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quarta-feira, 11 de março de 2020

“O escandaloso caso Ronaldinho deve ser vasculhado a fundo”, diz editorial do Paraguai


Caso do famoso ex-jogador de futebol Ronaldinho Gaúcho demonstra que nossas instituições são muito vulneráveis ao suborno e ao tráfico de influência

Caso Ronaldinho é criticado por jornal do Paraguai por esquema dentro do setor de Migrações do país
Jornal GGN – “O escandaloso caso Ronaldinho deve ser vasculhado a fundo”, foi a chamada do editorial do jornal paraguaio ABC, publicado nesta terça (11). “O caso em que o famoso ex-jogador de futebol Ronaldinho Gaúcho está envolvido demonstra que nossas instituições são muito vulneráveis ao suborno e ao tráfico de influência”, completou o diário, logo nas primeiras linhas da publicação.
A crítica do jornal foi direto ao “grotesco” do episódio, que já circulou por todo o mundo, sendo motivo de “escárnio de paraguaios honestos”. Para o ABC, “em meio a tantas incógnitas que corresponde à acusação desvendar, a verdade é que no Departamento de Identificações e na Direção Geral de Migração existem funcionários corruptos e ineptos da medula, que podem emitir documentos, até falsificando assinaturas, sem atender a requisitos elementares da lei, ou permitir que se entre ao país com documentos apócrifos”.
A publicação faz uma retrospectiva do caso relacionado ao ex-jogador de futebol que abriu aos olhos da imprensa internacional um grande esquema de funcionários públicos dentro da Direção de Migrações e do Ministério do Interior do Paraguai.
O caso começou quando Ronaldinho Gaúcho e seu irmão, Roberto Assis, foram detidos pela polícia nacional do Paraguai, na noite da última quarta-feira, por entrar no país com passaportes falsos. O ex-jogador estava no país para lançar seu livro “Gênio da vida” e de um programa social com crianças da Fundação Fraternidade Angelical. Ronaldinho responsabilizou o empresário Wilmondes Sousa Lira, que o representa no país vizinho, pelos documentos adulterados.
De acordo com o jornal paraguaio, que vem revelando os primeiros detalhes do caso, os “gestores” dos documentos de Ronaldinho e seu irmão depositaram uma “garantia de 29.500.000 pesos guaranis por cada um dos documentos e para a DGM [Direção Geral de Migrações], em uma conta do banco Nacional de Fomento”.
A quantia é equivalente a R$ 20.650, que segundo o diário, teria sido o preço para a adulteração dos passaportes. “Quem cobrou ou a onde foi parar essa volumosa quantia? A Promotoria tem a resposta. Ou seja, para consumar uma operação ilícita, foi paga uma ‘garantia’ a uma entidade pública, por meio de outra.”
“Ainda há questões em aberto neste grotesco caso que já circulou ao redor do mundo, para o escárnio dos paraguaios honestos. Foi invocada a intenção de fazer investimentos no país, segundo os quais os irmãos precisariam ter documentos nacionais, como se a maneira de obtê-los fosse irrelevante. (…) Tanto ele, como seu irmão – declarado ‘visitante ilustre’ pelo prefeito de Assunção – teriam ignorado que já estavam em processos de naturalização, de acordo com seus passaportes e carteiras de identidade novos. É difícil acreditar em tal tolice”, destacou o periódico.
“O fato levanta a questão de quantos casos semelhantes ocorreram, a cada ano, com pessoas desconhecidas, que têm portas abertas para entrar no país com documentos falsos, emitidos pelo DI [Departamento de Identificação da Polícia Nacional] e aceitos pelo DGM [Direção de Migrações]. Seria oportuno para a presidente da República aprender a lição e impedir que pessoas obtenham favores ilícitos de entidades públicas, a partir de agora. A menos, é claro, que ele concorde em receber, em troca, apoio político ou econômico”, provocou o jornal.

