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sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Luis Nassif sobre o Xadrez do jogo de Temer como presidente e a democracia em real risco

  "À medida em que a legitimidade de Temer for sendo corroída junto ao mercado, aumentará a escalada repressiva. Vai ser curioso porque acelerará o desfecho de um jogo hipócrita. Cada passo a mais da repressão tornará mais evidente a ficha suja dos novos donos de poder."


O cenário estratégico do governo Temer dependerá dos seguintes desdobramentos:

1.     A questão econômica.

2.     A questão política.

3.     O desdobramento de ambas no campo da aliança que levou ao golpe

Peça 1 - primeiro tempo da economia

O quadro que se tem hoje é de uma enorme liquidez internacional. Internamente, uma enorme taxa de juros internas, com a Selic a 14,25% e a garantia do Banco Central de mantê-la elevada por bom tempo. E também um governo novo, o que garante estabilidade política pelo menos até o final do ano.

Tudo isso combinado leva a um duplo movimento de apreciação dos ativos internos — especialmente a Bolsa e o real. Ou seja, Bolsa sobe, dólar desce impulsionados pelo capital de curto prazo. Não se espere nenhum investimento de longo prazo em um país em que nem o contrato dos contratos — o voto para presidente — é respeitado.

As raposas de mercado sabem disso e acentuarão esse movimento altista de curto prazo em parceria com a mídia, celebrando cada pequeno refresco econômico como se fosse o fim da crise e cada avanço parlamentar como se fosse o desfecho das reformas.

Vale até dezembro.

Peça 2 - segundo tempo da economia

À medida em que se aproxime o final do ano, a realidade começará a se impor:

1. A constatação de que NÃO haverá reformas.

2. A constatação de que a camarilha dos 6 e o baixo clero do Congresso — e do Ministério Temer — não trabalham estratégias de longo prazo: querem o seu à vista e imediatamente. Em parte, pela ausência total de conteúdo programático. Em parte, porque pairam sobre grande parte deles processos judiciais e ameaças de prisão. Apenas Michel Temer ganhou salvo-conduto enquanto permanecer presidente.

3. Da base pôde-se esperar leis contra direitos trabalhistas. Ela representa os cafundós, o país pré-industrializado, sem sindicatos nem direitos trabalhistas garantidos. Não se dá o mesmo com a Previdência Social e os gastos com saúde e educação. A característica maior do baixo clero é seu caráter municipalista. E é nos municípios que irão bater os cortes orçamentários.

4. Finalmente, haverá duas obstruções importantes nos caminhos das reformas: da oposição a Temer e da base aliada, que se alinhará para impedir a cassação e os processos contra Eduardo Cunha.

Se terá, de um lado, o governo Temer sem condições de gerar fumaça e expectativas positivas. De outro, o peso da realidade, do vencimento de um caminhão de bônus externos afetando todos os grandes grupos nacionais. Eles se prevaleceram da queda dos juros internacionais para um pesadíssimo programa de investimentos, com os preços das commodities ainda em alta. A conta é impagável, exigindo praticamente um Proer para esses grupos, com recursos do BNDES e do Tesouro.

Qual a legitimidade do governo Temer para bancar essa operação?

Portanto, a partir do final do ano invertem-se os movimentos: a bolsa começará a cair, o dólar a subir e a blindagem irá se diluindo.

E aí se chegará na hora da verdade.

Peça 3 – a guerra dos porões

Assim como nos estertores do regime militar, o fim do inimigo comum promoverá uma guerra surda entre os diversos grupos que compõe a repressão.

De um lado, Gilmar Mendes tratará de montar estratégias de contenção da Lava Jato. Os grupos de mídia começarão lentamente a tirar os microfones da operação. Polícia Federal e procuradores já estão em guerra aberta. O mesmo acontece entre investigadores e delegados da PF.

