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segunda-feira, 2 de março de 2020

Os ultra ricos neoliberais e anti-democráticos preparam um mundo pós-humano e anti-vida. Texto de Douglas Rushkoff



Uma elite ínfima – porém poderosa ao extremo – crê que o planeta tornou-se inviável e quer isolar-se após o “Evento”. O que isso revela sobre a grande crise civilizatória em que mergulhamos


Por Douglas Rushkoff | Tradução: Inês Castilho
No ano passado, fui convidado a fazer conferência num resort superluxuoso para um público que, imaginei, seria de aproximadamente cem banqueiros de investimento. Era de longe a maior remuneração que jamais me foi oferecida por uma palestra – metade do meu salário anual como professor – tudo para fornecer algumas dicas sobre o tema “o futuro da tecnologia”.
Nunca gostei de falar sobre o futuro. A sessão de perguntas e respostas sempre acaba mais como um jogo de salão, em que me pedem para opinar sobre as últimas tendências da tecnologia como se fossem dicas precisas para potenciais investimentos: blockchain, impressão 3D, CRISPR. As audiências raramente estão interessadas em aprender sobre essas tecnologias ou sobre seus impactos potenciais, além da escolha binária entre investir nelas ou não. Mas o dinheiro chama; por isso, entrei no show.
Ao chegar, fui introduzido no que ma pareceu ser a sala reservada principal. Mas, ao invés de receber um microfone ou ser conduzido a um palco, simplesmente me sentei numa mesa redonda e minha audiência começou a chegar: cinco sujeitos super-ricos – sim, todos homens – do alto escalão do mundo dos fundos hedge. Depois de um pouco de conversa, percebi que eles não tinham interesse nas informações que eu havia preparado sobre o futuro da tecnologia. Haviam preparado suas próprias perguntas.
Começavam com aparente ingenuidade. Ethereum ou Bitcoin? A computação quântica é real? Mas, lenta e seguramente, concentraram-se em suas verdadeiras preocupações.
Qual região seria menos impactada pela crise climática que vem aí: Nova Zelândia ou Alasca? O Google está realmente construindo um “lar” para o cérebro de Ray Kurzweil e sua consciência viverá durante a transição, ou ele morrerá e renascerá inteiramente novo? Finalmente, o executivo-chefe de uma corretora explicou que havia quase concluído a construção de seu próprio sistema subterrâneo de abrigo e perguntou: “Como faço para manter a autoridade sobre minha força de segurança após o evento?“
O Evento. Esse era o eufemismo que usavam para o desastre ambiental, a agitação social, a explosão nuclear, o vírus incontrolável ou os hackers-robôs que destroem tudo.
Essa única pergunta os ocupou pelo resto do tempo. Sabiam que guardas armados viriam para proteger seus complexos das multidões enfurecidas. Mas como pagariam os guardas, já que o dinheiro não teria valor? O que evitaria que os guardas escolhessem os próprios líderes? Os bilionários consideravam usar fechaduras de combinação especial que só eles conheciam para guardar sua provisão de comida. Ou fazer com que os guardas usassem colares disciplinares de algum tipo, em troca de sua sobrevivência. Ou talvez construir robôs para servir de guardas e trabalhadores – se essa tecnologia fosse desenvolvida a tempo.
Foi quando me bateu. Para esses senhores, essa era uma conversa sobre o futuro da tecnologia. Seguindo as dicas de Elon Musk colonizando Marte, Peter Thiel revertendo o processo de envelhecimento, ou Sam Altman e Ray Kurzweil inserindo suas mentes em supercomputadores, eles estavam se preparando para um futuro digital que tinha muito menos a ver com tornar o mundo um lugar melhor, do que com transcender inteiramente a condição humana e isolar-se do perigo hoje real das mudanças climáticas, aumento do nível do mar, migrações em massa, pandemias globais, pânico e esgotamento de recursos. Para eles, o futuro da tecnologia tem a ver com uma única coisa: escapar.
Não há nada de errado com avaliações loucamente otimistas de como a tecnologia pode beneficiar a sociedade humana. Mas o movimento atual de uma utopia pós-humana é outra coisa. É menos uma visão da migração da humanidade para um novo estado do ser do que uma busca de transcender tudo o que é humano: corpo, interdependência, compaixão, vulnerabilidade, complexidade. Como filósofos da tecnologia vêm apontando há anos, a visão transhumanista reduz muito facilmente toda a realidade a dados, concluindo que “ humanos não passam de objetos processadores de informação”.
