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sábado, 11 de novembro de 2017

A vingança do Capital contra o Trabalho, por José Álvaro de Lima Cardoso


depression

No momento em que a contrarreforma trabahista entra em vigor, vale refletir sobre os avanços da tecnologia — e seu potencial para a humanização ou a tragédia
Por José Álvaro de Lima Cardoso  | Imagem:  George Segal, A fila do pão na Depressão (1991) | Fonte: Outras Palavras
As revoluções industriais  da própria natureza do capitalismo. O capital revoluciona o tempo todo os meios de produção e, assim, mudam também as relações sociais. Muda o jeito de produzir, mudam as relações sociais, mudam as ideias. A quarta revolução industrial, a exemplo das revoluções anteriores, coloca os meios técnicos e as forças produtivas num patamar muito superior, fornecendo as condições objetivas, do ponto de vista tecnológico, para a melhoria de vida das pessoas.
De um lado, portanto, o desenvolvimento das forças produtivas leva a avanços significativos nas tecnologias utilizadas e no processo de produção. Porém, as relações sociais de produção, baseada na propriedade privada e no lucro sem limites impossibilitam que tais avanços signifiquem benefícios para toda a sociedade. Talvez um dos principais efeitos dessa contradição seja o desemprego tecnológico, ou seja, aquele causado pela introdução de novas tecnologias. Mudanças tecnológicas implicam em elevação da produtividade que, muitas vezes, representa verdadeiros “saltos tecnológicos”. O uso de tecnologias mais eficientes permite produzir mais mercadorias em menos tempo de trabalho, ou seja, com menor quantidade de trabalho humano. O sistema produz assim uma elevação do desemprego, em decorrência do novo patamar tecnológico, criando uma força de trabalho excedente, que tende a crescer.
A substituição de trabalho humano por máquinas é decisão de cada grupo empresarial, que buscar reduzir permanentemente seus custos, o que lhe permite aumentar suas margens de lucros e/ou vender a preços mais baixos. O aumento da produtividade através da substituição de trabalho por máquinas gera uma “população excedente”, que é artificial, ou seja, é excedente em função das restrições impostas pelas relações sociais de produção. Então, as mesmas causas dos enormes ganhos de produtividade levam a existência de um grupo de trabalhadores sem espaço no mercado de trabalho. Quando muito, ocupando postos na economia informal, que paga menores salários, jornadas mais longas e tem condições de trabalho mais precárias.
O exército de desempregados e de trabalhadores na economia informal, são essenciais para a manutenção dos salários em baixos patamares. Até 2014, ocasião em que o Brasil, em algumas regiões, tinha uma situação praticamente de pleno emprego, ouvia-se dos prepostos patronais em mesas de negociação queixas de que não havia trabalhadores disponíveis para contratação, o que estaria “complicando” muito a gestão de pessoal. A mensagem podia ser entendida como: “é necessário que retorne o exército de reserva de desempregados, para impormos o nível salarial que queremos”.
Na mesma direção, o empresariado reclama recorrentemente da existência do salário mínimo, especialmente quando ele aumenta acima da inflação, como ocorreu no período entre 2004 e 2015. O salário mínimo funciona como impeditivo legal às possibilidades de achatamento salarial trazidas pelas flutuações do mercado e pelo exército industrial de reserva. Ligado ao mesmo fenômeno, na primeira grande onda neoliberal no Brasil, na década de 1990, na gestão FHC, nas mesas de negociação os patrões tentavam insistentemente eliminar os pisos das convenções coletivas de trabalho. Em Santa Catarina, algumas categorias chegaram a assinar à época convenções sem a existência de piso salarial, ou seja, o piso da categoria passava a ser o salário mínimo nacional do pais (cujo poder de compra, aliás, era baixíssimo).
O problema não é a tecnologia, em si, mas a expansão da tecnologia dentro de relações capitalistas, que conduzem ao desemprego tecnológico. A necessidade de manter as margens de lucratividade impedem (ou pelo menos constrangem) que os benefícios advindos das novas tecnologias sejam plenamente distribuídos para a sociedade como um todo. Por exemplo, se um salto tecnológico da quarta revolução industrial gera um excedente de trabalhadores em função dos ganhos de produtividade, isso pode representar uma redução da jornada de trabalho para toda a classe trabalhadora, o que evitaria o crescimento do desemprego, ao mesmo tempo em que possibilitaria a todos um ganho de tempo, para dedicar às demais esferas da vida (convivência com a família, cuidados com a saúde, prática de esportes, estudos, etc.)
Numa situação de desemprego elevado, aumenta o medo daqueles que conseguem se manter no emprego. Ao assistir os companheiros perderem seus empregos, o trabalhador tende a se submeter a piores condições de trabalho e a aceitar salários mais baixos. O risco para a classe trabalhadora é duplo: ou sofre as agruras do desemprego ou padece o aumento da exploração para manter os postos de trabalho. É muito comum na nossa sociedade a convivência entre o desemprego crescente e um número grande  de pessoas trabalhando muito, com jornada de 50 ou 60 horas semanais, em um ou mais de um emprego. O trabalhador que, num processo de crise, fica alguns meses desempregado, sem o amparo de políticas públicas e/ou do sindicato, tende a posteriormente se submeter a piores condições de trabalho e salário. O trabalhador fica mais “dócil”, afinal qualquer coisa é melhor do que passar fome.
Neste quadro, é certo que alguns torcem para que aumente o desemprego, apesar de todo o sofrimento humano e do prejuízo social e econômico, decorrentes. É que o aumento do desemprego possibilita elevar a taxa de exploração para os trabalhadores que mantém o vínculo, ampliando assim a lucratividade das empresas. Como desgraça pouca é bobagem, a contrarreforma trabalhista, que entra em vigor em poucos dias, é uma espécie de vingança do capital contra os avanços que a duríssimas penas os trabalhadores conseguiram ao longo de séculos. O princípio da prevalência do negociado sobre o legislado, em relação a diversos aspectos das relações de trabalho, em meio à maior recessão da história, significa na prática, a autorização para retirar direitos e elevar os níveis de exploração dos trabalhadores.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

