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domingo, 3 de maio de 2026
segunda-feira, 9 de junho de 2025
As pesquisas sobre reencarnação e fenômenos psíquicos efetuadas por Ian Stevenson (1918-2007). Artigo de Diceu Machado
O seguinte artigo do historiador Dirceu Machado foi extraído do site Correio Espírita:
Cientistas e experiências mediúnicas - Ian Pretyman Stevenson
Ian stevenson
INFÂNCIA E JUVENTUDE
O médico psiquiatra Ian Pretyman Stevenson nasceu a 31 de outubro de 1918 na cidade de Montreal, Canadá e desencarnou em 08 de fevereiro de 2007, aos 88 anos, na cidade de Charlottesville no estado da Virginia, Estados Unidos. Seu pai era o correspondente canadense para o New York Times.
Desde a infância sofria de crises de bronquite, repetidamente, e passava muito tempo na cama. Sua saúde nunca foi das melhores e, enquanto enfermo, dedicava-se à leitura e estudos diversos. Sua mãe incentivou-o a se interessar pela Teosofia, assunto que lhe agradou bastante. Nos períodos em que gozava de saúde distinguia-se dos demais colegas chamando a atenção de seus professores. Os professores gostam de alunos superiores, e Stevenson se destacou, por sua inteligência, enquanto estudava na Universidade de St. Andrews, na Escócia e na Universidade McGill em Montreal no Canadá. Graduou em medicina em 1942, tendo se especializado em 1943.
Foi aconselhado a deixar o clima frio do Canadá e se mudar para o Arizona onde iria encontrar bastante calor o que permitiu que se dedicasse mais aos seus estudos e pesquisas acadêmicas.
INÍCIO DAVIDA PROFISSIONAL
Nos anos de 1950, inspirado por um encontro com Aldous Huxley, tornou-se um pioneiro no estudo médico sobre os efeitos do LSD. Em 1957 Stevenson foi nomeado chefe do Departamento de Psiquiatria da Universidade da Virgínia. A sua principal pesquisa incluía doenças psicossomáticas, compêndios sobre pacientes entrevistados e exames psiquiátricos. Neste período, Stevenson criou uma área de pesquisa dentro do Departamento de Psiquiatria dedicada a fenômenos considerados paranormais. Seu interesse por esse assunto já era antigo, desde os tempos em que lia sobre Teosofia e assuntos correlatos.
A maioria dos historiadores sobre pesquisas paranormais concorda que investigações sistemáticas sobre tais ocorrências não começaram antes de 1882, quando a Society for Psychical Research (SPR) foi fundada em Londres. Seus fundadores abertamente declararam suas intenções de investigar cientificamente tais fenômenos incomuns e Stevenson tomou conhecimento de tais trabalhos, principalmente aqueles publicados por Frederic Myers e Edmund Gurney sobre o assunto. Também os trabalhos publicados pela American Society for Psychical Research [ASPR], lhe interessaram bastante. Neste grupo se destacaram os trabalhos de C. J. Ducasse e Laura, que mostravam que o ceticismo sobre algumas evidências dos fenômenos paranormais não excluíam a aceitação de outras evidências.
PESQUISAS SOBRE REENCARNAÇÃO
Seu interesse se voltou para o estudo de casos alegados de reencarnação e, a partir daí, se dedicou quase que completamente a esclarecer cientificamente esse assunto tão ignorado pela ciência. Stevenson se tornou um dos pioneiros da moderna pesquisa científica a respeito da reencarnação. Seu método de pesquisa consistia em recolher e analisar meticulosamente casos de crianças as quais pareciam se lembrar de vidas passadas sem o auxílio da hipnose.
A primeira monografia de Stevenson sobre o assunto que o consagrou foi escrita em 1961, foi The Evidence for Survival from Claimed Memories of Former Incarnations, na qual examinava 44 casos publicados de memórias de vidas passadas. O texto foi publicado pela American Society for Psychical Research em homenagem ao filósofo William James, um dos primeiros presidentes da entidade. A repercussão foi muito grande e chamou a atenção de leitores não acadêmicos como a famosa médium norte-americana Eileen Garrett, co-fundadora da Parapsychology Foundation.
FINANCIAMENTO DAS PESQUISAS SOBRE REENCARNAÇÃO
Eileen Garrett, era tanto uma médium espiritualista como também uma notável empresária bem sucedida e contatou Stevenson pedindo-lhe para investigar o caso de uma criança indiana que dizia ter vivido antes. As despesas da viagem correriam sob o patrocínio de sua organização. Stevenson aceitou e viajou à Índia durante suas férias.
