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quinta-feira, 7 de janeiro de 2021

Do El País: Bolsonaro apoia Trump e diz que houve fraude nos EUA enquanto mundo critica assalto ao Capitólio

 

Premiê do Reino Unido, Boris Johnson, diz que imagens da invasão do Capitólio por trumpistas são “vergonhosas” e ministro alemão fala em “democracia pisoteada”


O presidente brasileiro, Jair Bolsonaro.

O presidente brasileiro, Jair Bolsonaro.ERALDO PERES / AP


Os principais líderes mundiais assistiram com espanto ao ataque à sede do Congresso dos EUA por manifestantes instigados pelo presidente Donald Trump. A seriedade dos acontecimentos no Capitólio dos Estados Unidoslevou à condenação de grande parte dos líderes mundiais, que concordam em pedir calma e respeitar a vontade das urnas. Não foi, no entanto, o caso de Jair Bolsonaro.

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Um aliado entusiasta de Trump, Bolsonaro, um dos últimos líderes a parabenizar Joe Biden pela vitória nos EUA, deu apoio tácito à investida incitada pelo republicano quando perguntado por apoiadores nesta quarta-feira. “Eu acompanhei tudo. Você sabe que eu sou ligado ao Trump. Você sabe da minha resposta. Agora, muita denúncia de fraude, muita denúncia de fraude. Eu falei isso um tempo atrás”, disse o brasileiro, em referência ao ainda ocupante da Casa Branca.

Ato seguido, Bolsonaro voltou, novamente sem provas, a dizer que sua eleição em 2018 também foi alvo de fraude. “A minha eleição foi fraudada. Eu tenho indícios de fraude na minha eleição. Era para eu ter ganho no primeiro turno.” O brasileiro insiste tanto na tese infundada de fraude como na campanha de desconfiança sobre o sistema eleitoral brasileiro que deixa poucas dúvidas de que seguir a estratégia de Trump, de questionamento de resultados eleitorais e incitação da base radical, faz parte de um roteiro que ele pode acionar em 2022. Os presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e do Senado, Davi Alcolumbre, criticaram os acontecimentos em Washington.

Veja a seguir a reação de líderes internacionais. A maioria escolheu a rede social Twitter para tornar pública sua reação.

Reino Unido. O primeiro-ministro Boris Johnson, também um aliado de Trump, condenou o que aconteceu: “Imagens vergonhosas no Congresso dos Estados Unidos. Os Estados Unidos representam a democracia em todo o mundo e agora é vital que haja uma transferência de poder pacífica e ordeira.”

Alemanha. “Trump e seus apoiadores devem definitivamente aceitar a decisão dos eleitores americanos e parar de pisotear a democracia”, tuitou o ministro das Relações Exteriores alemão, Heiko Maas.

OTAN. O secretário-geral da Aliança Atlântica, o norueguês Jens Stoltenberg, chamou os violentos protestos em Washington como “cenas chocantes” e destacou que “o resultado dessas eleições deve ser respeitado”.

Rússia. “De DC vêm imagens no estilo Maidan”, tuitou o número dois do embaixador russo na ONU, Dmitry Poliansliy, referindo-se às mobilizações populares que culminaram na derrubada do aliado presidente ucraniano de Moscou, Viktor Yanukovich. “Alguns dos meus amigos perguntam se alguém vai distribuir cookies como nas travessuras que Victoria Nuland estrelou”, referindo-se ao comportamento do número dois na diplomacia dos EUA durante uma visita à Ucrânia em 2013.

União Europeia. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, expressou sua confiança na “força das instituições americanas e na democracia. Uma transição pacífica está no centro”, tuitou a líder europeia. “Joe Biden ganhou a eleição. Estou ansiosa para trabalhar com ele como o próximo presidente dos Estados Unidos.” Da mesma forma, o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, declarou que “contamos com os Estados Unidos para permitir uma transferência pacífica do poder para Joe Biden”.

Espanha. O presidente de Governo (premiê) Pedro Sánchez tuitou: “Estou acompanhando com preocupação as notícias que chegam do Capitólio, em Washington. Estou confiante na força da democracia americana. A nova presidência de Joe Biden vai superar este momento de tensão, unindo o povo americano.” Por sua vez, a ministra das Relações Exteriores, Arancha González-Laya, lembrou que “a democracia se baseia na transferência pacífica do poder: quem perde tem que aceitar a derrota. Confiança plena nos senadores e deputados para cumprir a vontade do povo. Confiança total no presidente eleito Joe Biden.”

