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quinta-feira, 7 de novembro de 2024

Trump e o salto para o abismo. Artigo de Florestarn Fernandes Jr.

 

"Basta um arroubo de fúria de um dos líderes fascistas para pôr a humanidade a perder", escreve Florestan Fernandes Jr.


Segue o artigo de Florestan Fernandes Jr. publicado no Brasil 247:

Donald Trump em Michigan, EUA, 1/11/2024
Donald Trump em Michigan, EUA, 1/11/2024 (Foto: REUTERS/Brian Snyder)

As semelhanças entre Hitler e Donald Trump vão além da ideologia de extrema-direita. As estratégias políticas e de comunicação são as mesmas.

Em novembro de 1923, portanto há cem anos, Adolf Hitler liderou uma marcha malsucedida para derrubar o governo do Estado da Baviera.

Pelo crime de alta traição, Hitler foi condenado a cinco anos de prisão, mas cumpriu apenas um.
Resultado: livre para organizar o partido nazista, Hitler chegou ao poder como Chanceler em 1933 e ditador no ano seguinte.

Já Donald Trump sequer chegou a ser julgado por sua atuação na invasão do Capitólio, em janeiro de 2021.

Livre, com muito dinheiro e o apoio do dono do X, Elon Musk, Trump continuou sua cruzada de extrema-direita e agora consegue o feito de ser reeleito nos EUA, com uma votação robusta. Se será um ditador nos moldes de Hitler, só o tempo dirá.

O que me parece mais temeroso é que Trump, aos 78 anos, é um homem bilionário, poderoso, narcisista (portanto egocêntrico) que pode e provavelmente trará prejuízos irremediáveis ao futuro das democracias e do meio ambiente. Ou seja, os danos, em escala global, são existenciais. Infelizmente, esse é o espírito do tempo que vivemos e, diante desse fato, além do lamento, nos cabe a reflexão.

Penso que algo de muito caro nos sonhos e nas mentes das pessoas foi quebrado nas últimas décadas.

 Culpar as redes sociais, as fake news, é uma tentação simplista, na qual quem realmente deseja compreender os fatos não pode incorrer. As democracias falharam em algum ponto nevrálgico. É indispensável uma reflexão séria, responsável, sem terceirização de responsabilidades.

Dito isso, há outro ponto muito importante no contexto que discuto aqui: a impunidade daqueles que corroem abertamente o estado democrático de direito. Como bem me lembrou Alfredo Attié durante a apuração dos votos nos EUA: “O grande responsável pela reeleição de Trump é a Justiça norte-americana, em sua omissão e lentidão de responsabilizá-lo pela tentativa de golpe. O mesmo pode acontecer aqui, com uma Justiça que é ainda menos independente.” Attié tem toda razão.

Aqui em nossas bandas, dois anos após a descoberta da minuta do golpe e dos atos terroristas em Brasília, ninguém da alta cúpula do governo Bolsonaro foi sequer indiciado. A punição só veio para aqueles desvairados que destruíram as sedes dos três poderes. Ou seja, no mar de golpistas, os tubarões seguem nadando livremente.

Igualmente livres estão Bolsonaro e sua trupe quanto aos crimes de falsificação da caderneta de vacinação e a venda das joias sauditas.

Isso sem falar no processo que investigava a responsabilidade de Bolsonaro durante a pandemia de Covid-19. Esse crime de proporções gigantescas, que ceifou a vida de tantos brasileiros, não pode cair no esquecimento.

Lembro aqui que, em janeiro de 2024, Gilmar Mendes determinou que o procurador-geral da República, Paulo Gonet, reavaliasse a conduta e as omissões de Bolsonaro durante a pandemia. Até agora, nada.
Fomos deixando passar tudo, desde a carnificina que foi a Covid, até as ameaças abertas e sistemáticas de golpes de Estado com a participação de militares.

É certo que teremos pressão do novo-velho governo dos EUA contra as democracias comandadas por progressistas. O fortalecimento dos regimes autocráticos de extrema-direita está no horizonte, só que agora em um mundo muito mais complexo e destrutivo que o do século passado.

