como ainda tentou estragar a festa de Doria, ameaçando judicializar o uso das duas doses de vacinas utilizadas na cerimônia. Perdeu, playboy. A bola estava no campo adversário, e foi enfermeira Mônica quem deu a melhor resposta à frustração de Pazuello: “Não é apenas uma vacina. É o recomeço de uma vida que pode ser justa, sem preconceitos e com garantia de que todos nós teremos as mesmas condições de viver dignamente, com saúde e bem-estar”, disse ela, que é obesa, hipertensa e diabética. E qual é o juiz que vai se colocar contra esses princípios?
Jornalista. Passou pelos principais veículos, tais como: O Globo; Jornal do Brasil; Veja; Isto É e o Dia. Autora de "Propaganda e cinema a serviço do golpe - 1962/1964" e "Imaculada". Membro do Jornalistas pela Democracia
Não há qualquer plano de vacinação do governo Bolsonaro para combate à pandemia da Covid-19. É suspeita do TCU, diante da recusa do governo de apresentar o planejamento para a vacinação, determinação que o Tribunal havia feito em agosto
Jair Bolsonaro e Eduardo Pazuello (Foto: Carolina Antunes/PR)
247 - O governo Bolsonaro está se recusando a cumprir uma decisão do Tribunal de Contas da União (TCU) que determinava a entrega de um planejamento detalhado para a vacinação da população contra a covid-19. A determinação do órgão de controle foi aprovada pelo plenário no dia 12 de agosto, mas a Advocacia-Geral da União (AGU) recorreu e até agora não há indicação de que o plano sequer exista, informa o jornalista Murillo Camarotto, do Valor Econômico.Depois da decisão do TCU, em agosto, houve, em 20 de outubro, uma reunião do ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, com os governadores. Na ocasião, ele garantiu que o governo brasileiro iria apresentar até 30 de novembro um plano detalhado de vacinação contra a covid-19, incluindo uma provável campanha nacional para iniciar a imunização até 20 de janeiro. Era conversa fiada. "Até final de novembro, uma câmara técnica que foi criada... vai apresentar o detalhamento da estratégia de vacinação de maneira que a gente tenha tempo para a implementação disso", disse o governador do Piauí, Wellington Dias em entrevista à Reuters após o encontro.
A entrevista de Dias deixa claro como o governo Bolsonaro enganou os governadores: "Você vai ter que cuidar de investimentos já de agora para garantir a armazenagem, qualificação e treinamento das equipes que vão fazer a vacinação. E o outro ponto é a perspectiva de até meados de janeiro, por volta de 15 a 20 de janeiro, ter o início do processo de vacinação, pode ser até antes, mas de forma até conservadora o calendário colocado este é o patamar".
Segundo Dias, Pazuello disse que a Coronavac, a vacina chinesa contra a covid-19, que seria incorporada ao Programa Nacional de Imunizações. Depois, Bolsonaro iniciou sua bateria ideológica de ataques contra a Coronavac.
Mapa e ondas de mortes pelo coronavírus no país exaltam desigualdades históricas. Indígenas, negros e pessoas com baixa escolaridade estão entre os mais vulneráveis
Familiares se despedem de uma vítima da covid-19, em São Paulo.AMANDA PEROBELLI / REUTERS
Com 100.000 vidas perdidas para a covid-19, o Brasil vê a pandemia do novo coronavírus desenhar no seu território um retrato doloroso. É cerca de uma morte a cada dois minutos durante quase cinco meses, se considerarmos o intervalo entre a confirmação do primeiro óbito ― em março ― e esta sexta-feira (7). Um resultado que não pode ser descolado de um cenário em que a polarização e o negacionismo de autoridades minaram políticas de controle da epidemia. O vírus chegou primeiro em grandes capitais, depois começou a avançar pelo interior, onde agora ganha corpo. Em um território tão grande e tão diverso como o brasileiro, ganhou velocidades distintas em cada região. Exaltou desigualdades históricas ― especialmente as de acesso ao sistema de saúde, levando ao colapso regiões menos estruturadas, como Manaus e Fortaleza. A incidência das mortes, considerando a densidade populacional, também é forte em Belém, Recife e Rio de Janeiro. Já tem mais de cinco meses que o vírus avança pelo país ― e não há nada de concreto que aponte quando as mortes causadas por ele vão cessar. Chegamos a 100.000 falecimentos, com um terço dessas vidas perdidas somente no último mês.
É importante colocar os números em perspectiva para não amenizar a gravidade da epidemia, quando levamos tantas semanas lendo e ouvindo que o Brasil registra, dia após dia, mais de 1.000 novos óbitos. Se todas as 100.000 mortes pela covid-19 do país se concentrassem nos seus municípios menos populosos, 68 cidades inteiras teriam desaparecido ao mesmo tempo. É como se metade do plano piloto de Brasília simplesmente deixasse de existir. Ou que, em cinco meses, falecesse toda a população dos nobres bairros de Pinheiros e Alto de Pinheiros, em São Paulo. Ou ainda todos os moradores de Leblon e Ipanema, no Rio de Janeiro. Esse é o tamanho da fatalidade no Brasil até este início de agosto.
Há quatro cidades brasileiras que têm o mesmo número de habitantes que os mortos da covid-19. A doença que foi minimizada pelo presidente Jair Bolsonaro como uma “gripezinha” mata tanto quanto o câncer e já supera as mortes por infarto, pneumonia, acidentes de trânsito e pelo próprio vírus da influenza se analisarmos o mesmo período de 2018, o dado mais recente de causas e mortes no DataSUS, o sistema de estatísticas de saúde do próprio Governo Federal. O número de brasileiros que morreram de covid-19 em cinco meses é duas vezes e meia maior que as mortes por acidentes de trânsito durante todo o ano passado. Segundo os dados mais atualizados da Seguradora Líder-DPVAT, foram 40.721 mortes no trânsito de 2019.
