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sexta-feira, 10 de abril de 2026

O golpismo da direita e o horror da Lava Jato que contiuam (ou A Lava Jato 2 em ação com a mídia), em texto de Luis Nassif

 

No horizonte das eleições, duas narrativas: uma é o projeto de Brasil de Lula e a outra é a mídia e seu denuncismo barato para atacá-lo visando garantir os interesses dos poderosos de sempre.

Do Jornal GGN:


A Lava Jato 2 continua, por Luís Nassif



    Lula em foto de Ricardo Stuckert


Nas eleições de 2026, a disputa se dará em torno de dois eixos narrativos.

O primeiro é o projeto de Brasil que Lula pretende brandir: o salto proporcionado pela Nova Indústria Brasil e pela Transição Energética, com as terras raras, assumindo finalmente a paternidade das duas políticas — além da questão da segurança pública.

O segundo é o denuncismo em torno dos casos Master e INSS, a ser explorado pela oposição.

Dois personagens terão peso decisivo nessa disputa. Um é o ministro André Mendonça, que assumiu o comando das duas operações e atua em conluio com a Polícia Federal — que segue abusando de vazamentos seletivos, agora com o concurso do COAF. O outro é o ministro Kassio Nunes Marques, que deverá assumir o comando do Tribunal Superior Eleitoral.

Aliás, a ministra Cármen Lúcia tratou de antecipar em dois meses o final de sua presidência no TSE, explicando a fuga com uma frase de desprendimento. Como diriam os italianos, foi “paura”.

A delação de Maurício Camisoti, peça central do escândalo do INSS, fechada exclusivamente com a PF, certamente terá o mesmo direcionamento das delações da Lava Jato, com a anuência óbvia da mídia.

O papel dos três principais grupos jornalísticos continuará sendo o de fustigar Lula diariamente. Um exemplo recente: na reportagem sobre os grandes pagamentos do Master, havia uma boa soma destinada a Henrique Meirelles — que foi ministro da Fazenda de Michel Temer. Na reportagem, porém, ele é apresentado como ex-presidente do Banco Central de Lula. Só falta qualificar o próprio Temer, que também recebeu valores do Master, como ex-vice-presidente de Dilma Rousseff.

É curioso o movimento da mídia nos últimos meses. Depois de um início promissor da CNN Brasil, a GloboNews recuperou a liderança com um modelo de jornalismo mais barato — jornalistas em estúdio conversando com a desenvoltura de um chat de WhatsApp, mas com diversidade e bom nível editorial.

À medida que 2026 se aproximou, o canal tratou de se realinhar, afastando comentaristas mais à esquerda e substituindo-os por nomes de posição conservadora. É um movimento que não pode ser brusco, para não chamar a atenção do espectador. O UOL fez movimento semelhante, abrindo mão de comentaristas de boa audiência e posição progressista para dar lugar a outros saídos das profundezas da ultradireita.

Não são movimentos radicais — para preservar a credibilidade do veículo perante seu público. Mas são suficientemente indicativos dos preparativos para a guerra eleitoral.

É também um período em que analistas de pesquisa fazem a festa. A maioria se vale do chutômetro como qualquer observador comum, mas tenta dar verniz técnico às apostas. Pior: muitas análises publicadas funcionam como cartão de visita para atrair contratos com partidos e candidatos.

O caso clássico é o de Alberto Carlos Almeida, autor de A Cabeça do Brasileiro. Em determinado período, tentou aproximar-se do PSDB. No início da campanha de 2018, previu no X que, assim que começasse o horário eleitoral, Geraldo Alckmin dispararia e se habilitaria para o segundo turno. Alckmin teve 4,6%. Depois, migrou para a órbita do PT e passou a publicar análises anunciando o fim do antipetismo.

Recentemente, entrevistei outro especialista, do Recife, que elogiava com entusiasmo a moderação de Ronaldo Caiado. Estranhei a análise — até me informarem que ele assessora o candidato.

