quarta-feira, 8 de outubro de 2025
Reinaldo Azevedo: O fascismo da extrema-dreita (dos seguidores de Bolsonaro e Trump) se revela
segunda-feira, 28 de julho de 2025
Derrotar e deslegitimar o bolsonarismo para salvar a Democracia. Artigo de Aldo Fornazieri, Professor da Fundação Escola de Sociologia e Política e autor de "Liderança e Poder"
O bolsonarismo trata as forças democráticas, progressistas e de esquerda como inimigas. Quer destruí-las. Age na democracia para destruir a democracia.
Com o fim da Segunda Guerra Mundial, o nazismo e o fascismo não só foram derrotados, mas foram também deslegitimados. A derrota foi em vários campos. A vitória das forças aliadas ocidentais e da União Soviética no front do Leste implicou numa derrota militar avassaladora ao Eixo constituído pela Alemanha, Japão e Itália. A derrota foi de tal ordem que as ideologias que buscavam legitimar esses regimes ficaram sem sustentação política e militar.
O processo de deslegitimação foi catapultado, principalmente, pela divulgação mundial das atrocidades que esses regimes cometeram contra inimigos externos e também contra populações e oposições internas. O Holocausto e as atrocidades ali praticadas foram o ponto mais alto da barbárie daqueles projetos políticos e ideológicos.
A condenação internacional dos crimes de guerra teve no Tribunal de Nuremberg um repúdio em nome do Humanismo e dos valores civilizacionais. Essa condenação estabeleceu uma interdição política, ideológica e moral ao nazismo e ao fascismo em, praticamente, todos os países do mundo, mesmo com as suas diferentes ideologias e diferentes sistemas e formas de governo.
Na esteira desse processo, nas democracias ocidentais, se fortaleceu um consenso de que era necessário garantir direitos aos trabalhadores, inclusão e bem-estar. Esse entendimento foi sacramentado na ideia e na construção do Estado de bem-estar social.
Com essa deslegitimação do nazismo e do fascismo, essas ideologias não morreram, mas submergiram por décadas, sofrendo até mesmo interdições legais. No final do século XX, já existiam sinais de seu ressurgimento através de organizações e agrupamentos extremistas de direita. Mas foi no início do século XXI que esses agrupamentos se tornaram mais assumidos, mais explícitos e mais ativos em disputas políticas, ideológicas e eleitorais. Quer dizer: buscaram relegitimar-se em diversas partes do mundo. Se afirmaram com mais força e ousadia nas democracias ocidentais.
Donald Trump, Bolsonaro, Viktor Orbán, Bukele, entre outros, se tornaram expressões públicas, partidárias e eleitorais mais conhecidas de uma série de grupos, partidos, movimentos, formuladores e ativistas dessas ideologias que assumiram várias formas matizadas. Hoje trabalham para construir articulações mundiais, buscando maior coerência, unidade e eficácia. Muitos analistas e pensadores foram surpreendidos por esse ressurgimento, pois, com a queda da União Soviética, acreditava-se que as democracias liberais estavam garantidas indefinidamente e que aquelas ideologias extremistas estavam mortas.
O Brexit, a vitória de Trump, de Bolsonaro, entre outros, e o fortalecimento dos partidos de extrema-direita em vários parlamentos são, não apenas fatos perturbadores, mas sinais de que existe uma crise profunda e de que o mundo está transitando de uma era política para outra, sem que esse futuro tenha qualquer garantia de seu desenho, de seu conteúdo e de sua forma. É aquela velha advertência de Antonio Gramsci: “o velho está morrendo e o novo ainda não pode nascer”.
Hoje existe uma batalha campal pelo domínio do novo período civilizacional. Ela envolve várias frentes: valores, ideologias, tecnologias, mercados, influências, corrida espacial, Big Techs, comida, água, rios, mares, florestas, terras raras, ecologia, metahumanismo, genética, biopolítica etc. As forças que estão nessa guerra campal ainda estão se alinhando, definindo seus rumos, suas armas, suas estratégias.
No trânsito do século XX para o século XXI não ocorreu apenas o colapso da União Soviética e uma crise do marxismo e das esquerdas. A democracia liberal também entrou em crise. O neoliberalismo foi uma tentativa de resposta, um epifenômeno da crise do liberalismo. O neoliberalismo provocou uma tensão extrema da democracia liberal, testando os seus limites.
