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terça-feira, 30 de agosto de 2016

A direita cínica, Temer e o balcão de negócios do (Golpe) Impeachment, por Altamiro Borges


Artigo de Altamiro Borges

Após inúmeros discursos e muita polêmica, o Senado deverá votar nesta quarta-feira (31) o desfecho final do processo de impeachment da presidenta Dilma. Pelos argumentos jurídicos apresentados no plenário ficou visível, até para o mais ingênuo "midiota", que o pedido de afastamento tem motivação política - o tal "conjunto da obra. Isto apenas confirma que o Brasil vive um golpe de novo tipo, um golpe midiático-parlamentar-judicial. Mas a argumentação jurídica, porém, parece que é o que menos importa entre os "nobres senadores". Apesar da operação abafa da mídia chapa-branca, o que vale de fato nas últimas semanas em Brasília é o balcão de negócios do impeachment.

Nesta terça-feira, o Painel da Folha publicou uma minúscula notinha: "O senador Roberto Rocha (PSB-MA) será contemplado com uma diretoria do Banco do Nordeste em troca do voto favorável ao impeachment. A oferta veio após ele ser procurado por Lula. Assim que soube do encontro, Temer agiu para evitar que Rocha pulasse para o lado de Dilma Rousseff". Dias antes, a imprensa também noticiou, sem qualquer indignação ou alarde, os cargos ofertados ao ex-craque Romário para comprar seu voto. Outras negociatas estão em curso para seduzir os "vacilantes" - ou melhor, os oportunistas -, inclusive com ofertas de postos no exterior. A mídia, porém, prefere o silêncio cúmplice.

Antes do processo do impeachment entrar na fase decisiva no Senado, o oligárquico jornal Estadão até publicou, em 27 de junho, uma reportagem mais densa sobre o vergonhoso balcão de negócios - apesar de tentar limpar a imagem do Judas Michel Temer. Vale conferir:

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Do apoio do Planalto em disputas locais a indicações para cargos em estatais e até para o comando do BNDES - o maior financiador de empresas do País -, o presidente em exercício Michel Temer está sendo pressionado por senadores em troca de apoio no julgamento do processo de impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff. A votação final está prevista para acontecer até o fim de agosto.

Por causa do assédio, Temer tem recebido parlamentares no Palácio do Jaburu para almoços, jantares e reuniões, marcados muitas vezes fora da agenda oficial. Nos encontros, escuta mais do que fala. “O Temer está comprando a bancada. É uma compra explícita de apoio”, disse o senador Roberto Requião (PMDB-PR), peemedebista contrário à saída de Dilma.

Para interlocutores do governo no Senado, o “movimento” nada mais é do que uma lista de demandas. O caso mais pitoresco, segundo relatos de três senadores próximos a Temer, é o de Hélio José (PMDB-DF). Ele pediu 34 cargos, entre os quais a presidência de Itaipu, Correios, Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) e até o comando do BNDES.

O senador foi convencido por colegas da inviabilidade dos pedidos e do risco político que correria em sua base se apoiasse Dilma. Não levou nada e ainda decidiu votar pelo afastamento.

O senador Romário (PSB-RJ), que votou pela admissibilidade do impeachment, ficou indeciso sobre o afastamento definitivo poucos dias depois. A dúvida foi comunicada ao Planalto acompanhada de uma fatura. Ele pediu o comando da Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência e uma diretoria em Furnas. A primeira vaga já havia sido prometida para a deputada Mara Gabrilli (PSDB-SP). Cadeirante e militante histórica, ela queria emplacar um nome da área. Romário ganhou apenas o cargo, que ficou com a ex-deputada Rosinha da Adefal.

Ex-presidente do Cruzeiro, o senador Zezé Perrella (PTB-MG) conseguiu pôr seu filho, Gustavo Perrella, na Secretaria Nacional do Futebol e de Defesa dos Direitos do Torcedor.

Em outra frente de pressão, Temer é cobrado a se posicionar politicamente em disputas locais. O caso mais emblemático é o do Amazonas, onde o prefeito de Manaus, Arthur Virgílio (PSDB), aliado do senador Omar Aziz (PSD), é adversário do senador Eduardo Braga (PMDB). Todos são aliados de Temer e estarão em lados opostos na eleição municipal.

O senador peemedebista reivindica o apoio do presidente em exercício para seu candidato, Marcos Rota. Já Aziz quer que Temer ajude Virgílio. No Placar do Impeachment do Estado, Braga consta como indeciso e Aziz não quis responder.

Temer enfrenta o mesmo dilema no Paraná, onde dois aliados, o governador Beto Richa (PSDB) e o senador Álvaro Dias (PV), são adversários políticos e disputam influência em Itaipu.

Pela estimativa do Planalto, a cassação de Dilma está nas mãos de 15 senadores. Hoje, 38 se posicionam a favor do impedimento – são necessários 54. O ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, se recusa a revelar a “estratégia” para evitar a volta da petista. “Não vou revelar nomes, mas temos um controle diário dentro do Senado. Temos informação do movimento de todos, até mesmo daqueles que se dizem indecisos”, disse, em um almoço com empresários na semana passada.