No Ministério Público Federal, a demissão de Ela Wiecko da vice-procuradoria da República teve desdobramentos muito mais profundos dos que aqueles divulgados pela mídia. Ela não pediu demissão simplesmente porque afirmou inadvertidamente para um repórter que havia delações contra Michel Temer. Ela pediu demissão e disse pessoalmente ao Procurador Geral da República (PGR) Rodrigo Janot seu desconforto com o fato de se estar segurando uma enorme quantidade de evidências contra Temer e sua turma, permitindo que se blindassem no poder. Refletia o estado de espírito de muitos procuradores insatisfeitos com a condução das investigações da Lava Jato.

O MPF é uma corporação disciplinada, na qual pouquíssimos procuradores têm a coragem pessoal de manifestar discordância — mesmo sabendo que a atuação atual do PGR compromete a imagem do MPF junto a círculos influentes dos organismos de direitos humanos internacionais e nacionais. A atitude de Ela pela primeira vez expos, para fora, os rachas internos.

Nos próximos meses crescerá a disputa interna pela sucessão de Janot, provavelmente entre Nicolau Dino, candidato de Janot, Mário Bonsaglia, de São Paulo, e a própria Ela, representando os segmentos mais legalistas. Só que, desta vez, não se terá um presidente disposto a nomear o mais votado. Certamente Michel Temer escolherá um PGR da sua estrita confiança.

Como ficará, então, o jogo de poder do MPF e da própria Lava Jato?

A Lava Jato criou ilhas de privilégio dentro das duas corporações. A força tarefa é premiada com diárias cumulativas, e, agora, com essa medida imprudente de ficar com percentuais das quantias recuperadas. Essas vantagens fazem com que se apegue cada vez mais ao cargo — da mesma maneira que os porões na ditadura — e crie ilhas de excelência em um poder que, como toda burocracia, tem apego completo ao formalismo e à igualdade.

Na ditadura, a guerra dos porões resultou em bombas na OAB e em bancas de jornais. Obviamente os tempos são  outros e há bombas políticas mais sutis e de maior octanagem, que será a caça ao grupo de Temer — devidamente aparada por Gilmar no STF, e Janot na PGR. Não disponho de nenhuma informação maior sobre o novo comportamento de Janot. É apenas uma suposição levando em conta seu histórico, ainda mais depois de ter se tornado o principal articulador das operações que levaram Temer ao poder.

Mas como ficarão as relações com o Supremo — com Gilmar matando no peito — e nos tribunais superiores? Ontem, na sua posse como presidente do Superior Tribunal de Justiça, Laurita Vaz, ex-procuradora, fez um candente discurso contra a corrupção. Na solenidade, foi muito aplaudida pelos representantes do governo Temer, Eliseu Padilha, Romero Jucá, Eunício Oliveira.

A sustentação desse jogo hipócrita se dará apenas com uma melhoria considerável da economia — cenário que não está no horizonte.

Peça 4 – a repressão

A repressão generalizada das Polícias Militares aos protestos contra o impeachment tem dois focos principais. Um deles, o Ministro da Justiça Alexandre de Moraes, através da Secretaria Nacional de Segurança Pública — que coordena as PMs — e do general Sergio Etchegoyen que, através do GSI (Gabinete de Segurança Institucional) passou a controlar o Sisbin (Sistema Brasileiro de Inteligência).

A segurança das Olimpíadas deveria ter sido confiada ao comando do Estado Maior das Forças Armadas. Ou ao Ministério da Defesa. Temer entregou à GSI. O envio de tropas do Exército para ocupar a avenida Paulista, no próximo domingo — a pretexto de escoltar a tocha da Paraolimpíada — faz parte dessa estratégia de endurecimento e de entorpecimento gradativo da consciência jurídica do país. A cada manifestação é maior a violência da PM.

À medida em que a legitimidade de Temer for sendo corroída junto ao mercado, aumentará a escalada repressiva. Vai ser curioso porque acelerará o desfecho de um jogo hipócrita. Cada passo a mais da repressão tornará mais evidente a ficha suja dos novos donos de poder. Analisarei esse quadro em um Xadrez próximo.

