segunda-feira, 17 de maio de 2021

Pedro Simonard: Novas informações delineiam e revelam o projeto genocida de Bolsonaro e seus cúmplices

 

O tempo joga contra Bolsonaro e entre as poucas medidas que lhe restam estão acirrar seu discurso ou jogar por terra a política econômica neoliberal


(Foto: Carolina Antunes/PR)


247. - Nas últimas duas semanas, novas e velhas informações delinearam o projeto genocida em curso no Brasil de maneira bem clara e evidente. Por mais que a gente se debruce sobre elas, não é possível compreendê-las segundo a lógica da busca pelo bem-estar do povo do Brasil. Só são possíveis de serem compreendidas segundo a lógica de um projeto genocida.

A CPI do Genocídio está funcionando a pleno vapor há duas semanas. Seis depoimentos que apontam para um projeto de genocídio já foram prestados à ela. Nesses depoimentos vieram à tona um ministério da saúde paralelo, a recusa de compra de vacinas oferecidas pela farmacêutica Pfizer, campanhas publicitárias que difundiram princípios e regras contrárias àquelas recomendadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelos cientistas para a contenção do coronavírus.

Enquanto os especialistas recomendavam o distanciamento social, o uso de máscara e atestavam a não eficácia de tratamento precoce com o uso da cloroquina e derivados, bem como da ivermectina, um ministério da Saúde paralelo recomendava o contrário e ainda defendia aglomerações para que houvesse a contaminação em massa para atingir-se uma suposta imunidade de rebanho, imunidade esta também sem eficácia comprovada cientificamente. A CPI do Genocídio tem indícios de que entre os componentes deste ministério paralelo que aconselhava o general-grande-especialista-em-logística, Eduardo Pazuello, encontravam-se o dono do curso de inglês Wizard, Caros Wizard, a médica defensora da cloroquina, Nise Yamaguchi, e Carlos Bolsonaro. Jair Bolsonaro franqueava o acesso à TV pública para que esse ministério paralelo pudesse divulgar suas ideias falaciosas. Para que interessava este ministério paralelo e a propagação de tratamentos e medidas equivocadas senão para incentivar o extermínio de pobres e idosos, vistos como descartáveis pelo governo genocida? Se a imunidade de rebanho tivesse alguma eficácia comprovada o que, no caso da covid-19, não tem, ela seria alcançada às custas das vidas de milhares de trabalhadores e trabalhadoras considerados pelo capital como “gastáveis”.

Por sua vez, Jair Bolsonaro acusou o governo da China de ter desenvolvido a covid-19 como arma química. Isto gerou uma crise com os chineses que interromperam o envio dos Insumos Farmacêuticos Ativos (IFA), obrigando o Instituto Butantan e a Fiocruz a interromperem a produção de vacinas. A CPI do Genocídio ameaçou chamar o presidente da Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) para esclarecer de onde o presidente tirou a informação para esta acusação grave ao maior parceiro econômico do Brasil. Mais uma leviandade gratuita e perigosa proferida por Jair Bolsonaro que causa desinformação, confusão e desestimula os trabalhadores a se vacinarem.

A secretária de Gestão do Trabalho do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro, assumiu ter organizado uma viagem para Manaus em janeiro de 2021 com o intuito de divulgar o uso dos remédios ineficazes para o combate à pandemia. A “Capitã Cloroquina”, como Mayra é conhecida, organizou a referida viagem em janeiro, às vésperas do sistema de saúde da cidade entrar em colapso. Qual o fundamento para tal viagem e tal campanha? Que tipo de benefícios o uso de medicamentos reconhecidamente ineficazes traria para o controle da pandemia? Por que o governo do genocida desperdiçou dinheiro do contribuinte em tal ação? Certamente esta ação governamental não visou o bem-estar e a segurança dos brasileiros e brasileiras.

A CPI do Genocídio obteve informações de que uma reunião comandada pelo general Braga Netto, a época Ministro-Chefe da Casal Civil do Brasil,  teria tido como item de pauta a aprovação de texto de um decreto presidencial que alteraria a bula da cloroquina para inserir a covid-19 entre as doenças contra as quais esse medicamento seria eficaz. Se efetivada esta alteração na bula, configuraria um crime previsto em lei porque bulas de remédios não podem ser modificadas por decreto presidencial.

O vice-governador do Amazonas, Carlos Filho (sem partido), afirmou que o alinhamento do governador Wilson Lima (PSC) com Jair Bolsonaro seria a principal causa do caos sanitário pelo qual passou seu estado. O governador teria colocado em prática princípios e ações que visavam a imunidade de rebanho, defendida por Jair Bolsonaro, Osmar Terra e outras figuras adeptas do genocídio e não teria tomado as medidas necessárias para o combate da covid-19 e a contenção da pandemia. Mais uma vez, foram tomadas medidas governamentais baseadas no equivocado princípio da imunidade de rebanho que, é bom lembrarmos, só seria alcançada após a morte de vários brasileiros considerados “gastáveis” pelo capital.