A segunda pessoas a se interessar pela pesquisa foi Chester F. Carlson, o inventor da xerografia. Ele tinha experiência como cientista, e antes de seu segundo casamento acreditava, como a maioria dos cientistas faziam (e ainda fazem), que a mente é só um produto do cérebro e suas propriedades inteiramente físicas. Sua segunda esposa, Dorris, tinha alguma capacidade para percepção extra-sensorial. Ela impressionou seu marido com sua habilidade e também o influenciou para que financiasse pesquisas em fenômenos paranormais, principalmente aqueles relacionados à reencarnação.
Durante oito anos Chester Carlson financiou as pesquisas de Ian Stevenson através da Universidade de Virginia e, assim, o cientista pode trabalhar com tranquilidade levando adiante pesquisas que o levaram a se tornar a maior autoridade mundial no estudo da reencarnação com método científico.
Em 1967, Stevenson foi escolhido como Diretor do Setor de Estudos da Personalidade (posteriormente recebendo o nome de "Setor de Estudos da Percepção") e, por um determinado período, foi também o responsável pelo Departamento de Psiquiatria da Universidade da Virgínia.
Quando Carlson faleceu (1968), legou um milhão de dólares para manter uma cadeira na Universidade da Virgínia, e mais um milhão de dólares para o próprio Stevenson, com o intuito de que a pesquisa sobre a reencarnação não parasse.
LEGADO PARA A POSTERIDADE
Stevenson aposentou-se em 2002, deixando o seu trabalho na Universidade de Virginia nas mãos de sucessores, dirigidos pelo Dr. Bruce Greyson. Quanto as pesquisas relacionadas com a reencarnação Ian Stevenson escolheu o Dr. Jim Tucker, um psiquiatra infantil, que concentrou seu estudo em casos de crianças norte-americanas que se recordavam de vidas anteriores.
Stevenson desencarnou em 08 de fevereiro de 2007, aos 88 anos , de pneumonia na comunidade para aposentados de Blue Ridge em Charlottesville, na Virginia.
Ian Stevenson – médico, psiquiatra, cientista, pesquisador, fundador da moderna pesquisa científica a respeito da reencarnação - é mais um exemplo de que Ciência e Espiritualidade podem caminhar juntas.
LIVROS PUBLICADOS
· Vinte Casos Sugestivos de Reencarnação –( Twenty Cases Suggestive of Reincarnation.) (1966). (Second revised and enlarged edition 1974), University of Virginia Press, ISBN 0813908728
· Cases of the Reincarnation Type Vol. I: Ten Cases in India, (1975). University of Virginia Press.
· Cases of the Reincarnation Type Vol. II: Ten Cases in Sri Lanka. (1978). University of Virginia Press.
· Cases of the Reincarnation Type Vol. III: Twelve Cases in Lebanon and Turkey. (1980). University of Virginia Press.
· Cases of the Reincarnation Type Vol. IV: Twelve Cases in Thailand and Burma. (1983). University of Virginia Press.
· Unlearned Language: New Studies in Xenoglossy. (1984). University of Virginia Press, ISBN 0813909945
· Reincarnation and Biology: A Contribution to the Etiology of Birthmarks and Birth Defects Volume 1: Birthmarks and Reincarnation and Biology: A Contribution to the Etiology of Birthmarks and Birth Defects Volume 2: Birth Defects and Other Anomalies. (1997). (2 volumes), Praeger Publishers, ISBN 0-275-95282-7
· Where Reincarnation and Biology Intersect. (1997). Praeger Publishers, ISBN 0-275-95282-7 . (A short and non-technical version of the scientific two-volumes work, for the general reader)
· Children Who Remember Previous Lives: A Quest of Reincarnation. (2001). McFarland & Company, ISBN 0-7864-0913-4 , (A general non-technical introduction into reincarnation-research)
· European Cases of the Reincarnation Type. (2003). McFarland & Company, ISBN 0786414588
ARTIGOS PUBLICADOS EM REVISTAS ESPECIALISADAS
· "The Explanatory Value of the Idea of Reincarnation" (1977) Journal of Nervous and Mental Disease, 164:305-326.
· "American Children Who Claim to Remember Previous Lives" (1983) Journal of Nervous and Mental Disease, 171:742-748.
· "The Belief in Reincarnation Among the Igbo of Nigeria" (1985) Journal of Asian and African Studies, XX:13-30.
· "Characteristics of Cases of the Reincarnation Type Among the Igbo of Nigeria" (1986) Journal of Asian and African Studies, XXI:204-216.
· "Birthmarks and Birth Defects Corresponding to Wounds on Deceased Persons", (1993). Journal of Scientific Exploration, 7:403-410.
· (with Cook, E.W., Greyson, B.) (1998). "Do Any Near-Death Experiences Provide Evidence for the Survival of Human Personality after Death? Relevant Features and Illustrative Case Reports",Journal of Scientific Exploration, 12(3): 377-406.