O perfil geral dos que morreram pela covid-19 no Brasil segue o padrão observado em outras partes do mundo. Mais da metade dos infectados que faleceram no país são homens e idosos, segundo os dados do Ministério da Saúde, que levam em conta apenas os casos hospitalizados. O peso da doença não é equitativo entre as faixas etárias, mas não se pode dizer que a covid-19 mata apenas pessoas mais velhas. Uma em cada nove pessoas que faleceram no país tinha menos de 45 anos de idade.
O acesso aos cuidados necessários quando há uma manifestação mais grave da covid-19 está permeado pela desigualdade. Os dados brasileiros não são completos o suficiente para responder a incidência de mortes por cor da pele e escolaridade, variáveis que no país estão fortemente relacionadas à desigualdade social. As fichas hospitalares até contêm esses campos, mas muitas deixam de ser preenchidas. Há, porém, um recorte possível de fazer, que mostra uma face dura: pessoas falecidas que se autodeclararam como brancas acessaram consideravelmente mais leitos de UTI ou ventilação mecânica ― foram quase oito em cada dez mortes. Entre os que se identificaram como pretas, pardas e amarelas, foram menos de sete em cada dez.
O retrato da desigualdade é ainda mais duro para a população indígena. Historicamente submetidos a sistemas de saúde mais frágeis, apenas seis de cada 10 indígenas que morreram por covid-19 conseguiram ter acesso a essa estrutura importante para a sobrevivência na manifestação mais grave.
Essa desigualdade também é latente quando olhamos os dados por escolaridade, outra variável da desigualdade socioeconômica. A falta de UTIs e de ventilação mecânica é particularmente intensa entre as pessoas com menor nível de escolaridade, mostrando um efeito diferencial nesse segmento em relação a todos os outros. Três de cada dez pessoas sem escolaridade morreram de covid-19 sem conseguir ter acesso a um leito de terapia intensiva ou ventilação mecânica.
Desde o começo da crise, as autoridades brasileiras relacionam os óbitos por covid-19 com algumas comorbidades. Pacientes com cardiopatias, hipertensão e diabetes, por exemplo, têm mais chances de evoluir para uma manifestação grave da doença e até morrer. No Brasil, a incidência de comorbidades também está particularmente correlacionada com o nível educacional. Doenças cardíacas, por exemplo, são 20% mais frequentes entre pessoas falecidas com menos escolaridade.
Se os brasileiros submetidos à manifestação mais grave da covid-19 enfrentam a doença de forma desigual, o próprio vírus também avança pelas várias regiões do país de forma diferente. Muitos fatores podem influenciar isso, como por exemplo a data de início da transmissão comunitária, o nível de concentrações populacionais (que aceleram o contágio) e até as decisões dos gestores locais sobre o isolamento social. Embora a Organização Mundial da Saúde já tenha declarado que o coronavírus não tem uma característica sazonal, o Governo do Brasil acredita que o surgimento de grandes ondas de contágio nas regiões Norte e Nordeste no início da crise e a migração atual dos focos para as regiões ao Sul estão relacionadas com a chegada do inverno nesta área do país.
Seja como for, o Brasil enfrenta distintas ondas localizadas da epidemia, se observamos as mortes em uma linha do tempo. Há fortes focos concentrados no Norte e Nordeste entre abril e maio, com destaque para Belém, Manaus, Fortaleza e Recife. E, desde junho, essas ondas migram para as regiões Sul e Centro-Oeste. Ainda é cedo para comparar a intensidade delas, já que a fase da epidemia também muda regionalmente. E não há elementos epidemiológicos que indiquem um controle efetivo. O número total de mortes registradas todos os dias no país até cresce de forma mais lenta que há alguns meses, mas segue uma incidência alta, com mais de 1.000 novas notificações diárias. Mais de cinco meses depois do início da crise, o Brasil ainda tem o mesmo desafio: superar a polarização política e agir para controlar a pandemia.
O ministro interino da Saúde, general Eduardo Pazuello. Foto: Reprodução
Jornal GGN – O presidente Jair Bolsonaro passou a acumular, na prática, a função de ministro da Saúde ao estipular das diretrizes governamentais na área às audiências da pasta. Depois de substituir dois ministros em meio à pandemia do coronavírus, o presidente colocou o general Eduardo Pazuello como ministro interino e, embora ele não tenha experiência no setor, ele acaba sendo um “cumpridor de ordens”.
Segundo reportagem do jornal O Estado de São Paulo, os ministros anteriores – Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich – foram demitidos por defender o isolamento social e rejeitar o uso da cloroquina no tratamento dos pacientes, algo que Bolsonaro se opôs frontalmente.
Pazuello acabou por ser o executor das tarefas determinadas pelo Planalto, e tem enfrentado uma série de críticas por mudar a forma de contabilizar as vítimas da pandemia, além de atrasar e impedir a divulgação dos dados, como queria Bolsonaro. E o que é uma medida antidemocrática, o que levou diversos veículos de imprensa a criarem um consórcio para a divulgação dos dados de forma mais transparente.
E a conta de tal atuação começa a atingir as Forças Armadas: depois de terem preparado uma imagem de técnicos que atuam com números, Pazuello acabou com a transparência da divulgação dos dados diários de vítimas fatais na pandemia e, ao levar 20 oficiais para trabalhar na sua assessoria, ele acabou por confirmar as acusações feitas pela oposição de que ele é o general que transformou o Ministério da Saúde em um quartel.