O governo de Jair Bolsonaro foi um dos poucos que colocou-se contrário à quebra de patentes das vacinas, posição defendida por Donald Trump. Quando Joe Biden implementou a quebra de patente das vacinas, Bolsonaro isolou-se ainda mais a nível internacional. Por que ele critica a quebra das patentes? O que ele ganha com isso? Que interesses obscuros está defendendo? Certamente não são os interesses do povo brasileiro. A manutenção das patentes só interessa ao grande capital e torna a aquisição de vacinas mais cara para o governo genocida. A não adoção da quebra de patentes prejudica as contas públicas porque encarece a aquisição de vacinas e coloca em risco as vidas dos trabalhadores e trabalhadoras brasileiros.

Bolsonaro demorou mais de 10 dias para atender recomendação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) para proibir o pouso de voos comerciais originários da Índia nos aeroportos brasileiros. A Índia é hoje o epicentro da pandemia no mundo e a manutenção de voos regulares entre os dois países tornaria o controle da pandemia ainda mais difícil. Se a ANVISA recomendou a suspensão desses voos é porque reconheceu o risco que eles representavam para os trabalhadores brasileiros. Nestes dez dias de inação, milhares de passageiros circularam entre os dois países, propagando as cepas do coronavírus originárias da Índia e do Brasil entre a população de ambos os países.

A ministra Damares Alves solicitou a Jair Bolsonaro que negasse leitos de UTIs e produtos de limpeza às populações indígenas porque esses povos não haviam sido diretamente consultados pelo Congresso Nacional sobre a adoção dessas medidas. Isso em plena pandemia. Damares é titular do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, além de ser pastora evangélica. Com este tipo de medida ela coloca seu ministério na linha de frente do projeto genocida, ocupando-se especificamente de ações de extermínio de povos indígenas e de populações tradicionais.

Existem 17 projetos de pesquisa de vacinas contra a Covid-19 em curso nas universidades e instituições de pesquisa nacionais. Todos prejudicados pelos cortes no orçamento destinado à pesquisa do país. O teto de gastos é respeitado em detrimento da vida do povo brasileiro. O governo coloca a transferência de renda para o capital rentista como prioritária frente à defesa da vida dos seus cidadãos e cidadãs.

O projeto genocida só é unânime entre os bolsonaristas. Pesquisas recentemente divulgadas sobre a avaliação do governo Bolsonaro, além de pesquisas eleitorais mais recentes indicam que Bolsonaro vem perdendo apoio rapidamente entre o povo brasileiro. Na mesma proporção e velocidade com que a aprovação de Bolsonaro cai, sobe a aprovação do ex-presidente Lula.

O capitalismo neoliberal implementou um projeto de extermínio dos trabalhadores e trabalhadoras seja via precarização do trabalho, seja via repressão e assassinato puro e simples, seja por meio da fome. No Brasil este projeto encontra-se a cargo de Bolsonaro e Paulo Guedes, com apoio dos militares traidores e entreguistas. A CPI do Genocídio tem, paulatinamente, desnudado todas as ações e estratégias dessa política de extermínio e genocídio. Contudo, mesmo após as primeiras revelações da CPI, Bolsonaro não arrefeceu sua verborragia raivosa. 

Bolsonaristas como os jornalistas Alexandre Garcia e Leda Nagle apagaram de suas redes sociais materiais negacionistas e que reproduziam as linhas mestras do discurso de Bolsonaro, numa clara medida de autoproteção e de distanciamento do discurso genocida. Os responsáveis pelas redes sociais do presidente fizeram o mesmo em suas contas. Contudo, em suas aparições públicas nas quais organiza aglomerações insanas onde ele faz questão de aparecer sem máscara, Bolsonaro continua a repetir suas sandices sobre tratamento precoce e cloroquina, defendendo que a economia não pode parar. Partiu para o ataque aos membros da CPI do Genocídio e colocou Lula na sua alça de mira. Em cada fala pública, mais elementos Bolsonaro fornece a seus adversários e à CPI. Esta atitude expõe seu desespero. Com esses comunicados ele procura manter seus apoiadores motivados para apoiá-lo em uma aventura golpista, mas, no momento, ele perde apoio constantemente para seu projeto autoritário. Sua estratégia política mostra-se arriscada. Se ele não conseguir apoio para um golpe de Estado, terá fornecido argumentos e mais argumentos para seus adversários tirá-lo da presidência.

O avanço da vacinação também é sua inimiga e é possível que este seja o motivo pelo qual ele dificulta ao máximo a compra de vacinas. Bolsonaro teme que a população vacinada ocupe as ruas para pressionar pelo impeachment. Pesquisa Datafolha publicada em 15 de maio mostra que 49% dos entrevistados apoiam sua destituição do poder. A tendência é que a porcentagem dos que não apoiam o governo aumente nas próximas semanas, assim como aumente também o apoio ao impeachment.

