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segunda-feira, 26 de maio de 2025

Coporativismo e/ou proteção aos golpistas fardados e seus familiares manifestantes? Ministério Público Militar ignora omissão do Exército e arquiva apuração sobre acampamento golpista

 

Mesmo com relatos oficiais da PM e da Secretaria de Segurança do AM, órgão militar diz que "não há indício de crime".


Do ICL Notícias:


POLÍTICA

Ministério Público Militar ignora omissão do Exército e arquiva apuração sobre acampamento golpista



Por Cleber Lourenço

O Ministério Público Militar arquivou a apuração sobre a conduta do Comando Militar da Amazônia (CMA) durante os atos golpistas de janeiro de 2023, desconsiderando os relatos de autoridades civis que apontam omissão e até colaboração indireta de militares com os acampamentos montados em frente ao quartel. A conclusão do órgão é de que não há, “ao menos em tese”, qualquer indício de crime militar.

A decisão contrasta com os documentos produzidos pela Polícia Militar do Amazonas (PMAM), pela Secretaria de Segurança Pública do estado e pela Casa Civil estadual. Um ofício da PM datado de 10 de janeiro de 2023 afirma que a operação de desmobilização realizada no dia anterior, 9 de janeiro, ocorreu “sem qualquer apoio operacional do Exército Brasileiro”, mesmo com o acampamento instalado há meses no entorno da unidade militar.

acampamento

 

A PMAM relatou que a ausência de apoio logístico e operacional comprometeu o planejamento e a execução da operação, exigindo a mobilização de todo o efetivo da corporação disponível na capital para cumprimento da ordem do Supremo Tribunal Federal. O documento registra ainda que a entrada dos policiais na área foi feita com cautela devido à localização do acampamento nas imediações de uma instalação militar federal, sem detalhar qualquer situação de confronto ou ameaça direta por parte do Exército.

Mais do que omissão, os documentos indicam uma atuação deliberada do Exército. Um relatório da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas, de 11 de janeiro, afirma que o Comando Militar da Amazônia conduziu “tratativas individuais” com manifestantes, “diferentes das acordadas em reuniões do Gabinete de Crise”, realizadas entre os dias 7 e 8 de janeiro. Segundo o documento, o Exército disponibilizou espaço interno para armazenamento de materiais dos manifestantes e permitiu que estes tivessem acesso ao interior da unidade para negociar.

Ainda assim, o parecer do Ministério Público Militar considera que as condutas do CMA não se enquadram nas hipóteses previstas no Código Penal Militar. Para o órgão, não houve envolvimento direto de militares da ativa nas manifestações nem indício de crime, tratando como irrelevantes as ações institucionais que, na prática, contribuíram para a manutenção do acampamento golpista por semanas.

Para MPM, Exército “colaborou” para desfazer acampamento

O entendimento do Ministério Público Militar é de que o Exército apenas colaborou com as autoridades locais, mesmo diante dos documentos que apontam que essa “colaboração” foi feita de forma paralela e sem coordenação com as demais forças de segurança. A prática desarticulada e “individualizada” do CMA, longe de contribuir para o cumprimento da ordem judicial, criou obstáculos à execução da medida e comprometeu a segurança da operação.

O arquivamento da notícia de fato, sem qualquer diligência adicional, reforça a percepção de autoblindagem recorrente na esfera militar. Mesmo com elementos documentais e relatos formais de autoridades da segurança estadual, o Ministério Público Militar optou por encerrar o caso sem responsabilização, mantendo a tradição de não sancionar institucionalmente as Forças Armadas.

Ao ignorar o contexto político e o histórico de leniência com comandos militares em situações similares, a decisão do Ministério Público Militar enfraquece o controle civil sobre as Forças Armadas e legitima a atuação paralela de setores militares diante de crises institucionais.

A conclusão de que não houve “ao menos em tese” qualquer indício de crime militar, diante de um conjunto robusto de registros oficiais, não apenas desobriga o Exército de prestar contas como instituição, mas também fragiliza os mecanismos de responsabilização democrática.

terça-feira, 20 de maio de 2025

Julgamento dos Golpistas: Testemunhas afirmam ter ouvido Bolsonaro em reuniões para tramar golpe em oitivas no STF. Freire Gomes tentou voltar atrás e poupar Garnier e Bolsonaro, inutilmente.

 

 

   Alexandre de Moraes repreendeu o ex-comandante do Exército, general Freire Gomes:   “Ou o senhor mentiu na polícia ou está mentindo aqui no STF”

Do Jornal GGN:

Testemunhas afirmam ter ouvido Bolsonaro em reuniões para tramar golpe em oitivas no STF

 Foto: Marcello Casal Jr – Agência Brasil

O Supremo Tribunal Federal (STF) começou a ouvir, nesta segunda-feira (19), as testemunhas da ação penal que investiga a trama golpista arquitetada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e aliados para mantê-lo no poder após derrota na campanha pela reeleição, em 2022. 

