terça-feira, 2 de março de 2021

Bob Fernandes sobre o "Acabou a Mamata" da mansão de 6 milhões de Flávio Bolsonaro blindado pela justiça quando o país supera 250 mil mortos na pandemia. História: as pressões para derrubar Dilma

 

Do Canal do analista político Bob Fernandes:



CRÉDITOS Direção Geral: Bob Fernandes Direção Executiva: Antonio Prada Produção: Daniel Yazbek Edição: Yuri Rosat Arte e Vinhetas: Lorota Música de abertura e encerramento: Gabriel Edé


Operação de crédito da mansão de seis milhões Flávio Bolsonaro pode indicar fraude também no BRB

 

Compra de uma mansão, no valor de R$ 6 milhões, pelo senador Flávio Bolsonaro levanta suspeita da possibilidade de fraude no BRB, responsável por financiar R$ 3,1 milhões em condições mais vantajosas do que para o público em geral

(Foto: Divulgação)

247 - A compra de uma mansão em Brasília, no valor de R$ 6 milhões, pelo senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), investigado pelo crime de lavagem de dinheiro, levantou a suspeita fraude no Banco Regional de Brasília (BRB), responsável pelo financiamento de R$ 3,1 milhões utilizados na aquisição do imóvel.

Em uma série de postagens no Twitter, o jornalista André Shalders destaca que “o simulador imobiliário do BRB *parece* (atenção, parece) mostrar que a instituição ofereceu condições mais vantajosas a Flávio Bolsonaro do que ao público em geral ao comprar a mansão no lago sul”. 

“Segundo o simulador do banco, um financiamento no valor daquele obtido pelo senador, com o mesmo prazo de pagamento, exigiria uma renda líquida mínima de R$ 46,8 mil -- bem mais q o salário de Flávio no Senado”, diz em outro post. Como senador, Flávio recebe um salário bruto no valor de R$ 33.763,00, que após os descontos é reduzido para R$ 24,9 mil. 

O parcelamento obtido por Flávio Bolsonaro junto ao BRB, porém, foi feito em condições mais vantajosas que oferecidas ao cidadão comum.  Segundo reportagem do site O Antagonista, o valor de R$ 3,1 milhões foi parcelado em 360 meses, com “taxa de juros nominal reduzida de 3,65% ao ano”, abaixo da inflação do ano passado, que foi da ordem de 4,52%. 

O BRB é presidido pelo executivo Paulo Henrique, que tem o nome cotado para assumir a presidência do Banco do Brasil. Ele também ligado ao governador Ibaneis Rocha, aliado do clã Bolsonaro.

Confira as postagens do jornalista André Shalders sobre o assunto.  

 

 

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OMS lança alerta global sobre incapacidade (ou sabotagem e necropolítica) de Bolsonaro que torna Brasil novo foco da pandemia

 

A OMS trata como "preocupante" a situação do Brasil na pandemia. Segundo seus dados, o país pode superar os Estados Unidos em termos de infecções e mortes diárias nas próximas semanas

Jair Bolsonaro e Mike Ryan, chefe de operações da OMS

Jair Bolsonaro e Mike Ryan, chefe de operações da OMS (Foto: Reuters)

247 - A Organização Mundial da Saúde (OMS) trata a situação do Brasil na pandemia da Covid-19 como "preocupante" e considera que, caso não haja uma mudança radical na forma de lidar com a crise, o país pode já nas próximas semanas superar os Estados Unidos em infecções e mortes diárias. 

Com o avanço da imunização nos Estados Unidos, novos casos caíram de 1.6 milhão por semana em meados de dezembro para 471 mil nos últimos sete dias, segundo dados da organização. 

No Brasil, onde a imunização é lenta, novos casos por semana estão a 378 mil. 

No quesito de mortes por semana, a tendência é semelhante. Nos Estados Unidos, registrava-se no mesmo período uma média de 18 mil mortes, e, agora, o número gira em torno de 14 mil.

No Brasil, eram 5.200 por semana em dezembro de 2020, e agora são 8.200 semanais.

Nesse ritmo, a organização prevê que o Brasil superará os Estados Unidos eventualmente, se tornando ainda mais um dos centros mundiais da Covid-19.

