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sexta-feira, 13 de abril de 2018

Xadrez do passaralho dos tucanos, por Luis Nassif



"A lógica do golpe é simples e objetiva. Há dois focos centrais. O primeiro, o aprofundamento do desmonte do Estado brasileiro, com as reformas liberais, privatização, destruição do precário Estado de bem-estar construído na última década. O segundo, a garantia de um presidente de direita nas próximas eleições - ou, na ausência de um candidato competitivo, até mesmo o adiamento das eleições. Esses são os fios condutores para entender toda a lógica da turma do impeachment." - Luis Nassif

Do Jornal GGN:

Peça 1 – a lógica do golpe


A lógica do golpe é simples e objetiva.
Há dois focos centrais.
O primeiro, o aprofundamento do desmonte do Estado brasileiro, com as reformas liberais, privatização, destruição do precário Estado de bem-estar construído na última década.
O segundo, a garantia de um presidente de direita nas próximas eleições - ou, na ausência de um candidato competitivo, até mesmo o adiamento das eleições.
Esses são os fios condutores para entender toda a lógica da turma do impeachment.

Peça 2 – o mercado de opinião


Tudo isso se dá no que se convencionou chamar de mercado. Não se trata apenas do mercado em si, mas de todo um sistema de opinião que engloba não apenas a estrutura de poder, mas a gendarmeria.
No topo, Ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), a Procuradora Geral da República, os grupos de mídia, órgãos de controle de uma maneira geral. Na base, juízes de 1ª instância, procuradores, Polícia Federal, Polícia Militar etc.
Quando determinada questão ameaça os objetivos finais, acende-se uma luz amarela. O clima fica tenso, as autoridades envolvidas começam a receber sinais tácitos indicando que ali não se mexe. Dado o grau de pusilanimidade das organizações burocráticas e suas lideranças, não há a necessidade de ordens diretas, ameaças ou outras formas de pressão. São mais disciplinados que jornalistas da Globonews.
Quem sai da linha, é pressionado por seu próprio meio, colegas ou familiares. Essa sincronização do golpe mereceria um belo estudo acadêmico, sobre a força das ideologias na articulação de movimentos, como o impeachment, mesmo sem haver um cérebro condutor. Aliás, o único cérebro mofa em um presídio de Curitiba.

Peça 3 – os que irão morrer


No início do golpe, Aécio Neves era peça central; o governador Geraldo Alckmin, elemento secundário. Qualquer envolvimento de Aécio enfraqueceria o principal mote do golpe, que era o impeachment de Dilma.
O Procurador Geral da República Rodrigo Janot recomendou seu não indiciamento, apesar de evidências muito mais fortes do que aquelas, por exemplo, que envolviam o senador petista Lindbergh Farias, denunciado.
Mesmo em posição secundária, Geraldo Alckmin também foi poupado, e ajudou a salvar Dilma Rousseff da tentativa do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), comandado por Gilmar Mendes, de cassar seu mandato logo após as eleições. Na última hora descobriu-se que que Alckmin poderia ser atingido por uma das acusações que se lançava contra Dilma.
Na medida em que a Lava Jato foi avançando, foram aparecendo mais e mais evidências contra Aécio.
Criou-se um ping-pong entre dois adversários mortais, mas irmanados na defesa de Aécio: Janot e Gilmar Mendes. OS dois revezavam-se nos pedidos de prorrogação do prazo de investigação de Aécio. Mesmo assim, a cada indício novo e a cada nova postergação das denúncias o capital político de Aécio ia se esvaindo.
Quando ocorreu o episódio JBS, Aécio dançou por dois motivos. Pelo seu excesso de ambição, foi considerado um peru gordo por Joesley Baptista, nas negociações com a PGR. Quando Janot recebeu o pacote, para atirar em Temer não poderia desconsiderar os grampos em Aécio.
A partir dali, Aécio virou pato manco.  Há uma boa probabilidade de que, na próxima semana, o STF autorize a denúncia criminal contra ele, além de mandar para a prisão Eduardo Azeredo, do mensalão tucano, à esta altura uma decisão vazia de significado político.
Principalmente porque a blindagem dos tucanos ficou ostensiva demais para ser aceita até por um país e uma mídia acostumados a toda sorte de hipocrisias.
Dentro dessa lógica, José Serra, Aloysio Nunes e Cássio Cunha Lima poderiam ser liquidados tranquilamente, sem atrapalhar os objetivos finais do golpe. Estão sendo poupados porque o algoritmo viciado do STF jogou seus processos no colo de Gilmar, e Gilmar não é desses de deixar companheiros feridos no campo de batalha. Apenas por isso.