A lavagem cerebral através da mídia como estratégia política




Por Pedro Breier, correspondente policial do Cafezinho
A reportagem do Jornal Hoje, da Globo, sobre o ataque aos trabalhadores proposto pelo governo Temer, é simplesmente vergonhosa. Veja com seus próprios olhos.
O texto lido pela apresentadora tenta pintar como positiva uma reforma trabalhista que obviamente favorece o empresário e prejudica o trabalhador - se o negociado entre patrão e empregado prevalece sobre a lei, a parte mais forte na negociação (o empresário) estará em flagrante vantagem -, chamando-a de “modernização das leis trabalhistas”.
Moderno é sinônimo de novo, novo remete a algo positivo, então a tal modernização deve ser uma coisa boa. A manipulação é grosseira.
Na sequência da reportagem é mostrado um trecho do discurso de Paulo Skaf, presidente da FIESP, um dos grandes articuladores do golpe e representante-mor do empresariado, especialmente o paulista.
Ele também fala em modernização e em "valorização das pessoas". Essas pessoas valorizadas não serão, obviamente, as trabalhadoras.
Depois é mostrado o representante de uma tal Nova Central Sindical dizendo que as propostas são boas para os trabalhadores.
E fim da reportagem.
Nada de críticas, o outro lado, a posição das maiores centrais sindicais.
Uma aula de antijornalismo. Ou bandidagem mesmo.
É uma verdadeira aberração, uma agressão pesada à democracia, ao debate público de ideias, a utilização de uma concessão pública para manipular o noticiário político dessa forma. O fato de a Globo deter a hegemonia da audiência deixa o quadro mais absurdo.
A direita tem medo do debate, porque seu projeto político/econômico tem como premissa a retirada de direitos dos trabalhadores.
Resta a tentativa de lavagem cerebral, suprimindo o outro lado do debate.
Por isso, quando a direita governa, direciona todas as verbas de publicidade para a mídia conservadora, corta qualquer verba para as vozes dissonantes e ataca ferozmente as televisões públicas, que poderiam fazer um contraponto.
Um exemplo: os deputados gaúchos aprovaram ontem um pacote do governo Sartori (PMDB) que extingue diversas fundações estaduais. É o costumeiro desmonte do Estado como resposta - ineficiente - para a crise.
Dentre essas fundações está a Fundação Cultural Piratini, responsável pela televisão pública do Rio Grande do Sul.
O que poderia ser um espaço de pluralidade de ideias é simplesmente extinguido.
O monopólio da informação da RBS, afiliada da Globo no RS e investigada na Operação Zelotes por sonegar mais de R$ 100 milhões em impostos, é reforçado.
A estratégia de tirar a voz do outro lado é padrão em governos de direita: o governo Temer está matando a TV Brasil, seja nomeando apaniguados da mídia corporativa para postos chave, seja cortando verba.
Obrigar a maior parte da população a se submeter à voz única da máfia midiática é utilizar lavagem cerebral como estratégia política.
Mas talvez seja esta a única estratégia possível para o conservadorismo.
Afinal, como ganhar um debate defendendo um projeto que tem como premissa o sofrimento das pessoas?
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quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Jean Volpato: A quem interessa retirar de cena um Partido dos Trabalhadores?

