Mostrando postagens com marcador Fernando Haddad. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Fernando Haddad. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 25 de maio de 2023

Xadrez do arcabouço e o nó da tática defensiva de Lula, por Luís Nassif

 

Tem-se uma correlação de forças desfavorável. Que estratégia adotará? Nunca a habilidade política de Lula será colocada tanto à prova.



Peça 1 – o cenário político 


O primeiro passo do estrategista é analisar o cenário político. 

Vulnerabilidades

  1. Congresso, dominado pelo Centrão e direita.
  2. Mercado, com ampla influência na mídia.
  3. Forças Armadas, ocasionalmente legalistas, mas nem tanto.

Trunfo


Popularidade –> Bem estar –> Economia 

Ou seja, a única arma para enfrentar essa soma de vulnerabilidades é reforçar a popularidade.  Só que ela depende do bem estar geral – consumidores e empresas – que depende da melhora da economia. E tem-se um tempo político pela frente que, se não for bem administrado, tornará a crise política irreversível.

Economia


Por sua vez, a economia depende do entrelaçamento de uma série de fatores: investimentos público, privado e externo, fortalecimento do mercado de consumo etc.

O fator juros


Em todos esses elementos, entra o fator Selic-taxa de juros.

Vamos remontar o quadro acima com os fatores diretamente afetados pela Selic.

Por exemplo, o Estado disponibiliza investimentos para o setor privado, como uma obra de engenharia. Só que a empresa precisará de capital de giro para construir a obra e, depois, receber o pagamento. E a taxa de juros é essencial para viabilizar o investimento. 

No caso do investimento privado, a taxa de juros inviabiliza a tomada de dinheiro e o mercado de consumo. No caso do investimento externo, influencia diretamente a relação dívida/PIB.

Ou seja, sem a redução da Selic, não se tem recuperação da economia, não aumenta o bem estar do país e não permite a Lula fortalecer a popularidade para enfrentar as vulnerabilidades e as próximas eleições.

Peça 2 – a estratégia Haddad


A estratégia montada pelo Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, consiste nos seguintes pontos.

  1. Não mexer com nenhum dos dogmas do mercado, a começar pela independência absoluta do Banco Central.
  2. Dentro das regras do mercado, apresentar uma alternativa à Lei do Teto, o arcabouço fiscal.
  3. Com base no arcabouço, tirar o último álibi do Banco Central para não reduzir a taxa Selic.
  4. Sem esse álibi, aumentariam as pressões do setor privado e político sobre o BC, forçando-o a reduzir a Selic.
  5. Reduzindo a Selic, a economia começaria a respirar, permitindo a Lula recuperar popularidade e incrementar as políticas de inclusão.

Para aprovar o arcabouço, no entanto, teve que se sujeitar a uma série de restrições: limites rígidos de despesas, pouco espaço para o investimento e, ainda, compromisso de equilíbrio fiscal a partir do próximo ano e de superávit a partir de 2025. O arcabouço conseguiu até o feito de incluir o Fundeb (Fundo de Desenvolvimento da Educação), que havia ficado de fora da Lei do Teto.

Para conseguir aumentar os gastos, o governo terá que aumentar as receitas. Mesmo assim, há um limite de crescimento de 2,5% nos gastos.

Se o governo errar na projeção, a diferença será paga em 2025. Ou seja, se a Fazenda não conseguir cumprir suas metas de equilíbrio fiscal, a diferença será cortada dos gastos no ano seguinte.

Pelo modelo proposto, as metas serão alcançadas pelo aumento das receitas – decorrente do corte de subsídios injustificados e restrições à engenharia fiscal de grandes empresas.

Ao apostar todas as fichas no arcabouço, em um primeiro momento a Fazenda amplia ainda mais as restrições à recuperação da economia, esperando recuperar no segundo momento.

É uma aposta temerária. Em preto, as restrições sob controle do BC; em vermelho, as restrições impostas pelo arcabouço fiscal.

