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sexta-feira, 12 de maio de 2023

MP encontrou R$ 477 mil de depósitos de dinheiro vivo “sem origem” a Carlos Bolsonaro e Cristina Valle


 

Ao ver os indícios levantados pelo MP-RJ, juiz detectou indícios de "lavagem de dinheiro" feitos por Carlos Bolsonaro 



O vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ). Foto: Geraldo Magela/Agência Senado


O filho 02 e a ex-esposa de Jair Bolsonaro, vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) e Ana Cristina Siqueira Valle, receberam quase R$ 477 mil em dinheiro vivo, sem origem identificada, desde 2005.

Os calhamaços de notas foram enviados em depósitos em suas contas bancárias. Carlos Bolsonaro recebeu pouco mais de R$ 90 mil, em sete depósitos, entre 2008 e 2015, sem origem definida. E Cristina, mais R$ 385 mil em 177 depósitos, entre 2005 e 2021.

Investigação do MP do Rio

Os dados constam em laudo do Laboratório de Tecnologia de Combate à Lavagem de Dinheiro e à Corrupção do MP do Rio (Ministério Público do RJ), divulgados pela repórter Juliana Dal Piva, que no ano passado lançou o livro “O Negócio do Jair”, que traça o grande esquema de corrupção na trajetória política da família Bolsonaro.

Os dados do MP-RJ trazidos à tona agora mostram, também, que a ex-esposa de Jair Bolsonaro recebeu R$ 34,2 mil diretamente de Jair Bolsonaro, em 3 depósitos, entre os anos de 2012 e 2014. Até o ano de 2008, Cristina trabalhou como chefe de gabinete de Carlos Bolsonaro, sem comparecer ao trabalho, como funcionária fantasma.

Juiz detectou lavagem de dinheiro

Em maio de 2021, o juiz Marcello Rubioli, da 1ª Vara Criminal Especializada do TJ-RJ (Tribunal de Justiça do Rio), entendeu haver “indícios rotundos de atividade criminosa em regime organizado” no gabinete de Carlos Bolsonaro, sendo ele visto “diretamente como o chefe da organização”.

Os investigadores consideram suspeitos os depósitos sem origem identificada e enviados em frações de dinheiro vivo. Para o juiz Rubioli, há “fortes indícios de prática de crime de lavagem de capitais”.

Leia mais:

terça-feira, 18 de janeiro de 2022

Software espião Darkmatter negociado pelo Gabinete do Ódio bolsobnarista é usado por ditaduras

 

Software foi usado por ditaduras para monitorar jornalistas, políticos e defensores de Direitos Humanos durante a Primavera Árabe

www.brasil247.com - Carlos Bolsonaro

Carlos Bolsonaro (Foto: Reprodução)

Revista Fórum - O software espião Darkmatter, negociado por integrante do chamado Gabinete do Ódio – que seria coordenado por Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) – durante viagem da comitiva presidencial a Dubai, no ano passado, foi usado por ditaduras em regimes saudistas e nos Emirados Árabes para monitorar e silenciar opositores.

O software foi desenvolvido para monitorar esses grupos, além de políticos, jornalistas e defensores de Direitos Humanos.

A ditadura saudita, que mantém estreitas relações com o clã Bolsonaro, seria uma das que utilizaram a ferramenta. Em 2020, a jornalista da Al-Jazeera, Ghada Oueis, processou os ditadores Mohammed bin Salman (Arábia Saudita) e Mohammed bin Zayed (Abu Dhabi) e a empresa de software por invasão de seu celular.

Leia a íntegra na Fórum.

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quinta-feira, 22 de outubro de 2020

GGN: Quando a política de vacinas do país é definida por Carluxo, filho de Bolsonaro, em meio à pandemia que já matou mais de 150 mil pessoas no Brasil

 

Em vez da ciência, pesaram as hordas de direita e o filho do presidente. E mais: China confirma que sua vacina será global

Por Maíra Mathias e Raquel Torres

Do Outras Palavras

PILHADO PELAS REDES E POR CARLUXO

Jair Bolsonaro foi informado no final de semana que o Ministério da Saúde iria assinar um acordo para comprar 46 milhões de doses da CoronaVac. Apurações de veículos diferentes dão conta de que o presidente não se opôs inicialmente. As redes sociais e seu filho o fizeram mudar de ideia.

