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sexta-feira, 22 de março de 2024

Em gravação de áudio, o militar (e ex-braço direito de Bolsonaro) Mauro Cid ataca a PF e o ministro Alexandre de Moraes

 

Ao comentar sobre o inquérito da trama golpista, o ex-auxiliar de Bolsonaro acusou a PF e o Supremo de forçá-lo a comentar fatos que, segundo o tenente, não aconteceram

Mauro Cid (à esq.) e Alexandre de Moraes
Mauro Cid (à esq.) e Alexandre de Moraes (Foto: Reprodução | ABR)

247 - Ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro (PL), o tenente-coronel Mauro Cid fez ataques à Polícia Federal e ao ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes. Em gravações, o militar disse que investigadores estão com a narrativa pronta no inquérito sobre a tentativa de golpe durante o governo bolsonarista, que pretendia impedir a posse do atual presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Os relatos foram publicados nesta quinta-feira (21) por Veja.

"Eles (os policiais) queriam que eu falasse coisa que eu não sei, que não aconteceu. Você pode falar o que quiser. Eles não aceitavam e discutiam. E discutiam que a minha versão não era a verdadeira, que não podia ter sido assim, que eu estava mentindo", afirmou. 

"Eles estão com a narrativa pronta. Eles não queriam saber a verdade, eles queriam só que eu confirmasse a narrativa deles. Entendeu? É isso que eles queriam. E todas as vezes eles falavam: 'Ó, mas a sua colaboração. Ó, a sua colaboração está muito boa'. Ele (o delegado) até falou: 'Vacina, por exemplo, você vai ser indiciado por nove negócios de vacina, nove tentativas de falsificação de vacina. Vai ser indiciado por associação criminosa e mais um termo lá'. Ele falou assim: 'Só essa brincadeira são trinta anos para você'", continuou Cid. 

Na conversa, o ex-ajudante de ordens também criticou Alexandre de Moraes,  “O Alexandre de Moraes é a lei. Ele prende, ele solta, quando ele quiser, como ele quiser. Com Ministério Público, sem Ministério Público, com acusação, sem acusação. Já tem a sentença dele pronta, acho que essa é a grande verdade. Ele já tem a sentença dele pronta. Só tá esperando passar um tempo. O momento que ele achar conveniente, denuncia todo mundo, o PGR acata, aceita e ele prende todo mundo".

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2024

The Intercept: MILITARES TENTAM APROVEITAR CRISE NA ABIN PARA CRIAR ÓRGÃO DE SEGURANÇA CIBERNÉTICA LIGADO AO GSI

 

Iniciativa das Forças Armadas ganha fôlego com investigação da PF sobre espionagem. Mas militarização da segurança cibernética é um problema real no Brasil.

The Intercept Brasil:

Único militar a comandar um ministério do governo Lula, o atual ministro do GSI, o general Marcos Antônio Amaro, nunca escondeu a sua visão militarizada da inteligência de estado. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Paulo Motoryn

AS FORÇAS AMADAS têm enxergado a investigação da Polícia Federal sobre um esquema de espionagem ilegal na Agência Brasileira de Inteligência, a Abin, como uma oportunidade para retomar o controle de atividades de inteligência. A crise fez com que os militares voltassem a investir na criação da Agência Nacional de Segurança Cibernética, a ANCiber, um órgão que seria vinculado ao Gabinete de Segurança Institucional, o GSI.

O projeto tem sido debatido na caserna desde o início do governo do Lula e já havia sido enviado para análise da Casa Civil da Presidência da República no final do ano passado. Depois de ver o texto parado por alguns meses no Palácio do Planalto, membros das Forças Armadas têm se movimentado para fazer o projeto andar novamente – agora, se aproveitando do desgaste que sofre a Abin.

Especialistas e integrantes do próprio governo apontam que uma agência para tratar do tema é uma iniciativa positiva, mas enxergam problemas graves no atual formato proposto pelo GSI. Um dos grupos que mais tem se incomodado são os agentes da Abin. Um deles, ouvido sob anonimato, disse que o fato de a agência ser vinculada ao GSI significa uma tentativa de “remilitarização” de atribuições da agência, já que a política de segurança cibernética, hoje, é uma das atribuições do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento para a Segurança das Comunicações, um dos setores mais importantes da Abin.

