01/03/26 - PAPAGAIOS ALÉM DA INSANIDADE, OS BOLSONARO FESTEJAM O EXTERMÍNIO DE MAIS UM LÍDER DE UMA NAÇÃO...
GRUPOS PODEROSOS QUE FINANCIARAM TRUMP ESTÃO RINDO À TOA...
Mais uma vez assistimos uma farsa absurda para justificar ataques à um país para destruição em busca de saques de suas riquezas!
No Brasil os escândalos se seguem !
Famoso nos EUA, o CPAC, um congresso ultraconservador de características fascistas, tem sido realizado no Brasil nos últimos anos, com ajuda de Eduardo Bolsonaro
Do Jornal e TV GGN:
O cientista político Pedro Costa Jr. entrevista o cientista político João Feres Jr., do Monitor da Extrema Direita, e André Kaysel, professor doutor em ciência política da UNICAMP. Em pauta: o CPAC nos EUA e no Brasil, evento que tem mobilizado multidões à extrema-direita e chamado atenção da mídia, e a internacional fascista. Famoso nos EUA, o CPAC, um congresso ultraconservador, tem sido realizado no Brasil nos últimos anos, com ajuda de Eduardo Bolsonaro.
O programa O Mundo É Um Moinho é transmitido ao vivo toda quinta-feira, sempre às 21 horas, após o programa TVGGN 20 Horas com Luis Nassif.
Determinação é de que o X, antigo Twitter, retire do ar vídeos nos quais um bispo é esfaqueado durante um ataque em um subúrbio de Sydney
Elon Musk (Foto: Reuters/Gonzalo Fuentes)
247 - O bilionário de extrema direita Elon Musk, dono do X (antigo Twitter), está em meio a uma batalha legal com a Austrália sobre a remoção de vídeos de um recente esfaqueamento em uma igreja em Sydney, informa o jornal O Globo. Nesta terça-feira (23), Musk anunciou que pretende apelar da ordem do tribunal australiano que exige que sua rede social retire os vídeos do ar.
A Corte Federal australiana deu à plataforma 24 horas na segunda-feira (22) para remover os vídeos, nos quais um bispo assírio é esfaqueado repetidamente durante um ataque em um subúrbio de Sydney. A Comissão de eSegurança australiana solicitou a ordem judicial depois que o X ignorou seus apelos anteriores para remover os vídeos.
Musk criticou a comissão, afirmando que o conteúdo já havia sido removido para os usuários na Austrália. "Já censuramos o conteúdo em questão na Austrália, aguardando a apelação legal, e está disponível apenas para servidores nos Estados Unidos".
Em sua opinião, a Austrália está tentando impor uma censura global. "Nossa preocupação é que qualquer país possa censurar conteúdo para todos os países, como exige o 'Comissário de eSegurança' australiano", acrescentou. Se for o caso, disse ele, "o que impediria qualquer país de controlar toda a internet?".
O assunto voltará esta semana aos tribunais, onde um juiz decidirá se estende a ordem temporária. Posteriormente, haverá uma terceira audiência na qual a Comissão de eSegurança buscará uma ordem permanente para remover os vídeos e sanções civis contra o X, informou um porta-voz à AFP.
O primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese, criticou Musk, a quem chamou de "bilionário arrogante" que "acredita que está acima da lei". "O fato de alguém ir à corte para defender o direito de postar conteúdo violento em uma plataforma demonstra o quão deslocado o Sr. Musk está", declarou Albanese à rede pública ABC.
Premiê do Reino Unido, Boris Johnson, diz que imagens da invasão do Capitólio por trumpistas são “vergonhosas” e ministro alemão fala em “democracia pisoteada”
O presidente brasileiro, Jair Bolsonaro.ERALDO PERES / AP
Os principais líderes mundiais assistiram com espanto ao ataque à sede do Congresso dos EUA por manifestantes instigados pelo presidente Donald Trump. A seriedade dos acontecimentos no Capitólio dos Estados Unidoslevou à condenação de grande parte dos líderes mundiais, que concordam em pedir calma e respeitar a vontade das urnas. Não foi, no entanto, o caso de Jair Bolsonaro.