Muitos analistas de esquerda afirmam que a emergência da extrema-direita se deve à crise do neoliberalismo. Mas não é só isso: é também o resultado da incapacidade do liberalismo e das esquerdas promoverem saídas para a crise das democracias. Incapacidade de oferecer soluções para os desafios ecológicos, econômicos, sociais, políticos, culturais e tecnológicos. A extrema-direita ressurgiu nas brechas, nas fendas deixadas pela ausência dessas alternativas, dessas incapacidades de renovar a democracia, os direitos, a igualdade e a liberdade.
Em 2022, o bolsonarismo sofreu uma derrota eleitoral, mas não política. O mesmo ocorreu com Trump quando foi derrotado por Biden. Nem os Democratas nem o sistema judiciário norte-americano se dispuseram a derrotar política e ideologicamente e a punir Trump e o trumpismo, mesmo com os acontecimentos trágicos da invasão do Capitólio.
No Brasil, a tragédia negacionista da pandemia, o golpismo recorrente de Bolsonaro durante seu governo e a tentativa explícita de golpe no final de 2022 e início de 2023 não estimularam as forças democráticas e progressistas a deslegitimar o bolsonarismo. Apenas o STF agiu com firmeza com o objetivo de derrotar o golpismo. O preço dessa inação dos democratas e progressistas é a permanência do bolsonarismo como força política significativa na disputa política e eleitoral.
Mas agora, com a traição e com a chantagem que a família Bolsonaro e os bolsonaristas estão promovendo contra o Brasil, estimulando o tarifaço de Trump, surge uma ocasião extraordinária para derrotar politicamente o bolsonarismo e deslegitimá-lo moralmente. O bolsonarismo não é uma força de direita que possa ser tratada como adversária no âmbito do jogo democrático. O bolsonarismo precisa ser tratado como uma força inimiga, que precisa ser derrotada e deslegitimada.
O bolsonarismo trata as forças democráticas, progressistas e de esquerda como inimigas. Quer destruí-las. Age na democracia para destruir a democracia. É inimigo da ordem republicana e democrática. É inimigo do STF porque, hoje, ele é o pilar fundamental da garantia do Estado de Direito e da Constituição. Quer derrubar e, se possível, eliminar os ministros do STF que são os mais ativos no combate ao golpismo.
Vivemos numa conjuntura em que não é possível impor uma interdição legal ao bolsonarismo e ao extremismo de direita. Mas é possível impor uma derrota política e uma deslegitimação moral, reduzindo sua influência na sociedade e seu espaço de manobra no meio político. É esta a ocasião que a traição e a chantagem dos bolsonaristas, associados ao tarifaço punitivo e ilegítimo de Trump, oferecem. A omissão nessa tarefa pode custar caro às forças progressistas e à democracia.
Aldo Fornazieri – Professor da Escola de Sociologia e Política e autor de "Liderança e Poder".
terça-feira, 14 de janeiro de 2025
Como reconstruir utopias e conter a extrema-direita? O jurista Pedro Serrano aponta caminhos para um futuro de justiça social
Jurista defende a união de movimentos sociais e um projeto político progressista que vença o "pragmatismo tóxico"
Do Jornal GGN:
A ameaça à soberania do Estado e aos direitos fundamentais da população, objetivo escancarado não só no Brasil, mas com a ascensão da extrema-direita global, também tem sido agravado pelo “pragmatismo tóxico” que domina setores da esquerda e pela falta de criatividade em propor novas utopias.
Essa é a visão do jurista Pedro Serrano, que acredita que o momento é crucial para unir a energia dos movimentos sociais a um projeto político capaz de mobilizar a crença em um futuro comum, “reconstruindo utopias”.
Para o jurista, isso envolve debater questões identitárias, combater o cancelamento autoritário e buscar um equilíbrio entre pragmatismo e idealismo. Além disso, é necessário resgatar a essência da política como um espaço de produção de ideias, e não apenas de administração de poder.
