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domingo, 31 de março de 2019

VÍDEO – A ditadura foi real, mentirosa, sanguinária e trágica: Ditadura Nunca Mais!



Do DCM:


 

00:00/00:40Diário do Centro do Mundo
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sexta-feira, 29 de março de 2019

Marco Aurélio: Não há espaço para (a absurda) comemoração do golpe de 64


Publicado originalmente no ConJur
Marco Aurélio Mello
POR SÉRGIO RODAS
O ministro Marco Aurélio, do Supremo Tribunal Federal, afirmou nesta sexta-feira (29/3) que os 55 anos do golpe militar de 1964 não devem ser comemorados, como ordenou o presidente Jair Bolsonaro (PSL).
“Não há espaço para comemoração. Há espaço para memória”, disse Marco Aurélio a jornalistas no seminário em homenagem ao professor da Uerj Paulo Cezar Pinheiro Carneiro, organizado pela Associação dos Magistrados do Estado do Rio de Janeiro na capital fluminense.
Bolsonaro ordenou que as Forças Armadas comemorem, neste domingo (31/3), os 55 anos do golpe militar de 1964. Nesta quinta (28/3), o presidente recuou e afirmou que não mandou que os quarteis comemorassem a data, mas que a ordem foi para “rememorar” e “rever o que está certo e o que está errado” no período. Porém, na segunda (25/3), o porta-voz da Presidência da República, Otávio Rêgo Barros, tinha dito que Bolsonaro havia ordenado ao Ministério da Defesa que fizesse as “comemorações devidas” pelo aniversário do início do regime militar.
A ordem de Bolsonaro gerou críticas da Ordem dos Advogados do Brasil, da Defensoria Pública da União e do Ministério Público Federal. Em ação civil pública, a Dessa maneira, a DPU pediu que liminar para proibir a União de promover comemorações de aniversário do golpe militar e de gastar recursos com esse objetivo, uma vez que o regime violou diversos direitos e garantias fundamentais dos brasileiros. Já o MPF apontou que festejar “um regime inconstitucional e responsável por graves crimes de violação aos direitos humanos” pode configurar ato de improbidade administrativa.
Segurança jurídica
No evento, Marco Aurélio também disse que, em tempos de crise, é preciso ter mais ortodoxia. Só assim se obtém segurança jurídica, indispensável para a paz social.
“Ortodoxia é um apego maior ao direito positivo. Amar-se um pouco mais a lei fundamental do país, que é a Constituição Federal, que a todos indistintamente submete – submete o Legislativo, submete o Executivo, submete o Judiciário. Inclusive, submete o guarda maior, que é o Supremo Tribunal Federal”, explicou o ministro.
00:00/00:40Diário do Centro do Mundo


segunda-feira, 7 de março de 2016

Lindbergh Farias: Globo quer repetir a história do golpe de 1964, agora como farsa

"A Rede Globo tem um projeto para o Brasil: repetir a história do golpe militar de 1964 como farsa. Através das colunas de Merval Pereira e Ricardo Noblat, publicadas na edição de O Globo de hoje (06/03) e na internet, de maneira artificial e imaginosa, instigam pela entrada em cena dos militares na crise política, reeditando a tradição autoritária do bonapartismo brasileiro."


