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terça-feira, 8 de abril de 2014

As forças reacionárias golpistas em 2014 se concentram no Partido da imprensa Golpista, o PiG


Charge de Bessinha sobre a escancarada tendenciosidade golpista da mídia atualmente. Uma imagem que diz tudo.

Abaixo, comentário de Bob Fernandes sobre dois pontos que se ligam: o Fracasso da "Marcha" dos coxinhas golpistas e o caso da Refinaria de Pasadena e seu uso político-golpista-midiático (a transcrição do comentário de Bob Fernandes encontra-se abaixo do vídeo:



Fracasso retumbante a "Marcha com a Família". O conjunto das "marchas" no país todo não juntou mil "testemunhas". Para o mofo, nada melhor DO que a luz do dia.

Os da "Marcha" têm saudades da ditadura. Na ditadura, notícias sobre corrupção e escândalos eram censuradas. Tratemos do presente. Da Petrobras e mais.

A compra de refinaria no Texas ressurge como escândalo. Leigos, experts e espertos, escolhem seus lados na batalha. Que é, também, política e midiática.

De repente, na mídia tradicional e nas redes sociais, quase todos são profundos conhecedores do negócio. Contra ou a favor. Incluindo as cláusulas Put Option e Marlin. 

Visto hoje, e com olhos leigos, parece restar pouca dúvida de ter sido péssimo negócio. As dúvidas reverberadas na mídia concentram-se no erro, incompetência, ou má fé.

Negócio de bilhão é para profissionais. Dois deles, que faziam parte do Conselho da Petrobras, deram opiniões. E expuseram a sinuca de bico. Política e empresarial.

Fábio Barbosa, que fazia parte do Conselho, defende a operação. Disse ele, sobre a compra da refinaria: 

-Estava alinhada com o plano estratégico para a empresa, e o valor estava dentro dos parâmetros do mercado, conforme atestou um grande banco americano. 

Detalhe: Barbosa é presidente da Abril, da revista Veja. Veja, que opina: "Dilma fez (quase) tudo certo no caso Pasadena". Erro seria, entende a revista, o "aparelhamento da Petrobras". 

Outro empresário, ainda hoje com assento no Conselho da Petrobras, é Jorge Gerdau Johannpeter. Que sobre a decisão para compra da refinaria em Pasadena afirma:

-Se baseou em avaliações técnicas de consultorias com reconhecida experiência internacional, cujos pareceres apontavam para a validade e a oportunidade do negócio.

Sinucas e silêncios. Do governo e da Petrobras. Investigue-se. Se houve má fé, é punir. Mas a norma é o uso de denúncia como arma de campanha. Depois, o acerto e o esquecimento.

Acerto, esquecimento, e vítimas pelo caminho. Tomemos como exemplo o caso Alstom, de meio bilhão. Arrasta-se a investigação. Dezenas de nomes nas manchetes.

Nome até de quem já está morto, como Mario Covas. Parece importar pouco não haver, ou não se conhecer, prova alguma que permita citá-lo numa manchete policial.

A presunção de inocência deveria valer para todos. Não vale para mais ninguém. E parece não importar, também, o que aconteceu no Brasil nos últimos 16 anos.

Desde 1999 foram cassados cerca de 700 políticos. De governadores a vereadores. Mas segue a regra geral: acusar, como arma de campanha, e só depois investigar.

E quem for inocente? Que se dane. Isso no país onde cidadãos têm US$ 520 bilhões em paraísos fiscais. E devem R$ 1 trilhão e 300 milhões em impostos.

"Ah, se fosse na ditadura!", dirão as "testemunhas" da Marcha. Ditadura, em qualquer canto, é sinônimo de tortura, morte, e silêncio.

domingo, 23 de março de 2014

A "Marcha da Família" em São Paulo foi um encontro de múmias com acéfalos, ou os 500 de sapata

A Marcha da Família em São Paulo foi o encontro das senhoras de Santana com os skinheads


