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sexta-feira, 10 de agosto de 2018

Bolsonaro representa risco à democracia, escreve The Economist


Da Folha de São Paulo:




Bolsonaro representa risco à democracia, escreve The Economist



São Paulo

Sob a chamada "Brasília, we have a problem" (Brasília, temos um problema), a revista britânica The Economist publicou editorial em que afirma que Jair Bolsonaro (PSL), candidato à presidência, é um risco à democracia. Segundo a revista, Bolsonaro seria um presidente desastroso.

A publicação, que se define como defensora do livre mercado, afirma que o candidato já demonstrou ter pouco respeito a vários grupos de brasileiros, incluindo negros e gays.

Além disso, há pouca evidência de que ele conheça os problemas econômicos do país bem o suficiente para resolvê-los, afirma a revista.
A revista descreve Bolsonaro como alguém que, até recentemente, era um parlamentar obscuro, cuja principal habilidade demonstrada havia sido a de ofender os outros.

Sobre isso, cita declarações controversas, como a de que ele preferiria ter um filho morto a um filho gay e que já disse a uma congressista que ela merecia ser estuprada.

A The Economist destaca que Bolsonaro vem adotando táticas as baseadas em provocação e uso hábil de redes sociais.

Para a revista, o avanço da candidatura de Bolsonaro é resultado dos traumas que o Brasil enfrentou nos últimos quatro anos.

Ela lembra que, além da grave recessão econômica da qual o Brasil sai lentamente, em 2016 foram registrados 62,5 mil assassinatos, índice recorde para o país, e casos de corrupção envolvendo os principais partidos políticos foram expostos pela Operação Lava Jato. A exposição dos crimes minou a confiança nas instituições políticas do país.
Para a The Economist, Bolsonaro soa como um antipolítico, o que atrai os desiludidos com o sistema atual. Ele também consegue atenção de empresários, em especial devido a sua guinada em direção à defesa de uma política econômica liberal.

Entre as ideias de Bolsonaro citadas pela revista estão a de que um policial que não mata não é um policial, a defesa da redução da maioridade penal para 14 anos.

A The Economist aponta que, durante a votação do Impeachment de Dilma Rousseff na Câmara dos Deputados em 2016, Bolsonaro dedicou seu voto ao general Alberto Brilhante Ustra, responsável por unidade policial a qual a publicação atribui 500 casos de tortura e 40 assassinatos durante a Ditadura Militar (1964-1985) no Brasil.

"Este punho de ferro pertence a uma visão de mundo autoritária", escreve a revista.
Ações como essa e também a nomeação do general da reserva Hamilton Mourão (que disse no ano passado que o exército poderia resolver questões que outras instituições não solucionavam) como candidato a vice-presidente em sua chapa indicam que, para Bolsonaro, a ditadura é o antídoto contra a corrupção, escreve a The Economist.

Apesar dos alertas, a revista vê poucas chances de Bolsonaro vencer.
A publicação afirma que, mesmo bem posicionado no primeiro turno, 60% dos eleitores dizem que não votariam nele. Esse índice de rejeição dá maior chance ao candidato que competir com Bolsonaro em um eventual segundo turno.

Mesmo assim, segundo a revista, chegar lá já seria muito. "Ele não merece ir tão longe".


terça-feira, 13 de setembro de 2016

Neonazista assumido e amigo de Jair Bolsonaro, “professor” é candidato para vereador no Rio pelo "evangélico" PSC


Amigo do deputado federal Jair Bolsonaro, o Professor Marco Antonio é membro do grupo extremista ‘Nacional Democracia — DAP’. Anteriormente, ele já havia causado polêmica ao comparecer na Câmara do Rio no ano passado na audiência da Comissão de Direitos Humanos, fantasiado de Adolf Hitler.

O Partido Social Cristão, mais conhecido como PSC, coleciona um verdadeiro mar de polêmicas por causa de seus nomes mais ilustres. Se Jair Bolsonaro e sua família, que agora integram o partido, já não fossem motivo de discussão o bastante, a sigla parece ter permitido não apenas a entrada, como também a candidatura de um homem que propaga o nazi-fascismo nas redes sociais.
Seu nome é Marco Antônio Santos — se apresentando como “Professor”. Ele é candidato pelo PSC para a Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro. É possível verificar seus dados no cadastro do site Eleições 2016: tem 52 anos, divorciado, e trabalha como Analista de Sistemas. Apesar de se auto-intitular professor, Marco tem apenas o ensino médio completo.
Marco já havia causado polêmica por duas vezes no ano passado.
A primeira foi após tirar uma foto com o deputado Jair Bolsonaro — algo que foi duramente replicado nas redes sociais, já que o “professor” naquele momento já estava travestido de sósia do ditador alemão Adolf Hitler.
Posteriormente, Marco voltou a ser assunto após comparecer por convite do vereador Carlos Bolsonaro (filho de Jair, do mesmo partido) na Câmara dos Vereadores, durante sessão da Comissão de Direitos Humanos.
Além de Marco, outros 5 simpatizantes da ditadura militar foram convidados pelo vereador do PSC. A sessão tratava do projeto de Carlos Bolsonaro, sobre a exclusão de conteúdos políticos das escolas públicas do Rio.
A presença de Marco causou uma série de discussões no plenário. O presidente da casa, Jefferson Moura (Rede), impediu que o “professor” falasse na sessão — conforme planejado por Carlos Bolsonaro. “Num parlamento democrático não há espaço para apologia ao nazismo. É inadmissível um indivíduo fantasiado de Adolf Hitler usar a tribuna do plenário para se expressar”, disse Jefferson.
“Ele queria provocar, era um Hitler fake”, disse o historiador Milton Teixeira, em entrevista ao Jornal O Dia. Segundo Milton, o “professor” usava broches que lembravam o nazismo, mas nenhum daqueles símbolos realmente era do período de trevas da História mundial.
Marco é integrante do grupo Nacional Democracia (DAP), que tem uma página com poucas centenas de curtidas no Facebook.