O tempo joga contra Bolsonaro e entre as poucas medidas que lhe restam estão acirrar seu discurso ou jogar por terra a política econômica neoliberal. Ele hesita em tomar esta atitude porque sabe que perderá apoio entre a burguesia neocolonial que ainda o apoia. Resta-lhe arriscar o golpe de Estado 

O cerco se fecha sobre ele. A CPI do genocídio convocará Carlos Bolsonaro para testemunhar. Eduardo Pazuello e Ernesto Araújo irão depor na CPI nesta semana. Pazuello obteve um habeas corpus e poderá ficar calado no que concerne ao que pode incriminá-lo diretamente, mas não poderá calar-se nem mentir sobre as questões que incriminarem outros membros do governo.

É provável que Bolsonaro ligue sua metralhadora giratória movido pelo desespero pelo depoimento do general e de seu ex-ministro das Relações Exteriores. Tentará motivas seus apoiadores.

A semana que começa promete aumentar a pressão sobre o presidente genocida.

P.S.: Precisamos defender uma reforma constitucional que substitua o impeachment, instrumento utilizado pela burguesia neocolonial para retomar o controle do poder, pelo recall, instrumento que coloca nas mãos do povo a destituição daqueles que ele mesmo elegeu.

GGN: Não houve interesse do governo na vacina contra covid-19, diz Omar Aziz

 


Jornal GGN – O presidente da CPI da Covid-19, senador Omar Aziz, afirma que já é possível comprovar os erros da gestão Jair Bolsonaro em meio à pandemia de covid-19.

Em entrevista ao jornal Folha de São Paulo, Aziz afirma “que não houve nenhum interesse na compra da vacina no primeiro momento, que se apostou muito na imunização de rebanho e kit cloroquina, ivermectina. E hoje mesmo eu recebo uma matéria [sobre] um cara chamado Hélio Angotti Neto, chefe da área de ciência, tecnologia, inovação e insumos, no dia 27 de julho de 2020, defendendo a cloroquina. Esse cara vai ser chamado para depor. Isso é muito sério”.

Segundo Aziz, o principal erro do governo Bolsonaro foi não apostar na ciência. “O governo errou desde o primeiro momento. Não apostou no isolamento, não apostou na máscara, no álcool em gel, na vacina, uma série de coisas que poderiam ter ajudado a salvar pessoas. E continuam apostando na cloroquina”.

Aziz também nega que a CPI vai dar em pizza. “A massa que está sendo feita não é da pizza não. Tem que pegar do início. Omissão do governo e os problemas que aconteceram no estado do Amazonas”, diz, ressaltando que governadores poderão ser chamados “se tiver fatos correlatos”, assim como o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ).

GGN: CPI da Covid-19 já causa estragos no governo federal

 

Primeiros depoimentos colocam gestão Bolsonaro em situação delicada; impacto sobre eleições de 2022 não está descartado


Agência Brasil

Jornal GGN – As primeiras semanas da CPI da Covid-19 levaram o governo de Jair Bolsonaro a adotar uma série de estratégias para tentar mudar o foco dos debates – apelando para o voto impresso, ataques ao relator Renan Calheiros (MDB-AL), e até mesmo a ida do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) à CPI para chamar Calheiros de “vagabundo” durante o depoimento do ex-secretário de Comunicação Fábio Wajngarten e chamar Renan Calheiros de “vagabundo”.

Enquanto os senadores encontram dificuldades para estabelecer um discurso na CPI, os deputados governistas trabalham para mudar o foco ao instalar uma comissão para discutir a proposta de Emenda à Constituição (PEC) para a impressão dos votos em eleições para fins de auditoria, mesmo após a medida ser considerada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Apesar desses esforços, o cenário segue desfavorável para o Planalto. Para analistas políticos ouvidos pelo jornal Correio Braziliense, o desgaste da imagem de Bolsonaro tem sido evidente até mesmo nas redes sociais, onde o bolsonarismo sempre agiu com grande articulação. Soma-se a esse quadro a queda da aprovação ao governo nas últimas pesquisas de opinião e a eventual derrota para o ex-presidente Lula nas eleições de 2022.

É a CPI da Pandemia ou do Genocídio? Pouco importa, o show psy op midiático e do gabinete do ódio bolsonarista tem que continuar, por Wilson Ferreira

 

Desde o primeiro dia, todo dia, incansavelmente, o governo Bolsonaro opera a psy op da guerra criptografada: gerenciamento de informações caóticas, dissonantes, repletas de pseudo-eventos, não-acontecimentos, balões de ensaio, que depois são desmentidos, confirmados… ou não!


É a CPI da Pandemia ou do Genocídio? Pouco importa, o show psy op tem que continuar

por Wilson Ferreira

Desde o primeiro dia, todo dia, incansavelmente, o governo Bolsonaro opera a psy op da guerra criptografada: gerenciamento de informações caóticas, dissonantes, repletas de pseudo-eventos, não-acontecimentos, balões de ensaio, que depois são desmentidos, confirmados… ou não! Para a grande mídia transformar em narrativas episódicas, com ação, drama, indignação, num jogo de morde-assopra. Com a CPI da Pandemia (ou do Genocídio?) o show continua com um novo pseudo-evento: timing, sincronismos, conflitos de interesse e logística para a cobertura midiática tautista na qual repórteres viram protagonistas da própria notícia em matérias metalinguísticas (primeira evidência de um pseudo-evento). Para quê tudo isso? Seguindo a cartilha de Milton Friedman (Escola de Chicago), criar crises reais ou percebidas como reais para tornar politicamente inevitável a agenda neoliberal. No radar, a privatização do SUS.

