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sexta-feira, 20 de setembro de 2019

Moro sofre nova derrota e figura do “juiz de garantias”, que evita a parcialidade de juizes na produção de provas penais, é incluída em pacote anticrime. Reportagem de Lilian Milena


Ex-juiz da Lava Jato, Sergio Moro, é contra projeto de lei que evita a parcialidade na produção da prova penal e que avançou na comissão especial que analisa pacote anticrime na Câmara






Ex-juiz Sérgio Moro e procurador que coordena Lava Jato, Deltan Dallagnol atuavam juntos, mostram mensagens reveladas pelo The Intercept Brasil. Foto: José Cruz/Agência Brasil


Jornal GGN O grupo de trabalho criado para analisar o pacote anticrime na Câmara dos Deputados aprovou na tarde desta quinta-feira (19) a criação do juiz da garantias, magistrado que passaria a responder pela instrução processual.
O pacote anticrime foi proposto pelo ministro da Justiça, Sergio Moro, e traz pontos que já haviam sido propostos por uma comissão de juristas liderada por Alexandre de Moraes (atual ministro do Supremo Tribunal Federal), quando ministro no governo Temer.
A proposta do juiz de garantias já existe na maioria dos países e, basicamente, divide entre dois juízes a instrução criminal e o julgamento de processos. O primeiro é responsável pela legalidade da fase inicial do inquérito criminal, supervisionando as investigações e a garantia do direito fundamental dos suspeitos ou indiciados. O segundo, passaria a responder pelos trabalhos da parte final do processo, que envolve o julgamento da verificação da culpa ou da inocência do réu.
Atualmente, no Brasil, um mesmo juiz participa da fase de inquérito e da fase que profere a sentença. “O juiz que definir uma busca e apreensão, uma quebra de sigilo, não será o mesmo juiz que vai decidir o feito”, explica o deputado Paulo Teixeira (PT-SP), autor da proposta junto com a deputada Margareth Coelho (PP-PI).
Eles defendem a mudança como imprescindível para uma Justiça imparcial. “Se o juiz errou no começo [do processo], ele vai querer justificar sua medida condenando a pessoa. Por isso, para ter imparcialidade, é importante que um juiz decida na parte da investigação e outro juiz decida o feito”, justifica Teixeira.
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O deputado lembra que essa separação já existe no estado de São Paulo. Há 34 anos o Dipo (Departamento de Inquéritos Criminais e Polícia Judiciária) aplica o sistema.
“Se tivesse o juiz de garantias [na Justiça de todo o país], não teria um juiz tão contaminado, tão parcial quanto foi Sergio Moro. É uma vitória para o Brasil. Temos agora que aprovar no plenário [da Câmara dos Deputados] e no Senado”, completa o parlamentar.
Em entrevista recente à Folha de S.Paulo, o juiz criminalista e estudioso do tema há 20 anos, Carlos Alberto Garcete, defendeu a criação da figura do juiz de garantias.
“O ser humano tem uma tendência natural de querer reconfirmar suas decisões. Com o juiz é a mesma coisa. Se eu autorizo medidas de busca e apreensão, isso acaba influenciando meu lado psicológico e reforça minha tendência a condenar. Se eu absolver, é como se estivesse reconhecendo que cometi uma falha na fase anterior”, explicou.
A proposta de criar a figura do magistrado para instruir o processo não é nova e está prevista no projeto de novo Código do Processo Penal (PL 8045/10) aprovada pelo Senado em 2011, aguardando apenas a validação na Câmara dos Deputados.
A proposta, entretanto, ganhou força no Congresso mais recentemente após a divulgação dos diálogos mostrando a proximidade entre o então juiz Sergio Moro e procuradores da Operação Lava Jato.


Na época em que o Senado aprovou a inovação no Código de Processo Penal, o então juiz federal Sergio Moro foi entrevistado e respondeu que, com o instrumento, “perde-se na fase da ação penal todo o conhecimento que foi acumulado na fase de investigação, sendo necessário recomeçar do zero”. Ou seja, Moro se mostrou contrário a criação do juiz de garantias.
Na mesma matéria, o juiz federal Augustino Lima Chaves, do Ceará, ponderou o contrário. “É uma excelente mudança”, disse. “O juiz que autoriza medidas fortes muito raramente muda de opinião”, completou.


E o Ministério Público?

