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quarta-feira, 20 de janeiro de 2021

Bolsonaro, a estupidez em estado puro. Artigo de Eric Nepomuceno

 "Sabemos todos que um psicopata, quando acuado, é capaz de reações violentas. Nesta segunda-feira de estupidez em estado puro, Jair Messias tornou, de maneira nada velada, a ameaçar um autogolpe", afirma o jornalista Eric Nepomuceno, questionando se as Forças Armadas apoiam o plano golpista de Bolsonaro



Por Eric Nepomuceno, para o Jornalistas pela Democracia

Embora a estas alturas seja certeza absoluta que ninguém, absolutamente ninguém, a não ser ele mesmo, é capaz de superar Jair Messias na hora de disparar estupidezes, surpresas acontecem.  

É que em termos de estupidez, o Ogro psicopata que habita o Palácio da Alvorada continua conseguindo se aprimorar a cada dia.

Nesta segunda-feira, por exemplo, ele dedicou quase 22 minutos para falar com os apoiadores arrebanhados que esperam toda manhã e toda tarde pela sua palavra na porta da residência presidencial.  

Entre uma estupidez e outra, mentiu como sempre, já que se trata de um mentiroso compulsivo. E demonstrou que, entre as tantas características de seu caráter, a ingratidão continua ocupando lugar de destaque.

Falou dos cilindros de oxigênio enviados da Venezuela pelo governo de Nicolás Maduro para Manaus, coisa que seu general ministro da Saúde foi incapaz de fazer.  

Só que em vez de agradecer, aproveitou para criticar o presidente venezuelano e dizer que já não há cães nas ruas de Caracas porque foram todos comidos pelo povo esfomeado.  

Pouco antes, a outro fanático havia insistido em criticar o governo de Alberto Fernández, da vizinha Argentina.  

Só não criou novos problemas diplomáticos porque é impossível piorar o ambiente externo do Brasil.

O desequilíbrio de Jair Messias alcança patamares mais elevados a cada dia, a cada declaração sua.  

Agora, aquela que era “a vacina do Dória” passou a ser do Brasil. Só que o Brasil continua sem saber quando e como será vacinado.  

O general da ativa Eduardo Pazuello, que o Ogro dizia ser um alto especialista em logística, conseguiu armar tamanha confusão nos voos de entrega da vacina que vários governadores que tinham ido ao aeroporto de suas capitais voltaram para casa de mãos abanando.

Para culminar a disparada de estupidezes, Jair Messias reiterou a necessidade do tal tratamento preventivo.  

Será que ele não ouviu, ou não foi informado, que a diretoria da Anvisa, e até mesmo o almirante que ele aboletou na cadeira de presidente da agência, expressando, de maneira claríssima, que não existe tal tratamento e que as únicas medidas eficazes são a vacina e o isolamento social?

O fiasco criminoso do governo e principalmente do ministério da Saúde, encabeçado por Pazuello, cuja incapacidade é gritante, tornou indiscutível a cumplicidade tanto dele como principalmente de Jair Messias na morte de parte significativa de 210 mil brasileiros.      

Há sinais palpáveis de que o Ogro se sente, além de derrotado pelo esperto – porém hábil – governador João Dória, acuado.

Que ele e sua quadrilha familiar toquem seguidamente no tema do impeachment mostra que temem essa possibilidade, e por mais que o presidente trate de comprar – literalmente, comprar – apoio na parte mais putrefata do Congresso, o risco existe e cresce conforme cresce o drama das mortes causadas pela pandemia.

Sabemos todos que um psicopata, quando acuado, é capaz de reações violentas. Nesta segunda-feira de estupidez em estado puro, Jair Messias tornou, de maneira nada velada, a ameaçar um autogolpe.

Lembrou que “ainda” temos liberdade, e advertiu que “tudo pode mudar”. Disse também, e com ênfase, que não é a Constituição, mas as Forças Armadas, quem decide se o país viverá uma democracia ou uma ditadura.

Diante tanto das ameaças de Jair Messias como da atuação patética do general Pazuello, o silêncio omisso, a estranha inércia do alto comando militar começa a ser motivo de preocupação.

Será que seus integrantes concordam com o que diz o presidente?

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Ministros do STF reagem à nota de Aras e receiam golpe de Bolsonaro


 Há temor no STF de que a nota de Augusto Aras sobre Estado de Defesa seja a senha para uma tentativa de golpe de Estado de Bolsonaro

(Foto: ABr | Reuters)

247 - Ministros do Supremo Tribunal Federal ouvidos pela jornalista Andréia Sadi,  nesta quarta-feira (20) reagiram com preocupação e espanto à nota do procurador-geral da República, Augusto Aras, em que sinaliza a possibilidade de decretação do Estado de Defesa, o que representaria, na prática, o golpe de Estado antecipado por Jair Bolsonaro com sua declaração de que as Forças Armadas decidem se o país terá democracia ou ditadura.

Previsto na Constituição, o estado de defesa pode ser decretado pelo presidente da República quando há necessidade de restabelecer a "ordem púbica e a paz social" se estas são ameaçadas "por grave e iminente instabilidade institucional ou atingidas por calamidades de grandes proporções na natureza". Com Bolsonaro na Presidência, será  fim da democracia no Brasil.

O ministro Marco Aurélio Mello disse “não ver com bons olhos” o movimento de quem precisa ser visto como fiscal da lei, referindo-se ao Ministério Público. Em meio à crise de saúde, lembrou uma declaração que deu em 2017. Na ocasião, ele afirmou que, se o então deputado federal Jair Bolsonaro fosse eleito, “temia” pelo Brasil: “Onde há fumaça há fogo. Crise de saúde, crise econômica, crise social e agora crise, aparentemente, política. Não vejo com bons olhos esse movimento de quem precisa ser visto como fiscal maior da lei. Receio pelo Estado de Direito. Volto à palestra que fiz no encerramento de Curso de Verão na Universidade de Coimbrã, em julho de 2017. Disse que, ante a possível eleição, como Presidente da República, do então Deputado Federal Jair Bolsonaro, temia, esse foi o vocábulo, pelo Brasil. Premonição? Certamente não”.

Outro ministro ouvido por Sadi, reservadamente, afirmou que se surpreendeu com a nota de Aras. Ele avalia que o PGR “respondeu a uma pergunta que não foi feita”, a respeito do estado de defesa e que, ao contrário do que diz, cabe sim ao PGR a responsabilidade de uma eventual investigação criminal, tanto do presidente da República como do ministro da Saúde.

Segundo esse ministro, no começo de 2020 havia estudos entre militares para decretar o estado de sítio. Uma das hipóteses nos bastidores é a de que Aras teria sinalizado com anuência para uma eventual medida nesse sentido por parte do Executivo- o que é rechaçado pelo STF.

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