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terça-feira, 4 de junho de 2019

Taxa de juros, abril de 2019 – 1, as mais altas taxas do planeta. Por Luis Nassif


Vamos a algumas conclusões, a partir dos últimos dados divulgados pelo Banco Central

Do GGN:




Vamos a algumas conclusões, a partir dos últimos dados divulgados pelo Banco Central

Taxas de juros do cartão vs composição de dívida

As taxas do cartão de  crédito rotativo estão em 278% ao ano, mais do em todo período anterior, com exceção do mês passado. Essa taxa pega o cliente em dificuldades, que não conseguiu quitar o valor no vencimento. No caso do crédito parcelado, ainda assim são taxas estratosféricas, de 170,8% ao ano, na média.
Nas negociações com inadimplentes, a taxa cai, mas para níveis extremamente elevados, de 61,3% ao ano.

Taxas e spreads em recursos livres

Para pessoas físicas, vêm ocorrendo um aumento gradativo das taxas de juros do segmento livre, chegando a 53,6% em abril, com um spread de 25,8%. Para pessoas jurídicas, o spread é de 12,9%, para taxas de 19,9%.
A alegação dos bancos, de que o spread elevado visa compensar os custos da inadimplência, não bate. A inadimplência caiu, ainda que levemente, o spread permaneceu elevado.
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quarta-feira, 8 de maio de 2019

terça-feira, 7 de maio de 2019

Luiz Carlos Bresser-Pereira: Reforma da Previdência de Guedes é uma mentira e um erro




A proposta do governo de capitalização na emenda da Previdência constitui grave ameaça a um direito humano fundamental que as sociedades civilizadas garantem: o direito a uma velhice digna. 

Ontem e anteontem, em suas declarações à imprensa e depois na Câmara dos Deputados, o ministro Paulo Guedes deixou claro que a proposta de capitalização do governo não tem apenas um sentido fiscal (apesar de ser esta a justificação oferecida para a reforma) e não tem como consequência “apenas” liquidar gradualmente com os sistema de Previdência Pública no Brasil. 

Visa também reduzir os encargos trabalhistas das empresas às custas do aumento do desemprego de todos aqueles que já estiverem empregados no dia em que essa emenda eventualmente entrar em vigor.

Os sistemas de previdência pública garantem uma velhice digna ao assegurarem uma aposentadoria (ou uma pensão) cujo mínimo seja proporcional à remuneração e à contribuição do segurado nos últimos anos antes da aposentadoria ou pensão, limitado esse mínimo por um teto de um determinado número de salários mínimos. 

Evita-se, assim, que alguém que ganha mais do que um salário mínimo tenha uma forte diminuição no seu padrão de vida ao se aposentar, estabelecendo-se, porém, um teto para não tornar o sistema caro demais. 

Para quem ganha até seis salários mínimos, sua aposentadoria é proporcional ao seu salário. Acima disso a aposentadoria será no valor do teto previdenciário, que no Brasil é de cerca de seis salários mínimos.

O sistema de capitalização é adequado como sistema complementar à previdência pública, mas incompatível com a previdência pública, porque tira dela sua caraterística essencial: garantir uma velhice digna. 

A capitalização envolve sempre uma diminuição senão a extinção do teto previdenciário. No caso da proposta do governo, a pessoa que “escolher” a capitalização terá apenas um salário mínimo como teto previdenciário. 

O resto fica por conta da empresa privada que escolheu para administrar suas contribuições previdenciárias; a pessoa dependerá, portanto, de quanto o respectivo fundo render, podendo ser zero se a empresa quebrar.
Na emenda do governo cada pessoa pode ou não optar pelo sistema de capitalização, mas na prática não haverá escolha. 

Como ficarão isentas da contribuição empresarial, as empresas empregarão apenas pessoas que tenham optado. 

Isto, que já estava razoavelmente claro, ficou claríssimo com as recentes declarações do ministro. 

Seu modelo é o do instituído no Chile, em 1981, pelo general Pinochet – um modelo desastroso para os trabalhadores chilenos, a grande maioria dos quais foi reduzido à condição de pobreza quando se aposentaram. Conforme ele disse ao Valor Econômico (3.4.19) haverá “um boom de empregos para os jovens de 16 e 17 anos”, porque as empresas lhes darão preferência. Preferência em relação a quem? 

A todos os demais trabalhadores do sistema antigo que ficarão, assim, em desvantagem competitiva.

Não nos enganemos, o ministro Paulo Guedes está levando adiante uma batalha contra os pobres e os trabalhadores em nome dos ricos. 

A reforma da Previdência – principalmente a definição de idade mínima para a aposentadoria – é essencial para ajustar as contas públicas. 

Mas a proposta de capitalização embutida nela deixa claro que para o governo beneficiar as empresas em prejuízo dos trabalhadores é tão importante senão mais do que garantir o equilíbrio fiscal. 

Ora, há aí uma mentira e um erro. 

Uma mentira porque não se está contando aos brasileiros qual é o outro objetivo da capitalização. 

Um erro, porque afinal também os ricos serão perdedores. 

O capitalismo não está baseado apenas no conflito de classes mas também na cooperação e nos acordos políticos. 

Para que haja desenvolvimento as empresas competentes precisam de uma taxa de lucros satisfatória que as motive a investir – não precisam que o governo lhes garanta privilégios às custas dos direitos humanos. 

Uma nação não tem condições de se desenvolver – não se torna forte e coesa para competir no plano internacional – quando seu governo não hesita em destruir uma instituição fundamental de solidariedade social como é a Previdência Pública.

Luiz Carlos Bresser-Pereira, Professor emérito da Fundação Getúlio Vargas onde pesquisa e ensina teoria econômica e teoria política desde 1959. Foi Ministro da Fazenda (1987) e Ministro da Administração Federal e Reforma do Estado (1995-98). É doutor honoris causae pela Universidade de Buenos Aires

segunda-feira, 6 de maio de 2019

O Brasil e o capital improdutivo dos bancos, da bolsa e dos golpistas antidemocráticos - Conversa com o Professor Ladislau Dowbor


Do Canal Tapera Taperá:




No dia 11 de fevereiro, o economista e professor Ladislau Dowbor compareceu à Tapera para debater a conjuntura econômica brasileira e seu livro "A Era do Capital Improdutivo".

Ladislau Dowbor sobre a trágica e desumana era do Capital Improdutivo, a mesma que incentiva golpes, destrói direitos e tem nojo da democracia



Do Canal da TV Senado:



Juros atraentes e impostos baixos explicam porque tanta gente tira dinheiro da produção e prefere viver de aplicações no Brasil. Uma das consequências é o processo de desindustrialização do país. O economista e professor da PUC-SP Ladislau Dowbor fala sobre essa realidade.

Publicado na internet em 08/11/2017