“Precisamos do valor da justiça social reconstruído. Como é que nós vamos alcançar mecanismos de proteção social nessas novas formas sociais que a gente tem? E, além disso, é preciso ouvir o que a sociedade está dizendo. Há mensagens transmitidas, até mesmo de reacionários, que precisamos entender. Não devemos reagir apenas com resistência própria”, defende Serrano.
Uma via promissora, aponta o doutor em direito pela PUC, é fortalecer a organização dos pequenos empreendedores. Com apoio e estímulos governamentais, essas iniciativas podem empoderar as comunidades, desde a agricultura familiar até pequenos comércios urbanos.
Essa solução, no entanto, não é suficiente, já que a revolução tecnológica substitui a mão de obra humana em ritmo acelerado. O desafio, nesse caso, não se trata de apenas mitigar os efeitos do desemprego, mas criar mecanismos de solidariedade social para integrar os excluídos.
“Com essa ideologia do empreendedorismo, você cria mecanismos muito perversos de trabalho, de ultraexploração. Ao mesmo tempo, surge outro fenômeno que considero extremamente importante: a exclusão. Isso acontece não só pela conjuntura, mas também pela própria estrutura das tecnologias”, avalia.
Para Pedro Serrano, enquanto a extrema-direita se organiza com uma narrativa de destruição para “reconstruir”, os progressistas precisam oferecer um projeto alternativo que inspire esperança. Caso contrário, segundo Serrano, seremos empurrados para um futuro de “necropolítica”, onde grandes contingentes de pessoas são descartados pela sociedade.
“A promessa do capitalismo e do liberalismo era que isso fosse naturalmente redistribuído na sociedade e que trabalharíamos menos, mas não foi o que aconteceu. Em vez disso, houve uma acumulação brutal de riqueza e o surgimento de um imenso contingente de pessoas cada vez mais sem função social“.
Regulação das redes e o combate ao crime organizado
O enfrentamento progressista no campo das redes sociais, explica o jurista, é um dos caminhos possíveis para evitar o domínio da extrema-direita.
No contexto global, Serrano aponta que a “revolução tecnológica” permitiu que as big techs ousassem substituir o Estado. “Começou com elas querendo ser reguladoras do direito à livre expressão. Agora, elas não querem ter responsabilidade pelo que se fala na rede, mas exigem o poder de excluir quem quiserem.”
“Na juventude, por exemplo, um dos políticos que defendem essa postura, como Javier Milei, é hoje o mais visto na América Latina”, diz Serrano, referindo-se ao discurso ultradireitista adotado por Milei nas eleições argentinas. “Esses exemplos deixam claro que estamos diante de um desafio à soberania estatal em várias frentes.”
Outro ponto levantado por Serrano é o avanço mundial do crime organizado, que tem de ser combatido resgatando o papel do serviço público. “No Brasil, estamos cada vez mais nos ‘mexicanizando'”, referindo-se aos grandes cartéis do narcotráfico que atuam no país.
“Com grupos criminosos dominando territórios. Por isso, considero correta a proposta do governo de permitir que a União atue diretamente no combate ao crime organizado. Não é mais possível delegar essa responsabilidade exclusivamente aos Estados”.
Veja um pouco mais da entrevista abaixo:
quarta-feira, 7 de agosto de 2024
A Democracia nas mãos do "bolsonarismo moderado" em São Paulo: Escola diz que professores não podem manifestar opinião sobre modelo cívico-militar de Tarcísio
Direção de escola estadual Guiomar enviou comunicado aos professores para que não expressem publicamente seu ponto de vista sobre o modelo cívico-militar do governo Tarcísio de Freitas
Do ICL Notícias citando a Folhapress:
Escola diz que professores não podem manifestar opinião sobre modelo cívico-militar de Tarcísio
Por Isabela Palhares
(Folhapress) — A direção da escola estadual Guiomar Rocha Rinaldi, na zona oeste de São Paulo, enviou um comunicado aos professores para orientá-los a não expressar publicamente seu ponto de vista sobre o modelo cívico-militar do governo Tarcísio de Freitas (Republicanos).
O documento afirma que os professores, sendo “funcionários contratados pela Secretaria Estadual de Educação”, devem apenas reproduzir as informações oficiais repassadas pela pasta.