Argentina. O presidente Alberto Fernández expressou sua “rejeição aos graves atos de violência e indignação do Congresso” e confiou em que “haverá uma transição pacífica que respeite a vontade popular”. Ele enfatizou seu “forte apoio ao presidente eleito Joe Biden”.

França. De Paris, o ministro das Relações Exteriores, Jean-Yves Le Drian, condenou o “sério ataque à democracia” que representa o ataque ao Capitólio em Washington por partidários de Trump: “A vontade e o voto do povo americano devem ser respeitados”.

Venezuela. “Com este lamentável episódio, os Estados Unidos sofrem o mesmo que geraram em outros países com suas políticas agressivas”, diz um breve comunicado, que também condena “a polarização política e a espiral de violência”.


TV GGN: A tentativa trumpista de golpe nos EUA pode se repetir no Brasil bolsonarista com seu histórico de golpes?

 Ao comparar as recentes posições de Trump e Bolsonaro, é preciso lembrar que “todo esse processo é muito similar, e remete o que pode acontecer com o Brasil depois dessa demonstração do Trump nos EUA”


GGN. - O programa começa com a entrevista de Nassif com a pesquisadora Margareth Dalcolmo, da Fiocruz, a respeito da vacina contra a covid-19 e as respectivas mutações. “O coronavírus não é um virus altamente mutante, diferente do vírus do influenza pelo qual tem que ter vacina nova todo ano”, explica a pesquisadora. “Ele já teve aproximadamente umas 300 mutações desde que a epidemia começou, mas todas elas são mutações que ocorrem individualmente e que não conferiram a ele uma patogenecidade maior”

Ou seja: segundo doutora Margareth Dalcolmo, “ele não ficou pior, mais virulento por conta das mutações. “Porém, essas mutações quando se associaram (como a cepa nova que está correndo no Reino Unido e já está no Brasil), ela é uma cepa muito transmissível porque ela tem três mutações que nós já conhecíamos, mas que nunca tinham sido encontradas juntas. Isso transformou o vírus com uma capacidade de transmissibilidade muito maior”

“Nenhuma dessas mutações fará com que as vacinas tenham qualquer influência maléfica no sentido de não ter atividade contra eles. Nada”, diz a doutora Margareth Dalcolmo. “Essas mutações não dão ao vírus nenhuma capacidade diferente de não responderem ás vacinas, de modo algum. Não há nenhum temor quanto a isso”

“Não há melhor vacina, todas as vacinas são boas iguais. Elas são vacinas diferentes, e isso é uma coisa que ensinamos aos nossos alunos e à opinião pública: valorar eficácia de vacina teórica, de vacina, não é a melhor maneira de se avaliar a eficiência, a efetividade”

“Qualquer vacina que tenha uma eficácia, em estudo, acima de 50% é suficiente para, no mundo real, alcançar a quebra da cadeia de transmissão que é o que nós queremos encontrar. Isso é o que interessa”, afirma a infectologista da Fiocruz.

Sobre a vacina indiana que está sendo comprada pelo setor privada, doutora Margareth afirma que “parece ser uma vacina boa. O problema é que não conhecemos os resultados da fase 3 dela até o momento. O que ela (Bharat Biotech) destinaria à rede privada é, no máximo, 5% da sua produção (para a rede privada) por todo um controle ético (…) Não quer dizer que não venhamos a ter, no futuro, vacina na rede privada como sempre teve”

“O mundo inteiro tem clínica de vacina privada, no Brasil também. Nós tomamos a vacina da gripe todo ano pelo SUS, mas há pessoas que não querem tomar (…) Neste momento da epidemia da covid-19, isso tá fora de cogitação. Não pode, sobretudo no país da desigualdade do Brasil, onde tenho clientes que me disseram ‘doutora, eu estou disposto a pagar R$ 5 mil por uma dose da vacina’. Ora, isso não pode acontecer”, pontua doutora Margareth.