O jurista Lênio Streck comentou ao GGN que a proposta é um avanço, entretanto avaliou que ainda é pouco para eliminar a falta de imparcialidade no sistema Judiciário como um todo.
“É um avanço [a decisão dos parlamentares na comissão sobre o pacote anticrime]. O projeto, no entanto, é muito mais uma consequência da falta de imparcialidade. Mas ainda é pouco. Tem de, também, obrigar o Ministério Público a apresentar as provas que tiver obtido, inclusive as que favorecem à defesa, como acontece em países como Alemanha, Itália e Estados Unidos”, pontua.
Em artigo publicado por ele no Conjur, a respeito do projeto de Lei para evitar a parcialidade do juiz, Lênio reforça a necessidade da discussão em torno da produção de provas e do papel do Ministério Público em compartilhar essas informações com os réus e indiciados.
“Na verdade, o projeto nada cria de novo. Apenas oficializa o que já está no Estatuto de Roma, incorporado ao Direito brasileiro, e pega emprestado um dispositivo do Código Penal alemão (também previsto no direito italiano e na jurisprudência da US Supreme Court dos EUA”, destaca Lênio, lembrando que o Brasil é signatário do Estatuto de Roma, incorporado desde 2002 ao Direito do país.
“O Ministério Público brasileiro possui as mesmas garantias da magistratura, fruto de uma luta intensa no processo constituinte. Logo, se possui as mesmas garantias, o MP tem as mesmas obrigações, sendo a principal delas a isenção e o dever de não se comportar como a defesa — essa sim autorizada a realizar aquilo que se chama, na doutrina, de ‘agir estratégico'”, completa o jurista. (Leia aqui seu artigo na íntegra).

terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Em reportagem do Jornal da Gazeta, vê-se que a Câmara dos Deputados confirma ponto de Nathália Queiroz, filha de Fabrício motorista, ao mesmo tempo em que ela trabalhou como personal trainer fora da Câmara



Do Jornal da Gazeta, vídeo reportagem sobre o caso da filha de Queiroz:



A câmara dos deputados em Brasília registrou frequência normal do expediente de Nathália Queiroz, que na verdade trabalhava como personal trainer no Rio de Janeiro. A informação foi divulgada pela rádio CBN, com base na lei de acesso à informação. Nathália é filha de Fabrício Queiroz, ex-assessor de um dos filhos do presidente.

Foto

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Opinião da Deutsche Welle sobre o vergonhoso apoio dos deputados-cúmplices que salvaram Temer: O fim das ilusões


A imagem pode conter: multidão



Crise política parecia prometer uma catarse, mas decisão da Câmara dos Deputados evidencia que o Brasil está longe de acabar com a impunidade, opina Francis França, editora-chefe da DW Brasil.

Da Deutsche Welle Brasil:

Votação na Câmara dos Deputados em 2 de agosto de 2017, 02/08/2017
Denúncia contra Temer obteve apenas 227 dos 342 votos necessários para abrir o processo
O Brasil atravessa uma dura crise política e econômica há mais de três anos, e, para os mais otimistas, a impressão era de que as turbulências e os traumas eram efeitos colaterais esperados em uma democracia que busca combater a corrupção e a impunidade para amadurecer. Acreditava-se que o país estava afundando, mas para renascer uma versão melhor de si.
Essa ilusão acabou nesta quarta-feira (02/08), quando a Câmara dos Deputados barrou a denúncia por corrupção passiva contra Michel Temer, o primeiro presidente na história do país a ser alvo de denúncia criminal no exercício do cargo – flagrado mantendo conversas pouco republicanas com um magnata investigado pela Operação Lava Jato.
Francis França é editora-chefe da DW Brasil
Francis França é editora-chefe da DW Brasil
Pois bem, o Brasil não está combatendo a impunidade. Nem há real recuperação da economia. Obviamente, também não há preocupação em reduzir a desigualdade e a injustiça social, incubadoras da violência insuportável que se espalha por todo o país e produz estatísticas semelhantes às de uma guerra civil.
A vitória do presidente foi, como ele próprio declarou, incontestável. Ela foi conquistada com uma série de manobras escandalosas e a distribuição bilionária de verbas e de cargos. E todo esse apoio já custou ao Brasil o ajuste fiscal, a proteção da Amazônia e das metas do clima, os direitos dos povos indígenas e sobrecarregou ainda mais o trabalhador comum. Excluiu os excluídos de sempre e deve causar danos de longo prazo.
Já os privilegiados de sempre continuam desinibidamente prestando favores uns aos outros. E embora a vitória de Temer passe a mensagem de um presidente forte, os deputados viram como pode ser lucrativo manter um presidente encurralado e já devem esperar ansiosos por uma nova denúncia da Procuradoria-Geral da República.
Com isso, o Brasil continua sua jornada rumo ao retrocesso. Na edição de 2017 do ranking ''The Soft Power 30'', que mede o prestígio político do país no exterior, o Brasil aparece na penúltima posição, à frente apenas da Turquia – após ter liderado os Brics alguns anos atrás.
E deve continuar nas sombras até as eleições gerais de 2018. Até porque, mesmo que o presidente fosse afastado, o problema maior continuaria nas entranhas do Legislativo, disposto a qualquer negócio.
E o brasileiro médio assiste a tudo atônito e impassível. Aflito com uma possível volta da esquerda e com a paranoica "ameaça do comunismo", teme mais seus fantasmas do que seus algozes, e prefere ficar de braços cruzados.
A democracia brasileira terá um longo ano pela frente.