· "Past lives of twins"(1999). Lancet, Apr 17; 353(9161):1359-60.
· "The phenomenon of claimed memories of previous lives: possible interpretations and importance"(2000). Medical Hypotheses, 54(4), 652-659.
· "Ropelike Birthmarks on Children Who Claim to Remember Past Lives" (2001). Psychological Reports, Aug 89(1):142-144.
· (with Pasricha, S.K., Keil, J. and J.B. Tucker), (2005). "Some Bodily Malformations Attributed to Previous Lives" Journal of Scientific Exploration 19(3):359-383.
quarta-feira, 31 de agosto de 2016
Notável caso de memória extra-cerebral acrescenta mais evidência à teoria da Reencarnação
O menino sonhava constantemente com o momento em que seu bombardeiro Dornier (veja a foto deste bombardeiro ao lado) fora atingido e ele costumava desenhar um avião bimotor com as insígnias alemães nas asas e fuselagem. Seu avião havia sido alvejado pela artilharia anti-aérea, fazendo-o perder os sentidos, o que fez o avião bater em um edifício e logo após se espatifar no chão (os restos deste avião foram, de fato, descobertos muito tempo depois dos relatos do menino e, por cúmulo da coincidência, logo após a trágica e precoce morte de Carl Edon, aos 22 anos, por assassinato e - ainda mais espantoso - a alguns metros de onde foram descobertos os restos do bombardeiro citado, próximo à linha férrea onde Edon trabalhava como sinaleiro, na cidade de Middlesbrough, nordeste da Inglaterra).
Um pesquisador, ao identificar o número de matrícula do avião Dornier, pode descobrir os nomes da tripulação do bombardeiro. O piloto chamava-se Heinrich Richter (1911-1942) e foi possível, com esta identificação, obter uma foto dele à época da Guerra. As semelhanças entre o oficial alemão e o jovem Carl Edon, de 22 anos, soltavam aos olhos, como pode-se ver acima.
Como se não fosse pouco tamanha coincidência, o jovem Carl, que dizia que havia sido lançado pela janela do avião em sua queda, apresentava uma marca de nascença na perna direita, e o corpo do piloto alemão teve a perna direita arrancada pelo choque ao ser lançado para fora do avião - seu corpo foi o último a ser achado a certa distância dos restos do bombardeiro onde foram encontrado os outros três corpos dos tripulantes -, tendo sido provável que a principal das causas de sua morte tenha sido por hemorragia por ruptura da artéria femural. Além do mais, junto ao corpo de Heirich Richter foi achado um anel com a letra P gravada. O jovem Carl dizia que, em sua vida anterior como piloto, tinha tido um irmão também piloto chamado Peter. As pesquisas comprovaram que Heinrich Richter de fato havia tido um irmão que também fora piloto e que morrera antes dele, também em batalha aérea. O nome do irmão? Peter Richter... Assista ao vídeo:
The Reincarnation Of Carl Edon The Most Convincing And Bizarre Story Ever Told
The uncanny case of Carl Edon - Gazette Live
sexta-feira, 5 de setembro de 2014
Robert Lanza, considerado pelo New York Times um dos três mais importantes cientistas vivos, afirma que existe vida após a morte e mesmo a reencarnação e que há evidências científicas desta realidade
Carlos Antonio Fragoso Guimarães
Não foram apenas os esforços dos já falecidos pesquisadores contemporâneos Hemendra Nath Banerjee (1920-1985), da Universidade de Rajasthan, Índia, ou o norte-americano Ian Stevenson (1918-2007), psiquiatra-chefe do departamento de Estudos da Consciência, da Universidade de Virgínia, ou do pesquisador brasileiro Hernani Guimarães Andrade (1913-2003), fundador do Instituto Brasileiro de Pesquisas Psicobiofísicas, entre outros, que, através de pesquisa de campo metódica, incluindo entrevistas, coleta de documentos e análise de dados, conseguiram evidências favoráveis à tese vida após a morte e da reencarnação, apresentando casos de memória extra-cerebral em crianças que afirmavam, entre dois e sete anos, lembrar-se de vidas anteriores (Banerjee coletou 1200 casos bem documentados, Stevenson, mais de 2700 e Andrade, cerca de 80 no Brasil), além do estudo de outros fenomenos que apontam para a sobrevivência, como (casos Poltergeist, mediunidade, Experiências de Quase Morte, etc..(Andrade, Stevenson, Tizané, Raymond Moody, Elizabeth Kübler-Ross, Camille Flammarion, Scott Rogo, Sam Parnia, entre outros) . As pesquisas atuais em EQM (Experiência de Quase Morte), com os estudos internacionais de Sam Parnia, Peter Fenwick e vários médicos ao redor do mundo se encontram com os estudos do bioquímico Rupert Sheldrake e os do psicólogo Charles T. Tart sobre as limitações do paradigma cartesiano diante do acumulo de evidências sobre as capacidades psíquicas que apontam para além da matéria (no sentido vulgar do termo).
