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sexta-feira, 29 de março de 2019

Do GGN: Corregedoria abre procedimento contra Dallagnol por acordão bilionário com a Petrobras




Se o corregedor do CNMP entender que houve falta disciplinar por parte da turma de Curitiba, pode decidir pela abertura de processo administrativo disciplinar. A punição mais grave (punição?), neste caso, seria a aposentadoria compulsória

Foto: Agência Brasil
Jornal GGN – Treze procuradores da República em Curitiba, incluindo o líder Deltan Dallagnol, terão de responder à Corregedoria do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) sobre o acordão assinado em janeiro passado com a Petrobras, que viabilizaria a criação de um fundo privado com R$ 2,5 bilhões, sob a influência da Lava Jato.
Segundo o G1, o corregedor Orlando Rochadel determinou, na terça (26), a abertura de uma reclamação disciplinar para verificar se os procuradores da força-tarefa da Lava Jato cometeram infração funcional na assinatura do acordo.
Se o corregedor entender que houve falta disciplinar, os procuradores devem responder a um processo administrativo disciplinar.
O pedido que pautou a ação do corregedor foi apresentado por um grupo de senadores e deputados do PT, encabeçado pela presidente do partido, deputada Gleisi Hoffmann.
Terão que prestar os esclarecimentos, no prazo de 10 dias, os procuradores Deltan Dallagnol, Antônio Carlos Welter, Isabel Cristina Groba Vieira, Januário Paludo, Felipe D’ella Camargo, Orlando Martello, Diogo Castor De Mattos, Roberson Henrique Pozzobon, Julio Carlos Motta Noronha, Jerusa Burmann Viecilli, Paulo Roberto G. De Carvalho, Athayde Ribeiro Costa e Laura Gonçalves Tessler.
Todos assinaram, em janeiro, o acordo com a Petrobras pela utilização dos R$ 2,5 bilhões de duas formas: metade do dinheiro seria aplicado em projetos sociais e anticorrupção. A outra parcela ficaria retida para pagamento de indenizações de acionistas que movem ação contra a estatal.
Os R$ 2,5 bilhões são decorrentes de outro acordo que a Petrobras assinou com os Estados Unidos, em setembro de 2018, também com a participação velada de procuradores de Curitiba. A estatal aceitou pagar uma multa bilionária para não ser processada em solo americano. O Departamento de Justiça dos EUA aceitou abrir mão de 80% da multa em benefício “das autoridades brasileiras”.
O acordo entre Petrobras e Ministério Público em Curitiba foi suspenso pelo Supremo Tribunal Federal, sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes.
Se um processo disciplinar for instaurado, um novo relator será sorteado para levar o caso ao plenário e decidir sobre a continuidade ou não. “O prazo de conclusão é de 90 dias, prorrogável por mais 90 dias. O processo administrativo pode levar a punições como suspensão, censura, advertência, sendo a mais grave a aposentadoria compulsória (quando perde o cargo, mas continua a receber salário)”, explicou o G1.

sábado, 9 de março de 2019

Fundo bilionário pode transformar Lava Jato em poder “paraestatal”


Resultado de imagem para Farsa a Jato
Revista CartaCapital entrevistou juristas e ONGs que criticam o papel dos procuradores de Curitiba na criação de uma fundação privada para administrar fundo de R$ 2,5 bi

