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sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

'Le Monde': Caso Odebrecht parece roteiro de "O poderoso chefão". Jornal diz que Mchel Temer é "mestre em intrigas paralmentares"

Le Monde destaca que presidente Michel Temer foi citado 43 vezes na delação de Melo Filho

Do Jornal do Brasil, citando o Le Monde francês:

Le Monde destaca que presidente Michel Temer foi citado 43 vezes na delação de Melo Filho


'Le Monde': Caso Odebrecht parece roteiro de "O poderoso chefão"

Reportagem fala que presidente Temer é "mestre em intrigas parlamentares"


Jornal do Brasil
Matéria publicada nesta quinta-feira (15) pelo Le Monde fala sobre a situação atual da política brasileira, com escândalos de corrupção envolvendo líderes e empresários de alto escalão, sendo que alguns já foram presos e a grande maioria está sendo investigada. 
O diário francês destaca em seu texto as denúncias de Claudio Melo Filho, confirmadas por Marcelo Odebrecht, que provam o envolvimento de vários caciques do governo e do próprio presidente interino no esquema de corrupção da operação Lava Jato. Temer foi citado 43 vezes na delação de Melo Filho.
O noticiário descreve na reportagem a cena no palácio do Jaburu, em maio de 2014, pouco antes da campanha presidencial. Michel Temer, então vice-presidente, “mestre de intrigas parlamentares”, diz o jornal, se dirige à Marcelo Odebrecht, herdeiro do grupo, e diz que precisa de R$ 10 milhões. Um roteiro, segundo Monde, digno do filme “O Poderoso Chefão”, de Francis Ford Coppola.
Le Monde comenta a planilha de Excel do departamento de propinas da empreiteira, onde cada político beneficiado tem um apelido, como Eduardo Cunha, chamado de Caranguejo ou Boca Mole.


segunda-feira, 23 de maio de 2016

Temer já está tecnicamente morto

Temer já está tecnicamente morto

Por Paulo Nogueira, no blog Diário do Centro do Mundo:

O governo Temer, que já vinha se arrastando, está agora tecnicamente morto.

Não há salvação possível depois que veio a público, pela Folha, uma conversa entre o ministro Romero Jucá e um investigado na Lava Jato.

A conversa, numa linha, confirma o que já se sabia sobre o golpe: uma mulher honesta foi derrubada por homens corruptos.

A diferença, agora, é que isto foi claramente exposto por Jucá, um dos articuladores do impeachment e espécie de primeiro ministro de Temer.

O objetivo jamais foi combater a corrupção. Foi, sim, preservar corruptos como o próprio Jucá e tantos outros.

Não sobra ninguém da conversa. Temer, por exemplo, foi definido como “homem do Cunha”. (Abaixo, uma ilustração do grupo Jornalistas Livres que resume o escândalo.)



Em sua superior mediocridade, Temer passou uma vida inteira como como um figurante. Só foi notado pelos brasileiros quando apareceu com uma mulher que poderia ser sua neta. Agora, ele se consagra como o “homem do Cunha”.

Jucá cita também o Supremo como parte da trama. Afirma que esteve com vários ministros do STF para discutir o golpe.

Não os cita. Mas você pode deduzir facilmente que juízes militantes como Gilmar Mendes e Dias Toffoli falaram com Jucá.

Gilmar jamais fez questão de esconder sua militância. Numa cena infame, apareceu às vésperas do impeachment numa fotografia ao lado de Serra, e sequer ficou vermelho. Para ele, ficou natural ser um político desvairado com toga.

Nunca mais você verá uma sessão do STF da mesma forma, isto é certo. Aqueles senhores (e senhoras) circunspectos e com capas ridículas parecerão um bando de golpistas.

Rosa Weber há dias intimou Dilma a dizer por que ela anda chamando o golpe de golpe. Dilma pode entregar a Rosa uma cópia da conversa de Jucá.

Aécio também é citado na conversa: “Todo mundo conhece o esquema do PSDB.” Menos a mídia, talvez, quejamais tratou decentemente do assunto.

Isso permite ainda hoje a velhos demagogos como FHC, Serra e Aécio posarem de homens acima de qualquer suspeita e falarem de corrupção como se fosse alguma coisa da qual estivessem imaculadamente distantes.

A mídia também está lá na conversa gravada. Os barões da imprensa, está registrado, tinham todo o interesse em tirar Dilma.

Nenhuma novidade, mais uma vez. Colocar um presidente amigo, como Temer, daria às grandes empresas jornalísticas livre acesso ao dinheiro público, por meio de publicidade oficial, empréstimos do BNDES e outras mamatas que fizeram a fortuna bilionária dos Marinhos, dos Civitas e dos Frias.

A Folha, que participou ativamente da trama que derrubou Dilma, parece ter dado um golpe de mestre com esta história.

Enquanto a Globo descaradamente passou a praticar um jornalismo chapa branca, a Folha tenta mostrar que não tem rabo preso com ninguém, como disse seu marketing durante muitos anos.

É uma espécie de retorno aos últimos tempos da ditadura, quando a Folha pregava as diretas já e a Globo continuava a defender os militares.

Como a Globo vai-se sair dessa – se é que vai – é uma incógnita.

Quem, definitivamente, não tem como se livrar das consequências das inconfidências de Jucá é Temer, o Breve.