Aí, sim, se verá se há procuradores e juízes na República.

Luís Nassif
No GGN

domingo, 24 de julho de 2016

O golpe de Michel Temer afastou turistas e trouxe o terrorismo para o Brasil, por Esmael Moraes

fora_temerO interino Michel Temer (PMDB) consegui a proeza de colocar o Brasil no mapa do terrorismo com desastrosas e imbecis declarações, após prisão de alguns jovens pela Operação Hashtag, da PF.
Os principais analistas políticos do país acreditam que a espalhafatosa entrevista coletiva do ministro interino da Justiça, Alexandre de Moraes, afugentou cerca de 20 mil turistas e aproximou terroristas da pátria verde-amarelo que nunca fora antes alvo de extremismos.
O desespero de Temer era para atrair chefes de Estado para a abertura da Olimpíada, pois os mesmos se afastaram em virtude do golpe de Estado no Brasil.
Na diplomacia, o mau humorado governo golpista continua dando vexame. Os Jogos Olímpicos do Rio deverão recepcionar a menor delegação de chefe de Estados de todas as edições.

O terror midiático do ministro da Justiça, por Altamiro Borges



Alexandre de Moraes, o ex-secretário de Segurança Pública de Geraldo Alckmin que ganhou fama ao comandar a brutal repressão aos estudantes que ocuparam as escolas paulistas, adora os holofotes da mídia. Ele faz de tudo para aparecer e até chegou a sonhar em ser candidato à prefeitura de São Paulo. Agora, como ministro interino do covil golpista de Michel Temer, ele voltou a “brilhar” ao chefiar a “Operação Hashtag”, que prendeu dez pessoas acusadas de planejarem ações terroristas durante as Olimpíadas no Rio de Janeiro. O seu show, porém, parece que não agradou os próprios usurpadores que assaltaram o Palácio do Planalto, conforme revelou uma notinha de Mônica Bergamo na Folha desta sexta-feira (22):

“O ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, ficou até de madrugada no Palácio do Jaburu, na quinta (21), em reunião com o presidente interino Michel Temer. Logo cedo, voltou ao gabinete dele, para em seguida anunciar a prisão de pessoas acusadas de preparar atos terroristas no país. Ministros de Temer acreditam que a atitude do titular da Justiça, de anunciar as prisões com espalhafato, pode ter efeito duplo: de um lado, mostra firmeza. De outro, pode aumentar o pânico e afugentar turistas que vêm para o evento. O próprio governo trabalha com a informação de que 20 mil pessoas cancelaram reservas em hotéis para a Olimpíada no Rio por causa das notícias, veiculadas pelas próprias autoridades”.

No mesmo rumo, o site da revista Época, que até paparicou a operação “antiterrorista”, postou uma notinha neste sábado que confirma o mal-estar criado pela ação policial. “Não foram só os assessores de Temer que ficaram contrariados com o comportamento ‘pavônico’ do ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, na Operação Hashtag. O próprio Michel Temer não gostou de como Moraes chamou para si a responsabilidade da operação, que contou com a participação de outros órgãos. Temer deverá ter uma conversa séria com ele e dirá que o momento exige mais sobriedade e cautela. Moraes tem pensado demais em ser candidato ao governo de São Paulo em 2018”, relatou o jornalista Murilo Ramos.

Factoide para limpar a imagem dos golpistas

Até agora, a midiática operação antiterrorista gerou muita desconfiança. Não há explicações plausíveis para as prisões de jovens aparentemente inocentes – como a do paulista Vitor Barbosa Magalhães, que trabalha na funilaria do seu pai para sustentar os seus dois filhos; ou a do gaúcho Israel Pedra Mesquita, que é criador e vendedor de galinhas no município de Morro Redondo. Também não há qualquer justificativa para tanto alarde numa ação policial, que deveria ser mais cautelosa até ser eficiente no combate ao suposto terrorismo. O que já fica evidente é que o covil golpista, tendo a frente o egocêntrico ministro, tentou criar um factoide político para melhorar a própria imagem do “golpe dos corruptos”.

