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terça-feira, 12 de janeiro de 2021

Frederico II comandou exércitos e ele sabia das coisas… Por Fábio de Oliveira Ribeiro

 

A julgar pelo desempenho de Jair Bolsonaro como oficial militar subalterno, como deputado federal e como presidente devemos admitir que os exércitos continuam recrutando seus membros no rebotalho da sociedade.

Jornal GGN:

Frederico II comandou exércitos e ele sabia das coisas…

por Fábio de Oliveira Ribeiro

Em seu “O Anti-Maquiavel”, Frederico II (1712-1786 ) atacou as teses do diplomata florentino com alguma eloquência. É possível discordar de algumas coisas que o rei da Prússia disse sobre Maquiavel. Mas ele estava coberto de razão quando disse que:

“A soldadesca é composta da parte mais baixa do povo, preguiçosos que preferem a ociosidade ao trabalho, libertinos que procuram a devassidão e a impunidade nas tropas [homens que não têm docilidade e obediência diante dos pais], jovens desajustados que se alistam por libertinagem, e, [servindo apenas por leviandade,] têm tão pouca inclinação e apego ao seu senhor quanto aos estrangeiros. Como essas tropas são diferentes daqueles romanos que conquistaram o mundo!” (O Anti-Maquiavel, Frederico II, editora Martins Fontes, São Paulo, 2014, p. 67)

A julgar pelo desempenho de Jair Bolsonaro como oficial militar subalterno (ele foi expulso do Exército; o general Ernesto Geisel disse que ele era mau militar), como deputado federal (ele passou duas décadas na Câmara dos Deputados e nunca apresentou um Projeto de Lei proveitoso para a sociedade brasileira) e como presidente (sob o comando dele, o Brasil caiu para a 13a. posição entre as nações mais ricas; Bolsonaro já é responsável por 200 mil mortes e continua sabotando o combate a pandemia) devemos admitir que os exércitos continuam recrutando seus membros no rebotalho da sociedade. Ironicamente, o mito parece ter sido convencido de que é um homem branco superior com um destino manifesto.

Bolsonaro desdenha os brasileiros dizendo que eles não são capazes de fazer nada. Ele faz questão de exibir publicamente seu ódio e desprezo por negros quilombolas, índios, gays, mestiços, etc… Sempre que abre ele abre a boca, o presidente brasileiro vomita o excremento tóxico do qual se alimentou ao conviver com a soldadesca e os milicianos cariocas.

Ao que tudo indica, a tese de Frederico II também é aplicável às Polícias Militares. Portanto, podemos dizer que as milícias comandadas pela família Bolsonaro são organizações compostas pelo rebotalho do rebotalho da sociedade brasileira. Os milicianos geralmente são recrutados entre policiais expulsos das PMs em virtude de terem cometido infrações funcionais gravíssimas e/ou crimes comuns (assassinato, roubo, apropriação indébita, agressão, estupro, tráfico de drogas, etc).

Nesse sentido, é preocupante a tramitação de um Projeto de Lei que retira o comando das PMs das mãos dos governadores estaduais para outorgá-los à presidência da república. Na prática, as milícias passarão a comandar contingentes policiais que, em tese, podem e devem ser usados para reprimir a criminalidade política e comum dos próprios milicianos bolsonaristas.

Depois que comandarem as PMs, as milícias bolsonaristas certamente desejarão se transformar em uma corporação político-militar com poder de supervisão sobre o Exército, a Marinha e a Aeronáutica. Isso já ocorreu no passado. Esse foi o caminho utilizado por Adolf Hitler, cuja milícia de ex-soldados criminosos, racistas, violentos, assassinos, ladrões e arruaceiros foi transformada na SS. Em pouco tempo, a própria SS virou um exército pessoal do Führer dentro do Exército do III Reich.

Apesar do discurso oficial de Heinrich Himmler acerca da superioridade racial dos seus subordinados, a SS também foi composta pelo rebotalho do rebotalho da sociedade alemã. Isso explica porque ela se tornou uma máquina de moer gente utilizada para exterminar doentes mentais, judeus e ciganos, para suprimir liberdades políticas e, inclusive, para reprimir qualquer tipo de insubordinação política dentro das Forças Armadas do III Reich. Todavia, quando finalmente entraram na guerra, as divisões da SS foram rapidamente derrotadas por tropas regulares do Exército Vermelho e fugiram do campo de batalha. A superioridade dos milicianos nazistas era um mito.

A superioridade de Bolsonaro e de sua milícia também é um mito. Mas ninguém pode se enganar. Se conseguirem comandar as PMs em todos os Estados da Federação, os milicianos bolsonaristas se transformarão numa força política tão perigosa e letal quanto a SS nazista. E quando isso ocorrer, nem os cidadãos comuns nem os oficiais militares brasileiros estarão em segurança.

No mais, Frederico II também estava certo quando disse que:

“O peso da tirania nunca se faz sentir tanto como quando o tirano quer cobrir-se das aparências de inocência e quando a opressão se dá à sombra das leis.” (O Anti-Maquiavel, Frederico II, editora Martins Fontes, São Paulo, 2014, p. 36)

O peso da tirania da milícia já é insuportável. Ela se tornará ainda maior quando as PMs ficarem sob o comando de milicianos fascistas e criminosos.