Para essa estratégia dar certo, terá que ocorrer, simultaneamente, uma redução da Selic e um aumento da receita. Se ambos os desafios falharem, se terá o comprometimento total das peças necessárias para um processo de recuperação da economia: os investimentos e gastos públicos.

Peça 3 – os 2 reis do tabuleiro


Para sua estratégia ser bem sucedida, Haddad terá que contar com a boa vontade de dois personagens absolutamente não confiáveis:

  1. O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, para reduzir a Selic.
  2. O presidente da Câmara Arthur Lira, para endossar a retirada de privilégios fiscais.

No primeiro movimento, ambos foram mais que parceiros, foram os verdadeiros autores do arcabouço. Não houve, da parte do governo, nenhuma disputa política em torno do arcabouço e nem da reforma administrativa. 

Não se trata de nenhuma crítica a Haddad, mas de um dado da realidade: Arthur Lira é senhor da situação, assim como Campos Neto. Mas fica a dúvida: Haddad se adapta à estratégia de não enfrentamento de Lula; ou, de fato, passou a endossar todos os princípios de política econômica do mercado?

A esperança de Haddad é que, entregue o que Campos Neto pediu, haja uma pressão de seus aliados pela redução da Selic.

Aí, é importante analisar o entorno de Campos Neto e Lira.

Roberto Campos Neto


Há duas explicações para sua insistência em uma Selic desproporcionalmente elevada. 

A primeira, o álibi da ignorância, o sujeito que segue o manual sem a menor noção sobre o objeto afetado. Seu único universo de análise é o mercado, não a economia real.

O segundo, a ideologia. A economia saiu de um período de ultraliberalismo, de grandes negócios com empresas públicas, de esvaziamento de políticas públicas, que vai do interinato de Temer ao período Bolsonaro-Paulo Guedes. Campos Neto é um soldado de Guedes. Manter a Selic em 13,75%, ou derrubá-la lentamente, significará o fracasso de qualquer política alternativa, por mais tímida que seja, e a volta do padrão Paulo Guedes. Ou seja, a Selic hoje é uma garantia da volta do ultraliberalismo em 2026.

A esperança seria um aumento expressivo da pressão dos setores produtivos. Há um tsunami a caminho, uma quebradeira generalizada, sem despertar a menor sensibilidade da mídia. Na reunião do Conselho Nacional de Desenvolvimento Industrial, o alerta de Benjamin Steinbruch, presidente da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) sobre o vendaval que vem pela frente passou quase em branco. E a indústria está órfã de lideranças fortes.

Qual a probabilidade de que Campos Neto, por livre vontade, proceda a uma redução significativa da Selic? Digamos que seja de 40%.

Arthur Lira

Lira é negócio. Aprovou o arcabouço fiscal porque interessava diretamente seus patrocinadores. E não tem o menor interesse de aprovar retirada de subsídios aos grandes grupos econômicos.

Agora, há duas possibilidades pela frente: ou a Fazenda consegue reduzir benefícios fiscais de grandes grupos, ou terá que ampliar a privatização para fazer caixa. Ora, benefícios fiscais tem grandes interessados pela frente. Queda de gastos sociais, também. Qual a probabilidade de Lira apoiar as medidas de restrição dos subsídios? Digamos, de 30%, com otimismo.

Juntando as duas probabilidades, se terá uma probabilidade total de 12% de implementação das duas medidas centrais para a estratégia Haddad ser bem sucedida.

Peça 4 – a estratégia da não confrontação


Até agora, o que se percebe é a incapacidade do governo de enfrentar qualquer frente de pressão.