Um aliado entusiasta de Trump, Bolsonaro, um dos últimos líderes a parabenizar Joe Biden pela vitória nos EUA, deu apoio tácito à investida incitada pelo republicano quando perguntado por apoiadores nesta quarta-feira. “Eu acompanhei tudo. Você sabe que eu sou ligado ao Trump. Você sabe da minha resposta. Agora, muita denúncia de fraude, muita denúncia de fraude. Eu falei isso um tempo atrás”, disse o brasileiro, em referência ao ainda ocupante da Casa Branca.
Ato seguido, Bolsonaro voltou, novamente sem provas, a dizer que sua eleição em 2018 também foi alvo de fraude. “A minha eleição foi fraudada. Eu tenho indícios de fraude na minha eleição. Era para eu ter ganho no primeiro turno.” O brasileiro insiste tanto na tese infundada de fraude como na campanha de desconfiança sobre o sistema eleitoral brasileiro que deixa poucas dúvidas de que seguir a estratégia de Trump, de questionamento de resultados eleitorais e incitação da base radical, faz parte de um roteiro que ele pode acionar em 2022. Os presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e do Senado, Davi Alcolumbre, criticaram os acontecimentos em Washington.
Veja a seguir a reação de líderes internacionais. A maioria escolheu a rede social Twitter para tornar pública sua reação.
Reino Unido. O primeiro-ministro Boris Johnson, também um aliado de Trump, condenou o que aconteceu: “Imagens vergonhosas no Congresso dos Estados Unidos. Os Estados Unidos representam a democracia em todo o mundo e agora é vital que haja uma transferência de poder pacífica e ordeira.”
Alemanha. “Trump e seus apoiadores devem definitivamente aceitar a decisão dos eleitores americanos e parar de pisotear a democracia”, tuitou o ministro das Relações Exteriores alemão, Heiko Maas.
OTAN. O secretário-geral da Aliança Atlântica, o norueguês Jens Stoltenberg, chamou os violentos protestos em Washington como “cenas chocantes” e destacou que “o resultado dessas eleições deve ser respeitado”.
Rússia. “De DC vêm imagens no estilo Maidan”, tuitou o número dois do embaixador russo na ONU, Dmitry Poliansliy, referindo-se às mobilizações populares que culminaram na derrubada do aliado presidente ucraniano de Moscou, Viktor Yanukovich. “Alguns dos meus amigos perguntam se alguém vai distribuir cookies como nas travessuras que Victoria Nuland estrelou”, referindo-se ao comportamento do número dois na diplomacia dos EUA durante uma visita à Ucrânia em 2013.
União Europeia. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, expressou sua confiança na “força das instituições americanas e na democracia. Uma transição pacífica está no centro”, tuitou a líder europeia. “Joe Biden ganhou a eleição. Estou ansiosa para trabalhar com ele como o próximo presidente dos Estados Unidos.” Da mesma forma, o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, declarou que “contamos com os Estados Unidos para permitir uma transferência pacífica do poder para Joe Biden”.
Espanha. O presidente de Governo (premiê) Pedro Sánchez tuitou: “Estou acompanhando com preocupação as notícias que chegam do Capitólio, em Washington. Estou confiante na força da democracia americana. A nova presidência de Joe Biden vai superar este momento de tensão, unindo o povo americano.” Por sua vez, a ministra das Relações Exteriores, Arancha González-Laya, lembrou que “a democracia se baseia na transferência pacífica do poder: quem perde tem que aceitar a derrota. Confiança plena nos senadores e deputados para cumprir a vontade do povo. Confiança total no presidente eleito Joe Biden.”
Argentina. O presidente Alberto Fernández expressou sua “rejeição aos graves atos de violência e indignação do Congresso” e confiou em que “haverá uma transição pacífica que respeite a vontade popular”. Ele enfatizou seu “forte apoio ao presidente eleito Joe Biden”.
França. De Paris, o ministro das Relações Exteriores, Jean-Yves Le Drian, condenou o “sério ataque à democracia” que representa o ataque ao Capitólio em Washington por partidários de Trump: “A vontade e o voto do povo americano devem ser respeitados”.
Venezuela. “Com este lamentável episódio, os Estados Unidos sofrem o mesmo que geraram em outros países com suas políticas agressivas”, diz um breve comunicado, que também condena “a polarização política e a espiral de violência”.
