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segunda-feira, 9 de dezembro de 2019

Vídeo-análise de Henry Bugalho: Lunáticos do governo, dos olavistas e videntes da goiabeira ao terraplanismo, paranóia anti-comunista, o Rock que ativa a droga que ativa o sexo que ativa o aborto, Os Beatles "que eram socialistas" e outros absurdos



Do Canal de Henry Alfred Bugalho:



 "A indicação de Dante Mantovani como presidente da Funarte simboliza os rumos do governo Bolsonaro, cada vez mais dominado por discípulos do Olavo de Carvalho, a vertente ideológica é clara: teorias conspiratórias, sandices e delírios. Ernesto Araújo, Damares, Salles e Mantovani são a "nova era". Entenda!"

sexta-feira, 6 de setembro de 2019

Bolsonaro publica decreto que esvazia conselho de proteção a direitos da criança



Presidente exonerou atuais representantes do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, reduziu colegiado e poder do órgão de tomar decisões


Foto: Agência Brasi
Jornal GGN – O presidente Jair Bolsonaro assinou um decreto, publicado nesta quina-feira (05), no Diário Oficial da União, reduzindo de 28 para 18 o número de integrantes, além de dispensa todos os membros atuais do Conanda (Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente).
O órgão, vinculado ao Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, foi um dos poucos conselhos que havia sobrevivido a um decreto anterior, assinado por Bolsonaro em abril, que extinguiu outros conselhos de participação social.
Conanda vinha se posicionando nos últimos meses contra medidas do governo, como o ensino domiciliar e um pedido do próprio Ministério ao qual é submetido para que flexibilizasse uma resolução de 2004 que passou a considerar a publicidade infantil como abusiva.
Outra coisa que incomodou especialmente a ministra responsável pela pasta, Damares Alves, foi a defesa de membros do Conanda em criar um grupo de trabalho para discutir questões LGBT, como respeito à identidade de gênero e combate à violência.
O decreto de Bolsonaro, publicado nesta quinta-feira (05), além de reduzir o número de integrantes da pasta e demitir todos os atuais membros do conselho, determina novas regras para a escolha dos integrantes da sociedade civil.
Desde que foi criado, em 1991, a escolha da composição do Conanda era definida por eleição em assembleia. Agora, Bolsonaro determina que a escolha ocorrerá por meio de processo seletivo, organizado pelo governo. Dos 18 representantes, 9 serão do ministério de Damares e 9 de entidades que atuam na área de infância.
O governo também diminuiu as reuniões de encontros mensais para trimestrais e estabeleceu que integrantes de fora do Distrito Federal participem por videoconferência.
“A pauta da infância é constante e urgente. Não há como esperar três meses para deliberar esses temas”, destacou em entrevista à Folha de S.Paulo Thaís Dantas, advogada do Alana, ONG que atua na área da infância e que havia sido eleita para a atual gestão.
“Isso viola toda a lógica de participação social e o direito das instituições eleitas, que tinham esse direito adquirido”, completou.
Também ao jornal, o vice-presidente do Conanda, que agora deixa o cargo, Antônio Lacerda Souto ponderou que as medidas retiram da sociedade a participação no conselho.
“Com o novo processo [de seleção], o poder de decisão será mais do governo do que da sociedade. Antes, esse poder era compartilhado”, disse. Na semana passada, o Damares já havia exonerado a secretária-executiva do Conanda e até o momento não anunciou um substituto para o cargo.

O Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos determinou também o cancelamento da conferência nacional dos direitos da criança, prevista para ser realizada em outubro pelo Conanda.
Em nota, a pasta de Damares negou o desmonte no Conanda, alegando que “todas as medidas cabíveis para dar continuidade ao funcionamento do órgão colegiado”.

