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terça-feira, 16 de novembro de 2021

Steve Bannon, articulador da extrema-direita mundial, mentor de Eduardo Bolsonar e ex-conselheiro de Trump, se entrega ao FBI

 


Jornal GGN – O conselheiro do ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump, Steve Bannon, se entregou ao FBI hoje, dia 15, para responder pelas primeiras acusações criminais da investigação sobre o ataque ao Capitólio, em 6 de janeiro. Até agora, Bannon estava se recusando a cooperar com a investigação.

Mas Bannon não chegou quieto. Em declarações para uma câmera, que transmitia tudo ao vivo, ele instou seus apoiadores a manterem o foco, pois ‘estamos derrubando o regime Biden’, disse ele.

Bannon foi indiciado por um júri federal no dia 12, por desacato ao Congresso depois de ter se recusado a comparecer em depoimento e por não apresentar documentos. Esta é uma contravenção que pode garantir um ano de prisão e multa de US$ 1.000, segundo o Departamento de Justiça.

O ex-conselheiro é uma das mais de 30 pessoas próximas a Trump convocadas pelo Comitê Selecionado da Câmara dos Representantes dos EUA para testemunhar sobre os acontecimentos do dia 6 de janeiro. Neste dia, milhares de pessoas invadiram o Capitólio contra o resultado da eleição presidencial nos Estados Unidos em 2020, que derrotou Trump e elegeu Joe Biden.

Com informações da CNN Brasil.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2021

Invasão do Capitólio foi um não-acontecimento? Por Wilson Ferreira

 

Como em todo não-acontecimento (repleto de paus de self e ativistas digitais fazendo lives), o ataque ao Capitólio possui em seu núcleo uma ambiguidade fundamental e implica numa pergunta: “quem ganha?”.


Do Jornal GGN:


Invasão do Capitólio foi um não-acontecimento?

por Wilson Ferreira

Chocados e bestificados, jornalistas da grande mídia viam o mito da democracia americana se transformar numa república bananeira, ao vivo, no cerco e invasão do Capitólio por um “white riot” trumpista. Diante de tudo, jornalistas buscaram criar uma narrativa com happy end – afinal, essa é a função do jornalismo corporativo: alarmar e, depois, tranquilizar. Porém, as coisas não são bem assim. Assim como o auge dos atentados terroristas “não acontecimentos” na Europa (psy ops, false flags e inside jobs), também o cerco e invasão do Capitólio suscitam algumas questões que, como sempre, a grande mídia passa longe. Como em todo não-acontecimento (repleto de paus de self e ativistas digitais fazendo lives), o ataque ao Capitólio possui em seu núcleo uma ambiguidade fundamental e implica numa pergunta: “quem ganha?”.

Choque! Consternação! Incredulidade! Como foi possível na considerada maior democracia do planeta centenas de manifestantes cercarem o prédio do Congresso dos EUA, invadirem, resultando em quatro mortos e 50 feridos?

Esse foi o tom do jornalismo corporativo cujos apresentadores, ainda mais consternados, liam a manifestação de solidariedade do “ditador” Nicolas Maduro, presidente da Venezuela, desejando “estabilidade e justiça social” para os EUA… como assim? Um ditador latino-americano dando lição de moral aos EUA transformado por algumas horas em república bananeira? Algo parecia estar fora da ordem!

“Baderneiros” ou “arruaceiros” foram as expressões mais usadas para nomear os manifestantes pró-Trump, incitados depois de um discurso de três horas do seu líder e herói, na praça do obelisco de Washington. “Você não cede quando há roubo envolvido”, disse ele. “Nosso país está farto e não vamos aguentar mais”, acrescentou. Pronto! Foi o comando para a multidão se dirigir ao Capitólio no momento em que os parlamentares debatiam a certificação da vitória de Joe Biden.

Entre incrédulos e bestificados, as narrativas dos telejornais buscavam algum happy end que colocasse as coisas em ordens e os EUA voltassem a ser o modelo de democracia para o mundo. E veio… Depois de várias horas de confronto entre manifestantes e policiais, os trabalhos foram retomados e a vitória de Biden foi ratificada às 3h40 da madrugada.

Para os analistas da grande mídia, a Democracia foi colocada de volta nos trilhos e os maiores derrotados foram Trump e os arruaceiros, jogados na lata do lixo da História… shame on you!… essa é a lição de moral que a grande mídia tenta passar ao distinto público. Afinal, essa é a sua função social: alarmar e depois tranquilizar, para que depois todos voltem para a cama e tenham um dia seguinte produtivo.

Porém, as coisas não são bem assim. Assim como o auge dos atentados terroristas “não acontecimentos” na Europa, de 2013 a 2016 (Paris, Nice, Berlim, Bruxelas, Londres etc.), cheios de fios soltos sugerindo psy ops, false flags e trabalhos internos (inside Jobs – sobre o conceito de “não-acontecimento”, clique aqui), também o cerco e invasão do Capitólio suscitam algumas questões que, como sempre, a grande mídia passa longe. Afinal, ela está sempre em busca de um happy end tranquilizador. Aquilo que não tranquiliza é rapidamente descartado como “teoria da conspiração”.