LEIA MAIS

Imprensa Internacional critica a anistia dos deputados comprados-golpistas-cúmplices a Michel Temer e a Deutsche Welle, repercutindo jornais alemães, afirmou que "Se Dilma tivesse tido a metade da sede de poder e degeneração moral de Temer ela não teria caído"




Imprensa europeia compara votações sobre Temer e Dilma

Num novo "espetáculo indigno", deputados que condenaram ex-presidente pouparam sucessor, observam sites europeus. "Se ela tivesse metade da sede de poder e da degeneração moral dele, ainda estaria no Planalto."
Brasilien Präsident Michel Temer (picture alliance/dpa/AP/E. Peres)
Condenado na Justiça – e o novo, velho presidente do Brasil? – Die Welt, 03.08.2017
"Michel Temer dá um largo sorriso ao ficar sabendo do resultado: 263 deputados do Parlamento brasileiro rechaçaram a possibilidade de iniciar um processo contra o presidente brasileiro. Com isso, o impopular chefe de Estado escapou do processo judicial e da morte política súbita. Não se trata de uma vitória pessoal, afirmou Temer, após a decisão. Assim, Temer continuará sendo o homem forte do Brasil até o fim de seu mandato, no próximo ano, mas, para a democracia na nação sul-americana, trata-se de um duro golpe.
Um outro pode sair ganhando com essa situação. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva já foi condenado: nove anos e meio de prisão por corrupção passiva, diz a pena do juiz Sergio Moro. Mesmo assim, Lula não está na cadeia. Ele tem agora tempo para se defender numa apelação e enfraquecer as acusações. Lula, o antigo ícone da esquerda, sempre negou envolvimento no escândalo de corrupção milionário.
Os apoiadores acreditam em Lula, que se faz de vítima. O ex-presidente, de 71 anos, que gosta de se apresentar como filho do Brasil, tem o talento que falta a seus sucessores Rousseff e Temer. Lula é um poeta da política, que sabe seduzir seus compatriotas com promessas e jogos de palavras. 'Você só pode matar um passarinho se ele estiver parado. Por isso eu vou voar', disse Lula há um ano. Uma declaração de guerra lírica, com a qual ele anunciou seu retorno político: Lula quer ser de novo presidente, em 2018."
Parlamento do Brasil protege o presidente – Der Tagesspiegel, 03.08.2017
"O que os deputados brasileiros ofereceram foi, mais uma vez, um espetáculo indigno. Houve gritos e brigas, declarações de fé foram dadas e cédulas falsas de dinheiro foram arremessadas. Um deputado tentou tirar um boneco inflável de outro e, quando não conseguiu, resolveu morder.
Ao final, depois de mais de 12 horas de sessão, os parlamentares decidiram que o presidente do Brasil, Michel Temer, não deverá ser investigado por corrupção pelo Supremo Tribunal Federal: 263 deputados votaram pelo arquivamento do caso, 277 votaram pelo processo contra Temer.