O GGN prepara uma série de vídeos sobre a interferência dos EUA na Operação Lava Jato. Quer apoiar esse projeto? Acesse www.catarse.me/LavaJatoLadoB

domingo, 28 de julho de 2019

Garimpeiros sabem que contarão sempre com o silêncio de Moro e Damares para matar índios. Por Kiko Nogueira



Do DCM:
O Brasil nas mãos de bandidos empoderados por Bolsonaro e seus estafetas.
É isso o país hoje.
Milícias nas cidades e no garimpo estão bem representadas.
Um líder da aldeia Mariry, da etnia Wajãpi, no Amapá, foi assassinado a facadas no início da semana.
O cacique Emyra foi atacado enquanto voltava da casa da filha e o corpo encontrado dentro de um rio.
Um grupo de cerca de 50 garimpeiros ataca a aldeia desde a sexta-feira, dia 26.
Índios pedem, inutilmente, apoio das autoridades para retomar a propriedade.
O senador Randolfe Rodrigues gravou um vídeo denunciando o crime, secundado por Caetano Veloso, Marina Silva e outros.
“Estamos aguardando porque sem a resposta será tarde demais”, diz uma liderança Wajãpi num áudio.
“Mataram muito feio”.
Randolfe conta que “não houve nenhuma manifestação da Funai, nem foi possível contato com a Polícia Federal para ser tomada alguma providência”.
Em fevereiro, um cacique da etnia Tukano, de 53 anos, foi morto a tiros na casa em que morava em Manaus.
Homens encapuçados entraram o executaram na frente da esposa e de sua menina de 11 anos.
Não se ouve um pio de Damares Alves, a picareta dos Direitos Humanos, preocupada em construir fábricas de calcinhas no Pará.
Nada de Ricardo Salles, o ministro do Meio Ambiente, que faz propaganda da Chevrolet nas redes sociais.
Nem sombra de Sergio Moro, o comandante da Polícia Federal, que colocou seus homens para perseguir hackers em Araraquara numa ação em que ele era parte interessada.
“Mataram muito feio”.
Vão continuar matando porque contam com o fato de que nós continuaremos assistindo a tudo de braços cruzados.

terça-feira, 7 de maio de 2019

Do Jornal I, de Portugal: O hálito pestilento neofascista sobre o aroma dos cravos, por Antônio Moura



O governo de Bolsonaro tem levado a cabo políticas que primam por uma clara imposição de hierarquias que vão desde a questão identitária, passando pelo projeto econômico com a reforma da previdência, que visa miserabilizar os pobres e enriquecer ainda mais banqueiros e investidores