Como em todo não-acontecimento, o ataque ao Capitólio possui em seu núcleo de evento uma característica e uma pergunta: ambiguidade e “quem ganha?”.

“Por que a segurança do Capitólio não estava preparada para os ataques que já eram previstos?”, pergunta David Ignatius em artigo no The Washington Post. Para o articulista, o Departamento de Justiça e Defesa sabia que os manifestantes que os manifestantes pró-Trump, incluindo extremistas supremacistas armados, poderiam invadir o prédio do Congresso.

Por que, então, não estavam melhor preparados para o ataque que se sucedeu?

“Esse é o enigma no centro do espasmo de anarquia violenta de quarta-feira: as autoridades viram a multidão chegando, mas não estavam prontos ou capazes de pará-la – e eles permitiram que centenas invadissem o Capitólio, ameaçassem legisladores e, por um tempo, fomentassem um golpe dentro o símbolo mais precioso da democracia dos EUA” (clique aqui).

A Polícia do Capitólio planejou expandir o perímetro normal ao redor do edifício e prender qualquer um que tentasse violá-lo. No final das contas, eles estavam totalmente despreparados para o ataque que veio. Segundo Ignatius, quando questionado o porquê da Polícia do Capitólio não ter agido de forma mais agressiva ou chamado reforços mais rapidamente, um oficial sênior respondeu apenas: “Essa é uma boa pergunta”.

Ao invés do Pentágono e Guarda Nacional, a segurança foi entregue ao gabinete do prefeito e Departamento de Justiça

A resposta do articulista do The Washington Post é fraca, tentando diluir a gravidade dessa “boa pergunta”: teria sido supostamente um cálculo proposital da chefia do Pentágono para que militares não fossem usados para reprimir um protesto civil, para não dar a Trump o pretexto de invocar a Insurrection Act.

Mesmo que para todos parecesse uma insurreição, que acabou colocando em risco a vida dos legisladores no importante momento da liturgia democrática: a certificação do resultado das eleições.  Apesar da crônica anunciada de um desastre, a retirada dos insurgentes do interior do Capitólio acabou sendo feita pela SWAT, pelo Escritório de Tabaco, Armas de Fogo e Explosivos e outras agências.

White Riot

Por outro lado, Derecka Purnell, do The Guardian, lembrou a imagem de um grupo de homens e mulheres brancos com bandeiras e vestindo camisetas com dizeres supremacistas perseguindo um policial negro, que empunhava apenas uma vara para se defender. Ele tentava desesperadamente conter a turba que o perseguia subindo por uma escadaria no interior do Capitólio.

Cerco aos Congressos: EUA (2020), Brasil (2013): Guerra Híbrida?

 

Derecka Purnell acusa: “Onde há rebelião branca por causa conservadoras, há conluio com o Estado” (clique aqui).

Um White Riot, com bandeiras americanas, confederadas, imagens de crânios com rifles cruzados, serpentes em forma do “Q” do ifame QAnon, red necks subindo por andaimes, quebrando janelas, invadindo escritórios de senadores e a grande cena: um sujeito com roupa de búfalo, cara pintada, sem camisa, como fosse um personagem saído do filme Mad Max, sentado na cadeira do presidente do Congresso.

E um tratamento das forças policiais bem diferente das rebeliões negras, onde forças policiais militarizadas pisam, lançam bombas, atiram balas de borracha e prendem centenas de manifestantes.

“Por que não vemos policiais em manifestações fascistas? Da mesma forma como não vemos Batman e Bruce Wayne juntos”, ironizava um tuite lido por este humilde blogueiro no calor dos acontecimentos.

Ao ver as imagens da invasão do Capitólio, foi inevitável lembrar das imagens da também infames da guerra híbrida das “Jornadas de Junho de 2013” nas quais manifestantes fizeram fogueiras nos gramados em frente ao Congresso Nacional, invadiram a cobertura do prédio e tentaram forçar a entrada. Sob ações repressivas tímidas e pontuais.

O resultado foi a crescente polarização política até a desconstrução do sistema político pela extrema-direita que chega ao poder prometendo destruir, por dentro, as instituições democráticas.

Quem ganha?

Parece ser estranho, mas poderíamos falar de um trabalho interno por trás dos eventos de Washington? Uma psy-op? Será que presenciamos a mesmas táticas da Guerra Híbrida, agora do “Deep State” contras as próprias instituições da democracia liberal norte-americana? Um não-acontecimento, destinado à irradiação pelo contínuo midiático, para solapar ainda mais a democracia liberal pelo reforço da polarização radical de corações e mentes? Como Biden e as instituições democráticas governarão em um país tão dividido?