Basta um arroubo de fúria de um dos líderes fascistas para pôr a humanidade a perder. Tamanha é nossa distopia cotidiana, que me ponho a pensar que talvez, até nessa fatídica hora, pipocarão influencers anunciando e exibindo, em tempo real, nas redes, o mundo se despedaçando, o fim dos tempos.

Na minha ressaca reflexiva, pós-eleição estadunidense, parafraseio o astronauta Neil Armstrong: os eleitores nos Estados Unidos deram um pequeno passo em direção ao passado, mas um grande salto para o abismo.

terça-feira, 21 de novembro de 2023

Extrema-direita: Milei no rastro de Trump e Bolsonaro, por Florestan Fernandes Jr

 

"A eleição de Milei mostra que a democracia e as proteções sociais vêm sendo relativizadas, tratadas como dispensáveis", diz Florestan Fernandes Jr.

Javier Milei

Javier Milei (Foto: Reuters/Agustin Marcarian)

Ainda que chocante, a vitória de Javier Milei nas eleições do último dia 19/11 já se anunciava, assim como é certa a repercussão desse desastroso resultado eleitoral em todo o nosso continente sul-americano, seja na esfera econômica, seja na social e na política. O que é pior e ainda mais indigesto: foi uma vitória superlativa do projeto fascista internacional. A diferença de votos, essa sim, inesperada e surpreendente. E isso tem implicações futuras muito importantes, inclusive na força da resistência que o projeto anarcocapitalista predatório de Milei encontrará junto às instituições democráticas. 

O nosso século, certamente um dos mais convulsivos, diluiu a ideia que tínhamos de que havia segurança na consolidação democrática. Não temos segurança alguma. As democracias burguesas são fluidas aos interesses de dominação colonial nos países periféricos e aos desejos de predação contra as massas despossuídas. Sim, o colonialismo persiste e temos vivido isso claramente. 

A eleição de Milei, como tantas outras que temos testemunhado estupefatos, mostra que a democracia e as proteções sociais conquistadas a um custo tão alto vêm sendo relativizadas, tratadas como dispensáveis. No sistema capitalista do século 21, os direitos dos trabalhadores, conquistas sociais, são encarados como uma espécie de encargo, "impedimento de exercício das liberdades"; nesse conceito deturpado de liberdades, encampado pela extrema-direita e que assume a condição de uma deidade. 

Sim, temos um problema grave diante de nós e o mais trágico é que não temos muito tempo para fazer uma concertação, para que se discuta as alternativas para reverter o avanço do fascismo na era dos algoritmos. No Brasil, por exemplo, o rodo cotidiano não tem permitido reflexão, vivemos no toma lá da cá das negociações do dia a dia no Congresso, as crises sucessivas que nos demandam toda a atenção.

A eleição acachapante de Milei revelou o quanto a democracia pesou nas escolhas para os próprios argentinos. Uma espécie de plebiscito que os progressistas perderam para a extrema direita, justamente em um país que acreditávamos ter consciência e memória do que representou uma das ditaduras mais sanguinárias do Cone Sul. 

Com certeza, haverá resistência dos sindicatos e do Congresso de maioria Peronista. Mas a democracia já foi golpeada duramente pelas propostas do eleito, que, como vimos, foram no mínimo  normalizadas pelos eleitores, entre elas a afirmação da vice, Victoria Villarruel, de que a crise econômica só será vencida na Argentina com uma tirania. Prevendo as dificuldades, o futuro presidente já se adiantou, dizendo que seu governo não irá aceitar protestos da oposição. 

