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terça-feira, 12 de maio de 2020

Cuba em tempos de Covid-19, por Maria Auxiliadora César



Assim, essa pandemia revela o valor de cada sociedade – quanto mais dirigida a privilegiar valores sociais socialistas, mais universal o atendimento tende a ser.

Cuba em tempos de Covid-19

por Maria Auxiliadora César, no GGN

Desde final de dezembro, quando foram veiculadas as primeiras notícias da província de Hubei na cidade de Wuhan, na China, sobre o corona vírus, médicos especialistas do Ministério de Saúde Pública (Minsap), virologistas do Instituto de Medicina Tropical Pedro Kouri (IPK) e de outras instituições científicas começaram a investigar o fenômeno.
A partir do dia 11 de março, quando três turistas italianos foram identificados com a Covid-19, surgiu um conjunto de medidas para enfrentar esse tipo de vírus (Sars Cov 2), foram mobilizadas as organizações política e de massa, assim como prestadas as informações quantitativas e qualitativas diárias à população, assim como os principais temas discutidos nas reuniões de todos os dias do presidente da República de Cuba Miguel Díaz-Canel Bermúdez e ministros, por meio dos diferentes meios de comunicação.
No programa ‘Mesa Redonda’, o tema geral é a Covid-19 e dele participam, alternadamente, cientistas de diferentes organismos que compõem o Polo Científico; diretores de laboratórios e a comunidade científica: decanos de universidades e representantes de instituições científicas de diferentes áreas e especialistas do grupo interdisciplinar do Ministério de Saúde Pública (Minsap), em colaboração intersetorial e interdisciplinar, enfim, como dizem os participantes, ‘governo e ciência em função de salvar vidas’.
Nessas e em outras ocasiões sempre é lembrado o artífice de toda essa estrutura de saúde e esse método de ação, Fidel Castro
Para a Covid-19 são usados cerca de 15 produtos de fabricação nacional e em menor número de importados. Além do Interferon Alfa 2B, anti viral já usado anteriormente, utilizam a cloroquina e o PrebengHo Vir, antibióticos, e plasma dos recuperados que desenvolvem anticorpo monoclonar, especialmente para pacientes em estados crítico e grave. Além do tratamento dos casos positivos, há preocupação com o fortalecimento da imunidade da população em geral, com distribuição gratuita, casa a casa, de o medicamento homeopático PrebengHo VIR, que é inócuo e incrementa defesa no organismo, aumentando a imunidade.
O protocolo de tratamento de Cuba tem um esquema rígido de busca e internação e de atendimento. São realizados Testes rápidos e o conhecido PCR (Proteina C Reativa) em tempo real, mais sensível ao vírus. O período de 2 tratamento é de 28 dias, sendo os 14 primeiros no hospital e depois da alta médica mais 14 dias de isolamento em Centros de isolamento ou em casa, com vigilância sanitária e epidemiológica de equipe de saúde. Cuba teve uma fase pré-epidêmica e na primeira semana de abril passou à de transmissão autóctone limitada, e não chegou à fase de transmissão comunitária.
Todos os setores do governo e da sociedade civil trabalham no âmbito da prevenção e proteção para que a curva de crescimento da Covid-19 seja menos elevada, a partir de um modelo matemático – curva alta (linha vermelha), média (linha verde) e baixa (linha azul, favorável). Para isso, preventivamente, foram providenciados o aumento do número de leitos e equipamentos nos hospitais; a preparação de salas de terapia intensiva; a produção de mais medicamentos pela indústria farmacêutica; a maior capacitação de equipes de saúde e de outros trabalhadores para o funcionamento adequado dos serviços; a preparação de mais Centros de diagnóstico e Centros de isolamento em dependências de
