Do Canal de Paulo Ghiraldelli:
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quinta-feira, 24 de janeiro de 2019
Jair Bolsonaro convidou sim a milícia para ficar no Rio e foi o único que não criticou o assassinato de Marielle Franco. Análise de Paulo Ghiraldelli.
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Paulo Ghiraldelli
segunda-feira, 6 de junho de 2016
Odebrecht teria denunciado propinas para grupos de mídia (que Moro abafa), por Renato Rovai
A grande surpresa da delação premiada de executivos da Odebrecht, incluindo a do seu presidente afastado, Marcelo, pode ser a implicação de grupos de mídia no roteiro de corrupção e de pagamentos de propinas.
A Odebrecht teria financiado vários projetos midiáticos, principalmente produtos especiais que não guardariam relação nenhuma com a sua atividade, a partir de acordos realizados com políticos e partidos para que aqueles meios de comunicação lhe garantissem apoio eleitoral.

Profissionais da área sabem que quando um produto desses chega sem muita justificativa e é apoiado por uma grande empresa que tem relação com governos, a linha editorial terá de se adaptar ao gosto do freguês.
Que não é a empresa patrocinadora, mas o governo que fez a ponta para que o patrocínio ocorresse.
Até o momento, porém, nenhuma empresa investigada na Lava Jato teria revelado essa parte do esquema de pagamento de propinas.
O grupo Odebrecht decidiu fazê-lo por conta dos ataques duros que sofreu desses mesmos grupos durante o tempo que se negou a fazer o acordo de delação premiada.
Há o risco, porém, de que esse capítulo, um dos mais reveladores da investigação e da relação promíscua da mídia com a corrupção política, vir a ser excluído da delação final.
Alguns procuradores estariam fazendo pressão para que a empreiteira desistisse de tratar do tema, alegando falta de provas mais contundentes. Mas o verdadeiro motivo é o receio de que isso provoque a ira da mídia contra a Operação Lava Jato.
O fato é que as notas fiscais desses grupos de comunicação para empresas da Lava Jato e que têm contrato com governos seriam, segundo pessoas que tiveram acesso à delação da Odebrecht, parte do esquema de legalização de caixa 2 e do pagamento de propinas.
Seriam compra de apoio editorial sem a necessidade do uso da propaganda oficial.
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sábado, 14 de maio de 2016
Governo interino já nasce morto, por Vladimir Safatle
"Nós acusamos os representantes desse governo interino de serem personagens de outro tempo, zumbis de um passado que teima em não morrer. Eles não são a solução para a crise política, mas a própria crise política no poder. Suas práticas políticas oligárquicas e palacianas só poderiam redundar em um golpe parlamentar denunciado no mundo inteiro. Por isso, eles temem toda possibilidade de eleições gerais. Eles governarão com a violência policial em uma mão e com a cartilha fracassada das políticas de "austeridade" na outra."
Jornal GGN - "Nós acusamos o governo interino que agora se inicia de já nascer morto. Nunca na história da República brasileira um governo começou com tanta ilegitimidade e contestação popular", disse o professor Vladimir Safatle, em artigo na Folha.
"Nós acusamos os representantes desse governo interino de serem personagens de outro tempo, zumbis de um passado que teima em não morrer". "Nós acusamos setores hegemônicos da imprensa de regredirem a um estágio de parcialidade há muito não visto no país", seguiu o especialista.
Leia a coluna completa:
Por Vladimir Safatle
Da Folha de S. Paulo
Diante da gravidade da situação nacional e da miséria das alternativas que se apresentam:
Nós acusamos o governo interino que agora se inicia de já nascer morto. Nunca na história da República brasileira um governo começou com tanta ilegitimidade e contestação popular. Se, diante de Collor, o procedimento de impeachment foi um momento de reunificação nacional contra um presidente rejeitado por todos, diante do governo Dilma o impeachment foi o momento em que tivemos de construir um muro para separar a Esplanada dos Ministérios em dois.
Esse muro não cairá, ele se aprofundará cada vez mais. Aqueles que apoiaram Dilma e aqueles que, mesmo não a apoiando compreenderam muito bem o oportunismo de uma classe política à procura de instrumentalizar a revolta popular contra a corrupção para sua própria sobrevivência, não voltarão para casa. Esse será o governo da crise permanente.