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quarta-feira, 8 de janeiro de 2020

Alinhamento do Brasil com os EUA diminui ‘credibilidade’ do Itamaraty, diz analista de relações internacionais


A decisão brasileira de seguir as linhas da diplomacia de Washington joga contra o Itamaraty e cria um “racha” dentro do governo de Jair Bolsonaro, avalia a professora de relações internacionais Cristina Pecequilo.



© AP Photo / Evan Vucci

Durante o mandato presidencial de Bolsonaro, o Brasil acumulou episódios em que adotou a mesma postura diplomática dos Estados Unidos: defendeu a mudança da embaixada brasileira em Israel para Jerusalém (plano que acabou suspenso pela pressão do mundo árabe), votou contra uma resolução da ONU que condena o embargo dos Estados Unidos a Cuba, reconheceu o autoproclamado Juan Guaidó como presidente da Venezuela, entre outras situações.
“PELO MENOS EM TERMOS RETÓRICOS, HÁ UM ALINHAMENTO AUTOMÁTICO COM OS ESTADOS UNIDOS”, DIZ CRISTINA PECEQUILO, PROFESSORA DE RELAÇÕES INTERNACIONAIS DA UNIFESP (UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO PAULO), EM ENTREVISTA À SPUTNIK BRASIL.
Entretanto, em temas com repercussões comerciais, Bolsonaro adota uma “política compensatória”, diz a analista. Pecequilo ressalta a recente declaração do presidente brasileiro em defesa das trocas comerciais entre Brasil e Irã. A postura de Bolsonaro contrastou com a nota emitida pelo Ministério das Relações Internacionais, que classificou o assassinato do general iraniano Qassem Soleimani como um episódio da “luta contra o flagelo do terrorismo” e pediu “unidade de todas as nações contra o terrorismo em todas as suas formas”.
As autoridades iranianas convocaram a a encarregada de negócios da embaixada do Brasil no Irã após a divulgação da nota para prestar esclarecimentos.
Ainda em 2019, o Brasil teve outro atrito com Teerã quando a Petrobras, por receio de sanções estadunidenses, se recusou a reabastecer dois navios do Irã que estavam no Paraná. O impasse durou dias e só terminou após o presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, determinar o fornecimento de combustível.
Para a professora da Unifesp, essa dissonância resulta na perda de “credibilidade” do Itamaraty.
Pecequilo também refuta uma tese que é defendida com frequência por Bolsonaro, de que seu governo seria meramente técnico e desprovido de ideologia.
“NÃO EXISTE POLÍTICA SEM IDEOLOGIA, SEJA INTERNA OU EXTERNA. ENTÃO SEMPRE VAI HAVER IDEOLOGIA. O QUE ACONTECEU NA POLÍTICA BRASILEIRA, E GLOBAL, É QUE SE TOMOU UMA RETÓRICA DE DIZER QUE AQUILO QUE NÃO CONCORDAMOS É IDEOLÓGICO”, DIZ. “NA VERDADE, O QUE ESTAMOS VENDO É SÓ A SUBSTITUIÇÃO DE UMA IDEOLOGIA POR OUTRA.”
O chanceler Ernesto Araújo acredita que as mudanças climáticas fazem parte de uma trama para “sufocar o crescimento econômico nos países capitalistas democráticos e favorecer o crescimento da China”. Já o assessor especial da Presidência para assuntos internacionais, Filipe Martins, usou uma saudação franquista, cunhada pelos adeptos do ditador espanhol Francisco Franco, para cumprimentar o vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ).
Em entrevista à BBC Brasil, o ex-ministro da Secretaria de Governo, Carlos Alberto dos Santos Cruz, classificou a política externa brasileira como “profundamente ideológica” e afirmou que o Brasil tem um “alinhamento automático” com os Estados Unidos.
A discordância do ex-ministro bolsonarista demonstra um “racha” na gestão Bolsonaro, avalia Pecequilo: “O grupo dos militares passou a representar dentro do governo Bolsonaro um setor mais moderado em termos de política externa, e de defesa de maneira geral. Muitas dessas declarações pró-americanas e mais envoltas em messianismo religioso não são declarações e posturas desse grupo [militar]. Então, é um racha.”