CongressoA mudança no projeto de reforma administrativa mostra o amplo controle conservador sobre a Câmara. A bancada ruralista conseguiu esvaziar o Ministério do Meio Ambiente e o dos Povos Indígenas, abrindo a porteira para a demarcação de terras indígenas. Por mais que o governo queira comemorar, a aprovação do arcabouço foi vitória de Arthur Lira.
MercadoHaddad encampou completamente o discurso de mercado e de restrições fiscais. Dificilmente abrirá fogo contra Campos Neto, o que atrasará substancialmente a redução de juros.
Forças ArmadasLula entregou o GSI (Gabinete de Segurança Institucional) a um militar, colocou sob suas asas a ABIN (Agência Brasileira de Inteligência) e manteve sem nenhuma forma de controle civil a inteligência militar. Os militares continuam com os mesmos espaços conquistados nos últimos anos.

A crise econômica


Confira-se a pesquisa Focus, que levanta as expectativas do mercado. É o melhor termômetro das intenções do Banco Central, devido à interação permanente entre Campos Neto e o mercado.

Na última pesquisa, a previsão é 2023 fechando com Selic a 12,5%; 2024 com Selic a 10%; e 2025 com Selic a 9%.

Já em relação ao PIB, a Focus prevê 1,20% em 2023, 1,30% em 2024 e 1,70% em 2025. As expectativas em relação a 2024 e 2025 são mero chutômetro.

É evidente que, com a projeção de Selic e de PIB, a dívida líquida do setor público só poderia subir. E a Focus trabalha com estimativas de 60,80% do PIB em 2023, 64,45% e 2024 e 67% em 2025.

Se o mercado estiver  certo, a economia afunda.

Peça 5 – a contagem regressiva

É evidente que o governo está fragilizado e batendo cabeça. Não colou a tentativa de apresentar como vitória a aprovação do arcabouço fiscal.

Mas é evidente, também, que nenhum governo vai para o matadouro sem reagir. Em algum momento será necessário uma freada de arrumação com Lula interrompendo sua ofensiva internacional, voltando-se para o dia a dia político e articulando as armas de que dispõem a Presidência.

Há um conjunto de instrumentos para enfrentar a crise, e que passam ao largo do arcabouço fiscal, como o poder de fogo dos bancos públicos, os projetos da Petrobras, os estímulos fiscais a novos investimentos.

A questão é o tempo político e a disposição política de Lula de sair da cartilha liberal – algo que só ocorreu nos dois primeiros governos devido à crise mundial de 2008.

Na sua volta ao poder, em 1950, Getúlio Vargas não demonstrava mais o tirocínio político e a energia do período anterior. Conspiravam contra o novo quadro político, diferente do seu período de liderança, a própria idade e o clima anticorrupção pesado, que precede os grandes golpes.

As constantes viagens internacionais de Lula são relevantes para a recolocação do país na geopolítica internacional e para a atração futura de investimentos. Mas a grande batalha é aqui e agora. E tem-se uma correlação de forças fortemente desfavorável.

Que estratégia adotará? Nunca a habilidade política de Lula será colocada tanto à prova. Mesmo sabendo-se que no fim do túnel tem um bolsonarismo aguardando a presa.

terça-feira, 26 de março de 2019

Do DCM: Lideranças progressistas definem resistência ao desgoverno Bolsonaro: pela soberania do Brasil. Por Joaquim de Carvalho


Os ex-candidatos a presidente Fernando Haddad e Guilherme Boulos se reuniram com Sônia Guajajara, candidata a vice na chapa de Boulos, o governador Flávio Dino e o ex-governador Ricardo Coutinho para definir estratégia de resistência ao desgoverno Bolsonaro. Leia a nota:



Haddad, Boulos,,Sônia Guajajara, Flávio Dino e Ricardo Coutinho

Nota à Imprensa
Brasília, 26 de março de 2019
Reunidos nesta manhã em Brasília, realizamos um debate sobre o atual momento nacional, especialmente considerando o rápido e profundo desgaste do Governo Bolsonaro. Destacamos alguns pontos para reflexão de toda a sociedade:

1. Estamos atentos e mobilizados para evitar agudos retrocessos sociais, trazidos por esse projeto de Reforma da Previdência, centrado no regime de capitalização e no corte de direitos dos mais pobres.
2. Do mesmo modo, convidamos para a defesa da soberania nacional. Consideramos que por trás do suposto discurso patriótico do atual governo há, na prática, atitudes marcadamente antinacionais, como vimos na recente visita presidencial aos Estados Unidos.
3. Em face da absurda decisão do Governo Bolsonaro de “comemorar” o Golpe Militar de 1964, no próximo dia 31 de março, manifestamos nossa solidariedade aos torturados e às famílias dos desaparecidos. Sublinhamos a centralidade da questão democrática, que se manifesta na defesa do Estado de Direito, das garantias fundamentais e no repúdio a atos de violência contra populações pobres e exploradas, a exemplo das periferias, dos negros e dos povos indígenas. Não aceitamos a criminalização dos movimentos sociais, uma vez que eles são essenciais para uma vivência autenticamente democrática.
Nesse contexto, é urgente assegurar ao ex-presidente Lula seus direitos previstos em lei e tratamento isonômico, não se justificando a manutenção de sua prisão sem condenação transitada em julgado.
Por fim, essa reunião expressa o desejo de ampla unidade do campo democrático para resistir aos retrocessos e oferecer propostas progressistas para o Brasil.
Fernando Haddad
Ex-candidato a presidente da República
Guilherme Boulos
Ex-candidato a presidente da República
Flávio Dino
Governador do Maranhão
Sonia Guajajajra
Ex-candidata a vice-presidente da República
Ricardo Coutinho
Ex-governador da Paraíba
Fonte: DCM

quarta-feira, 24 de outubro de 2018

'Fiz uma opção: derrotar Jair Bolsonaro', diz Haddad em Ato da Virada, no Rio


"Estou aqui para evitar a cafajestização do homem brasileiro", disse Caetano Veloso. "Não queremos mais mentira e força bruta. Queremos paz, queremos Fernando e Manuela”, disse Chico Buarque

Estimativa de 70 mil pessoas na Lapa pela democracia (RICARDO STUCKERT)
Ato da Virada
da Rede Brasil Atual
"Estou aqui para evitar a cafajestização do homem brasileiro", disse Caetano Veloso. "Não queremos mais mentira e força bruta. Queremos paz, queremos Fernando e Manuela”, disse Chico Buarque
por Maurício Thuswohl, para a RBA
Rio de Janeiro – Aos gritos de “Ele, não!” e “Lula presente, Haddad presidente”, cerca de 70 mil pessoas estiveram nos Arcos da Lapa, zona central do Rio de Janeiro, na noite desta terça-feira (23) para o “Ato da Virada – Brasil pela Democracia”, realizado em apoio ao candidato do PT à Presidência da República, Fernando Haddad.
O ato, que teve a participação de artistas como Chico Buarque e Caetano Veloso, foi marcado pelo repúdio às recentes declarações do candidato do PSL, Jair Bolsonaro, que ontem (22) ameaçou seus opositores com “a prisão ou o exílio” e afirmou que colocará as forças de segurança do país para “dar no lombo” dos “petralhas” e dos “bandidos do MST e do MTST”.
Haddad, que passou o dia no Rio em atividade na Favela da Maré e em reuniões com representantes das comunidades judaica, evangélica e católica, criticou as afirmações de Bolsonaro: “Ele disse que depois das eleições eu teria dois destinos: a prisão ou o exílio. Eu fiz uma opção: resolvi derrotar Jair Bolsonaro. Eu não o quero preso nem exilado. O que eu quero é que ele viva com saúde para ver os negros na universidade, as mulheres emancipadas e donas do seus destinos, as terras indígenas demarcadas, os nordestinos progredindo com água, comida, trabalho e educação”, disse.
O candidato do PT adotou um tom duro contra o adversário: “Ele disse que quer acabar com o ‘coitadismo’ de mulheres, negros, nordestinos e gays. O meu recado pra ele é: Jair, se olha no espelho, o coitado é você, que não passa de um soldadinho de araque e só fala grosso porque tem gente armada à sua volta. Você não é capaz de enfrentar um debate, não é capaz de enfrentar uma entrevista sem censurar jornalista livre”.
A atividade pública de Bolsonaro também foi criticada: “Foram sete mandatos de nada, com o dinheiro público pagando o teu salário. São 28 anos no Congresso Nacional propagando o ódio, sem apresentar uma ideia, medíocre que fosse. Não sai nada dele que não seja o pior do ser humano. Ele só sabe agredir, difamar e caluniar, e agora se sabe como: através das fake news nas redes sociais bancadas por amigos empresários que apoiam o projeto neoliberal que ele representa”.
Haddad falou também sobre a possibilidade de virar o jogo até o dia da votação e a necessidade de "dar razão às pessoas' para conquistar as pessoas. "Não estou falando dos coxinhas que sempre nos odiaram, mas das pessoas que estão revoltadas porque estão desempregadas ou deixaram a universidade", explicou. "A essas pessoas nós precisamos abraçar e sentar para conversar daqui até o domingo. Vamos dialogar, eles não são nossos inimigos. Vamos fazer um projeto fraterno e avançar do ponto de vista social. Domingo nós vamos ganhar a eleição. Estou sentido no ar uma virada. Nós começamos a crescer e ele começou a cair. Nós temos cinco dias para fazer crescer ainda mais essa onda positiva."

