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terça-feira, 2 de abril de 2019

Os Bolsonaros espalham o ódio aonde vão e põem em risco a segurança nacional. Por Kiko Nogueira



Do DCM:


O tuíte de Flávio Bolsonaro chamado o Hamas para a briga
Jair Bolsonaro é um caso de estudo de governante que procura dividir uma nação ao invés de tentar uni-la.
Coloca-nos em permanente risco, aqui e no exterior.
No Brasil, enquanto denuncia o “viés ideologico” do PT, faz um governo ideologicamente comprometido com as orientações psicóticas de seu guru Olavo de Carvalho, um elemento perigoso e patético da extrema direita.
Fomenta uma batalha interna entre a ala militar e a ala psiquiátrica olavista.
Todos os que não se alinham com as mentiras e as teorias conspiratórias sobre o “globalismo” e o “marxismo cultural” são comunistas e inimigos do povo.
No Chile, causou repulsa por sua defesa de Pinochet. O presidente da Câmara e o do Senado se recusaram a recebê-lo.
Piñera teve de se distanciar de Jair numa entrevista horas depois de o hóspede indesejado ir embora.
O México pediu explicações sobre as declarações favoráveis de Eduardo Bolsonaro ao indecente muro de Donald Trump.
A palhaçada da ajuda humanitária à Venezuela e o apoio idiótico aos interesses americanos robusteceram Maduro.
No Paraguai, teceu loas ao general Stroessner, assassino corrupto e pedófilo.
Em Israel, cavou mais ainda o fosso com os países árabes — e não só com relação ao comércio exterior.
O Hamas, que controla a Faixa de Gaza, emitiu uma nota dura afirmado que “a visita não apenas contradiz a histórica atitude do povo brasileiro de apoio à causa palestina, mas também viola leis internacionais”.
Condenou os planos de abertura de um escritório de negócios do Brasil em Jerusalém.
“Essa política não ajuda a estabilidade e a segurança da região e ameaça os laços com países árabes e muçulmanos”, afirma o comunicado.
O filho Flávio, aquele do Queiroz, resolveu pôr lenha na fogueira e, qual um moleque mamando Whey Protein, achou por bem chamar o Hamas para a briga.
“Quero que vocês se EXPLODAM!!!”, escreveu o valentão, que deletou em seguida a bravata.
Esse bando está destruindo o país a um ritmo alucinante e precisa ser detido antes que uma bomba estoure não no colo deles, mas no nosso.
00:00/00:40Diário do Centro do Mundo
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sábado, 2 de março de 2019

“Meninas de 10 a 15 anos eram levadas a ele para ser estupradas”: o relato de uma sobrevivente de Stroessner, ídolo de Bolsonaro, por Kiko Nogueira



Do DCM:

"Meninas de 10 a 15 anos eram levadas a ele para ser estupradas": o relato de uma sobrevivente de Stroessner, ídolo de Bolsonaro

Em Itaipu para a inauguração de uma obra, Bolsonaro rendeu tributo a um ditador paraguaio morto em 2006 em Brasília, onde estava exilado.
“Isso tudo não seria suficiente se do lado de cá não houvesse um homem de visão, um estadista, que sabia perfeitamente que o seu país só poderia progredir se tivesse energia. Então aqui também a minha homenagem ao nosso general Alfredo Stroessner”, disse.