Centros Universitários, escolas, Faculdade Latino Americana de Medicina, instalações do governo; o aumento do número de Testes rápidos e PCRs; a intensificação da pesquisa e busca ativa; a produção de máscaras e batas e de máscaras protetoras para o pessoal de saúde. Dessa maneira não há possibilidade do sistema de saúde colapsar.
Com o objetivo de evitar aglomerações e restringir circulação inter e intraprovinciais foram adotadas outras medidas em nível de funcionamento de vários serviços e que favoreçam também a compra de produtos alimentícios, de higiene e asseio. Ainda em março foram suspensas as aulas presenciais em todos os níveis de ensino.
Hoje, passados exatamente dois meses da identificação dos primeiros casos, a situação é bastante favorável, pois há 10 dias as altas são maiores que as internações. Faleceram 77 pessoas, a maioria com doenças associadas, como as cardiovasculares, hipertensão, diabetes, alcoolismo. Dos casos ativos (menos 2 estrangeiros que tiveram alta e voltaram ao país de origem, 1 em estado crítico e 6 graves, os falecidos e as altas médicas), os que apresentam estado clínico estável representam 98,0%. Dos casos positivos, a maioria está na faixa etária entre 40 e 60 anos e há percentual similar entre sexo feminino e masculino. Os assintomáticos estão entre 40 e 60% do total de casos confirmados e o mapeamento desses casos foi fundamental para romper a cadeia de transmissão.
E a curva a que me referi anteriormente continua baixando a partir da linha azul, a mais favorável. Mas, continua o incessante chamado para a necessidade de cumprir as medidas de proteção e prevenção, para que não haja nenhum evento local que possa comprometer este resultado satisfatório. Por outro lado, Cuba confirma sua solidariedade em diferentes ações, em consonância com o defendido e o praticado, com destaque, nestes tempos, para o envio de 25 brigadas médicas a 23 países, compostas por 1500 especialistas.
Destacamos também ações de solidariedade de outros países a Cuba, quando não impedidas de se concretizarem pelas leis do bloqueio.
A máxima de José Martí “Pátria é humanidade”, sistematicamente repetida nas inúmeras manifestações massivas pelo Comandante Fidel Castro, é internalizada nas mentes e nos corações do povo cubano.
A democracia participativa da Ilha, coerente com a proposta socialista solidária e humanista, revela ao mundo que não se mercantiliza a vida e que defende os valores de cooperação, humanismo, solidariedade e a unidade de todos os setores políticos e sociais.
Assim, essa pandemia revela o valor de cada sociedade – quanto mais dirigida a privilegiar valores sociais socialistas, mais universal o atendimento tende a ser.
Vale ressaltar que neste processo revolucionário a dimensão econômica acompanha a dimensão social. E assim, com a crise da economia mundial e o bloqueio comercial e financeiro de quase 60 anos, recrudescido pelo governo dos Estados Unidos, mesmo em tempos de pandemia, o próximo será para Cuba um período complexo e desafiador.
Havana, 11 de maio de 2020
Maria Auxiliadora César – aposentada do Dep. de Serviço Social/
Fundadora do Nescuba/Ceam/UnB/ Residente temporária em Cuba