É uma redução da evolução humana a um videogame em que alguém vence encontrando a saída de emergência e deixando alguns de seus melhores amigos pelo caminho. Serão Musk, Bezos, Thiel… Zuckerberg? Esses bilionários são os vencedores presumíveis da economia digital – o mesmo cenário de sobrevivência do mais apto que alimenta a maior parte dessa especulação.
Claro que nem sempre foi assim. Houve um breve momento, no início dos anos 1990, em que o futuro digital parecia aberto a nossa invenção. A tecnologia estava se tornando um playground para a contracultura, que via nela a oportunidade de criar um futuro mais inclusivo, igualitário e pró-humano. Mas os interesses de lucro do establishment viram somente novos potenciais para a velha exploração, e muitos tecnólogos foram seduzidos pelos unicórnios das bolsas de valores. O futuro digital passou a ser compreendido mais como ações futuras ou mercadorias futuras – algo a ser previsto e em que apostar. Assim, quase todos os discursos, artigos, estudos, documentários ou documentos técnicos eram considerados relevantes apenas na medida em que apontavam para um símbolo de corporação global. O futuro tornou-se menos uma coisa que criamos através de nossas escolhas ou esperanças pela humanidade, do que um cenário predestinado no qual apostamos com nosso capital de risco, mas ao qual chegamos passivamente.
Isso liberou todo mundo das implicações morais de suas atividades. O desenvolvimento da tecnologia tornou-se menos uma história de florescimento coletivo do que de sobrevivência pessoal. Pior, como vim aaprender, chamar atenção para isso era ser involuntariamente considerado um inimigo do mercado ou um rabugento antitecnológico.
A esta altura, o invés de tecer considerações éticas sobre empobrecer ou explorar muitos, em nome de poucos, a maioria dos acadêmicos, jornalistas e escritores de ficção científica passou a se dedicar a enigmas muito mais abstratos e fantasiosos: é justo um operador nos mercados financeiros usar drogas inteligentes? As crianças devem receber implantes para línguas estrangeiras? Queremos que veículos autônomos priorizem a vida dos pedestres, em detrimento dos passageiros? Devem as primeiras colônias de Marte ser administradas como democracias? Mudar meu DNA prejudica minha identidade? Os robôs devem ter direitos?
Fazer esse tipo de pergunta, embora filosoficamente divertido, é um substituto pobre para o exame dos verdadeiros dilemas morais associados ao desenvolvimento tecnológico desenfreado, em nome do capitalismo corporativo. As plataformas digitais já tornaram um mercado explorador e extrativista (pense na Walmart), em um sucessor ainda mais desumanizador (pense na Amazon). A maioria de nós tornou-se consciente desse lado sombrio na forma de empregos automatizados, trabalho temporário e o fim do varejo local.
Porém, os impactos mais devastadores desse capitalismo digital que avança recaem sobre o meio ambiente e os pobres do mundo. A produção de alguns de nossos computadores e smartphones ainda usa redes de trabalho escravo. Essas práticas estão tão profundamente arraigadas que uma empresa chamada Fairphone, fundada  a partir do zero para produzir e comercializar telefones éticos, verificou que era impossível. (Agora o fundador da empresa se refere a seus produtos como telefones “mais justos”)…
Enquanto isso, a mineração de metais raros e o descarte de nossas tecnologias altamente digitais destroem habitats humanos, substituindo-os por depósitos de lixo tóxico — recolhido por crianças camponesas e suas famílias, que vendem materiais utilizáveis de volta aos fabricantes.
Essa externalização — “fora da vista, fora da mente” — da pobreza e do veneno não desaparece apenas porque cobrimos nossos olhos com óculos de realidade virtual e ficamos imersos numa realidade alternativa. Quanto mais ignoramos as repercussões sociais, econômicas e ambientais, mais elas se tornam problemáticas. Isso, por sua vez, motiva ainda mais privação, mais isolacionismo e fantasia apocalíptica – e tecnologias e planos de negócios mais concebidos em desespero. O ciclo se retroalimenta.
