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segunda-feira, 16 de dezembro de 2019

Bolsonaro usa lema literal do fascismo como bordão de seu novo partido de extrema-direita




Foto: Marcos Nagelstein/Folhapress
Segundo a Folha de S. Paulo, o integralismo voltou à tona desde que o lema “Deus, Pátria e Família” começou a ser utilizado para divulgação do partido que Jair Bolsonaro pretende fundar, o Aliança pelo Brasil.
A Ação Integralista Brasileira (AIB) é um movimento com ligação fascista e anticomunista, criado por Plínio Salgado em 1932.
Os movimentos neointegralistas comemoram a repetição do lema fascista.
O pesquisador Odilon Caldeira Neto explica que “Ao utilizar esse lema, Deus, Pátria e Família, a Aliança pelo Brasil se coloca na extrema-direita e direita radical brasileira, partilhando de alguns valores aproximados ao integralismo. Não significa que seja integralista, mas que partilha de valores comuns”.
O partido de Bolsonaro defende o “direito inalienável de possuir e portar armas, para sua defesa e a dos seus”, assim como os integralistas costumavam pensar.
No entanto, eram conhecidos como “galinhas verdes” por sempre fugirem de embates, conta o historiador Leandro Pereira Gonçalves.
Redação com Folha

quarta-feira, 27 de novembro de 2019

Do Justificando: O AI-5 Bolsonarista, Por Carlos Eduardo Araújo, jurista


 "Como ficou público e notório para a sociedade brasileira, desde o período pré-eleitoral, pelo menos, o clã Bolsonaro é apologista veemente da ditadura militar e nunca se preocupou em escamotear seu autoritarismo atávico e perene. O patriarca do clã, durante seus vinte sete anos como parlamentar federal, viveu embalado pelo sonho “idílico” da volta da ditadura militar, enaltecendo a violência por ela perpetrada, nas figuras de seus principais facínoras, em guerra aberta contra a democracia. "

O AI-5 Bolsonarista
Terça-feira, 26 de novembro de 2019

O AI-5 Bolsonarista

Imagens: 3.mar.1964 CPDOCJB / Folhapress e Wilson Dias / Agência Brasil –  Arte: Gabriel Pedroza / Justificando