Assistir ao vídeo01:20

Momentos da votação

As provas contra Temer parecem ser claras. Tão claras que 81% dos brasileiros se manifestaram a favor de uma investigação em pesquisas. A aprovação de Temer está em apenas 5%.
Mas os deputados não quiseram se unir à maioria da população. Parece estar claro por quê. Há semanas que Temer e seus seguidores assediam os deputados, oferecendo cargos e liberando verbas do orçamento para suas bases eleitorais. Foi assim que, nos últimos dias, cerca de 1 bilhão de euros foram para deputados que prometeram votar a favor de Temer.
Um observador comentou o resultado da votação com as seguintes palavras: Se Dilma Rousseff tivesse só a metade da sede de poder e da degeneração moral de Michel Temer, ela ainda estaria no poder."
Presidente do Brasil mantém o cargo – The Guardian, 03.08.2017
"A credibilidade do Congresso do Brasil continuou em farrapos depois de sua câmara baixa majoritariamente votar pela não aprovação de acusações de corrupção contra o presidente Michel Temer – apesar de 81% dos seus compatriotas terem dito, numa pesquisa recente, que eles deveriam.
A decisão foi tomada apenas um ano depois de muitos dos mesmos deputados terem votado pela suspensão da antecessora de Temer, Dilma Rousseff, por quebrar regras orçamentárias – acusações que levaram ao seu eventual impeachment.
As alegações contra Temer eram muito mais sérias. Ele se tornou o primeiro chefe de Estado do país a ser formalmente acusado de um crime. E, para completar a sensação de farsa, ao menos 190 dos 513 deputados habilitados a votar enfrentam processos criminais na suprema corte do Brasil, segundo uma pesquisa do site Congresso em Foco. 'Isso mostra a falência dos políticos e do sistema eleitoral brasileiro', disse Edson Sardinha, o editor do site."
O presidente do Brasil escapa em meio a indiferença quase geral – Le Monde, 03.08.2017
"Hábil, combativo, intrigueiro, o impopular presidente brasileiro, membro do PMDB (centro), foi bem-sucedido onde sua antecessora, Dilma Rousseff, do PT (esquerda), deposta em 2016 por manipulação contábil, havia fracassado.
Posto na chefia de Estado após o impeachment de Dilma Rousseff, da qual foi vice-presidente, Michel Temer é beneficiado pelo vácuo político. Se ele tivesse sido removido do poder, seria substituído por seis meses pelo Presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, considerado seu duplo. 'Ganha uma viagem para Caracas quem for capaz de sair às ruas para gritar Rodrigo já!', ironizou Elio Gaspari, colunista da Folha de S. Paulo, na quarta-feira.
A vitória de Michel Temer é também, cinicamente, a de seus adversários, que, segundo uma parte dos analistas brasileiros, ao representar a comédia da indignação, preferem na verdade deixar crescer a raiva contra Michel Temer para estar em melhor situação na eleição presidencial de 2018. 'Um governo sem sangue, esvaziado, que perdeu sua força, pode reanimar os mortos-vivos da oposição', comentou em seu blog Carlos Melo, cientista político do instituto Insper, de São Paulo.
Resta o mal-estar que tomou conta de Brasília. Um ano antes, os deputados mostraram abertamente suas opiniões, assegurando ao vivo, na televisão, votar em nome de 'Deus' ou da 'família' contra a presidente Dilma Rousseff.
Nesta quarta-feira, à exceção do singular Wladimir Costa (SD), que tatuou no ombro o nome de Temer, os parlamentares se mostraram menos eloquentes, argumentando com a estabilidade do país para justificar um voto a favor de um homem que, como muitos deles, é acusado pela Justiça."
AS/ots

quarta-feira, 29 de junho de 2016

Cunha e Temer, sócios no Golpe, escolhem agora Rogério Rosso para presidir a Câmara dos Deputados