“Sr. Fábio, o senhor só está aqui por causa da entrevista da revista Veja; senão, a gente nem lembraria que o senhor existiu. Está me entendendo? Só por causa disso. Não tem outra razão para você estar aqui.” 

Bingo! Essa afirmação do presidente da CPI, Osmar Aziz (PSD-AM), diante das mentiras do escorregadio Fabio Wajngarten, revelou mais do que aquilo que os excelentíssimos senadores queriam supostamente arrancar do depoente: revelou o timing dos acontecimentos em torno da CPI, demonstrando que estamos diante de mais um pseudo-evento de uma guerra semiótica criptografada. 

O show tem que continuar, mesmo que seja através de um telecatch canastríssimo, com direito a overactings como a da Deputada bolsonarista Carla Zambelli, invadindo o recinto da CPI, dizendo-se “representar as mulheres” ou do Flávio Bolsonaro mandando o relator Renan Calheiros “se fuder”. 

O timing da bombástica entrevista dada à Veja por Wajngarten: menos de uma semana depois do STF confirmar a ordem de instalação da CPI da Pandemia, Wajngarten convoca-se automaticamente como depoente com a trepidantes declarações à revista. Para que? Para testar os limites da CPI, mentindo compulsivamente até receber a ameaça de prisão de Renan Calheiros. Para Aziz entrar na turma do “deixa disso” e passar o pano, ajudando a desmoralizar a CPI.

Ajudado ainda pelo próprio STF (responsável pela confirmação da Comissão de Inquérito) que concedeu o direito de se manter calado ao ex-ministro da Saúde, general Pazuello. 

Para aquele que deveria ser o grande astro, o depoente-chave de toda a tragédia sanitária, é concedido o direito de repetir a cínica desculpa dos réus do Tribunal de Nuremberg: “eu apenas cumpria ordens…”. 

Na verdade, mais um componente do pseudo-evento da CPI: o show da judicialização (necessário reforço do imaginário nacional, para quando o movimento em pinça fechar no futuro, dessa vez contra a esquerda): a Justiça tutela a Política enquanto ela própria é tutelada pelos militares – notoriamente, desde que o então presidente do STF, Dias Toffoli, formou um “gabinete estratégico” composto principalmente pelo General Fernando Azevedo e Silva; segundo Toffoli, para “criar canais de diálogo com setores importantes”…

Reforçando ainda mais o timing dos acontecimentos, o CEO  da Pfizer na América Latina, Carlos Murillo, foi sabatinado pela CPI exatamente no momento chave em que sua empresa estava às portas de fechar um contrato bilionário (6,6 bilhões de reais) com o governo brasileiro pela venda de 100 milhões de doses de vacina.

E pior! Fala isso na abertura do seu depoimento… Ou seja, tudo o que dissesse a partir daquele ponto estava sob a suspeita de conflito de interesses, sob a ótica de blindar o governo (o seu cliente) pela Pfizer – o depoimento do CEO acabou reforçando a tese da “insegurança jurídica” para justificar o atraso de Bolsonaro para a aquisição de vacinas. 

Realmente dava para esperar que Carlos Murillo fosse falar mal de um cliente tão lucrativo?

Nada é mera coincidência. É timing: movimentação calculada pelo Ministério da Saúde para o fechamento do contrato com a Pfizer antes do próprio depoimento do ministro Queiroga.



Nilson Klava: pelos corredores metalinguísticos da CPI

A prova do pudim da metalinguagem

Num sentido estrutural em termos de lógica midiática, a prova do pudim de que a CPI é um mero pseudo-evento (com o esforço promocional do jornalismo corporativo – e também progressista, porque vai sempre no vácuo da grande mídia) é a metalinguagem da cobertura feita pelo canal noticioso Globo News.

Sempre a presença da metalinguagem no jornalismo corporativo é um sintoma de que o acontecimento já possui uma logística e timing (a essência de um pseudo-evento) que favorece a cobertura extensiva – o que não ocorre nos acontecimentos verdadeiros, cujo fator imprevisibilidade desafia a investigação dos repórteres.

Em meio à cobertura da CPI, acompanhamos uma matéria especial do intrépido repórter Nilson Klava comandando um plano sequência pelas salas dos senadores no Congresso, sempre pedindo para o cinegrafista acompanhá-lo. Lembrando o pseudo repórter Ernesto Varela, personagem impagável que Marcelo Tass fazia na década de 1980, com o objetivo de criar situações constrangedoras com políticos entrevistados.