Quanto mais comprometidos estamos com essa visão de mundo, mais passamos a ver os seres humanos como problema e a tecnologia como solução. A própria essência do que significa ser humano é tratada menos como uma característica do que como defeito intrínseco, um bug. As tecnologias são declaradas neutras, a despeito dos preconceitos nelas incorporados. Quaisquer que sejam os comportamentos ruins que induzam em nós, eles seriam apenas um reflexo de nosso próprio núcleo corrompido. É como se alguma selvageria humana inata fosse a culpada pelos nossos problemas. Assim como a ineficiência de um mercado de táxi local pode ser “resolvida” com um aplicativo que leva motoristas humanos à falência, as incômodas incoerências da psiqué humana podem ser corrigidas com um upgrade digital ou genético.
Em última análise, segundo a ortodoxia tecnosolucionista, o futuro humano chega ao climax se inserir nossa consciência num computador ou, talvez anda melhor, aceitar que a própria tecnologia é nossa sucessora na evolução. Como os membros de um culto gnóstico, ansiamos por entrar na próxima fase transcendente de nosso desenvolvimento, eliminando nossos corpos e deixando-os para trás junto com nossos pecados e problemas.
Nossos filmes e programas de televisão encenam essas fantasias por nós. Seriados de zumbis mostram um pós-apocalipse em que as pessoas não são melhores que os mortos-vivos – e parecem conhecê-los. Pior, esses filmes convidam os espectadores a imaginar o futuro como uma batalha de soma zero entre os humanos remanescentes, onde a sobrevivência de um grupo depende da morte de outro. Mesmo Westworld – baseado num romance de ficção científica em que robôs correm descontroladamente – encerrou sua segunda temporada com a revelação definitiva: os seres humanos são mais simples e previsíveis do que as inteligências artificiais que criamos. Os robôs aprendem que cada um de nós pode ser reduzido a apenas algumas linhas de código e que somos incapazes de fazer escolhas intencionais. Caramba, naquela série até mesmo os robôs querem escapar dos limites de seus corpos e passar o resto de suas vidas numa simulação de computador.
A ginástica mental requerida por essa profunda inversão de papéis entre humanos e máquinas depende do pressuposto subjacente de que os humanos são péssimos . Vamos mudá-los ou nos afastar deles para sempre.
Então, temos bilionários da tecnologia lançando carros elétricos ao espaço – como se isso simbolizasse algo mais que a capacidade de um bilionário promover-se na corporação. E se poucas pessoas conseguem escapar e de alguma forma sobreviver numa bolha em Marte – a despeito de nossa incapacidade de manter tal bolha até mesmo aqui na Terra, em qualquer dos dois testes multibilionários feitos na Biosfera – o resultado será menos a continuação da diáspora humana que um salva-vidas para a elite.
Quando os financistas de fundos hedge perguntaram sobre a melhor maneira de manter a autoridade sobre suas forças de segurança depois do evento, sugeri que sua melhor aposta seria tratar muito bem essas pessoas, desde já. Deviam envolver-se com suas equipes de segurança como se estas fossem formadas por membros de suas próprias famílias. E quanto mais eles pudessem expandir esse espírito de inclusão para o resto de suas práticas de negócios, gerenciamento da cadeia de suprimentos, esforços de sustentabilidade e distribuição de riqueza, menor a chance de haver um evento, em primeiro lugar. Toda essa magia tecnológica poderia ser aplicada desde já, para fins menos românticos, porém muito mais coletivos.
Eles ficaram pasmos com meu otimismo, mas na verdade não o aceitaram. Não estavam interessados em como evitar uma calamidade; estavam convencidos que já fomos longe demais. Apesar de toda a sua riqueza e poder, não acreditam que possam afetar o futuro. Estão simplesmente aceitando o mais sombrio de todos os cenários e, em seguida, trazendo todo o dinheiro e tecnologia que podem usar para isolar-se – especialmente se não conseguirem um lugar no foguete para Marte.
Felizmente, aqueles de nós sem dinheiro para considerar a negação de nossa própria humanidade têm disponíveis opções muito melhores. Não precisamos usar a tecnologia de modo tão antissocial e atomizante. Podemos nos tornar os consumidores e perfis individuais em que nossos dispositivos e plataformas desejam nos transformar, ou podemos nos lembrar que o humano verdadeiramente evoluído não caminha sozinho.
Ser humano não tem a ver com sobrevivência ou saída individual. É um esporte coletivo. Seja qual for o futuro dos humanos, será de todos nós.
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Douglas Rushkoff is the author of the upcoming book Team Human (W.W. Norton, January 2019) and host of the TeamHuman.fm podcast.
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quinta-feira, 15 de agosto de 2019