Peça 4 – o fator Alckmin


Embora não desperte nenhum entusiasmo, nem entre os seus próximos, Alckmin ainda é peça chave no jogo político, como único candidato da direita com alguma possibilidade.
Essa é a razão principal da PGR ter remetido seu caso para ser julgado pelo Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo, ao invés de remeter para o grupo da Lava Jato. E o autor da façanha foi o subprocurador Luciano Maia, com bela ficha no Ministério Público Federal, e, até assumir o cargo de vice-procurador, considerado corajoso e de posições independentes.
Mas não adianta. A lógica do poder brasiliense é imbatível. Por isso, um caso em que Alckmin, através de seu cunhado, recebe R$ 10 milhões da Odebrecht, que têm obras contratos grandes com o governo de São Paulo, foi transformado em um mero caso de irregularidade no financiamento de campanha. O pagamento foi por fora.
Apesar de federal ,o TRE de São Paulo é majoritariamente composto por juízes e desembargadores paulistas, historicamente alinhados com o PSDB.
A decisão de Maia – certamente endossada pela PGR – expôs de maneira nítida a parcialidade da nova PGR no jogo político.
Aliás, não bastassem essas trapalhadas, e o procurador-bufão Oscar Costa Filho, do MPF do Ceará, o mesmo que tenta todo ano anular o ENEM, intimou a Universidade federal do Ceará a retirar o nome “golpe” de um curso preparado por ela.
Às vezes tento convencer colegas que o MPF é mais que os Ailton Benedito – o de Goiás – ou  Oscar Costa “Enem” Filho, mas os fatos sempre me desmentem, como desmentiram quando supus em Raquel Dodge uma dimensão mais relevante do que a de Janot.

Peça 5 – os próximos passos


Não se imagine que o impacto da prisão de Lula vá refrear a marcha do fascismo.
As recentes votações do Supremo e as decisões da PGR comprovam que continuam a reboque da Lava Jato. E continuarão até a Lava Jato completar sua obra, de destruição final de Lula e de inviabilização do PT.
De qualquer modo, foram tantas as críticas que Dodge recebeu, até de jornalões, por sua benevolência contra Alckmin, que provavelmente deve ter-se dado conta de que foi mais realista que o rei, o que condicionará suas próximas ações. É possível que o país comece a assistir episódios inéditos de tucanos engaiolados.
Aliás, a análise política de autoridades do Judiciário, da PGR ao Supremo, mereceria estudos de Pavlov.
Depois de liquidado Lula, será fácil acabar com a operação. Bastará a mídia levantar a pauta proposta por Gilmar Mendes na última sessão do Supremo, sobre os indícios de corrupção, devido ao poder absoluto de que passaram a dispor.
PS – a ave da voto representa o Passaralho, figura mitológica que sobrevoa as redações nas vésperas das grandes demissões.

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Bob Fernandes: O “Novo” e o “Velho” das mesmas elites. Com mentiras e escondendo informações avançam as tais “Reformas”


Do Jornal da Gazeta:




Fernando Henrique diz que Dória e Luciano Hulk são "O Novo". Não disse, mas isso quer dizer que Alckmin, Aécio e Serra são "O Velho".
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É da cultura brasileira, mais ainda na Política, dizer não dizendo... e vice-versa.
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O que importa costuma ficar escondido, encoberto por palavras e imagens.
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As revistas "Veja" e "Isto é" trazem na capa o juiz Moro e Lula. No ringue, como se fossem boxeadores, lutadores de MMA.
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Lula é réu e o juiz Moro irá ouvi-lo sobre o tríplex, na quarta-feira. Juiz não é herói e não deveria falar fora dos autos. Juiz não acusa. Juiz julga.
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Osmar Serraglio (PMDB-SC) é o ministro da Justiça.
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Homens armados atacaram uma aldeia dos índios Gamela, no Maranhão. Treze feridos. E o ministro se referiu às vítimas como "supostos índios".
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Um ministro da Justiça deveria condenar e investigar os ataques. Fosse contra índios, vikings, esquimós, ou fazendeiros.
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O que o ministro não diz? Que em 2015, último número oficial, foram assassinados 137 indígenas.
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Como não diz que mais 87 índios se suicidaram. Entre os Kaiowá/ Guarani (MS) já são quase 1.200 suicídios... Mas se esconde o que deveria ser gritado.
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A Tax Justice Network informou: a sonegação no Brasil é da ordem de 13% do PIB.
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Segundo o Sindicato dos Auditores Fiscais de Minas isso significou R$ 790 bilhões em 2015.
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Estocados em paraísos fiscais a mesma Tax Justice estimou 519 bilhões de dólares. Foram repatriados 51 bilhões de reais...
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E 71 mil brasileiros não pagam impostos, na pessoa física, sobre lucros e dividendos. Último número conhecido: R$ 200 bilhões em 2013.
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Enquanto tudo isso, a Comissão Mista do Congresso aprovou novo REFIS - Regularização Tributária.
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O relator, que deve R$ 67 milhões à União, foi Newton Cardoso Júnior. Ele concedeu desconto de 99% para multas e juros... da sua própria dívida.
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Com sofreguidão seguem as tais "Reformas". Com informações essenciais escondidas dos que pagam a conta...
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Isso é o "Velho" fantasiado de "Novo.