“Estamos nos preparando para defender a democracia e impedir que o minúsculo imite seu mestre e feche de vez as portas do inferno com a gente dentro?”, questionou referindo-se a Jair Bolsonaro, aliado submisso de Trump
(Foto: Reuters | Divulgação)
247 - A cineasta Petra Costa, diretora do documentário Democracia em Vertigem, indicado ao Oscar, afirmou que “as imagens estarrecedoras dos EUA de hoje podem se repetir no Brasil em 2022”, ao comentar a invasão do Capitólio por apoiadores de Donald Trump para impedir a certificação da vitória eleitoral de Joe Biden.
“Estamos nos preparando para defender a democracia e impedir que o minúsculo imite seu mestre e feche de vez as portas do inferno com a gente dentro?”, questionou referindo-se a Jair Bolsonaro, aliado submisso de Trump.
As imagens estarrecedoras dos EUA de hoje podem se repetir no Brasil em 2022. Estamos nos preparando para defender a democracia e impedir que o minúsculo imite seu mestre e feche de vez as portas do inferno com a gente dentro?
As tensões políticas que existiam em Roma no século I a.C. e as que sacodem os EUA nos dias de home têm a mesma origem: o abismo entre ricos e pobres e o controle absoluto do Estado pelos ricos. Nenhuma outra semelhança existe entre essas duas culturas.
Júlio Caesar correu riscos durante a invasão e conquista da Gália e na subsequente Guerra Civil. Donald Trump nunca participou de um conflito militar.
O primeiro imperador de Roma morreu porque desafiou os privilégios da aristocracia patrícia romana. Apesar de sua retórica populista, o presidente norte-americano trabalhou apenas em benefício dos ricos e do enriquecimento de sua própria família.
Júlio Caesar deixou um admirável legado literário. Trump se limitou a construir edifícios horríveis com dinheiro de origem duvidosa.
A República romana caiu porque Roma se tornou muito maior do que uma cidade e sua elite mesquinha e gananciosa. A democracia dos EUA morreu porque o neoliberalismo causou o apodrecimento do bipartidarismo à medida que Estado passou a ser mais e mais controlado exclusivamente pelos banqueiros, pelo Pentágono e pela CIA.
Apesar de adotar alguns símbolos do poder romano (a águia, os edifícios monumentais com colunas em Washington DC, etc), os norte-americanos nunca deixaram de ser bárbaros. A verdadeira natureza dos EUA fica evidente quando prestamos atenção na maneira como eles transformaram Jesus num clone do deus da guerra romano.
Segundo Tito Lívio, os romanos tinham uma virtude: agir e sofrer. Os norte-americanos se limitam a produzir, encenar e apreciar filmes de ação. Os soldados romanos combateram seus inimigos a curta distância, os EUA já empregam drones de combate pilotados a milhares de quilômetros do conflito por soldados confortavelmente sentados na frente de monitores de LCD.
As obras deixadas pela civilização romana serão sempre admiradas. Enquanto houver homens, isso será verdade. As obras que os norte-americanos deixarão serão lembradas? Isso é improvável. Não sobrará nada digno de nota nos EUA depois que aquele país for totalmente devastado por uma guerra civil nuclear.
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Um alerta de Fernando Haddad: se Trump perder e der o golpe, “os fascistas vão se assanhar em todo mundo”
(Foto: REUTERS)
247 - Fernando Haddad alertou na manhã desta terça-feira (3) para a possibilidade de um golpe de Estado de Donald Trump, que está ameaçando não entregar a Presidência para Joe Biden mesmo perdendo as eleições: “Por ação ou omissão deixam um fascista chegar ao poder. Depois, veem a dificuldade de tirá-lo por meios democráticos. O pior cenário é Trump perder e ficar. Os fascistas vão se assanhar em todo mundo”
Para Haddad, se Trump vencer, “o problema permanece sem solução por mais quatro anos”.
Leia:
O candidato democrata à presidência dos Estados Unidos, Joe Biden, reagiu nesta segunda-feira (2) à notícia do portal político americano Axios divulgada neste domingo (1º), de que Donald Trump teria dito a confidentes que se declararia reeleito se os primeiros resultados da eleição, nesta terça-feira (3), o mostrassem “à frente”.