Muito cuidado, portanto, com análises de “especialistas” em período eleitoral. Elas frequentemente servem a dois propósitos simultâneos: atrair mercado para pesquisas e cumprir a contrapartida exigida pelos grandes jornais — pau em Lula.

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quarta-feira, 30 de outubro de 2024

“Fake news de Tarcísio é um caso acadêmico para demonstrar o que é crime eleitoral”, crava Kakay

 

Ao usar uma coletiva de imprensa para acusar Boulos, Tarcísio repete crimes que resultaram na inelegibilidade de Jair Bolsonaro, garante o criminalista

Kakay | Foto: Reprodução/YouTube

GGN. - Em pleno domingo de eleição (27), o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) afirmou que a organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) orientou moradores da periferia a votarem em Guilherme Boulos (PSOL) durante uma coletiva de imprensa ao lado de seu candidato à Prefeitura de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB).

Para o advogado criminalista Antônio Carlos de Almeida Castro (Kakay), trata-se de um caso quase acadêmico para demonstrar aos alunos o que é um crime eleitoral. “É muito difícil você ter uma materialidade tão absolutamente comprovada com autoria evidente. Um governador de Estado usando a estrutura do Estado, embora ele não estivesse nas dependências do governo, não estava no palácio, você vê que ele estava cheio de pompas e galas, você tinha toda uma estrutura montada para ele falar”, afirmou durante participação no programa TVGGN 20 da última segunda-feira (28).

O criminalista garante ainda que Tarcísio teve a ousadia extrema de fazer uma acusação absolutamente grave. “Se os fatos fossem verdadeiros, se tivesse tido algum tipo de salva entre o pessoal do PCC, que é uma coisa de setembro, pelo que eles dizem, as autoridades teriam que ter sido comunicadas. A Polícia Federal já disse que não foi comunicado, o Tribunal Regional já disse que não foi comunicado.”

Ao tentar associar Boulos ao PCC, o governador de São Paulo cometeu dois crimes, que são os mesmos que levaram o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) à inelegibilidade: abuso de poder e abuso de poder midiático.

Resposta do TSE


Ainda no dia do pleito, a ministra Cármen Lúcia, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), garantiu que Guilherme Boulos terá uma resposta rápida à notícia-crime contra Tarcísio. 

“É assim que tem de ser. Então, me parece muito claro que existe uma hipótese real de inelegibilidade do Tarcísio, sem sombra de dúvida, que foi ele que falou, e eu tenho, não sou especialista em eleitoral, friso mais uma vez, mas eu tenho séria percepção  de que também o candidato pode ser tornado inelegível. Por quê? Porque, nesse caso, ele sequer tomaria posse. Ou, se tomar posse, porque o processo pode demorar a correr, ele perde o cargo”, continua o entrevistado. 

Kakay afirma que Nunes também pode ser penalizado tendo em vista a satisfação que demonstrou durante as acusações de Tarcísio. 

Ao longo da entrevista, Kakay falou ainda sobre o papel do Judiciário na manutenção da democracia após a tentativa de golpe de Estado no 8 de Janeiro, sobre a importância de concluir os julgamentos dos golpistas e virar essa página da história brasileira, além dos problemas gerados pelo uso da inteligência artificial na área penal, tendo em vista a reprodução de racismo praticada pelos algoritmos das plataformas. Confira em:

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quinta-feira, 14 de outubro de 2021

Genial! Bolsonaro confessou! Crimes serão cobrados! O Bem avança contra o mal! Pandora ataca. Vídeo do Portal do José

 

Bolsonaro confessa crimes e práticas criminosas faz tempo. Mas hoje preparou um "combo" para dizer em público o que tem feito para violar a Constituição Federal, Código Penal, leis especiais e a moralidade administrativa.