Julia Ozorio no sítio onde foi mantida como escrava sexual aos 12 anos

Stroessner ficou no poder durante 35 anos. Sua tirania foi corrupta, homicida e pervertida. 
O monstro cultuado por Jair (mais um) era, inclusive, pedófilo.
Abaixo, o relato de Julia Ozorio publicado no site Ultima Hora:
Julia Ozorio, que aos 12 anos foi raptado de sua casa em fevereiro de 1968 pelo coronel Peter Julian Miers e levada para um sítio em Laurelty [cidade vizinha a Assunção], onde foi mantida como escrava sexual por dois anos, é uma das poucas que se atreveram a depor perante a Comissão da Verdade e da Justiça sobre o horror que sofreu.
Ela escreveu sua história em um livro intitulado “Uma rosa e mil soldados”.
Em um testemunho em vídeo, gravado no Museu Virtual Meves (“Memória e Verdade do Stronismo”), Julia diz que o coronel Miers, então comandante da escolta especial presidencial, mantinha um harém com várias meninas com idades entre 10 a 15 anos e “as mais graciosas eram levadas a Stroessner para serem estupradas”. (…)
Os depoimentos sugerem que houve várias casas para onde foram levadas as meninas seqüestradas de áreas rurais e mantidas em haréns à disposição do ditador e de vários líderes do regime.
Uma delas era a casa de Laurelty, de que o coronel Miers cuidava. Julia Ozorio diz que quando chegou em 1968, havia outras quatro garotas que também estavam trancafiadas.
“Os militares caçavam garotas e as arrancavam de suas casas em troca de posições em instituições públicas para seus parentes. Ninguém podia dizer nada. Nós fomos estupradas sem piedade. Eles não queriam ninguém com mais de 15 anos porque falavam que já tinham ossos duros”, diz.

Figueiredo e Stroessner em Itaipu em 1982: ídolos de Bolsonaro

No sítio de Laurelty elas eram mantidas em cativeiro por um guardas armados. O ditador Stroessner aparecia com freqüência e eram colocadas à sua disposição jovens virgens para serem estupradas.
“Havia pilhas de fotos de meninas nuas ou usando vestidos curtos que serviam para eles escolherem suas vítimas. Eles tiraram fotos parecidas de mim”, diz ela.
Ela teve que fugir do país quando a libertaram após completar 15 anos, com ameaças de assassinato se não permanecesse em silêncio.
A casa de Popol
Outro dos “haréns” de moças disponíveis para o ditador funcionava numa casa no bairro de Sajonia, dirigida pelo tenente-coronel da reserva Leopoldo Perrier, mais conhecido como Popol Perrier.
Naquela casa ficavam “as meninas trazidas especialmente do interior do país, que estavam prontas para ser oferecidas como delícia ao presidente e sua corte”, destaca o jornalista e historiador Bernardo Neri Farina em seu livro “O Último Supremo”.
Ali, um dia, a Sra. Malena Ashwell, filha do conhecido historiador Washington Ashwell, teve que ajudar uma menina que estava correndo na rua, toda ensanguentada após um estupro cruel, conforme relatado pelo colega historiador Aníbal Miranda em seu trabalho “Stroessner”.
Intervir nesse incidente e denunciá-lo em um pequeno círculo custou a Malena Ashwell ser perseguida pelo governo. (…)

Bolsonaro bate continência para o torturador Ustra, outro de seus herois

00:00/00:40Diário do Centro do Mundo

sexta-feira, 1 de março de 2019

El País: Bolsonaro elogia ditador militar paraguaio Alfredo Stroessner em público


Do El País:


Presidente brasileiro tratou militar, responsável por crimes contra a humanidade, de “estadista”