Lindbergh Farias: Globo quer repetir a história do golpe de 1964 como farsa

publicado em 06 de março de 2016 às 20:11 no Viomundo
globo_ditadura
GLOBO INCITA A ENTRADA EM CENA DOS MILITARES
A Rede Globo tem um projeto para o Brasil: repetir a história do golpe militar de 1964 como farsa. Através das colunas de Merval Pereira e Ricardo Noblat, publicadas na edição de O Globode hoje e na internet, de maneira artificial e imaginosa, instigam pela entrada em cena dos militares na crise política, reeditando a tradição autoritária do bonapartismo brasileiro.
O grande consórcio, que permitiu a uma empresa familiar detentora da concessão de um jornal e uma estação de rádio, se transformar num império de comunicação, foi a sociedade com a ditadura militar e o capital externo, no pagamento régio da contrapartida de a Globo ajudar ativamente no cerceamento das liberdades democráticas, enquanto nos porões a tortura campeava.
Sem dúvida, se não tivesse havido uma ditadura militar de mais de vinte anos no Brasil, não existira o monopólio da Rede Globo. Mas houve também o consórcio externo. O conglomerado de comunicação já nasceu sujo: os anais da história registram, nos anos de 1965 e 1966, a CPI Globo-Time Life, ocasião na qual o dirigente dos Diários Associados e também deputado, João Calmon, denunciou, ao arrepio da lei do nosso país, o consórcio dos dólares americanos no financiamento daquele grupo de comunicação. Quem quiser se aprofundar no tema, sugiro a leitura da bibliografia de Assis Chateaubriand, escrita por Fernando Morais.
Enquanto o artigo de Noblat é mais panfletário, o de Merval, metido a analítico, esboça alternativas de “saída” para a crise política que passam pela interrupção do mandato de Dilma, ou seja, que passam pelo desrespeito da vontade popular e dos mandamentos constitucionais. A esse respeito, continuo afirmando que a saída da crise só é possível de acontecer pela via do respeito à democracia brasileira. Os atalhos golpistas, as soluções ad hoc das elites como semipresidencialismo e governo de coalizão sem o PT, apenas aprofundarão ainda mais a crise.
No artigo de Merval, ele invoca o artigo 142 da Constituição Federal, lembrando que as forças armadas possuem o mandando da Constituição Federal na “missão de garantir da ordem pública”.
Esquece o jornalista, porém que, também de acordo com a constituição, a presidenta é a comandante suprema das forças armadas, como deve ser numa democracia regida pelo Estado Democrático de Direito. Parece que o jornalista, embora de maneira alusiva, sugere a ultrapassagem de uma espécie de perigoso Rubicão, avocando às forças armadas, como no passado republicano do século XX, o papel de uma arbitragem superior ao próprio poder executivo.
Até parece uma adesão às propostas de Jair Bolsonaro e dos grupos que nas manifestações de direita pregar uma intervenção militar no Brasil. No passado, se chamava os que usavam e abusavam dessa prática nefasta de “vivandeiras de quartéis”.
Merval entrevê a possibilidade de “venezualização” do país. Pergunto: de onde parte a radicalização? Afirmo sem medo, o principal agente desestabilizador na crise política é a Rede Globo, que mente e distorce sistematicamente a realidade. Para confirmar o que digo, basta relembrar a edição do Jornal Nacional de ontem (05/030), toda montada no sentido de justificar, sem conseguir, o arbítrio, que todo Brasil acompanhou, da injusta condução coercitiva do presidente Lula.
A semana que começa amanhã será dura e faço um apelo a que estejamos atentos. Não é hora de sossegar.
Nesta semana, mais que nunca, é hora de persistir e resistir na estratégia de defesa do mandato de Dilma, ou seja, da vontade popular e da democracia. Como em dezembro do ano passado, armam-se novamente mais um ataque especulativo do mandato da presidenta. Não passarão!

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quinta-feira, 3 de abril de 2014

Para conhecer a História: A Grande Imprensa disse SIM ao golpe de 1964.....


1964 + 50

A imprensa disse sim ao golpe

Por Mário Magalhães em 01/04/2014 na edição 792
Reproduzido do blog do autor, 31/3/2014; título original “19 capas de jornais e revistas: em 1964, a imprensa disse sim ao golpe”