A insistência do governo federal em negar a necessidade de romper as cadeias de transmissão do novo coronavírus, a lentidão da imunização (o Brasil tem apenas 7 milhões de imunizados contra 50 milhões dos Estados Unidos) e o contágio da nova cepa brasileira preocupam a organização.

Na última sexta-feira (26), Mike Ryan, chefe de operações da OMS, fez uma crítica velada ao governo de Jair Bolsonaro, dizendo que a situação no Brasil é uma "tragédia" e que deveria servir de lição como um caminho a não ser seguido, assim como elogiou governadores e cientistas nacionais.

As informações foram reportadas na coluna de Jamil Chade, no Uol.

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Dallagnol perguntava, em conversas na Lava Jato sobre rachadinha de Flávio: “O pai vai deixar?”

 

Dallagnol e outros procuradores trocaram mensagens sobre o esquema de Flávio Bolsonaro especulando sobre participação do pai e consideraram que o clã iria aparelhar a Procuradoria Geral da República

Dallagnol e Flávio Bolsonaro

Dallagnol e Flávio Bolsonaro (Foto: ABr)

247 - O aparelhamento da Procuradoria Geral da República (PGR) por Jair Bolsonaro foi a principal consequência prevista pelos procuradores da Lava Jato quando estourou o escândalo das “rachadinhas” do agora senador Flávio Bolsonaro. O assunto foi tratado com ironias entre eles. “O problema é: o pai vai deixar?”, escreveu Dallagno.  Os diálogos foram obtidos pela CNN e aconteceram em dezembro de 2018, depois da eleição, mas antes da posse de Jair Bolsonaro.

O título de notícia publicada à época foi: “Bolsonaro diz que ex-assessor tinha dívida com ele e pagou a primeira-dama”. E Dallagnol comenta, segundo o jornalista Caio Junqueira, da CNN: “Coaf com Moro. Aiaiai”. Na época, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que produziu o relatório que embasou a acusação de rachadinha contra Flavio, seria subordinado, no novo governo, ao Ministério da Justiça de Moro. 

Januário Paludo então lhe pergunta: “Lembra de algo Deltan? Aiaiai.” A procuradora Jerusa Viecili fala na sequência: “Falo nada ... Só observo ??”. E Deltan ri: Kkk. É óbvio o q aconteceu... E agora, José?” 

Ele passa, então, a elucubrar sobre o caso: “Moro deve aguardar a apuração e ver quem será implicado. Filho certamente. O problema é: o pai vai deixar? Ou pior, e se o pai estiver implicado, o que pode indicar o rolo dos empréstimos? Seja como for, presidente não vai afastar o filho. E se isso tudo acontecer antes de aparecer vaga no supremo? Agora, Bolso terá algum interesse em aparelhar a PGR, embora o Flávio tenha foro no TJRJ. Última saída seria dar um ministério e blindar ele na PGR. Pra isso, teria que achar um colega bem trampa. Acho que Moro já devia contar com a possibilidade de que algo do gênero acontecesse”.

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O Primeiro Ano da Pandemia: A Destruição do Brasil como Nação, por Arnobio Rocha

 

O que se pode concluir com certa margem de certeza é de que a Negação é uma Política voltada não apenas para Morte das pessoas, mas também pela Morte das Instituições.


Pandemia: Um Ano de mortes, milhares de pessoas e morte das instituições .

O Primeiro Ano da Pandemia: A Destruição do Brasil como Nação.

por Arnobio Rocha

em seu blog

Efetivamente há um ano é que houve preocupação no Brasil com a Pandemia, que já causara estragos na China e depois Europa. O Brasil teve pelo menos dois meses para se preparar para o combate da pandemia, um tempo gigante diante do caos que se avizinhava, os primeiros casos só foram diagnosticados na segunda semana de março e o primeiro óbito em 15 de março.

Essa não é uma visão de “engenheiro de obra pronta”, é a apenas a constatação do tamanho do erro e da falta de ação, do que poderia ter sido feito e não se fez, uma dura lição e, quem sabe, no futuro, se poderá fazer uma análise bastante significativa e apurar as responsabilidades, como também entender como se não deve proceder diante de uma pandemia.

Caso o Brasil sobreviva não apenas ao Vírus, mas, principalmente, ao Verme, será preciso uma profunda reflexão de como um país continental, com uma língua única, tem tanta dificuldade de comunicação e de coesão, para se defender perante uma doença que rapidamente se espalhou e pôs em colapso o sistema de saúde, público e privado, não importando a sua sofisticação.