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quinta-feira, 31 de julho de 2014

Israel e o nazijornalismo ocidental, por Fábio de Oliveira Ribeiro


O texto a seguir é de autoria de Fábio de Oliveira Ribeiro



Durante sua devastadora campanha aérea contra a Sérvia, a OTAN e os EUA bombardearam estações de TV e de rádio que existiam no país. A justificativa dada para atacar alvos civis foi absoltamente singela: as empresas de comunicação ajudavam a sustentar o regime infame de Radovan Karadžić que estava movendo uma guerra de conquista territorial mediante limpeza étnica.

Gaza tem sido diariamente bombardeada por Israel. Mais de mil de civis foram mortos, centenas de crianças inocentes tiveram suas vidas ceifadas em virtude de terem cometido apenas um crime: nascer em Gaza de pais palestinos. A Reuters e outras fábricas de consenso que ajudam a formatar a opinião global sobre o conflito geralmente justificam o "ponto de vista" israelense.

Quando não minimizam as baixas entre civis palestinos dizendo que os mortos e mutilados são "danos colaterais", os jornalistas culpam o Hamas por ter atacado Israel autorizando o país a contra-atacar. Os dois lados são tratados como se fossem iguais, muito embora Israel tenha centenas de aviões e tanques de guerra e Gaza não tenha nem mesmo armamentos para repelir os sofisticados e devastadores ataques mecanizados israelenses.

Apenas para exemplificar o modo de operar dos jornalistas brasileiras em favor de Israel citarei o caso do Jornal da Gazeta. Hoje o telejornal informou que bombas de israelenses caíram numa usina de energia elétrica de Gaza deixando os palestinos sem eletricidade. Disse também que o Hamas disparou mísseis contra alvos em Israel. O foco da matéria em relação aos palestinos foi a intenção do Hamas (chamado de grupo terrorista) de atingir alvos israelenses, mas a intenção de Israel de deixar quase toda população de Gaza sem eletricidade é disfarçada pelo discurso jornalístico. Ao dizer que "bombas israelenses caíram" na usina de energia o Jornal da Gazeta sugeriu ao  respeitável público que isto pode ter ocorrido por acidente (o que evidentemente é um absurdo, pois Israel está usando armamentos precisos e sofisticados made in USA).

O jornalismo sérvio foi considerado culpado por ter ajudado Radovan Karadžić . Quem culpará o jornalismo ocidental por ajudar Israel a produzir um genocídio infantil em Gaza? Esta pergunta nem mesmo é feita. Nada do que os jornalistas ocidentais façam pode ser considerado crime. Eles ajudaram os EUA a invadir o Iraque repercutindo as mentiras contadas pelos habitantes da Casa Branca e do Pentágono sobre as "armas de destruição em massa" de Saddan Hussein. E não foram responsabilizados por terem tocado os tambores de guerra para justificar a injusta agressão militar norte-americana.

Fomos enganados, disseram alguns jornalistas depois que ficou provado que o Iraque havia desmantelado completamente seus programas de "armas de destruição em massa" 4 ou 5 anos antes da invasão comandada por George W. Bush Jr. e sua quadrilha de assessores igualmente mentirosos. Centenas de milhares de iraquianos foram mortos e mutilados desde 2003. A tortura se tornou uma realidade fotográfica compartilhada na internet pelos próprios torturadores. Os jornalistas norte-americanos fizeram um acanhado mea culpa e foram receber seus cheques gordos no final do mês como se não tivessem cometido qualquer crime.

Neste exato momento os jornalistas europeus, norte-americanos e alguns de seus colegas brasileiros estão ajudando Israel a transformar Gaza em um monte de entulhos e corpos despedaçados. Eles estão lavando as mãos, sim. Mas fazem isto em bacias cheias de sangue infantil. E nem sentem vergonha quando, nos telejornais diários, culpam os palestinos por serem vítimas de crimes de guerra. Os jornalistas sérvios fizeram o mesmo e pagaram caro. Antes deles, os jornalistas nazistas fizeram algo parecido e também foram impiedosamente bombardeados. O nazijornalismo ocidental, contudo, parece determinado a seguir em frente, fomentando guerras não autorizadas pelo Conselho de Segurança da ONU como se isto fosse algo bom, belo e justo.

Hoje a Reuters anunciou no seu Twitter uma reportagem especial sobre a origem das armas utilizadas pelos rebeldes russos na Ucrânica. Nada dirá sobre a origem das armas que Israel utiliza para despedaçar crianças em Gaza? Esta omissão me parece deliberada, pois os F-16 e as bombas e mísseis que eles despejam sobre civis palestinos são made in USA. Os tanques de guerra israelenses que disparam constantemente contra as casas dos palestinos em Gaza também não são fabricados na Rússia.

Quando não estão ajudando Israel a destruir Gaza, os nazijornalistas europeus, norte-americanos e brasileiros acusam a Rússia de ter derrubado um avião de passageiro na Ucrânia. Eles fazem isto para desviar a atenção do respeitável público do único fato relevante: eles mesmos estão com as mãos ensangüentadas porque ajudam os israelenses a cometer crimes de guerra.