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domingo, 29 de maio de 2016

Palanque de FHC despenca em Nova York e a LASA, Latin-American Studies Association, em Nova York, faz um vídeo defendendo Dilma e a Democracia usurpada no Brasil




 “A LASA denuncia o atual processo de impeachment em curso no Brasil como antidemocrática e encoraja os seus membros a chamar a atenção do mundo para os precedentes perigosos que este processo estabelece para toda a região. Esta moção foi aprovada pelo comitê executivo da Associação de Estudos Latino Americanos e agora será votado por seus membros em um plebiscito.”

  Vejam o vídeo acima, reflitam, compartilhem!

Palanque de FHC despenca em Nova York 


Por Altamiro Borges


Um dos mentores intelectuais do “golpe dos corruptos” no Brasil, o vaidoso FHC talvez imaginasse que seria recebido como um gênio da política moderna no congresso anual da Associação de Estudos Latino-Americanos (LASA), que ocorre em Nova York. Mas seu palanque foi previamente detonado. Mais de 400 acadêmicos assinaram um abaixo-assinado contra o “príncipe golpista” e anunciaram um protesto no salão do evento. Com medo das vaias, o ex-presidente preferiu desistir da sua palestra. Ninguém acreditaria mesmo nas suas bravatas sobre o “processo legal de impeachment” ou nas suas explicações sobre as alianças com mafiosos para desestabilizar e derrubar a presidenta Dilma.

Sem maior alarde, o jornal O Globo registrou nesta sexta-feira (27): “Após protestos de intelectuais, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso cancelou sua participação numa palestra neste sábado em Nova York sobre a democracia na América Latina. O evento foi organizado pela Associação de Estudos Latino-Americanos em homenagem aos 50 anos da entidade e FH dividiria um painel de debate com o ex-presidente do Chile Ricardo Lagos. Em carta enviada a LASA, a que O Globo teve acesso, FH explicou que desistiu da palestra para não dar discurso às ‘mentes radicais’. ‘Eu peço que vocês entendam que a essa altura da minha vida, aos 85 anos, eu não desejo dar pretexto para mentes radicais, dirigidas por paixões partidárias, me usarem em uma luta imaginária ‘contra o golpe’, um golpe que nunca existiu’”.

Já a Folha tucana lamentou o episódio: “Alvo de ameaças de protestos contra o seu apoio ao governo do presidente interino Michel Temer, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso cancelou sua participação num congresso acadêmico em Nova York (EUA). FHC participaria do principal evento do encontro, um debate na manhã de sábado que encerraria o 34º Congresso Internacional da Associação de Estudos Latino-Americanos, no aniversário de 50 anos da entidade”. O jornal da famiglia Frias, que sempre blindou o tucano, deu generoso espaço para a carta do ex-presidente, na qual o cínico arrivista tenta justificar o golpe, critica a “organização criminosa” do PT e ainda ataca, de forma arrogante e rancorosa, os intelectuais que protestaram contra a sua presença no evento.

A conversa fiada do golpista, porém, não intimidou os participantes do congresso. Neste sábado (28), vários participantes usaram camisetas pretas com as inscrições “Brasil, La Democracia de Luto" e "Não ao Golpe" - nesta última, o slogan aparece escrito também em inglês e espanhol. Um manifesto do Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais (Clacso) também explicou as razões da revolta: "Respeitamos a decisão da Lasa de convidar a um dos maiores instigadores e incentivadores do golpe no Brasil, porém também convocamos a acompanhar a conferência enchendo o auditório de camisetas pretas em sinal de protesto". O documento contou com a assinatura de 162 membros da entidade e 337 pesquisadores não associados, que solicitaram o cancelamento da conferência de FHC.

O episódio mancha ainda mais a história já apodrecida do velhaco tucano. Ainda sobre o protesto em Nova York, vale conferir o artigo de Paulo Nogueira, no imperdível blog Diário do Centro do Mundo:

*****

A consagração internacional de FHC como golpista e fâmulo da plutocracia

FHC viveu o bastante - 85 anos até aqui - para ver sua consagração internacional como golpista. E em Nova York, a capital do mundo.

Clap, clap, clap. De pé. Para os responsáveis pelo reconhecimento.

FHC fora convidado para participar de um encontro de cientistas políticos para debater a tão ameaçada democracia na América Latina.

É um mistério o que passou pela cabeça dos organizadores ao chamar o decano do presente golpe no Brasil. É como chamar Alexandre Frota para debater educação. Mas foi brilhante a reação dos cientistas políticos que sabem perfeitamente o papel imundo que FHC representou na trama plutocrata que colocou Temer no Planalto.

Eles prontamente se insurgiram. Diante da insistência da organização em manter FHC, avisaram que respeitavam a decisão. Mas, diante dela, alertaram que iriam comparecer de preto ao seminário em protesto contra um convite tão acintosamente equivocado.

FHC fez o que sempre fez em situações complicadas. Primeiro, se acoelhou. Fugiu da reunião. Depois, produziu uma nota que é sua alma: cínica, hipócrita, mentirosa. Nela, evocou o passado. Disse que foi perseguido pelo golpe de 1964 e coisas do gênero. Acontece que ninguém está falando de 1964, e sim de 2016. Rechaçou que houve golpe com o argumento de que o STF monitorou o impeachment.

Ora, ora, ora. Depois de gravações de conversas que expuseram brutalmente a participação do STF na derrubada de Dilma, ele tem a ousadia de citar os eminentes magistrados? Entre estes se destaca, com seu golpismo explícito, Gilmar Mendes, que foi colocado no STF exatamente por FHC.

Apenas para registro, em 1964 o STF também abençoou o golpe.

Se passado valesse, Lacerda - o maior golpista da história da República - poderia, ao estilo de FHC, dizer que foi integrante do Partido Comunista na juventude para tentar ser absolvido pelo papel vergonhoso que desempenhou repetidamente contra a democracia e a favor dos ricos.

Seja o que for que FHC tenha feito num passado remoto, tudo já foi incinerado pelo que ele é, e não de hoje.

É, numa palavra, um fâmulo da plutocracia.

Lacerda desandou quando passou a falar, demagogicamente, em corrupção para atacar governos progressistas como o de Getúlio e o de Jango. Há quantos anos FHC faz exatamente o mesmo?

Em sua descomunal vaidade, FHC tem a pretensão de ser conhecido - e respeitado - como um homem de esquerda. Ele sabe que cientistas políticos de direita são universalmente desprezados.

Mas ele não é mais que isso: um reacionário, um direitista, um golpista da pior espécie.

Seu julgamento perante a história já foi feito em vida, e ele foi condenado com desonra.

O símbolo disso foram as camisas pretas em Nova York em repúdio a ele.