A unidade é uma das cerca de 300 escolas da rede estadual em que os diretores manifestaram interesse prévio ao modelo. Os colégios têm até o próximo dia 15 para promover uma consulta a alunos, pais e professores sobre a adesão.
Em nota, a Seduc-SP (Secretaria da Educação do Estado de São Paulo) afirmou que o diretor da unidade será afastado e que uma apuração preliminar sobre sua conduta será aberta.
À reportagem professores classificaram o comunicado como uma tentativa de censura e intimidação. Eles relataram que têm sido consultados por alunos e pais que pedem mais informações sobre o modelo e dizem querer ouvir opiniões diversas antes de votar.
Os docentes afirmam que têm sido procurados também porque há pouca transparência e informação sobre a adesão ao programa. Eles questionam, por exemplo, por que os diretores manifestaram interesse antes de comunicar a comunidade escolar.
“Gostaríamos de comunicar a todos sobre a importância de não expressar publicamente, dentro da unidade escolar, para os estudantes e pais/responsáveis seu ponto de vista sobre a implementação da escola cívico-militar. É fundamental que essa decisão cabe aos pais, e responsáveis, ou seja, a comunidade escolar que deve escolher o que é melhor para os seus filhos”, diz o comunicado da direção enviado aos docentes.

Modelo cívico-militar está sendo implementado por Tarcísio de Freitas (Foto: Divulgação/Cleiby Trevisan)
Escola contraria secretaria
Ao contrário do que diz o documento da escola, pelas regras estabelecidas pela Secretaria de Educação, professores e outros profissionais da unidade podem e devem ser consultados sobre a adesão ao modelo.
Além dos professores e funcionários, podem participar da consulta alunos com mais de 16 anos e pais e responsáveis de alunos que ainda não completaram essa idade.
Na nota enviada à reportagem, a Secretaria da Educação disse também que “está aberta ao diálogo e apoia a livre manifestação em âmbito democrático”.
“O processo de consulta pública está sendo conduzido de maneira transparente, e o objetivo é ouvir a comunidade escolar, incluindo os docentes das unidades, que também participam da votação”, afirmou a pasta.
Uma série de polêmicas tem ocorrido nas escolas estaduais desde que o governo Tarcísio abriu o processo para a seleção das unidades que serão as primeiras a receber o modelo.
Em ao menos duas unidades os alunos se mobilizaram para que fosse retirada a intenção de adesão. É o caso das escolas estaduais Vladimir Herzog, em São Bernardo do Campo, e da escola Conceição Neves, em Cotia. Os estudantes argumentaram que os diretores não explicaram o motivo de terem demonstrado interesse sem consultar a comunidade escolar.
Professores e especialistas também têm criticado as regras definidas pela secretaria para a consulta. Eles afirmam que não é possível auditar a votação. Dizem ainda que a maioria dos alunos que serão afetados com o modelo não terá direito ao voto direto, que são os menores de idade.
O programa de escolas cívico-militares é uma das apostas de Tarcísio para manter e ampliar o apoio da base bolsonarista. O governador só passou a prometer o modelo em São Paulo após o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciar o fim do programa nacional de fomento a escolas cívico-militares criado por Jair Bolsonaro (PL).
O governo pretende selecionar 45 escolas para serem as primeiras a adotar o modelo a partir do próximo ano. Essas unidades vão receber policiais militares aposentados que vão desenvolver projetos para trabalhar assuntos como “direitos e deveres do cidadão” e civismo.
Conforme mostrou a Folha de S.Paulo, os PMs aposentados vão receber um adicional de até R$ 6.034 — valor que é 13% superior ao piso salarial dos docentes em São Paulo.
SAIBA MAIS:
Justiça de SP pede anulação de norma que cria escolas cívico-militares
sexta-feira, 1 de setembro de 2023
Ecos do bolsonarismo: Brasil bate recorde de feminicídios e vê alta em outras violências de gênero
Do Jornal GGN:


O feminicídio no Brasil atingiu um novo recorde em 2022. Cresceu em 6,1% o número de mulheres assassinadas no país em decorrência do gênero, ou seja, simplesmente por serem mulheres.
Os dados são do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, que revela um aumento de 1.437 vítimas a mais que no ano passado.