O script dessa trágica história deverá ser o mesmo de Trump e Bolsonaro, o ataque aos pilares do estado democrático de direito. É bom lembrar que Milei terá dificuldades enormes para negociar com rivais que ofendeu durante a campanha e que estão no comando do legislativo. E em um país federativo, onde os governadores têm muito poder, Milei não conta com um único governador de seu partido. Resta ao novo presidente atacar as instituições e colocar seus apoiadores em constante mobilização, na ameaça à estabilidade política e social. É através dessa manipulação de narrativas que Trump e Bolsonaro se mantém populares, apesar dos recentes fracassos nas urnas.


segunda-feira, 7 de março de 2016

O fundo do poço do atual cenário político, por Florestan Fernandes Jr

"No barraco pelo poder, todo o podre da nossa "Velha Nova República" veio à tona e o mau cheiro se espalhou rapidamente. Amantes que receberam dinheiro de contas em paraíso fiscal, empresários de comunicação que sonegam impostos e constroem mansões em áreas de reserva ambiental, aeroportos construídos em fazenda de governadores, agentes da PF que vendem informações sigilosas, contas secretas do presidente da Câmara dos Deputados, triplex na praia e apartamento em bairro chique de Paris."
O FUNDO DO POÇO
Passei 3 dias em silêncio refletindo sobre os acontecimentos no Brasil. O que vou dizer não vai agradar muitos dos meus amigos, mas é o meu sentimento. Alguns políticos que marcaram minha geração e alimentaram meus melhores sonhos se distanciaram de alguns princípios. De Fernando Henrique a Lula de Covas a Zé Dirceu. É triste constatar hoje as escorregadas, pra dizer o mínimo, que muitos desses ícones da política deram depois que chegaram ao poder.
Não é ilegal receber dinheiro de empreiteiras e bancos para financiar institutos privados como fizeram o sociólogo e o operário. Mas, para mim, é antiético. Como é antiético um juiz aceitar prêmios de órgãos de comunicação em plena operação que mexe com interesses financeiros e políticos dessas empresas. 
Complicado entender os princípios que norteiam uma ex-empregada domestica e defensora dos seringueiros fazendo campanha tendo à tiracolo um grande grupo empresarial e um poderoso banco privado. E como explicar a metamorfose que transformou o Geraldinho, um jovem deputado boa praça, no imperador de um estado que governa com mão de ferro protegido por parte da justiça e da imprensa? Qual o real compromisso de partidos que fazem das obras públicas uma negociata por dinheiro para campanhas milionárias ou para o enriquecimento ilícito?
Nesse ponto, nenhuma das grandes legendas é melhor que a outra. Todas têm um rastro de pólvora ligado aos caixas dois de empreiteiras, bancos e multinacionais. Os casos vão da Petrobras passando pela Cemig em Minas, Metrô de São Paulo e desaguando na merenda escolar roubada de nossas crianças.
No barraco pelo poder, todo o podre da nossa "Velha Nova República" veio à tona e o mau cheiro se espalhou rapidamente. Amantes que receberam dinheiro de contas em paraíso fiscal, empresários de comunicação que sonegam impostos e constroem mansões em áreas de reserva ambiental, aeroportos construídos em fazenda de governadores, agentes da PF que vendem informações sigilosas, contas secretas do presidente da Câmara dos Deputados, triplex na praia e apartamento em bairro chique de Paris.
Para temperar a podridão, os vazamentos seletivos que manipulam a opinião pública e comprometem totalmente a Lava Jato. Uma operação que desde seu início vem sendo usada politicamente e que apresentou na última sexta-feira um espetáculo lamentável. A condução coercitiva, além de ilegal, fez do ex-presidente Lula um "preso por algumas horas”. Deveríamos bater panelas pelo todo da obra.
Nossos representantes chegaram ao fundo do poço e estão levando com eles nossos empregos, nossa autoestima e, se a irresponsabilidade continuar, a nossa democracia.

domingo, 21 de junho de 2015

Sérgio Moro, um juiz a serviço da TV Globo e do PSDB




  "Nos últimos meses vimos desaparecer das manchetes as denúncias de contas secretas no HSBC da Suíça que envolvem bilhões de reais depositados ilegalmente por políticos, empresários e donos dos meios de comunicação. Vimos as denúncias de corrupção na CBF que envolvem políticos e emissoras de televisão desaparecer em apenas uma semana. O mesmo se deu com as denúncias das licitações fraudulentas no Metrô de São Paulo. Até a fraude fiscal de quase 1 bilhão de reais da maior emissora de televisão deixou de ter importância, isso sem falar no mensalão do PSDB de Minas. Portanto, o país não está numa cruzada contra a corrupção, mas num jogo já conhecido de golpe para a retomada do poder pelos setores que sempre mandaram no país."