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Os horrores na Câmara Federal

Já a revista Época, totalmente engajada no "golpe dos corruptos", postou uma notinha festejando as negociatas: "O presidente interino deu dois cargos estratégicos para o senador Vicentinho Alves (PR) no Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT). Temer indicou nomes ligados ao senador para a análise do Senado: Charles Magno Nogueira na diretoria de Infraestrutura Ferroviária do DNIT e André Martins de Araújo na diretoria de Planejamento e Pesquisa do órgão. Vicentinho votou pela abertura do processo de impeachment contra Dilma. Com seus pleitos atendidos, tudo leva a crer que vai confirmar o apoio ao impedimento". Só faltou a revista soltar rojões!

Na prática, o balcão de negócios já tinha sido acionado quando o tema tramitava na Câmara Federal, ainda presidida pelo achacador Eduardo Cunha. Após a "sessão de horrores" que deu a largada para o golpe, em 17 de abril, alguns podres até vieram à tona. O deputado Jovair Arantes (PTB-GO), "ético" relator do processo de impeachment, conseguiu emplacar o nome do cupincha Francisco Rodrigues na presidência da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Cartola do Atlético Goianiense - que disputa a séria B do Campeonato Brasileiro -, ele também conseguiu um patrocínio de R$ 2 milhões da Caixa Econômica Federal para o seu time - ou curral eleitoral!

Vários outros deputados, inclusive os 120 da cota do correntista suíço, também foram agraciados pelo Judas Temer. Na semana seguinte à "sessão de horrores", o usurpador liberou emendas parlamentares que estavam retidas no Palácio do Planalto. Segundo reportagem acrítica da Folha, "o presidente interino determinou à equipe econômica que acelere no início de agosto a liberação do saldo de emendas parlamentares para obras de infraestrutura que já foram contratadas. O montante ainda está sendo calculado pelo Ministério da Fazenda, mas o objetivo é quitar as pendências até o início de outubro, data do primeiro turno das eleições municipais no país".

Ainda de acordo com a matéria "imparcial", Michel Temer "também determinou ao núcleo político que conclua até o final do recesso as nomeações pendentes para presidências e diretorias de empresas públicas de indicados pela base aliada. Em reunião com o núcleo econômico, o peemedebista relatou que deputados e senadores estavam reclamando da demora na nomeação de seus indicados para cargos federais e ressaltou a necessidade de agilizar a publicação dos nomes no 'Diário Oficial da União'". Dias antes, numa iniciativa que revela o caráter do "golpe dos corruptos", o governo decidiu nomear os indicados políticos antes até do aval dos órgãos de inteligência. A análise das fichas, que antes era feita pela Abin, simplesmente foi descartada pelo Judas Michel Temer.  

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Leia também:





Correção, Cássio Cunha Lima (o Cassado): O Golpe de Estado não nasceu nas ruas, mas num ato de chantagem do Eduardo Cunha



O senador Cunha Lima, líder absoluto do PSDB no Senado, que teve um pequeno problema com a chuva de dinheiro em João Pessoa, e foi flagrado pela Justiça eleitoral e teve que sair do Governo da Paraíba , esse notável Guardião da Ética Tucana, disse à Presidenta Dilma que o impeachment nasceu nas ruas!
Dilma reagiu.
Não, senador, o impeachment nasceu de uma vingança do Eduardo Cunha, que está solto.
E muitos dos que estão aqui hoje – ela disse –, adeptos do impeachment, ficaram muito felizes por tirar fotografias ao lado do Eduardo Cunha.
Cunha Lima, que não usava guarda-chuva, naquele momento, fez intervenção fora do microfone.
Dilma reagiu, sorrindo:
- É, senador, a vida é dura… senador…
Um desses que se orgulha de tirar foto com o Eduardo Cunha é o Kim Katiguri, colonista daFel-lha, que assistia à sessão do Senado, enquanto, também na plateia, ao lado do Lula estão Chico Buarque, Eugênio Aragão, Guilherme Boulos, João Vicente Goulart, João Paulo, do MST, Juca Ferreira, Aldo Rebelo, Renato Rabelo, Eleonora Menicucci.
É, senador Cunha Lima, a vida é dura…

domingo, 28 de agosto de 2016

O golpe cínico desmoraliza o Brasil, por Marcelo Zero

  "Mas o fato concreto, iniludível, é que o golpe já nasceu desmoralizado. A “assembleia geral de bandidos presidida por um bandido”, como bem a definiu Miguel de Sousa Tavares, deu o pontapé inicial no golpe com claro desvio de poder de seu presidente acusado de corrupção. O mundo inteiro reagiu com asco moral ao espetáculo dantesco."


Por Marcelo Zero, no Blog do Altamiro Borges

A corajosa e competente senadora Gleisi Hoffmann causou comoção e polêmica ao dizer, no plenário do Senado, que metade daquela Casa não tinha moral para julgar a presidenta honesta. Houve até embate com o presidente Renan Calheiros, que, numa tentativa pouco racional de defender a instituição, chamou o Senado de “hospício”.

Evidentemente, a Senadora Gleisi não fez uma crítica pessoal a ninguém. Ela fez uma crítica, inteiramente pertinente, ao processo do impeachment sem crime. Afinal, não há fraude com moral. Não há golpe ético.

E indivíduos éticos podem aderir a monstruosidades morais coletivas. A História está cheia de tragédias desse tipo. Assim, há aqueles que aderiram ao golpe por convicção, embora haja outros que o fizeram por puro oportunismo ou por motivos pouco republicanos.