Como lembra o blogueiro Luis Nassif, “delegados da Polícia Civil de São Paulo cunharam o apelido de Kojak para o então secretário Alexandre de Moraes. Em parte, pela calva. Muito pela fixação nos holofotes. Ele fazia questão de ser comunicado sobre as operações mais irrelevantes, para ser a pessoa a anunciar a operação e os resultados para a TV. O carnaval em torno dos supostos terroristas que criavam galinhas seguiu essa linha. Mas, aí, com uma irresponsabilidade monumental. O estardalhaço em cima de um factoide não só ajudou a carregar mais nuvens sobre os céus das Olimpíadas, como a chamar a atenção dos malucos sobre a possibilidade de atentados terroristas no evento”.


Essa “irresponsabilidade monumental”, porém, não incomoda Alexandre de Moraes. Como aponta Luis Nassif, ele é “um caso clássico do político sem princípios”. Nas passeatas contra o impeachment de Dilma, ele “agiu como polícia política, reprimindo manifestações, invadindo a sede de torcidas organizadas críticas do golpe, fechando as ruas que davam para o local de eventos fechados. Ele provavelmente é a mais nefasta figura que surgiu no universo político nas últimas décadas. Não apenas por colocar permanentemente a carreira acima dos princípios e valores, mas por ter sido responsável pelo aumento expressivo de mortes na periferia. Literalmente, ele está asfaltando a carreira política com o sangue dos jovens assassinados”.

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Leia também:



Terrorismo e o golpe no Brasil, por Paulo Moreira Leite


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     Não vamos nos enganar. Não é preciso ser um admirador de Maquiavel para entender que num momento de grandes incertezas políticas como aquele que enfrentamos no Brasil a denúncia de uma possível ameaça terrorista pode ser de grande utilidade para forças que ocupam provisoriamente a presidência da República e necessitam, como é visível a cada dia, "mostrar serviço" aos olhos de uma população desconfiada de gestos e intenções para manter-se no cargo de qualquer maneira. 

   Vivemos uma situação de desagregação institucional em que tudo é política, como reconheceu a líder do governo Rose de Freitas, ao explicar por que o Senado afastou Dilma sem prova de crime de responsabilidade.

     Não é preciso ficar com complexo de republica bananeira, porém. Basta lucidez. 

    Na França que já deu lições de liberdade, igualdade, fraternidade, o mesmo presidente François Hollande que enfrenta uma insurreição de trabalhadores em defesa de seus direitos - situação que pode repetir-se no Brasil caso Michel Temer siga em frente com seu programa de aniquilar a CLT - transformou a ameaça terrorista na preocupação número 1 de seu governo. 

      Incapaz de dar respostas aos problemas da vida cotidiana da maioria da população, como desemprego, perdas salariais, recessão, desde o final de 2015 Hollande multiplica medidas de exceção que produzem indignação - a ministra de Direitos Humanos renunciou ao cargo em protesto - e pouco tem servido para evitar novas tragédias, como demonstrou o ônibus assassino de Nice, menos de um ano depois do ataque ao Charlie Hebdo e ao Bataclan. 

     Mesmo assim, não há dúvida que a campanha do medo operou um previsível milagre de natureza eleitoral. Transformou Hollande, até então um George W Bush da social-democracia francesa, num candidato minimamente competitivo para enfrentar o fascismo nas eleições presidenciais. 

   Essa considerações recomendam prudência e bom senso diante da prisão de dez brasileiros que podem vir a ser um dia considerados suspeitos de terrorismo. Para tanto, é bom lembrar, será preciso que informações hoje em estagio muito preliminar se transformem em indícios e provas. Não custa sublinhar - mesmo fora de moda - o principio da presunção da inocência. Ninguém quer construir uma nova Guantânamo, certo? 