Depois do anúncio feito por Eduardo Pazuello de que a vacina desenvolvida pela empresa chinesa Sinovac com o Instituto Butantan seria a “vacina do Brasil”, houve barulho entre os bolsonaristas – principalmente de cunho xenófobo. Antenado, Carlos Bolsonaro advertiu o pai que os influenciadores de extrema direita estavam massacrando o acordo e passou a advogar contra.

Além disso, incomodou uma postagem feita no Twitter pelo governador de São Paulo, João Doria (PSDB). “Venceu o Brasil”, escreveu o tucano, salpicando na mensagem um emoji do sinal da cruz. Segundo auxiliares do presidente ouvidos pelo Valor, Bolsonaro se irritou com a tentativa de Doria “faturar” com a notícia.

É do governador do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB), o mais conciso comentário sobre a atitude de Bolsonaro: “Impossível o presidente não ter sido informado antes. Acho que foi pilhado pela rede social”, disse ao blog de Tales Faria.

De acordo com a Folha, na própria terça-feira o presidente telefonou para o ministro da Saúde informando que se posicionaria contra o anúncio de compra da CoronaVac feito horas antes. Nos bastidores, o acerto entre o governo federal e o Butantan tinha sido formalizado ainda na segunda-feira, quando a pasta enviou um ofício ao instituto de pesquisas. Pazuello chegou a avisar um representante do governo paulista ontem de manhã, pouco antes da tempestade de Bolsonaro no Twitter. Mas disse apenas que a compra de doses seria menor do que a anunciada no dia anterior.

Também segundo múltiplas apurações, o general se surpreendeu com a virulência do presidente, que não hesitou em jogá-lo na fogueira virtual mentindo que o acordo tinha sido “TRAIÇÃO”. Teria ficado “chateado”.

Depois da publicação dos tuítes, Bolsonaro e Pazuello se falaram por telefone para combinar os fatos alternativos que apresentariam ao respeitável público deste circo que chamamos de Brasil. Resolveu-se jogar toda a culpa no adversário político. “Houve uma distorção por parte do senhor João Doria no tocante ao que ele falou. Ele [Pazuello] tem um protocolo de intenções, já mandei cancelar, se ele assinou”, declarou Bolsonaro à imprensa em uma visita a um centro de pesquisas da Marinha. “O presidente sou eu”, arrematou, numa frase que lembra outra, que resumiu o absolutismo de séculos atrás. Num outro sinal de pouco apreço ao caráter republicano, Bolsonaro teria enviado a ministros uma mensagem ordenando que, a partir de agora, sua equipe não tratará sobre iniciativas de imunização com o governador paulista.

De sua parte, o Ministério da Saúde cumpriu o script combinado. O tuíte que divulgava o anúncio foi apagado do perfil da pasta. Depois, uma nota ministerial negou o acerto para a compra da CoronaVac. Dizia que o protocolo foi firmado com o Butantan por ele ser “grande parceiro do ministério na produção de vacinas para o Programa Nacional de Imunizações”, tirando a situação do contexto e dando a entender tratar-se de um acordo mais amplo. Por fim, em coletiva de imprensa, o número dois da pasta, Élcio Franco, afirmou que “houve interpretação equivocada” da fala de Pazuello “sobre a compra de doses da CoronaVac”.

Não surpreende que, pouco depois, toda a imprensa tenha tido acesso ao ofício assinado por Pazuello e dirigido ao diretor-geral do Butantan, Dimas Covas, que confirma a intenção de adquirir 46 milhões de doses, ao custo de US$ 10,30 cada, caso a vacina recebesse registro da Anvisa.

Aliás, esse valor por dose é mais um elemento que sinaliza que Bolsonaro não foi pego de surpresa pelo anúncio do acordo. Na segunda-feira, o presidente chegou a comentar que achava a vacina cara. O UOL lembra, porém, que o preço negociado por São Paulo com a Sinovac é muitíssimo mais baixo, de US$ 1,5 por unidade (60 milhões de doses a um custo de US$ 90 milhões).