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Conheça dez histórias de corrupção durante a ditadura militar, por Marcelo Freire, do UOL

Militares em frente ao Ministério do Exército, no Rio, em 2 de abril de 1964

  • Militares em frente ao Ministério do Exército, no Rio, em 2 de abril de 1964
Os protestos de 15 de março deste ano, direcionados principalmente contra o governo federal e a presidente Dilma Rousseff, indicaram a insatisfação de parte da população com os casos de corrupção envolvendo partidos políticos, empresas públicas e empresas privadas. Algumas pessoas, inclusive, chegaram a pedir uma intervenção militar, alegando que essa seria a solução para o fim da corrupção.
Mas será que nesse período a corrupção realmente não fazia parte da esfera política? Apesar da blindagem proporcionada pelas restrições ao Legislativo, Judiciário e imprensa, ainda assim a ditadura não passou imune a diversas denúncias de corrupção.
UOL listou dez delas, tendo como fonte a série de quatro livros de Elio Gaspari sobre o período ("A Ditadura Envergonhada", "A Ditadura Escancarada", "A Ditadura Derrotada" e "A Ditadura Encurralada") e reportagens da época. O primeiro item que envolve Delfim Netto contém uma resposta do ex-ministro sobre os casos. Veja:

1 - Contrabando na Polícia do Exército

A partir de 1970, dentro da 1ª Companhia do 2º Batalhão da Polícia do Exército, no Rio de Janeiro, sargentos, capitães e cabos começaram a se relacionar com o contrabando carioca. O capitão Aílton Guimarães Jorge, que já havia recebido a honra da Medalha do Pacificador pelo combate à guerrilha, era um dos integrantes da quadrilha que comercializava ilegalmente caixas de uísques, perfumes e roupas de luxo, inclusive roubando a carga de outros contrabandistas. Os militares escoltavam e intermediavam negócios dos contraventores. Foram presos pelo SNI (Serviço Nacional de Informações) e torturados, mas acabaram inocentados porque os depoimentos foram colhidos com uso de violência – direito de que os civis não dispunham em seus processos na época. O capitão Guimarães, posteriormente, deixaria o Exército para virar um dos principais nomes do jogo do bicho no Rio, ganhando fama também no meio do samba carioca. Foi patrono da Vila Isabel e presidente da Liesa (Liga Independente das Escolas de Samba).

2 - A vida dupla do delegado Fleury

Folhapress
Sérgio Paranhos Fleury
Um dos nomes mais conhecidos da repressão, atuando na captura, na tortura e no assassinato de presos políticos, o delegado paulista Sérgio Fernandes Paranhos Fleury foi acusado pelo Ministério Público de associação ao tráfico de drogas e extermínios. Apontado como líder do Esquadrão da Morte, um grupo paramilitar que cometia execuções, Fleury também era ligado a criminosos comuns, segundo o MP, fornecendo serviço de proteção ao traficante José Iglesias, o "Juca", na guerra de quadrilhas paulistanas. No fim de 1968, ele teria metralhado o traficante rival Domiciano Antunes Filho, o "Luciano",  com outro comparsa, e capturado, na companhia de outros policiais associados ao crime, uma caderneta que detalhava as propinas pagas a detetives, comissários e delegados pelos traficantes. O caso chegou a ser divulgado à imprensa por um alcaguete, Odilon Marcheronide Queiróz ("Carioca"), que acabou preso por Fleury e, posteriormente, desmentiu a história a jornais de São Paulo. Carioca seria morto pelo investigador Adhemar Augusto de Oliveira, segundo o próprio revelaria a um jornalista, tempos depois.
Os atos do delegado na repressão, no entanto, lhe renderam uma Medalha do Pacificador e muita blindagem dentro do Exército, que deixou de investigar as denúncias. Promotores do MP foram alertados para interromper as investigações contra Fleury. De acordo com o relato publicado em "A Ditadura Escancarada", o procurador-geral da Justiça, Oscar Xavier de Freitas, avisou dois promotores em 1973: "Eu não recebo solicitações, apenas ordens. (…) Esqueçam tudo, não se metam em mais nada. Existem olheiros em toda parte, nos fiscalizando. Nossos telefones estão censurados".
No fim daquele ano de 1973, o delegado chegou a ter a prisão preventiva decretada pelo assassinato de um traficante, mas o Código Penal foi reescrito para que réus primários com "bons antecedentes" tivessem direito à liberdade durante a tramitação dos recursos. Em uma conversa com Heitor Ferreira, secretário do presidente Ernesto Geisel (1974-1979), o general Golbery do Couto e Silva – então ministro do Gabinete Civil e um dos principais articuladores da ditadura militar – classificou assim o delegado Fleury, quando pensava em afastá-lo: "Esse é um bandido. Agora, prestou serviços e sabe muita coisa". Fleury morreu em 1979, quando ainda estava sob investigação da Justiça.