De acordo com o relatório “O crescimento de todas as formas de violência contra a mulher em 2022″, estes foram os maiores números desde a primeira edição da pesquisa, em 2017.
Além de feminicídios, o anuário também apontou que os homicídios dolosos contra mulheres cresceram 1,2% em comparação com 2022.
Para a pesquisadora do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Amanda Lagreca, é possível atribuir o aumento da violência letal contra as mulheres à uma série de fatores.
“Um desses fatores é, sim, o desmantelamento das políticas públicas de atendimento, atenção e acolhimento dessas vítimas. Porque a gente sabe que os feminicídios acontecem em um contínuo de violência. O que significa que essa mulher, que é morta, ela sofreu uma série de outras violências antes de sofrer essa violência letal”, explica Lagreca em entrevista ao Jornal GGN.
As mulheres vítimas de violência admitem que, em relação ao episódio mais grave sofrido um ano antes, 45% delas não fizeram nada.
“Quando a gente pergunta a razão pela qual não procurou a polícia, quase 40% delas indicam que resolveram o problema sozinhas. Isso significa que essa mulher, às vezes, não chega ao Estado. O Estado não sabe que essa vítima está sofrendo. E aí a gente pode, sim, atribuir a uma falta de políticas públicas efetivas de acolhimento.”
Amanda Lagreca, pesquisadora do Fórum Brasileiro de Segurança Pública
Violência doméstica
O relatório mostra ainda que não só os feminicídios cresceram no país, como também outras violências de gênero.
As agressões no contexto doméstico, ou seja, em casos em que o companheiro agride a mulher, aumentaram 2,9%, totalizando 245.713 ocorrências.
As ameaças atingiram a marca de 613.529 casos (7,2%) e os acionamentos ao 190, número de emergência da Polícia Militar, chegaram a 899.485 ligações, o que representa uma média de 102 ligações por hora.
Da perseguição à violência sexual
A ameaça é uma forma de violência psicológica que o agressor exerce sobre a mulher, onde pode causar dano emocional e a manter em seu domínio por medo, explica o relatório. Já a violência psicológica, que foi tipificada em 2021, registrou 24.382 boletins de ocorrência.
A perseguição (ou Stalking), que também foi tipificada criminalmente, registrou 56.560 ocorrências em 2022. O anuário afirma que o monitoramento desta modalidade é fundamental, já que o stalking é um fator de risco para casos de feminicídio.
A violência sexual também gerou dados expressivos no anuário. Os assédios chegaram a um aumento de 49,7%, o que contabiliza 6.114 novas ocorrências. A importunação sexual cresceu 37%, e fechou o ano de 2022 com 27.530 casos. De acordo com o relatório, os números são muito significativos.

Mulheres negras são as principais vítimas

O perfil das vítimas de feminicídio também foi traçado no relatório e, de acordo com os dados obtidos, as mulheres negras são as que mais morrem e as que mais sofrem as demais violências de gênero.
Entre as vítimas de feminicídio, 61,1% eram negras enquanto que 38%,4 eram brancas. Nos demais assassinatos, o percentual de vítimas negras é ainda maior, sendo elas 68,9% dos casos para 30,4% de brancas.

Explicando o crescimento à luz do governo Bolsonaro
Para o FBSP (Fórum Brasileiro de Segurança Pública), explicar o aumento das violências de gênero no país é um desafio, mas o relatório elenca algumas hipóteses:
1) o desfinanciamento das políticas de proteção à mulher por parte do governo de Jair Bolsonaro (PL);
2) a pandemia da covid-19, que encarcerou as vítimas com seus agressores
3) a ascensão dos movimentos ultraconservadores na política brasileira.
“O aumento do discurso de ódio e da resolução de conflitos de forma armada, de forma mais violenta, com certeza afeta na violência contra as mulheres.”
Amanda Lagreca, pesquisadora do Fórum Brasileiro de Segurança Pública
A pesquisadora Amanda Lagreca ainda ressalta que 5,1% das mulheres relatam que foram ameaçadas com faca ou arma de fogo no último ano, ou seja, um total de 3,3 milhões.