Ontem, Bolsonaro voltou à carga, aprofundando a desqualificação da tecnologia e dando eco à xenofobia de seus apoiadores: “Nada será despendido agora para comprarmos uma vacina chinesa, que desconheço, mas parece que nenhum país do mundo está interessado nela.” No Twitter, o presidente já havia caracterizado o imunizante como “a vacina chinesa de Doria” e dito que “o povo brasileiro NÃO SERÁ COBAIA DE NINGUÉM”.

REAÇÕES

O principal parceiro comercial do Brasil adotou um tom de cautela diante da nova crise. “A China cumprirá o seu compromisso de tornar as vacinas chinesas um bem público global depois de se concluírem as devidas pesquisas e aprovações”, diz a embaixada em comunicado, que continua: “Qualquer vacina, quando tiver sua segurança e eficácia comprovada, será valiosa para proteger as populações do mundo, incluindo a do Brasil”.

O porta-voz da diplomacia chinesa no Brasil, Qu Yuhui, seguiu nesse tom: “Cremos que o governo brasileiro tem todas as condições para definir o que é melhor para o seu próprio país, para o próprio povo. Não queremos nos meter”, disse à Coluna do Estadão.

Os secretários estaduais de saúde fizeram uma observação bastante interessante à Folha: segundo eles, não faz sentido Bolsonaro criticar a vacina por ser chinesa, uma vez que “a maior parte dos insumos para todas as vacinas já provêm da China”.

E o conselho que reúne esses gestores – o Conass – e vinha pressionando para que o Ministério da Saúde incorporasse a CoronaVac ao Programa Nacional de Imunizações (PNI) se posicionou ontem: “Seja qual for a vacina, independentemente da sua origem ou nacionalidade, o interesse público sobre o assunto diz respeito à sua eficácia e segurança para todos os usuários do SUS”. Nesse sentido, o conselho segue defendendo que todas as vacinas que tiverem estudos concluídos e forem aprovadas pela Anvisa sejam incluídas no PNI.

Nos bastidores, os secretários e os governadores classificam o episódio como “inacreditável”, segundo a coluna Painel. Alguns deles se posicionaram nas redes sociais. E o espectro é amplo, indo do tucano Eduardo Leite (Rio Grande do Sul), que defendeu que a decisão sobre inclusão deve ser “eminentemente técnica, e não política”, a opositores como Flávio Dino (Maranhão), que prometeu articular reação no Congresso Nacional e no Judiciário para que a população tenha acesso a todas as vacinas eficazes e seguras. Dino, aliás, chegou a dizer que estuda comprar doses do Butantan. Todos saíram em defesa de Pazuello.

Ontem, João Doria rebateu no Senado as declarações de Bolsonaro. Repetiu que a vacina do Butantan é “a vacina do Brasil” e afirmou que “se os ministros não têm condições de defenderem suas posições” seria melhor “fechar ministérios”. “Se a cada ministro a emitir sua opinião ele estará desautorizado pelo presidente da República, para que ter ministros, para que ter ministérios?“, questionou. Rodrigo Maia tinha um encontro marcado com o governador paulista. Cancelou alegando indisposição… Doria foi recebido na Anvisa, onde teve reunião de quase duas horas com o diretor-presidente da agência, o almirante Antônio Barra Torres.

Ainda no campo das reações, o Tribunal de Contas da União (TCU) cobrou que o ministério publique na internet, em no máximo 15 dias, o estado da arte de cada tratativa envolvendo o PNI. A Rede Sustentabilidade foi a Supremo com uma ação para obrigar Bolsonaro a assinar o protocolo de intenções para a compra da CoronaVac. A ação diz que há “violação aos princípios da eficiência e da impessoalidade, ao se podar uma política pública por motivações ideológicas estritamente vazias”. O partido também alega que o presidente atuou para “privar a população brasileira de uma possibilidade de prevenção da covid-19. Já o deputado Alexandre Padilha (PT-SP) protocolou um pedido de convocação de Pazuello para que ele explique as diferentes versões apresentadas pelo governo federal sobre a compra de vacinas.

NEGACIONISMO UTILITÁRIO

Além das bravatas contra Doria, do jogo de cena com Pazuello e do pinote diplomático na China, chamou muita atenção a guinada retórica de Jair Bolsonaro sobre a ciência. “A vacina precisa de comprovação científica para ser usada, não é como a hidroxicloroquina”, mentiu o presidente ontem.