Mas o fato concreto, iniludível, é que o golpe já nasceu desmoralizado. A “assembleia geral de bandidos presidida por um bandido”, como bem a definiu Miguel de Sousa Tavares, deu o pontapé inicial no golpe com claro desvio de poder de seu presidente acusado de corrupção. O mundo inteiro reagiu com asco moral ao espetáculo dantesco.

A cada dia que passa, o golpe se desmoraliza mais, daí a pressa dos golpistas em “liquidar a fatura”.

O episódio da Senadora Gleisi acabou encobrindo fato crucial a esse respeito. Na última quinta-feira, a arquitetura intelectual e técnica do golpe foi inteiramente desmascarada. O auditor do TCU, Antonio D´Ávila, acabou confessando, talvez por vaidade e certeza de impunidade, que ajudou a redigir a peça acusatória que o procurador do TCU, Júlio Marcelo, apresentou para ele mesmo julgar. É como se um juiz redigisse a peça acusatória para um procurador para que ele mesmo proferisse depois a sentença. Pior: esse processo fraudulento foi feito alijando-se a Secretaria de Recursos daquele órgão, instância que deveria ter se pronunciado sobre o assunto e que tinha opinião divergente dos arquitetos intelectuais do golpe.

Isso é gravíssimo. Houve clara violação da imparcialidade exigida de auditores e procuradores e do código de ética de conduta dos funcionários públicos. Assim, o golpe começou com desvio de poder, no campo político, e com claro desvio ético, no plano técnico.

O golpe está definitivamente desmoralizado, política e tecnicamente.

Porém, a mais grave imoralidade do golpe é a sua desonestidade intelectual.

Em sua narrativa cínica e mentirosa, o golpe apregoa que os governos de Dilma Rousseff promoveram uma “gastança”, maquiada por “pedaladas fiscais”, a qual precipitou o país na maior crise da sua história.

Mentira deslavada. Até 2014, os governos do PT gastaram menos do que arrecadaram, isto é, fizeram vultosos superávits primários. Ao contrário do que dizem, de forma mentirosa, as despesas primárias discricionárias em todos os níveis de governo permaneceram estáveis: foram de 4,7 % do PIB, em 2012, 4,8% do PIB, em 2013, e, de novo, 4,7% do PIB, em 2014. A dívida líquida da União também permaneceu estável, em torno de 34% do PIB. Já as despesas com pessoal e encargos, caíram de 4,6% do PIB, em 2009, para 3,9 % do PIB, em 2014.

Em 2015, com a crise instalada, o governo promoveu o maior ajuste fiscal da história do Brasil. Foram cortados nada menos que R$ 80 bilhões de despesas orçamentárias discricionárias, isto é, aquelas que podiam ser objeto de cortes. Mesmo assim, houve déficit. Por quê? Porque as receitas fiscais tiveram uma queda brutal de R$ 185 milhões.

Assim, a crise não foi provocada por “excesso de gastos” e, muito menos, por “pedaladas” e créditos suplementares. O déficit não provocou a crise. Foi a crise que provocou o déficit, pelo encolhimento brutal das receitas. Na realidade, alguns importantes economistas, como Luiz Gonzaga Belluzzo, argumentam que, se houve erro de Dilma em 2015, não foi um inexistente descontrole de gastos, mas, ao contrário, um excesso de responsabilidade fiscal. Não foram as pedaladas. Foi a grande “despedalada” de R$ 80 bilhões que teria contribuído para a queda da atividade econômica, num ambiente de redução do consumo e dos investimentos privados.

Mas a queda brutal da receita e da atividade econômica, que frustrou o grande esforço fiscal realizado, foi devida, em sua maior parte, a um decisivo fator que precipitou e aprofundou a crise: o terceiro turno e o golpismo. Foi a crise política gerada pelo terceiro turno e pelo golpismo que impediu que as medidas econômicas tomadas em 2015 surtissem o efeito desejado. Deve-se ter em mente que ajustes econômicos só funcionam devidamente num ambiente político estável.

Não foram as “pedaladas fiscais” que levaram o país à crise. Foram as pedaladas contra democracia.

Essas pedaladas desmoralizantes foram complementadas agora pela maior fraude eleitoral da história. O interino, que foi eleito, como vice-presidente, com o mesmíssimo programa de governo da presidenta, agora tenta implantar um plano que é o inteiro oposto do programa aprovado nas urnas por mais de 54 milhões de brasileiros. Isso é ético? Isso é democrático? Ou isso é uma gigantesca fraude? Isso não significa dar um golpe baixo nos eleitores? O pior é que essa gigantesca e imoral fraude poderá, de acordo com a PEC 241, perdurar por 20 anos.

São essas pedaladas contra a democracia e contra a vontade popular que mais desmoralizam os golpistas, as instituições e o Brasil perante o mundo. O respeito formal às regras não substitui o respeito à vontade do povo. E não há decoro parlamentar que possa encobrir a suprema vergonha de se condenar uma inocente.

O que começa mal, termina mal. O que começa sem ética, termina coberto de vergonha.Todos os jornais internacionais comentam a vergonha que é o golpe brasileiro.

Assim, não é apenas Câmara, o Senado e a classe política que estão sem moral. O golpe nos converteu numa republiqueta de bananas. O golpe desmoralizou o Brasil.