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quinta-feira, 12 de março de 2020

Do Jornal do Brasil: Cuba anuncia que produz vacina contra o coronavírus que esta sendo usado na China e já curou 1.500 pessoas


O medicamento cubano é produzido desde 25 de janeiro na fábrica chinesa Chang-Heber, cubana, localizada na cidade de Changchun, província de Jilin, na China.

Jornal do Brasil  
O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, destacou o uso do governo chinês para combater o coronavírus 2019-nCoV com o ‘Interferon alfa 2B’ (IFNrec) no tratamento contra a doença.
Macaque in the trees
O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel (Foto: Reprodução/Colarebo)











Em sua conta no Twitter, Díaz-Canel comemorou o dia anterior ao uso do medicamento cubano que é produzido desde 25 de janeiro na fábrica chinesa Chang-Heber, cubana, localizada na cidade de Changchun, província de Jilin, na China.
“Nosso apoio ao governo chinês e ao povo em seus esforços para combater o coronavírus”, disse ele.
Até agora, sabe-se que conseguiu curar mais de 1.500 pacientes e é um dos 30 medicamentos escolhidos pela Comissão Nacional de Saúde da China para curar a condição respiratória.
“O interferon alfa 2B tem a vantagem de que, em situações como essa, é um mecanismo para se proteger, seu uso impede que pacientes com a possibilidade de agravar e complicar cheguem a esse estágio e, finalmente, tenham a morte como resultado”, disse Granma ao jornal. Luis Herrera Martínez, consultor científico e comercial do grupo de negócios BioCubaFarma.
Durante anos, foi feita uma transferência de tecnologia para a província chinesa, o que resultou na planta conjunta em que o produto é fabricado “exatamente com a mesma tecnologia que a nossa, e que responde aos padrões de qualidade aprovados pelas autoridades” de ambos os países, acrescentou Martínez.
O IFNrec também é aplicado contra infecções virais causadas pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV), papilomatose respiratória causada por papiloma humano, condiloma acumulado e hepatite tipos B e C, além de terapias contra vários tipos de câncer.
Apesar do bloqueio econômico, financeiro e comercial que os Estados Unidos mantêm contra a ilha do Caribe, o sistema médico cubano tem sido reconhecido internacionalmente.
Por exemplo, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) parabenizou a ilha em 2018 por alcançar a menor taxa de mortalidade em sua história, com 4,0 por mil nascidos.
Em 2015, recebeu o primeiro reconhecimento mundial da Organização Mundial da Saúde (OMS) ao eliminar a transmissão do HIV de mães para filhos e das bactérias causadoras da sífilis. (do blog de Luiz Muller com informações do site cubano Colarebo)