O uso da hidroxicloroquina no tratamento da covid-19 não é eficaz, segundo os maiores estudos publicados nas mais respeitadas revistas científicas. Essas pesquisas – como a brasileira, coordenada pelo Hospital Albert Einstein – demonstram a droga tem efeitos colaterais, como aumento do risco de arritmia cardíaca e lesões no fígado. Está longe de ser um tratamento para o coronavírus, muito menos preventivo. A aposta do governo federal no remédio primeiro afetou os portadores de doenças como lúpus que, de fato, precisam do medicamento e tiveram de lidar com as consequências da corrida às farmácias que zerou estoques em alguns locais e, depois, afetou toda a população, já que o dinheiro investido em hidroxicloroquina poderia ter sido usado para outros fins.

Ontem, Bolsonaro distorceu os fatos quando afirmou que “não se justifica um bilionário aporte financeiro num medicamento que sequer ultrapassou sua fase de testagem”. Não é segredo que o governo federal já destinou recursos tanto para o acordo com a AstraZeneca, que patenteou a vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford – R$ 1,8 bilhão –, quanto para a Covax, iniciativa internacional que garantirá ao país doses de um futuro imunizante. Nenhuma vacina ultrapassou a fase dos testes clínicos.

Mas as falas do presidente apontam a necessidade de se qualificar melhor o selo de negacionista que colamos a ele. A crise da CoronaVac mostra que Bolsonaro defenderá qualquer coisa que seja favorável aos seus interesses políticos – inclusive a “comprovação científica”. Está claro que ele despreza a ciência, mas seu negacionismo tem um viés utilitário muitíssimo acentuado. O fenômeno contemporâneo da negação da ciência, mais identificado com um sentido ideológico ou religioso, não parece dar conta da estratégia do político de extrema direita.

PAZUELLO COM COVID

Eduardo Pazuello divulgou diagnóstico clínico de covid-19 ontem. O ministro da Saúde já havia relatado mal estar a auxiliares na segunda-feira – e esta seria a razão para que ele não tenha comparecido ao evento anticientífico de propaganda do vermífugo nitazoxanida realizado no Palácio do Planalto.

O Ministério da Saúde informou que o general foi submetido na terça a exames clínicos e fez o teste PCR, que ainda não tinha resultado. Pazuello é o 12º ministro, num universo de 23, a ser diagnosticado com a covid. Ele cancelou todos os compromissos, e aproveitou o ensejo para não se manifestar sobre a crise da CoronaVac.

Fontes ouvidas pelo Globo relatam que o ministro acredita ser possível “colocar panos quentes” na polêmica para conseguir efetuar a aquisição da vacina chinesa no futuro.

MENOS TESTES

O Brasil nunca fez exames de covid-19 em número suficiente, mas já começou a reduzir sua testagem. Em setembro, foram 11,5% a menos do que em agosto, considerando os do tipo PCR – que são os que permitem detectar casos ativos. Também diminuiu o número de testes enviados pela União a estados e municípios e, nesse caso, a diferença entre os dois meses é enorme: uma queda de 35%.

A redução faz sentido quando é motivada pela diminuição do número de infectados. Porém, a taxa de positividade (ou seja, a proporção dos testes feitos que dão resultado positivo) ainda é muito alta: na semana de 27 de setembro a 3 de outubro, ficou em 18% e, duas semanas antes, estava em 20%. Marcio Bittencourt, pesquisador da USP, diz que essa taxa indica uma necessidade maior de testagem, e não menor: “Nova Iorque tem 2%, grande parte da Europa tem 1%. Quando está muito ruim, eles têm 10%. Com 20%, isso indica uma quantidade muito grande de casos circulando e não testados“, alerta.