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

O passado obscuro da oligarquia Cunha Lima. Por Paulo Nogueira

"O senador Cássio Cunha Lima é ficha suja, para começo de conversa. Foi cassado quando era governador da Paraíba em 2009, acusado de desvios de recursos e compra de votos.
Uma decisão do STF de postergar as consequências da Ficha Suja permitiu que ele concorresse ao Senado em 2012. Por isso temos que aturar essa "reserva moral do PSDB" fazendo prédicas cínicas sobre corrupção."

Cara de pau
Cara de pau
Quem o senhor Cássio Cunha Lima pensa que é para falar obsessivamente em nome do povo brasileiro?
Quem lhe deu procuração? Você, eu?
Me chamou a atenção que ninguém entre os senadores tenha dito isso a ele numa de sua múltiplas invocações fraudulentas do povo brasileiro: “Como o senhor ousa falar em nome da sociedade?”
Há um romance de Agatha Christie em que um grupo de pessoas são reunidas numa casa numa ilha. Subitamente, uma gravação começa a apontar os crimes de um por um. A quem interessar possa, é “E não restou nenhum”.
Pois bem.
Se uma gravação dessa natureza contemplasse os senadores que condenam tão ruidosamente Dilma, quantos sobrariam?
O senador Cássio Cunha Lima não. Ele é ficha suja, para começo de conversa. Foi cassado quando era governador da Paraíba em 2009, acusado de desvios de recursos e compra de votos.
Uma decisão do STF de postergar as consequências da Ficha Suja permitiu que ele concorresse ao Senado em 2012. Por isso temos que aturar essa reserva moral do PSDB fazendo prédicas cínicas sobre corrupção.
Há, fora tudo, um caso cômico em seu prontuário. Passou à história política como o episódio do Dinheiro Voador. Está registrado assim no site Movimento Ficha Limpa.
“Cássio Cunha Lima ficou nacionalmente conhecido em 2006. No dia 27 de outubro de 2006, dois dias antes do segundo turno das eleições para seu segundo mandato como governador, alguns fiscais da Justiça Eleitoral foram verificar uma denúncia de distribuição de dinheiro para compra de votos no edifício Concorde, em João Pessoa, capital da Paraíba.
Na saída os fiscais foram informados por terceiros que diversos objetos foram arremessados da janela de uma das salas do edifício. Os fiscais checaram os objetos atirados pelos funcionários de Cássio Cunha Lima e apreenderam mais de R$ 305 mil, títulos eleitorais e diversas contas de água e luz pagas.”
Este o dinheiro voador. Com ele o nobre senador Cunha Lima estava comprando votos.
O processo contra Cunha Lima foi parar nele, Sérgio Moro. Adivinhe o que aconteceu: nada. O caso está parado desde 2012.
É um oligarca. Seu pai Ronaldo foi governador da Paraíba. Notabilizou-se por dar dois tiros num adversário político, Tarcísio Burity, por acusações de corrupção que este fez ao filho Cássio. Era deputado federal. Renunciou para não ser julgado pelo STF. Claro que as coisas estavam muito mais sob controle na justiça local. Jamais chegou a ser julgado.
A tentativa de homicídio foi em 1993. Catorze anos depois, o então ministro do STF Joaquim Barbosa se pronunciou sobre o assunto. “Esse homem manobrou e usou de todas as chicanas processuais por 14 anos para fugir do julgamento. O ato dele é um escárnio para com a Justiça brasileira em geral e para com o Supremo em particular. Ele tem direito de renunciar, mas é evidente a segunda intenção. O que ele fez foi impedir que a Justiça funcionasse.”
E no Senado, nesta quinta, o filho Cássio teve o descaro em falar de “procrastinação” do julgamento de Dilma.
Ronaldo Cunha Lima atirou num adversário que acusou o filho Cássio de corrupção e jamais foi julgado
Ronaldo Cunha Lima atirou num adversário que acusou o filho Cássio de corrupção e jamais foi julgado
A oligarquia continua. Na sessão desta quinta no Senado, Cássio fez merchandising de seu filho Pedro, deputado federal pela Paraíba. Na infame sessão da Câmara que abriu o golpe, Pedro desqualificou, lembrou o pai, os 54 milhões de votos recebidos por Dilma.
A oligarquia, como presumível, tem propriedades na mídia local — uma aberração. Parentes são colocados na administração. Em 2013, o site Observatório da Imprensa registrou que a rede Tamandaré de rádio e tevê é uma sociedade de Savigny Rodrigues da Cunha Lima e Silvana Medeiros da Cunha Lima.
Quando começou a campanha pela deposição de Dilma, ele logo foi alvo das luzes da mídia pelo tom vitriólico de seus pronunciamentos contra o governo.
Nenhum jornal, nenhuma revista — ninguém achou que era notícia o passado corrupto de um senador que falava tanto em corrupção.
A isso se dá o nome de jornalismo de guerra. Fosse petista, você pode imaginar como teria sido tratada a vida pretérita de Cássio Cunha Lima.
Gleisi Hoffmann resumiu com perfeição o julgamento no Senado. Quem tem autoridade moral para julgar Dilma?
Cássio Cunha Lima, um dos mais barulhentos golpistas, definitivamente não.
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Paulo Nogueira
Sobre o Autor
O jornalista Paulo Nogueira é fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo.