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terça-feira, 13 de outubro de 2015

Zelotes: a operação da Polícia Federal que investiga esquema três vezes maior que o da Lava Jato, mas que a mídia abafa


PF deflagra nova etapa da Zelotes. Rombo apurado pode ser até três vezes maior que o da Lava Jato. A Zelotes investiga os crimes de advocacia administrativa fazendária, tráfico de influência, corrupção passiva, corrupção ativa, associação criminosa, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Br Foods, Santander, Ford, Bradesco, Petrobras e Grupo RBS (afiliado da Rede Globo) são alguns dos investigados

O texto a seguir foi extraído do Pragmatismo Político

Zelotes operação polícia federal
A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (8) uma nova etapa da Operação Zelotes. Estão sendo cumpridos pelos policiais 7 mandados de busca e apreensão, 5 deles em Brasília e 2 no Rio de Janeiro. As medidas judiciais foram concedidas pela 10ª Vara Criminal Federal do DF.
As ações desta quinta-feira, segundo a PF, são fruto da primeira análise do material apreendido na deflagração da Zelotes, em 26 de março de 2015. Nos documentos apreendidos naquela ocasião, afirma a Polícia Federal, foram identificados indícios que apontam para a participação de outro Conselheiro do Conselho Administrativo de Recursos Humanos (Carf), além de escritórios de advocacia ligados a ele.
“Durante os quase 7 meses de investigação em andamento Superintendência da Polícia Federal no DF, visando apurar a prática dos crimes de advocacia administrativa fazendária, tráfico de influência, corrupção ativa e passiva, associação criminosa e lavagem de dinheiro, ocorrida em decorrência de negociações escusas realizadas em processo administrativos de interesse Carf, ficou comprovado que Conselheiros e funcionários do desse órgão defendiam interesses privados, em detrimento da União, e ainda, valendo-se de informações privilegiados, realizavam captação de clientes através de “escritórios de assessoria, consultoria ou advocacia”, que ofereciam “serviços e facilidades” em julgamentos dentro do Carf”, afirma a PF em nota.
A Operação Zelotes foi deflagrada no dia 26 de março deste ano. Naquele dia, 180 policiais federais cumpriram 41 mandados de busca e apreensão nos Estados de São Paulo, Ceará e no Distrito Federal. Os crimes investigados são: Advocacia Administrativa Fazendária, Tráfico de Influência, Corrupção Passiva, Corrupção Ativa, Associação Criminosa, Organização Criminosa e Lavagem de Dinheiro.
As fraudes apuradas pela PF junto ao Carf/ Receita Federal e já somam prejuízos de, pelo menos, R$ 5,7 bilhões aos cofres públicos – suspeita-se que o rombo possa ser até três vezes maior do que o apurado na Lava Jato. Entre os suspeitos de envolvimento está o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Augusto Nardes, relator do processo que reprovou as contas de 2014 da presidente Dilma Rousseff.

Entenda o caso

Inicialmente, os investigadores tinham como alvo 74 processos no valor de R$ 19 bilhões – o que corresponderia ao triplo do valor inicial da Operação Lava Jato.
O esquema no Carf é investigado por uma força-tarefa da Polícia Federal, Ministério Público Federal e Receita. O caso foi iniciado após uma denúncia anônima do conselheiro Paulo Roberto Cortez à Receita e depois à PF. Segundo ele, conselheiros recebiam propina para atrasar processos de grandes empresas que discutiam dívidas do “tribunal administrativo da Receita”, reduzir ou até mesmo anular multas. É a primeira vez que o órgão é investigado.
Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, em matéria publicada em março deste ano, as instituições financeiras Bradesco, Safra, Pactual e Bank Boston, a montadora Ford, além da gigante da alimentação BR Foods também estão entre os investigados.
Na mesma relação constam ainda a Petrobras, a Camargo Corrêa e a Light, distribuidora de energia do Rio de Janeiro, e o grupo de comunicação RBS, afiliado da Rede Globo nos Estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
https://www.facebook.com/departamentodepoliciafederal/photos/a.465261690168176.116246.223630627664618/1133478480013157/?type=3
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Agência Estado
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