Jornal GGN – A constituição de uma fundação privada para administrar o fundo de R$ 2,5 bilhões conquistado pela Lava Jato pode transformar os agentes da operação num “poder paraestatal”. Há o temor de que os recursos – que foram retirados da Petrobras sob ameaça de processo nos Estados Unidos – sejam utilizados para concretizar as intenções políticas da força-tarefa e do ex-juiz Sergio Moro, potencial candidato a presidente em 2022.
A revista CartaCapital publicou neste sábado (9) uma entrevista com diversos especialistas que apontam para o risco do fundo “dar comando paraestatal para um movimento cujas ambições políticas são cada vez mais difíceis de esconder. Afinal, nem o principal artífice da Operação, Sergio Moro, resistiu aos encantos de uma cadeira no Planalto. E 2022 está logo ali.”
Se for constituída como uma ONG, a fundação que administrará o fundo “ficaria longe da fiscalização do Tribunal de Contas da União e do Portal da Transparência. Também não seria submetida aos ritos orçamentários do governo. Dessa forma, a Lava Jato entra na disputa pelos recursos por um caminho ausente de fiscalização e transparência.”
Esse e outros fatores já despertaram a crítica de figuras públicas como o ministro Marco Aurélio Mello e o governador Flávio Dino. Este último defendeu a imediata entrega do fundo com R$ 2,5 bilhões para a União decidir como aplicar os recursos.
O advogado Marcelo Mascarenhas, membro da Associação Juristas pela Democracia (ABJD), disse à Carta que já existe um fundo público, ligado ao Ministério da Justiça e gerido via conselho gestor, que repassa o dinheiro de multas e condenações de ações civis públicas a projetos de reparação de danos. “Porque esse dinheiro não vai para uma organização privada e não para esse fundo, público e transparente? Se um prefeito ou governador desviasse arrecadação de multas para uma ONG escolhida por ele, era condução coercitiva na hora.”
O advogado André Lozano, co-coordenador do Instituto Brasileiro de Ciências Criminais (IBCCRIM), disse também que “há grandes riscos de essa associação, no futuro, financiar a preço de ouro palestras e eventos de procuradores e juízes amigos.”
“A verba também poderia servir para financiar movimentos que, sob uma fachada de luta contra a corrupção, escondam ambições políticas”, anotou a publicação.
Leia mais na CartaCapital:

quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

Angela Merkel diz que Bolsonaro tornará difícil acordo União Europeia-Mercosul




Jornal GGN - A imprensa internacional e nacional repercute nesta quarta (12) a declaração da chanceler alemã Angela Merkel, que demonstrou interesse em aprovar um acordo comercial entre União Europeia e Mercosul ainda neste ano. O motivo? A posse de Jair Bolsonaro, em janeiro de 2019, tornará mais difícil que a negociação que se arrasta há anos saia do papel.
 
"O tempo para um acordo entre a UE e Mercosul está se esgotando. O acordo deve acontecer muito rapidamente, pois, do contrário, não será tão fácil alcançá-lo com o novo governo do Brasil", disse Merkel ao responder a uma pergunta de um deputado durante reunião do Parlamento alemão.
 
Merkel disse também, segundo relatos da Folha de S. Paulo, que enxerga com certa preocupação a decisão do Brasil de não querer sediar a próxima Conferência do Clima. A presidência da França já avisou que se o País sob Bolsonaro se retirar do acordo em prol do meio ambiente, negociações comerciais serão prejudicadas.
 
Desde a eleição presidencial no Brasil os europeus demonstram preocupação em relação a Bolsonaro. O deputado português Francisco Assis, presidente da delegação do Parlamento Europeu para as relações com o Mercosul, chegou a afirmar que "era necessário tentar fechar algum tipo de entendimento comercial ainda durante o governo do presidente Michel Temer", reportou o DW.
 
Em defesa do Brasil, a equipe de Temer diz que já flexibilizou tudo que podia numa tentativa de provar o interesse em fechar o acordo em blocos. Mas a União Europeia não teria cedido em alguns aspectos que comprometem o consenso.
 
"As negociações entre a UE e o Mercosul se arrastam há mais de duas décadas. Em 2004, os dois blocos chegaram a trocar propostas, mas a iniciativa fracassou diante da discordância sobre a natureza dos produtos e serviços que seriam englobados no acordo. Os sul-americanos queriam mais acesso ao controlado mercado agrícola europeu. Já a UE desejava avançar no setor de serviços e comunicações dos países do Mercosul", explicou o DW.
 
"Nos últimos três anos, as negociações tiveram um progresso mais significativo, mas ainda esbarram em várias divergências envolvendo a indústria automobilística dos dois países e a circulação de produtos como carne bovina. Várias associações de produtores europeus temem a concorrência dos brasileiros, já os brasileiros não ficaram satisfeitos com o sistema de cotas oferecidos pelos europeus", acrescentou.

quinta-feira, 1 de março de 2018

Operador de propinas do PSDB é acusado por 10 acordos de delação de 4 empreiteiras. Reportagem de Patrícia Faermann



Todos da Odebrecht, da Andrade Gutierrez, OAS e Queiroz Galvão, com unanimidade, sabiam que o ex-diretor da Dersa era o homem de Serra e Aloysio

Do GGN:



Foto: Reprodução
 
Jornal GGN - O ex-diretor da Dersa (Desenvolvimento Rodoviário S/A), Paulo Vieira de Souza, conhecido Paulo Preto, o operador de propinas do PSDB, foi acusado não por um, mas por sete delatores de grandes empreiteiras, de ter recebido propina em nome de José Serra, ex-governador de São Paulo, e do então chefe da Casa Civil, o senador tucano Aloysio Nunes. Outros três réus de empreiteiras também o mencionam em tratativas para fechar o acordo de colaboração.
 