Do Portal do José:


Meus amigos e amigas! Quem é do meio jurídico já viu muita gente despreparada e mal orientada. Mas nenhuma delas chegou à Presidência da República. Bolsonaro confessa crimes e práticas criminosas faz tempo. Mas hoje preparou um "combo" para dizer em público o que tem feito para violar a Constituição Federal, Código Penal, leis especiais e a moralidade administrativa.

Suas falas não são apenas simplórias. São idiotas, burras e autoincriminadoras. O Mandatário vai passar muito tempo da vida que lhe resta, rachando suas economias para os bolsos e escritórios de advocacia especializados na defesa de clientes da região do Rio das Pedras.

Mas Bolsonaro não se acha apenas o maior gênio do Brasil. O injustiçado gênio se coloca como o único visionário do planeta. Só ele sabia que ficar em casa era prejudicial à humanidade em tempos de pandemia.

Porque todos os cientistas do mundo são tão despreparados e não conseguiram seguir os "çábios' conselhos do Mito Tupinambá?

Mas como todo ser incompreendido, Bolsonaro terá um fim trágico (pelo menos para ele e alguns de seus fieis seguidores míopes). A justiça as vezes chega mais rápido do que de costume.

A CPI do Senado finalmente está encontrando dentro de nosso sistema penal e constitucional, algumas ferramentas jurídicas para lidar com a imensa e inesgotável omissão do PGR Aras.

Haverá celas para todos. É só aguardarmos com fé.

Resenha do Livro "O Colápso da Democracia no Brasil: da Constituição ao Golpe parlamentar de 2016", de Luís Felipe Miguel, por Flávio Ricardo Vassoler, em Vídeo

 

Do Canal de Flávio Ricardo Vassoler:

Resenha sobre o livro "O colapso da democracia no Brasil: da Constituição de 1988 ao golpe parlamentar de 2016" (2018), do cientista político brasileiro e professor da Universidade de Brasília (UnB) Luís Felipe Miguel. Link para o livro "O colapso da democracia no Brasil", de Luís Felipe Miguel, a partir do site da Amazon: https://amzn.to/3Dwn4xx


domingo, 4 de outubro de 2020

Brasil Desigual pós-2016: de um lado, a riqueza excepcional, de outro, a fome total, por Fernando Nogueira da Costa

 

A complexidade da desigualdade social brasileira emerge entre os múltiplos componentes sistêmicos; desafio é transformar complexidade em simplicidade

Foto: Reprodução

Brasil Desigual: de um lado, a riqueza excepcional, de outro, a fome total

Fernando Nogueira da Costa[1]

 

Jornal GGN. - O salário médio anual de um CEO no Brasil em 2019 foi R$ 11,1 milhões. Se for excluídos os pagos em bancos, esse valor cai para R$ 9,7 milhões. No ano passado, os montantes variaram de R$ 584 mil a R$ 52 milhões, considerando as empresas listadas no Ibovespa.

As maiores discrepâncias entre o salário do presidente e o representativo da média dos funcionários estão nas empresas de setor de consumo e varejo, saúde e bancos. Os números são heterogêneos entre as 70 companhias abertas analisadas. Em 17 delas, o salário do presidente é pelo menos 200 vezes maior se comparado à renda média dos funcionários. No caso de Lojas Americanas e Pão de Açúcar, ultrapassa 600 vezes. Na Magazine Luiza, o número é 526 vezes maior. Em seguida, estão Intermédica (476) e Itaú Unibanco (473). Os demais bancos privados são Santander (364) e Bradesco (305).

A comparação feita pelo ex-diretor da Previ, Renato Chavez (Valor, 28/09/2020), inspira-se no estudo global feito pela agência Bloomberg. Ela aponta uma diferença de 265 vezes nos Estados Unidos e 229 vezes na Índia, mas não inclui o Brasil. Na Alemanha, ela se reduz para 146 vezes e na Suécia para 60.