“A chancela que o Ministério da Saúde deu à Fiocruz para fazer um acordo de transferência de tecnologia com a AstraZeneca (a vacina vai se chamar AstraZeneca/Fiocruz), essa foi uma negociação feita a custo humanitário”, diz a pesquisadora da Fiocruz. A vacina está custando menos de US$ 2 a dose, e essas que estão sendo importadas estão saindo a US$ 5 a dose, por estar embutido o custo do transporte, da embalagem, da conservação na cadeia de frio nos aviões”, diz doutora Margareth Dalcolmo;

“Aqui, para a nossa produção, a dose de vacina tá US$ 2,16, é o custo unitário de cada dose”, afirma a pesquisadora da Fiocruz, e ressalta que foi feita a nacionalização completa do medicamento (incluindo a produção futura da matéria-prima que dá origem à vacina)

“(A produção da vacina) será para uso específico no Brasil, mas o Brasil poderá fabricar. Isso prevê inclusive que o Brasil possa vender a vacina depois para os países da América Latina, ou doar para os países pobres que não podem comprar”, diz Margareth

Ao comentar sobre as eleições norte-americanas, Nassif destaca o resultado da Geórgia: “A maneira como o mundo atua é fantástica: na Georgia, onde o Trump depositava suas últimas esperanças, vence a eleição um senador negro. “E todo o trabalho de afirmação dos negros vem de uma parlamentar negra, que durante 14 anos lutou para levar civilização para lá”, lembra Nassif, ao fazer uma referência a Stacey Abrams

Nassif lembra que Trump estimulou a manifestação de seus apoiadores, quando postou uma mensagem em 30 de dezembro falando que veria seus apoiadores em Washington em 06 de janeiro. “Nós vimos uma bela cobertura da imprensa, indignação dos jornalistas, a torcida para que Trump possa ser preso pelas ameaças à democracia (…)

“O que teria acontecido com os EUA se a mídia, ao invés de defender a democracia, estimulasse as manifestações contra as eleições e apoiasse o golpismo de Trump?”

“E se os ministros da Suprema Corte esquecessem os princípios democráticos e passassem a atuar politicamente? Sabe o que aconteceria? Ficaria que nem o Brasil de 2014, quando o Aécio Neves questionou o resultado das eleições”

Ao comparar as recentes posições de Trump e Bolsonaro, é preciso lembrar que “todo esse processo é muito similar, e remete o que pode acontecer com o Brasil depois dessa demonstração do Trump nos EUA”

“O que o Trump fez foi criar um estímulo a uma rebelião, questionar as eleições, usar o fator economia/o fator saúde aqui para tentar dar um golpe de Estado. O que você tem lá: a polícia não entrou, a Justiça não entrou, o Partido Republicano não entrou”

“Vamos pegar o Brasil: esse mesmo movimento, o Bolsonaro tentou fazer tempos atrás, quando ele tentou estimular aquele pessoal a invadir o Supremo Tribunal Federal. Não deu certo naquele momento, e ele recuou”

“Hoje, o que ele (Bolsonaro) está fazendo: 1. armando a população; 2. proselitismo com policiais e escalões mais baixos das Forças Armadas. E o que ele fez ultimamente: boicote às vacinas – é evidente o boicote à vacina. E todas as declarações dele visam estimular o sentimento antivacina. E porque esse ponto, quando você pega Trump, Bolsonaro e coloca o Steve Bannon no meio: eles definiram os vilões. O vilão não é a covid, o vilão é quem é a favor do controle da covid e descuida da economia”

“Então, de um lado, toda essa incompetência em relação à vacinação tem uma intenção de criar uma situação irrespirável. Segundo: tirar a renda básica (…) Então, de um lado você tem a explosão da doença com a segunda onda, uma disputa terrível contra os governadores que querem fazer isolamento, de outro o boicote às vacinas”

“Por exemplo: nesse golpe de mão tentado pelo Trump, quem ele convida para ir aos Estados Unidos? Eduardo Bolsonaro. Quem é o principal estimulador dessa rebelião que teve nos EUA? O senador Ted Cruz, estreitamente ligado aos Bolsonaros, fazia parte daquele lobby da máfia do jogo de Los Angeles (…) Você tem tudo caminhando, os preparativos para o Bolsonaro mais adiante”