Um senado de tipos como Ronaldo Caiado, José Sarney, Cássio Cunlha Lima, Fernando Collor, Antonio Anastasia , Aécio Nevese Renan Calheiros não tem a menor moral para julgar uma governante honesta como DIlma

Resultado de imagem para Hipócritas golpistas

 Segue abaixo, para reflexão neste momento triste e midiaticamente fomentado de acordo com os interesses nada inocentes da Casa Grande, empresários, Banqueiros e multinacionais, dois textos sobre a farsa cunhesta-mafiosa do julgamento de Dilma Rousseff, um do jornalista Paulo Nogueira e outro do ecologista, teólogom filósofo e sociólogo Leonardo Boff:

Gleisi resumiu tudo: o Senado não tem a menor autoridade moral para julgar Dilma. Por Paulo Nogueira


Certíssima
Certíssima

A senadora Gleisi Hoffmann sintetizou, na abertura do julgamento final do impeachment no Senado, a grande questão nacional.
Que autoridade moral têm os senadores para julgar Dilma?
Nenhuma.
E quem aparece para defender a autoridade dos senadores? Ele mesmo, o derrotado nas eleições, o corrupto blindado a partir de quem decorreu todo o projeto do golpe: Aécio.
Aécio, o rei das delações. O amigo dos donos da mídia. Aquele que deu dinheiro público para empresas de mídia de sua família quando governador de Minas. Aquele que construiu um aeroporto privado em terras da família.
Aquele que pilhou Furnas durante anos e anos.
Aquele que fugiu até de um teste de bafômetro por não estar em condições de enfrentar a verdade.
Não.
O Senado não tem moral para julgar Dilma.
Muito menos o Câmara tinha moral para aprovar o impeachment. Era Eduardo Cunha no comando. Era um sindicato de corruptos na função de juízes.
Eram os 260 deputados que Eduardo Cunha disse que mantinha à base de propinas.
Não. Ora, todos sabemos que este Congresso foi eleito com o dinheiro da plutocracia. Foi o pior Congresso que o dinheiro pode comprar.
O Senado não tem moral. Assim como a Câmara não tinha.
E ainda assim Dilma está à beira do patíbulo.
Aécio conseguiu dizer que os senadores estão ali como “juízes”.
Ora, ora, ora.
Juízes?
Carrascos é a palavra. Juiz julga. Carrasco executa. Isto não é julgamento; é um circo, é uma farsa, é uma monstruosidade disfarçada de tribunal.
É uma vergonha o que está ocorrendo.
O Senado não tem a menor condição moral de julgar Dilma.
O resto é silêncio, para evocar as grandes palavras de Shakespeare.
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Paulo Nogueira
Sobre o Autor
O jornalista Paulo Nogueira é fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo.

Uma governanta digna e inocente é condenada por um bando de corruptos da mente e das finanças


Leonardo Boff


Usando o estilo medieval do tempo de Sâo Francisco dos Fioretti reconto o processo de impeachment da Presidente Dilma Rousseff: Em de que se narra que uma governanta digna e inocente foi condenada por um bando de corruptos da mente e das finanças.
Era uma vez uma nação grande por sua extensão e por seu povo alegre embora injustiçado. Em sua maioria sofria na miséria, nas grandes periferias das cidades e no interior profundo. Por séculos era governado por uma pequena elite do dinheiro que nunca se interessou pelo destino do povo pobre. No dizer de um historiador mulato, ele foi socialmente “capado e recapado, sangrado e ressangrado”.
Mas lentamente esses pobres foram se organizando em movimentos de todo tipo, acumulando poder social e alimentando um sonho de outro Brasil. Conseguiram transformar o poder social num poder político. Ajudaram a fundar o Partido dos Trabalhadores. Um de seus membros, sobrevivente da grande tribulação e torneiro mecânico, chegou a ser presidente. Apesar das pressões e concessões que sofreu dos endinheirados nacionais e transnacionais, conseguiu abrir uma significativa brecha no sistema de dominação permitindo-lhe fazer políticas socias humanizadoras. Uma Argentina inteira saíu da miséria e da fome. Milhares conseguiram sua casinha, com luz e energia. Negros e pobres tiveram acesso, antes impossível, ao ensino técnico e superior. Mais que tudo, porém, sentiram resgatada sua dignidade sempre negada. Viram-se parte da sociedade. Até podiam, em prestações, comprar um carrinho e tomar até o avião para visitar parentes distantes. Isso irritou a classe media, pois via seus espaços ocupados. Daí nasceu a discriminação e o ódio contra eles.
Ocorreu que, naqueles tempos, ao todo 13 anos de governo Lula-Dilma o Brasil ganhou respeitabilidade mundial. Mas a crise da economia e das financias, por ser sistêmica, nos atingiu, provocando dificuldades econômicas e desemprego que obrigou o governo a tomar medidas severas. A corrupção endêmica no país densificou-se na Petrobrás, envolvendo altos estratos do PT mas também dos principais partidos. Um juiz parcial, com traços de justiceiro, focou, praticamente, apenas o PT.
Especialmente a mídia empressarial conservadora conseguiu criar o esteriótipo do PT como sinônimo de corrupção. O que não é verdade, pois confunde a pequena parcela com o todo correto. Mas a corrupção condenável serviu de pretexto às elites endinheiras e seus aliados históricos, para tramar um golpe parlamentar, pois mediante as eleições jamais trinfariam. Temendo que esse curso voltado aos mais pobres se consolidasse, decidiram liquidá-lo. O método usado antes, com Vargas e Jango, foi agora retomado com o mesmo pretexto “de combater a corrupção”, na verdade, para ocultar a própria corrupção. Os golpistas usaram o Parlamento no qual 60% estão sob acusações criminais e desrespeitaram os 54 milhões de votos que elegeram Dilma Rousseff.
Importa deixar claro que atrás desse golpe parlamentar se aninham os interesses mesquinhos e anti-sociais dos donos do poder, mancomunados com a imprensa que distorce os fatos e sempre se fez sócia de todos os golpes, juntamente com os partidos conservadores, com parte do Ministério Público e da Polícia Militar (que substitui os tanques) e uma parcela da Corte Suprema que, indignamente, não guarda imparcialidade. O golpe não é só contra a governanta, mas contra a democracia com viés participativo e social.
Intenta-se voltar ao neoliberalismo mais descarado, atribuindo quase tudo ao mercado que é sempre competitivo e nada cooperativo (por isso conflitivo e anti-social). Para isso decidiu-se demolir as políticas sociais, privatizar a saúde e educação e o petróleo e atacar as conquistas sociais dos trabalhadores.
Contra a Presidenta não se identificou nenhum crime. De erros administrativos toleráveis, também feitos pelos governos anteriores, derivou-se a irresponsabilidade governamental contra a qual aplicou-se um impeachment. Por um pequeno acidente de bicicleta, se condena a Presidenta à morte, castigo totalmente desproporcional. Dos 81 senadores que vão julgá-la mais de 40 são réus ou investigados por outros crimes. Obrigam-na a sentar-se no banco dos réus, onde seus algozes deveriam estar. Entre eles se encontram 5 ex-ministros.
A corrupção não é só monetária. A pior é a corrupção das mentes e dos corações, cheios de ódio. Os senadores pro impeachment têm a mente corrompida, pois sabem que estão justificiando uma inocente. Mas a cegueira e os interesses corporativos prevalecem sobre os interesses de todo um povo.
Aqui vale a dura sentença do Apóstolo Paulo:”eles aprisionam a verdade na injustiça. É o que atrái a ira de Deus”(Romanos 1,18). Os golpistas levarão na testa, pela vida afora, o sinal de Caim que assaninou seu irmão Abel. Eles assassinaram a democracia. Sua memória será maldita pelo crime que cometeram. E a ira divina pesará sobre eles.
Leonardo Boff é ex-professor de Ética da UERJ e escritor.