Depois de mais de uma década (2004-2013) em declínio, a fome voltou a crescer e atingiu 10,284 milhões de pessoas de meados de 2017 a meados de 2018: corresponde a 5% da população brasileira. A insegurança alimentar grave havia recuado de 8,2% da população em 2004 e para 3,6% em 2013, quando atingia 7,2 milhões de pessoas. O Brasil tinha saído do Mapa Mundial da Fome em 2014, segundo relatório da FAO-ONU.

Dados da PNADC- IBGE mostram a taxa de desemprego ter atingido 13,8% no trimestre até julho de 2020, pior resultado de sua série histórica desde 2012. A LCA Consultores construiu uma série mais longa de desemprego e nesta seria o pior resultado desde 1995. São 13,13 milhões brasileiros da população economicamente ativa sem ocupação.

Parte dos trabalhadores sem ocupações desistiu de procurar vagas, migrando para a inatividade. Sem isso, a taxa teria atingido 24,1% no trimestre até julho. A população ocupada (empregados, empregadores, servidores e trabalhadores por conta própria) recuou para 82 milhões, menor nível da série histórica desde 2012, após a perda 7,2 milhões de postos frente ao trimestre móvel anterior. No trimestre anterior à pandemia (dez-fev), a população ocupada era 93,7 milhões de pessoas: quase 14 milhões a mais.

No mercado de trabalho formal com carteira assinada, 266 mil perderam emprego em março, 934 mil em abril, 359 mil em maio e 23 mil em junho. O total soma 1,582 milhão.

Em março de 2020, o iBovespa, indicador do desempenho da bolsa de valores, caiu 29,9%. No fim do primeiro trimestre, o estoque de riqueza financeira do Private Banking (1/5 direta ou indiretamente via fundos em ações) tinha caído -8,9%. Cada cliente ricaço perdeu no crash, em média, R$ 1,036 milhão. Em abril, recuperou R$$ 369 mil; em maio, mais R$ 202 mil; em junho, mais R$ 384 mil; em julho, mais R$ 498 mil. Finalmente, em agosto, modestos R$ 29 mil. A evolução no ano desse estoque ao atingir R$ 1,375 trilhão foi 5,24% ou mais R$ 68,4 bilhões. Esta fortuna está alocada em 121.216 CPFs.

Em quais aplicações financeiras, no ano, eles ganharam ou perderam dinheiro? Em Fundos Abertos (para o público), perderam -2,9%. Em Fundos Exclusivos (reservados para eles), ganharam +11%. Em ações/renda variável ganharam +15%. Apesar de terem apenas 3,9% alocado em CDB, foi o investimento financeiro onde mais ganharam: +60%.

benchmark é uma estratégia utilizada para estabelecer parâmetros sobre um produto, ou seja, uma comparação entre sua performance e o desempenho relativo. No ano (jan-ago), o Ibovespa acumulava queda de -14%. Somando a perda de -4,8% em setembro, nos três trimestres, a bolsa de valores caiu -18,2%. O papel de administração de grandes fortunas é justamente esse: diferenciar-se do mau desempenho sofrido pelo povaréu.

Examinemos os quadros abaixo para melhor conhecer o Brasil real. Há 121 mil brasileiros ricaços, cada qual com riqueza financeira média de R$ 11,3 milhões. Contrapõem-se aos 105 milhões de clientes do Varejo com média de R$ 20,3 mil.

Onde eles estão? Para achar os mais ricos, em média, entre os clientes Private Banking, eles se encontram ou na Grande São Paulo ou na região Sul do País. Nesses lugares, os percentuais de contas (ou clientes) são inferiores às participações relativas no estoque da riqueza financeira. Na Grande São Paulo está quase ½ do total dela. Em seguida vem o Sul (16%) e o Rio de Janeiro (13%). Quase 80% das grandes fortunas estão nessa área.