“Aqui, as instituições estão no Olimpo. O cara pode matar quem ele quiser, desde que ele não dirija seus foguetes ao Supremo, ele pode matar. É um genocídio explícito, até nos EUA do Trump um boicote às vacinas como o Bolsonaro está fazendo seria motivo de impeachment”

“O que temos aqui no Brasil, em termos de cenário, é claramente um preparativo dos Bolsonaros para tentar repetir mais adiante o que tentaram fazer naquele momento que (Jair) Bolsonaro tentou colocar o pessoal contra o Supremo. Pessoal do Supremo, vai sobrar para vocês. Se não conseguem pensar no país, ao menos pensem no próprio pescoço na hora de encarar o que o Bolsonaro representa e os riscos que ele representa com esse movimento terrível”.

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Artigo de Tereza Cruvinel: O golpe frustrado de Trump e o risco real de golpe por parte de Bolsonaro em 2022

 

"Bolsonaro não escondeu que adorou a tentativa de golpe de Trump e que poderá fazer o mesmo. Deixá-lo no cargo até 2022 será negligência demais para com a democracia e para com o futuro do país", escreve a jornalista Tereza Cruvinel

Donald Trump e Jair Bolsonaro

Donald Trump e Jair Bolsonaro (Foto: Alan Santos/PR via BBC)

O golpe de Trump e o risco Bolsonaro em 2022


O mundo assistiu bestificado, na tarde dessa quarta-feira,  6, dia de Reis, a uma violenta tentativa de golpe de Estado nos Estados Unidos.  Este é o nome que se deve dar a movimentos que buscam impedir, pela força, que o vencedor de uma eleição assuma o poder, ou a derrubá-lo sem razões legais e constitucionais.  A invasão do Capitólio por ativistas incitados  por Donald Trump, impedindo a confirmação de Joe Biden como presidente eleito,  feriu o mito da inviolabilidade da democracia americana, graças a seu sistema de freios e contrapesos.  Ruim para o mundo inteiro, em que as democracias perdem força. Péssimo para o Brasil, governado por um seguidor de Trump, mais tosco e truculento ainda.

Nessa noite de quarta-feira, embora as sessões tenham sido retomadas nas duas casas legislativas em Washington, ainda há muitas perguntas sem resposta.   Trump continuará governando por mais duas semanas depois do que houve?  Não poderá ele tentar outro golpe para impedir a posse de Biden?  Nas redes sociais circula a convocação "occupy DC".  Será possível removê-lo legalmente, por um impeachment relâmpago? Poderá ser forçado a renunciar, depois de perder o apoio de boa parte dos republicanos?   Tudo isso diz respeito ao plano imediato. Mas para o  futuro,  o que interessa saber é se a democracia americana será capaz de se blindar contra novas ameaças ou se entrará em decadência. Se começará a morrer.

No livro "Com as democracias morrem", Steven Levitsky e Daniel Ziblatt apontam três momentos do século XX em que a democracia americana foi testada. Primeiro, os poderes excessivos concedidos ao presidente Roosevelt durante a Grande Depressão e a Segundo Guerra, ao ponto de ele ter rompido o limite de duas reeleições. Exerceu quatro mandatos mas não tornou-se autocrata. Depois, nos anos 50, o maccarthismo, com a perseguiçao aos comunistas e sua indiscriminada caça às bruxas, implantou métodos absolutamente contrários à democracia, violando princípios como o da presunção da inocência. Isso passou. O terceiro episódio veio com os desvios das normas democráticas pelo governo Nixon, que tratava adversários e a imprensa como inimigos internos. Daí as gravações disseminadas, a vigilância de jornalistas, o uso da Receita Federal como arma política e, finalmente, a invasão do comitê democrata no edifício Watergate, que acabou forçando-o a renunciar antes de sofrer impeachment.  Nada disso, entretanto, compara-se ao que fez Trumpo, cruzando uma linhja nunca antes ultrapassada.

Ele nem dissimilou que foi o organizador da invasão do Capitólio por hordas  violentas, que quebraram coisas  e intimidaram pessoas, produzindo inclusive uma morte. O facismo mostrou sua cara no país que se julga a pátria da moderna democracia. E que, em nome dela, já interferiu na vida de tantos povos, muitas vezes entronizando ditadores ou regimes autoritários, como no Brasil, em 1964, para ficara só num exemplo.  