Bem diferente de Varela, Klava não quer colocar em xeque nenhum entrevistado. Seus esforços são apenas metalinguísticos: coloca no plano da câmara o boom operator captando o som ambiente apenas para enaltecer o esforço técnico da Globo News em um evento “histórico”. Enquanto isso, apresentador e analistas no estúdio comentam o esforço técnico que representa o repórter fazer um grande plano sequência nos corredores do Congresso, entrando e saído da sala dos senadores. 

Deixam de falar do acontecimento para falar da própria cobertura. Esse tautismo (tautologia + autismo midiático) significa que o evento já é, desde o seu início, concebido para a cobertura extensiva midiática. Assim como Fórmula Um, Copa do Mundo ou Olimpíadas: eventos concebidos em primeiro lugar para as lentes da mídia, submetendo todo o timing e ritmo dos acontecimentos às exigências técnicas da cobertura.

Se não, o que dizer do jornalismo de “notas plantadas” (“agrojornalismo”) em meio à CPI? Como, por exemplo, na coluna de Bela Megale no jornal O Globo intitulada “TV, documentos e discurso: a intensa rotina de Pazuello para se preparar para a CPI” (clique aqui) – breve nota que enaltece a intenção do general em “responder a todas as perguntas”, mesmo que o STF defira o habeas corpus.

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sexta-feira, 14 de maio de 2021

À CPI, ministério de Paulo Guedes, o enviado dos bancos, diz que não alocou mais recursos contra a Covid-19 porque governo subestimou pandemia em 2021

 

  Senadores questionaram a pasta por que, apesar de a doença já estar no Brasil há nove meses, o governo não incluiu recursos no orçamento de 2021 para combater a pandemia. Texto de resposta alega que a doença se tornou um fenômeno imprevisível

Guedes e pandemia da Covid-19

Guedes e pandemia da Covid-19 (Foto: Alan Santos/PR | ABr)


247 - Questionado pelos senadores da CPI da Covid por que não alocou mais recursos para a Covid-19 no Orçamento de 2021, o Ministério da Economia, chefiado por Paulo Guedes, respondeu que a doença era um fenômeno imprevisível e foi subestimada pelo governo.

Segundo documento do Ministério da Economia, cujo conteúdo foi revelado pelo Globo, a previsão de alocação de valores tornou-se incerta porque no momento da elaboração do orçamento não se vislumbrou a continuidade ou o crescimento da pandemia no patamar atingido em 2021.

“É fundamentalmente por esse motivo que as dotações específicas para o combate à pandemia foram, ao menos em regra, veiculadas por créditos extraordinários”, diz trecho elaborado pela equipe técnica da Secretaria de Orçamento, fazendo referência ao dispositivo usado para lidar com gastos urgentes e imprevisíveis, como foi o caso do coronavírus em 2020.

No final de abril, Guedes fez uma declaração que ilustra a decisão: “Todo mundo achou que a pandemia estava indo embora. Não adianta atacar só o governo federal. Estamos juntos nessa batalha. Não é hora de jogar pedra nos outros”. Ele também disse na ocasião que “erros foram cometidos por todos os lados”.

Em outubro de 2020, no Senado, o ministro afirmou que a pandemia estava caindo e que a economia estava se recuperando. “A doença está descendo, a economia está voltando, está voltando em V. A criação de empregos está se dando em ritmo bastante impressionante”, disse.

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Reinaldo Azevedo: Tragédia vivida pelo Brasil na pandemia não é uma fatalidade. Ela foi planejada e representa a necropolítica do clã Bolsonaro

 

Do canal BandNews FM:



Você pode acompanhar as análises dos principais assuntos do dia feitas por Reinaldo Azevedo no programa “O É da Coisa”, com Alexandre Bentivoglio e Bob Furuya, de segunda a sexta-feira, das 18h às 19h20, na BandNews FM: https://youtu.be/y4y2pHX0IgA

Vídeo dos Galãs Feios: Carluxo delira, Pazuello chora e Sanfoneiro passa álcool no nariz

 Do Canal dos Galãs Feios:

Carlos Bolsonaro, o carluxo, voltou a ser protagonista do governo de Jair Bolsonaro a ser citado na CPI da Covid como participante da reunião da Pfzier. Já Pazuello, o ex-ministro da Saúde, vai ficar calado durante depoimento pra mesma CPI. Marco Bezzi comenta.




Advogados do Instituto dos Advogados Brasileiros, IAB, defendem responsabilização criminal de Moro e membros da Lava Jato pelos abusos e crimes comprovadamente cometidos

 

Da Rede TVT:

Jorge Rubem Folena de Oliveira é doutor em Ciência Política, membro do Instituto dos Advogados Brasileiros e foi entrevistado nesta sexta-feira pela jornalista Marilú Cabañas no Jornal Brasil Atual. Folena analisou o pedido de Habeas Corpus do ex-ministro Pazuello para ficar calado na CPI da Covid e o pedido do Instituto de Advogados do Brasileiros de responsabilização criminal de Sérgio Moro e membros da Lava Jato.




O Brasil do insulto e da ignorância, por Henrique Matthiesen

 

Precisamos de uma mensagem de unidade nacional baseada no desarmamento polarizante, onde as pontes do diálogo e do desenvolvimento econômico, social e humanístico sejam o cerne da política nacional.