Paulo Preto foi nomeado à Diretoria da estatal paulista durante a gestão de Serra e pediu, em nome dos tucanos, a dez empreiteiras responsáveis pelo trecho sul do Rodoanel um 0,75% do valor total acumulado nos contratos para as obras. Em troca, o governo de Serra favoreceu as empreiteiras com a modificação dos contratos.
 
A Odebrecht, por exemplo, teria ganhado entre R$ 60 e 70 milhões com a mudança estabelecida, de acordo com o delator Roberto Cumplido, responsável pelas obras do Rodoanel na Odebrecht. Isso porque a empreiteira, já conhecendo o projeto original, sabia como rentabilizar com menor gasto. A diferença pela boa produtividade ficava retido com os envolvidos no esquema.
 
Paulo Preto se reunia com os representantes das empresas do consórcio e ameaçava, narraram os delatores. Quando solicitava a propina de 0,75%, informava que se a Odebrecht e a Constran não pagassem, a estatal paulista iria simplesmente quebrar a contratação. Também delator da Odebrecht, Benedicto Junior soube que se tratava de ameaça clara e mandou pagar o suborno imediatamente.
 
Na mira de centenas de depoimentos de dez delatores e réus da Operação Lava Jato que negociam o acordo com os investigadores, todos da Odebrecht, da Andrade Gutierrez, OAS e Queiroz Galvão, com unanimidade, sabiam que o ex-diretor da Dersa era o homem de Serra e Aloysio.
 
Por mover negociações de milhões em propinas, o ex-diretor da OAS, Carlos Henrique Barbosa Lemos, quis conferir se Paulo Preto era representante dos tucanos. Para isso, o próprio senador e então chefe da Casa Civil do governo paulista, Aloysio Nunes, convidou os empreiteiros para uma reunião no Palácio dos Bandeirantes. 
 
Foi o então diretor da Dersa que passou o que seria discutido, ponto a ponto, naquela reunião antecipadamente. Chegando ao encontro, Lemos narrou aos investigadores que Aloysio confirmou tudo o que Paulo Preto teria antecipado. Depois daquele episódio, foi sanada a desconfiança de que o executivo poderia estar desembolsando as quantias para si que alegava ser direcionadas às campanhas tucanas.
 
Citaram Paulo Preto os executivos da Odebrecht Benedicto Junior,  Roberto Cumplido, Carlos Armando Paschoal, Luiz Eduardo Soares, Arnaldo Cumplido de Souza e Silva, além do operador que atuava para a empreiteira Adir Assad, e Flávio Barra da Andrade Gutierrez .
 
Na OAS, o ex-presidente da companhia Léo Pinheiro, além de Carlos Henrique Barbosa Lemos, e Carlos Alberto Mendes dos Santos da Queiroz Galvão também mencionaram o operador tucano em suas negociações para fechar o acordo de delação premiada.
 
Ainda, para confirmar as informações delatadas, mais recentemente, as autoridades suíças enviaram ao Brasil documentos que comprovam a movimentação de R$ 113 milhões de Paulo Preto mantidas em contas ocultas de paraísos fiscais. 
 
A informação já havia sido acessada pelos investigadores brasileiros desde o último ano, mas como estava em sigilo e sem vazamentos, foi tornada pública apenas na última semana, após a divulgação de um despacho da Justiça Federal de São Paulo, datado de outubro de 2017.
 

O caso foi divulgado porque a defesa de Paulo Preto anexou a dita decisão da juíza Maria Isabel do Prado, da 5ª Vara Federal de Justiça de São Paulo, em investigação que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF). Até então, o despacho da juíza estava em segredo de Justiça (leia mais aqui).