Eduardo Bolsonaro, em mais uma de suas diatribes despóticas e antidemocráticas, disse em entrevista que foi ao ar em fins de outubro, em um canal do YouTube, que “Se a esquerda radicalizar a esse ponto, a gente vai precisar ter uma resposta e uma resposta ela pode ser via um novo AI-5”.
  O que ele sabe sobre a ditadura civil-militar brasileira, aprendeu, certamente, por meio das narrativas distorcidas, viciadas e embusteiras de seu genitor. Tudo nos leva a crer que sua formação histórica é pífia ou inexistente. Ocorre, ainda, na aludida entrevista, cometer falsificações históricas, apontando como fatos deflagradores do famigerado AI-5 eventos que surgiram como reação radicalizada ao mesmo. Assertivas e ameaças à democracia, como as feitas pelo atual deputado federal, não podem ficar sem uma enfática resposta das instituições políticas e jurídicas, encarregadas de velar pela defesa de nosso regime constitucional-democrático. 
 Como ficou público e notório para a sociedade brasileira, desde o período pré-eleitoral, pelo menos, o clã Bolsonaro é apologista veemente da ditadura militar e nunca se preocupou em escamotear seu autoritarismo atávico e perene. O patriarca do clã, durante seus vinte sete anos como parlamentar federal, viveu embalado pelo sonho “idílico” da volta da ditadura militar, enaltecendo a violência por ela perpetrada, nas figuras de seus principais facínoras, em guerra aberta contra a democracia. 
 Com a questionável e ilegítima vitória eleitoral da extrema direita, em 2018, acendeu ao poder, além do presidente eleito, como chefe do executivo federal, uma camarilha de pessoas, autocráticas, retrógradas e reacionárias, ostentando uma retórica colérica, violenta e injuriosa, que passou a infestar governos e parlamentos estaduais, Brasil afora, assim como a Câmara e Senado Federais. 
A ignóbil ditadura civil-militar brasileira é um defunto insepulto que ainda nos assombra, como um espírito maléfico que não foi eficazmente exorcizado. A cultura da violência, do autoritarismo e da intolerância, introjetada na sociedade brasileira, durante os 21 anos em que ela esteve sufocada pelo véu plúmbeo que a encobriu, deixou marcas indeléveis, cicatrizes que se fazem visíveis ainda hoje no tecido social. A redemocratização brasileira é um processo incompleto e inconcluso. Problemas viscerais, decorrentes desse indigitado período, jamais foram enfrentados na profundidade e na extensão que deveriam sê-lo. Por meio de um acordo das elites, materializado na “Lei de Anistia”, escolhemos esquecer do que enfrentar o problema. Não se atravessa impunemente o coração das trevas. 
 Como nos incita Vladimir Safatle “… faz-se necessário mostrar, àqueles que preferem não ver, a maneira insidiosa que a ditadura militar brasileira encontrou de não passar, de permanecer em nossa estrutura jurídica, em nossas práticas políticas, em nossa violência cotidiana, em nossos traumas sociais que se fazem sentir mesmo depois de reconciliações extorquidas”. [1]
É estarrecedor nos depararmos, ainda hoje, com brasileiros de diferentes extratos sociais, cuja concentração maior está incrustada na classe média, saudosistas da ditadura militar, emoldurando-a em um nostálgico e idealizado passado, que se quer invocar no presente. Uma parte considerável desses idólatras da autocracia não tinha sequer nascido ou eram muito jovens entre os anos 1964-1985. Logo, não sabem do que falam, seja por não terem vivido a inclemente experiência, seja por não terem conhecimentos históricos mais abalizados e fundamentados do que foram aqueles hediondos anos de chumbo.
 A recente ascensão da extrema direita ao poder tornou visível aquilo que há muito é denunciado por sociólogos, historiadores, filósofos e cientistas sociais, ou seja, que a violência, a intolerância à diversidade, o autoritarismo, a desigualdade e exclusão social, o machismo e o racismo estão ínsitos na formação do caráter nacional brasileiro, forjado no modelo escravocrata, que vigeu no Brasil por mais de trezentos anos. Tal caldo de cultura autoritária encontrou terreno fértil para frutificar e florescer durante a ditadura civil-militar brasileira. 
 Parecia que nas últimas três décadas, havíamos ingressado, enfim, num momento democrático, com promessas de estabilização e consolidação. Chegamos a acreditar que com o fim da ditadura militar e o conseqüente ingresso do Brasil no regime democrático, havíamos deixado para trás nosso congênito e histórico autoritarismo. Como o demonstraram a eleição presidencial do ano passado e falas como as de Eduardo Bolsonaro, estamos ainda bem longe de vivenciarmos uma experiência democrática plena. 
Os artífices da ditadura brasileira e suas viúvas desconsoladas têm investido, desde a redemocratização, num revisionismo histórico, com o propósito de reescrever o período autoritário com tintas mais amenas ou até mesmo pondo em dúvida sua existência, promovendo um apagamento da história, que lhes é muito deletéria.
 Como alerta Vladimir Safatle:

“Ela vai aos poucos não sendo mais chamada pelo seu nome, ou sendo chamada apenas entre aspas, como se nunca houvesse realmente existido. Na melhor das hipóteses, como se houvesse existido apenas em um curto espasmo de tempo no qual vigorou o AI-5. Talvez o que chamamos de ditadura tenha sido apenas uma reação um pouco demasiada às ameaças de radicalização que espreitavam nossa democracia. Quem sabe, daqui a algumas décadas, conseguiremos realizar o feito notável de fazer uma ditadura simplesmente desaparecer?” [2]
 Eduardo Bolsonaro não invoca “apenas” a volta da ditadura, mas o retorno do ato deflagrador do período mais violento da mesma, o AI-5. Deu-se com o aludido Ato Institucional nº 5, editado no dia 13 de dezembro de 1968, o início do que o jornalista Elio Gaspari denominou de “A Ditadura Escancarada”. 
 Como nos dirá o brasilianista Thomas Skidemore: “A censura ad hoc, que surgira mal coordenada em dezembro de 1968, foi regularizada em março de 1969 por um decreto que tornava ilegal qualquer crítica aos atos institucionais, às autoridades governamentais ou às forças armadas. Como se quisessem indicar de onde achavam que se originava a oposição, os arquitetos da censura também proibiram a publicação de notícias sobre movimentos de trabalhadores ou de estudantes. Toda a mídia foi colocada sob a supervisão dos tribunais militares. Setenta professores da Universidade de São Paulo (USP) e de várias outras universidades foram involuntariamente aposentados em maio de 1969”. [3]
 Houve, também, em decorrência do AI-5 o fechamento do Congresso Nacional e a cassação de direitos políticos de centenas de parlamentares, além das aposentadorias compulsórias dos Ministros do STF, Hermes Lima, Evandro Lins e Silva e Victor Nunes Leal.
 Como ensina Thomas Skidmore “… o AI-5, não tinha prazo para expirar. E, além do mais, dava ao presidente poder para suspender indefinidamente o habeas corpus. Pela primeira vez, desde o golpe de 1964, não havia data marcada para o retorno ao império da lei.” [4]
 Com o malfadado AI-5 o Brasil mergulhava de ponta-cabeça em uma era de iníquas violações das liberdades individuais e dos direitos humanos, praticadas pelo Estado. Constituiu-se, a partir dele, um espiral de violência que encontrou na tortura e morte de pessoas, sob a guarda do Estado, seu ápice de degradação e infâmia.
Como adverte Elio Gaspari: “É falsa a suposição segundo a qual a tortura é praticada em defesa da sociedade. Ela é instrumento do Estado, não da lei. Pertence ao episódio fugaz do poder dos governantes e da noção que eles têm do mundo, e sobretudo de seus povos”. E continua o jornalista: “Ao materializar-se nos cárceres, a tortura obedece a uma lógica que novamente nada tem a ver com a defesa da sociedade. A condição necessária para a eficácia da burocracia da violência é a recompensa funcional, tanto através das promoções convencionais como das gratificações que esse mundo policial engendra”. [5]
 Os reacionários e os autocratas, como Eduardo Bolsonaro e seu progenitor, são apologistas da ditadura, desde que a mesma seja aplicada aos seus adversários e inimigos políticos ou pessoais. Esquecem-se ou desconhecem que a ditadura militar pode se voltar contra seus artífices ou propugnadores. Basta citar o exemplo de um político entusiasta da ditadura instaurada em 1964 que, pouco tempo depois, em decorrência do AI-5, teve seus direitos políticos cassados.
 O AI-5 está intimamente associado à tortura e a centenas de mortes, dando início aos anos mais pavorosos da recente história brasileira. É um escândalo, é um acinte, é inaceitável a ameaça de um novo AI-5, feita de modo explícito e despudorado pelo deputado Eduardo Bolsonaro. Não pode ficar sem uma resposta veemente da sociedade brasileira e dos poderes institucionalizados da República Federativa do Brasil.
  