Em tempo: um relatório do TCU divulgado ontem aponta falhas do Ministério da Saúde na pandemia. Foram encontrados problemas na política de testagem, na descentralização dos recursos e nas estruturas de governança criadas para combater a crise. Segundo os auditores, a pasta não elaborou um plano ação respondendo a determinações apontadas pelo próprio tribunal há três meses. “Admite-se que, em um primeiro momento, o cenário era de imprevisibilidade, o que impossibilitava a definição cirúrgica das ações a serem implementadas. No entanto, decorridos mais de oito meses da declaração de Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional, (…) era de se esperar, a esta altura, uma definição dos objetivos e ações em nível macro correspondentes ao valor alocado e, com uma maior assimilação do cenário, o detalhamento das atividades ou dos projetos a serem desenvolvidos”, diz o documento enviado pelos técnicos da área da saúde do tribunal.

ERA DO GRUPO DE CONTROLE

Um brasileiro de 28 anos que participava dos testes da vacina de Oxford/AstraZeneca morreu. Quem soltou a informação primeiro foi O Globo – o que foi seguido por incontáveis republicações em outros veículos e nas redes sociais. Não havia então detalhes importantes: a causa da morte, se o voluntário havia recebido o imunizante contra o novo coronavírus ou se estava no grupo de controle (nesse ensaio, o placebo não é uma substância inerte, mas a vacina contra meningite). A Anvisa disse ter sido formalmente notificada sobre o óbito no dia 19, e que o comitê independente que acompanha o caso sugeriu o prosseguimento do estudo.

Se houvesse razões para crer que a vacina havia provocado a morte, ele seria pausado. A continuidade, então, sugeria duas possibilidades: ou o voluntário fazia parte do grupo controle, ou havia tomado a vacina mas a morte não tinha relação com isso. Pouco depois, o mesmo jornal publicou que o rapaz havia morrido por covid-19. Quanto ao braço da pesquisa de que o voluntário fazia parte, não era possível saber isso oficialmente: o estudo é desenhado de modo que os participantes não saibam se tomaram a vacina ou placebo, e essa informação é sigilosa. Porém, cerca de uma hora depois que a notícia sobre o óbito saiu, a Bloomberg disse que, segundo “uma pessoa a par do assunto”, o homem tomara placebo. Uma nova reportagem d’O Globo disse o mesmo: “uma pessoa ligada ao estudo clínico” afirmou que o voluntário não recebeu a vacina.

Não está claro quem vazou essa informação, mas foi imediato o benefício para a AstraZeneca, que tinha visto suas ações despencarem. Com as novas informações, elas voltaram a subir.

É preciso pontuar que, mesmo que o homem tivesse tomado a vacina, uma coisa seria certa: a morte foi por covid-19, então não poderia ter sido decorrente de um efeito colateral do imunizante. Sabemos que a AstraZeneca busca uma eficiência de 50% (um percentual semelhante à meta de outras empresas), o que significa que, se metade dos que tomaram a vacina se infectarem, isso já será considerado um resultado de sucesso. Além do mais, ainda não sabemos se a vacina tem essa eficácia – é para isso que os ensaios são feitos, afinal. Portanto, não é impossível que alguém que tomou a vacina se contamine e, eventualmente, tenha complicações, ou mesmo que morra. Esse seria um resultado indesejado, mas não inesperado, e não indicaria falha na segurança.

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quinta-feira, 24 de setembro de 2020

GGN: Inquérito das rachadinhas contra Flávio se aproxima de Jair Bolsonaro

 

Ex-funcionário de Flávio, coronel da reserva que prestou serviço junto com o presidente na Academia Militar das Agulhas Negras, comprou terreno de Jair Bolsonaro com dinheiro vivo, em 2008


Jornal GGN – Quanto mais os investigadores apuram o inquérito das rachadinhas, que coloca entre os alvos o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos), mais se aproximam de conexões com o próprio presidente, Jair Bolsonaro.

Entre os indícios encontrados mais recentemente, Guilherme dos Santos Hudson, ex-funcionário do gabinete de Flávio, quando ele era deputado estadual da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), chegou a comprar, em 2008, um terreno do próprio presidente Jair Bolsonaro.

O terreno localiza-se em Resende, no Rio, e foi adquirido pelo ex-assessor de Flávio Bolsonaro pela quantia de R$ 38 mil, pago pelo então funcionário em dinheiro vivo. Os vendedores eram Jair Bolsonaro, então deputado federal, e sua ex-esposa, Ana Cristina Siqueira Valle.