“Minha resposta é que o presidente não irá roubar esta eleição”, declarou Biden, questionado sobre a notícia publicada. O candidato do Partido Democrata aparece na frente na média das pesquisas deste domingo (2).
Já Trump, nesta segunda, afirmou a apoiadores em discurso na Carolina do Norte – um dos “estados-pêndulo” que podem definir a eleição: “vamos ganhar mais quatro anos na Casa Branca”.
O presidente também soltou uma série de tuítes nesta segunda, voltando a acusar seu rival de ser apoiado por “cada uma das forças corruptas que traíram e feriram” os americanos, incluindo “desordeiros, saqueadores, marxistas e extremistas de esquerda”. Também disse que os chineses serão “donos” dos EUA se Biden se eleger.
Voltava eu da Exposição em homenagem a Dom Paulo Evaristo Arns na semana passada, apresentada agora no Centro Cultural da Juventude na Vila Nova Cachoeirinha, zona norte de São Paulo, quando me deparei com uma irônica e não menos verdadeira mensagem pichada numa parede branca no bairro da Pompeia: “Perdemos a noção”.
Boa parte do final do retorno a casa foi consumida em imaginar e pensar quem seria o autor daquela pichação, ou os autores, caso tivesse alguma conotação política.
Não foi difícil intuir, pelo momento em que vivemos no Brasil e em boa parte do mundo, que a frase só poderia fazer algum sentido se a intenção da mensagem fosse de alcance político e social, pois não só fomos condenados a conviver com uma estranha pandemia que já causou a morte de centenas de milhares de seres humanos nos cinco continentes, mas perceber – pelas notícias que recebemos de fatos relacionados direta ou indiretamente ligados ao covid-l9 – que de fato estamos perdendo a noção do que se passa à nossa volta.
Tomemos como exemplos a serem analisados, até pela sua inegável atualidade, as eleições presidenciais nos Estados Unidos da América hoje e as eleições municipais brasileiras, onde prefeitos e vereadores serão escolhidos em todo o país a partir do próximo dia 15.
Joe Biden ou Donald Trump?
Comecemos pelas eleições presidenciais norte americanas, onde muito se especula sobre a possível vitória do candidato democrata ou – o que não deixa de ser surpreendente na história da “democracia” dos EUA – o não reconhecimento antecipado da derrota republicana, anunciado publicamente pelo candidato Trump.
Um candidato da maior “democracia” do planeta a ameaçar não reconhecer o resultado do pleito se for derrotado? Quem diria, hein?
Ou seja, de tanto se esforçarem por manter os países da América Central e do Sul como sendo uma espécie de quintal da Casa Branca, o vento pestilento que criaram com o apoio a tantos golpes de estado, sobretudo no século XX parece que muda de rumo e retorna perigosamente a Washington e adjacências.
Não que seja novidade se lembrarmos da eleição de Bush filho sobre o democrata Al Gore, por exemplo, ou mesmo a de Trump sobre Hillary Clinton. A novidade se vier a se consumar a vitória democrata, é o fato de termos uma espécie de golpe de estado na matriz, mesmo que por lá não se encontrem as famosas “embaixadas dos Estados Unidos” para preparar o cada vez mais escorregadio terreno antidemocrático.
Já por aqui, na filial, tudo indica que os professores de Aécio Neves, José Serra, Michel Temer, Sergio Moro e outros menos votados estejam às vésperas de beber do próprio veneno que espalham por vários países pelo mundo. Deus salve a América!
Fundamentalistas evangélicos de todo o mundo, uni-vos! A coisa pode ficar feia para os que brincam com satanás, usando-o como escudo para suas estripulias.
Aqui dentro de casa milhares e milhares de cidadãos expõem pelo rádio e pela televisão as suas promessas de candidatos às prefeituras e camaras de vereadores, oitenta por cento deles – para sermos condescendentes – sem saber exatamente como explicar o que farão se forem eleitos. São tantas as promessas, é tanta a esmola que o santo nem mais desconfia, mas tem a certeza de que está sendo enganado.