Jair Bolsonaro nesta terça-feira, em Itaipu (Paraguai).
Jair Bolsonaro nesta terça-feira, em Itaipu (Paraguai).  AFP
O presidente Jair Bolsonaro viajou nesta terça-feira para a fronteira com o Paraguai para anunciar, ao lado de seu homólogo, Mario Abdo Benítez, a nomeação das novas autoridades de Itaipu, a hidrelétrica que os dois países compartilham no rio Paraná. O discurso do brasileiro não foi protocolar: quando ninguém esperava, se desfez em elogios ao ditador Alfredo Stroessner, o homem que com mão de ferro controlou o Paraguai entre 1954 e 1989, responsável por milhares de prisões arbitrárias, torturas e desaparecimentos. A hidrelétrica só foi possível, disse ele, “porque do outro lado havia um homem com visão, um estadista que sabia perfeitamente que seu país, o Paraguai, só poderia continuar progredindo se tivesse energia”. “Então, aqui está minha homenagem ao nosso general Alfredo Stroessner”, acrescentou em português, pouco antes de ficar em silêncio para ouvir os aplausos do público e o olhar imóvel de seu colega paraguaio.
Abdo Benítez assumiu em 15 de agosto do ano passado, depois de uma campanha em que tentou se distanciar de seu passado stroessnerista. Seu pai, Mario Abdo, foi o braço direito do ditador por mais de 30 anos. Bolsonaro parecia confortável diante de seu interlocutor e continuou com citações da Bíblia. “A verdade nos libertará”, disse a Abdo, que insistiu em chamar de Marito, como fazem seus correligionários do Partido Colorado, o movimento político que deu sustentação à ditadura. Para o brasileiro, seu colega paraguaio é “um cristão, conservador, homem de família”. E que por “esses valores” decidiu ir à fronteira para apertar sua mão. “Será um prazer recebê-lo em Brasília nos próximos dias, onde aprofundaremos outras discussões para o bem-estar de nossos povos. Esquerda nunca mais!”, acrescentou o brasileiro. Bolsonaro, capitão reformado, elogiou em várias circunstâncias a ditadura brasileira (1964-1985).
Por sua vez, Abdo agradeceu Bolsonaro pelo encontro e lembrou que vai visitá-lo em 12 de março para promover a construção de duas novas pontes entre os dois países. Também destacou o “importante desafio” que têm pela frente ambas as nações, que em 2023 devem renegociar o tratado bilateral que dispõe sobre a divisão de energia de Itaipu, que desde 1984 fornece 74% de toda a energia consumida pelo Paraguai e 17% da do Brasil. “É iminente, razão pela qual é prioridade agilizar as consultas e os estudos técnicos internos necessários para alcançar resultados que satisfaçam as legítimas aspirações de ambos os países”, disse Abdo.
A agenda energética, no entanto, não foi o destaque do evento. O Paraguai vive um constante debate social pela recuperação e normalização da memória da ditadura, especialmente desde a chegada ao poder de um presidente de sangue stroessnerista. Mário Abdo sempre afirmou que tem poucas lembranças da ditadura porque era muito jovem na época. Mas, ao mesmo tempo, fez vários gestos polêmicos, como quando visitou o túmulo de seu pai no dia da eleição que o levou ao poder. Um grupo de veteranos do Partido Colorado, além disso, pretende trazer dos restos do ditador de Brasília, onde jazem desde sua morte no exílio.
Para a historiadora paraguaia e professora da Universidade Católica de Assunção, Margarita Durán Estragó, cada homenagem que os políticos rendem ao ditador faz sangrar as feridas deixadas pelo stroessnerismo. “A nós que continuamos vivos, machuca muito. Eles se aproveitam de que os jovens não se lembram mais das atrocidades da ditadura porque não viveram o que vivemos. É preciso promover a memória, mas nossos vizinhos tampouco ajudam”, disse a pesquisadora, referindo-se a Bolsonaro. “Quem diria que 30 anos depois da queda de Stroessner teríamos como presidente um rebento do stroessnerismo, o filho do próprio secretário particular do ditador”, acrescentou.
Na semana passada, em uma cerimônia oficial em uma escola por ocasião do primeiro dia de aula, a diretora homenageou o ditador diante do presidente e seus acompanhantes. No início do mês, quando a queda do ditador completou 30 anos, Abdo escapou das perguntas da imprensa com uma gargalhada quando lhe perguntaram sobre o que faria para comemorar a chegada da democracia. O presidente paraguaio não realizou nenhuma cerimônia de acompanhamento ou memória das vítimas e viajou para as comemorações do aniversário de Ciudad del Este, na fronteira com o Brasil. Ciudad del Este já se chamou Puerto Stroessner, em homenagem ao ditador.
O saldo de 35 anos de ditadura foi muito duro para os paraguaios. Quando um golpe palaciano expulsou Stroessner do poder em 1989, 336 pessoas estavam desaparecidas, 19.862 pessoas haviam sido presas e outras 20.000 haviam sido torturadas. O Governo militar enviou 3.479 paraguaios ao exílio, segundo números da Comissão da Verdade e Justiça que investigou o passado com a chegada da democracia.

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