Na semana dos 50 anos do golpe de Estado, o blog compartilha uma coleção de 19 primeiras páginas de jornais e capas de revistas publicadas nas horas quentes do princípio de abril de 1964.
Mais do que informação, constituíam propaganda, notadamente a favor da deposição do presidente constitucional João Goulart.
Até onde alcança o conhecimento do blogueiro, as imagens configuram a mais extensa amostra (ficarei feliz se não for) do comportamento do jornalismo brasileiro meio século atrás.
Trata-se de documento histórico, seja qual for a opinião sobre os acontecimentos.
Desde já o blog agradece novas capas que eventualmente sejam enviadas por meio do Facebook e do Twitter. Caso venham, serão acrescentadas a esta exposição.
Dos 19 periódicos aqui reunidos, oriundos de cinco Estados, 17 são jornais diários, alguns dos quais já não circulam, e dois são revistas hoje extintas.
Apenas três se pronunciaram em defesa da Constituição: “Última Hora”, “A Noite” e “Diário Carioca”. Nos idos de 1964, os dois últimos não tinham muitos leitores.
Os outros 16, em diferentes tons, desfraldaram a bandeira golpista.
As fontes da garimpagem foram: Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional; Google News Newspaper Archive; sites e versões impressas de jornais; não menos importantes, blogs e sites, aos quais sou imensamente grato.
É muito provável que, quanto mais capas se somarem, maior seja a proporção das publicações que saudaram o movimento que pariu a ditadura de 21 anos.
Para não ser original e repetir uma expressão consagrada: em 1964, a imprensa disse sim ao golpe.

A Noite (Rio), 1º de abril de 1964: ”Povo e governo superam a sublevação”.
Contrário ao golpe, jornal aposta no triunfo de Jango.
press - a noite - 1 de abril de 1964
Correio da Manhã (Rio), 1º de abril de 1964: ”(?) Estados já em rebelião contra JG”.
Editorial clama pela deposição de João Goulart: “Fora!”.
000 - correio

Diário Carioca, 1º de abril de 1964: ”Guarnições do I Exército marcham para sufocar rebelião em Minas Gerais”.
O jornal defendeu a Constituição.
000 - diario carioca 5

Diário da Noite (São Paulo), 2 de abril de 1964: ”Ranieri Mazzilli é o presidente”.
O jornal dos Diários Associados trata a nova ordem como “legalidade”
000 - diario da noite 5

Diário da Região (São José do Rio Preto, SP), 2 de abril de 1964: “Exército domina a situação e conclama o povo brasileiro a manter-se em calma”.
Depois do golpe com armas, o apelo por calma.
http://www.diarioweb.com.br/noticias/imagensnoticias/arteditadurapaginadiario_sub34996.jpg

Diário de Notícias (Rio), 2 de abril de 1964: ”Marinha caça Goulart”.
“Ibrahim Sued informa: É o fim do comunismo no Brasil.”
000000 - diario de noticias 6

Diário de Pernambuco, 2 de abril de 1964: ”Jango sai de Brasília rumo a Porto Alegre ou exterior: posse de Mazilli”.
Governador constitucional Miguel Arraes, vestido de branco no Fusca, é preso e cassado.
https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi7qg8hb8vUDDPgkiOQLUL05t99gNszlc2mRkRwKzlXcHBenK8brTyFCJ20DBuzmOChGM-mBAn4HKglr0oISnRJnNVs0Q6kRKwOOa64twEqJaSlbdWaBjivhQTTLaH-GC6K0pM7i4vFPwQb/s1600/c2.JPG

Diário de Piracicaba (SP), 2 de abril de 1964: ”Cessadas as operações militares: A calma volta a reinar no país”.
No dia seguinte: “Relação de deputados que poderão ser enquadrados: Comunistas ou ligações com o comunismo”.
https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhtvf9jt_Xilkt6u7zq0sUXYQm4ctjhicXQ_eixUKa9AQD74AZp6FJn72fmWxVEoFy36JjD2ZMcpVaSCDDnPqJBLk-v34L-uw_rMkjmC1N7gvygvd74KqHNJ4mAKXWDQKYAqCBEvltQiwA/s1600/36_01112012.jpg