Tags: coronavirus cuba

sábado, 26 de novembro de 2016

Fidel Castro, presente! Artigo de Urariano Mota



GGN. - Hoje acordei de madrugada, depois de uma noite insone. Pior dizendo, me levantei da cama depois de acordas e adormeces sucessivos. As pessoas do povo de Água Fria, meu amado bairro do Recife, diriam que essa instabilidade era um  aviso, e com isso queriam dizer, mensagens que nos chegam sem que a consciência tome tento. Então me levantei, abri o computador e recebi o que eu não queria: “Fidel morre aos 90 anos”.  O que é isso? Sabemos, claro, que mais cedo ou mais tarde ia acontecer, até porque é da nossa natureza a mortalidade, até porque Fidel atingira uma idade que não comportava a surpresa da morte, até porque... besteira. Olho, torno a ler, volto para a tela  e só consigo falar: porra!
Mas porra! só se escreve como uma interjeição. O que dizer do golpe desta manhã?   Pensei, penso e percebo que o melhor será a retomada de trechos do que escrevi sobre o comandante quando ele completou 89 anos. Me calo e copio.
As notícias não falam que Fidel Castro é  uma pessoa mítica, um homem que se tornou  lenda e símbolo.  Sobre ele escreveu o gênio universal das Américas, de nome Gabriel García Márquez:
“Raras vezes Fidel cita frases alheias, nem em conversas nem na tribuna, a não ser as frases de José Martí, que é seu autor de cabeceira. Conhece a fundo os vinte e oito volumes da sua obra..
Seu auxiliar supremo é a memória, e a usa até o abuso para apoiar discursos ou palestras íntimas com raciocínios invisíveis e operações aritméticas de uma rapidez incrível. Sua tarefa de acumulação informativa começa desde que acorda.  Toma o café da manhã com não menos de duzentas páginas de noticias do mundo inteiro. .
Um homem de costumes austeros e ilusões insaciáveis, com uma educação formal às antigas, de palavras cuidadosas e modos sutis, incapaz de conceber nenhuma ideia que não seja descomunal. Sonha que seus cientistas encontrem o remédio definitivo contra o câncer, e criou uma política exterior de potência mundial em uma ilha sem água doce, oitenta e quatro vezes menor que o seu inimigo principal. É tal o pudor com que protege sua intimidade que sua vida privada terminou por ser o enigma mais hermético da sua lenda….
Eu tenho escutado Fidel em suas escassas horas de saudades quando ele recorda as manhãs do campo de sua infância rural, a namorada da juventude que se foi, as coisas que poderia ter feito de outra maneira para ganhar mais tempo para a vida”.
Em belo artigo publicado no Granma http://www.granma.cu/reflexiones-fidel/2015-08-13/la-realidad-y-los-suenos , para os seus 89 anos, ele próprio, Fidel Castro, nos falou:
“Escrever é uma forma de ser útil, se consideramos que nossa sofrida humanidade deve ser mais e melhor educada ante a incrível ignorância que nos envolve a todos, com exceção dos pesquisadores que buscam nas ciências uma resposta satisfatória….
Os Estados Unidos devem a Cuba indenizações  equivalentes a danos, que ascendem a muitos e valiosos milhões de dólares como denunciou nosso país com argumentos e dados irrebatíveis ao longo de suas intervenções nas Nacões Unidas.
Como foi expresso com toda clareza pelo Partido e o Governo de Cuba, em prova de boa vontade e da paz entre todos os países deste hemisfério e do conjunto de povos que integram a família humana, e assim contribuir para garantir a sobrevivência de nossa espécie no modesto espaço que nos corresponde no universo, não deixaremos nunca de lutar pela paz e o bem-estar de todos os seres humanos, independentemente da cor da pele e do país de origem de cada habitante do planeta, assim como pelo direito pleno de todos a possuir ou não una crença religiosa.
A igualdade de todos os cidadãos à saúde, educação, trabalho,   alimentação, segurança,  cultura, ciência, e bem-estar,  quero dizer, os mesmos direitos que proclamamos quando iniciamos nossa luta,  mais os que venham de nossos sonhos de justiça e igualdade para os habitantes de nosso mundo, é o que desejo a todos. Aos que comungam em tudo ou em parte com as mesmas ideias, ou muito superiores, mas na mesma direção, lhes dou meus agradecimentos, queridos compatriotas”.
Eu penso que Fidel Castro é imortal. Mas o que é mesmo essa tal de imortalidade? Tentei esclarecer o fenômeno em página que escrevi ara o romance “A mais longa juventude”, ainda inédito:
A vida é o que resiste. Que contradição mais estranha, eu descubro e me digo: a vida, tão breve, é tudo que resiste. Mas que paradoxo: se ela está no tempo que se dirige para o fim, se ela é naquilo que deixará de ser, como sobreviverá à Irresistível, que é mais conhecida pelo nome de morte? A resposta é que existe uma resistência na duração do instante, que ocorre na intensidade, luz, flor ou cintilação. É como o brilho da luz de uma estrela distante, que recebemos agora, “agora”, se fosse possível um agora simultâneo, mas que num paradoxo já não existe. O que vemos agora já não mais existe, tamanha foi a distância que a luz percorreu no espaço escuro até ferir a nossa percepção. Mas isso é no terreno físico, mecânico, do reino da velocidade da luz de 300.000 quilômetros por segundo. O que desejo dizer é mais fino. A resistência, que é vida, se processa na brevidade pelas ações e trabalhos dos que partiram e partem. Mas nós, os que ficamos, não estamos na estação à espera do nosso trem. Nós somos os agentes dessa duração, esse trem não chegará com um aviso no alto-falante, “atenção, senhor passageiro, chegou a sua hora, entre”. Até porque talvez chegue sem aviso, e não é bem um transporte. O trem é sempre de quem fica. E porque somos agentes da duração, a nossa vida é a resistência do fugaz. Nós só vivemos enquanto resistimos. Nós alcançamos a imortalidade, isto é, o que transcende a sobrevivência ao breve, porque a imortalidade não é a permanência de matusaléns decrépitos, nós só alcançamos a imortalidade pelo que foi mortal, mortal, mortal, e sempre mortal não morreu. Aquilo que num poema Goethe gravou em pedra:

“Deve-se mover, obrar criando
Tomar sua forma, ir-se alterando
Momento imóvel é aparência.
Na eternidade em disparada
Que tudo arruína e leva ao nada
Somente o ser tem permanência”             
Penso que é nessa forma, a da permanência do ser, a da vida que é resistência, que podemos ver a imortalidade de Fidel Castro. Ele se tornou imortal não só agora.  Ele se tornou antes, desde a derrubada de Fulgencio Batista e da revolução na ilha que virou um continente. Fidel passa por este presente e resistirá com sua vida no tempo.  
Assim foi o que escrevi nos seus 89 anos. Mas hoje, no Face, apenas consegui dizer: começa um novo tempo para nós. Nós não queríamos que chegasse tão cedo.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Jornalista Paulo Moreira Leite sobre a reaproximação EUA-CUBA: "Vê-se agora quem tinha razão"

O texto a seguir, de Paulo Moreira Leite, foi extraído do Plantão Brasil:





Enquanto "a postura do PSDB refletiu o conservadorismo de matriz norte-americana", pregando "um tratamento agressivo do governo de Raúl Castro", propondo "o isolamento forçado do regime", o governo Lula-Dilma adotou uma "postura em linha de continuidade com a escola diplomática civilizada, que prega o respeito à soberania dos povos como o princípio básico para a convivência pacífica entre países"; a análise é do jornalista Paulo Moreira Leite, diretor do 247 em Brasília; segundo ele, o reatamento anunciado ontem entre Estados Unidos e Cuba "tem uma utilidade suplementar no Brasil: coloca em seu devido lugar o anti-comunismo primitivo que fez uma grande aparição na última campanha presidencial"

Após o anúncio do reatamento de relações diplomáticas entre Estados Unidos e Cuba, na tarde desta quarta-feira 17, o jornalista Paulo Moreira Leite escreve uma coluna em seu blog na qual analisa as posturas dos governos do PSDB, de Fernando Henrique Cardoso – e também da campanha de Aécio Neves – e da gestão Lula-Dilma em relação ao assunto. "Vê-se agora quem estava com a razão", constata.

Apesar de seu caráter essencialmente risível, que a colocou de braço dado com os exilados de Miami, a postura do PSDB refletiu o conservadorismo de matriz norte-americana que tornou-se fonte recente de inspiração de largas fatias do partido. (...) Prega um tratamento agressivo do governo de Raúl Castro, fecha portas a toda negociação produtiva e propõe o isolamento forçado do regime, inclusive pela manutenção de um embargo odioso, na perspectiva de uma restauração da economia de mercado capaz de eliminar vestígios e conquistas da revolução.

Numa postura em linha de continuidade com a escola diplomática civilizada, que prega o respeito à soberania dos povos como o princípio básico para a convivência pacífica entre países, o governo Lula-Dilma fez a aposta inversa. Cansou de tomar porrada de sábios que dão plantão na TV. Vê-se agora quem estava com a razão — num debate que tem raízes em nosso passado político, também.

O colunista diz ainda que o reatamento entre os países governados pelos presidentes Barack Obama e Raúl Castro "tem uma utilidade suplementar no Brasil: coloca em seu devido lugar o anti-comunismo primitivo que fez uma grande aparição na última campanha presidencial".

domingo, 1 de setembro de 2013

Jorge Pontual fala dos avanços da medicina de Cuba e constrange Eliane Cantanhêde, a Rede Globo e a mídia golpista


   O repórter Jorge Pontual faz entrevista com socióloga norte-americana e reconhece que a Organização Mundial de Saúde vê no sistema médico e na educação médica cubana um exemplo para o mundo. Também fala da resistência ao modelo médico humanista cubano entre os médicos locais, inclusive a elitista classe médica brasileira. Veja o vídeo acima e tire as suas conclusões.