3 - Governadores biônicos e sob suspeita

Em 1970, uma avaliação feita pelo SNI ajudou a determinar quais seriam os governadores do Estado indicados pelo presidente Médici (1969-1974). No Paraná, Haroldo Leon Peres foi escolhido após ser elogiado pela postura favorável ao regime; um ano depois, foi pego extorquindo um empreiteiro em US$ 1 milhão e obrigado a renunciar. Segundo o general João Baptista Figueiredo, chefe do SNI no governo Geisel, os agentes teriam descoberto que Peres "era ladrão em Maringá" se o tivessem investigado adequadamente. Na Bahia, Antônio Carlos Magalhães, em seu primeiro mandato no Estado, foi acusado em 1972 de beneficiar a Magnesita, da qual seria acionista, abatendo em 50% as dívidas da empresa.

4 - O caso Lutfalla

Estadão Conteúdo
Paulo Maluf
Outro governador envolvido em denúncias foi o paulista Paulo Maluf. Dois anos antes de assumir o Estado, em 1979, ele foi acusado de corrupção no caso conhecido como Lutfalla – empresa têxtil de sua mulher, Sylvia, que recebeu empréstimos do BNDE (Banco Nacional de Desenvolvimento) quando estava em processo de falência. As denúncias envolviam também o ministro do Planejamento Reis Velloso, que negou as irregularidades, e terminou sem punições.

5 - As mordomias do regime

Em 1976, as Redações de jornal já tinham maior liberdade, apesar de ainda estarem sob censura. O jornalista Ricardo Kotscho publicou no "Estado de São Paulo" reportagens expondo as mordomias de que ministros e servidores, financiados por dinheiro público, dispunham em Brasília. Uma piscina térmica banhava a casa do ministro de Minas e Energia, enquanto o ministro do Trabalho contava com 28 empregados. Na casa do governador de Brasília, frascos de laquê e alimentos eram comprados em quantidades desmedidas – 6.800 pãezinhos teriam sido adquiridos num mesmo dia. Filmes proibidos pela censura, como o erótico "Emmanuelle", eram permitidos na casa dos servidores que os requisitavam. Na época, os ministros não viajavam em voos de carreira, e sim em jatos da Força Aérea.
Antes disso, no governo Médici já se observavam outras regalias: o ministro do Exército, cuja pasta ficava em Brasília, tinha uma casa de veraneio na serra fluminense, com direito a mordomo. Os generais de exército (quatro estrelas) possuíam dois carros, três empregados e casa decorada; os generais de brigada (duas estrelas) que iam para Brasília contavam com US$ 27 mil para comprar mobília. Cabos e sargentos prestavam serviços domésticos às autoridades, e o Planalto também pagou transporte e hospedagem a aspirantes para um churrasco na capital federal.

6 - Delfim e a Camargo Corrêa

Leticia Moreira/Folha Imagem
Delfim Netto
Delfim Netto – ministro da Fazenda durante os governos Costa e Silva (1967-1969) e Médici, embaixador brasileiro na França no governo Geisel e ministro da Agricultura (depois Planejamento) no governo Figueiredo – sofreu algumas acusações de corrupção. Na primeira delas, em 1974, foi acusado pelo próprio Figueiredo (ainda chefe do SNI), em conversas reservadas com Geisel e Heitor Ferreira. Delfim teria beneficiado a empreiteira Camargo Corrêa a ganhar a concorrência da construção da hidrelétrica de Água Vermelha (MG). Anos depois, como embaixador, foi acusado pelo francês Jacques de la Broissia de ter prejudicado seu banco, o Crédit Commercial de France, que teria se recusado a fornecer US$ 60 milhões para a construção da usina hidrelétrica de Tucuruí, obra também executada pela Camargo Corrêa. Em citação reproduzida pela "Folha de S.Paulo" em 2006, Delfim falou sobre as denúncias, que foram publicadas nos livros de Elio Gaspari: "Ele [Gaspari] retrata o conjunto de intrigas armado dentro do staff de Geisel pelo temor que o general tinha de que eu fosse eleito governador de São Paulo", afirmou o ex-ministro.
 
Outro lado: Em relação às denúncias que envolvem seu nome nesse texto, o ex-ministro Delfim Netto respondeu ao UOL: "Trata-se de velhas intrigas que sempre foram esclarecidas. Nunca tive participação nos eventos relatados".
 

7 - As comissões da General Electric

Durante um processo no Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) em 1976, o presidente da General Electric no Brasil, Gerald Thomas Smilley, admitiu que a empresa pagou comissão a alguns funcionários no país para vender locomotivas à estatal Rede Ferroviária Federal, segundo noticiou a "Folha de S.Paulo" na época. Em 1969, a Junta Militar que sucedeu Costa e Silva e precedeu Médici havia aprovado um decreto-lei que destinava "fundos especiais" para a compra de 180 locomotivas da GE. Na época, um dos diretores da empresa no Brasil na época era Alcio Costa e Silva, irmão do ex-presidente, morto naquele mesmo ano de 1969. Na investigação de 1976, o Cade apurava a formação de um cartel de multinacionais no Brasil e o pagamento de subornos e comissões a autoridades para a obtenção de contratos.