Quando analisamos os territórios do Varejo, isto é, a massa de brasileiros sem R$ 5 milhões ou mais, o quadro se altera um pouco. A Grande São Paulo ainda concentra a maior parcela da riqueza financeira (23%), o Sul se eleva um ponto percentual (17%) e o Rio permanece com 13%. Entre ambos, intromete-se o interior de São Paulo (15%). Nessas áreas, o relativo entre valor e quantidade de contas é superior a um. Suas populações são relativamente mais ricas se comparadas à do restante do país.

As medidas de tendência central são moda, média e mediana. A moda é o número cuja repetição predomina em um conjunto. A mediana é o número no centro do conjunto, quando seus componentes estão organizados em ordem crescente ou decrescente. A média é a soma de todos os números de uma lista dividida pela quantidade somada de números. Infelizmente, a estatística disponível não apresenta essas medidas.

As medidas de dispersão são aplicadas para determinar o grau de variação dos números de uma lista com relação à sua média. Amplitude, variância e desvio padrão analisam a distância dos números de um conjunto até a média desse conjunto.

Qualquer simplificação de informação como a média pode ser enganadora. Ela ilude ao esconder uma dispersão em um único número. Quando comparamos duas médias, não devemos imaginar uma grande lacuna entre esses dois números e nos esquecer das extensões onde eles se sobrepõem. Esses números sobrepostos são constituintes de cada média. Daí não se deve deduzir existir “vácuos” entre as citadas médias.

Somos naturalmente atraídos a casos extremos, porque eles são fáceis de lembrar. Na realidade, mesmo em um dos países mais desiguais do mundo como o Brasil, não há lacuna vazia. A maioria das pessoas se dispersa em torno de cada média escolhida.

Por isso, no sentido de nos aproximarmos mais da realidade (“a verdade é o todo”), vale diferenciar, dentro do Varejo, entre os depositantes de poupança e os investidores de fundos e títulos e valores mobiliários. O quadro abaixo se refere ao Varejo.

São 89,2 milhões contas com a média de R$ 10,2 mil em depósitos de poupança. Da mesma forma, confirma-se os valores médios superiores no Sudeste e no Sul. Desta vez, a classe média baixa do Rio de Janeiro atinge o maior valor médio.

Quando analisamos os investidores um pouco mais sofisticados, sua quantidade (16 milhões) está mais próxima do anunciado pela Retrospectiva da PNADC-IBGE: em 2019, existiam 20 milhões graduados em Ensino Superior, tendo 7 milhões pós-graduação. Provavelmente, 80% deles compunham essa classe média alta de investidores em fundos e títulos. A riqueza média dela era R$ 77 mil no país, com valores superiores na Grande São Paulo e no Rio de Janeiro: ambos com cerca de R$ 106 mil.

Nessas duas maiores metrópoles, o custo de vida é superior. Para comparar com os dados de agosto de 2020, o preço médio de imóvel em Campinas era cerca de 60% do comprado em São Paulo (R$ 9.210/m2) ou no Rio de Janeiro (R$ 9.311/m2). Em Campinas se alugava moradia com a mesma metragem, pagando 55% do aluguel de São Paulo e 73% do Rio de Janeiro. O aluguel na capital do Estado de São Paulo estava 1/3 superior ao do Rio de Janeiro: R$ 40,60/m2 e R$ 30,50/m2, respectivamente.

A complexidade do mundo real emerge das interações entre os múltiplos componentes sistêmicos. O desafio para o cientista social é transformar complexidade em simplicidade.

 

[1] Professor Titular do IE-UNICAMP. Autor de “Golpe Econômico: Locaute ou Nocaute da Economia Brasileira” (2020). Baixe em “Obras (Quase) Completas”: http://fernandonogueiracosta.wordpress.com/
E-mail: fernandonogueiracosta@gmail.com

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quarta-feira, 29 de maio de 2019

Carta do papa Francisco a Lula revela o quanto situação anômala no Brasil repercute no mundo. Por Fernando Brito



A carta do Papa a Lula: “Não desanime”