Nós acusamos os representantes desse governo interino de serem personagens de outro tempo, zumbis de um passado que teima em não morrer. Eles não são a solução para a crise política, mas a própria crise política no poder. Suas práticas políticas oligárquicas e palacianas só poderiam redundar em um golpe parlamentar denunciado no mundo inteiro.
Por isso, eles temem toda possibilidade de eleições gerais. Eles governarão com a violência policial em uma mão e com a cartilha fracassada das políticas de "austeridade" na outra. Políticas que nunca seriam referendadas em uma eleição. Com tais personagens no poder, não há mais razão alguma para chamar o que temos em nosso país de "democracia".
Nós acusamos o governo Dilma de ter colocado o Brasil na maior crise política de sua história. A sequência de escândalos de corrupção não foi uma invenção da imprensa, mas uma prática normal de governo.
De nada adianta dizer que essa prática sempre foi normal, pois a própria existência da esquerda brasileira esteve vinculada à possibilidade de expulsar os interesses privados da esfera do bem comum, moralizando as instituições públicas.
Que os setores da esquerda brasileira no governo façam sua autocrítica implacável. Por outro lado, a procura pela criação de uma conciliação impossível apenas levou o governo a se descaracterizar por completo, a abraçar o que ele agora denuncia, distanciando-se de seus próprios eleitores. O caráter errático deste governo foi a mão que cavou sua própria sepultura. Que esta errância sirva de lição à esquerda como um todo.
Nós acusamos aqueles que nunca quiseram encarar o dever de acertar contas com o passado ditatorial brasileiro e afastar da vida pública os que apoiaram a ditadura como responsáveis diretos pela instauração desta crise. A crise atual é a prova maior do fracasso da Nova República.
Que um candidato fascista (e aqui o termo é completamente adequado) como Jair Bolsonaro tenha hoje 20% das intenções de voto entre os eleitores com renda acima de dez salários mínimos mostra quão ilusória foi nossa "conciliação nacional" pós-ditadura. O fato de nossas cadeias não abrigarem nenhum torturador deveria servir de claro sinal de alerta.
Tal fato serviu apenas para preservar os setores da população que agora abraçam um fascista caricato e saem às ruas com palavras de ordem dignas da Guerra Fria. Por isso, a cada dia que passa, percebe-se como este setor da população se julga autorizado a cometer novas violências de toda ordem. Isso está apenas começando.
Nós acusamos setores hegemônicos da imprensa de regredirem a um estágio de parcialidade há muito não visto no país. Diante de uma situação de divisão nacional, não cabe à imprensa incitar manifestações de um lado e esconder as manifestações de outro, transformar-se em tribunal midiático e parcial, julgando, destruindo moralmente alguns acusados e preservando outros, deixando mesmo de se interessar por vários escândalos quando esses não atingem diretamente o governo.
Essa postura apenas servirá para explodir ainda mais os antagonismos e para reduzir a imprensa à condição de partido político.
Nesse momento em que alguns inclinam-se à uma posição melancólica diante dos descaminhos do país, há de se lembrar que podemos sempre falar em nome da primeira pessoa do plural, e esta será nossa maior força.
Faz parte da lógica do poder produzir melancolia, nos levar a acreditar em nossa fraqueza e isolamento. Mas há muitos que foram, são e serão como nós. Quem chorou diante dos momentos de miséria política que esse país viveu nos últimos tempos, que se lembre de que o Brasil sempre surpreendeu e surpreenderá. Esse não é o país de Temer, Bolsonaro, Cunha, Renan, Malafaia, Alckmin.
Esse é o país de Zumbi, Prestes, Pagu, Lamarca, Francisco Julião, Darcy Ribeiro, Celso Furtado e, principalmente, nosso. Há um corpo político novo que emergirá quando a oligarquia e sua claque menos esperar.
quinta-feira, 14 de abril de 2016
Para Procurador da República do Rio Grande do Sul, "Respeitar a Constituição tornou-se um ato quase subversivo”"
Foto: Brasil 246
Marco Weissheimer, Sul 21 - “Que país curioso é este onde respeitar a Constituição e a Lei tornou-se um ato quase subversivo”, assinalou o Procurador Regional da República, Domingos Silveira, na abertura da aula pública realizada, no início da noite desta terça-feira (12), no Acampamento da Legalidade e da Democracia, instalado na Praça da Matriz, em Porto Alegre, por movimentos sociais ligados à Frente Brasil Popular e à Frente Povo Sem Medo. O tema da aula pública, “Por que o impeachment é golpe”, foi abordado sobre essa perspectiva, de respeito à Lei e à Constituição, o que, para o procurador, está ameaçado neste momento da vida política e social brasileira.