Um verdadeiro show de horrores, para dizer o menos, pois o número de candidatos é tão grande que não há tempo disponível para se apresentarem ou apresentarem suas plataformas, dessa vez com o nome dos partidos citados por uma voz em alta rotação onde não se entende muito bem o que é dito. Nada mais natural, pois são tantos os cabides de emprego, quero dizer, são tantos os partidos políticos no Brasil que o nome deles não interessa.
De fato, perdemos a noção do que fazer diante de tanta incompetência, malandragem, desemprego, falsa cultura, deboche, ganância, egoísmo, falta de solidariedade… E por aí vamos.
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Luiz Eduardo Soares, cujo novo livro analisa fascismo e bolsonarismo, diz que novas aproximações políticas e postura mais branda do presidente não significam moderação em seu "programa fascista", que mobiliza o ódio
O presidente Jair Bolsonaro lidera um movimento com características fascistas, que evoca uma ideologia elaborada ainda na década de 1930, no integralismo brasileiro, posteriormente assimilada pela ditadura militar e infiltrada no período democrático. Considera-se guiado pela vontade de Deus e não vê limites para o exercício da violência com o objetivo de destruir o inimigo, representado no comunismo ou no mal. Para fazer isso, mobiliza o ódio na sociedade para alimentar um “espírito de linchamento”.
A análise é do antropólogo Luiz Eduardo Soares, ex-secretário nacional de Segurança Pública e autor dos livros que deram origem aos filmes Tropa de elite. Ele lançou, no final de setembro, o livro Dentro da noite feroz – O fascismo no Brasil, pela Boitempo Editorial, no qual interpreta o movimento em torno do presidente à luz das ideias e experiências fascistas.
Em entrevista à DW Brasil, Soares afirma que a aproximação de Bolsonaro com o Centrão e a redução da frequência de suas falas radicais, ocorridas após ver seu filho Flávio Bolsonaro e aliados sofrerem revezes em investigações judiciais, não indicam que o presidente se moderou, mas apenas que houve um recuo temporário em sua estratégia de longo prazo. “Antes, tínhamos o dragão na sala de visita. Hoje temos um dragão na garagem. Mas continua sendo o dragão, e seus propósitos continuam sendo os mesmos”, diz.
Ele associa o sucesso do bolsonarismo à capacidade de aplacar inseguranças provocadas por mudanças rápidas na sociedade, como o questionamento dos significados tradicionais de homem, mulher e família, aliado ao apoio das polícias – segundo o antropólogo, um enclave autoritário em meio à democracia – e de parcela da elite econômica.
Soares diz que apenas cerca de 15% da população concorda com o “programa fascista” do presidente, e que o apoio ao governo Bolsonaro, hoje em torno de 40% dos eleitores, deve diminuir com o fim do auxílio emergencial, abrindo “possibilidades de disputa política”.
DW Brasil: Qual é a origem da ideologia fascista no Brasil?
Luiz Eduardo Soares: Os traços fascistas se converteram em programa ideológico e político nos anos 1930, sob a liderança de Plínio Salgado, no movimento integralista, que exaltava o fascismo e o nazismo e pleiteava a união do Brasil ao Eixo na Segunda Guerra Mundial. Eles tentaram dar um golpe de Estado contra Getúlio [Vargas], não foram bem-sucedidos e foram para a clandestinidade, mas não deixaram de exercer influência e deter um quinhão da opinião pública brasileira.
Nos anos da ditadura, de 1964 a 1985, os velhos integralistas tiveram uma participação ativa. Um dos exemplos é Filinto Müller, que tinha sido o chefe da polícia política no Estado Novo, responsável por muitas mortes e torturas, e se tornaria, nos anos 1970, líder do governo militar no Senado pela Arena.
Sempre houve candidatos que se identificavam com programas integralistas ou neointegralistas, e eles voltaram a agir publicamente no século 21, em várias manifestações. No Rio, por exemplo, saindo em marchas, queimando bandeiras, e, depois de 2010, apoiando candidaturas, particularmente da família Bolsonaro.
Mas os traços fascistas ou protofascistas ultrapassam os limites de um partido ou de um movimento específico e se enraizam na sociedade, camuflados e articulados a outros valores e símbolos. Somos um país de quatro séculos de escravidão, autoritário e muito violento. Além do integralismo, que é uma referência ao novo partido que Bolsonaro está tentando criar, temos na sociedade elementos que se articulam facilmente a essa nebulosa fascista que Bolsonaro encarna e inscreve na política.