Carlos Eduardo Araújo é Professor Universitário e Mestre em Teoria do Direito (PUC – MG).
Notas:
[1] Safatle, Vladimir. O que resta da ditadura. Boitempo Editorial, 2010.
[2] Safatle, Vladimir. O que resta da ditadura. Boitempo Editorial, 2010.
[3] Thomas Skidmore. Brasil. de Castelo a Tancredo. Paz e Terra, 4ª edição, 1988.
[4] Thomas Skidmore. Brasil. de Castelo a Tancredo. Paz e Terra, 4ª edição, 1988.
[5] Elio Gaspari. As Ilusões Armadas – 2. A Ditadura Escancarada. Intrínseca, 2014.

quarta-feira, 8 de maio de 2019

Xadrez do golpe de Bolsonaro a caminho: dar força e arma a milicianos para impor sua própria ditadura orientada por Olavo de Carvalho, por Luis Nassif


O país corre o mais sério risco da sua história, de ser efetivamente controlado por organizações criminosas

Do Jornal GGN:


Peça 1 – O fator Olavo de Carvalho

Depois das últimas escaramuças, não resta dúvida de que a alma do governo Jair Bolsonaro são seus filhos Carlos e Eduardo. E, por trás de ambos, Olavo de Carvalho. Conforme foi possível conferir ao longo desses meses iniciais, todas as loucuras ditas por Olavo e pelos filhos de Bolsonaro têm consequências políticas. Não são meramente bazófias e grosserias. Têm que ser interpretadas ao pé da letra.
Três opiniões relevantes para compor essa primeira peça

A opinião de Olavo sobre os militares

É evidente que, para Olavo, os generais representam o maior empecilho para a guerra final contra o marxismo cultural.

A opinião de Eduardo Bolsonaro sobre o armamento para a população

Em mais de um Twitter, Carlos e Eduardo Bolsonaro deixaram claro que armar a população é condição essencial para a libertação do país. Deram como exemplo os EUA dos pioneiros e a Venezuela da Maduro. Se a população tivesse armas, Maduro não imporia sua ditadura.

A hora do enfrentamento, segundo Olavo

 De todos os tuites de Olavo, o que mais chamou a atenção foi o que ele avisa para deixar para mais tarde a briga com o general Villas-Boas. Quem o avisou foi “o anjo da guarda”. Não é necessário muito tirocínio para intuir quem é o tal de anjo da guarda.
É evidente que o sentido da frase embute a questão da correlação de forças. Mas o que impediria, neste momento, se o próprio Bolsonaro deixou claro que, entre militares e Olavo, fica com Olavo? Certamente não é a correlação de forças políticas dentro do governo Bolsonaro, onde Olavo saiu vitorioso. É a correlação entre o bolsonarismo e as forças externas – incluindo aí, os generais.