Frente ampla pela democracia

Representantes de todos os partidos do campo progressista usaram o microfone para confirmar o apoio a Haddad e defender a democracia contra a ameaça representada pelas propostas de Bolsonaro: “Esta eleição está ocorrendo sob fraude, crime eleitoral e mentira. Neste momento, o Brasil está correndo o sério risco de legitimar pelo voto uma ditadura no país. Corremos o risco de eleger um ditador corrupto e mentiroso. Queremos defender o direito de discordar e a democracia”, disse a deputada federal Jandira Feghali, do PCdoB. 
Candidato do Psol no primeiro turno, Guilherme Boulos também mandou um recado a Bolsonaro: “Esse é um momento de luta pela democracia no nosso país. É preciso ter lado, ter coerência. Não cabe ficar em cima do muro, não cabe neutralidade porque neutralidade em um momento como esse significa cumplicidade. Há um candidato a presidente que ameaça as instituições, que ameaça seus opositores com a prisão ou o exílio, que diz que vai tratar como terroristas os movimentos sociais. O único jeito de acabar com o MTST é construir 6 milhões de casas no país”.
Ao lembrar Marielle Franco, vereadora assassinada no Rio de Janeiro, o deputado federal eleito Marcelo Freixo, do Psol, proporcionou um dos momentos mais emocionantes da noite: “Bolsonaro, a sua capacidade de provocar medo não é e nunca será maior do que a nossa capacidade de sonhar por liberdade e democracia. É a eleição mais importante da história das nossas vidas porque precisamos derrotar um projeto fascista. Pelo terror, tiraram de nós a Marielle, que estaria aqui conosco neste momento”, disse.
O senador petista Lindbergh Farias que, segundo Bolsonaro, irá em breve para a cadeia “apodrecer” ao lado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, também alertou para o risco que corre a democracia no país: “Está muito claro que o plano do Bolsonaro é levar o Brasil em direção a uma ditadura. Bolsonaro vem dizendo há muito tempo o que quer fazer no Brasil. O símbolo dele não é Geisel, não é Médici, é o Brilhante Ustra”, disse. Lindbergh também criticou o Supremo Tribunal Federal: “Impressiona a covardia do STF neste momento da nossa história. Nenhuma resposta à indústria de fake news que foi montada no país”.
Falando em nome do PSB, o deputado federal reeleito Alessandro Molon comparou Bolsonaro ao presidente Michel Temer, do PMDB: “Estamos aqui nesta praça porque acreditamos na força transformadora da educação. Por isso vamos votar em quem defende dar para cada criança do nosso país um livro, um lápis e uma borracha e não uma arma. Quem faz uma campanha suja não pode fazer um governo limpo. Temos que tirar o Brasil do atoleiro em que Temer, Bolsonaro e sua turma o colocaram”, disse.
RICARDO STUCKERTChico e Caetano
  • Desde os anos 1970 Chico Buarque e Caetano Veloso não dividiam as mesmas paixões no mesmo palco juntos e ao vivo
Importantes figuras da história política nacional também foram lembradas durante o ato: “Se estivesse vivo, Leonel Brizola certamente estaria neste palco. Nós trabalhistas, brizolistas, nacionalistas votaremos em Haddad no domingo”, disse Vivaldo Barbosa, fundador e militante histórico do PDT.
Representando o PV, o deputado federal Fabiano Carnevale afirmou: “Somos o partido de Chico Mendes, que também estaria aqui apresentando ao mundo a ameaça que é a candidatura do Bolsonaro que quer entregar a Amazônia e retirar o Brasil do Acordo de Paris”.