Os riscos da submissão brasileira aos EUA, por Bernardo Mello Franco



País afrontou tradição diplomática e criou riscos desnecessários à segurança nacional, diz jornalista
Foto: Alan Santos/PR (via fotospublicas.com)
Jornal GGN – A submissão brasileira aos Estados Unidos no conflito com o Irã criou riscos desnecessários ao país. O afronte das autoridades à tradição diplomática trouxe preocupação a diplomatas e militares por conta da guinada da política externa do governo Jair Bolsonaro.
Em artigo publicado no jornal O Globo, o jornalista Bernardo Mello Franco explica que as queixas aumentaram desde a última sexta-feira, quando Bolsonaro ligou o general Qassem Soleimani ao terrorismo.
O general Santos Cruz, ex-ministro de Bolsonaro, chegou a declarar que o Brasil “não tem razões” para se envolver na briga entre Washington e Teerã e, em nota, ressaltou que abandonar a neutralidade é um sinal de “irresponsabilidade” e “falta de noção de consequência”.
A posição também foi defendida pelo embaixador Celso Amorim, chanceler dos governos Lula e Itamar. Para Amorim, a morte de Soleimani pode trazer novas dificuldades no longo prazo para os Estados Unidos por se tratar de “um ato de guerra não declarada”.
Em 2010, o chanceler trabalhou na concretização do acordo nuclear entre Estados Unidos e Irã – que foi firmado sem a participação brasileira cinco anos depois. Trump abandonou o trato em 2018 e, agora, os iranianos decidiram abandonar o acordo. Com a promessa de vingar a morte de seu general.

quarta-feira, 28 de agosto de 2019

Xadrez da Amazonia e a soberania nacional, por Luis Nassif


"No “Xadrez de Moro, Dallagnol e Bolsonaro, e a busca do inimigo externo” tentei explicar a lógica de Bolsonaro com a Amazônia: a intenção objetiva de atrapalhar o tratado Mercosul-União Europeia para atender os interesses específicos de Donald Trump. Ao definir privilégios comerciais para a União Europeia, o Tratado poderia prejudicar um futuro acordo de livre comércio com os Estados Unidos."

Do GGN:


Peça 1 – a Amazônia e o conceito de soberania nacional

Leia, primeiro, o artigo de William Nozaki sobre o papel estratégico da Amazonia na indústria petrolífera mundial (clique aqui). Nele se verá que a indústria do petróleo identificou boa potencialidade na exploração do petróleo na região.
Depois, o artigo do Shephen Walth, professor de relações internacionais da Universidade de Harvard, para o Foreign Policy.
Conclui ele:
Eis o que acho que sei, no entanto: num mundo de estados soberanos, cada um fará o que deve para proteger seus interesses. Se as ações de alguns estados estão pondo em perigo o futuro de todo o resto, a possibilidade de confrontos sérios e possivelmente de sérios conflitos vai aumentar. Isso não torna o uso da força inevitável, mas esforços mais sustentados, enérgicos e imaginativos serão necessários para evitá-lo.
Não se trata propriamente de um risco imediato. Mas mostra as modificações que estão ocorrendo na jurisprudência internacional sobre o conceito de soberania nacional.
Esses conceitos já haviam sido modificados pelas leis anticorrupção adotadas no âmbito da OCDE e do Congresso americano, especialmente a questão da jurisdição, pelos quais cada país seria responsável pelas apuração dos crimes cometidos em seu território. Antes dele, apenas os crimes contra a humanidade ficavam sujeitos a tribunais internacionais.
Agora, começam a entrar os crimes ambientais. E há tempos, sendo considerada pulmão do mundo, há uma atenção especial ao que ocorre com a Amazônia.
Há meses pipocaram alertas sobre os riscos que o país corria caso perdesse o selo verde, de boas práticas ambientais (clique aqui).
Em um primeiro momento, a questão da sustentabilidade influencia o comércio e os investimentos internacionais. Em um segundo momento, poderá dar margem a interferências mais agudas.
Não por outro motivo, há pelo menos dois meses, militares ligados ao governo começaram a divulgar estudos preparado pelos setores de inteligência das Forças Armadas, sobre a estrutura de missões americanas no entorno da Amazonia.
Os radares dos militares identificaram cumulus nimbus no horizonte. Porque não se parou Bolsonaro