O Brasil do  insulto

por Henrique Matthiesen

Tempos estranhos vive a sociedade brasileira, cuja deterioração reside de um tempo pretérito não muito distante, onde a contaminação, ou melhor, o envenenamento político e social adoeceu gravemente o povo brasileiro.

As causas são sabidas  e recorrentes,  embora hoje as consequências inimagináveis e perturbadoras – para não dizer genocidas exterminantes – enchem os cemitérios e dividem a sociedade.

Escala insana e inadvertida da polarização política, no reflorir dos preconceitos e ódios de classes, na recorrente e eficiente marginalização e rotulação das forças progressistas, taxadas na narrativa da classe dominante de “comunistas e corruptas”, levou mais uma vez o Brasil ao obscurantismo.

Hoje os argumentos foram substituídos pelos berros neuróticos desprovidos de racionalidade e que ninguém escuta ninguém no prevalecer da polarização do retrocesso, e na bestialização pronta a explodir em violência e rupturas.

O que prevalece como palavra de ordem é insultar; afinal, a materialização verbal desta atitude visa exclusivamente ofender, injuriar, agredir, ultrajar o outro por meio do insulto: eu insulto, tu insultas, ele insulta, nós insultamos, vós insultais, eles insultam.

É perturbador verificar o exaurimento dos argumentos, a perda exonerável das humanidades, o germinar dos antigos e nefastos preconceitos de classe, e a ganância de nossas elites apodrecidas de mediocridades e mesquinharias.

Nem mesmo a mortandade de mais de 400 mil brasileiros – fruto de um negacionismo e  de ingerências políticas – é capaz de frear a marcha da insensatez e abrandar polarizações deletérias à brasilidade.

É preciso reconstruir o país economicamente e socialmente, mas mais urgente e imperioso é reconstruir humanamente baseando-se em valores mais edificantes e menos bestializados, assim como pregava Paulo Freire que acertadamente junto com Darcy Ribeiro enxergavam que somente pela educação edificaremos uma civilização mais humanista e menos ferina.

A reprodução e perpetuação dos estratos sociais com suas cargas hereditárias de preconceito e ódio de classe precisam ser enfrentadas e debatidas com franqueza e com generosidade. Secularmente reprodutivas em mais do mesmo, beiram o estopim da insanidade em um beligerante e irresponsável processo de intolerâncias e enfrentamentos que não deixará vencedores, apenas cadáveres em meios aos destroços sociais que a polarização entre o “bem e mal” reproduz.

Precisamos de uma mensagem de unidade nacional baseada no desarmamento polarizante, onde as pontes do diálogo e do desenvolvimento econômico, social e humanístico sejam o cerne da política nacional.

O exercício do insulto já deixou milhares de vítimas. Os retrocessos se avolumam a cada dia, a deterioração social grita de fome, de desassistência e de indignidade, assim como os insanos sofistas do ódio contam seus lucros e seu poder político que aumentam, cotidianamente, devido a patologia da intolerância e da aversão germinada e adubada por preconceitos e ganância.

Basta!

É urgente unir o Brasil e necessário edificar uma nova sociedade.

Não é mais possível tanta ignorância e tanto ódio.

Henrique Matthiesen – Formando em direito. Pós-Graduado em sociologia.

quinta-feira, 13 de maio de 2021

RBA: Recusar vacinas faz de Bolsonaro um genocida, diz associação de juristas pela Democracia


Da Rede Brasil  Atual:

 Para Juristas pela Democracia, milhares de pessoas morrem todos os dias por uma doença para a qual existe vacina. Mas o presidente dificulta a compra


"Presidente da República boicota a compra de vacinas, minimiza efeitos do lockdown e incentiva o uso de cloroquina, que não tem eficácia contra a covid-19", destaca a associação


São Paulo – As dificuldades impostas e mesmo a recusa à compra de vacinas por orientação do presidente Jair Bolsonaro configuram ato genocida, constata a Associação Brasileira de Juristas pela Democracia (ABJD). A entidade lembra que, por definição, genocida é o responsável pelo extermínio de muitas pessoas em pouco tempo. Ou seja, é legítima a nominação que irrita Bolsonaro a ponto de recorrer à Lei de Segurança Nacional (LSN) para perseguir os que assim o qualificam.

Por isso, a ABJD vem realizando iniciativas para esclarecer à população as razões pela qual Bolsonaro pode sim ser chamado de genocida. Entre elas, a projeção de imagens em um prédio no centro de Curitiba na noite da última segunda (10). Na atividade, o núcleo da associação no Paraná mostrou fatos relacionados à grave situação da pandemia de covid-19 no Brasil, como a falta de vacinas e de insumos como oxigênio hospitalar e até máscaras.