O Brasil não teve o sentido de coletividade, de solidariedade e de união para enfrentar a situação limite, a parte principal do problema foi a negação pelo governo federal, de Bolsonaro, de que a doença era grave e que só um grande esforço nacional, poderia diminuir o impacto da Covid-19.

Para piorar, a negação derivou para duas ações, por parte de Bolsonaro e sua equipe.

A primeira, publicamente o presidente além de negar a doença, minimizar seus efeitos, passou a atacar todos os governadores, prefeitos, políticos e a imprensa, por tomarem ações de combate e por informarem à população o tamanho do buraco causado pela Pandemia, inclusive, na Economia.

Esse comportamento levou Bolsonaro à toda forma de desatino, como aglomerações seguidas, não uso de máscaras, convocou manifestações para criar confrontos com os demais poderes da República. Comportamento de absolutamente irresponsabilidade, além uma intensa troca e desmoralização dos ministros da saúde, até fixar um general com ZERO conhecimento de ciência e de saúde, é o auge desse comportamento errático.

A segunda linha de ação, a mais perversa, nas palavras do medíocre ministro Sales, do meio ambiente, de que era preciso aproveitar a oportunidade, que estão distraídos com a doença, para passar a boiada, aprovar e/ou publicar decretos que  na prática saqueiam o Estado de forma irreparável.

A chantagem de falta de recurso ou pondo os governos locais sob ameaça, para que não se contraponham ao que propõe, inclusive, negar repasses, chamar a população para enfrentar governadores e prefeitos.

Guedes comanda a entrega de refinarias, venda de ativos da estatais, preparação de privatizações que não passam de entrega do que sobrou de patrimônio público, acompanhado do desmonte canibalesco dos serviços públicos, em todos os setores e esferas, especialmente, na Educação e da Saúde.

O que se pode concluir com certa margem de certeza é de que a Negação é uma Política voltada não apenas para Morte das pessoas, mas também pela Morte das Instituições.

A Negação se constituiu como uma política pública, negativa, das mais perversas e cruéis da nossa história, nunca se teve um governo tão abertamente contra seu povo, contra a soberania e contra a Nação. De um lado se nega o combate à doença, do outro ataca-se a saúde da economia e do patrimônio público.

O Brasil corre o risco de virar um Iraque, um Afeganistão, um país implodido por dentro, dirigido por uma camarilha de aventureiros e entreguistas, afeitos ao autoritarismo e sem nenhum sentimento humano, de dor, comiseração pelo infortúnio de milhões.

Esse é o resultado dos idos de junho de 2013, uma lição terrível para que pensou num Brasil independente e soberano, pode não sobrar nada, em 2022.

Um ano destruidor e sem resistência, pela situação pandêmica e pela paralisia política, incapacidade de luta, projetos e planos de enfrentamento aos Coveiros do Brasil.

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segunda-feira, 1 de março de 2021

Carla Teixeira escreve sobre o Bolsojornalismo e a degradação da grande imprensa

 Os grandes órgãos de imprensa do país nasceram para atuar em favor das elites parasitas. Tratam-se de feudos que jamais hesitaram em agir contra a democracia sempre que foi necessário manter intactos os interesses pessoais dos seus proprietários et caterva. 


Do Brasil 247:

Bolsojornalismo e a degradação da grande imprensa

"O 'Bolsopetismo', utilizado pelos jornalistas (sic) para definir as ações do governo, não constitui desconhecimento histórico ou ausência de referencial teórico, mas um evidente desvio de caráter", escreve a doutoranda em História Carla Teixeira

(Foto: Divulgação)


Os grandes órgãos de imprensa do país nasceram para atuar em favor das elites parasitas. Tratam-se de feudos que jamais hesitaram em agir contra a democracia sempre que foi necessário manter intactos os interesses pessoais dos seus proprietários et caterva. A ausência de civismo dos grupos dirigentes pode ser constatada na presente crise que vivemos: mais de 250 mil mortes pela COVID-19, sem vacinas suficientes para toda a população, que conta com uma campanha de imunização periclitante, sistemas de saúde entrando em colapso de norte a sul do Brasil enquanto o Presidente da República segue fazendo aglomerações, se nega a comprar vacinas, difunde tratamentos falsos e culpa governadores e prefeitos pela tragédia, tudo sob o beneplácito da mídia corporativa que encena aos incautos uma oposição acomodada ao governo.