Agora, um dos mais importantes cientistas da atualidade afirma, com todas as letras, que a possibilidade de vida após a morte e da reencarnação é uma ideia não apenas lógica, mas cientificamente plausível.
Médico pesquisador, é especializado em medicina regenerativa à nível celular (histologia regenerativa) e, por força de suas pesquisas, um estudioso de áreas de ponta, como a física moderna (quântico-relativista). Entre outras funções, ele é chefe de pesquisas do Advanced Cell Technology e professor do Institute for Regenerative Medicine, departamento do Wake Forest University Scholl of Medicine, todas situadas nos EUA.
Robert Lanza ficou famoso por suas pesquisas com células-tronco e clonagem de seres vivos, em especial como meio de preservação em favor de espécies ameaçadas de extinção (c.f. na wikipedia).
Como o próprio título sugere, para Lanza é a vida e, mais ainda, a consciência - que se expressa por meio da vida - que tem a primazia evolutiva e, com esta, estimula o desenvolvimento das manifestações físicas do Universo. É a consciênica e a vida, sua expressão que, para tanto, se utilizam da matéria tanto para animá-la quanto para se desenvolverem mutuamente (mente, vida e matéria) do que o oposto, ou seja, a matéria dando origem à vida e a consciência como mero fruto do acaso. Tal inversão lançaria nova e revolucionária luz sobre a ordem que vemos na natureza e seria o que determina a escala o aspecto geral do universo conhecido e o processo evolutivo que vemos, da matéria à consciência. Indo mais além, estabelece, como consequência, a existência da própria consciência como ente com uma realidade própria, inclusive sobrevivente à morte física.
Apesar de ainda polêmica, a ideia não é de modo algum nova. Desde os filósofos gregos antigos até os nomes mais reconhecidos da ciência moderna, como o do astrônomo Camille Flammarion (1842-1925) e Charles Richet (1850-1935), Prêmio Nobel de Medicina em 1913, passando por pesquisadores como os já citados Ian Stevenson e do brasileiro Hernani Guimarães Andrade, e, mais recentemente, com nomes como o do astrofísico escocês Archie Roy (1924-2012) e do biológo britânico Rupert Sheldrake, que se teoriza, a partir de evidências, que a vida e, portanto, a consciência humana possam não apenas sobreviver ao corpo mas ainda determinar o processo de sua embriogênese, atuando sobre o material genético, e a sua morfologia. Tudo isso sendo é discutido e amparado em uma série de evidências científicas (evidências, bem entendido, já que muita gente dentro do establishment científico, modelado no velho paradigma mecanicista-positivista, ainda resiste a considerá-las provas), como as atualmente apresentadas pelos médicos Sam Parnia, na Inglaterra, e van Lommel, na Holanda, sobre as experiências clínicas de pacientes que tiveram experiências de quase morte.
Agora, dentro do rígido mundo acadêmico e laboratorial, é o Dr. Robert Lanza quem afirma que o atual nível de avanço da ciência permite dirimir praticamente qualquer dúvida sobre esta questão. Para ele, o quadro atual da ciência possibilita afirmar que a vida continua para além da morte física e, mais que isso, essa vida consciente se aperfeiçoa com o tempo, voltando a viver em outros corpos (reencarnação), e atuando entre uma vida e outra em dimensões para além da nossa.
Os estudos de Lanza - transdisciplinares ao estilo de Edgar Morin, James Lovelock, Ilya Prigogine, Dean Radin e Fritjof Capra -, unem ou estabelece pontes de comunicação que vai da Física Avançada para a Psicologia e Biologia de ponta e o levaram a formular sua teoria ou princípio do Biocentrismo. Nesta, é a consciência (ou algo bem parecido com a noção de um espírito consciente) que é o elemento mais fundamental no universo, ou seja, é a consciência o elemento que rege e estabelece a composição do universo, e não o inverso como o modelo mecanicista convencional costuma estabelecer.... Costuma estabelecer e reduzir, metafisicamente e a priori, de conformidade com o modelo mecanicista, interpretando a consciência como se esta fosse um mero epifenômeno secundário e sem muita importância da matéria (visão materialista-reducionista).
As afirmações de Lanza podem parecer polêmicas, ousadas ou até mesmo temerárias, mas estão longe de serem frutos de uma mente excêntrica que deseje polemizar para obter notoriedade. Ao contrário, são baseadas em evidências, portanto, fatos, bem estabelecidos e pesquisados que agora ele tenta explicar numa teoria coerente, denominada biocêntrica.