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O deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e o interino Michel Temer definiram, no encontro secreto do último domingo, que o deputado Rogério Rosso (PSD-DF) será o candidato do Palácio do Planalto à presidência da Câmara dos Deputados; Cunha e Temer, que são "sócios" no impeachment da presidente Dilma Rousseff, querem colocar um aliado no comando do Legislativo; assim, Cunha renunciaria à presidência da Câmara e tentaria preservar seu mandato; caso o acordão prospere e Cunha consiga se salvar, seria evitada uma delação premiada que implodiria o PMDB e o próprio governo interino de Temer; falta, no entanto, combinar com a Justiça Federal do Paraná, onde a filha e a esposa de Cunha respondem a processo, e com o STF, que transformou o deputado novamente em réu por 11 votos a zero na semana passada.
247 Uma reportagem das jornalistas Júnia Gama e Simone Iglesias (leia aqui) revela o que foi tratado no encontro secreto entre o deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e o interino Michel Temer.
Na reunião, ocorrida no Palácio do Jaburu, eles definiram que o deputado Rogério Rosso (PSD-DF) será o candidato do Palácio do Planalto à presidência da Câmara dos Deputados.
Cunha e Temer, que são "sócios" no impeachment da presidente Dilma Rousseff, querem colocar um aliado no comando do Legislativo, no lugar de Waldir Maranhão (PP-MA).
Assim, Cunha renunciaria à presidência da Câmara e tentaria preservar seu mandato parlamentar, mantendo o foro privilegiado.
Caso o acordão prospere e Cunha consiga se salvar, seria evitada uma delação premiada que implodiria o PMDB e o próprio governo interino de Temer.
Falta, no entanto, combinar com a Justiça Federal do Paraná, onde Danielle Dytz e Cláudia Cruz, a filha e a esposa de Cunha, respondem a processo, e com o STF, que transformou o deputado, pela segunda vez, em réu por 11 votos a zero na semana passada.
Cunha é acusado de receber R$ 52 milhões de propina em apenas uma das acusações, que envolve a Carioca Engenharia. Em coluna publicada nesta quarta, o jornalista Ricardo Noblat disse que Temer faz o que pode para salvar Cunha (leia aqui), a quem chamou de "batalhador político e jurídico".

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Bancadas reacionárias da Bíblia e da Bala agora querem impor seus valores, alienar a todos, controlando a Comissão de Educação e o MEC do ultra conspirador Michel Temer





Rogério Marinho - seu projeto proíbe manifestações e ocupações em escolas. Foto: PSB
Rogério Marinho – seu projeto proíbe manifestações e ocupações em escolas. Foto: PSB
PSOL acusa bancadas cristã e da bala de controlarem Comissão da Educação

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Leandro Mazzini
no Uol
As bancadas da bala e cristã-conservadora controlam a comissão de Educação na Câmara dos Deputados.
Os socialistas progressistas reclamam. Há na pauta dois projetos de deputados tucanos que direcionam atividades dos professores e contra a diversidade e direitos humanos.
A crítica é do deputado Glauber Braga (PSOL-RJ). Ele cita o PL 867/15, o “Escola sem partido'', de autoria de Izalci (PSDB-DF) – o projeto coíbe eventual direcionamento ideológico na grade curricular – e o 1411/15 de Rogério Marinho (PSDB-RN), que pune o professor que permitir manifestações de alunos – como o caso das ocupações de escolas que têm se repetido no Rio de Janeiro e São Paulo.
Atualização segunda, 23, 23h20 – Em resposta ao PSOL, o deputado Rogério Marinho informa que é infundada a acusação dos “socialistas progressistas''. “Creio que os tais socialistas progressistas estão desesperados com os projetos que visam coibir a doutrinação política-ideológica no ensino''.
O deputado complementa: “É inadmissível o pseudo professor querer impor seu ponto de vista aos estudantes ainda em formação,hipossuficientes. O proselitismo político praticado por doutrinadores em salas de aula foi amplamente incentivado pelos sucessivos governos petistas. As denúncias de vítimas de doutrinação se avolumam. É criminoso o que estão fazendo: usam a escola e os livros didáticos para fazer a cabeça de crianças e jovens e impingir falsidades históricas, propagandas políticas travestidas de sentenças científicas e toda a sorte de corrupção de comportamentos''.
“Esclareço que o PL 1411/15 tipifica o crime de assédio ideológico e não legisla sobre manifestações de alunos''.
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terça-feira, 19 de abril de 2016

Para a maior e mais importante revista alemã, Der Spiegel, a palhaçada liderada pelo bandido Eduardo Cunha no dia 17 de abril foi uma "insurreção de hipócritas"

segunda-feira, 18 de abril de 2016

O golpe dos corruptos leva Brasil à beira do caos: “por Deus, pela minha família, pelas pessoas de bem”, por Rodrigo Vianna


O golpe dos corruptos leva Brasil à beira do caos: “por Deus, pela minha família, pelas pessoas de bem”

