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terça-feira, 31 de maio de 2022

O aberrante Bolsonaro e a luta da civilização e do bem contra a barbárie do mal autoritário. Por Fernando Castinho

 

O país não suportará mais quatro anos de processo de destruição das instituições, dos direitos humanos e da civilização.

Foto: Edilson Dantas/Agência O Globo

Bolsonaro e a luta do bem contra o mal

por Fernando Castilho

Todos acompanhamos, num misto de incredulidade e horror a execução do sergipano, Genivaldo de Jesus Santos e muita gente já escreveu sobre o ocorrido.

Tentarei não ser mais um, somente.

A índole cruel e opressora do Estado sempre acompanhou a evolução do ser humano. Algumas vezes ela recua, outras épocas, recrudesce.

O recrudescimento se deu durante a Santa Inquisição, a Segunda Guerra Mundial – quando foram executados mais de seis milhões de judeus, a maioria em câmaras de gás como a que encerrou a existência de Genivaldo – e, parece que volta, após uma pausa, ao mundo e, lógico, também ao Brasil comandado por Jair Bolsonaro.

Não à toa o mandatário da nação procurou minimizar o crime defendendo hoje a PRF (Polícia Rodoviária Federal) e dizendo querer “justiça sem exageros”.

Mas, o que seria uma justiça sem exageros? A mesma que os policiais fizeram com Genivaldo? Uma barbárie?

Continuou: “Sem exageros e sem pressão por parte da mídia, que sempre tem um lado: o lado da bandidagem. Como lamentavelmente grande parte de vocês [jornalistas] se comportam, sempre tomam as dores do outro lado. Lamentamos o ocorrido e vamos com seriedade fazer o devido processo legal para não cometermos injustiça e fazermos, de fato, justiça”.

Ora, ora, ora. Lógico que o capitão poupa a PRF porque tem entre seus agentes muitos eleitores. Ou seja, Bolsonaro usa a morte de Genivaldo pra fazer campanha eleitoral. E trata a vítima como bandido, sendo que bandidos foram os que a assassinaram.

Sergio Moro, o atual ex-tudo, também se manifestou sobre o fato de maneira cínica ao condenar a ação da PRF, ele que defende a excludente de ilicitude que nada mais é do que atirar primeiro e depois perguntar, o mesmo que os agentes fizeram, apesar de utilizarem gás lacrimogênio e não armas de fogo.

O fato é que há algo de podre, não só nessa corporação, mas nas polícias em geral, haja vista a chacina cometida pela Polícia Militar do Rio de Janeiro quando matou mais de vinte pessoas na Vila Cruzeiro.

Vejam que até surgiu um vídeo de um professor de cursinho preparatório para concurso da PF ensinando a tortura com gás lacrimogênio dentro da viatura como método de amansar os presos mais exaltados.

Se há instituições corrompidas no Estado, as polícias, pelo seu aparelhamento, são as campeãs. E as mais perigosas porque portam armas.

Muito se fala que, caso o capitão não vença as eleições, poderá tentar um golpe, mas não conseguirá contar com a totalidade das Forças Armadas.

Na verdade, o que se observa é um movimento do capitão para conseguir apoio das polícias, embora isso também pareça um tanto distante no horizonte.

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Anderson Torres, afirmou apenas que a “apuração será a mais breve possível”, mas a PF já adiantou que o inquérito para apurar responsabilidades só estará concluído em 30 dias. Um caso que é um flagrante. Lógico que a expectativa é de que nesse prazo o caso seja esquecido pela imprensa e por nós.

Toda essa onda de barbáries cometidas quase todos os dias, que já começam a ser naturalizadas pela mídia e até por nós que não fomos capazes de sairmos às ruas como os americanos fizeram quando da execução por métodos semelhantes de George Floyd, é responsabilidade daquele, que na condição de chefe maior da nação, prega a violência, o armamento da população e a falta de empatia.

O país não suportará mais quatro anos de processo de destruição das instituições, dos direitos humanos e da civilização.

É preciso um outro Brasil para nossos filhos e netos, um Brasil de respeito ao ser humano, seja branco ou negro, como Genivaldo.

É urgente uma mudança.

Fernando Castilho é arquiteto, professor e escritor

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para dicasdepauta@jornalggn.com.br.