Vale lembrar que no curriculo do autor, anos atrás, ele pesquisou em áreas da Psicologia com ninguém menos que o pai do Behaviorismo radical, B. F. Skinner, e com grandes nomes da biologia, bioquímica e biofísica, tendo artigos publicados nas revistas mais difícies e conceituadas, como a Science. Portanto, suas colocações não são resultados de uma mente sonhadora ou ingênua e, apesar da resistência inevitável, com críticas pesadas mas nem sempre equilibradas dos colegas embebidos do paradigma mecanicista, obteve a simpatia ou mesmo o discreto apoio de outros lumiares da ciência contemporânea, como o do médico e Prêmio Nobel, Dr. Edward Donnal Thomas, que saiu em defesa de Lanza na revista Forbes em 2007, ou do físico Lawrence Krauss, que considera as ideias de Lanza cientificamente interessantes embora, para ele, dificies de serem testadas - mas se levarmos em conta as pesquisas de Banerjee, Stevenson, Dean Radin, Charles Tart e H. G. Andrade, entre outros, possíveis de serem feitas.
Lanza, enfatizamos, se aproxima muito de autores e teóricos avançados da Física, Filosofia, Biologia e Psicologia como David Bohm, James Lovelock, Jan Smuts, Ludwig von Bertalanffy, Maturana, Varela, Carl Gustav Jung, Stanislav Grof, Leonardo Boff e Fritjof Capra ao afirmar que existe uma lógica inteligente para a estrutura do universo, onde as leis, forças e constantes variações parecem equilibradas para se afinarem com a vida, o que permite sua eclosão e manifestação em um histórico de complexificação crescente, manifestação e desenvolvimento, ou seja, há uma forte evidência de coesão e regência nas leis da natureza, o que implica que na ação de uma inteligência modeladora subjacente a este quadro (a matéria em si não demonstraria sinais de consciência). Esta mesma ideia já foi aventada por grandes nomes da física moderna, como Niels Bohr, Werner Heisenberg, Wolfgang Pauli, Erwin Schrödinger e, mais dubiamente, Albert Einstein (veja-se, sobre isso, os livros de Fritjof Capra, em especial O Tao da Física e O Ponto de Mutação), mas quase nunca foi devidamente considerada pelo establishment científico oficial.
Sem conhecer Hernani Guimarães Andrade, mas bem ciente das pesquisas de cientistas como Fred Alan Wolf e David Bohm, Lanza deles também se aproximam ao afirmar também que o espaço e o tempo não são objetos ou coisas existentes por si, mas sim ferramentas relativas, adaptadas ao nível de nosso entendimento animal, interpretação de nossa mente em determinado estado de consciência. Lanza vai mais além, afirmando que carregamos o espaço e o tempo em torno de nós “como tartarugas”, o que significa que quando a casca sai, espaço e tempo ainda existem. Neste ponto, a teoria de Lanza é bem próxima do modelo tetradimensional da psique, ou espírito, de Hernani Guimarães Andrade (c.f., deste autor, os livros Morte, Renascimento, Evolução e Psi Quântico) e se aproxima do pensamento teórico do psiquiatra suíço Carl Gustav Jung (1875-1961).

Robert Lanza, portanto, estabelece uma trama relacional abrangente unindo os fios da Biologia, da Física e da Psicologia. O quadro teórico resultante resgata as noções da Metapsíquica de Charles Richet, Gustave Geley e Frederic Myers. Afirma ele que o Biocentrismo dá sentido à ideia bastante ventilada nos últimos trinta anos, no complexo meio da Física teórica, de múltiplos universos, evocando a noção de que é possível a existência da consciência em “outros mundos” (o modelo tetradimensional da Psique de Andrade também afirma isso, o que também é validado pelas pesquisas de Stanislav Grof).
Neste quadro, como já intuiam, na Física, Bohr, Pauli, Schrodinger e Bohm, na Biologia, com Maturana, Varela, e na Psicologia, William James, Carl Jung e Stanislav Grof, a consciência desempenha um papel que a ciência dita exata começa a levar em consideração. Sendo assim, segundo Lanza, a morte seria uma mera ilusão criada pela mente restringida pelos sentidos, adaptados a um mundo material limitado e difícil de se lidar a três dimensões, mas que demonstra possuir uma capacidade criativa e intuitiva que ultrapassa estes limites pois, a vida, para Robert Lanza, transcende a linearidade banal aceita pelo modelo cartesiano-newtoniano da ciência clássica e ao qual estamos acostumados. Segundo ele, a noção aceita de morte é uma interpretação errônea, ou melhor, uma crença culturalmente compartilhada, baseada numa metafísica materialista que ainda desconsidera os achados da Psicologia e da Física de ponta. Capacidades aparentemente anômalas, como a percepção extra-sensorial, a precognição, etc., seriam indícios de que a mente superaria, em certos momentos e em condições ainda pouco compreendidas (Richet, Jung, Rhine, Readin, Tart, Grof, Andrade) os limites do universo físico ao qual estamos familiarizados.