Carlos Antonio Fragoso Guimarães

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Quando FHC trouxe médicos de Cuba para o Brasil, a Veja aplaudiu

sábado, 24 de agosto de 2013

Motivos do medo da máfia de branco brasileira aos médicos cubanos


Carlos Antonio Fragoso Guimarães


Corporativismo.... Nome dado quando um determinado setor, área ou categoria une-se, entre seus pares, para estabelecer e determinar regras, ações e políticas favoráveis a seus membros e representantes, buscando criar e proteger um determinado setor de exploração econômica ou política, ou ambos.

Pois bem, em nosso país uma das mais poderosas (política, econômica e socialmente) categorias é a médica. 

Embora, em grande parte, seus membros tenham se formado em universidades públicas (ainda as melhores), muitos deles apenas perpetuam uma espécie de linhagem familiar, por muitos serem oriundos de famílias de médicos, a maior parte pertencendo à classe média, possuem uma ótica bastante elitista. Parcela considerável deles recusam-se a trabalhar no interior do país (embora haja exceções notáveis) e a grande maioria adota ainda uma atitude mecanicista no trato com pacientes, e elitista no trato com demais categorias da saúde (vide o corporativismo agressivo na defesa da exclusividade de diagnósticos e encaminhamentos no caso do Ato Médico).

A expressão corporativa, quase exclusivista e mafiosa da categoria, contudo, se fez ver nos últimos dias no embate (apoiado pelos setores mais cinicamente conservadores e reacionários da sociedade) violento da classe de jaleco contra o programa do governo federal para atriair (e atraiu) médicos estrangeiros para suprir o rombo não preenchido pelos nacionais que se julgam superior aos demais mortas (mesmo ganho mais que professores e outras categorias que aceitariam de bom grado pagamento semelhantes aos a eles dados).


Aproveitando-se e estimulados pelos fascistas de direita, o foco da crítica dos médicos brasileiros igualmente de direita é atacar a vinda de seus colegas cubanos. Ora, vejamos alguns dados internacionais sobre a competência destes profissionais de Cuba, segundo o blog Falando Verdades, citando fontes:

A Medicina cubana é tão "ruim" que é a unica da América Latina que está entre as 10 melhores do mundo segundo indice da ONU IDH M, e tem indicadores muito melhores que os do Brasil.

http://www.who.int/countries/cub/en/  Dados de Cuba pela Organização Mundial da Saúde.



O jornalista Marco Weissheimer, do Portal Sul21, apresenta 10 argumentos que credenciam os médicos cubanos a trabalharem em comunidades pobres brasileiras que sofrem com a falta de acesso a saúde

Por Marco Weissheimer, do Sul21

Escola Latino-Americana de Medicina, em Cuba, assumiu a premissa da responsabilidade social, diz Organização Mundial da Saúde (Foto: Reprodução / Sul21)

Um dos principais argumentos da reação irada de entidades médicas brasileiras contra a vinda de médicos cubanos para o país consiste em questionar a qualidade e a competência dos profissionais cubanos. O presidente do Conselho Federal de Medicina, Roberto D’Ávila, chegou a dizer que “os cubanos poderão causar um genocídio” no Brasil. Os primeiros 400 médicos cubanos chegam ao Brasil neste fim de semana, em um convênio com a Organização Panamericana de Saúde (Opas). Uma das maneiras de aferir essa qualidade é levar em conta a realidade da saúde e da medicina em Cuba. Eis aqui dez indicadores e informações sobre a saúde cubana para a população brasileira avaliar (os dados são do governo cubano e da Organização Mundial da Saúde):

(1) Em Cuba, há 25 faculdades de medicina (todas públicas), e uma Escola Latino-Americana de Medicina, na qual estudam estrangeiros de 113 países, inclusive do Brasil . (Estudaram em Cuba e lá se formaram, entre outros, dois filhos de Paulo de Argollo Mendes, presidente há 15 anos do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul e critico ferrenho do programa Mais Médicos).