Diário do Paraná, 2 de abril de 1964: ”Auro Andrade anuncia posse de Mazzilli com situação normalizada”.
No alto: “Povo festejou na Guanabara vitória das forças democráticas”.
000000000000000 - teste

Fatos & Fotos, abril de 1964 (data não identificada): “A grande rebelião”.
Uma revista em júbilo.
https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgJqQAkPVIRZ5QyllpD4zYFFhmRgbvgoOChmIHsTEomrd4819nCc8clhQ6GwDLyj8vz-qjVOIvjPeSZHutfoRKrXP5qIGZZ7o-9gJX5YanuxS4MAmxEepTyiXS-K3ViMduVJSuypEcR6fWt/s1600/04-04-64+-+Fatos+&+Fotos+-+Capa.jpg

Folha de S. Paulo, 2 de abril de 1964: ”Congresso declara Presidência vaga: Mazzilli assume”.
“Papel picado comemorou a ‘renúncia’ de João Goulart.”
press - folha - 2 de abril de 1964

Jornal do Brasil (Rio), 1º de abril de 1964: ”S. Paulo adere a Minas e anuncia marcha ao Rio contra Goulart”.
“‘Gorilas’ [pró-Jango] invadem o JB.”
press - jornal do brasil - 1 de abril de 1964

O Cruzeiro, 10 de abril de 1964: ”Edição histórica da Revolução”.
Revista celebra um herói da “Revolução”, o governador de Minas, Magalhães Pinto, um dos artífices do golpe.
http://boitempoeditorial.files.wordpress.com/2012/05/12-05-29_urariano-mota_ivan-ivanovitch-em-abril-de-1964.jpg?w=500&h=355

O Dia, 3 de abril de 1964: ”Fabulosa demonstração de repulsa ao comunismo”.
Jango chegou ao Rio Grande do Sul no dia 2. De lá, iria para o Uruguai. “O Dia”: “Jango asilado no Paraguai!”.
press - o dia - 3 de abril de 1964

O Estado de S. Paulo, 2 de abril de 1964: ”Vitorioso o movimento democrático”.
É a contracapa, porque a primeira página, era o padrão, só tinha notícias do exterior.
http://acervo.estadao.com.br/publicados/1964/04/02/m/19640402-27283-nac-0038-999-38-not.jpg

O Globo (Rio), 2 de abril de 1964: ”Empossado Mazzilli na Presidência”.
Título do editorial: “Ressurge a democracia!”
press- o globo - 2 de abril de 1964

O Povo (Fortaleza), sem data: ”II e IV Exércitos apoiam movimento mineiro”.
Quartel-general do IV Exército, no Recife, comandava a Força no Nordeste.
press - o povo sem data

Tribuna do Paraná, 2 de abril de 1964: ”Rebelião em Minas”.
“General Mourão Filho abre a revolta: ‘Jango tem planos ditatoriais’.”
http://www.parana-online.com.br/media/uploads/2012/marco/31-03-12/cid1310312.jpg

Última Hora, 2 de abril de 1964: ”Jango no Rio Grande e Mazzilli empossado”.
Jogando a toalha: “Jango dispensa o sacrifício dos gaúchos”.
GOLPE-ultima-hora-2-de-abril-de-1964
***
Mário Magalhães é jornalista, autor de Marighella – O guerrilheiro que incendiou o mundo

domingo, 16 de março de 2014

50 Anos do Golpe Militar que lançou o Brasil nas Trevas... O que faremos desta Memória?





   Tortura é crime hediondo contra a humanidade e não prescreve.... O erros, os desmandos e as arbitrariedades do passado devem ser conhecidas para que jamais sejam repetidas, no entanto, no Brasil, a força das mesmas elites que incentivaram o mal de 64 ajudam seus agentes a acobertarem os crimes cometidos durante a ditadura. Por quê, se os crimes dos militares da Argentina, do Uruguai e do Chile já foram passados à limpo e vários dos criminosos ou indo para a cadeia ou tendo seus nomes registrados na lista de criminosos?