Lanza, em sua visão transdisciplinar (Morin, Capra) e transpessoal (Grof), também resgata as contribuições de pensadores como Pierre Teilheard de Chardin e Pietro Ubaldi, embora não se possa saber ao certo até onde o pesquisador estudou - se de fato estudou - tais autores. Seja como for, a mesma ideia geral, o chamado Princípio Antrópico Cosmológico tão presente no pensamento destes, também se expressa no Biocentrismo de Lanza, ou seja, de que a vida e a nossa existência humana são emergências esperadas, não o fruto do acaso, pelo contrário, sendo fenômenos inevitáveis.
A vida e a consciência, por sua vez, criariam a realidade biológica e esta transformaria o mundo (lembram-se da hipótese Gaia, de James Lovelock?), sem a noção linear, reducionista, simplificadora e limitante que adotamos nos últimos trezentos anos. A morte apenas existe como conceito cultural, ensinado pelas gerações a partir de uma visão limitadora da realidade, e, portanto, não pode “existir em qualquer sentido real”.
Uma vida que cumpre seu ciclo é a manifestação temporal da consciência que continua a existir em outras realidade dimensionais, e mesmo podendo voltar a esta dimensão para um novo ciclo de desenvolvimento pessoal, ajudando, igualmente, no desenvolvimento coletivo. A vida física individual seria um mera emergência temporal, um fragmento na realidade restritiva a que estamos acostumados, mas que a supera e que, por sua vez, daria simplesmente um novo recomeçar quando morremos, para novas possibilidades.
O contrário de morrer não é, portanto, viver, mas nascer. A vida simplesmente é e se manifesta temporalmente, na matéria, dentro dos limites do nascer e do morrer e, portanto, transcende - como sentimos intuitivamente - o tempo cronológico. Não se trata de um tempo, passado, presente e futuro – aqui, sem a nossa consciência, espaço e tempo não tem valor algum, desta forma, quando morremos, a nossa mente não poderia deixar de existir, pois ela faria parte do universo, assim, ao menos uma parte fundamental da mente individual pode ser imortal, como, aliás, é dito por quase todas as tradições religiosas e filosóficos do mundo inteiro.
Na teoria dos multi-versos, há uma possibilidade de um número indefinido de dimensões, ou de lugares ou de outros universos onde a nossa alma poderia migrar após a morte, de acordo com a teoria de neo biocentrismo, e ainda assim interagir e voltar à dimensão física.
Mas será que o espírito/alma/consciência existe de modo independente? Outros cientistas reconhecidos formularam alguma teoria ou hipótese de trabalho que dê sustentação a isso? A resposta é afirmativa.
Embora polêmicas diante do domínio do paradigma mecanicista, existem teorias de trabalho consrtuídas por vários cientistas que dão suporte à ideia da vida consciente após a morte. Para o Dr. Stuart Hameroff, por exemplo, uma experiência de quase morte, EQM - aquela em que o paciente vê o próprio corpo e as tentativas da equipe médica de o ressuscitar -, acontece quando a informação quântica que habita o sistema nervoso deixa o corpo e se dirige ao espaço. Apesar de ser apenas um modelo, é um modelo que enfrenta o paradigma dominante já que, ao contrário do que defendem os materialistas, a teoria de Hameroff oferece uma explicação alternativa da consciência que pode, talvez, apelar para a mente científica racional e intuições pessoais sobre um fenômeno que já é reconhecido como ocorrente desde que o médico Dr. Raymond Mood publicou seu clássico livro sobre EQM, Vida depois da Vida, em 1975 (veja o vídeo ao final deste artigo).
A consciência interagiria ou se utilizaria, de acordo com o modelo teórico de Hameroff e do físico britânico Sir Roger Penrose, dos microtúbulos das células cerebrais, que poderiam ser os sítios primários de processamento quântico da mente. Após a morte esta singularidade informacional, que é a consciência é liberada de seu corpo, o que significa que a mente e seu histórico vai com ele para algum outro lugar ou dimensão.
A Consciência, ou pelo menos a proto consciência, é teorizada por quase todo os autores aqui citados como a propriedade fundamental do universo, possivelmente presente até mesmo no primeiro momento do universo durante o Big Bang. Nos dizeres de Lanza, baeado em Hameroff e Penrose,“em uma dessas experiências conscientes comprova-se que o proto esquema é uma propriedade básica da realidade física acessível a um processo quântico associado com atividade cerebral.” (veja-se o video abaixo, ao final deste texto, após a bibliografia sugerida).