Os principais interessados na Operação Lava Jato são o PSDB e as multinacionais do petróleo. Ambos clientes da esposa de Sérgio Moro.

Segue texto de Emanuel Cancella, extraído do site da Carta Maior

Fotos Públicas
A esposa do juiz Sérgio Moro, que está à frente da Operação Lava Jato, advoga para o PSDB do Paraná e para multinacionais de petróleo. A denúncia foi publicada no Wikleaks.

O fato já seria suficiente para inviabilizar a participação do juiz Moro no processo que apura a corrupção na Petrobrás (Operação Lava Jato). O Código de Processo Civil, em seu artigo 134, manda arguir o impedimento e a suspeição do juiz: “ IV- Quando nele estiver como advogado da parte o seu cônjuge ou qualquer parente seu, consanguínio ou afim, em linha reta: ou na linha colateral até o segundo grau”.

Mais claro impossível. Ora, quem são os principais interessados na Operação Lava Jato, que afeta diretamente a Petrobrás? O PSDB e as multinacionais do petróleo, clientes da mulher de Moro! São eles os grandes beneficiados com essa Operação.

Na véspera da eleição presidencial, a Revista Veja estampou uma foto da então candidata Dilma, afirmando: “Dilma e Lula sabiam da corrupção na Petrobras”. A TV Globo repercutiu no Jornal Nacional.

A capa da Veja – um panfleto pró-Aécio – e o noticiário da emissora de maior audiência (ainda que decadente) manipularam até o final e certamente conseguiram arrancar alguns milhões de votos da presidenta, embora não o suficiente para derrotá-la.

Depois do estrago causado, a farsa montada pela Veja e pela Globo foi desmentida. O próprio advogado do doleiro Alberto Youssef (suposto delator) assegurou que “o seu cliente não fez declaração alguma envolvendo os nomes de Lula e Dilma”.  Quem provavelmente “sabia” da manipulação montada, era o juiz Sérgio Moro.

Parcialidade e blindagens se revelam como um novo escândalo


A sociedade não deve nenhum respeito a um juiz que extrapola suas funções e, sem nenhuma base jurídica, destrata a autoridade máxima do país. É o que aconteceu no segundo turno das eleições presidenciais, quando foram veiculadas as acusações – depois desmentidas. Por esse fato, o juiz Sérgio Moro deveria se desculpar publicamente.

Por mais que os brasileiros queiram ver na cadeia corruptos e corruptores -  também me incluo entre os indignados - não é possível aceitar que a Justiça tenha dois pesos e duas medidas. O juiz Sérgio Moro mantém preso o tesoureiro do PT, mas não mandou prender os tesoureiros dos demais partidos citados em delação premiada, dentro da mesma operação, dentre os quais havia políticos do PSDB, PMDB, PP e outros. O tesoureiro do PSDB, Marcio Fortes, que foi tesoureiro de campanha de FHC e de José Serra, além do envolvido com o PSDB na Lava Jato é titular de conta para lavagem de dinheiro no HSBC da Suíça. Mas continua solto.

A parcialidade de muitos juízes se revela como um novo escândalo, tão grande quanto aqueles que apuram. Pior é a blindagem de personagens, como o atual presidente da Câmara de Deputados, Eduardo Cunha. Será ele refém ou artífice de um projeto conservador em andamento que pratica uma verdadeira devassa, derrubando conquistas históricas da sociedade civil e dos trabalhadores?

Por que não são investigados e punidos os empresários de comunicação que falam e escrevem o que bem entendem, contra tudo e contra todos, sem nenhuma regulamentação?

Por que esses escândalos não têm a mesma repercussão na mídia? O que se diz é que órgãos de comunicação também estariam envolvidos, em escândalos bilionários, como o Swisslaikes, Zelotes e Trensalão.