  Há links para dois importantes filmes sobre este período negro da América Latina e do Brasil: o premiado Estado de Sítio, de Costa Gravas e os excelentes Jango, de Silvio Tendler, e O Dia que durou 21 anos, de Flávio Tavares, demonstrando que os golpes foram concebidos e patrocinados pelo governos dos Estados Unidos.

    Segue, adiante, texto de Miguel do Rosário, extraído do site Tijolaço:


50 anos do golpe: o que faremos sobre isso?


Em 2014, o Brasil viverá a mais dolorosa efeméride de sua história: 50 anos do golpe de Estado.
O que está sendo preparado pelo governo, pelos partidos, pelas organizações civis e pela mídia para que o passado não seja esquecido?

A coincidência com ano eleitoral, Copa do Mundo, e prováveis protestos de rua, nos dá a chance de forçarmos o Brasil a fazer o que até hoje nunca fez: politizar o debate sobre o golpe de 64. Por que ele aconteceu? Quem se beneficiou? Quem são os herdeiros do golpe?

Seria um belíssimo presente à democracia brasileira, por exemplo, se a Lei da Anistia fosse revista. Não para prender velhinhos, mas para darmos uma satisfação política a nós mesmos, enquanto povo.

Não se anistia tortura. Não se anistia golpe.

Sobretudo, é preciso lembrar à sociedade que o que vivemos não foi nenhuma “ditabranda”. Vivemos um período de ruptura democrática, truculento e sinistro, que abortou o sonho de milhões de brasileiros. O golpe serviu para ampliar a desigualdade de renda, achatar o salário dos trabalhadores, e esmagar as esperanças de setores organizados de construir um país mais justo.

Não há nada de brando no esmagamento do sonho de centenas de milhões de cidadãos e na violação da normalidade democrática, com a instalação de um regime militar de exceção que, paulatinamente, aniquilou todas as liberdades no país.

Não há nada de brando na ruptura brutal de toda uma série de estudos e pesquisas acadêmicas e científicas em curso no país, nas universidades, quase todas abandonadas por causa de uma repressão estúpida e paranóica.

O Brasil, especialmente a nossa juventude, precisa ser melhor informado sobre o que aconteceu. A ditadura trouxe corrupção, miséria e degradação institucional. A origem do sucateamento dos serviços públicos está na ditadura. O problema da corrupção política também tem raízes no período de exceção, porque era um tempo sem liberdade de imprensa, sem instituições de controle e com chefes políticos exercendo cargos administrativos importantes de maneira quase totalitária. Quem ousaria acusar o diretor de uma estatal de corrupção, sendo o mesmo um coronel ou general com poder de mandar prender o acusador por “subversão”?

Precisamos conhecer melhor a história da construção do golpe. Como ele foi gestado, como foi a campanha midiática que o preparou? As passeatas que antecederam o golpe também merecem ser objeto de mais estudo, até porque a mídia, a mesma mídia que apoiou o golpe, prossegue até hoje tentando organizar protestos “espontâneos” para derrubar forças populares.

 Segue, agora, texto de Elio Gaspari de seu site Arquivos da Ditadura:

Pouco antes de seu assassinato, Kennedy discutiu ação militar para tirar Jango da Presidência

Presidente dos Estados Unidos debateu situação do Brasil e do Vietnã na Casa Branca

segunda-feira, 15 de julho de 2013

A Ode de "O Globo" ao golpe de 1964... Devemos aprender com o passado...



Segundo Editorial sobre o Primeiro de abril de 1964: Segundo “O Globo”, nascia um paraíso




editorial de “O Globo”, em 02/04/1964

Vive a Nação dias gloriosos. Porque souberam unir-se todos os patriotas, independentemente de vinculações políticas, simpatias ou opinião sobre problemas isolados, para salvar o que é essencial: a democracia, a lei e a ordem. Graças à decisão e ao heroísmo das Forças Armadas, que obedientes a seus chefes demonstraram a falta de visão dos que tentavam destruir a hierarquia e a disciplina, o Brasil livrou-se do Governo irresponsável, que insistia em arrastá-lo para rumos contrários à sua vocação e tradições.