Esta interpretação quântica da consciência, que é melhor desenvolvida no modelo de Hernani Guimarães Andrade, é retrabalhada por Lanza e explica diversos fenômenos, como experiências de quase morte, projeção astral, experiências fora do corpo e até mesmo a reencarnação sem a necessidade de recorrer a qualquer ideologia religiosa. A energia de sua consciência potencialmente é reciclada de volta em um corpo diferente em algum momento e nesse meio tempo ela existe fora do corpo físico em algum outro nível de realidade e possivelmente, até mesmo outro universo.
Por mais que pareçam aparentemente áridas, estas são explicações que dão uma explicação, talvez ainda a ser aprimorada, da ciência para a possibilidade de vida após a morte. Elas dizem que nossas consciências (ou espíritos) são consequencias da própria estrutura do universo e pode ter existido, em estágios diferenciados de desenvolvimento, já desde o início dos tempos. Nossos cérebros, assim, não produzem a consciência, servindo apenas, usando uma analogia aproximativa, ou metáfora, como meros receptores e amplificadores para a proto-consciência que é intrínseca ao tecido do espaço-tempo. Então, como parece indicar aspectos como tempo psicológico, PES, EQM, memória extra-cerebral de crianças que lebram espontaneamente de vidas anteriores, há realmente uma parte de sua consciência que é não material e vai viver após a morte de seu corpo físico.
A possibilidade de que nossa consciência pessoal seja uma centelha diferenciada e em evolução de uma realidade em si mesmo, fundamentalmente consciencial e que dá origem às diferentes facetas da realidade e que nós mesmos, assim, somos imortais e que podemos reencarnar, é a consequencia lógica de alguns princípios estabelecidos pelo modelo biocêntrico de Rober Lanza. Estes princípios são:
1. O espaço e o tempo não são realidades absolutas independentes de consciências-observadoras, portanto, a realidade “externa” seria um processo de percepção (interpretação) e de criação da consciência.
2. As nossas percepções externas e internas estão ligadas, de forma profunda, não podendo se divorciar uma da outra.
3. O comportamento das partículas subatômicas está ligado com a presença de um observador consciente. Sem esta presença, as partículas existem, no melhor dos casos, em um estado indeterminado de probabilidade de onda.
4. Sem consciência a matéria permanece em um estado indeterminado de probabilidade. A consciência precede o universo.
5. A vida cria o universo, e não o contrário, como estabelecido pela ciência tradicional.
6. O tempo não tem real existência fora da percepção humana.
7. O espaço, assim como o tempo, não é um objeto. O espaço é uma forma de compreensão e não existe por conta própria.
Bibliografia sugerida:
ANDRADE, Hernani Guimarães. Morte, Renascimento, Evolução. Editora Pensamento, São Paulo. Segunda edição: Editora Didier.
ANDRADE, Hernani Guimarães. Espírito, Perispírito e Alma - Ensaio sobre o Modelo Organizador Biológico. Editora Pensamento, São Paulo. Segunda edição: Editora Didier.
ANDRADE, Hernani Guimarães. Psi Quântico. Editora Pensamento, São Paulo. Segunda Edição: Editora Didier.
BANERJEE, Hemendra Nath. Vida Pretérita, Vida Futura. Editora Nórdica.
CAPRA, Fritjof. O Tao da Física. Editora Cultrix. São Paulo.
CAPRA, Fritjof. O Ponto de Mutação. Editora Cultrix. São Paulo
GROF, Stanislav. Além do Cérebro. McGraw-Hill, São Paulo.
GUIMARÃES, Carlos Antonio Fragoso. Evidências da Sobrevivência. Editora Madras, São Paulo.
LANZA, Robert Paul & BERMAN, Bob. Biocentrism: How life and consciousness are the keys to understanding the true nature of the universe. Benbella Books, 2009.
RADIN, Dean. Mentes Interligadas. Editora Aleph.
RICHET, Charles Robert. Tratado de Metapsíquica. Editora do Conhecimento.
STEVENSON, Ian. Reincarnation and Biology: A Contribution to the Etiology of Birthmarks and Birth Defects. 2 Volumes. Prager Publishers.
STEVENSON, Ian. Vinte Casos Sugestivos de Reencarnação. Editora Vida e Consciência.
STEVENSON, Ian. Casos Europeus de Reencarnação. Editora Vida e Consciência.
TART, Charles T. O Fim do Materialismo. Editora Cultrix, São Paulo.