sábado, 4 de junho de 2016

Um dos mais atuantes conspiradores e golpistas, Cássio Cunha Lima, PSDB-Pb, é enfaticamente vaiado em sua própria terra, na abertura do "Maior São João do Mundo"



Veja os vídeos da abertura do Maior São João do Mundo, onde o até há pouco "filhote de coronel" Cássio Cunha Lima era tratado como Senhor absoluto e agora, como golpista ( o que a mídia golpista não mostra ):





Do Paraíba Já:

Aos gritos de ‘golpista’, Cássio é vaiado na abertura do São João de Campina Grande


Por essa o senador Cássio Cunha Lima (PSDB) não esperava. Na abertura do Maior São João do Mundo, em Campina Grande, nesta madrugada, o líder do PSDB no Senado foi fortemente vaiado e chamado de “golpista” pelo público presente ao Parque do Povo. Vídeos sobre o episódio estão ‘viralizando’ nas redes sociais.
“Madrugada de sábado, 4 de junho. Campina Grande. Abertura do O Maior São João do Mundo, no Parque do Povo. Locutor: ‘Vamos chamar aqui o senador Cássio Cunha Lima!’. Senador: ‘Boa noite, Campina Grande!’. Público no Parque do Povo, entre vaias: ‘Golpista! Golpista! Golpista!’”, postou um internauta. “Representaram-me! Não tem nenhum vídeo disso?”, disse outro. “Eu acho é pouco, porque ele acha que em Campina ele é dono”, postou outra.

quinta-feira, 12 de maio de 2016

A Base aliada Golpista de Temer é a mais suja da História, por Alex Solnik




Por Alex Solnik

Ontem me dediquei a examinar a lista de parlamentares que votaram a favor do impeachment na Câmara e dos que vão votar a favor no Senado, e que fazem parte, portanto, da base aliada que vai apoiar o governo Temer – se houver governo Temer – e fiquei estarrecido com a quantidade de deputados e senadores investigados tanto no STF quanto na Lava Jato.

É a base aliada mais ficha suja desde a criação da Lei da Ficha Limpa.

Investigados na Lava Jato são 58 deputados federais - 47 do PP, 8 do PMDB, 1 do PSC, 1 do PTB e 1 do PTC – e nove senadores – 4 do PMDB, três do PP, 1 do PTB e 1 do PSB.

A lista dos que respondem a inquéritos e ações penais no STF é muito maior: 145 deputados federais e 25 senadores.

O partido com mais senadores investigados é o PMDB, com 10. Em segundo lugar, empatados, com quatro, PSDB e PR. O PTB tem 2 e PSC, PP, DEM e PSD tem 1 cada.

O campeão de deputados federais pendurados no STF também é o PMDB, com 50. Em segundo lugar, o PP, com 16. Em terceiro lugar, empatados, com 15, o PSDB e o PR. O PSD, apesar de ser um partido novíssimo, fundado por Gilberto Kassab aparece em quarto, com 11. A seguir, com 9, o DEM. Depois, com 8 estão empatados o PSB, o PSC e o PTB. O PRB tem 5, o PRP e o PMN, 2 e o PEN e SD têm 1 cada um.