Chico e Caetano 

A participação de artistas rendeu momentos emocionantes durante o ato: “Temos que apagar da mente brasileira a ideia de que o cafajeste é quem nos representa. É isso que precisamos negar dentro de nós. Precisamos encontrar meios de dizer àqueles que se deixaram hipnotizar por essa onda. Eu estou aqui por causa disso, para evitar a ‘cafajestização’ do homem brasileiro. A eleição de Fernando Haddad e Manuela D'Ávila representará a dignidade do povo brasileiro, de cada homem brasileiro”, disse Caetano Veloso.
Chico Buarque afirmou que “a eleição de Haddad é difícil”, mas disse preferir crer que ainda é possível virar o jogo: “Imagino que lá fora, muita gente – cidadãos conservadores, de direita, cristãos, os chamados coxinhas – tenham votado no candidato fascista e agora estejam vendo a onda de boçalidade que toma conta das ruas cada vez mais e que depois do primeiro turno só fez piorar e ninguém sabe onde vai parar a matança de gays, de mulheres, de trans, de estudantes, de capoeiras que ousaram dizer que votaram no PT. Nas periferias, onde afinal está o povo que mais sofre com a miséria e a violência, e votaram por mais miséria e mais violência, eles talvez na última hora virem o voto. Não queremos mais mentiras, não queremos mais força bruta. Queremos paz, queremos alegria, queremos Fernando e Manuela”.
Arcos da Lapa Ato da Virada

sábado, 13 de outubro de 2018

Entendendo, com o sociólogo Jessé Souza, a ascenção do Nazifascismo (forma do velho ódio contra as minorias) no Brasil


Resultado de imagem para nazifascismo no brasil

"Todo fascismo é reflexo de uma luta de classes truncada, percebida de modo distorcido e por conta disso violento e irracional no seu cerne. A elite e a alta classe média haviam, com sucesso, legitimado a opressão das classes populares pelo moralismo seletivo da corrupção apenas do Estado e da política como forma de criminalizar a soberania popular. (...) O ódio ao escravo se transformou simplesmente em ódio ao pobre. O escravo negro é eternizado nas massas majoritariamente mestiças com escolaridade precária condenadas ao trabalho desqualificado e semiqualificado. Esta é a base primeira de todo o ódio e ressentimento reprimido e recalcado que é o núcleo da sociedade brasileira." - Jessé Souza



Do GGN:

Resultado de imagem para nazifascismo no brasilTodo fascismo é reflexo de uma luta de classes truncada, percebida de modo distorcido e por conta disso violento e irracional no seu cerne. A elite e a alta classe média haviam, com sucesso, legitimado a opressão das classes populares pelo moralismo seletivo da corrupção apenas do Estado e da política como forma de criminalizar a soberania popular. Os “belgas”, que se vem como estrangeiros na própria terra, oprimiram o “Congo”, ou seja, o próprio povo, e o reduziram á pobreza e á ignorância. O ódio ao escravo se transformou simplesmente em ódio ao pobre. O escravo negro é eternizado nas massas majoritariamente mestiças com escolaridade precária condenadas ao trabalho desqualificado e semiqualificado. Esta é a base primeira de todo o ódio e ressentimento reprimido e recalcado que é o núcleo da sociedade brasileira. O fascismo implícito sempre foi o DNA da opressão de classes entre nós. O que tem que ser explicado, portanto, é como ele contaminou as próprias classes populares.
A ascensão do partido dos trabalhadores, com todas as suas limitações, foi uma inflexão importante no processo de organização popular. Com o golpe de 2013/2016 a reação conservadora veio primeiro de cima, da alta classe média nas ruas, da sistemática corrosão de valores democráticos diariamente perpetrada pela imprensa, e do acanalhamento do STF e por consequência da constituição. O governo Temer promoveu o saque e a rapina que a elite queria e empobreceu o povo que havia experimentado uma pequena ascenção social. Foi dito a este povo que a corrupção política havia sido a causa do empobrecimento. Quando a corrupção dos partidos de elite fica óbvia a todos, sem ser reprimida, todo o sistema perde representatividade. O golpe de misericórdia foi a prisão injusta do líder das classes populares desmobilizadas. Aqui o último elo de expressão racional da revolta popular foi cortado.
Abriu-se a partir daí a porta para a revolta agora irracional das massas. Neste contexto a ocasião faz o ladrão. A belíssima marcha do “ele não”, majoritariamente composta pelas mulheres da classe média mais crítica e engajada, possibilitou a cooptação do voto feminino das classes populares, última cidadela contra a “ética da virilidade” do fascismo popular. Aqui entra em cena o que há de mais sujo na política das “fake News” e da mentira institucionalizada. Analistas de ultradireita da campanha fascista, que perceberam as consequências do isolamento político dos indivíduos que é o que capitalismo financeiro representa na esfera política, se aproveitaram impiedosamente deste fato para oporem mulheres emancipadas da classe média contra as mulheres pobres e evangélicas.Se você é pobre e humilhada o ganho emocional que a distinção moral construída artificialmente com relação a mulheres supostamente “indecentes” exerce, por meio de mentiras que não podem ser desmentidas, passa a ter um apelo irresistível. É uma “vingança de classe”, obviamente distorcida e contra a fração errada da classe média, como escape em relação à pobreza vivida diariamente, mas cujas causas não são compreendidas.
Como já discuti no meu livro “A ralé brasileira”, contracorrente, 2017, a oposição pobre honesto versus pobre delinquente perpassa os mais pobres dificultando enormemente qualquer solidariedade de classe. Daí também a importância de líderes políticos que os representem a partir de cima e secundarizem a contradição interna de classe com uma política de interesse de todos os pobres. Era isso que Lula representava. Sem isso a porta fica aberta para a guerra de classe entre os próprios miseráveis divididos entre os supostos honestos e supostos delinquentes como definidos pelas elites.
É aqui que a “ética da virilidade”- ou seja, a ética dos que não tem ética – do fascismo reina absoluta. O fascismo arregimenta a partir de cima os ressentimentos, medos e ansiedades sem explicação possível e os canaliza a “bodes expiatórios” externos. O antipetismo é apenas o mais óbvio. Mas todo fascismo usa e abusa da sexualidade reprimida das classes populares. O homossexualismo que não pode ser admitido em si mesmo é canalizado em selvagem agressão externa e o ódio a mulher percebida como ameaça incitam a uma agressiva regressão a padrões primitivos de relações de gênero. O pobre não é apenas pobre. Ele é humilhado e dominado por valores construídos para subjuga-lo. Isso confere ao fascismo enorme capilaridade e contamina a vida familiar e relações de vizinhança em todos os níveis da sociabilidade popular. 
O líder fascista sem discurso e sem argumentos é o profeta exemplar perfeito das massas destituídas em todas as dimensões da vida. Sem organização hierárquica como os nazistas alemães, o nosso é um fascismo miliciano, capilarizado e sem controle. O que é necessário explicar ao povo de modo compreensível é porque ele ficou mais pobre. Sem isso se pavimenta o caminho ao ódio irreversível.  