Postado em 22 Mar 2014
por : 
marcha 10

 Enfim, não é uma lenda urbana. Eles existem. E não são 500, como emissoras de TV disseram. O final da Marcha da Família com Deus na Praça da Sé tinha cerca de mil integrantes ou mais. O que, se não é muito, também não é pouco.
Trata-se de um pessoal que tem uma visão no mínimo exótica sobre como se toca uma nação. Fiquei a me perguntar se com suas empresas alguns deles agiriam da seguinte maneira: “Bom, os negócios não vão bem. Chamem o pessoal da segurança e vamos colocar a administração nas mãos deles.” É essa a brilhante ideia?
Pois foi unânime o pedido de intervenção militar já. E demais pautas típicas. Contra a corrupção, fora PT, fora Dilma, Lula na cadeia, cadeira elétrica aos mensaleiros.
Que quem é contra deve ir para Cuba ou Venezuela. É o “ame-o ou deixe-o” reeditado.
Senhoras, senhores, representantes da maçonaria, da igreja católica, skinheads e integralistas. Caras pintadas e roupas verde-amarelas. Discursos inflamados a respeito da existência de um grande complô comunista em andamento. Faixas em apoio à manutenção da militarização das polícias. Hino nacional na concentração e durante todo o trajeto.
Mas nem tudo é paz para a família e seus deuses.
Desde o início, na Praça da República, abordagens altamente intimidadoras contra quem estivesse de camiseta vermelha ou preta terminavam em conflito. A polícia precisou agir várias vezes e retirar o “estranho no ninho” que, cercado, ouvia os gritos de “Fala agora que a polícia não protege, comuna filho da puta.”
Conflitos que durante o trajeto ganharam contornos ainda mais sinistros. A família tem tolerância zero. Em frente à faculdade de direito no Largo São Francisco, uma dupla de amigos encenou um apoio à causa gay. Foram agredidos a pontapés e tiveram seus cartazes rasgados. A agressão só não terminou em algo pior devido à proteção da imprensa.
Mas na Sé outras brigas, feridos e pelo menos uma detenção evidenciaram o enorme desrespeito pelas diferenças. “Ou pensa igual a mim ou lhe quebro a cara.” No Anhangabaú, um grupo de fãs do Metallica a caminho do show foi confundido com black blocs (roqueiros vestem-se de preto, filhos de família não). Foi preciso muita gritaria para que não fossem linchados.
Não ocorreu o aguardado confronto entre as duas manifestações (uma antifascista havia saído da mesma Sé, mas rumou em outro sentido). Sorte. A “segurança” da Marcha da Família estava com sangue nos olhos. Os mastros das bandeiras eram de ferro.
A todo instante os carecas criavam uma tensão no ar com boatos sobre o iminente confronto com black blocs que estariam a caminho. Por fim, simularam estar indo embora mas foram acompanhados de perto por 4 ou 5 jornalistas. Dentro do vagão, um contínuo cochichar entre eles deixou passageiros temerosos. Em determinado momento, tomaram conta de todas as portas e saíram apenas durante o sinal sonoro, permanecendo ainda em frente na plataforma para que não mais os acompanhássemos. Estava nítido que não estavam indo embora, a caça aos black blocs iria prosseguir sem a presença da imprensa.
Em 1964, quinhentas mil pessoas fizeram exatamente o mesmo trajeto da praça da República até a Sé e, poucos dias depois, deu no que deu.
Desta vez foi modesto, porém ocorreu em várias cidades do país e tem um agravante para os dias atuais: eles também saíram do Facebook.

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Sobre o Autor
Jornalista, escritor e fotógrafo nascido em São Paulo.

sábado, 22 de março de 2014

Uma panorâmica da "Marcha da Família" pelo Brasil



Marcha da Família: O dia em que encontrei os comentaristas do meu blog

Texto de Leonardo Sakamoto

Fonte: http://blogdosakamoto.blogosfera.uol.com.br/2014/03/22/marcha-da-familia-o-dia-em-que-encontrei-os-comentaristas-deste-blog/