O recente manifesto da Associação de Médicos pela Vida, defendendo o “tratamento precoce” contra a covid-19 através do uso de hidroxicloroquina, ivermectina, azitromicina e outras drogas que não têm eficácia comprovada contra a doença, é mais um exemplo que mostra a degradação dos grandes jornais ao escolherem ganhar dinheiro com propaganda ao invés de praticar o bom jornalismo necessário às sociedades democráticas e civilizadas. A peça publicitária, naturalmente paga, foi veiculada no último dia 23 nas versões impressas dos jornais Folha de S. Paulo, O Globo, O Estado de Minas, Jornal do Commercio, Zero Hora, Correio Braziliense, o Povo e Correio. Novamente, os jornalões deixaram a horda bolsonarista no chinelo e mostraram sua tradição em publicar Fake News e trabalhar pela desinformação da população, colocando-se como coautores da nossa tragédia anunciada, uma vez que a utilização de tais medicamentos pode causar o comprometimento dos rins e fígado, e até mesmo levar a morte do paciente.

Ao publicar o anúncio – que não permite contraditório por se tratar de espaço comercial -, a grande imprensa contribuiu para que o negacionismo sobre os fatos e a ciência mundial fossem encarados como um debate de interesse público, evidenciando seu alinhamento tácito com as práticas mais abjetas do bolsonarismo, assim como sua cumplicidade e responsabilidade em relação à crise de saúde pública vivida no Brasil. Tudo isso somado à alta dos preços dos alimentos e combustíveis, uma bomba relógio ameaçando explodir no colo do governo que decidiu agir e trocar o presidente da Petrobrás sob intensas críticas da imprensa que passou a defini-lo como “Bolsodilma”, “Dilmonarismo” e o mais recente “Bolsopetismo”.

É prerrogativa legitima do Presidente da República intervir na empresa estatal que deve estar a serviço do Brasil e dos brasileiros, jamais do rentismo e da exploração parasitária do mercado financeiro que nada produz e tudo saqueia. A descabida comparação com os governos petistas é a prova da deterioração dos princípios do bom jornalismo e da informação objetiva que subtraem a verdade e os fatos de interesse público. Em nenhum dos jornais, responsáveis pela peça publicitária que mata pessoas, foi publicado qualquer artigo ético com informações corretas sobre as estatais.

A mídia desinforma ao esconder que o governo Dilma, em 2013, destinou 75% dos royalties do pré-sal para a educação e 25% para a saúde.  O montante poderia chegar a U$S 112 bilhões, até 2023, mas foi interrompido com o desmonte da Petrobrás, a venda do petróleo e das refinarias para o capital internacional após o golpe de 2016. O “Bolsopetismo”, utilizado pelos jornalistas (sic) para definir as ações do governo, não constitui desconhecimento histórico ou ausência de referencial teórico, mas um evidente desvio de caráter. São maneiras sutis encontradas pela mídia corporativa para se aproveitar do número de mortes e ajudar o quasímodo de Chicago, Paulo Guedes, a privatizar o patrimônio nacional. Com isso, os empresários da mídia, contando com seus capangas nas colunas e comentários políticos, se revelam verdadeiros lobistas, mercenários e desonestos que saqueiam o Brasil às custas de milhares de vidas, inaugurando a nova fase da imprensa nacional: o bolsojornalismo.

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Gilmar Mendes faz seu mais duro ataque à Lava Jato e suas práticas ilegais e compara força-tarefa à organização criminosa PCC

 

"Veja essa delegada que teria falsificado depoimento. O que isso significa? Conversa de procuradores ou é conversa de gente do PCC? Tudo isso é muito chocante”, disse o ministro do STF, referindo-se à revelação de que a delegada Érika Marena falsificou um depoimento e de que foi protegida por Deltan Dallagnol

Gilmar Mendes e Deltan Dallganol

Gilmar Mendes e Deltan Dallganol (Foto: STF | ABr)

247 – O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, fez seu mais duro ataque à força-tarefa da Operação Lava Jato, ao compará-la ao Primeiro Comando da Capital, uma das maiores organizações criminosas do Brasil, conhecida como PCC.  “O conteúdo das mensagens às vezes dão asco. A ideia, por exemplo, de transferir alguém para um presídio, para que fale ou delate; de alongar a prisão. Veja essa delegada que teria falsificado depoimento. O que isso significa? Conversa de procuradores ou é conversa de gente do PCC? Tudo isso é muito chocante”, disse ele, referindo-se à revelação de que a delegada Érika Marena falsificou um depoimento e de que foi protegida por Deltan Dallagnol.