Todos os líderes desses partidos costumavam e ainda costumam fazer os discursos mais contundentes a favor da moralização e da ética na política, responsabilizando o PT pela corrupção que predomina na política brasileira e disseram “sim” a favor do impeachment.

O atual presidente do PMDB e um dos principais articuladores do suposto governo Temer, senador Romero Jucá, já estava bem enrolado quando, anteontem, a ministra Carmen Lúcia abriu investigação contra ele e contra o presidente do Senado, Renan Calheiros, acusados, com fortes indícios de receberem, cada um, a quantia de 15 milhões de reais para aprovar emendas provisórias de interesse da indústria automobilística. Além disso, responde aos inquéritos 2116, 2963 e 3297 por crimes contra o patrimônio, crime de responsabilidade, falsidade ideológica e eleitorais e envolvimento em desvio de verbas federais em obras em Roraima. Também é investigado sobre origem e destino de 100 mil reais jogados para fora do carro por um de seus auxiliares momentos antes de ser abordado por policiais durante a campanha de 2010.

Presidente do Senado, Renan Calheiros, além da acusação citada acima, está pendurado no inquérito 2593 no qual é acusado de peculato, falsidade ideológica e uso de documento falso no caso dos bois de Alagoas, de 2007 para forjar uma renda com venda de gado para justificar gastos pessoais e com sua ex-amante Monica Veloso. É também investigado por desviar R$44,8 mil do Senado em verbas indenizatórias, por usar a cota de passagens aéreas do Senado para pagar viagens de três acusados de serem seus “laranjas” e de um fazendeiro suspeito de fraudar venda de gado. Também está incurso no inquérito 3589, por crime ambiental, acusado pelo MPF de pavimentar ilegalmente uma estrada de 700 metros na estação ecológica Murici que leva a uma fazenda de sua propriedade.

Ex-presidente do PMDB, o senador Valdir Raupp é réu em quatro ações penais (358, 383, 554 e 577) e responde ao inquérito 2442 por peculato, crimes eleitorais e contra o sistema financeiro e a administração pública. É acusado de ter alterado por conta própria o destino de recursos de um convênio de US$167 milhões assinado com o Banco Mundial entre 1997 e 98.

Filiada há um ano ao PMDB, depois de ter saído do PT por divergir eticamente do partido, a senadora Marta Suplicy responde à ação penal 648 por crimes da Lei de Licitações e aos inquéritos 2687, 3235, 3267 e 3544, por improbidade administrativa, formação de quadrilha, estelionato e falsidade ideológica durante seu mandato de prefeita de São Paulo, entre 2001 e 2004.

O ex-presidente Fernando Collor, que sempre se gaba de ter sido absolvido em 1992, na verdade ainda responde por crimes daquela época. Em 2008, a PGR recomendou ao STF sua condenação na ação penal 465 por peculato (desviar ou apropriar-se de recursos públicos), corrupção passiva e falsidade ideológica. Ele e outros seis réus são acusados de receberem propinas de empresários da área de publicidade beneficiados por licitações fraudulentas entre 1990 e 92. O dinheiro era depositado em contas de “laranjas” para pagar contas pessoais, faturas de cartões de crédito e pensões a filhos de relacionamentos extraconjugais.

Cássio Cunha Lima, um dos buldogues mais agressivos contra Dilma é ex-governador da Paraíba, condenado e cassado em 2009 por distribuir 35 mil cheques a eleitores na campanha de 2006. Só conseguiu manter sua cadeira de senador, apesar de ser barrado pela Lei da Ficha Limpa porque o STF decidiu não aplicar a lei nas eleições de 2010. Responde ao inquérito 3393 por crimes da Lei de Licitações.

O veterano, ex-governador do Pará e ex-presidente do Senado, Jader Barbalho responde a seis ações penais (374, 347, 398, 498, 549 e 653) por peculato, crimes contra o sistema financeiro, falsidade ideológica, quadrilha ou bando e emprego irregular de verba pública, suspeito de integrar quadrilha que desviou mais de R$1 bilhão do Banco do Estado do Pará, da Sudam e do Ministério da Reforma Agrária. Foi barrado pela Lei da Ficha Limpa mas manteve o mandato de senador quando o STF decidiu que a lei não valeria nas eleições de 2010.

Presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha é réu no STF por ter sido acusado de receber ao menos US$ 5 milhões na operação de compra de navios-sonda pela Petrobrás e é alvo de mais 11 acusações pela PGR que pede ao STF, desde o ano passado, seu afastamento da presidência da Câmara, dentre as quais achaque e intimidação a dirigentes da construtora Schahin, por meio de requerimentos de convocação assinados por vários deputados de sua tropa de choque, motivados por uma disputa referente à construção de uma barragem da Cebel, além de ter tido contas secretas e suspeitas, com depósitos de US$20 milhões fechadas por banco suíço por não ter conseguido explicar sua origem.

Integrante da lista dos mais procurados pela Interpol, impedido, sob risco de ser preso, de entrar em vários países, inclusive Estados Unidos, o deputado Paulo Maluf responde a ações penais 461 e 477 e a três inquéritos (2471, 3545 e 3601) por crimes contra o sistema financeiro, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e crimes eleitorais. No inquérito 2471, ministros do STF aceitaram denúncia de que o grupo de Maluf desviou R$1 bilhão da prefeitura de São Paulo quando ele foi prefeito.