Participei das bodas de ouro da Marcha da Família com Deus pela Liberdade, nesta tarde de sábado (22), entre as Praças da República e da Sé, no Centro de São Paulo.
Agradeço, portanto, à organização do ato, pois ele foi histórico. Afinal de contas, nunca imaginei que os brasileiros teriam coragem de fazer isso de novo.
Devo confessar, contudo, que fui guiado não pelo nobre interesse jornalístico, mas sim por uma mórbida curiosidade. Qual seria a outra oportunidade que teria de conhecer a parte barulhenta dos comentaristas deste blog? A parte que acha que sou o demônio e transforma este espaço em algo divertidíssimo. A parte que não acredita em democracia.
Como esse naco social extremamente conservador vai para o céu quando morrer e eu, que não creio, habitarei o limbo pela eternidade, não poderia deixar de ver seus rostos, sentir seu cheiro, ouvir suas ideias, olho no olho, pelo menos uma vez na vida.
Primeiramente, fico feliz que eles – vencendo o preconceito e o medo – tenham saído do armário. Porque, apesar de sempre existirem, suas ideias eram sussurradas no âmbito privado e, portanto, estavam alheias à possibilidade de debate público. Viva, pois, a maldita democracia!
O tamanho da lista de pautas dos manifestantes rivalizava com demandas de sindicatos em greve ou estudantes em paralisação. Pedem ajuda para as FFAA (Forças Armadas) a fim de uma intervenção militar já. Querem Lula e Dilma na cadeia. Suplicam pelo fim da ameaça comunista e /ou socialista no país (gente, se o PT é comunista, eu sou mico de circo). E são contrários ao julgamento de militares por crimes contra os direitos humanos durante a ditadura. Louvaram, ainda, a polícia, criticando as propostas de sua desmilitarização.
Ah, e no carro de som, gritava-se algo como “se o Brasil não é comunista, por que querem a aprovação do Marco Civil da internet?''
Em determinado momento, um grupo que estava à frente da marcha também reivindicou uma parte querida do corpo deste blogueiro, entoando em uníssino: “Ei, Sakamoto, vai tomar no cu!'' Detalhe que havia, entre eles, uma imagem de Nossa Senhora.
Mas não posso me furtar a questionar: com base nas leituras reacionárias do livro sagrado do cristianismo, intepretações usadas para espancar gays, lésbicas, transexuais, pergunto se o pedido que me fizeram não seria – diante dos olhos de Deus que, segundo os organizadores, estava junto com a marcha - uma “abominação''.
Acho que se existe um Deus, ele estava curtindo a marcha antifascista, realizada simultaneamente a esta e que reuniu mais gente, caminhando entre a Praça da Sé e o antigo prédio do Departamento de Ordem Política e Social, local de torturas durante a ditadura, na região da Luz.
marcha
Provavelmente pelo fato de estarem pouco acostumados a irem às ruas e conviverem com a diferença, havia um clima de tensão no ar. De desconfiança com o ambiente, sabe? Um skinhead aqui e outro ali olhando torto, uma tentativa de calar alguém que discordava da natureza do ato, pressão para abaixar faixas que não estivessem de acordo com o coletivo e elogios à grande “imprensa comunista mentirosa'' ali presente.
E falando em imprensa, creio que havia em torno de 100 jornalistas trabalhando por lá, para algo em torno de 400 manifestantes (a grande maioria de homens e de uma faixa etária bem superior às das manifestações que se tornaram corriqueiras por aqui), além de uma quantidade enorme de policiais fazendo cordão para acompanhar o povo.
Um colega, jornalista das antigas, já tinha me sugerido que ir de “black bloc'' era mais seguro que ir de “Sakamoto''. E não é que ele estava certo! Fui procurar meus leitores, mas meus leitores me acharam primeiro.
De tempos em tempos, um grupo deles me reconhecia. Começa a gritar, chegava perto, apontava o dedo, gravava em vídeo, xingava, vociferava, me chamando de “comunista''. Será que eles não sabem que tenho um MacBook e gosto de caviar? Um manifestante passou por mim várias vezes, dando leves ombradas, no melhor estilo de provocações escolares, sempre que chegava perto. Logo no braço que a LER/Dort mais ataca. Podia ser no outro, não?
Agradeço aos colegas da imprensa que me tiraram de perto nas vezes em que a chapa esquentou (valeu, galera!).
Não é mérito nenhum meu, é claro. Sobrou para todo mundo. Incluindo um grupo de jovens, vestidos de preto, que estava indo provavelmente para o show do Metallica e foram xingados por manifestantes perto do metrô Anhangabaú.
Enfim, apesar de tudo isso, achei a manifestação pedagógica.
Porque todas as visões de mundo têm direito a se manifestar.
Porque o número de pessoas que bradam por uma intervenção militar é menor ainda do que eu esperava.
Porque muitos dos curiosos que paravam para ver e que tive a oportunidade de conversar, de vendedores ambulantes a engravatados, quando informados do conteúdo das reivindicações, franziam a testa e perguntavam: mas a gente não brigou tanto para não ter exército no poder?
E porque conversas e atitudes de muitos manifestantes mostravam que um desconhecimento grande da história do Brasil justificava uma visão de mundo totalitária. Ou seja, há esperança de que, com educação de qualidade e muito debate político, a gente chega lá. Ô se chega!