Xadrez dos notáveis da República de Bolsonaro no caso Itaipu-Paraguai: os empresários do lixo, por Luis Nassif


Vamos, agora, entender como Ricardo Salles irá preparar políticas federais de interesse expresso da Leros.


Por Luis Nassif, no GGN:



Peça 1 – cenas do último capítulo

No “Xadrez do caso Paraguai e as jogadas ambientais de Ricardo Salles” descrevemos as operações duvidosas do Grupo Leros (que tentou a jogada com a energia de Itaipu) e o Ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles, quando era Secretário do Meio Ambiente do governo de São Paulo. Mostramos também a profusão de empresas abertas por diretores da Leros, indicando possível manobra para disfarce de acionistas.
Vamos, agora, entender como Ricardo Salles irá preparar políticas federais de interesse expresso da Leros.
Em vários comentários, alertei para o novo tipo de empresário que ganhou espaço no governo Bolsonaro. Não se trata mais de empresas da economia formal, mas de um grupo que transita entre empresas offshore, CNPJs variados, familiaridade em montar acordos políticos em áreas reguladas.

Peça 2 –  a viagem para o Paraguai

Começamos nosso jogo pelos passageiros do avião que levou os brasileiros ao Paraguai, para conseguir a cota de energia paraguaia da ANDE – a Eletrobrás paraguaia =, em um escândalo que ameaça derrubar o presidente Mário Abdo Benitez.
Joselo Rodriguez é um jovem advogado, representante do vice-presidente paraguaio. Bruno Emannuel aparece apenas em um concurso dos Correios. Deve ser alguém em cargo comissionado, um trainee.
Interessam as quatro figuras restantes: o suplente de senador Alexandre Giordano (PSL-SP), o advogado Cyro Dias Lage Neto e Adriano Deguimendjian, presidente do Grupo Leros. E o dono da aeronave, Antônio Lucena de Barros.
Os três à direita do gráfico têm em comum ligações diretas com empresas de reciclagem de lixo: Giordano com a Multi Resíduos (clique aqui), Cyro como advogado da Ambilixo (clique aqui) e da Tupy (clique aqui) entre outras, e Adriano presidente do Grupo Leros, que tem a empresa Legos Green Tech, também do ramo.
O quarto, Antônio Lucena de Barros, o “Maranhense”, é o dono do avião que transportou a tropa (clique aqui). A empresa proprietária do avião é a TTH Negócios e Participações Ltda, que tem como sócio-gerente Jaimes Bento, da Almeida Junior, titular de uma offshore chamada Avallon Services Limited, sediada nas Ilhas Virgens Britânicas. Aliás, mesmo destino de empresas de Alexandre Siqueira Chiofetti, um dos sócios da Leros. Lucena é figura carimbada. Já foi preso por trabalho escravo (clique aqui), envolvido na Operação De Volta aos Trilhos, do Ministério Público Federal de Goiás (clique aqui).
Eles representam a nova elite econômica que ascende com Bolsonaro e o PSL: os empresários do lixo. E sua porta de entrada é o Ministério do Meio Ambiente, do Minstro Ricardo Salles.

Peça 3 – o setor de reciclagem de lixo

Nos últimos anos, o setor de reciclagem foi alvo de duas operações da Polícia Federal, que identificou esquemas de lavagem de dinheiro e suborno a políticos em empresas de coleta de resíduos: a Operação Descarte (clique aqui) e a Operação Vento Levou (clique aqui).
Alexandre Giordano é presidente da Abratres (Associação Brasileira de Transporte de Resíduos)(clique aqui). E, como tal, interlocutor frequente do então Secretário de Meio Ambiente de São Paulo, futuro Ministro Ricardo Salles (clique aqui). O principal mercado, para essas empresas, são os aterros sanitários.

Peça 4 – a gestão Ricardo Salles

Ricardo Salles talvez tenha sido o primeiro Ministro moderno a assumir o cargo com seus direitos políticos suspensos. Tal suspensão se deveu a uma condenação pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, por acusação e manipulação de uma planta, enquanto Secretário do Meio Ambiente de São Paulo, visando beneficiar empresas em áreas de preservação ambiental.
Sua gestão à frente do MMA, como lembrou o Estadão,  consistiu em exonerações em massa, extinção de conselhos, perda de órgãos para outros ministérios e desmonte de estruturas e de políticas ambientais (clique aqui). As denúncias de desmonte da agenda verde se tornaram recorrentes (clique aqui).
O único setor a merecer atenção foi o Programa Nacional Lixão Zero, não concidentemente atendendo aos interesses dos três empresários que rumaram para o Paraguai e protagonizaram o maior escândalo moderno da história de um país acostumado a escândalos.
No dia 30 de abril, Salles lançou em Curitiba o Programa Lixão Zero (clique aqui). O programa prevê a liberação de R$ 750 milhões para prefeituras que criarem centros de coleta seletiva e reciclagem de resíduos sólidos (clique aqui).
Em maio, bloqueou 86% do orçamento do Fundo Clima, dedicado a apoio a pesquisas visando a redução do efeito estufa. R$ 357 milhões bloqueados foram desviados para o Lixão Zero (clique aqui). O contingenciamento de todos os recursos da pasta acabou comprometendo todos os programas.

Por prudência, recomenda-se ao Ministério Público Federal, Polícia Federal, Controladoria Geral da República, acompanharem de perto os passos de Ricardo Salles. Inclusive por seu histórico à frente da Secretaria do Meio Ambiente de São Paulo.
Pode ser que não aconteça nada de irregular. Pode ser que aconteça...

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