do Jornal I, de Portugal

O hálito pestilento sobre o aroma dos cravos

por Antônio Moura

Abril é o mais cruel dos meses, germina
lilases da terra morta, mistura
memória e desejo, aviva
agônicas raízes com a chuva da primavera(…).
Sem a força telúrica dos versos que abrem o célebre poema A terra desolada, de T. S. Eliot, em tradução de Ivan Junqueira – já que atualmente pode-se dizer tudo do Brasil, menos que ele passa por uma primavera, a  não ser que consideremos cogumelos venenosos e fétidos as flores mais formosas do nosso particular jardim de inverno ou inferno – o mês de abril para o nosso país, contudo, conteve a crueldade entrevista no poema.
Não que para o Brasil de 2019 abril seja o mais cruel dos meses, dado que seria muito, mas muito difícil mesmo, fazer este tipo de escolha desde que o atual governo tomou posse em janeiro deste ano, já que a cada dia este se supera em termos de crueldade por meio de medidas que visam atingir diretamente os mais pobres e as minorias, seja através de pautas econômicas de caricatura neoliberal como a reforma da previdência ou de medidas francamente neofascistas em que o próprio presidente, Jair Bolsonaro, se deu ao trabalho de ele mesmo vetar diretamente um comercial de TV do Banco do Brasil porque mostrava a diversidade, a pluralidade da população brasileira, incluindo negros, mulheres, transexuais… o que para este mal combinado aglomerado de células que enverga a faixa presidencial é insuportável, já que tal criatura ignora o termo respeito e representa o desejo demente de implantação de um processo anticivilivizatório. Um defeito perfeito, para citar Tristan Corbière em seu poema Sabedoria das nações, em tradução de Marcos Antônio Siscar.
Ato como este de censura e intolerância às diferenças tira indubitavelmente o neofascismo à brasileira do campo da especulação e o coloca no campo da ação. Uma clara imposição de hierarquias que vai desde a questão identitária, passando pelo projeto econômico com a reforma da previdência, que visa miserabilizar os pobres e enriquecer ainda mais banqueiros e investidores, aumentando ainda mais o já gigantesco abismo da desigualdade, numa posição claramente subserviente ao mercado financeiro. Aliás, subserviência é a tônica de Bolsonaro e seus pares.
Para completar a receita deste bolo assado nos fornos do inferno temos um ingrediente fatal – fatal mesmo, no sentido de letal, fisicamente mortal, para, em sua maioria pretos e pobres, evidentemente: o pacote relativo à segurança do ministro da justiça Sérgio Moro. Um amontoado de medidas totalitárias que, entre outras coisas transforma a polícia em milícia – uma espécie de máfia que controla grandes áreas das grandes cidades, com um agravante, incrustada no próprio Estado. Este projeto de segurança do Ministro da Era Conje – pois, leitores portugueses, pasmen, o nosso ministro fala “conje” ao invés de cônjuge – por meio de um dispositivo chamado “excludente de ilicitude”, que, em sua própria nomenclatura, ou seja, através da linguagem já entrega o que pretende fazer, proteger da ilegalidade algo totalmente ilegal como, por exemplo, o ato de matar. Na verdade, uma autorização para o extermínio. O tal “excludente de ilicitude”, em poucas palavras, é simplesmente um pequeno conjunto de itens que resulta em uma forma escancarada de tornar facilmente legítima defesa qualquer assassinato por parte da polícia. Ou milícia?
Também é muito difícil para nós atualmente escolher qual seria o mês mais vergonhoso desde que o governo Bolsonaro assumiu o mandato, pois toda a sua principal equipe se esmera em se superar e nos surpreender em tal quesito ao longo dos meses. A ministra Damares disse que viu Jesus numa goiabeira, o chanceler afirma que o nazismo é de esquerda e, por falar em nazismo, o próprio Bolsonaro desculpou o holocausto em pleno Museu do Holocausto. Um quadro manicomial, sem querer ofender as pessoas que já passaram por manicômios. E é dentro deste quadro vergonhoso que surge o bafo podre do Ministro da Justiça sobre os cravos de abril.
Ao cumprir a vocação deste governo em deixar um rastro de vergonha mundial por onde passa, o ministro Sérgio Moro, em visita a Portugal cobriu o Brasil de constrangimento no dia 24 de abril, véspera da data comemorativa da Revolução dos  Cravos. Ao ser confrontado pelo ex primeiro ministro de Portugal, José Sócrates, sobre o  roteiro de seu papel cada vez mais evidentemente político e eleitoral, respondeu da forma mais chucra que “não debate com criminosos”, ao aludir à certas suspeitas que pairam sobre o ex primeiro ministro português. Ao responder isso ele só confirmou, em poucas palavras, a narrativa que define a sua atuação em busca de cada vez mais se esgueirar por um caminho antidemocrático, totalitário e avesso ao estado de direito. Pois com esta resposta, não a resposta de um Ministro da Justiça, não a de alguém que no posto que ocupa teria a obrigação de pensar a justiça, mas a de um delegado de esquina, pois com tal resposta ele ignorou a presunção de inocência, dado que em relação ao ex primeiro ministro não há nada além de suspeitas, nenhuma prova ou mesmo um processo em curso. Os cravos de abril murcharam quando ele abriu a boca. Uma clara demonstração de despreparo para o alto cargo que ocupa e a incrível capacidade de ofender os anfitriões em sua própria casa. Foi uma maneira e uma oportunidade que ele encontrou de dizer o que na verdade ele tem vontade de gritar “Eu sou um fascistóide, eu não considero o estado de direito, muito menos tenho a intenção de respeitar direitos humanos e estou pronto para condenar pessoas sem provas”. Em poucas palavras, ao ofender a democracia portuguesa, ele corroborou a narrativa de que o açodamento do processo que levou à prisão do ex presidente Lula foi a forma eficaz de usar o judiciário para fins de um projeto político de um grupo de ultradireita no qual ele foi guindado ao cargo de super ministro, conclusão lógica de tal narrativa.
O ministro que, para mais uma vergonha nossa, bafejou seu veneno sobre os cravos de abril, é o mesmo que ao ser questionado sobre o fuzilamento de uma família negra dentro de um carro no Brasil, com oitenta tiros – sim, oitenta tiros – disparados pelo exército brasileiro, “por engano” só conseguiu dizer: pode acontecer…
Pois eu digo que é por causa de respostas como essa que é preciso escrever poemas como esse:

País
Transformado em porão, sua carga
– cor, sangue, dor, perseguição
Navio
fantasma há séculos à deriva
Negreiro
O uivo do mar que envolta vibra
(Joaquim Nabuco, A outra voz, Antônio Moura, Editora Patuá, 2018)