Peça 2 – a lógica anti-ambiental de Bolsonaro

No “Xadrez de Moro, Dallagnol e Bolsonaro, e a busca do inimigo externo” tentei explicar a lógica de Bolsonaro com a Amazônia: a intenção objetiva de atrapalhar o tratado Mercosul-União Europeia para atender os interesses específicos de Donald Trump.
Ao definir privilégios comerciais para a União Europeia, o Tratado poderia prejudicar um futuro acordo de livre comércio com os Estados Unidos.
Como o tratado impunha restrições ambientais ao Brasil, o caminho encontrado por Bolsonaro consistiu em um conjunto de declarações anti-ambientais, culminando com o dia do incêndio na Amazônia. As últimas informações reforçam essa hipótese, com um agravante: a Amazônia está no preço da eleição.
A eleição de Bolsonaro foi lastreada em grupos conservadores americanos ligados a Donald Trump, tanto no apoio direto, como dos movimentos que surgiram no bojo das redes sociais, como o Movimento Brasil Livre e o Endireita Brasil.
O MBL bancado pela organização Studentes For Liberty, com lideranças treinadas pelo projeto Atlas Network, ambos financiados por grandes empresários da indústria de petróleo, como os irmãos Charles e David Koch, proprietários de refinarias, oleodutos. Um minucioso levantamento foi feito por Euclides Mance, em um PDF “O Golpe, Brics, dólar e petróleo”.
Os Koch foram os principais financiadores dos movimentos conservadores norte-americanos, criando um tal Partido Libertariano.
Desde os anos 80, a plataforma do partido era a seguinte:
* revogação das leis federais de financiamento de campanhas políticas;
* privatização dos Correios;
* contra qualquer forma de tributação de pessoas e empresas;
* a favor de revogação de todas as leis de proteção ao trabalho, como a do salário mínimo;
* o fim das escolas púbicas, porque “conduzem à doutrinação das crianças e interferem na escolha dos indivíduos”;
* a privatização das ferrovias e das estradas públicas;
* fim de todos os subsídios, inclusive aqueles voltados para as crianças.
Finalmente, defendem o fim da Agência de Proteção Ambiental.
Em 2011, o grupo já controlava 425 grupos de estudantes em todo mundo.
Essas ONGs libertárias se juntaram em torno da Atlas Network, uma organização de preparação de jovens lideranças atuando em mais de 90 países.
Em 2012, a Atlas Network organizou e financiou em Petrópolis um encontro que deu origem ao Estudantes Pela Liberdade no Brasil.
O site da Atlas apontava o MBL (Movimento Brasil Livre) como parceiro no Brasil, adiantando que muitos membros do MBL passaram pelo principal programas de treinamento da Atlas Network, o Atlas Leadership Academy, “e agora estão aplicando o que aprenderam no terreno em que vivem e trabalham”.  Em 8 de setembro de 2015, o site da Atlas indicava o MBL como parceiro da entidade no Brasil.
Um dos pontos de convergências dessas ONGs conservadores é a negação da teoria do aquecimento climático. Grupos como os Koch, os Mercer, o Cato Institute, a Heritage Foundation e a Federalist Society financiavam estudos visando rebater a teoria do aquecimento.
Esse movimento recuou no governo Obama, mas voltou forte com Trump.
Quatro dias depois de assumir a presidência, Trump assinou decretos autorizando os oleodutos Keystone XL e Dakota Access Pipeline, que sofriam fortes críticas dos preservacionistas
Em junho, Trump anunciou planos para retirar os Estados Unidos do acordo climático de Paris, o que de fato aconteceu. Em outubro, propôs a revogação do Plano de Energia Limpa, a única política importante do governo federal para reduzir as emissões de gases do efeito estufa.
Como observou uma reportagem do Huffington Post,
“Os movimentos marcam o primeiro passo sério do novo presidente para reverter os ganhos ambientais de seu antecessor em favor de sustentar uma indústria de petróleo e gás perseguida pelos baixos preços, a concorrência da energia renovável e as regulamentações que visam reduzir as emissões de carbono. Os republicanos, que forçaram Obama a dar luz verde a ambos os oleodutos, saudaram as ordens como uma vitória”.
Kim Kataguiri, do MBL, foi indicado por Rodrigo Maia, presidente da Câmara, como relator da Lei Geral de Licenciamento Ambiental (PL 3.729/2004). Foi acusado por ONGs ambientais de ter apresentado um substitutivo de última hora desmontando o sistema de licenciamentos no país.
“A nova versão traz graves retrocessos, como a exclusão de impactos ‘indiretamente’ causados por obras, dispensas de licenciamento para atividades de ‘melhoria’ e ‘modernização’ de infraestrutura de transportes e a eliminação da avaliação de impactos sobre milhares de áreas protegidas”, escreveu a ONG SOS Mata Atlântica.

Peça 3 – o lobby do Partido Republicano

Ontem, o The Intercept, publicou reportagem mostrando a montagem de lobbies, ligados ao Partido Republicano, visando cooptar empresas americanas para projetos na Amazonia, combinados com o goverobn Bolsonaro.
“Documentos revelam que esses interesses estão sendo incentivados nos EUA por lobistas republicanos favoráveis ao governo Trump, que iniciaram conversas com o governo brasileiro para promover o investimento empresarial na Amazônia”.
Ontem, porta-vozes do governo Bolsonaro anunciaram a criação de um grupo de trabalho com os Estados Unidos, visando desenvolver uma política ambiental conjunta.