8 - Newton Cruz, caso Capemi e o dossiê Baumgarten

Paula Giolito /Folhapress
Newton Cruz
O jornalista Alexandre von Baumgarten, colaborador do SNI, foi assassinado em 1982, pouco depois de publicar um dossiê acusando o general Newton Cruz de planejar sua morte – segundo o ex-delegado do Dops Cláudio Guerra, em declaração de 2012, a ordem partiu do próprio SNI. A morte do jornalista teria ligação com seu conhecimento sobre as denúncias envolvendo Cruz e outros agentes do Serviço no escândalo da Agropecuária Capemi, empresa dirigida por militares, contratada para comercializar a madeira da região do futuro lago de Tucuruí. Pelo menos US$ 10 milhões teriam sido desviados para beneficiar agentes do SNI no início da década de 1980. O general foi inocentado pela morte do jornalista.

9 - Caso Coroa-Brastel

Delfim Netto sofreria uma terceira acusação direta de corrupção, dessa vez como ministro do Planejamento, ao lado de Ernane Galvêas, ministro da Fazenda, durante o governo Figueiredo. Segundo a acusação apresentada em 1985 pelo procurador-geral da República José Paulo Sepúlveda Pertence, os dois teriam desviado irregularmente recursos públicos por meio de um empréstimo da Caixa Econômica Federal ao empresário Assis Paim, dono do grupo Coroa-Brastel, em 1981. Galvêas foi absolvido em 1994, e a acusação contra Delfim – que disse na época que a denúncia era de "iniciativa política" – não chegou a ser examinada.

10 - Grupo Delfin

Denúncia feita pela "Folha de S.Paulo" de dezembro de 1982 apontou que o Grupo Delfin, empresa privada de crédito imobiliário, foi beneficiado pelo governo por meio do Banco Nacional da Habitação ao obter Cr$ 70 bilhões para abater parte dos Cr$ 82 bilhões devidos ao banco. Segundo a reportagem, o valor total dos terrenos usados para a quitação era de apenas Cr$ 9 bilhões. Assustados com a notícia, clientes do grupo retiraram seus fundos, o que levou a empresa à falência pouco depois. A denúncia envolveu os nomes dos ministros Mário Andreazza (Interior), Delfim Netto (Planejamento) e Ernane Galvêas (Fazenda), que chegaram a ser acusados judicialmente por causa do acordo.

GOLPE MILITAR COMPLETA 51 ANOS; RELEMBRE

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Veja 10 fatos revelados pela Comissão da Verdade sobre a ditadura no Brasil10 fotos

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Em 2012, a pedido da Comissão Nacional da Verdade, a Justiça de SP determinou a retificação do atestado de óbito do jornalista Vladimir Herzog, o que derrubou a tese militar de que ele teria se suicidado no dia 25 de outubro de 1975, nas dependências do 2º Exército, em São Paulo. O novo documento faz constar que Herzog foi vítima de lesões e maus-tratos. A família recebeu o novo documento no dia 15 de março de 2013VEJA MAIS >Imagem: Reprodução

sexta-feira, 13 de maio de 2016

Jornal do Brasil transcreve The New York Times: Dilma paga preço 'desproporcional', enquanto detratores figuram escândalos


Crise política afeta fé na saúde da jovem democracia, destaca jornal norte-americano


Jornal do Brasil
Em editorial publicado na versão impressa desta sexta-feira (13), o New York Times aponta que a presidente afastada Dilma Rousseff paga um "desproporcional" alto preço por erros de administração, enquanto muitos de seus mais vigorosos detratores são acusados de crimes bem mais graves. Além de passar pela pior recessão desde 1930, frisa o Conselho Editorial do jornal norte-americano, agora o Brasil assiste à crise política debilitar a confiança na saúde de uma jovem democracia. 
Para o jornal norte-americano, Dilma Rousseff pode até ter problemas no trato político e ter uma liderança que não impressiona, mas não há "evidência de que ela tenha abusado de seu poder para obter vantagem pessoal", enquanto muitos dos políticos que orquestram sua queda têm sido implicados em um enorme volume de escândalos de propina. 
O presidente interino Michel Temer, por exemplo, salienta o editorial, pode ficar inelegível por oito anos porque autoridades eleitorais recentemente apontaram violação aos limites de financiamento de campanha.