O GSI nega a tentativa de militarização – prefere falar em “conceito de Cooperação-Regulação-Controle”. “Todos os setores da sociedade atuantes na proteção cibernética e manutenção da resiliência nacionais agiriam de forma sinérgica e coordenada pela ANCiber, inclusive com a contribuição do setor militar”, disse o órgão, por meio de sua assessori de imprensa. “Cada um desses atores nacionais possui responsabilidades e atuação perfeitamente delimitadas, especializadas e dimensionadas em suas competências e capacidades.”

Único militar a comandar um ministério do governo Lula, o atual ministro do GSI, o general Marcos Antônio Amaro, nunca escondeu a sua visão militarizada da inteligência de estado.

Em junho, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, Amaro chegou a sugerir que a Abin, transferida por Lula para a Casa Civil no início de seu mandato, poderia voltar ao GSI – mesmo que a possibilidade jamais tenha sido cogitada publicamente. “Se [a Abin] tiver de voltar, não haverá constrangimento. Se voltar por decisão do presidente, tudo bem. Estamos prontos para recebê-la. O que precisamos aqui são os conhecimentos que a agência produz, para prevenir e gerenciar crises. Para nossa segurança, a segurança prestada ao presidente”, disse.

Além da Abin, outros órgãos já expressaram preocupação com a dimensão das atribuições da agência proposta pelo GSI. A secretária de Direitos Digitais do Ministério da Justiça, Estela Aranha, comentou o tema em uma audiência pública realizada no Palácio do Planalto, em junho, diante da presença do general Amaro.

Favorável à criação da agência, Aranha cobrou sinergia da futura agência com outros organismos ligados ao tema dentro do Executivo, para que não ocorram choques de atribuições e que as atribuições do governo federal não sejam esvaziadas. A secretária apontou que a proposta do GSI trata a agência não apenas como reguladora, mas também como executora de políticas. Segundo ela, porém, o executivo federal tem atribuições indispensáveis na política pública de segurança.

“Quando analisamos o texto, chamou a nossa atenção que a agência proposta tem papel de regulação e execução de política. Seria bom entender mais porque há questões de execução de política cibersegurança que são de competência de administração direta pela sensibilidade do tema”, declarou Aranha.

Presidente da República, Jair Bolsonaro, cumprimenta o Comandante Militar do Sudeste indicado, General de Exército Marcos Antonio Amaro dos Santos.
O general Marcos Antônio Amaro dos Santos, então comandante Militar do Sudeste, em 2019. Foto: Marcos Corrêa/PR

Brasil é vulnerável e culpa é dos militares, diz estudo

Um estudo da organização britânica International Institute for Strategic Studies, o IISS, publicado em setembro de 2023, revelou preocupações significativas em relação à segurança cibernética no Brasil. Segundo a publicação, o protagonismo das Forças Armadas tem influenciado negativamente a capacidade do país em se defender de ameaças no universo digital.

A pesquisa, que analisou as capacidades cibernéticas e o poder nacional de 25 países, incluindo o Brasil, colocou o país na “Categoria Três” em termos de poder cibernético – o nível mais baixo entre os países analisados, ao lado de outras 14 nações, todas de médio e pequeno porte.

O Brasil ficou junto com países como Arábia Saudita, Nigéria, Cingapura e África do Sul. Os Estados Unidos foram considerados como como único país na “Categoria 1”, enquanto outras potências, como China, França e Canadá, Austrália e Israel, ficaram na “Categoria 2”.

Os autores apontam que, embora o Brasil possua uma infraestrutura de Tecnologia da Informação e Comunicação bem desenvolvida, uma economia digital sólida e uma infraestrutura de resposta a incidentes cibernéticos crível, a falta de uma arquitetura legal cria deformações que levam o país a um nível insatisfatório de segurança cibernética.

O estudo destaca a composição predominantemente militar dos quadros do GSI. “Embora de natureza civil, o GSI tem sido tradicionalmente dominado pelas Forças Armadas, composta por cerca de 70% de pessoal militar, e seus últimos três diretores eram ex-oficiais do exército”, diz um dos trechos.

De acordo com a pesquisa, o impacto das Forças Armadas na estratégia de segurança cibernética do Brasil tem ofuscado a função da Agência Brasileira de Inteligência, a Abin, como coordenadora principal e força unificadora nos esforços de segurança cibernética tanto no setor público quanto no privado.

“É necessário resolver as tensões institucionais entre os militares e os civis, o que pode impedir os esforços do Brasil para promover uma abordagem unificada em direção à resiliência cibernética”, diz o estudo.