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sexta-feira, 8 de abril de 2022

Isto é e Estadão: Facebook identifica militares como ‘chefes’ de perfis com fake news sobre a Amazônia

 




Do IstoÉ Dinheiro, replicando reportagem do Estadão:




O Facebook anunciou nesta quinta-feira, 7, que derrubou uma rede de contas e perfis falsos que tentavam distorcer o debate público relacionado a questões ambientais, como o desmatamento da Amazônia. Segundo a Meta (holding do Facebook), oficiais do Exército Brasileiro eram responsáveis pela operação de desinformação, mas as suas identidades não foram reveladas pela rede social.

As informações surgiram no relatório trimestral que a empresa produz sobre ameaças na plataforma. Na atual edição do relatório, foram listados casos no Azerbaijão, na Rússia, na Ucrânia, no Irã, na Costa Rica e nas Filipinas. A rede brasileira aparece como um exemplo de “comportamento inautêntico coordenado”, termo da empresa que se refere a redes de perfis e páginas falsas usadas em esforço para manipular o debate público.

No total, foram derrubados 14 perfis falsos e nove páginas no Facebook, além de 39 contas no Instagram – parte desses perfis e páginas também estavam conectadas a páginas no Twitter. Nos serviços do Facebook, a rede somava 25 mil seguidores.

“Não podemos compartilhar muitos detalhes de como nossa investigação chegou aos militares. Quanto mais compartilhamos, mais essas redes conseguem se esconder. Usamos sinais técnicos e comportamentais”, disse ao Estadão Nathaniel Gleicher, chefe de política de segurança global do Facebook.

Antes de derrubar a rede, porém, o Facebook compartilhou suas informações com a Graphika, empresa de monitoramento de redes sociais – a ideia era ter um olhar terceiro além da pesquisa realizada pela companhia de Mark Zuckerberg. A Graphika publicou um relatório independente, no qual deu mais detalhes sobre como conseguiu mapear os militares. Novamente, as identidades não foram reveladas.

Segundo o documento, dois oficiais do Exército estão por trás da rede – a empresa confirmou pelo Portal da Transparência, do governo federal, que, até dezembro de 2021, quando fez a checagem, ambos estavam na ativa. Quatro perfis pessoais dos oficiais foram identificados, o que permitiu determinar a ligação dos homens com o Exército. Entre as evidências estão posts nos quais eles aparecem fardados e congratulações de parentes por conquistas em treinamentos e cursos militares, além de fotos de arquivo pessoal que abrangem um período de 10 anos

“Os nomes deles apareciam em registros governamentais e documentos públicos militares,incluindo os resultados de exames de admissão no Exército e uma tese de graduação da Academia Militar, o que nos permitiu determinar que suas carreiras começaram em 2012 e 2014”, diz o relatório. A Graphika não conseguiu determinar as funções específicas dos homens no Exército, mas acredita que ambos têm funções ligadas à cavalaria.

Porém tanto Facebook quanto Graphika não fazem conexões dos oficiais ao comando do Exército.


Desmatamento, ação militar e ONGs


Segundo o relatório do Facebook, os perfis e páginas tentavam se passar por organizações da sociedade civil e ativistas interessados na preservação da Amazônia – foi a primeira vez que a rede social identificou uma rede do tipo atuando em questões ambientais. O documento diz que alguns posts diziam que “nem todo o desmatamento da floresta é prejudicial”. Além disso, havia ataques a ONGs que atuam para a preservação do meio ambiente.


No relatório da Graphika, é citada a página NaturAmazon, organização ambiental inexistente que tinha 6.650 seguidores no Instagram e que operou entre maio e setembro de 2021. Além de postar imagens de animais, a página costumava elogiar o governo no combate ao desmatamento e afirmava que o Brasil é líder na proteção ao meio ambiente.


A Graphika ainda afirma que a página postava sobre o suposto sucesso do governo e do Exército no combate ao desmatamento – a culpa pelo impacto ambiental negativo era transferida para os cidadãos em nível individual, ignorando causas sistêmicas nas ações. “A NaturAmazon postava apenas notícias e estatísticas que apresentavam o governo e os militares de maneira positiva”, diz o documento.

Outra página citada é a O Fiscal das ONGs, que tinha 7 mil seguidores no Instagram e parou de postar em setembro de 2021. O objetivo do perfil, segundo a Graphika, era abalar a credibilidade de ONGs ambientais. Entre os alvos estavam o Imazon, o Instituto Socioambiental (ISA), o Greenpeace e o WWF.