O relatório destaca também uma 4ª hipótese: quando uma sociedade avança com ações que promovam a igualdade de gênero, as violências contra as mulheres aumentam. Isso porque, como afirma o relatório, a violência é usada como ferramenta para reestabelecer a superioridade masculina.
Como combater a violência de gênero
O FBSP ressalta que para o combate ao feminicídio e a violência de gênero, é imprescindível que as políticas públicas olhem não só para apenas um grupo dessas vítimas. É necessário voltar os olhos também para as mulheres negras, moradoras de rua, travestis e transsexuais, trabalhadoras do sexo, mulheres do campo e da cidade, quilombolas e indígenas.
Além disso, é fundamental que o governo invista na criação e manutenção de políticas públicas, e se empenhe na efetivação dos direitos e garantias das mulheres, previstos na Constituição Federal.
“Esses fatores indicam que, enquanto sociedade, a gente tem falhado na garantia de direitos humanos básicos, inclusive a própria vida das mulheres.”
Amanda Lagreca, pesquisadora do Fórum Brasileiro de Segurança Pública
“Esses autores [de violências] estão inseridos dentro de uma lógica de sociedade que permite que eles consigam ser os autores dessas violências. A gente precisa pensar em políticas públicas que também transformem essa mentalidade da resolução dos conflitos no âmbito privado através da violência”, finaliza Lagreca.
sábado, 19 de agosto de 2023
Reinaldo Azevedo no UOL: Forças Armadas se deixaram contaminar e pagam o preço de terem feito política
Do UOL:
O ministro da Defesa, José Múcio, falou durante participação no UOL Entrevista desta quarta-feira sobre a decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não ter Garantia da Lei e da Ordem (GLO). No UOL News, o colunista Reinaldo Azevedo, do UOL, fala do tema
domingo, 16 de julho de 2023
GGN: Alexandre de Moraes e sua família são agredidos por três brasileiros bolsonaristas em aeroporto de Roma
Do Jornal GGN:
Ministro do STF foi chamado de "bandido, comunista e comprado" e seu filho foi agredido fisicamente

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes (STF), e sua família foram atacados por um grupo de brasileiros no aeroporto internacional de Roma, nesta sexta-feira (14). A informação é de Malu Gaspar, no O Globo.
Além de serem hostilizados, há relatos que o filho do decano foi agredido fisicamente. Segundo a reportagem, a Polícia Federal (PF) já identificou os três agressores.
O ministro da Justiça, Flávio Dino, se manifestou sobre a violência. “Até quando essa gente extremista vai agredir agentes públicos, em locais públicos, mesmo quando acompanhados de suas famílias ? Comportamento criminoso de quem acha que pode fazer qualquer coisa por ter dinheiro no bolso. Querem ser “elite” mas não tem a educação mais elementar“, escreveu em publicação no Twitter.
O caso
Morae estava com a sua família no aeroporto da capital italiana, quando voltava de uma palestra que ministrou na Universidade de Siena.
Na ocasião, ele foi xingado de “bandido, comunista e comprado” por uma mulher identificada como Andreia.
Posteriormente, um homem identificado como Roberto Mantovani Filho teria agredido fisicamente o filho do magistrado.
Outro homem, Alex Zanatta, prosseguiu com os xingamentos ao lado de Roberto e Andreia.
Justiça
A PF identificou todos os agressores, que desembarcaram na manhã deste sábado no aeroporto internacional de Guarulhos.
Eles responderão em liberdade por crimes contra honra e ameaça. Vale ressaltar que, apesar do caso ter ocorrido no exterior, os criminosos podem ser responsabilizados no Brasil.
De acordo com a reportagem, o ministro da Justiça, Flávio Dino, conversou com Moraes após o episódio e colocou a PF à disposição para investigar o caso.
A Suprema Corte, por sua vez, ainda não se manifestou.
quinta-feira, 29 de junho de 2023
Empresário que banca candidatura de Jair Renan Bolsonaro defende Hitler, Pinochet e ditadura militar
Dalçóquio, patrocinador da carreira política do “04”, é conhecido líder da extrema direita catarinense e apoiador e amigo de longa data de Jair Bolsonaro.