A carta do Papa Francisco a Lula, divulgada hoje por Monica Bergamo, na Folha, não é apenas gentil e piedosa, mas reveladora do quanto a situação anômala do Brasil repercute pelo mundo.
Ela é cheia de referências sutis de encorajamento do Pontífice ao ex-presidente, não apenas ao valorizar suas opiniões sobre a situação brasileira – o que fez numa carta a Francisco, há dois meses – que, diz o Papa, “me será de grande utilidade”, mas, a pretexto da Páscoa, convidar Lula a sentir a “alegria serena e profunda de quem acredita que, no final, o bem vencerá o mal, a verdade vencerá a mentira e a Salvação vencerá a condenação”.
Até quando consola Lula pelas perdas que sofreu – a mulher, Marisa, o irmão e o neto – o Papa manda mensagens: “quero lhe manifestar minha proximidade espiritual e lhe encorajar pedindo para não desanimar e continuar confiando em Deus”.
Lá de Roma, Francisco percebe o que alguns aqui não vêem: Lula não está preso por seus defeitos ou eventuais comportamentos pessoais – nunca provados -, mas pela referência que é para o povo braileiro.
O martírio, do ponto de vista cristão não é “ser santo”, é preferir morrer a renunciar naquilo em que acredita.
Veja a carta, abaixo:
Fonte: Tijolaço

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

O debate sobre o Golpe-"impeachment" de Dilma no parlamento alemão




Jornal GGN – Dia 20 de outubro, o Parlamento alemão (Bundestag) debateu o processo de impeachment da presidente eleita por 54,5 milhões de votos, Dilma Rousseff, no Brasil. O partido A Esquerda pediu ao Legislativo que repudie a cassação da ex-presidente. O deputado da legenda, Wolfgang Gehrcke, começou o debate classificando como golpe o impeachment de Dilma, e citou as ações do vice-presidente, agora de posse da cadeira de presidente, Michel Temer. Gehrcke citou a PEC 241, que congela por 20 anos os gastos, principalmente na área da educação, saúde e políticas sociais.
O deputado do CDU, Andreas Nick, do mesmo partido de Angela Merkel, ressaltou a crise econômica vivida no Brasil e sua importância como parceiro da Alemanha, principalmente nos governos do PT. Disse ainda que a perda de popularidade entre os eleitores no Brasil e sem base no Congresso já justificariam o afastamento da presidente em países como a Alemanha.
Porém, o representante do CDU não reconheceu crimes que justificassem o impeachment, mas lembrou que o Bundestag não é lugar para que se faça um estudo sobre a Constituição brasileira, ressaltando ainda que não cabe ao governo alemão tomar a função do Supremo Tribunal Federal brasileiro e que a decisão do Congresso no Brasil deve ser respeitada.
O deputado do Partido Verde, Omid Nouripor, com a palavra, disse que o governo de Dilma cometeu muitos erros, mas que não se pode deixar de perceber os muitos avanços ocorridos nos anos de PT, principalmente no combate à pobreza e em direitos para as minorias. E esses avanços estão em risco com o novo governo. Disse ainda que não usaria a palavra golpe, mas que o impeachment foi uma conspiração motivada politicamente e que voltavam ao poder as antigas elites.
Klaus Barthel, do Partido Social-Democrata (SP) também chamou de golpe o impeachment da presidente Dilma. "Um impeachment só é possível quando o presidente cometeu um crime grave, mas esse foi um processo conduzido por interesses políticos", disse ele. Reafirmou ainda que Dilma é muito mais íntegra do que a maioria daqueles que foram contra ela, lembrando que Eduardo Cunha, o arquiteto do impeachment, foi preso. Berthel ainda criticou o papel das empresas alemãs no Brasil, que ficaram felizes com a possível diminuição dos direitos trabalhistas no país.
Com a maioria dos deputados a favor da moção da legenda A Esquerda, o requerimento foi enviado para ser avaliado pela Comissão de Relações Exteriores do Bundestag.
Com informações do Deutsche Welle - DW