      Está claro que nenhuma pista contra a ameaça do terror pode ser desprezada, pois, se forem indícios consistentes e corretamente investigados, podem impedir atos de barbárie que ameaçam vidas inocentes, inclusive crianças. 

        O problema é que toda iniciativa para transformar um episódio inconclusivo em grande espetáculo, sem justificativas razoáveis, equivale a uma demonstração de desprezo absoluto pela inteligência do cidadão brasileiro. Também é um ato contraproducente do ponto de vista de toda investigação, que envolve material de inteligência sensível, necessita de prudência e segredo, em vez de espalhafato e sensacionalismo. 

    O desvio para os holofotes é apenas parte do problema, porém. Outro sinal é político e diplomático. 

    A postura mostra um passo, no governo Michel Temer, para alinhar o aparato policial e jurídico do estado brasileiro com as prioridades do governo norte-americano. É compreensível, diante do isolamento internacional do golpe. Deve ser visto como mais um capítulo num programa de generosas gentilezas externas que inclui, como grande troféu, a abertura do pré-sal da Petrobras a grandes empresas estrangeiras. 

      Coerente com uma diplomacia de preservar de qualquer maneira a ordem vigente no Oriente Médio, endereço de reservas de petróleo vitais para sua economia e para o faturamento de uma parte de seus maiores gigantes econômicos, Washington transformou a luta contra o terrorismo de origem árabe na pedra de toque de sua ação internacional e dos chamados programas de cooperação. 

     Não custa lembrar que o principal reflexo, no Brasil, do atentado de 11 de setembro foi um reforço das investigações da CIA e outros órgãos do serviço secreto contra imigrantes palestinos na região da Tríplice Fronteira, com base em suspeitas que a própria embaixada dos EUA em Brasília considerava pouco mais do que risíveis. 

       Não por acaso, Washington não deixou de aplaudir, uma década e meia depois, a lei anti-terrorismo aprovada pelo Congresso, por iniciativa do governo Dilma. 

     Interessada em embelezar toda e qualquer medida do governo Temer que possa contribuir para a aprovação definitiva do impeachment pelo Senado, a mídia grande não perdeu a oportunidade de ressaltar a "colaboração" do serviço secreto dos EUA nas investigações. A historia diplomática dos dois países, marcada por longos períodos de adaptação e mesmo submissão do lado brasileiro, com raros mas reais momentos de independência e soberania, permite acreditar que seja muito mais do que isso. 

       Há outro ponto a observar. 

     É certo que, por sua própria natureza, as ações terroristas não obedeçam a uma lógica previsível nem racional. Não custa ponderar porém que seus alvos mais frequentes envolvem países e governos que tem uma postura agressiva nos conflitos do Oriente Médio, participando ativamente de operações de apoio em relação a diplomacia norte-americana. Os atentados de Madri e Londres ocorreram depois que os governos da Espanha e da Grã Bretanha se engajaram na invasão do Iraque. A França entrou no radar depois de patrocinar a queda de Kadhafi, na Líbia e realizar oções de guerra na Siria e no Iraque. Antes disso, costumava ser poupada depois que, ao lado da Alemanha e governo brasileiro, recusou apoio a Bush guerra do Iraque. 

    Diversos estudiosos consideram que até agora a postura diplomática do governo brasileiro, alinhado com a defesa intransigente da soberania de cada povo para escolher e definir seus governos, ajuda a entender porque o país tem sido preservado, até o momento, de ações dessa natureza. 

       Isso não representa garantia nenhuma, muito menos na conjuntura de um país que irá sediar uma Olimpíada. Mas mostra a necessidade de se evitar toda e qualquer medida fora do tom adequado. 