Em outra das coincidências, Hudson, que é coronel da reserva, é casado com a tia da ex-esposa de Bolsonaro. Ainda, o ex-assessor de Flávio serviu junto com o presidente na Academia Militar das Agulhas Negras, nos anos 70. O que os investigadores levantaram suspeitas é que o imóvel foi vendido supostamente pelo mesmo valor que foi comprado, cinco anos antes. Ainda, o valor de uma propriedade similar custa cerca de R$ 430 mil a R$ 480 mil.

Hudson ainda é apontado pelo MP-RJ de ter sacado R$ 15 mil em dois meses, há dois anos, quando Bolsonaro disputava a Presidência da República e Flávio tinha Hudson trabalhando em seu gabinete. Segundo o MP, ele atuava no repasse do esquema das rachadinhas.

O caso envolvendo o coronel também chega a seus familiares. Outra das investigações da rachadinha, envolvendo o irmão Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), mira, segundo o Estadão, em um filho e duas noras do coronel da reserva.

quarta-feira, 27 de maio de 2020

A PF, por ordem do STF, está na casa de Allan dos Santos, líder do gabinete do ódio e íntimíssimo de Eduardo e Carlos Bolsonaro


A Polícia Federal está na casa do blogueiro Allan dos Santos e em outros endereços para cumprir ordens de busca e apreensão do inquérito que investigação a disseminação de fake news a favor de Jair Bolsonaro

Allan dos Santos

Allan dos Santos (Foto: Alessandro Dantas)
247 - A Polícia Federal está na casa do blogueiro Allan dos Santos, em brasília (DF), e em outros endereços para cumprir ordens de busca e apreensão do inquérito que investigação a disseminação de fake news a favor de Jair Bolsonaro. São 29 mandados de busca e apreensão no processo presidido pelo ministro Alexandre de Moraes.
Vale ressaltar que a corporação já havia identificado o vereador Carlos Bolsonaro como um dos articuladores do esquema de fake news. 
A disseminação das fake news voltaram a ganhar destaque no noticiário nacional em 2018, com a eleição de Bolsonaro. Naquele ano, houve uma campanha ilegal contra o então presidenciável Fernando Haddad (PT) com base na divulgação de fake-news (notícias falsas) no WhatsApp para prejudicá-lo. 
Conforme denunciou uma reportagem do jornal Folha de S. Paulo. A matéria apontou, ainda, que cada contrato chega a R$ 12 milhões e, entre as empresas compradoras, está a Havan. 
Participe da campanha de assinaturas solidárias do Brasil 247. Saiba mais.

quinta-feira, 7 de maio de 2020

Precisamos falar sobre o “gabinete do ódio” dos fascistas, por Roberto De Martin




Nesse contexto, é ingenuidade não notar que uma das consequências da saída de Sergio Moro do governo Bolsonaro foi a radicalização no discurso dos que seguem apoiando o presidente da República. Também é ingenuidade acreditar que tal radicalização é sinal de enfraquecimento de Bolsonaro, principalmente quando por trás existe um cálculo “work in progress” de irracionalidades.

Do Jornal GGN:

Precisamos falar sobre o “gabinete do ódio”

por Roberto De Martin

Por sugestão de um amigo muito inteligente, tenho acompanhado o Twitter de influenciadores digitais bolsonaristas. O desdém com que a esquerda trata a turma que atualmente está no poder é necessário, mas não deve ser aplicado se acompanhado de um distanciamento excessivo, que, em vez de aprimorar o ponto de vista crítico, aliena-o do objeto visado, como se tudo se resumisse a “robôs que derrotaram o Haddad”.

Não. Existe uma potente produção de informações que, na prática, alcança resultados de engajamento popular sonhados por qualquer marketeiro político. Chamado de “gabinete do ódio”, prefiro nomeá-lo, aqui, “gabinete do conflito”. Se há uma notícia negativa sobre o presidente, lá está o “gabinete do conflito” para contrapor a informação e recriar a narrativa com memes, prints e textos, sem fonte detectável, que mostram “o complô dos bandidos contra o presidente”.

Nesse contexto, é ingenuidade não notar que uma das consequências da saída de Sergio Moro do governo Bolsonaro foi a radicalização no discurso dos que seguem apoiando o presidente da República. Também é ingenuidade acreditar que tal radicalização é sinal de enfraquecimento de Bolsonaro, principalmente quando por trás existe um cálculo “work in progress” de irracionalidades.