"Os nazistas montaram uma poderosa máquina de propaganda. A tática nazista incluía o patrulhamento ideológico, a calúnia e a difamação, aplicando a frase atribuída ao chefe da propaganda nazista: "Uma mentira muitas vezes repetida vira verdade". Assim o governo de Hitler conseguiu convencer os alemães de que os judeus eram sujos, perversos, corruptos e traidores, responsáveis pela crise econômica que jogou os alemães na pobreza. Tudo isso fundamentou a criação de leis que justificaram a perseguição, prisão, escravização, confisco de bens e o homicídio de milhões de judeus, dentro e fora dos campos de concentração. 
Fenômeno idêntico pode ser observado no Brasil de hoje."



62 anos depois da morte de Getúlio Vargas, a quem interessa retirar de cena um Partido dos Trabalhadores?
A Alemanha dos anos 1930, impulsionada pela grande crise de 29, foi marcada por uma grave desestabilização econômica, caracterizada pelo desemprego e pela hiperinflação. Nesse contexto de crise foi que o discurso do partido nazista encontrou ampla aceitação na sociedade alemã. Assim Hitler chegou ao poder. Um ditado antigo, no qual não recordo o nome do autor,  afirmava que "loucos são aqueles que nós colocamos nos hospícios em tempos de paz, mas colocamos no poder em tempos de crise".
Os nazistas montaram uma poderosa máquina de propaganda. A tática nazista incluía o patrulhamento ideológico, a calúnia e a difamação, aplicando a frase atribuída ao chefe da propaganda nazista: "Uma mentira muitas vezes repetida vira verdade". Assim o governo de Hitler conseguiu convencer os alemães de que os judeus eram sujos, perversos, corruptos e traidores, responsáveis pela crise econômica que jogou os alemães na pobreza. Tudo isso fundamentou a criação de leis que justificaram a perseguição, prisão, escravização, confisco de bens e o homicídio de milhões de judeus, dentro e fora dos campos de concentração.
Fenômeno idêntico pode ser observado no Brasil de hoje. A velha imprensa empresarial, em especial a Rede Globo de televisão, utilizando as mesmas técnicas de intimidação, patrulhamento ideológico liberal, calúnia e difamação, escolheram o maior partido de representatividade dos trabalhadores para excluir sua legitimidade no Brasil. 
O PT e suas principais lideranças têm sido alvos de escancarados e assombrosos ataques e perseguição. Você já deve ter se perguntado algum dia o porquê a canoa de Lula vira manchete de uma hora no Jornal Nacional e as 18 delações do Senador Aécio Neves na Lava-Jato não. Ou por que os pedalinhos dos netos de Lula têm garantidos 24 horas na programação da Rede Globo, mas os R$ 23 milhões delatados que o Senador e atual Ministro de Temer, José Serra, havia recebido de propina já esteja no esquecimento popular.
O PSDB e boa parte dos políticos brasileiros, assim como a grande mídia, estão em defesa do status quo da elite brasileira. Não é à toa que estamos vivendo um período muito parecido com aquele que colocou Adolf Hitler no poder na Alemanha da década de 30. Se aproveitam da crise econômica para colocar medo na população e deslegitimar o maior partido de representação aos trabalhadores em nosso país.
O ódio ao PT publicitado na sociedade, tem garantido uma cortina de fumaça que os legitimem a fazer a grande operação de retirada dos direitos trabalhistas. A venda colocada nos olhos dos brasileiros com a forte campanha midiática contra o PT vai garantir que o atual Governo Golpista de Michel Temer mexa nos principais direitos dos trabalhadores. 
Hoje completamos 62 anos da morte de Getúlio Vargas, pai da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT). Getúlio se suicidou depois de uma forte campanha de difamação, ódio e calúnia. Mais uma vez o mote da corrupção impulsionada por monopólios de comunicação, como o Diário Associados, de Assis Chateaubriand e Carlos Lacerda, serviram para golpear um governo com vertente trabalhista.  No dia de sua morte a população saiu às ruas, indignada. A Tribuna da Imprensa de Lacerda foi empastelada. A redação de O Globo foi atacada, carros do jornal foram destruídos.
Mais de seis décadas depois de sua morte, a história volta a se repetir.  Mais uma vez um governo com viés trabalhista sofre um golpe. Com amplo apoio das organizações Globo, o Brasil vive, sob o comando do presidente golpista interino Michel Temer, o maior desmonte dos direitos trabalhistas da história.
Na pauta a jornada de trabalho (oito horas diárias e 44 semanais), jornada de seis horas para trabalho ininterrupto, banco de horas, redução de salário, férias, 13º salário, adicional noturno e de insalubridade, salário mínimo, licença-maternidade, auxílio-creche, descanso semanal remunerado e FGTS. 
Outro projeto em pauta, o PLP 257, resultará no congelamento dos salários, revisão dos benefícios e gratificações, demissão de servidores públicos, suspensão de concursos públicos, aumento da alíquota ou privatização da Previdência Social, limitação dos programas sociais.
O governo Temer também se esforça para aprovar a PEC 241/2016, que congela os investimentos públicos para os próximos 20 anos. Na educação, essa PEC significa que nenhum centavo novo vai chegar para creches, escolas, universidades públicas e para melhorar o salário dos professores e praticamente inviabiliza as metas do Plano Nacional de Educação. 
A proposta de privatização do SUS ganha cada dia mais força. O Ministro da Saúde do governo Temer já deu diversas declarações de que pretende extinguir a gratuidade da saúde para todos no Brasil. Foi publicado no Diário Oficial da União proposta que cria grupo de trabalho para analisar a implementação de planos de saúde pagos pela população brasileira, favorecendo as chamadas "indústrias da morte, ou das doenças". 
A medida de Temer potencializa a lógica do mercado, colocando os serviços públicos não como direitos, mas como mercadorias. Com a campanha nazista de ataque ao maior partido brasileiro de representação dos trabalhadores, o plano Temer de desmonte dos serviços públicos e ataques aos trabalhadores ganha uma confortável margem de implementação. Não fica difícil concluir a pergunta desse título. A quem interessa retirar de cena um Partido dos Trabalhadores?
Jean Volpato - Jornalista, especialista em Gestão Estratégica em Políticas Públicas