O Fiscal das ONGs costumava postar também partes de um filme conspiratório produzido pelo site bolsonarista Brasil Paralelo. A Graphika identificou também dois posts que incluíam falas do senador amazonense Plínio Valério (PSDB) sobre supostamente ter evidências de que ONGs querem comprar terras na Amazônia para atender a interesses estrangeiros.


Ataques a Bolsonaro


A rede desmontada pelo Facebook teve uma fase anterior envolvimento com questões ambientais. Entre abril e junho de 2020, os perfis e páginas eram usados para criticar o presidente Jair Bolsonaro (PL) e promover questões sociais. Segundo o documento, a rede fracassou para obter engajamento nessa fase e foi desativada. Ela só voltou a operar em maio de 2021 já na etapa ambiental, considerada a principal da operação.


Na sua primeira fase, uma das páginas, chamada Resistência Jovem, postava memes, infográficos e manchetes de veículos de imprensa tradicionais que criticavam Bolsonaro, especialmente a sua atuação na pandemia. O perfil, porém, obteve apenas 531 seguidores


Outro perfil, Orgulho Sem Terra, postava conteúdo relacionado ao Movimento Sem Terra, além de críticas a Bolsonaro.


As duas fases claramente antagônicas em conteúdo não são explicadas pelo Facebook ou pela Graphika. As duas empresas dizem focar apenas nas operações que resultam em comportamento coordenado inautêntico. O estudo da Graphika diz que “a atividade reforça a importância de analisar as operações dentro de um contexto social e político”. E diz ainda: “Isso é particularmente relevante no Brasil, que tem uma história de agentes com motivações políticas engajados em comportamento coordenado online prejudicial”.


O documento cita as desavenças entre Bolsonaro e os militares, que resultaram nas trocas de comando nas Forças Armadas em março de 2021.


Procurado pela reportagem, o Exército Brasileiro ainda não se manifestou.

sábado, 4 de setembro de 2021

GGN: Covenant Bolsonaro e sua farsa no Valhalla brasiliense. Texto de Fábio de Oliveira Ribeiro

 

    Sempre que encena o personagem “o mito” diante dos seus seguidores, Bolsonaro fala como se fosse Walter 1 (aquele personagem do filme Alien Covenant que é o portador da informação verdadeira e confiável). Todavia, o discurso dele é um amontoado de informações distorcidas e algumas vezes mentirosas que visam provocar o colapso total da racionalidade e do sistema constitucional. David 8 concretiza no filme o genocídio que Bolsonaro sonha colocar em prática. As vítimas do presidente brasileiro, entretanto, não serão os homens brancos.



Nos dias 6 e 7 de setembro de 2021 os especuladores internacionais redobrarão suas apostas contra o nosso país. Nenhum investimento externo novo será decidido ou feito no Brasil enquanto Bolsonaro continuar no poder

Foto: Marcos Corrêa/PR

Bolsonaro Covenant e sua entrada triunfal no Valhalla brasiliense

Por Fábio de Oliveira Ribeiro

Duas cenas do filme Alien: Covenant (2017) ajudam a compreender o que está ocorrendo no Brasil.

Na primeira, o androide David 8 começa a recitar o poema Ozymandias. Walter 1, o outro androide, termina de recitar o poema após as imagens do genocídio. Então, David 8 atribui o pema a Lord Byron.

Na segunda, Walter 1 informa David 8 que o poema Ozymandias foi escrito por Percy B. Sheley em 1818 e não por Byron.

Quando uma nota está fora [do tom correto], eventualmente toda a sinfonia é destruída”. Diz Walter 1 ao seu interlocutor.

O problema da informação: quando ela é inexistente ou fragmentária, a ignorância pode induzir o cidadão a erro; quando é abundante, a verdade pode se tornar inexpressiva ou irrelevante; quando é distorcida, o resultado pode causar tragédias que produzirão reverberações na realidade por muito tempo.

Sempre que encena o personagem “o mito” diante dos seus seguidores, Bolsonaro fala como se fosse Walter 1 (aquele que é o portador da informação verdadeira e confiável). Todavia, o discurso dele é um amontoado de informações distorcidas e algumas vezes mentirosas que visam provocar o colapso total da racionalidade e do sistema constitucional. David 8 concretiza no filme o genocídio que Bolsonaro sonha colocar em prática. As vítimas do presidente brasileiro, entretanto, não serão os homens brancos.  