Não que a saída do ex-ministro da Justiça estivesse planejada pelo “gabinete do conflito”, como num roteiro pré-definido. Longe disso, aliás. Mas o conflito da demissão foi e está sendo usado pela rede organizada de apoiadores do presidente como trampolim para um chamamento aos “genuínos bolsonaristas”. Não sem motivo uma das hashtags ‘levantadas’ na última semana no Twitter dizia #DireitaRaizEBolsonaro, como se a raiz da direita encontrasse a verdadeira representação em Jair Messias, o traído pelo incorruptível.
Tudo o que acontece no cenário político em torno do chefe do Executivo é incorporado, como um organismo vivo em constante mutação, a uma narrativa iniciada lá atrás, talvez quando Dilma ainda era presidente, e que vem sendo construída e atualizada pela rede virtual bolsonarista de acordo com o desenrolar dos episódios da política brasileira.
Importante observar, portanto, sem a intenção de detalhar porcentagens de apoio ou de rejeição, que parte da população brasileira vive, atualmente, subordinada a uma crença cada vez mais fortalecida, radicalizada, de que o pai do zero quatro luta, sim, contra o establishment, à revelia do Maia “Botafogo”, do Toffoli “sei lá das quantas”, da “ameaça comunista” e do, agora, Moro “traíra”.
“Querem derrubá-lo porque está tentando combater toda essa podridão”, dizem, genericamente, as vozes em defesa do “tão combatido” Mito, repercutindo o “gabinete do conflito” e acusando de conspiração Globo e toda a imprensa corporativista, poder Legislativo, STF, Lula, petistas, peessedebistas, comunistas, o haitiano, enfim, todos aqueles que negam a movediça cartilha bolsonarista.
Capturados por essas crenças-raiz, os “genuínos bolsonaristas” encontram nas imagens, memes e vídeos que recebem pelos grupos de whatsapp coerência de sobra para a sustentação de um enredo, que, “contra tudo e contra todos”, reforça a imagem do Bolsonaro outsider, o único capaz de dar jeito “na podridão que toma conta de Brasília”. Seja qual for a acusação contra o presidente, a militância sempre terá um desmentido, produzido pelo “gabinete do conflito” como forma de “restabelecer a verdade sobre o complô que tenta derrubar o Messias”.
E nessa guerra de narrativa vale lançar mão de muita coisa. Desde foto “suspeita” de uma mulher segurando um caixão com apenas dois dedos, a vídeos “espontâneos” de um “cidadão de bem” que “flagra” covas rasas sendo cavadas para que, “provavelmente”, caixões sejam enterrados vazios, revelando para o mundo, graças à internet e ao Bolsonaro, “a farsa do coronavírus”.
“Não chequei a fonte, mas que é impossível uma mulher segurar daquele jeito um caixão com um cadáver dentro, é”, disse um amigo bolsonarista, imbuído da certeza de que não ter a “Globo lixo” ou outro veículo para contrapor a versão não é sinal de que a notícia é falsa, e sim de que a informação é tão verdadeira que a “extrema imprensa vendida” não a divulgaria jamais.
Por essa mesma lógica bolsonarista, a lógica do conflito organizado, faz sentido criar um estranhamento na suposta perda de interesse da mídia em relação ao coronavírus, como afirmado na semana passada. De acordo com tal pensamento, o destaque midiático às acusações de Moro contra o Mito provaria que os meios de comunicação, mais do que preocupados com as vidas perdidas em decorrência da covid-19, estariam focados na derrubada do presidente do Brasil.
Ou seja, a partir dessa percepção, alimentada pelo “gabinete do conflito” e absorvida pela massa bolsonarista, o embate entre Moro e Bolsonaro não traz acusações graves contra o Jair, senão apenas mais ataques infundados contra o Messias. Afinal, para “comprovar” a preocupação com a pandemia, os que apontam falhas na forma como o Mito conduz a crise deveriam continuar a falar somente da desgraça que representa mais de sete mil mortos, ignorando que possíveis crimes cometidos por Bolsonaro tenham vindo à tona pelas mãos do ex-incorruptível Sergio Moro, hoje, Judas.
Resta-nos, agora, acompanhar como será desenvolvida a narrativa para combater as “inverdades” a respeito do “transparente” acordo que vem sendo costurado entre o governo federal e o centrão. Ou, para ficarmos no linguajar bolsonarista, entre os representantes da nova e os da velha política, esses últimos tão destratados até aqui pelos influencers do Messias. Esperemos o próximo turning point bolsonarista.
Roberto De Martin é ator e jornalista.