A declaração foi dada em entrevista aos jornalistas Everton Dantas e Aldemar Freire, da Tribuna do Norte. Gilmar também destacou o papel da mídia brasileira nesse processo. "A mídia de alguma forma foi aliada desse modelo, que se imaginava estar renovando o Brasil. Hoje estamos aprendendo que no fundo eram uns tiranetes, sujeitos que tinham pouca visão da democracia, pouco compromisso com o Direito e, certamente, muito interesse no seu próprio empoderamento. O conteúdo das mensagens às vezes dão asco."

O ministro do STF também sugeriu que os integrantes da Lava Jato batam em retirada. "Deviam pedir desculpas às pessoas e irem para casa, porque não são mais dignos de estarem nos locais onde estão. Como é que vão continuar denunciando pessoas?", questiona. O ministro também foi questionado sobre o caso do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Não vou entrar no caso Lula agora, porque estamos para julgar essa questão e, certamente, vamos ter que fazer análises em torno desse assunto. O conjunto geral das investigações é esse que todos estão vendo." 

Inscreva-se no canal de cortes da TV 247 e confira fala de Reinaldo Azevedo, em entrevista a Breno Altman, em que ele fala sobre o caso Lula:

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Artigo de Juan Arias, no El País: Bolsonaro tira a máscara e diz que não gosta da democracia

 

El País:

Ou as instituições democráticas colocam um freio no cavalo desembestado de sua loucura ou amanhã aparecerão como cúmplices

Manifestante em Brasília em ato contra Jair Bolsonaro neste sábado.
Manifestante em Brasília em ato contra Jair Bolsonaro neste sábado.ERALDO PERES / AP

Não era segredo para ninguém que o presidente Jair Bolsonaro não gosta da democracia. Mas agora tirou a máscara e confessou à luz do sol: “Se tudo dependesse de mim, não viveríamos neste regime”. E não foi um acaso que sua confissão tenha sido feita durante um ato militar, ao mesmo tempo em que o presidente do Clube Militar, o general da reserva Eduardo José Barbosa, afirmou, como que lhe fazendo eco, que “o Brasil tem saudades do regime militar da ditadura”, o que não é verdade porque segundo uma sondagem realizada pelo Datafolha, 75 % dos brasileiros aposta na democracia.

MAIS INFORMAÇÕES

Bolsonaro agora confessa abertamente que prefere outro tipo de regime político para o Brasil. Como não há alternativa ao regime democrático fora de algum tipo de ditadura, não é necessário recorrer a um silogismo de Aristóteles para interpretar as palavras do capitão.

Na véspera de sua confissão de que não gosta de democracia, surpreendeu ao demitir o presidente da Petrobras, considerado um dos melhores dos últimos tempos, para colocar em seu lugar um general de quatro estrelas.

Que Bolsonaro adora um regime ditatorial, sem ter que contar com o estorvo das outras instituições para governar, é algo que já havia revelado quando era um simples deputado. Afirmou então que a ditadura brasileira foi demasiado branda. Segundo ele, deveria ter matado 30.000 pessoas, inclusive o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, e não ter perdido tempo torturando porque deveriam ter matado diretamente aqueles que se opunham a ela.

Que Bolsonaro se sinta incômodo com a democracia ele o revelou pouco depois, quando considerou um estorvo ter de contar, para governar, com o Congresso e o Supremo Tribunal Federal e encorajou seus seguidores fanáticos e nostálgicos da ditadura a atacar as mencionadas instituições, a cujos atos subversivos ele mesmo se juntou com sua famosa frase “acabou, porra”.

Desde então, vendo que as instituições reagiram em defesa da democracia, mudou de tática e tentou comprar o Congresso e o Supremo Tribunal Federal. Diz-se do famoso cavalo de Átila que onde pisava a grama não voltava a crescer. De Bolsonaro se poderia dizer que onde pisa morrem os valores da liberdade e da democracia.