O sr. pode citar exemplos recentes de situações em que o fascismo se manifesta?
Quando Bolsonaro elogia como herói nacional um torturador, estuprador e assassino como o [coronel Carlos Alberto Brilhante] Ustra, ele eleva esse personagem ao status de referência identitária nacional. A exaltação à violência, nesse caso, vem associada à ideia de uma pátria do bem, sob proteção divina, que luta contra o mal. E quem é o inimigo? O grande Outro, contra o qual se identificam aqueles que são próximos a Bolsonaro.
Sempre que grupos se agregam, forma-se identidade por oposição, até nos esportes. O diferencial é quando a identidade se produz pela definição do Outro não como adversário ou antagonista, mas como inimigo que deve ser destruído em uma guerra santa. Quando nossa percepção do mundo tem como fundamento a vontade divina, acreditamos que não há limite para o exercício da violência, e temos como meta a destruição do inimigo, que representaria o comunismo, o diabo ou o mal, temos uma estrutura de concepções e valores análoga ao que se categoriza como fascismo.
O último discurso que Bolsonaro fez antes do segundo turno das eleições de 2018, por celular da casa dele, ouvido na Avenida Paulista, prometia às oposições a ponta da praia, a fuga do país, o exílio. A ponta da praia significa, na linguagem da repressão da ditadura, a execução. Naquele momento, ele abomina as diferenças. Sabemos que o grupo ligado a Bolsonaro deseja eliminar o pluralismo. O bolsonarismo se define como uma revolução para destruir tudo o que está aí, o que envolve a Constituição, os direitos conquistados e as instituições como se organizam.
Qual é a função do ódio e da pulsão de destruição nessa ideologia?
É central. O fascismo precisa mobilizar o ódio e a sociedade para que ela se sinta identificada nesse esforço guerreiro bélico comum contra o mal, alimentando um espírito de linchamento. Para que haja a efetivação desse regime simbólico de construção de identidade, é necessário que o afeto dominante seja o ódio, porque só o ódio se encaixa na afirmação de que estamos numa guerra e precisamos eliminar os inimigos.
Bolsonaro se aproximou do Centrão nos últimos meses e reduziu a frequência de manifestações mais radicais. Esse movimento atenuou o que o sr. define como traços fascistas?
Não, porque em nenhum momento ele voltou atrás em relação ao que pensa e ao que diz. O que houve foi uma mudança tática. Ele viu que a correlação de forças estava pendendo contra ele e recuou. Mas não há nenhuma mudança em relação à estratégia. Antes, tínhamos o dragão na sala de visita. Hoje temos um dragão na garagem. Mas continua sendo o dragão, e seus propósitos continuam sendo os mesmos. Não podemos confundir a tática com a substância do que está em jogo.
O governo Bolsonaro é hoje apoiado por cerca de 40% da população. Como o sr. explica isso à luz da sua análise do fascismo?
Uma consideração que derivaria de um mal-entendido sobre o que digo seria: “Se o Bolsonaro venceu as eleições, é porque a maioria do povo brasileiro é fascista”. De jeito nenhum. O voto é uma escolha num determinado momento entre candidaturas. Uma adesão muitas vezes parcial ao ideário. Não temos mais que 15% da sociedade identificando-se plenamente com o bolsonarismo, que é o programa fascista.
Há dois elementos importantes [para explicar o apoio a Bolsonaro]. Um é o auxílio emergencial, que tem um impacto grande. A população que acompanha o dia a dia pela mediação das suas necessidades de sobrevivência, o que é mais imperioso, se sente atendida e declara seu apoio. Que não é necessariamente permanente. O auxílio vem sendo retirado e a crueza da crise vai mostrar a sua profundidade. Será difícil manter esse nível de popularidade.
O outro elemento, que conversa com o fascismo, é o que eu chamo de demanda por ordem. Não no sentido da segurança pública, que também está envolvida. Há uma demanda da sociedade brasileira pela restauração de uma ordem no nível do ser, por referências fixas.