   O único suspeito real até agora é o ministro da Justiça Alexandre Moraes, que acabou corrigido pelo juiz do caso por dizer mais do que poderia.

sábado, 23 de julho de 2016

Trapalhada de Temer & cia. pode pôr Brasil na rota do terrorismo ao atual interino ministro da justiça fazer seu "show" midiático, por Eduardo Guimarães

"O desempenho do tucano Alexandre Moraes na luta fracassada do governo paulista contra o PCC parece ter-lhe subido à cabeça. O histriônico ministro agora quer usar suas fórmulas fracassadas para o enfrentamento de uma organização radical que vem desafiando – e até vencendo, algumas vezes – as grandes potências ocidentais: o dito “Estado Islâmico” (...) O governo Temer resolve promover um show de marketing usando aparato de segurança como a Polícia Federal, que tem se notabilizado por ações de cunho político contra inimigos políticos de grupos radicais de direita, ou seja, contra o Partido dos Trabalhadores e seu governo federal recém-deposto por um processo que, mundo afora, vem sendo chamado de golpe por grandes meios de comunicação estrangeiros, por governos, celebridades, intelectuais etc.".


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Minority Report é um filme de ficção científica lançado em 2002, estrelado por Tom Cruise e dirigido por Steven Spielberg. O roteiro é baseado no conto com o mesmo nome de Philip K. Dick.
A trama ocorre em Washington no ano de 2054. Uma “divisão pré-crime” acaba com a criminalidade no mundo; a polícia usa pessoas paranormais, os precogs, para preverem o futuro, localizar e prender futuros culpados antes que cometam crimes.
A metáfora é perfeita para definir a trapalhada marqueteira de mais um ministro “exótico” de Michel Temer, o tucano Alexandre de Moraes, quem, em lugar de combater a organização criminosa Primeiro Comando da Capital  (PCC), em São Paulo, quando foi secretário de Segurança, advogou para a facção.
O desempenho de Moraes na luta fracassada do governo paulista contra o PCC parece ter-lhe subido à cabeça. O histriônico ministro agora quer usar suas fórmulas fracassadas para o enfrentamento de uma organização radical que vem desafiando – e até vencendo, algumas vezes – as grandes potências ocidentais: o dito “Estado Islâmico”.
A organização é conhecida por “Estado Islâmico do Iraque e do Levante” (EIIL), ou “Estado Islâmico do Iraque e da Síria” (EIIS). É uma organização jihadista islamita que opera no Oriente Médio e que vem sendo combatida por grandes potências do Ocidente por razões controversas que não vêm ao caso neste texto, que não pretende julgar os conflitos no Oriente Médio, mas atos do governo brasileiro que podem envolver este país nesses conflitos.
Às vésperas das Olimpíadas, com as ações do Estado Islâmico se radicalizando mundo afora,  
O Show
A duas semanas da Olimpíada, a Polícia Federal prendeu na quinta-feira (21) dez brasileiros ditos “suspeitos de simpatizar com grupos terroristas”.
As forças de segurança do governo federal vinham monitorando cem pessoas no país que, segundo o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, manifestam simpatia ao Estado Islâmico. Os dez presos compunham os 10% que mais despertaram atenção das forças de segurança. Eles ficarão presos por 30 dias, prorrogáveis por mais 30.
Esta foi a primeira ação anti-terror da PF depois da aprovação da lei que tipificou os crimes dessa natureza, mas que recebeu uma leitura totalmente descabida do governo Temer.
Pelo texto sancionado pela presidente afastada Dilma Rousseff, o terrorismo é tipificado como a prática, por uma ou mais pessoas, de atos de sabotagem, de violência ou potencialmente violentos “por razões de xenofobia, discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia e religião, quando cometidos com a finalidade de provocar terror social ou generalizado, expondo a perigo pessoa, patrimônio, a paz pública ou a incolumidade pública”.