Depois de tirar a máscara e afirmar que se dependesse dele viveríamos em outro regime, não há dúvida de que de agora em diante, mais do que governar e se preocupar com os graves problemas que afligem o país, dedicará seu tempo para ser reeleito e a partir daí impor ao país um regime de exceção, que é com o que sonha.

O primeiro passo que já está dando é militarizar o Governo cada dia mais, não só enchendo-o de militares, mas também armando e elogiando cada vez mais as polícias e até as milícias para que sejam suas aliadas na hora de concretizar seu sonho ditatorial.

Ficou mais claro do que nunca que Bolsonaro se encaminha cada vez mais e sem escondê-lo para impor um regime de exceção que cerceie as liberdades para poder governar sem ter de contar com os freios e contrapesos que a democracia exige.

Neste ponto, é um dever perguntar o que as instituições democráticas cada vez mais ameaçadas pretendem fazer. Esperarão passivamente que o capitão realize seus sonhos de se coroar imperador como um novo Napoleão para governar como bem entender ou deverão conter seus ímpetos ditatoriais?

Agora já não servem as desculpas de que são apenas as bravatas do capitão frustrado. A confissão de que não gosta deste regime de Governo democrático e que preferiria a liberdade de decidir ao estilo dos ditadores não admite mais desculpas de que está falando sério e não blefando.

Os outros Poderes do Estado permitirão que o presidente continue provocando publicamente e cuspindo na democracia? A inércia diante das provocações do presidente poderia custar caro a um país cujo prestígio está desmoronando dentro e fora de suas fronteiras.

Agora fica mais claro que a única coisa do país pela qual Bolsonaro se interessa –desde a pandemia, ainda crescendo na contramão do mundo e sem vacinas, aos 14 milhões de desempregados, à inflação que atinge os mais frágeis e os arrasta à fome–, seu único sonho e preocupação é dedicar o que lhe resta de mandato para se blindar e se preparar para ganhar a qualquer preço, embora para isso seja necessário pisotear todas as regras eleitorais.

Não sei se o capitão aposentado e ex-deputado é um estrategista ou não, mas está demonstrando que acaba enganando as instituições que se deixam comprar por ele e não conseguem aceitar sua periculosidade. O fato de ter confessado que este não é o regime que gostaria mostra que a partir de agora seu maior empenho será combater o regime democrático. E ele se sente tão seguro de que pode consegui-lo que já está tentando confessar que o Brasil só pode ser governado com mão dura sem perder tempo com veleidades como a defesa dos diferentes e dos direitos humanos, entre eles a liberdade de imprensa de que sempre zombou, começando por insultar e ameaçar dezenas de jornalistas.

A grande incógnita hoje é se as forças democráticas, as empresas e até as Igrejas se deixarão subjugar pelo capitão e o deixarão irresponsavelmente continuar preparando, agora à luz do dia e sem necessidade de escondê-los, seus planos para acabar com a democracia do país contando com a cumplicidade de todas as forças militares.

Ou as instituições democráticas colocam um freio no cavalo desembestado de sua loucura ou amanhã aparecerão como cúmplices covardes e incapazes de se opor à tirania do presidente antes que seja tarde demais.

A história nos ensina que grandes tragédias do passado poderiam ter sido evitadas se alguém as tivesse detido a tempo. O Brasil conseguirá deter antes que seja tarde demais a mão de quem já ameaça sem medo e com arrogância desestabilizar e militarizar o país.

Para desespero da Globo dos Marinhos, do Antagonista de Mainardi, da Veja dos especuladores e da mídia empresarial atrelada ao golpísmo, o The New York Times afirma que Sérgio Moro, o "heroi" construído por elas, corrompeu o sistema judicial e é responsável direto pelo caos que o Brasil vive hoje

 

"Em vez de erradicar a corrupção, a agora notória Operação Lava Jato abriu o caminho para Jair Bolsonaro chegar ao poder após eliminar seu principal rival, Lula, da corrida presidencial. Isso contribuiu para o caos que o Brasil vive hoje", aponta o maior jornal do mundo