A projeção continha frases como “já são mais de 400 mil óbitos. Está faltando vacina, oxigênio, máscara, está faltando governo”. Outra: “Presidente da República boicota a compra de vacinas, minimiza efeitos do lockdown e incentiva o uso de cloroquina, que não tem eficácia contra a covid-19”. E “vários países compraram vacinas em 2020. Bolsonaro não quis comprar vacinas. CPI da Covid: Bolsonaro recusou pelo menos  11 propostas de compras de vacinas”.

Bolsonaro e as mais de 400 mil mortes

“Jair Bolsonaro tem usado a Lei de Segurança Nacional (LSN) para tentar perseguir desafetos políticos, especialmente pelo uso do termo “genocida”. As projeções explicam à população a correção da expressão e apontam que, se o Brasil possui hoje mais de 400 mil mortes por Covid-19, o responsável é o presidente, especialmente no ano de 2021,” explica o jurista Nuredin Allan, da Executiva Nacional da ABJD.

De acordo com ele, a recusa na compra de imunizantes fez com que apenas uma pequena fração da população fosse vacinada até agora. “Milhares de pessoas morrem por dia, vítimas das consequências da covid-19. Milhares de pessoas morrem todos os dias por uma doença para a qual existe vacina e que o presidente Jair Bolsonaro se recusou a comprar em número suficiente para imunizar a população e salvar vidas”, conclui.

Redação: Cida de Oliveira

CPI: gerente-geral da Pfizer confirma que empresa ofereceu 70 milhões de doses de vacina, rejeitadas por Bolsonaro

 

Carlos Murillo, gerente-geral da Pfizer na América Latina, concedeu depoimento à CPI e confirmou que o governo de Jair Bolsonaro rejeitou 70 milhões de doses da vacina. País hoje encontra-se à beira de um apagão de vacinas, com poucos insumos e imunizantes


Gerente-geral da Pfizer na América Latina, Carlos Murillo, ao lado do presidente da CPI da Covid, Omar Aziz (PSD-AM)

Gerente-geral da Pfizer na América Latina, Carlos Murillo, ao lado do presidente da CPI da Covid, Omar Aziz (PSD-AM) (Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado)

247 - O gerente-geral da Pfizer na América Latina, Carlos Murillo, afirmou em depoimento à CPI da Covid-19 nesta quinta-feira (13) que a empresa fez ao menos quatro ofertas de doses de vacinas contra a Covid-19 em 2020 que não foram fechadas. Segundo o representante da Pfizer, as negociações começaram em maio e em agosto foi feita a primeira oferta ao Brasil, com dois quantitativos disponíveis: 30 milhões e 70 milhões de doses. A primeira leva de imunizantes chegaria no final de abril.

O relator da CPI, Renan Calheiros (MDB-AL), questionou o representante sobre a oferta de vacinas: "A oferta feita pelo governo em 2020 foi de 6 milhões de doses, como disse o ministro Pazuello, ou de 70 milhões?". "Foram 70 milhões de doses", respondeu Murillo.

O dirigente afirmou que o laboratório fez mais duas ofertas, em 18 de agosto e 26 de agosto. Nesta última também foram ofertas 30 e 70 milhões de doses, mas o governo brasileiro ignorou a proposta.

"A proposta de 26 de agosto tinha validade de 15 dias. Passados 15 dias, o governo não rejeitou e nem aceitou a oferta", explicou o técnico da Pfizer. Calheiros também perguntou sobre as cláusulas do contrato que o governo classificou como “leoninas” e Murillo respondeu que “não concordamos com esse posicionamento”.

"Começamos as reuniões em maio e junho. Foram reuniões iniciais e exploratórias. Como resultados, no mês de julho, fornecemos uma expressão de interessa, em que resumimos as condições do processo que a Pfizer estava realizando em todos os países no mundo", acrescentou.

"Tivemos outras reuniões no mês de agosto. Em 6 de agosto, o ministério manifestou interesse. Em 14 de agosto, oferecemos nossa primeira oferta - de 30 milhões de doses e de 70 milhões de doses. O cronograma de entrega era o final de 2020 e inicio de 2021. Em 26 de agosto, fizemos uma terceira oferta (por 30 e 70 milhões de doses), mas tínhamos conseguido mais doses para o final de 2020", continuou.

Doses negadas, apagão de vacinas 

Em depoimento na CPI, nessa quarta-feira (12), o ex-secretário de Comunicação da Presidência da República Fabio Wajngarten afirmou que, em setembro de 2020, a Pfizer encaminhou ao governo Jair Bolsonaro a Pfizer encaminhou ao governo brasileiro, em setembro de 2020, uma carta dizendo estar disposta a colaborar com a oferta de vacina ao Brasil. 

O ex-chefe da Secom disse que soube da carta somente no dia 9 de novembro e que, até então, o Executivo federal não tinha tomado providência alguma. Wajngarten afirmou que, nesse dia, procurou Bolsonaro para avisá-lo da correspondência. Wajngarten também disse que iniciou tratativas com Murillo, à época representante da Pfizer no Brasil, com quem teve uma reunião. O governo alegou entraves burocráticos e necessidade de mudança na legislação brasileira para atender cláusulas do contrato oferecido pela farmacêutica norte-americana.