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segunda-feira, 27 de junho de 2016

Do Conjur: 1,5 mil juízes assinam manifesto contra possível reforma trabalhista de Temer




Mais de 1,5 mil juízes do Trabalho associados à Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra) aderiram ao manifesto dos ministros do Tribunal Superior do Trabalho no qual criticam uma possível desconstrução do Direito do Trabalho no Brasil.
O documento inicial foi criado e assinado por 20 ministros do TST. Ele é apontado como uma resposta às propostas que estão sendo discutidas no governo do presidente interino Michel Temer, que planeja uma reforma previdenciária seguida de uma reforma trabalhista.
No documento intitulado Documento em defesa do Direito do Trabalho e da Justiça do Trabalho no Brasil, os ministros afirmam que é preciso esclarecer a sociedade que a desconstrução do Direito do Trabalho será nefasta sob qualquer aspecto: econômico, social, previdenciário, segurança, político, saúde pública, entre outros tantos aspectos. Conforme os ministros, neste momento de grave crise política, ética e econômica, torna-se essencial uma reflexão sobre a importância dos direitos, em particular os sociais trabalhistas.
Na avaliação do presidente da Anamatra, Germano Siqueira, a adesão ao documento é simbólica e marca a posição majoritária da magistratura do Trabalho em defesa dos direitos sociais. “Qualquer outro discurso contrário a isso é inoportuno e representa grave ameaça aos alicerces e a um mercado civilizado e justo para todos. Toda e qualquer proposta de reforma deve observar a Constituição Federal, que prevê a construção progressiva de novos direitos no intuito de melhorar a condição social do trabalhador e não de reduzir as suas conquistas históricas e fundamentais”, explica.
A 1,5 mil assinaturas foram colhidas pela Anamatra em uma semana. Contudo, o documento continua aberto para novas adesões de juízes de todos os ramos do Poder Judiciário, membros de outras carreiras, instituições, acadêmicos, entidades da sociedade civil e outros interessados. Para manifestar o apoio basta encaminhar e-mail para presidencia@anamatra.org.br, informando nome, cargo e instituição.Com informações da Assessoria de Imprensa da Anamatra.
Clique aqui para ler o documento.
Revista Consultor Jurídico, 27 de junho de 2016, 16h31