Líder do PSC e desabrido componente da tropa de choque de Eduardo Cunha, o novato André Moura, um dos mais ácidos críticos da presidente Dilma, responde aos inquéritos 3110 (crimes eleitorais), 3224 (crimes de responsabilidade e formação de quadrilha), 3221 (crimes de responsabilidade), 3204 (formação de quadrilha, improbidade administrativa), 3516 (crimes de responsabilidade) e 3594 (crimes da Lei de Licitações e Peculato).

O deputado Beto Mansur (PP-SP), que muitas vezes substitui Cunha na presidência da Câmara, responde ações penais 635 - na qual é acusado de ter submetido 46 trabalhadores, inclusive 7 crianças a trabalho análogo à condição de escravo em duas fazendas de Goiás - e 580, por crimes de responsabilidade. Também está incurso nos inquéritos 3013, 2688, 2616 e 2519 por crimes de responsabilidade e contra a administração pública.

O pastor Marco Feliciano é réu na ação penal 612 por estelionato, acusado de ter inventado um acidente no Rio de Janeiro para justificar ausência em evento no Rio Grande do Sul para o qual tinha recebido cachê, passagens e hospedagem. Também está enquadrado no inquérito 3590 no qual é suspeito de induzir ou incitar discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia e religião. No inquérito 3646 é questionado por contratar pastores da sua igreja por seu gabinete parlamentar.

O deputado Paulinho da Força, presidente do Solidariedade e defensor resoluto de Eduardo Cunha tem contra si a ação penal 421, por estelionato, crimes contra a fé pública e concussão. Em 2008 foi absolvido no Conselho de Ética no inquérito 2725 – desvio de recursos do BNDES – mas ainda está incruso nos inquéritos 2778 e 2639 por utilização indevida de recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) pela Força Sindical em cursos profissionalizantes.

O time de Temer ainda é integrado por gente como Jair Bolsonaro, deputado que, apesar de não ser investigado por corrupção, ostenta o título de o mais desprezível e sujeito a punição na corte internacional de Haia e na comissão de ética, depois de ter elogiado o torturador Carlos Alberto Brilhante Ustra ao vivo e a cores na votação em que apoiou o impeachment da presidente.

Quem tem uma base aliada como essa não precisa de oposição.

terça-feira, 3 de maio de 2016

Eduardo Cunha, Aécio, Agripino, Caiado, Serra... A "Fina Flor" do Golpe e ídolos dos acéfalos está toda na lista da Odebrecht

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  Além de Aécio Neves, presidente nacional do PSDB, a lista do executivo da Odebrecht Benedicto Barbosa traz os luminares da oposição, que aparecem como "parceiros históricos"; entre eles estão os senadores José Agripino Maia (RN), presidente do DEM, Cássio Cunha Lima (PB), líder do PSDB, José Serra (PSDB-SP), apontado como o principal conspirador pelo impeachment, o líder do PSDB na Câmara, deputado Antônio Imabassahy (BA), além do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB); após a divulgação da lista na imprensa, o juiz Sérgio Moro determinou seu sigilo.

247 - A divulgação da lista de supostos repasses feitos pela construtora Odebrecht para mais de 200 políticos de diversos partidos atingiu praticamente todos os membros do quartel general que articula o impeachment contra a presidente Dilma Rousseff. 
Os documentos referem-se à 23ª fase da Operação Lava Jato, deflagrda no dia 22 de fevereiro sob o nome Acarajé, e foram apreendidos em poder do executivo da empreiteira Benedicto Barbosa da Silva Júnior. Entre os diversos documentos apreendidos pela PF com Benedicto estão comprovantes de pagamentos, transferências bancárias e planilhas com nomes de centenas de políticos.
Entre eles aparecem a cúpula do PSDB: os senadores Aécio Neves (MG), presidente nacional do partido, Cássio Cunha Lima (PB), líder do PSDB no Senado, José Serra (SP), apontado como o principal conspirador do impeachment, Agripino Maia (RN), presidente nacional do DEM, os deputados Antônio Imbassahy (BA), líder do PSDB na Câmara, e Eduardo Cunha (PMDB), presidente da Câmara. O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), também aparece. 
Também há políticos da base do governo citados nas planilhas de Benedicto. Entre eles estão os senadores Renan Calheiros (PMDB-AL), José Sarney (PMDB-AP), Romero Jucá (PMDB-RR) e Humberto Costa (PT-PE), além do chefe de Gabinete da presidente Dilma, Jaques Wagner, do PT, do ex-governador Eduardo Campos (PSB), morto em 2014, entre vários outros.
O material foi inicialmente divulgado pelo jornalista Fernando Rodrigues, do UOL. Segundo ele, o material possivelmente é o mais completo acervo do que pode ser a contabilidade paralela da empresa descoberta e revelada ontem na investigação.
Os documentos foram divulgados nesta terça pela Polícia Federal. No início da tarde desta quarta, o juiz Sérgio Moro determinou o sigilo das listas. "Em decorrência de notícias da imprensa, constato que, aparentemente, na residência de Benedicto Barbosa da Silva Júnior foram apreendidas listas com registros de pagamentos a agentes políticos", diz Moro no despacho.