O depoimento de Fábio Wajngarten à CPI da Covid indicando que Bolsonaro negligenciou o país ao rejeitar a oferta da Pfizer por vacinas, aliado a falas xenofóbicas do ministro da Economia, Paulo Guedes, sobre a China que arranharam ainda mais a relação já desgastada com o país, o Brasil deu mais um passo para o que os gestores de saúde estão temendo que é o “apagão das vacinas” provocado pela escassez de insumos.  

Essa escassez de insumos vem da gestão do general Eduardo Pazuello, segundo coluna do jornal O Estado de S. Paulo , que ordenou que estados e municípios não guardassem a segunda dose da vacina distribuída em março, quando a orientação inicial era guardar metade para a segunda dose.

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Reinaldo Azevedo: CPI da Covid e pesquisa Datafolha fazem o (des)governo viver seu dia de cão

 

Do Canal BandNews FM:




Anunciando outro contrato de vacinas com Brasil, Pfizer não deve criminalizar governo para não correr o risco de perder o contrato milionário

 

Carlos Murillo anunciou, em sua fala introdutória, o fechamento de um segundo contrato de 100 milhões de doses que serão entregues ao Brasil. Com acordos de confidencialidade e negociações, farmacêutica não deve criminalizar Bolsonaro diretamente


Jornal GGN – Com um contrato fechado em 100 milhões de doses, um segundo com a mesma quantidade recém anunciado e acordos de confidencialidade, o CEO da Pfizer na América Latina, Carlos Murillo, indicou em sua fala inicial que não deverá criminalizar diretamente o governo de Jair Bolsonaro em relação aos erros cometidos na aquisição da vacina contra a Covid-19.

Murillo é o gerente da farmacêutica na América Latina, mas esteve no cargo de presidente da Pfizer do Brasil desde 2017 até novembro do ano passado, e afirmou que liderou as negociações com o país até a assinatura do contrato, realizada em março deste ano.

Expondo inicialmente a bandeira da empresa, junto ao avanço das pesquisas na vacinação, agradecendo o trabalho dos pesquisadores, cientistas e voluntários, Murillo aponto investimentos de mais de U$ 2 bilhões de dólares da Pfizer no desenvolvimento da vacina junto ao laboratório BioNTech, anunciando que não obteve nenhum investimento de governos de países para a área de pesquisa.

“Nossa companhia opera no Brasil desde 1952. O Brasil é, sem dúvida, o mercado mais importante dentro da América Latina. (…) Agora nossos esforços estão na parte produtiva. No começo deste ano, a expectativa de fornecimento ao Brasil era de 1,3 bilhões de doses, até umas semanas atrás aumentou a 2,5 bilhões de doses, e hoje estamos falando de possivelmente atender 3 bilhões de doses.”

Após apresentar a importância do mercado brasileiro, o representante da Pfizer anunciou, em tom de comemoração, que a agência regulatória do país, a Anvisa, foi a primeira no mundo a conceder o registro permanente do uso da vacina. “Depois, assinamos contrato de 100 milhões de doses. Nosso contrato previa a entrega de 13,5 milhões de doses no segundo trimestre, mais 86 milhões no terceiro trimestre. Acreditamos que vamos ser capazes de entregar 15 milhões”, continuou, em tom positivo.

Ao final de sua fala introdutória, o CEO da América Latina anunciou que a empresa estava “a portas” de fechar o segundo contrato com o governo brasileiro para a entrega de mais 100 milhões de doses: “Estamos a finais do nosso segundo contrato com o Brasil, com adicionais 100 milhões de doses, para o quarto trimestre deste ano. Com muito orgulho, vamos conseguir vacinar quase a metade da população do Brasil.”

CPI: Pfizer procurou o governo, pela primeira vez, em maio de 2020. Artigo publicado no Jornal GGN

 


Jornal GGN O CEO da Pfizer na América Latina, Carlos Murillo, disse à CPI da Pandemia, na manhã desta quinta (13), que a empresa procurou o Brasil para falar sobre a vacina em desenvolvimento contra Covid-19, pela primeira vez, ainda em maio de 2020. A interlocução se deu principalmente no Ministério da Saúde, através do então secretário-executivo Elcio Franco, que foi exonerado por Jair Bolsonaro em março de 2021, quando Marcelo Queiroga assumiu o comando da Pasta.

Além da Saúde, a Pfizer também conversou com o ministro Paulo Guedes, da Economia, em meados de maio e junho de 2020. Somente três meses depois, em setembro de 2020, é que a empresa decidiu escrever uma carta ao presidente Jair Bolsonaro pedindo celeridade na resposta brasileira para reserva de doses da vacina da Pfizer, que à época já era uma dos imunizantes mais promissores em desenvolvimento. A carta foi revelada à CPI pelo ex-chefe da SECOM, Fábio Wajngarten, que também manteve contato com a Pfizer.

“Também tivemos conversações com o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, e alguns deputados. Eu tive reuniões com Arthur Lira e o deputado Luizinho”, disse Murillo.

Em breve, novas informações:

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