A lei determina que todos os envolvidos em corrupção, corruptos e corruptores, depois da ampla defesa e, se condenados, sejam presos e os bens adquiridos por meio da corrupção sejam ressarcidos. Mas a regra deveria valer para todos os partidos!

A TV Globo deu ao juiz Sérgio Moro o título de personalidade do ano. A TV Globo apoiou e cresceu à sombra da ditadura, foi contra as eleições diretas e, no governo de FHC, na década de 1990, fez campanha pela privatização da Petrobrás, comparando a estatal a um paquiderme e chamando os petroleiros de marajás.

A Globo e o PSDB sempre defenderam a privatização da Petrobrás. O seu projeto de país tem sido derrotado nas urnas. Mas, por vias transversas, está sendo retomado. É o que aponta o projeto do senador do José Serra que retira a Petrobrás como operadora única do pré-sal e acaba com o regime de partilha, retornando ao pior modelo, que é o de concessão, instituído em 1997 pelo entreguista FHC.

Como funcionário da Petrobrás e brasileiro não posso aceitar calado essa tramoia contra a empresa que é o maior patrimônio da nação e a única que pode pagar a dívida social que temos com nosso povo. A sociedade não pode permitir que a Globo e o PSDB destruam a Petrobrás.
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Emanuel Cancella 
é coordenador do Sindicato dos Petroleiros do Estado do Rio de Janeiro (Sindipetro-RJ) e da Federação Nacional dos Petroleiros (FNP).
Créditos da foto: Fotos Públicas

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Florestar Fernandes Jr. e o desabafo de um jornalista frente a uma mídia tendenciosa controlada por uma elite sórdida

 Extraído do blog Luis Nassif Online:

O desabafo de um jornalista de televisão, por Florestan Fernandes Jr

 

 

Apenas um desabafo de um jornalista de televisão

"Vai ser rápido, três takes", foi o que disse Santiago ao sair da redação. A expressão banal usada com frequência por repórteres e cinegrafistas quando têm a tarefa de gravar um assunto que não demanda muito tempo, agora merece uma longa e demorada reflexão.

Morreu um companheiro de trabalho, jornalista de frente, da cobertura pesada das ruas, vielas e palácios suntuosos do país. Morreu um repórter do cotidiano, que colocava sua vida em risco quase que diariamente na nobre tarefa de informar. Com suas imagens ajudou a aumentar a audiência de telejornais. Certamente nunca teve o reconhecimento financeiro de seu importante trabalho. Como todos os colegas de profissão, tinha um salário miserável pelo risco que corria.

Mas isso não é mais importante. Ele já está morto. Morreu registrando as cenas de barbárie de um país que, pela primeira vez, se olha no espelho e vê refletido um rosto marcado pelas cicatrizes de centenas de anos de abandono e descaso. De um país de poucos, de uma justiça para poucos, de terras nas mãos de poucos, da educação para poucos, de riqueza para poucos. Um país de uma elite arrogante, perversa e preconceituosa, que por séculos controla a política em todos os níveis; estadual, municipal e federal.

Nós jornalistas, sim, estamos de luto. A família de Santiago Andrade está de luto. A sociedade brasileira mais uma vez está de luto. Não nossos patrões que fazem do jornalismo um espetáculo dos horrores. Que colocam na frente das câmaras âncoras despreparados e irresponsáveis que vomitam seus preconceitos e ódios. Jornalismo de baixo nível que usa e abusa do sensacionalismo para garantir audiência. De "âncoras" desafiando o bom senso todos os dias com um pensamento esquizofrênico e preconceituoso. Um jornalismo travestido de notícia que manipula dados, denúncias e, em vez de levar conhecimento, cultura e educação, faz da noticia um controle de mentes.

São os Black bloc da comunicação. Ajudaram e continuam ajudando a destruir os valores mais importantes da cidadania e de justiça social. Tudo cinicamente justificado pela liberdade de expressão. Tudo para manter o status quo de uma elite atrasada e mesquinha que realmente não quer abrir mão de seus privilégios.