O culto da raça braça, do sangue imaculado, da violência redentora, da morte na guerra santa e da purificação do mundo que está sendo encenado por Bolsonaro não vai terminar com ele regurgitando em segurança as novas sementes de um antigo mal. O capitão amalucado terá que colher e digerir o veneno que plantou. Adolf Hitler cometeu suicídio sendo cremado com gasolina numa vala. Mussolini foi metralhado e o corpo dele ficou pendurado de cabeça para baixo. 

No caso brasileiro, é inevitável ficar com a impressão de que os conflitos reais e artificiais criados por Bolsonaro tem apenas três finalidades:

1º – dificultar a investigação dos crimes financeiros e eleitorais que ele cometeu antes e depois da eleição e impedir sua responsabilização pelo genocídio pandêmico.

2º- garantir a permanência dele no poder apesar do fracasso econômico e da hecatombe humanitária provocada pela união explosiva e extremamente volátil do autoritarismo policial com os grileiros gananciosos, jornalistas antiéticos, ruralistas radicalizados, banqueiros irresponsáveis, pastores estelionatários, militares esclerosados e milícias criminosas (o Talibãsonaro);

3º – desviar a atenção da população do verdadeiro problema estrutural do Brasil, qual seja, a submissão política/militar aos EUA e a perpetuação da transferência da riqueza nacional para os estrangeiros que se assenhoraram da Petrobras e do pré-sal ficando, por via de consequência, em condições de saquear toda economia brasileira.

No filme, Alien: Covenant (2017) Walter 1 acaba sendo substituído por David 8. Em decorrência disso, os embriões de Aliens regurgitados pelo androide serão levados para a nova colônia.

Bolsonaro já está plantando as sementes de um novo genocídio. No dia 07 de setembro de 2021 os deuses entrarão no Valhalla brasiliense. Portanto, a manifestação em Brasília deve ter uma tilha sonora adequada ao perfil nazista do mito e dos seguidores dele que pretendem invadir e incendiar o Congresso, o TSE e o STF.

A Embaixada dos EUA não está disposta a correr riscos e já emitiu uma nota aconselhando os norte-americanos a ficar longe dos atos bolsonaristas https://blogs.correiobraziliense.com.br/vicente/embaixada-dos-eua-pede-que-cidadaos-americanos-fiquem-longe-de-manifestacoes-a-favor-de-bolsonaro/. A oposição, porém, minimiza o risco de violência generalizada. Líderes políticos e ativistas têm preferido espalhar boatos, falsos ou verdadeiros, acerca da sexualidade do presidente brasileiro. O Twitter está sendo inundado com piados e piadas acerca da infidelidade de uma das esposas de Bolsonaro.

Estamos prestes a entrar num período sem precedentes? É difícil dizer o que ocorrerá. Porém, uma coisa é certa: nos dias 06 e 07 de setembro de 2021 os especuladores internacionais redobrarão suas apostas contra o nosso país. Nenhum investimento externo novo será decidido ou feito no Brasil enquanto Bolsonaro continuar no poder.

Os deuses financeiros jogarão gasolina no Valhalla brasiliense antes do quebra-quebra e do incêndio final das instituições? A conferir. Se a segunda-feira começar com uma fuga massiva de capitais, o mercado indicará que acredita num cenário de guerra civil com mortos e feridos sem prazo para terminar ou resultado previsível. Todavia, existe um abismo entre o primeiro tiro de morteiro e o cenário criado pelos especuladores para garantir seus ativos e/ou maximizar seus lucros.

A economia, o amor, a política e a guerra são capazes de fazer um observador rir ou chorar. Esses quatro domínios da atividade humana são absurdos e abissais. Neles, algumas vezes as coisas realmente saem de controle. Outras vezes, o controle da situação é restaurado justamente quando as coisas parecem estar descontroladas.

O melhor a fazer no dia 07 de setembro de 2021 é ver um bom filme e não dar muita atenção à encenação bolsonarista. Ela será um misto de ficção e insanidade com pitadas de violência entre os próprios manifestantes. Além disso, a pandemia continuará interrompendo muitas vidas antes de chegar ao fim.

Fábio de Oliveira Ribeiro, 22/11/1964, advogado desde 1990. Inimigo do fascismo e do fundamentalismo religioso. Defensor das causas perdidas. Estudioso incansável de tudo aquilo que nos transforma em seres realmente humanos.

Este texto não expressa necessariamente a opinião do Jornal GGN

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