Peça 4 – os riscos à soberania nacional

Trump passa, os avanços ambientais permanecem. Entrando nesse jogo com a parte mais barra pesada do empresariado norte-americano, há o risco concreto dessa armação se esboroar nas próximas eleições.
Ocorrendo isso, o país ficará com a broxa na mão. Ontem, já fio anunciado que o governo sueco está analisando os investimentos de seus fundos de pensão no Brasil, em função do fator Amazônia. A parte mais saudável das corporações internacionais já se pauta pelos temas ambientais.
Tardiamente, os militares de Bolsonaro tentam recriar o conceito de defesa nacional em torno da bandeira Amazônia. Foram incapazes de prevenir a venda da Embraer, o desmonte da Petrobras, as próximas jogadas com Eletrobras, todas empresas centrais dentro do conceito de soberania nacional.
Provavelmente só entenderão o risco de uma Amazônia devastada quando a conta bater novamente na porta, e os Bolsonaro não passarem de um pesadelo distante.
Trata-se de um poder que não assimilou conceitos básicos de soberania e interesse nacional.0

quarta-feira, 20 de março de 2019

Como a internet está matando a democracia, segundo Jamie Barttlet, pesquisador britânico



Como a internet está matando a democracia

Em entrevista à Pública, o pesquisador e autor inglês Jamie Bartlett diz que hoje em dia cuidar do nosso comportamento online é mais importante que votar
Do GGN:

Jamie Bartlett é autor do livro “O povo vs tecnologia: como a internet está matando a democracia – e como podemos salvá-la”, em tradução livre | Foto: Arquivo pessoal
da Agência Pública
Como a internet está matando a democracia
por Ethel Rudnitzki
“Fomos muito ingênuos”, adverte o pesquisador e jornalista inglês Jamie Bartlett. Para ele, nos primórdios da internet “havia uma ampla visão de que o simples fato de tornar a informação mais disponível e permitir que todos pudessem criar e compartilhar informação transformaria o nosso ambiente em mais informado, politizado e racional.”
Não foi o que aconteceu, e segundo ele a radicalização atual nem era tão difícil de prever. Para Bartlett, os grupos radicais chegaram antes à internet por estarem fora dos jornais e do mainstream. “Mas o mais importante é que todos nós nos tornamos mais radicais”, explica. “Pulamos de um assunto para outro e somos apresentados a mais e mais conteúdos apelativos e sensacionalistas para manter nosso vício nas redes.” Como resultado, somos expostos a argumentos emocionais radicais e acabamos xingando e vociferando nas redes sociais.
Autor do recém-lançado livro The people vs tech: How the internet is killing democracy and how we save it (O povo vs tecnologia: como a internet está matando a democracia – e como podemos salvá-la, em tradução livre), ainda inédito no Brasil, Bartlett faz parte da Demos, um think tank britânico que reúne especialistas em educação e tecnologia para pesquisar temas relacionados à política.
Em entrevista à Pública, Bartlett fala sobre a radicalização promovida pelo ambiente online, desinformação, campanhas digitais e outros perigos da rede para a democracia.
Mas, mais do que constatar os problemas, o pesquisador propõe soluções para avançarmos junto com a tecnologia. Entre elas, um departamento governamental dedicado a fazer uma auditoria de algoritmos e uma base de dados pública, com registros instantâneos, de toda propaganda eleitoral publicada nas redes. Leia a entrevista a seguir:
O surgimento da internet, e depois das redes sociais, veio com a expectativa de uma maior democratização da informação e do debate público. Ao longo do tempo, essa ideia desapareceu. Pesquisadores, incluindo você, mostram que, ao contrário de democratizar, o ambiente virtual potencializou discursos radicais e extremistas. Por que isso aconteceu?
A primeira coisa que precisamos entender é por que fomos tão ingênuos no início. Havia uma ampla visão de que o simples fato de tornar a informação mais disponível e permitir que todos pudessem criar e compartilhar informação transformaria o nosso ambiente em mais informado, politizado e racional. Eu penso que boa parte da razão para essa crença veio do fato de que a maioria das pessoas por trás dessa tecnologia são pessoas da costa oeste dos Estados Unidos, da Califórnia. Pessoas extremamente liberais e grandes defensoras dos poderes naturais da livre informação e alienados das reais questões do mundo. E isso é só uma das explicações. Foi uma ingenuidade criar essas expectativas. As pessoas assumiram que a internet e as redes sociais seriam extremamente livres e que não haveria controle sobre as informações que estariam ali. Ninguém pensou nas consequências.
Mas, olhando com mais atenção, era possível ver que não seria bem assim. Na maioria das novas tecnologias, são as pessoas mais radicais, marginais e até criminosos que primeiro aprendem suas possibilidades. Eles têm essa vantagem, pois, na maioria das vezes, os mais autoritários se consideram excluídos, então dedicam boa parte de sua vida a novas técnicas e tecnologias.
O que eu descobri foi que, se você observar grupos de extrema direita, e até alguns grupos radicais de esquerda, na maioria das democracias, são eles os primeiros usuários de novas tecnologias. Neonazistas, por exemplo, encontraram maneiras de usar as redes sociais para espalhar suas mensagens, porque eles são determinados e não tinham outra forma de fazer isso. Se você os tira da mídia tradicional, é natural que eles procurem outros meios.
Adicione a isso o fato de que em troca da gratuidade das redes sociais nós damos a elas [as empresas de tecnologia] nossos dados. Assim elas tornam essas plataformas ambientes viciantes, para que fiquemos mais tempo lá, fornecendo ainda mais dados. E nossa tendência é clicar naquilo que for mais extremo, radical, inacreditável, pessoal.
Isso deixou as pessoas mais radicais, ou foram os extremistas que se tornaram mais fortes?
Boa pergunta. Eu acho que os radicais cresceram nas plataformas digitais porque tinham essa vantagem de serem usuários há mais tempo. Mas o mais importante é que todos nós nos tornamos mais radicais – não exatamente extremistas, mas somos exponencialmente expostos a conteúdos radicais e apelativos. Não temos a intenção de falar sobre essas temáticas, mas elas nos são apresentadas. Assim, quando entramos nessas plataformas, gritamos uns com os outros, discutimos sobre coisas pequenas, discordamos sem ao menos escutar o outro lado. Pulamos de um assunto para outro e somos apresentados a mais e mais conteúdos apelativos e sensacionalistas para manter nosso vício nas redes. E o resultado é que nos tornamos mais extremos.
E como Trump, nos EUA, e Bolsonaro no Brasil se beneficiaram desse ambiente polarizado?
Na minha opinião, esses políticos se baseiam em frases de efeito e soluções simplistas. E é exatamente isso que funciona nas plataformas de redes sociais. Discursos populistas sempre foram apelativos. Sempre se trata de apelar para o emocional, tratar problemas complexos com soluções fáceis.
As redes sociais são excelentes ambientes para amplificar essas mensagens porque não são tratadas como nos jornais, por exemplo. Com as notícias, temos que nos sentar e pensar sobre o que lemos. Não somos guiados por emoções. Mas nessas plataformas, sim. Quando compartilhamos conteúdos, esperamos respostas, curtidas, então é mais provável que publiquemos conteúdos que nos fazem sentir raiva ou animação do que conteúdos profundos e reflexivos.
Você acredita que essa radicalização impulsionada pelas redes é igual para a direita e para a esquerda?
É uma pergunta muito difícil de responder. Eu acredito que o discurso político que funciona nas redes pode ser tanto de direita quanto de esquerda.
Qual é o papel da desinformação nesse processo de radicalização online?
O problema não é a desinformação em si, mas o fato de haver diversas categorias de notícias falsas nas redes, e todas elas causam um efeito importante.
Na internet você acha todo e qualquer tipo de informação, verdadeira ou falsa. Há aquelas postadas por veículos de notícias e as que são apenas histórias de pessoas e também podem ser confiáveis. E há aquelas que são ruins e mentirosas. Ninguém sabe qual é verdadeira e qual é falsa. Então, no que as pessoas confiam quando não sabem no que acreditar é simplesmente em suas próprias intuições e emoções. Você confia no personagem que você acha que combina mais com você e fala coisas que você acredita. E isso é mais um elemento que beneficia os populistas porque eles geralmente são melhores em convencer as pessoas.