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domingo, 3 de maio de 2020

STF pode dar “choque” em duas patologias: os delírios autoritários e posicionamentos imbecis de Bolsonaro e a apatia da sociedade



De processos que estão nas mãos de Celso de Mello e Alexandre Moraes podem advir alterações extensas e profundas na atual configuração política
Jornal GGN – Jânio de Freitas assina na Folha de S. Paulo deste domingo (3) um artigo avaliando que está nas mãos de dois ministros do Supremo Tribunal Federal o futuro político do País. São eles Celso de Mello e Alexandre de Moraes, que relatam inquéritos que podem abalar de vez o governo Bolsonaro.
Celso de Mello autorizou a investigação sobre as acusações de Sergio Moro contra o ex-chefe. Já Moraes toca os inquéritos das fake news – que pode atingir Carlos Bolsonaro – e das manifestações bolsonaristas e inconstitucionais pelo fechamento do Congresso e do STF.
Segundo Jânio, são esses dois ministros que podem dar um “choque” na “dupla patologia” que ele enxerga hoje no País. De um lado, o desarranjo mental de Bolsonaro e, de outro, uma apatia absurda das instituições frente aos desatinos do presidente.
“Na mesma medida em que Bolsonaro avança no desvario, os níveis institucionais e os segmentos sociais menos desinformados arrefecem seu pasmo e suas inquietações com as atitudes tresloucadas de Bolsonaro. Passam a ser recebidas quase com naturalidade, satisfazendo-se os zeladores das instituições com a emissão de notinhas e declarações em três linhas, anódinas na intenção e no efeito. Deveriam vir de carimbos, para poupar trabalho inútil”, cravou Jânio.
Para o jornalista, dos processos que estão no STF, “podem advir alterações extensas e profundas na atual configuração política.”
“Bolsonaro tem gostado de se proclamar chefe supremo. O Supremo que está com as chaves do poder é outro, e se escreve com maiúscula”, finalizou.

domingo, 26 de abril de 2020

Novo chefe da Polícia Federal, Ramagem é íntimo de Carlos Bolsonaro e foi posto no cargo para protegê-lo das investigações



O deputado federal Marcelo Freixo comentou a relação promíscua e disse que está com uma ação judicial pronta para contestar a nomeação
Jornal GGN – Alexandre Ramagem, escolhido por Jair Bolsonaro para substituir Maurício Valeixo no comando da Polícia Federal, é amigo pessoal do filho Carlos Bolsonaro, implicado no inquérito das fake news. A informação sobre a investigação e a foto que atesta a intimidade foram divulgadas na tarde deste sábado (25) pela Folha de S. Paulo.
O deputado federal Marcelo Freixo (PSOL) comentou a relação promíscua e disse que está com uma ação judicial pronta, aguardando a nomeação de Ramagem no Diário Oficial, para contestá-la.
“Será que ainda precisa desenhar? Esse aí [na foto, circulado de roxo] é o Alexandre Ramagem passando o réveillon com o Carluxo. É esse amigo íntimo da família que Bolsonaro quer colocar na chefia da Polícia Federal. Não permitiremos. A PF não pode ser transformada numa guarda pessoal do presidente”, disse o deputado.
Ramagem era chefe da Abin desde julho do ano passado. Sua ascensão à direção-geral da PF ocorre depois que Bolsonaro exonerou Valeixo, provocando a saída de Sergio Moro do Ministério da Justiça.
O ex-juiz caiu atirando: afirmou que a intenção de Bolsonaro é interferir na PF para ter acesso a informações privilegiadas sobre inquéritos em andamento, sobretudo os que estão no Supremo Tribunal Federal, envolvendo o gabinete do ódio (e eles apontam para Carlos Bolsonaro) e outras ações nos tribunais do Rio de Janeiro e Pernambuco.