Atualizado em 28 de junho de 2023 às 21:51

Jair Renan Bolsonaro, o filho “04” de Jair Bolsonaro (PL-RJ), jantou na semana passada com o empresário catarinense Emílio Dalçóquio Neto. No evento, conforme noticiado pela imprensa local e pelo DCM, o empresário convidou o filho do ex-presidente para concorrer como vice-prefeito de Itajaí (SC), em chapa encabeçada por Dalçóquio, nas eleições de 2024. Desde janeiro deste ano, Jair Renan mora em Balneário Camboriú, vizinha a Itajaí, e trabalha como assessor no gabinete do senador catarinense Jorge Seif (PL).
Dalçóquio, patrocinador da carreira política do “04”, é conhecido líder da extrema direita catarinense e apoiador e amigo de longa data de Jair Bolsonaro.
Ao longo das eleições de 2022 e imediatamente após a contagem dos votos, ele defendeu abertamente e em mais de uma oportunidade que as Forças Armadas lançassem mão de um golpe militar. Em novembro do ano passado, ficou conhecido nacionalmente após a divulgação de um vídeo em que defendia que os eleitores de Bolsonaro se insuflassem contra o resultado das eleições. Veja abaixo.
Este não é o único pronunciamento criminoso que Dalçóquio coleciona em sua vida. Na lista de impropérios consta ainda a defesa de Adolph Hitler e Augusto Pinochet. Consta ainda ataques homofóbicos (“A Parada Gay é uma depravação total”), ataques à população de Itajaí e aos brasileiros e a defesa do fim da democracia no Brasil.
“Hitler estava defendendo a Alemanha dele”
Há um ano, Dalçóquio participou de uma um programa de entrevistas em um canal do Youtube. Na ocasião, ele disse que não era nazista, mas sim “realista”. Ele disse:
“Na 2ª Guerra Mundial, por que o pessoal queria derrotar a Alemanha? Porque os melhores são os alemães! O melhor produto do mundo é o que o alemão faz. Temos que rever a história.
(…) Não sou nazista, sou realista, o melhor produto do mundo é o que o alemão faz. Mesmo com essa mudança toda, que a Alemanha já não é mais aquela Alemanha toda que nós vimos. Porque Hitler já avisava: “Olha a União Soviética, olha a União Soviética!”. E está acontecendo tudo aquilo que ele falou. Hitler estava defendendo a Alemanha dele!”
Assista ao vídeo abaixo, em que o empresário ainda diz que “mulher que fala de machismo é tudo mal amada”.
“Viva Pinochet. Ele matou quem tinha que matar”
Há quatro anos, Dalçóquio invadiu uma reunião do sindicato dos professores de Santa Catarina para pregar o “fim do ensino do comunismo nas nossas escolas e faculdades”. Na ocasião, ele ofendeu os docentes e defendeu aos berros que Augusto Pinochet, ex-ditador chileno que tem em suas costas mais de 3.000 assassinatos de opositores a seu regime, “matou todo mundo que tinha que matar”. Na mesma ocasião, ele também defendeu o genocídio da população indígena que vivia na América Latina durante o período colonial. Veja abaixo.
“O brasileiro é desleixado, Itajaí é terra de maconheiro e o Brasil precisa de regime militar”
Em 2015, em entrevista concedida à jornalista Franciele Marcon, do Diarinho (maior jornal de Itajaí), Dalçóquio colecionou uma série de declarações polêmicas, para dizer o mínimo. Na ocasião, ele disse que sua empresa estava devendo R$ 500 milhões em impostos não pagos por culpa do governo federal e da então presidenta, Dilma Rousseff (PT). Leia alguns trechos abaixo ou clique aqui para acessar a íntegra da entrevista.
Diarinho: Nos últimos anos, a Dalçóquio acumulou dívidas que chegam em 500 milhões de reais, só em impostos atrasados. O que houve com a administração da empresa?
Dalçóquio: O governo atual trata o empresário como bandido e o bandido como empresário. (…) O que ocorre é que de um tempo para cá a velocidade em que os impostos são cobrados e os juros em cima deles, fica praticamente impossível pagar.