Sergio Moro, Lula e Jair Bolsonaro

Sergio Moro, Lula e Jair Bolsonaro (Foto: Reuters | Ricardo Stuckert

247 – O jornal  The New York Times, o mais influente do mundo, diz que o ex-juiz Sérgio Moro é responsável direto pelo caos no Brasil, por ter corrompido o sistema de justiça no País. "O Brasil vive várias crises ao mesmo tempo – a situação catastrófica da saúde, a economia frágil e a polarização política extrema. Agora podemos adicionar a corrupção do sistema judicial à lista. Não precisava ser assim. Os brasileiros tinham grandes esperanças há sete anos, quando um jovem magistrado chamado Sérgio Moro lançou uma operação anticorrupção chamada Lava Jato, ou Operação Lava Jato", diz o artigo assinado pelo jornalista Gaspard Estrada

"A Operação Lava Jato provou que a justiça poderia acabar com a corrupção endêmica no Brasil ou foi apenas um conto de fadas que velou outros interesses políticos? Nas últimas semanas, o lado negro do Lava Jato foi desnudado, e um sentimento de profundo desencanto com a chamada justiça curitibana, que leva o nome da capital do estado do Paraná, onde a força-tarefa estava sediada, se espalhou por todo o país. A Operação Lava Jato foi considerada a maior investigação anticorrupção do mundo, mas se tornou o maior escândalo judicial da história do Brasil. Quando a força-tarefa foi dissolvida em 1º de fevereiro, quase ninguém saiu às ruas ou às redes sociais para lamentar seu fim", apontou ainda Estrada.

O jornalista também responsabiliza Moro diretamente pela destruição do Brasil. "Em vez de erradicar a corrupção, obter maior transparência na política e fortalecer a democracia, a agora notória Operação Lava Jato abriu o caminho para Jair Bolsonaro chegar ao poder após eliminar seu principal rival, Lula, da corrida presidencial. Isso contribuiu para o caos que o Brasil vive hoje", escreveu.

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O legado hipócrita, corrupto e nefasto da Lava Jato de Moro e Dallagnol em artigo do sociólogo e jornalista Milton Alves

 

"Ao traçarmos uma linha do tempo da operação iniciada em março de 2014, é inevitável a constatação de que a Lava Jato contribuiu de forma decisiva para a subversão da institucionalidade pactuada na Assembleia Nacional Constituinte de 1988, praticando um modelo importado de justiça, de caráter punitivista, autoritário, de exceção – violando todas as regras consagradas no chamado estado estado de direito", escreve Milton Alves


Jair Bolsonaro e Sergio Moro

Jair Bolsonaro e Sergio Moro (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

A Lava Jato, com o desmonte da operação, demanda um rigoroso balanço de seu legado. Nos últimos dias, o debate veio à tona provocado pelas revelações das conversas entre Sérgio Moro, o coordenador da força-tarefa Deltan Dallagnol e demais integrantes do grupo de procuradores. Revelações chocantes de mensagens que mostram a face oculta de uma operação marcada por numerosos atos de ilegalidades, crimes e farsas judiciais monstruosas.

Ao traçarmos uma linha do tempo da operação iniciada em março de 2014, é inevitável a constatação de que a Lava Jato contribuiu de forma decisiva para a subversão da institucionalidade pactuada na Assembleia Nacional Constituinte de 1988, praticando um modelo importado de justiça, de caráter punitivista, autoritário, de exceção – violando todas as regras consagradas no chamado estado estado de direito.

Uma avaliação mais geral do contexto do surgimento da operação Lava Jato aponta para uma ação sintonizada com a política implementada pelo Departamento de Estado (DoS) norte-americano: Após o colapso soviético e o fim das guerrilhas marxistas em El Salvador e Guatemala, os Estados Unidos iniciaram na América Latina e Caribe a “guerra contra as drogas”, uma operação de interferência direta nos países da região.

Em um novo giro na política imperialista, depois da chamada “guerra contra o terror” dos anos 2000, a agenda de combate à corrupção também pautou as ações do Departamento de Estado e demais agências norte-americanas de inteligência e espionagem, um instrumento a serviço da desestabilização de governos democráticos e progressistas do continente. Brasil, Equador, Argentina e Peru, em graus diferenciados, foram os alvos de campanhas “anticorrupção”, com o estímulo, suporte e participação direta de agências estadunidenses.