Trump fez um discurso incitador para apoiadores, duas horas antes da invsão, numa redoma de vidro blindado. Depois, quando  o pau quebrou, foi ambiguo ao pedir que deixassem o Capitólio.  Reiterou acusações de fraude, chamou-os de patriotas e declarou amá-los.  

Hillary Clinton, numa rede social, chamou os vândalos trumpistas de "terroristas domésticos"  que atentaram contra o pilar democrático da transição pacífica do poder, e admitiu: a democracia americna revelou-se frágil e os líderes precisam assumir a tarefa de defendê-la.

Mas não devemos nos regozijar com a debilitação da democracia americana.  Ou com a tardia evidência de que lá também podem acontecer golpes de Estado, antes restritos às repúblicas bananeiras das Américas, do Caribe para baixo.  Ou mesmo cafeeiras, como era o Brasil em 1964, muito antes de a soja tomar conta do cerrado. Quando a democracia claudica até em terras onde era tida como sólida, os outros países devem ficar atentos, especialmente se suas instituições não são tão provadas ou se têm governantes de índole autoritária.

Devemos também reconhecer que, embora o sistema político americano tenha sofrido um ataque tão violento, vindo de um presidente inconformado com o resultado eleitoral, as instituições do Estado lá são infinitamente mais comprometidas com a democracia. A começar das Forças Armadas, que logo deixaram claro que não se envolveriam com qualquer ação fora da ordem e da legalidade. Aqui, em nosso subcontinente, frequentemente elas foram aliciadas por golpistas ou a eles se juntaram, especialmente para servir às oligarquias políticas e golpear governos populares, nacionalistas e progressistas. Nossa história é pontuada de exemplos.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, no curso da invasão, declarou que Bolsonaro poderá fazer o mesmo no Brasil em 2022, se concorrer e for derrotado.  Disse o que muitos pensam e temem. O próprio Bolsonaro, também no calor dos acontecimentos disse ter acompanhado tudo,  lembrou que é "muito ligado a Trump", e que isso,  por si,  já explicava sua posição. Ou seja, favorável à tentativa de golpe. Voltou a dizer que aconteceram no segundo turno de 2018, impedindo que ele fosse eleito no primeiro turno.  

Se Bolsonaro também insurgir-se contra uma eventual derrota eleitoral em 2022,  deflagrando um golpe para permanecer no poder, diferentemente de Trump,  ele contará com o apoio dos militares. Eles já participam do governo, estão efetivamente no poder e são tratados a pão-de-ló por Bolsonaro, que retribui o apoio recebido oferecendo cargos civis, oportunidades, vantagens e mordomias.

O povo está cansado e anestesiado, vencido pela pandemia, o desemprego  e dificuldades de toda ordem (exceto o terço bolsonaristas para o qual tudo vai bem).  Não tem energia para se mobilizar. Mas reflitam as elites, que já andam tão insatisfeitas com um governo que sabota a economia ao conduzir-se tão irresponsavelmente na pandemia, que fere seus interesses com uma política externa desastrosa, seja brigando como a China ou indispondo-se com Biden para demonstrar fidelidade a Trump. Pensem elas sobre o risco de deixar Bolsonaro no cargo até 2022.   Reflitam sobre o que disse Lula, também no calor dos fatos:  “Para o Brasil, é um alerta sobre o que ainda pode acontecer de pior aqui, se não for contido o autoritarismo de Bolsonaro e suas milícias, se continuarem sendo toleradas as violações à liberdade e aos direitos”.

O Brasil, por suas elites,  tem sido muito indulgente com Bolsonaro, assim como o establishment americano tolerou Trump demais.  Aqui, os crimes de responsabilidade se acumulam, a incompetência e o negacionismo, na condução da pandemia, levam à expansão das mortes e à contraçao da economia, e as política externa e ambiental  colocam o país em posição vergonhosa diante do mundo.  Até em caloteiro de instituições multilaterais o Brasil foi transformado. 

Já tendo externado tão claramente suas pulsões golpistas, Bolsonaro não escondeu que adorou a tentativa de golpe de Trump e que poderá fazer o mesmo. Deixá-lo no cargo até 2022 será negligência demais para com a democracia e para com o futuro do país que ele vem destruindo com fúria.

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Fonte: 247