A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para um inédito quarto mandato ganhou as manchetes dos principais veículos de comunicação ao redor do mundo.
Jornais pelo mundo também destacam festa da vitória na Paulista e contestação bolsonarista
O presidente Lula no ato da vitória, na Avenida Paulista, em São Paulo (SP), em 25 de outubro de 2026.Crédito: Ricardo Stuckert
A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para um inédito quarto mandato ganhou as manchetes dos principais veículos de comunicação ao redor do mundo. A imprensa internacional destacou o ineditismo da conquista, o freio ao avanço da direita na América Latina e os conturbados episódios envolvendo o transporte público durante a votação do segundo turno.
Nos Estados Unidos, a CNN International destacou que Lula venceu “derrotando o senador Flávio Bolsonaro, aliado do presidente dos EUA, Donald Trump, numa eleição de segundo turno com margem estreita”. A emissora frisou que “a vitória histórica torna o líder esquerdista de 80 anos o primeiro presidente brasileiro a ser eleito para o cargo quatro vezes”. O New York Times resumiu o impacto geopolítico em sua manchete: “Lula encerrou uma sequência de vitórias da direita na América Latina”.
Na Europa, o tom foi de destaque à resiliência da esquerda brasileira. O jornal francês Le Figaro ressaltou que “o Brasil afinal não virou à direita” como ocorreu na Argentina, no Chile ou na Colômbia, observando que o país “permanece como um dos raros bastiões progressistas na América Latina”. O espanhol El País sublinhou que “Lula consegue uma virada histórica e dá a vitória à esquerda”, enquanto o britânico The Guardian destacou que “Lula conquista o quarto mandato como presidente do Brasil após uma reviravolta histórica sobre Flávio Bolsonaro, de extrema-direita”.
No continente africano, a rede sul-africana SABC não poupou elogios à trajetória de Lula, descrevendo-o como “um ícone da esquerda global e a força mais dominante na política brasileira neste século”.
No Oriente Médio, a PressTV, do Irã, destacou a grande festa popular que tomou as ruas, relatando que “milhares de apoiadores de Lula da Silva encheram a Avenida Paulista, em São Paulo”, celebrando a vitória com cânticos e fogos de artifício após a garantia de 51,74% dos votos.
A mídia asiática deu ênfase aos próximos passos do governo e ao discurso de soberania. A agência chinesa Xinhua cobriu o discurso da vitória, onde Lula prometeu trabalhar com um Congresso conservador. A agência destacou a fala do presidente sobre a necessidade de fortalecer a regulação digital “após derrotar a interferência estrangeira através de plataformas digitais”, frisando o recado de que “o Brasil não é o quintal de ninguém”.
Parte da cobertura estrangeira também se voltou aos incidentes e tensões institucionais do dia da votação. O jornal português Diário de Notícias detalhou a crise do transporte eleitoral, relatando que “o Tribunal Regional Eleitoral da Bahia ordenou a prisão em flagrante do secretário municipal de Mobilidade de Salvador e o restabelecimento integral da frota, sob pena de multa de um milhão de reais por hora”. A publicação explicou a justificativa da prefeitura sobre os veículos adesivados e notou que em São Paulo, “o PT alegou que apenas cerca de 60% da frota municipal estava em circulação”.
A agência cubana Prensa Latina também abordou os obstáculos logísticos, notando que “o dia esteve marcado por denúncias de dificuldades no transporte público”. O veículo explicou que o ministro do STF, Cristiano Zanin, “determinou prolongar a votação até as 19h00”, e apontou que “tal decisão gerou questionamentos sobre a sua aplicação nos centros onde as urnas eletrónicas já tinham sido fechadas e sobre as competências das instituições eleitorais”.