"Muitos suspeitam que os esforços para tirar a Sra. Rousseff têm mais a ver com a decisão dela de permitir que promotores avançassem com investigações na Petrobras"
"Muitos suspeitam que os esforços para tirar a Sra. Rousseff têm mais a ver com a decisão dela de permitir que promotores avançassem com investigações na Petrobras"

"Horas depois dos senadores votarem esmagadoramente para colocá-la em julgamento por suposta manobra financeira, a presidente do Brasil Dilma Rousseff denunciou o esforço para afastá-la como um golpe. 'Eu posso ter cometido vários erros, mas eu nunca cometi crimes', disse a Sra. Rousseff. Isso é discutível, mas a Sra. Rousseff está certa em questionar os motivos e a autoridade moral dos políticos que procuram derrubá-la", inicia o editorial. 
NYT lembra que na semana passada o Supremo brasileiro determinou que Eduardo Cunha, "o veterano parlamentar que liderou o esforço para derrubar a Sra. Rousseff", deveria ser afastado do cargo por prática de corrupção. 
A presidente Dilma é acusada de usar Dilma de bancos estatais para encobrir déficits orçamentários, "uma tática que outros líderes brasileiros empregaram no passado sem enfrentarem tamanho escrutínio". "Muitos suspeitam, contudo, que os esforços para tirar a Sra. Rousseff têm mais a ver com a decisão dela de permitir que promotores avançassem com as investigações na Petrobras, a companhia estatal de petróleo."


Compondo este quadro problemático, o governo ainda lida com o surto do vírus zika, pouco antes do início da Olimpíada no Rio de Janeiro.
"As recentes investigações sobre corrupção, que têm exposto uma podre elite que governa, têm indignado os brasileiros. Se o mandato da Sra. Rousseff é encurtado, os brasileiros deveriam ter a permissão para eleger um novo líder prontamente", sugere o New York Times
"Uma nova eleição poderia ser feita em breve se a corte eleitoral, que tem investigado alegações de que o dinheiro do escândalo da Petrobras teria ido para a campanha da Sra. Rousseff em 2014, invalidar sua última vitória. Alternativamente, o Congresso poderia aprovar uma lei para convocar eleições antecipadas", completa o editorial.
Enquanto Dilma Rousseff não gerenciou efetivamente o país, salienta o NYT, os senadores que aprovaram sua saída precisam lembrar que ela foi eleita duas vezes, e que o Partido dos Trabalhadores ainda têm um apoio considerável, principalmente entre os milhões que foram tirados da pobreza nas últimas décadas. 
"A confiança na Sra. Rousseff e no seu partido podem ter afundado nos últimos meses. Mas a Sra. Rousseff está para pagar um desproporcional alto preço por erros de administração, enquanto muitos de seus mais vigorosos detratores são acusados de crimes bem mais graves. Eles precisam perceber que muito do fogo que tem sido direcionado a ela vai em breve ser redirecionado a eles", conclui o editorial.
Por Pamela Mascarenhas

terça-feira, 3 de maio de 2016

Em carta aberta, economista Peter Koening, ex membro do Banco Mundial e ecologista, pede a Dilma: Resista aos Golpistas!


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"O que se vê desenrolar-se no Brasil é ato de delinquência de um tipo que praticamente jamais se viu acontecer no mundo. Os golpistas brasileiros, fantoches dos 'mestres' em Washington, não passam de escroques conhecidos, todos com processos por corrupção atados ao pescoço. Pois e mesmo assim continuam, claro que amparados no completo apoio político que lhes dão os escroques chefes que vivem dentro e em torno da Casa Branca em Washington. O mundo apenas assiste, em silêncio", diz o economista Peter Koenig, que já atuou no Banco Mundial e escreve sobre geopolítica para a Global Research


Carta aberta à presidenta Dilma Rousseff do Brasil 
Por Peter Koenig
(Tradução: Vila Vudu)

Prezada presidenta Rousseff,

Por favor, não ceda! Não deixe que a corrupta direita neoliberal com a ajuda de – não, por instigação de Washington – roube o seu país, que roube o Brasil dos brasileiros, para rasgar e destruir tudo que você e Lula conseguiram nos últimos 14 anos, educação pública e serviços públicos de saúde de boa qualidade, transporte público moderno e eficiente, uma rede básica de segurança social – uma sociedade mais igual.
Durante a última década e meia, vocês conseguiram distribuir os benefícios da riqueza do Brasil para a maioria dos brasileiros, começando a reverter a maré, que antes sempre correu na direção dos oligarcas, dos latifundiários – para o povo, para os que trabalham a terra, que construíram e ainda constroem e sonham com continuar a construir um Brasil para os brasileiros.
A besta agonizante ainda ruge no norte – e não pode tolerar que forças livre e autônomas prosperem no "quintal". Estão inventando novo tipo de golpe – menos sangue, mais fraudes, fraude nas eleições, como na Argentina, e na Venezuela.

No caso do Brasil, é fraude construída dentro do poder legislativo, que comprou e pôs nem posições chaves políticos-escroques, como o vice-presidente Michel Temer e o presidente da Câmara de Deputados Eduardo Cunha, o qual ascendeu miraculosamente (foi 'eleito') à sua atual posição em fevereiro de 2015 – e, isso, em pleno gigantesco escândalo de corrupção chamado "Operação 'Car Wash'", na qual está envolvido com propinas que chegam a dezenas de milhões de dólares supostos da Petrobrás. 
Golpe semelhante de impeachment dentro do Parlamento aconteceu no Paraguai em 2012, quando os mesmos 'agentes' norte-americanos removeram o presidente Fernando Lugo. O padrão repete-se bem claramente.