Portanto, um dos maiores crimes praticados no curso da operação Lava Jato foi a colaboração clandestina com agências e autoridades dos EUA e da Suíça, uma grave lesão aos interesses do país que precisa ser devidamente apurada.

Os danos institucionais, econômicos e sociais gerados pela Lava Jato devem ser examinados cuidadosamente pela lupa do Supremo Tribunal Federal (STF), do Congresso Nacional, PGR, Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e pelo próprio Ministério Público Federal, definindo os crimes e a responsabilização dos envolvidos.

Um legado nefasto

Órgãos da mídia corporativa – TV Globo e Folha de São Paulo – tentaram neste fim de semana relativizar os impactos negativos da Lava Jato. O esforço da mídia pró-Lava Jato é apresentar os crimes como simples desvios da “rota positiva” da operação no combate à corrupção no interior do estado brasileiro. Segundo os órfãos da Lava Jato, a experiência foi positiva e que um balanço da operação não pode abrir caminho para a volta da impunidade dos agentes públicos. Ou seja, o mesmo discurso favorável ao lavajatismo, reciclado por um tom mais defensivo diante das montanhas de terabytes, que revelam os métodos criminosos do ex-juiz Sérgio Moro e de Deltan Dallagnol.

Além disso, é impossível não estabelecer o nexo entre Operação Lava Jato e a vitória eleitoral do protofascista e genocida Jair Bolsonaro, que conduz um governo de tipo militarizado. O lavajatismo foi o estuário em que a extrema direita navegou, com muita demagogia e o apoio da imprensa dominante, o que facilitou a chegada de Bolsonaro ao comando do governo federal.

Os métodos da Lava Jato desembocaram na criminalização dos partidos e de lideranças políticas, que teve como maior expressão a campanha inédita de lawfare contra um líder político brasileiro – o ex-presidente Lula -, condenado e preso sem provas por 580 dias. O encarceramento “preventivo” de executivos de empresas privadas e públicas, as delações forjadas, as conduções coercitivas ilegais, as prisões filmadas, os vazamentos seletivos para a Rede Globo, a falsificação de documentos e a espionagem de advogados de defesa dos acusados foram alguns dos mecanismos criminosos utilizados pela operação.

A Lava Jato também legou um enorme passivo na economia do país. Sob o pretexto do combate à corrupção, provocou a implosão de setores inteiros da economia nacional, afetando a indústria da construção civil e de infraestrutura pesada, a indústria naval, o setor químico e a cadeia produtiva de petróleo e gás.

Segundo estudo do Corecon [Conselho Regional de Economia do Rio de Janeiro] a Lava Jato foi um fator importante no agravamento do quadro de recessão na economia entre os anos de 2015 a 2018 e foi a responsável pela queda de até 85% do faturamento das construtoras brasileiras, o que acabou gerando a perda de milhares de empregos diretos e indiretos em todo om país.

Hora de decisão no STF

A expectativa nos próximos dias se volta para o julgamento no STF do habeas corpus que pede a anulação dos processos contra o ex-presidente Lula julgados por Sérgio Moro. A presidente do Partido dos Trabalhadores (PT), deputada Gleisi Hoffmann, vai ao ponto quando faz a denúncia da parcialidade de Moro contra Lula em todas as ações da Lava Jato. “Moro comandou a Lava Jato desde antes da apresentação das denúncias que ele viria a instruir e julgar com o objetivo previamente traçado de condenar Lula e excluí-lo do processo eleitoral. Tratou o acusado como inimigo pessoal e político. É isso que a lei define como suspeição e falta de imparcialidade de um juiz, e que vem a somar-se ao imenso rol de ilegalidades cometidas por ele e pelos procuradores para cercear a defesa, forjar provas e manipular a opinião pública contra seu alvo, com a indispensável cumplicidade da mídia”, disse a dirigente petista.

Novamente uma decisão judicial envolvendo Lula pode determinar os caminhos políticos do duro embate em curso entre as forças conservadoras – neoliberais e golpistas – e o campo da esquerda e dos trabalhadores.

O fim da proscrição política de Lula é uma exigência democrática, assim como a anulação de todos os processos conduzidos no âmbito da Lava Jato, com a soltura de todos os presos e a punição de Sérgio Moro, Deltan Dallagnol e dos integrantes do MPF que atuaram na criminosa força-tarefa.

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