Os suspeitos presos pela PF foram enquadrados nos artigos 3º e 5º.
> 3º — promover, constituir, integrar ou prestar auxílio, pessoalmente ou por interposta pessoa, a organização terrorista;
> 5º — Realizar atos preparatórios de terrorismo com o propósito inequívoco de consumar tal delito.
Ocorre que essas pessoas que foram presas não cometeram nenhum ato concreto que permitiria às autoridades enquadrarem-nas nos artigos da nova lei antiterrorismo, exigência feita ao Brasil para receber as Olimpíadas.
Não há um único registro de contatos diretos das pessoas presas com terroristas. Segundo a imprensa, um dos suspeitos teria chegado a entrar em contato com uma empresa de armas para comprar um fuzil AK-47, mas a compra nunca se concretizou e mesmo a tentativa de efetuar a transação nunca foi confirmada.
Aliás, vale perguntar: que tipo de terrorista é esse que compra armas por meios legais, no próprio nome? Um membro do grupo Estado Islâmico precisaria fazer tal transação para obter arma por um meio que seria tão fácil de rastrear?
Já os outros presos teriam “feito juramento de lealdade ao Estado Islâmico por meio de um site que oferece uma gravação do texto que deve ser repetido a quem deseja fazer parte do EI”. Mesmo se isso fosse verdade, porém, não há lei que proíba uma pessoa de simpatizar com o que quer que seja.
Invadir residências de cidadãos por crimes que eles possam vir a cometer tem tudo que ver com o filme hollywoodiano supracitado. E é muito ridículo.
A tal A Operação Hashtag, deflagrada na quinta-feira (21) pela Polícia Federal, deveria ser sigilosa. Mas recebeu grande publicidade no mundo inteiro. Seria extremamente simples surpreender essas pessoas e levá-las para depor sem alarde, mas o caráter marqueteiro da operação, com entrevista espalhafatosa do ministro da Justiça, é claro.
A inépcia é tanta que os envolvidos tiveram seus nomes divulgados:
Alisson Luan de Oliveira
Antonio Andrade dos Santos Junior
Daniel Freitas Baltazar
Hortencio Yoshitake
Israel Pedra Mesquita
Leandro França de Oliveira
Leonid El Kadre de Melo
Levi Ribeiro Fernandes de Jesus
Marco Mario Duarte
Mohamad Mounir Zakaria
Oziris Moris Lundi dos Santos Azevedo
Valdir Pereira da Rocha
Vitor Barbosa Magalhães
É desoladora a trapalhada do governo Temer. E preocupante.
Pelo seguinte: o EI é realmente uma organização que está promovendo um tipo de luta contra os excessos das grandes potências que comete crimes inomináveis sob o pretexto de combater o imperialismo. Porém, essas ações de grupos radicais islâmicos não são empreendidas aleatoriamente e contra quem não os incomoda.
A França, por exemplo, tem sido alvo de atos de terrorismo em retaliação a suas ações contra o EI no Oriente Médio. E todos sabemos que ações das grandes potências econômicas e militares no Oriente Médio cometem tantos abusos e crimes quanto os grupos radicais que praticam atos de terror em retaliação.
Que o diga o Wikileaks, que denunciou que em 12 de julho de 2007 um helicóptero Apache da Força Aérea dos Estados Unidos fazia o patrulhamento em Bagdá e a tripulação resolveu fazer uma “brincadeira de tiro ao alvo”, como se aquelas pessoas fossem reses para o abate.
Sete iraquianos desabaram mortos no chão, com os corpos perfurados de bala. O repórter Namir Noor Eldeen, da agência de notícias Routers, e seu motorista, Said Chmag, estavam no local fazendo uma matéria e foram atingidos pelos disparos.
Se o grupo radical Estado Islâmico não tinha razões para atacar o Brasil, após a ação destrambelhada do governo Temer passou a ter. Simpatizantes do grupo e do islamismo foram tratados de uma forma que pode estimular fanáticos a retaliarem o Brasil. A decisão do governo Temer comprou uma briga que não era nossa.
PS: se tivéssemos um governo com cérebro, ele exortaria o Estado Islâmico a não praticar atos contra o Brasil, pois não nos metemos nos conflitos no Oriente Médio.