(2) Em 2012, Cuba formou 11 mil novos médicos. Deste total, 5.315 são cubanos e 5.694 vêm de 59 países principalmente da América Latina, África e Ásia. Desde a Revolução Cubana em 1959, foram formados cerca de 109 mil médicos no país. O país tem 161 hospitais e 452 clínicas para pouco mais de 11, 2 milhões de habitantes.

(3) A duração do curso de medicina em Cuba, como no Brasil, é seis anos em período integral. Depois, há um período de especialização que varia entre três e quatro anos. Pelas regras do sistema educacional cubano, só entram no curso de medicina os alunos que obtêm as notas mais altas ao longo do ensino secundário e em um concurso seletivo especial.

(4) Estudantes de medicina cubanos passam o sexto ano do curso em um período de internato, conhecendo as principais áreas de um hospital geral. A sua formação geral é voltada para a área da saúde da família, com conhecimento em pediatria, pequenas cirurgias, ginecologia e obstetrícia.

(5) Em Cuba há hoje 6,4 médicos para mil habitantes. No Brasil, esse índice é de 1,8 médico para mil habitantes. Na Argentina, a proporção é 3,2 médicos para mil habitantes. Em países como Espanha e Portugal, essa relação é de 4 médicos para cada mil habitantes.

(6) A taxa de mortalidade em Cuba é de 4,6 para mil crianças nascidas, e a expectativa de vida é de 77,9 anos (dados de janeiro de 2013). No Brasil, a taxa de mortalidade é de 15,6% para mil bebês nascidos (IBGE/2010).

(7) Em 1998, depois que o furacão Mitch atingiu a América Central e o Caribe, Fidel Castro decidiu criar a Escola Latino-Americana de Medicina de Havana (Elam) com o objetivo  de formar em Cuba médicos para trabalhar em países chamados subdesenvolvidos. A Organização Mundial da Saúde definiu assim o trabalho da Elam: “A Escola Latino-Americana de Medicina acolhe jovens entusiasmados dos países em desenvolvimento, que retornam para casa como médicos formados. É uma questão de promover a equidade sanitária. A Elam assumiu a premissa da “responsabilidade social”.

(8) Em 20 anos, médicos cubanos atenderam a mais de 25 mil afetados pela explosão em Chernobyl, incluindo muitas crianças órfãs. Desde o início do programa, em 1990, foram atendidos mais de 25.400 pacientes, a maioria deles crianças. 70% dos menores que receberam tratamento na localidade cubana de Tarará perderam seus pais e chegaram a Cuba com enfermidades oncológicas e hematológicas provocadas pela exposição à radiação (ver vídeo abaixo).

(9) Segundo a New England Journal of Medicine, uma das importantes revistas médicas do mundo, o sistema de saúde cubano parece irreal. Todo mundo tem um médico de família. Tudo é gratuito. Apesar de dispor de recursos limitados, seu sistema de saúde resolveu problemas que o dos EUA não conseguiu resolver ainda.

(10) Segundo o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, Cuba é o único país da América Latina que se encontra entre as dez primeiras nações do mundo com o melhor Índice de Desenvolvimento Humano em expectativa de vida e educação durante a última década.

Certamente o sistema de saúde cubano não é o paraíso na Terra e seus profissionais não são os melhores do mundo. No entanto, os indicadores e informações acima citados parecem credenciá-los para desenvolver um importante trabalho de medicina comunitária e medicina da família em comunidades pobres brasileiras que têm grande dificuldade de acesso a serviços de saúde. Os profissionais cubanos têm especialização e tradição de trabalhar justamente nesta área e não representam nenhuma concorrência para profissionais brasileiros nesta área. Virá daí um genocídio???
 
http://revistaforum.com.br/blog/2013/08/dez-informacoes-sobre-a-saude-e-a-medicina-em-cuba/