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sexta-feira, 5 de abril de 2019

Do Estado de São Paulo, Estadão: 6 livros que desmentem Bolsonaro e mostram que nazismo não é de esquerda


Do Estadão:


O historiador Marcos Guterman indica 6 livros para entender o nazismo e que desmentem Jair Bolsonaro quando este diz, em visita a Israel,  que "não há dúvida" de que o nazismo foi um movimento de esquerda

Maria Fernanda Rodrigues, O Estado de S. Paulo
02 de abril de 2019 | 17h25


O presidente Jair Bolsonaro disse que “não há dúvida” de que o nazismo foi um movimento de esquerda. Bolsonaro fez esta afirmação nesta terça-feira, 2, depois de visitar o Yad Vashem, o Centro de Memória do Holocausto, em Jerusalém. O primeiro a dizer que o nazismo “foi um movimento de esquerda” foi o chanceler Ernesto Araújo.

5 livros que desmentem Bolsonaro e mostram que nazismo não é de esquerda
Livros explicam o nazismo e Adolf Hitler Foto: Acervo Estado
No encontro com jornalistas - último compromisso oficial de sua passagem por Israel -, o presidente tentou justificar sua fala nomeando o partido de Hitler: "Partido Socialista..., como é que é? Partido Nacional-Socialista da Alemanha", disse.
O site do Centro de Memória do Holocausto diz que o Partido Nazista da Alemanha era um entre vários "grupos radicais de direita".
A pedido do Caderno 2, Marcos Guterman, historiador e jornalista do Estado, indica 6 livros que provam que o nazismo não é de esquerda. Dois deles, os de Hannah Arendt e de Norbert Elias, trazem o aspecto ideológico, indo às raízes nacionais e explicando o caráter eminentemente alemão do “socialismo” do Nacional-Socialismo. Já o de Ian Kershaw e a trilogia de Richard Evans abordam a trajetória histórica, da aliança dos empresários (e do partido do centro católico) com Hitler contra o comunismo, explica o historiador.

6 livros sobre o nazismo

Hitler, de Ian Kershaw
Monumental biografia de Adolf Hitler publicada no Brasil em 2010 pela Companhia das Letras. O autor se debruça sobre a trajetória de uma pessoa que parecia destinada ao fracasso e que acabou comandando um dos países mais desenvolvidos, cultos e complexos da Europa. E tenta encontrar uma explicação para trajetória ascendente, para o domínio que Hitler exerceu sobre as elites alemãs e para a catástrofe que causou em seu país e no resto do mundo. 
A trilogia do Richard Evans sobre o Terceiro Reich
A obra de Richard Evans, um dos mais importantes estudiosos da história alemã, sobre o nazismo é dividida em três volumes: A chegada do Terceiro Reich, Terceiro Reich no Poder e Terceiro Reich em Guerra. Juntos, eles ajudam a compreender uma das épocas mais obscuras da História. Os livros foram publicados no Brasil pelo selo Crítica, da Editora Planeta.
Origens do Totalitarismo, de Hannah Arendt
Neste livro clássico, presente nas livrarias brasileiras em edição de bolso da Companhia das Letras, Hannah Arendt elucida o crescimento do antissemitismo na Europa Central e Ocidental nos anos 1800, analisa imperialismo colonial europeu desde 1884 até a deflagração da Primeira Guerra Mundial e discute as instituições e operações desses movimentos, centrando-se nos dois principais regimes totalitários da nossa era: a Alemanha nazista e a Rússia stalinista.
Os Alemães, de Norbert Elias
O autor analisa o desenvolvimento social da Alemanha a partir do século 17, investiga a personalidade, a estrutura social e o comportamento do povo alemão, lançando nova luz sobre a subida dos nazistas ao poder e sobre o Holocausto. O livro foi publicado aqui pela Zahar.





quinta-feira, 4 de abril de 2019

Partidos alemães atacam Bolsonaro por comentários sobre origem do nazismo... Por Jamil Chade


Do DCM, citando Jamil Chade:



Em sua coluna no UOL, o jornalista Jamil Chade diz que “alguns dos partidos mais tradicionais da história da Alemanha pós Hitler atacam o presidente Jair Bolsonaro por seus comentários sobre a origem do nazismo. Nos últimos dias, o chefe-de-estado declarou que o nazismo tinha suas origens nos movimentos de esquerda na Europa, versão também declarada pelo chanceler Ernesto Araújo”.
“Ao blog”, diz Chade, “a deputada do Partido Social-Democrata (SPD), Yasmin Fahimi, não poupou críticas ao brasileiro. “Os nazistas também usaram o termo “social” como uma máscara para seu real programa políticos”, disse Fahmi, que faz parte do Comitê de Relações Exteriores do Parlamento alemão. Seu partido governou a Alemanha sob a gestão de Gerhard Schroeder, Helmut Schidt e Willy Brandt. Hoje, o SPD também faz parte da coalizão que governa a Alemanha, num acordo com o partido de Angela Merkel, de centro-direita.
“Durante a Alemanha Nazista, foram os sociais democratas que foram presos e mortos, antes de mais nada”, afirmou. “Nazistas foram demagogos fascistas de extrema-direita. Durante esse pertodo, a Alemanha foi uma ditadura fascista, desumana e de uma ideologia racista. A declaração de Bolsonaro desprecia a memória de todas as vítimas assassinadas pela violência dos nazistas”, insistiu. “O movimento de esquerda, pelo contrário, lutou contra a liberdade e igualdade de todos. Isso é o oposto to fascismo”, completou.
Segundo o jornalista, “Heinz Bierbaum, chefe do Comitê Internacional do partido Die Linke, tampouco poupou críticas. “Bolsonaro pode ser chamado de fascista”, disse. “Desprezando a democracia, as conquistas do estado de direito, ele ataca a esquerda, LGBT, povos indígenas, afro-brasileiros, minorias e ativistas”, declarou. “A esquerda de todo o mundo se levanta contra Bolsonaro e todo seu ódio”, disse. “A história da Alemanha e o surgimento do partido nazista nos ensinam a resistir a ameaças do racismo e intolerância em sua origem”, atacou o deputado”.
(…)