As acusações e provas contra Eduardo Cunha são desproporcionalmente mais graves que as acusações de 'manipulação de contabilidade administrativa' que Dilma Rousseff teria cometido. Além de não haver qualquer prova nesse caso da presidenta Rousseff, todo mundo faz e sempre fez o mesmo de que, agora, se acusa a presidenta do Brasil. Um dos casos em que aconteceu exatamente a mesma operação foi na criação norte-americana da OTAN na Europa.

Por favor, Dilma, não permita que os oligarcas e latifundiários voltem e recomecem a mandar no Brasil sob direção de Washington. Mr. Temer até já anunciou como, se chegar à presidência, desfará os benefícios sociais e as obras de igualdade que você e seu predecessor mostraram aos brasileiros e os fizeram conhecer e usufruir. Mr. Temer novamente entregará o Brasil aos banqueiros, J.P. Morgan e Goldman Sachs, e, claro, ao FMI – de volta à armadilha da dívida, essa sentença de morte para qualquer país.

Basta ver o que já está acontecendo ao seu vizinho do sul, a Argentina, sob governo do neoliberal – também imposto por Washington –, Mauricio Macri, que está novamente vendendo o país aos czares da dívida, Wall Street, o FED e – claro – o onipresente sempre reinante FMI. Nesse quarto mês de governo em Buenos Aires, Macri já fez a economia Argentina começar a girar para trás – em processo, como dizem muitos, de "atrasamento acelerado" – de volta aos níveis de 2004/2005, com níveis de miséria que ao final de março de 2016 estarão em 34% (em novembro de 2015, esse nível era de 12%). O desemprego e a inflação explodem, depois que Macri extinguiu contratos de mais de 120 mil funcionários públicos, o que serviu de exemplo para que a indústria privada também se pusesse a demitir alucinadamente. E também já ameaçou que há mais a caminho.
No dia da posse, dia 10 de dezembro, como prometera durante a campanha, Macri retirou todos os controles sobre a cotação do peso, o que disparou desvalorização que, em dado momento, chegou perto de 60% (de cerca de 9,4 pesos por dólar-EUA em novembro de 2015, para 15,8 pesos no final de fevereiro de 2016). De lá até hoje aconteceu uma pequena recuperação, com cotações que hoje chegam a 14 pesos/dólar (desvalorização de 30%, a partir dos números de antes de 10/12). Decorre daí inflação descomunal, que já empurrou vasto segmento de argentinos para a miséria. E está só começando.

O Advogado-geral do Brasil, Eduardo Cardozo, declarou que é ilegal todo o processo de impeachment contra você, presidenta Rousseff. Disse que o Brasil enfrenta uma tentativa de golpe de Estado.

O que se vê desenrolar-se no Brasil é ato de delinquência de um tipo que praticamente jamais se viu acontecer no mundo. Os golpistas brasileiros, fantoches dos 'mestres' em Washington, não passam de escroques conhecidos, todos com processos por corrupção atados ao pescoço. Pois e mesmo assim continuam, claro que amparados no completo apoio político que lhes dão os escroques chefes que vivem dentro e em torno da Casa Branca em Washington. O mundo apenas assiste, em silêncio. 

Os seis gigantes da mídia-empresa anglo-saxônica ocidental que literalmente controlam 90% de todo o 'noticiário' que o ocidente consome, já providenciaram para que nenhum veículo, jornal ou TV, atreva-se a questionar o golpe flagrantemente ilegal e antidemocrático de que os brasileiros estão sendo vítimas. – Não fosse a fraude tão horrenda assacada contra o povo brasileiro, seria novelão político cômico, de ridículo jamais visto.

Você, Dilma, e Lula, libertaram o Brasil da colonização ocidental – mantida por ditaduras militares apoiadas pelos EUA durante o século passado. Não deixe que tudo isso se perca. Defenda o seu mandato, pela força, se tiver de ser. 
Uno-me aqui ao meu amigo Andre Vltchek, quando diz que você use o que tiver de usar, músculos e força, se for necessário, para derrotar esse golpe de neo-oligarcas e latifundiários, e proteja os brasileiros, para que não sejam novamente massacrados pelo fascismo econômico neoliberal.

Expulse do país toda a mídia-empresa ocidental. Isso nada tem a ver com censurar a 'livre expressão' –, e é evidentemente deter a máquina de propaganda e mentiras contra o seu governo e contra as realizações do povo brasileiro. Impeça que prossiga a manipulação do pensamento dos brasileiros pelos sistemas prostitutos da 'comunicação' ocidental. Já praticamente não há no mundo quem não saiba que a chamada "mídia de informação" nada mais tem a ver com a antiga defesa do "direito à livre manifestação do pensamento" e do "livre discurso" como virtude essencial da democracia.

Aquela democracia ensinada pelos filósofos em Delfos, na Grécia, há 2.500 anos, já não existe. Foi sequestrada há muito tempo, gradualmente, quase imperceptivelmente, por Washington e seus aliados e vassalos. O que há hoje é uma muralha de propaganda; palavras a serem manipuladas para acomodar qualquer crença. E "as pessoas em geral" ainda engolem esse engodo, como se fosse "democracia".