Nossa época é de mudanças rápidas e profundas, com muita angústia. E surgiram movimentos libertadores, como o movimento feminista, que começa a bater contra o patriarcalismo, e nesse espaço surgem novas possibilidades para a constituição de si em que sexo, corpo e gênero se separam e podem se combinar de formas inesperadas. Isso desestabiliza as figuras arquetípicas de homem, mulher e família. Os machos formados no patriarcalismo sentem de forma muito aguda, precisam se proteger contra isso e contra o que está dentro de cada um deles, e descobrem lideranças capazes de endereçar o seu discurso a essa demanda.
O que é o bolsonarismo, senão vingança do macho, o retorno do macho grosseiro rudimentar? Bolsonaro promete restaurar as âncoras, em um apelo dirigido pelo que há de neurótico e defensivo em cada um e cada uma, porque muitas mulheres absorvem essa cultura machista também.
Nesse quadro, como o sr. interpreta o apoio de parte da elite econômica a Bolsonaro?
Os candidatos preferenciais da elite eram outros, mas foram ficando pelo caminho. Bolsonaro foi o pangaré que passava e surpreendia mostrando a possibilidade de vitória. Quando essa possibilidade se tornou real, as elites acenaram de volta, [dizendo] “fingimos que não estamos vendo o banho de sangue que você traz no seu programa, porque supostamente somos civilizados, desde que você implemente aqui a nossa agenda”.
Como as polícias se ligam ao neofascismo no Brasil?
Tivemos uma transição para a democracia negociada, e havia um preço a se pagar. Os militares reservaram uma área que deveria se manter fora do processo de democratização, que foi a segurança pública. Houve mudanças na legislação, mas os policiais e as estruturas organizacionais eram as mesmas. Esse espaço se constituiu como um enclave na democracia, com valores e práticas refratários a ela. É um universo grande, que hoje corresponde a quase 800 mil profissionais. Há contradições, mas o que sempre dominou foi a continuidade com o passado. E temos também uma rede de cumplicidade [com a Justiça e o Ministério Público], com apoio popular.
Se há problemas de crime é porque não se matou o suficiente, essa sempre foi a toada. Por isso, havia bolsonarismo nas polícias muito antes de Bolsonaro. Quando Bolsonaro aparece, suas palavras soam como música. Ele realiza esse messianismo das polícias que esperavam um redentor que iria acabar com essa democracia e essa história de direitos humanos, e de dar autoridade para que a força vencesse o mais fraco em nome desses valores. Uma espécie de saneamento, de higiene, que se dá pelo sangue.
Nesta sexta-feira (23/10), o referendo sobre a proibição do comércio de armas e munição no Brasil faz 15 anos, em um momento em que o governo federal patrocina iniciativas para flexibilizar a compra de armas e munição. Qual o papel das armas nesse contexto?
Se há um consenso no meio científico que se dedica a essa questão é que mais armas implicam em mais crime, mais acidentes e violência doméstica, mais feminicídios e mais suicídios. Que conflitos interpessoais tendem a se converter mais em crimes de morte.
Flexibilização no acesso às armas significa também a provisão para o mercado ilegal, pois facilita o acesso de criminosos e do tráfico de armas às armas. É um caminho que favorece o crime, particularmente as milícias. Além disso, todos os meios que facilitavam investigações para rastrear munições e armas estão sendo destruídos.
O referendo de 2005 foi um momento triste da nossa história, tínhamos uma oportunidade de radicalizar o controle das armas, e houve uma reversão. A despeito dessa derrota, preservamos o controle e ampliamos o rastreamento até Bolsonaro chegar ao poder.
Como superar o que o sr. descreve como ameaça fascista no Brasil?
Não tenho uma resposta. Precisamos mobilizar todos os recursos disponíveis. Escrever livros, participar dos debates, fortalecer entidades, associações, organizações não governamentais, cobrar das instituições reação a essa corrosão. Apelar à sensibilidade internacional, que tem sido muito importante – se não foi capaz de impedir a devastação ambiental, tem chamado a atenção para limites.
Temos do outro lado a força econômica associada ao fascismo, que agora se veste de ovelha, como que a legitimar as adesões de camadas médias e das elites. As camadas populares terão o seu momento de enfrentamento com a dura realidade quando os auxílios emergenciais forem interrompidos. Temos diante de nós muitas possibilidades de disputa política.
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