Mais curioso ainda, acrescentou Silveira, que é também é professor da Faculdade de Direitos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), é que o MST e outros movimentos sociais sempre foram acusados de serem os inimigos da Lei e da Constituição. “No entanto, quem está hoje aqui na rua, quem está acampado debaixo da lona preta para defender a Lei e a Constituição não são aqueles que sempre se apresentaram como seus defensores, mas exatamente o MST e outros movimentos sociais que saem para a rua para dizer com toda a firmeza que a Constituição e a Lei não representam tudo o que a gente quer, mas precisam ser protegidas como uma garantia mínima de avanço para um Estado democrático”, assinalou.
Domingos Silveira esclareceu que a figura do impeachment, por si só, não representa um golpe de Estado, mas impeachment sem causa prevista na Constituição, sem crime de responsabilidade, sem respeito à Lei, é golpe, inegavelmente. “Vivemos um tempo muito curioso, onde aqueles que não são corruptos, que não tem nenhum Fiat Elba em suas costas (como foi no caso da acusação contra Collor), estão sendo atacados por um processo comando por um homem que tem milhões em contas na Suíça e é réu perante o Supremo Tribunal Federal. A Lei e a ordem parecem estar invertidas no Brasil. Parece que aqueles que sempre se apresentaram como seus defensores são, de fato, os verdadeiros violadores”, insistiu.
O procurador falou também da instituição a qual pertence, o Ministério Público Federal, que hoje, para muitas pessoas, tornou-se um grande vilão. “Assim como dentro do próprio MST existem sempre posições diferentes, dentro do Ministério Público Federal existem também, hoje, posições em disputa. Há, sem dúvida, um grande grupo que vem cada vez mais afirmando que o combate à corrupção pode e deve ser feito a qualquer custo, com delações obtidas dentro da cadeia, depois de meses de confinamento. Não são delações. É preciso que as palavras ganhem seu verdadeiro sentido. Esse tipo de delação, arrancada após meses de prisão, é, na verdade, uma extorsão”, criticou Silveira.
“Quando eu tenho o descumprimento sistemático da lei”, acrescentou, “eu não tenho um Estado de Direito, mas sim um Estado de Exceção”. Dentro do Ministério Público Federal hoje, afirmou ainda Silveira, “existem aqueles que estão comprometidos com a defesa da Reforma Agrária, dos direitos humanos, do direito à saúde, à educação e à vida, e aqueles que, em nome da luta contra a corrupção, acham que vale fazer qualquer coisa à qualquer custo”. “Eu tenho que não há um único ser humano aqui nesta praça, que tem um simbolismo tão grande na luta por direitos, que seja a favor da corrupção. A luta contra a corrupção é uma luta de todos nós, porque ela significa ter mais recursos para a Reforma Agrária, para a Saúde e a Educação. Mas não se pode em nome desta luta fazer qualquer coisa. Quando se faz isso, estamos diante, na verdade, de uma situação de exceção”.
“Nós estamos assistindo o ataque a uma governante legitimamente eleita, sob um argumento absolutamente patético”, concluiu o procurador. “Segundo esse argumento, de 2015 para cá, ela praticou pedaladas fiscais, o que, na prática, significa que pagou o Bolsa Família e custeou outras políticas sociais, antecipando recursos em um período de cinco, dez ou quinze dias, e depois devolvendo esses recursos antecipados. O mais curioso é que as contas de 2015 sequer foram avaliadas ainda pelo Tribunal de Contas da União e pelo Congresso Nacional. É como se a gente estivesse sendo reprovado e rodando de ano por causa de uma prova que ainda não foi avaliada pelo professor. São esses fatos que fazem com que a gente tenha que afirmar com toda a clareza que esse processo de impeachment, sem fundamento, é golpe. Diante desta situação, o MST e os outros movimentos que estão aqui mais uma vez dão um exemplo ao país, mostrando que, diante da ilegalidade e da arbitrariedade, a única solução é a luta”.
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