(…)
Dalçóquio: Eu me identifico com a farda. Eu fui da polícia do Exército de Brasília. Eu fui dispensado de Itajaí, Blumenau, Curitiba e Brasília porque eu era de Itajaí, e Itajaí é terra de maconheiro. Mesmo assim eu fui, servi e no meio de 1200 homens, fui o único que tirou duas vezes honra ao mérito. Eu sou apaixonado pelo mundo militar, porque lá existe ordem e a sequência da ordem é o progresso.
(…)
Dalçóquio: Aqui no Brasil tem que ser regime militar. Eu sou a favor do regime militar porque o brasileiro é desleixado. Para entender o que eu estou falando tem que entender de história. Os trabalhadores sabem o que estou falando. Eu não estou ofendendo os trabalhadores. A massa brasileira é desleixada, e se não tiver um regime que a norteie, vira o que estamos vivendo agora. Alunos dando tapa em professor. Uma inversão de valores brutal, onde a família não vale mais nada, onde o pai e a mãe não podem exigir mais nada do filho, o caos.
(…)
Diarinho: O regime militar torturou, matou e destruiu muitas famílias. O senhor é a favor dele?
Dalçóquio: Morreu quem tinha que morrer. Quem trabalhava, estudava, quem tinha o que fazer, não morreu.

sábado, 24 de junho de 2023
Metrópoles: Presos no 8 de Janeiro admitiram à polícia intenção real de dar golpe
Uma das golpistas presas no 8/1 disse que ouviu, no acampamento no QG, um discurso preparatório para tomada dos prédios dos Três Poderes
atualizado

Depoimentos que presos no dia 8 de janeiro deram à Polícia Civil do Distrito Federal confirmam as motivações golpistas do acampamento que se formou em frente ao Quartel-General do Exército, em Brasília, de onde partiu o ato que resultou na invasão e na depredação dos prédios dos Três Poderes.
Nos depoimentos obtidos pela coluna, golpistas assumiram ter invadido o Palácio do Planalto para derrubar o governo Lula. Uma delas, a desempregada Vildete Ferreira da Silva, declarou que deixou o “quartel de São Paulo” de ônibus, rumo a Brasília, com o objetivo de depor o governo federal. O ônibus que a trouxe teria sido oferecido sem custos.
A professora Cibele da Piedade Ribeiro da Costa Mateos disse que deixou São Paulo também em um ônibus gratuito, no dia 7 de janeiro, instalando-se no acampamento em frente ao QG. Ela contou que foi à Praça dos Três Poderes com o “objetivo de ocupar os prédios, sentar e esperar até vir uma intervenção militar para não deixar o Lula governar”.
Essa justificativa é repetida várias vezes pelos presos. A professora Gisele do Rocio Bejes admitiu que invadiu prédios públicos porque “teria ouvido uma orientação no movimento para todos entrarem, sentarem e ocuparem os espaços”. Ela disse que a orientação foi passada “de um para o outro”.
Já a vendedora Ines Izabel Pereira não soube nem identificar o Palácio do Planalto no depoimento, mas declarou que estava no prédio “para fazer volume na multidão”. A golpista, que também fez o percurso de São a Brasília em um ônibus gratuito, disse que, se “tivesse muita gente [dentro do prédio], teria o apoio do Exército para evitar a instalação do comunismo no Brasil”.
Um dos relatos mais explícitos foi o da pensionista Ana Elza Pereira da Silva, uma das pessoas presas em flagrante no Palácio do Planalto. Ela afirmou aos policiais que “foi enganada” ao se juntar à manifestação. Segundo ela, uma liderança do acampamento teria dito que aquela seria só uma passeata, e que o golpe em si aconteceria na segunda-feira, 9 de janeiro.

Luís Nova/Especial Metrópoles

Metrópoles

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Igo Estrela/Metrópoles

Luís Nova/Especial Metrópoles

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Metrópoles
“(…) Uma das responsáveis no QG por falar ao microfone disse que seria apenas uma passeata no dia de hoje [8/1], pois amanhã haveria, com a chegada de pessoas do agronegócio e dos caminhoneiros, a invasão e tomada dos Três Poderes”, disse a pensionista, identificando a mulher ao microfone como “Ana Priscila”.
A menção é uma provável referência a Ana Priscila Azevedo, apontada como uma das líderes do acampamento, e que só foi presa dois dias após a invasão.