Símbolo da farsa: deputado do PSDB, que deu o voto de número 342 pelo golpe, está na lista de propinas da Odebrrecht
Símbolo da farsa: deputado do PSDB, que deu o voto de número 342 pelo golpe, está na lista de propinas da Odebrrecht
Depois de assistir à sessão do golpe, em Brasilia, entendi porque a TFP (Tradição, Família e Propriedade – velha instituição católica de ultra-direita, que defendeu a ditadura em 64) entrou em decadência.
Globo, Gilmar e Cunha querem botar a faixa no Temer; mas batalha não acabou e haverá muita resistência
A TFP tornou-se desnecessária. O discurso da “família acima de tudo” ganhou a parada.
“Pela minha família, pelos meus filhos, pela minha mulher”, gritou um deputado/delegado de Goiás.
“Voto em nome do povo de Jesus”, dizia uma moça com jeito de santinha.
Um amigo escreveu: ninguém agradeceu à (ou ao) amante?
Deus e a família embalaram as declarações de voto. Quase ninguém lembrou das pedaladas fiscais. E assim a Câmara mais nojenta da história votou pelo impedimento de uma presidenta contra a qual não há acusações formais de crime.
Consumou-se o golpe dos corruptos. A imprensa mundial já havia percebido que esse é o jogo: um bando de larápios se reúne sob o comando de um bandido, para entregar o poder a um traidor com cara de mordomo de filme de terror.
Na sessão, um deputado do PSOL do Rio, Glauber Braga, chamou Cunha de “gângster”. Cunha não moveu um músculo. Cumpriu sua missão. Entregou a cabeça de Dilma na bandeja.
Bolsonaro encenou a cena mais absurda, quando comemorou o golpe ao declarar seu voto: “perderam em 64, perderam de novo em 2016”. E depois exaltou a memória do torturador Brilhante Ustra. Tudo sob risos cínicos e aplausos. Levou uma cusparada de Jean Wyllis: o que foi pouco, muito pouco, diante do gesto brutal e patético do ex-militar Bolsonaro.
A extrema-direita, o PSDB derrotado 4 vezes, o PMDB do traidor Temer, o baixo clero que teme a Lava-Jato: todos se uniram no golpe parlamentar. O golpe dos corruptos.
O Brasil ingressa assim num túnel assustador. 54 milhões de votos foram jogados no lixo. Cunha ri da sua cara, da minha. E é tratado como um lord pela imprensa mais venal da história brasileira.
Com o golpe consumado, histéricos na zona sul de São Paulo bateram panelas e gritaram durante meia hora o “Fora, PT”. Pronto, aliviaram suas frustrações…
Talvez os paneleiros não saibam, mas quando ingressamos na zona cinzenta do vale-tudo todos podem sofrer as consequências. Hoje você comemora porque a regra é quebrada para atender à sua vontade. Amanhã, a vítima pode ser você.
Inicia-se agora outra batalha. O que sobrou do governo propõe nova eleições em outubro. Senadores de vários partidos encampam a mesma ideia: ou seja, Temer pode acabar antes de começar.
Dilma aceitaria renunciar a metade de seu mandato – se Temer e o Congresso fizerem o mesmo.
Mas quem disse que a turma da família e dos bons costumes topa? Afinal, Temer acha que ganhou. Mas encontrará um Brasil conflagrado. Movimentos sociais e sindicalistas prometem resistir nas ruas.
O programa Temer/PSDB/Globo significa aprofundar a recessão, cortar direitos, entregar o Brasil. Esse programa – a curto prazo – só se sustenta debaixo de pancada: PM na rua, Justiça cada vez mais partidarizada, intimidação e mídia a serviço do ajuste conservador.
Uma gestão Temer/Cunha seria assim: a família brasileira unida, num governo de unidade das “pessoas de bem” (outra palavra muito utilizada por aqueles parlamentares com cara de meliantes e batedores de carteira). Quem ficar contra esse “novo Brasil das famílias” será tratado como dissidente, e entregue aos cuidados da PM e do novo Judiciário de Moro.
Mas tudo isso depende de o governo Temer existir. Pode ser que nem chegue a existir. Esse é o caos em que nos lançaram a Globo, os coxinhas, Aécio e a turma que não respeitou o resultado das urnas.
Agora, cada vez que alguém não gostar do resultado das urnas, terá à mão um golpezinho parlamentar.
Tudo em nome da família e de deus!