Segue o documentário sobre a teoria de Hameroff e Penrose sobre a consciência quântica:
terça-feira, 21 de fevereiro de 2012
Reencarnação: evidências possíveis na recordação espontânea de crianças
Memória Extra-Cerebral: Evidências a favor da Reencarnação
A memória extra-cerebral traz o incômodo paradoxo de que as lembranças narradas (e, em vários casos, posteriormente confirmadas através de documentos, etc.) não foram registradas através da aparelhagem neuropsicomotora do sujeito que as detêm, mas, a principio, pelo "cérebro" e demais órgãos sensoriais de uma outra pessoa, impreterivelmente morta à época em que a criança espontaneamente narra suas lembranças, muitas vezes referentes a outras famílias e em outros locais que não estão em relação com a família da criança hoje (STEVENSON, 1995; ANDRADE, 1993; SHRODER, 2001). Este fenômeno faz questionar se o modelo mecanicista da mente dominante na ciência não será limitado demais... Pois o fenômeno parece ter um substrato psíquico não necessariamente associado ao sistema nervoso da criança que recorda.
Hoje, a pesquisa da Memória Extra-Cerebral adentra os corredores das universidades. Entre estas, temos de destacar as pesquisas iniciadas pelo Dr. Ian Stevenson na Universidade de Virgínia, Estados Unidos, onde foi professor de Psiquiatria e Psicologia e, mas recentemente, chefe da Divisão de Estudos da Personalidade. A Psychical Research Foundation, da mesma universidade, possui uma revista própria, científica, dedicada a todos os aspectos metodológicos da pesquisa que sugiram a sobrevivência após a morte do corpo físico, incluindo todos os fenômenos parapsicológicos, além dos estudos de casos de Memória Extra-Cerebral. A revista chama-se THETA, não sem razão o nome dado aos prováveis agentes não-físicos causadores de vários dos fenômenos paranormais ligados à teoria da sobrevivência (Poltergeists, Memória Extra-Cerebral, Aparições, etc.). As pesquisas neste sentido realizadas por pesquisadores da Universidade de Virgínia ganhou o nome de "Projeto THETA".
Diversos fatores diferenciais são utilizados como métodos e técnicas de indícios de Reencarnação. Citemos:
1) Experiências de Regressão de Memória Artificialmente Provocadas quer seja através de hipnose ou de relaxamento profundo. Tem o incoveniente de que a sugestão da regressão possa provocar lembranças fictícias para atender a expectativa do hipnólogo, mas, ao mesmo tempo, pode atingir realmente instâncias profundas do inconsciente (PINCHERLE, 1990);
2) Regressão de Memória Espontânea. Caso raro em que certas pessoas entram em transe espontâneo e recordam de eventos prováveis de vidas passadas;
3) Memórias Espontâneas. Geralmente ocorrem em crianças e adolescentes que, em dado momento, começam a recordar nitidamente reminiscências ligadas a uma personalidade que elas dizem ser em outro tempo e lugar. Em algumas destas lembranças existem marcas de nascença que, de alguma forma, estão ligados a traumas físicos que elas dizem ter causado a morte na sua vida anterior.
Entre os primeiros investigadores europeus a realizar estudos sobre memórias espontâneas ligadas a marcas de nascença, está o Dr. Resart Bayer, psiquiatra e presidente da Sociedade Turca de Parapsicologia. Fala o Dr. Bayer que "Certos sinais ou marcas congênitas, muito evidentes, como cicatrizes, etc., que não têm explicações dentro das leis biológicas mas que obrigatoriamente têm de ter uma causa" geralmente associadas às lembranças espontâneas em sua quase totalidade ligadas a ferimentos e traumas que causaram a morte em outra vida, e obrigam a ciência a ocupar-se com seriedade destes fenômenos.
O Dr. Stevenson publicou um livro, em dois volumes, com mais de mil páginas, com casos documentados de memórias espontâneas ligadas a marcas de nascença (STEVENSON, 1997). Estes casos são muito raros, mas o conjunto de casos levantados por Stevenson e colaboradores não podem ser negligenciados como as melhores evidências a favor da hipótese da Reencarnação.
Bibliografia
- Andrade, Hernani Guimarães. Reencarnação no Brasil. Matão, 1993, Casa Editora O Clarim.
- Shroder, Tom. Almas Antigas - A busca de evidências científicas da reencarnação. Rio de Janeiro, Sextante, 2001.
- Pincherle, Livio et al. Terapia de Vida Passada. São Paulo, Summus Editorial, 1990.
- Stevenson, Ian. Twenty Cases Suggestive of Reincarnation. Charlotteville, University Press of Virginia, 1995.
- ______________ Reincarnation and Biology, vol. 1: Birthmarks; Vol. 2: Birth Defects and Other Anomalies. Esport, Connecticut. Prager, 1997