quarta-feira, 10 de outubro de 2018

Da Deutsche Welle (DW) alemã: Ex-presidente do Parlamento Europeu, Martins Schulz afirma que Bolsonaro é "sinal fatal" para América Latina



Da DW:


Ex-presidente do Parlamento Europeu, político alemão afirma que vitória do candidato do PSL seria um peso para a cooperação internacional e que Haddad tem chance agora de reunir forçar democráticas.


Schulz visitou Lula na prisão em agosto
Em agosto, Schulz visitou Lula na prisão
Diante do sucesso do candidato do PSL à Presidência da República, Jair Bolsonaro, que obteve 46% dos votos no primeiro turno da eleição presidencial de domingo, o ex-presidente do Parlamento Europeu Martin Schulz alertou nesta segunda-feira (08/10) sobre os efeitos do avanço da extrema direita para todo o continente.
"Isso [a vitória de Bolsonaro] seria um sinal fatal para toda a América Latina e um peso para a cooperação internacional", declarou o político alemão, ex-líder do Partido Social-Democrata (SPD), à agência de notícias dpa.
Há anos Schulz, que é deputado federal, defende um acordo de livre-comércio entre a União Europeia (UE) e o Mercosul. O político disse que, no caso da eleição de Bolsonaro, esse tratado ficará cada vez mais distante.
O político também afirmou que o candidato Fernando Haddad (PT) tem agora a chance de reunir as "forças democráticas e progressistas" contra a ameaça de um "poder populista e autoritário".
Assistir ao vídeo04:15

"Procedimentos são muito questionáveis no caso do Lula"

Em agosto, Schulz visitou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na prisão. Em Curitiba, o político afirmou que a visita era tanto de caráter privado quanto em nome dos social-democratas alemães. Ele é o mais notório membro do partido a se manifestar e agir em solidariedade ao petista.
Em entrevista à DW, Schulz afirmou que não estava em posição de "julgar o Judiciário brasileiro", mas opinou que os procedimentos contra Lula provocaram "mais perguntas do que dão respostas". Ele não escondeu que torcia pela vitória petista nas eleições.
Schulz foi um dos arquitetos da atual coalizão de governo da Alemanha, mas sua influência na atual administração liderada pela chanceler federal Angela Merkel (da União Democrata Cristã, ou CDU) hoje é limitada. Ele também perdeu boa parte do seu capital político no início do ano.
Em fevereiro, quando ainda era líder do SPD, Schulz caiu publicamente em desgraça após ter manifestado a intenção de assumir o cargo de ministro do Exterior em um governo liderado pela conservadora Merkel. Isso contradisse uma promessa feita durante a campanha eleitoral do ano passado, quando Schulz afirmara que não pretendia mais manter a aliança dos social-democratas com a chanceler e descartara assumir qualquer cargo ministerial.
No final, os social-democratas acabaram se aliando mais uma vez a Merkel e formaram uma nova coalizão. Mas as ambições pessoais de Schulz foram intoleráveis para a base do partido. Ele renunciou à liderança do SPD no final de fevereiro. Ainda conseguiu apontar como sucessora a sua apadrinhada Andrea Nahles.
CN/dpa/ots
----------------
A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas. Siga-nos no Facebook | Twitter | YouTube | WhatsApp | 

LEIA MAIS