Como dizíamos, no editorial de anteontem, a legalidade não poderia ser a garantia da subversão, a escora dos agitadores, o anteparo da desordem. Em nome da legalidade, não seria legítimo admitir o assassínio das instituições, como se vinha fazendo, diante da Nação horrorizada.

Agora, o Congresso dará o remédio constitucional à situação existente, para que o País continue sua marcha em direção a seu grande destino, sem que os direitos individuais sejam afetados, sem que as liberdades públicas desapareçam, sem que o poder do Estado volte a ser usado em favor da desordem, da indisciplina e de tudo aquilo que nos estava a levar à anarquia e ao comunismo.

Poderemos, desde hoje, encarar o futuro confiantemente, certos, enfim, de que todos os nossos problemas terão soluções, pois os negócios públicos não mais serão geridos com má-fé, demagogia e insensatez.

Salvos da comunização que celeremente se preparava, os brasileiros devem agradecer aos bravos militares, que os protegeram de seus inimigos. Devemos felicitar-nos porque as Forças Armadas, fiéis ao dispositivo constitucional que as obriga a defender a Pátria e a garantir os poderes constitucionais, a lei e a ordem, não confundiram a sua relevante missão com a servil obediência ao Chefe de apenas um daqueles poderes, o Executivo.

As Forças Armadas, diz o Art. 176 da Carta Magna, “são instituições permanentes, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade do Presidente da República E DENTRO DOS LIMITES DA LEI.”

No momento em que o Sr. João Goulart ignorou a hierarquia e desprezou a disciplina de um dos ramos das Forças Armadas, a Marinha de Guerra, saiu dos limites da lei, perdendo, conseqüentemente, o direito a ser considerado como um símbolo da legalidade, assim como as condições indispensáveis à Chefia da Nação e ao Comando das corporações militares. Sua presença e suas palavras na reunião realizada no Automóvel Clube, vincularam-no, definitivamente, aos adversários da democracia e da lei.

Atendendo aos anseios nacionais, de paz, tranqüilidade e progresso, impossibilitados, nos últimos tempos, pela ação subversiva orientada pelo Palácio do Planalto, as Forças Armadas chamaram a si a tarefa de restaurar a Nação na integridade de seus direitos, livrando-os do amargo fim que lhe estava reservado pelos vermelhos que haviam envolvido o Executivo Federal.

Este não foi um movimento partidário. Dele participaram todos os setores conscientes da vida política brasileira, pois a ninguém escapava o significado das manobras presidenciais. Aliaram-se os mais ilustres líderes políticos, os mais respeitados Governadores, com o mesmo intuito redentor que animou as Forças Armadas. Era a sorte da democracia no Brasil que estava em jogo.

A esses líderes civis devemos, igualmente, externar a gratidão de nosso povo. Mas, por isto que nacional, na mais ampla acepção da palavra, o movimento vitorioso não pertence a ninguém. É da Pátria, do Povo e do Regime. Não foi contra qualquer reivindicação popular, contra qualquer idéia que, enquadrada dentro dos princípios constitucionais, objetive o bem do povo e o progresso do País.

Se os banidos, para intrigarem os brasileiros com seus líderes e com os chefes militares, afirmarem o contrário, estarão mentindo, estarão, como sempre, procurando engodar as massas trabalhadoras, que não lhes devem dar ouvidos. Confiamos em que o Congresso votará, rapidamente, as medidas reclamadas para que se inicie no Brasil uma época de justiça e harmonia social. Mais uma vez, o povo brasileiro foi socorrido pela Providência Divina, que lhe permitiu superar a grave crise, sem maiores sofrimentos e luto. Sejamos dignos de tão grande favor.