As oitivas seguem até 2 de junho. 

Participaram da audiência o ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, e os demais ministros da Primeira Corte: Cristiano Zanin, Cármen Lúcia, Luiz Fux e Flávio Dino. 

Os acusados Jair Bolsonaro e o general Braga Netto também acompanharam os depoimentos, assim como o procurador-geral da República, Paulo Gonet.Indicado pela Procuradoria-Geral da República, Éder Lindsay Magalhães Balbino é dono de uma empresa que teria fornecido materiais que divulgavam notícias falsas sobre as urnas eletrônicas. 

Em depoimento, Balbino afirmou que não encontrou indícios de fraude nas urnas eletrônicas, mas confirmou ter ouvido a voz do ex-presidente durante uma das reuniões. 

A Primeira Turma do STF ouviu ainda Clebson Ferreira de Paula Vieira, servidor público do Ministério da Justiça que teria elaborado planilhas para mapear a movimentação de eleitores no segundo turno. 

Durante a oitiva, Vieira afirmou que não sabia que o seu trabalho seria usado com fins eleitorais. 

“Totalmente [diferente]. À época, eu fiquei apavorado. Eu vi que uma habilidade técnica minha foi utilizada para a tomada de decisão ilegal. Eu me preparei para que, no momento oportuno, pudesse falar, como foi quando fui a PF”, afirmou a testemunha.

Pressão

O ex-coordenador de inteligência da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Adiel Pereira Alcântara, confirmou que ouviu uma ordem de Djairlon Henrique Moura, ex-diretor de operações da PRF, para que a inteligência abordasse ônibus e vans durante as eleições de 2022. 

De acordo com a denúncia da PGR, a PRF foi usada, assim como recursos do Ministério da Justiça, para tentar barrar o voto de possíveis eleitores de Lula no segundo turno. 

O alvo da operação seria ônibus e vans que partiram de Goiás, São Paulo, Minas e Rio de Janeiro e tinham como destino estados do Nordeste.

Apesar de questionar o porquê de tal determinação, o então diretor Silvinei Vasques, também réu no processo, não admitiu o favorecimento de Jair Bolsonaro na campanha de reeleição. Disse apenas que se tratavam de estados com alta incidência de acidentes. 

“Eu não me convenci, e transpareci que eu achei estranho aquela ordem. E ai ele falou, não sei qual foi contexto que ele falou, mas ele falou mais ou menos o seguinte, tem coisas que são e tem coisas que parecem ser. Está na hora da PRF tomar lado. A gente tem que fazer jus das funções de direção e aquilo era uma determinação do diretor geral”.

Mentiras

Moraes e demais ministros ouviram ainda o ex-comandante do Exército, Marco Antônio Freire Gomes. O militar foi repreendido pelo relator, devido às contradições no depoimento dado ao STF em comparação ao que deu à Polícia Federal (PF). 

“Antes de responder, pense bem. A testemunha não pode deixar de falar a verdade. Se mentiu na polícia, tem que falar que mentiu na polícia. Não pode agora no STF dizer que não sabia… Ou o senhor falseou a verdade na polícia ou está falseando aqui”, disse o ministro.

Enquanto aos policiais Freire Gomes admitiu estar em reunião em que Bolsonaro tramava o golpe de Estado e que o então comandante da Marinha, almirante Garnier Santos concordou com o plano, aos ministros do STF ele afirmou não ter conhecimento sobre o planejamento para manter Bolsonaro no poder. 

“Eu estava focado na minha lealdade de ser franco ao presidente do que nós pensávamos. O brigadeiro também foi contrário a qualquer coisa naquele momento. E como fui muito enfático naquele momento, que eu me lembro o ministro da defesa ficou calado, e o almirante garnier apenas demonstrou o respeito ao comandante chefe das forças armadas, não interpretei como qualquer tipo de conluio”, afirmou Freire Gomes.

Já os registros da PF indicam que “que o depoente [Freire Gomes] e o Brigadeiro Baptista Junior (Aeronáutica) afirmaram de forma contundente suas posições contrárias ao conteúdo exposto; que não teria suporte jurídico para tomar qualquer atitude; que, acredita, pelo que se recorda, que o Almirante Garnier teria se colocado à disposição do Presidente da República”.

“Ou o senhor mentiu na polícia ou está mentindo aqui no STF”, reafirmou Moraes.

*Com informações do G1.