Ponha os tanques na rua, cerque com eles o Palácio do Planalto – de modo algum para provocar qualquer violência, mas para mostrar que a presidenta do Brasil tem poder, meios e coragem para proteger o povo que a elegeu e o país, contra o assalto de neofascistas e – sobretudo – contra os interesses de Washington, que está por trás desse inacreditável espetáculo de, literalmente, comandar e dirigir uma gangue de escroques – são criminosos! – para que tomem o Brasil e suas riquezas, como 'procuradores' de interesses dos EUA. – E, claro, para quebrar em pedaços o bloco dos países BRICS que, junto com a Organização de Cooperação de Xangai (OCX) e a União Econômica Eurasiana (UEE), já ameaçam seriamente o grande sistema de economia de cassino baseado no dólar.

O Brasil também é rico em recursos naturais, como a Argentina também é, e Peru, Venezuela, Bolívia, Equador – toda a América Latina é rica de recursos que o ocidente cobiça para manter a opulência do seu padrão de vida e alimentar sua máquina de guerra –, quase o único fator gerador de PIB, além do consumo, claro; aquele círculo infernal de conflitos armados pelo mundo e de consumo que está destruindo o planeta.

Amazonas e Aquífero Guarani

Mas qual o específico recurso que há no Brasil, como um dos maiores reservatórios do mundo? Água. Água fresca e limpa. Água que depende de purificação relativamente simples para ser perfeitamente potável. Toda a Bacia Amazônica, quase metade da superfície do país, é coberta por redes praticamente sem fim de rios. A FAO estima que cerca de 12% de toda a água de superfície do mundo está em território brasileiro. Chega a cerca de 8,2 bilhões de metros cúbicos por ano, de água renovável, dos quais 6,3 metros cúbicos por ano nascem no Brasil. Equivale a disponibilidade de água per capita de mais de 43 mil m3/ano (a média mundial é de cerca de 8.200 m3/ano). – Como se não bastasse, o Brasil conta também com 112 mil km3 de água de subsolo, de boa qualidade e renovável.

Outra reserva de água fresca de subsolo da qual poucos sabem e praticamente ninguém fala é o Aquífero Guarani, que recebeu o nome do povo guarani. Cobre 1,2 milhão de km2, sob terras de Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai. O volume de água estimado é de 37 mil km3, que supera em muito a quantidade de água de superfície do Brasil. Pode-se dizer que o maior corpo contínuo de água subterrânea do mundo, com recarga anual estimada de 170 km3 (a Grande Bacia Artesiana na Austrália, que cobre cerca de 23% da superfície do continente, tem cerca de 65 mil km3de água fresca, mas divididos em vários depósitos separados e é sujeito a secas cíclicas).

Esses reservatórios gigantes de água têm valor inestimável. Excede hoje o valor de todos os depósitos mundiais conhecidos de petróleo. Em menos de 20 anos, a Terra já estará sofrendo falta aguda de água. Algumas áreas já sofrem há anos de falta de água, e essas dificuldades já se espalham gradualmente para outras áreas do mundo.

Não porque a água estaria sumindo dos ecossistemas mundiais, não, não, de modo algum. O total de água na Mãe Terra é constante. O problema é que essa água está cada dia mais contaminada pelo consumo e pela indústria humana movida a ganância. As grandes potências, responsáveis pela mais grave e mais ampla poluição dos recursos, sabem de tudo isso. 
Por isso tentam desesperadamente apropriar-se da água pura que ainda haja no planeta, para dar de beber às próprias elites, enquanto "Nós, o Povo", morremos de sede e de fome por falta de água para cultivar alimentos.

Não surpreende portanto que os Estados Unidos do Caos e da Ganância tenham interesse vital, mas secreto, nesses recursos de água, sobretudo os que se escondem nas entranhas da terra do seu "quintal sul". Basta reformatar a frase infame de Henry Kissinger sobre controlar o mundo: quem controla a água, controla o universo.
Prezada Dilma – por favor não ceda! – Não deixe que a elite neofascista, comandada pelo império do norte tome e ocupe seu país, o país dos brasileiros, e seus inestimáveis recursos – especialmente essa linha de sobrevivência para toda a humanidade: a água. ** 
 28/4/2016, Peter Koenig,* Global Research   
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 * Peter Koenig é economista e analista de geopolítica. Foi economista do Banco Mundial e trabalhou em vários países sempre dedicado a estudos do meio ambiente e recursos hídricos. Escreve regularmente para Global Research, ICH, RT, Sputnik, PressTV, CounterPunch, TeleSur, The Vineyard of The Saker Blog e outros sítios na internet.É autor de Implosion – An Economic Thriller about War, Environmental Destruction and Corporate Greed – ficção baseada em eventos dos seus 30 anos de experiência no Banco Central pelo mundo. TAmbém é co-autor de The World Order and Revolution! – Essays from the Resistance.