Não é simplesmente a desinformação pela desinformação, é que a informação circula em bolhas. Na rede você encontra dados e estatísticas para embasar qualquer opinião que você tenha. Cada um tem seus próprios fatos. E eles não estão exatamente certos, mas na internet é possível encontrar tanta coisa que existe informação para o que você quiser, tudo que valide sua opinião.
E estar envolvido em tanta informação assim é mais preocupante que as próprias notícias falsas. Por que é isso que faz com que as pessoas não saibam no que acreditar e parem de prestar atenção nos jornais para guiarem-se apenas pelos sentimentos. E é também isso que está tornando os políticos mais radicais, porque ninguém mais tem a autoridade sobre a verdade ou sobre os fatos.
No seu livro, você fala muito sobre o disparo de mensagens na campanha de Donald Trump com a ajuda de dados fornecidos pela empresa Cambridge Analytica. Você pode explicar como essa empresa ajudou Donald Trump, que não era do meio político, a ganhar as eleições nos EUA?
A tecnologia usada não era única ou inovadora, e vem sendo usada por publicitários há muito tempo. Eles basicamente identificaram pessoas que acreditavam que eram mais suscetíveis de serem convencidas pela campanha. O que eles fizeram foi construir perfis detalhados de milhões de americanos usando dados disponibilizados publicamente na internet. Esses dados, que podem ser comprados, incluem coisas como o valor da sua casa, que carro você tem, que revistas assina e muito mais. Eles pegaram o máximo de informações das pessoas que conseguiram e dividiram elas em grupos, enviando conteúdo mais provável de convencê-las.
Além de eleições, essa tecnologia pode influenciar outros aspectos da nossa vida. Somos bombardeados com anúncios personalizados, é como se as empresas soubessem mais de nós que nós mesmos. Como isso afeta a democracia?
Para mim, o maior problema é a popularização dessas técnicas de publicidade com dados, especialmente quando não há regulação. Significa que qualquer um pode dizer que seu opositor está trapaceando.
Qualquer um que perder uma eleição pode dizer que o adversário está usando dados de pessoas indiscriminadamente e manipulando eleitores com publicidade. E isso compromete a integridade de qualquer pleito. Quando você usa essas técnicas, na cabeça das pessoas, isso compromete a integridade de uma eleição.
Você não acha que a popularização dessas técnicas de publicidade vai fazer as pessoas questionarem suas escolhas e atitudes online?
É o seguinte: ninguém acha que foi influenciado por um anúncio. Nunca. As pessoas sempre falam: “Ai, isso não me afeta”. Mas, então, por que os publicitários investem tanto nas redes sociais? Por que eles já testaram e viram que realmente funciona.
Uma das razões pelas quais eu escrevi meu último livro foi para tornar as pessoas mais conscientes da maneira como seus dados estão sendo usados. E eu acho que as pessoas estão cada vez mais preocupadas.
Você vê um crescimento em outras formas de usar a internet?
Sim, eu vejo. Acho que está crescendo e melhorando. No Reino Unido, nós temos VPN [redes privadas individuais], que nos dá mais proteção de dados, e significa que empresas só conseguirão coletar nossos dados se dermos autorização, e isso nos dá o direito de pedir nossos dados de volta também. Já existem empresas que ajudam as pessoas a recuperar seus dados de outras empresas, novas redes sociais estão surgindo. Então, existem pequenas iniciativas nesse sentido. Eu não sei se vai funcionar, ou se vai fazer muita diferença, mas eu vejo melhora.
Existem maneiras de minimizar os efeitos dessa falta de privacidade online sem ser pela via completamente anônima e criptografada. No seu livro, uma das soluções que você sugere é o policiamento dos algoritmos. Você pode explicar como isso funcionaria?
Sim. O que podemos fazer é criar formas de controle democrático sobre os sistemas que possuem nossos dados pessoais. Uma das maneiras de fazer isso é da mesma maneira que fiscalizamos nossas instituições como escolas, serviços de saúde etc., para garantir que eles estejam funcionando. Com os algoritmos isso não é feito. Ninguém sabe se certos tipos de notícias estão sendo privilegiados pelos algoritmos, por exemplo. Eu não tenho a exata solução para isso, mas eu acho que é preciso criar um sistema de fiscalização.
A lógica é: se há um poder, é preciso criar um sistema de fiscalização.
Sim, mas isso precisaria ser feito pelo poder público, e os políticos que temos atualmente mostram muito pouco conhecimento sobre as questões do ambiente digital. Prova disso foi a audiência realizada com Mark Zuckerberg no Congresso americano. Você acha que essa equipe é capaz de formular políticas públicas eficientes nesse sentido?
Eu acho que é possível. Não é preciso ser um engenheiro de computação para pensar em soluções para esses problemas digitais. Eu só acho que é preciso disposição e investimento. Por que não seria possível instalar um departamento para fiscalizar algoritmos? Para mim parece possível e plausível, apesar das dificuldades.
Mas os problemas que temos são urgentes. Como cidadãos, o que podemos fazer?
O que eu mais tenho dito é que precisamos olhar nosso comportamento online como um passo. Eu acredito que temos o dever, como cidadãos, mais importante do que votar, de refletir sobre nosso comportamento online. Que dados estamos criando? Com quem estamos compartilhando? Que plataformas estamos usando?
Porque, toda vez que compartilhamos nossos dados, estamos contribuindo para a sociedade de controle que vivemos atualmente.
E as plataformas? Você acha que elas devem ser mais bem reguladas? De que maneira?
Sim. Eu acho que há regulações que podemos criar. A mais fácil delas seria definir essas empresas como publicitárias e investigá-las para combater oligopólios e promover a livre concorrência. Não pensá-las como plataformas de redes sociais.
Temos que ficar atentos às aquisições que essas empresas fazem, porque muitas vezes elas compram plataformas menores antes mesmo que estas se tornem competitivas. Então, temos que bloquear esse tipo de compra.
E há algumas outras coisas, como regular o conteúdo que circula nesses lugares, como o discurso de ódio. E multá-las caso não removam esses conteúdos.
Que outras medidas legais precisam ser tomadas na sua opinião?
Devemos atualizar as legislações eleitorais urgentemente, porque elas estão ultrapassadas. Uma das coisas que eu proponho é que todos os anúncios usados em campanhas eleitorais devem ser publicados em tempo real num banco de dados público para todos verem. Eu acho uma medida importante e fácil de ser implementada. Acho que isso pode aumentar a confiabilidade das eleições.
E também precisamos melhorar de uma maneira geral o sistema educacional, porque nenhum dá a verdadeira atenção para o estudo dos problemas de desinformação, deep fakes, fake news. E as pessoas convivem com isso todos os dias. Portanto, precisamos de uma drástica melhora na maneira como ensinamos media literacy [alfabetização midiática]. Estamos muito atrasados.