Peça 2 – o decreto de Bolsonaro

Portanto, é ingenuidade supor que o decreto de Bolsonaro, ampliando desmedidamente o direito às armas seja mero lobby dos clubes de tiro ou da indústria de armas dos Estados Unidos.
É um posicionamento político para impor-se amparado pelo poder das milícias, dos ruralistas, pelas armas nas mãos de seus seguidores, pelos aliados nas empresas de segurança e, provavelmente, por sua influência junto à média oficialidade das Forças Armadas.
As ligações de Bolsonaro e do PSL com as milícias são óbvias. E há evidências de monta sobre sua proximidade com os mercadores de armas. Dono de um arsenal de 120 armas pesadas, o ex-PM Ronnie Lessa era vizinho de condomínio de Bolsonaro. Ligado a tantos milicianos, colega de tantos ex-militares que vieram dos porões, é impossível que Bolsonaro não soubesse das atividades de Ronnie Lessa
Aqui o primeiro mapa feito mostrando essas ligações.

Peça 3 – as ligações com a indústria de armas dos EUA

No artigo “Xadrez da indústria de armas e o financiamento da direita” mostrei as estreitas ligações entre o lobby das armas e o avanço da ultradireita no mundo. Mostra também a associação dos Bolsonaro com a NRA, a associação dos fabricantes de rifles dos EUA.
Dizia a matéria;
No dia 10 de novembro de 2018, o site da America´s 1st Freedom, da NRA, dizia (https://goo.gl/F7mkKV):  “Tiremos o chapéu para Bolsonaro por ver a situação pelo que realmente é”.
Um ano antes, em 2017, Jair e Eduardo Bolsonaro foram recebido com todas as regalias pela NRA, conforme reportagem da Bloomberg (https://goo.gl/KWcMhy):
“Enquanto estavam lá, eles experimentaram uma AK-47 e outras armas de assalto. Depois, Eduardo, vestindo uma camiseta “F — ISIS”, segurou cartuchos de grande calibre para a câmera e expressou consternação por eles poderem “ter um problema” se tentassem trazer a munição para o Brasil.”
Quando entrou em crise, depois de ter defendido o armamento para a população dias antes da chacina e ela passou a ser alvo generalizado de críticas, inclusive do prefeto de Nova York, a saída foi invocar Deus:
A reação da NRA veio através de seu líder, Wayne LaPierre, alertando contra uma “agenda socialista” por trás das campanhas contra o desarmamento. E dizendo que o direito às armas “é garantido por Deus a todos os americanos como direito de nascença” (https://goo.gl/QKwpaa).
A atuação política da NRA é fundamentalmente contra as instituições, das quais a mais visada é a imprensa.

Peça 4 – o fator Wilson Witzel

O governador carioca Wilson Witzel está claramente preparando sua polícia – civil e militar – para a guerra. Pode-se supor que seja contra as organizações criminosas adversárias das milícias. O que aconteceria com essa estrutura armada, caso o bolsonarismo decidisse peitar a hierarquia das Forças Armadas?
É mais uma evidência do posicionamento dos bolsonaristas.

Peça 5 – o caos que se avizinha

Não há a menor possibilidade da economia melhorar. A equipe econômica conduzida pelos inenarráveis Paulo Guedes e Mansueto de Almeida, parecem determinados a inviabilizar o país, a pretexto de cumprir a Lei do Teto. E sempre com a promessa impossível de que tudo irá melhorar, em um passe de mágica, se for aprovada a reforma da Previdência.
Todas as medidas tomadas parecem ter o intuito de promover a reação da população. Pode ser mera miopia política, de economistas desvairados, pode ser a busca do álibi para o confronto final contra o tal do “marxismo”, que os bolsonaristas vêem até nas Forças Armadas.
De qualquer modo, a cada dia que passa o desalento será maior, assim como a corrosão na popularidade de Bolsonaro. Isso explica a pressa em acelerar providências, a pretexto de recuperar o contato com a base.
O país corre o mais sério risco da sua história, de ser efetivamente controlado por organizações criminosas. Seria relevante que caísse a ficha das instituições – STF (Supremo Tribunal Federal), Forças Armadas e Congresso, antes que seja tarde.



quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Coronel fanático que ofendeu Rosa Weber afronta comandante das Forças Armadas


O fanatismo e mais explicito fascismo, aberto por insanos como Bolsonaro, cresce a um nível surreal no Brasil...


Jornal GGN - Mesmo depois do comandante das Forças Armadas, General Villas Boas, abrir uma representação para investigar possível crime, em vídeo postado no youtube ameaçando Rosa Weber, o coronel Carlos Alves, militar da reserva insistiu nas ameaças.
Em novo vídeo, ameaça agora o Ministro Gilmar Mendes e diz não ter medo de punição.