A falta de coordenação entre as diferentes estruturas que compõem a política brasileira de cibersegurança é um dos pontos de atenção notados pelo IISS. O estudo questiona a sobreposição de atribuições entre órgãos e as tensões entre civis e militares, materializada nas disputas entre a Divisão de Segurança da Informação e Cibernética, do GSI, o Comando de Defesa Cibernética, vinculado ao Exército Brasileiro, e o Centro de Pesquisa e Segurança Cibernética, da Abin, o único sob controle civil.

Bras’lia 02/03/2023 - Fachada do prŽdio da Agncia Brasileira de Inteligncia (Abin).
O presidente Luiz In‡cio Lula da Silva transferiu a Agncia Brasileira de Inteligncia (Abin) do Gabinete de Segurana Institucional (GSI) para a Casa Civil, pasta chefiada pelo ministro Rui Costa. O decreto com a mudana foi publicado no Di‡rio Oficial da Uni‹o desta quinta-feira (2).
Foto: Antonio Cruz/Agncia Brasil
Fachada do prédio da Agência Nacional de Inteligência, no centro do escândalo de espionagem revelado pela Polícia Federal. Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

Opacidade de militares dificulta cibersegurança

Em entrevista ao Intercept Brasil, Pedro Amaral, pesquisador do Instituto de Pesquisa e Tecnologia do Recife, comentou os planos do GSI com a ANCiber. “A criação de uma agência nacional de cibersegurança é uma iniciativa potencialmente positiva, dado os problemas existentes, inclusive de falta de coordenação e integração. Poderia trazer grandes avanços, também por trazer um modelo com participação multissetorial. Agências similares são comuns ao redor do mundo” opinou.

Amaral enfatizou que a segurança cibernética transcende o âmbito militar, requerendo a participação de outros setores. “Temos um cenário de opacidade dos órgãos militares que poderia dificultar políticas de cibersegurança. Além disso, vimos, como no caso da gestão do [general Eduardo] Pazuello, um militar no Ministério da Saúde durante a pandemia, a quebra dessa aparente eficiência superior dos militares”.

Sobre a possível remilitarização de atribuições da Abin, Amaral diz que é preciso fortalecer as agências e iniciativas existentes. “Cibersegurança e segurança da informação são temas importantíssimos para a inteligência e garantir a segurança nacional, sem esquecer da coordenação, integração e cooperação entre os atores relevantes.”

Amaral ressaltou a importância de um equilíbrio de poder na governança da cibersegurança e o papel do governo Lula de mediar as disputas entre Abin, GSI e Forças Armadas. “É importante que o governo navegue esse cenário sem ceder poder demais a um ou outro grupo, mas mantendo cada um de acordo com responsabilidades cabíveis em prol de uma governança equilibrada, eficiente e democrática do setor de cibersegurança,” concluiu o pesquisador.

segunda-feira, 19 de junho de 2023

Em desafio ao comandante do Exército, clubes de militares de pijama defendem que coronel golpista peça asilo político aos EUA

 

Nota assinada pelos presidentes dos clubes Militar (Exército), Naval e da Aeronáutica também defende Mauro Cid, dono do celular em que foram encontradas as mensagens golpistas

Os clubes militares apoiaram abertamente a campanha de Bolsonaro à reeleição e se tornaram uma espécie de núcleo do bolsonarismo no meio militar.

Jean Lawand Junior

Jean Lawand Junior (Foto: Exército Brasileiro)

247 - Os altos oficiais das Forças Armadas que lideram o Clube Militar (Exército), o Clube Naval e o Clube da Aeronáutica decidiram expressar seu apoio ao coronel Jean Lawand Júnior e ao tenente-coronel Mauro Cesar Cid, investigados pela Polícia Federal pela suspeita de conspiração para realizar um golpe de estado e impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Eles divulgaram uma declaração conjunta criticando a decisão do Exército de cancelar a designação de Lawand Júnior para o cargo de adido militar em Washington e defendendo que o militar peça asilo político aos Estados Unidos, em uma desobediência aberta a uma ordem superior. 

"Sugerimos que o coronel fique nos EUA e peça asilo político imediatamente, pois o seu retorno ao Brasil colocará em risco a sua vida pelo regime vigente", diz um trecho da nota, segundo o jornal O Estado de S. Paulo. A nota da comissão interclubes é assinada pelo almirante de esquadra Luiz Fernando Palmer Fonseca, pelo general Sérgio Tavares Carneiro e pelo major-brigadeiro Marco Antonio Pereira. A ordem que suspendeu a nomeação de Lawand para ocupar um cargo na representação brasileira em Washington foi assinada pelo comandante do Exército, general Tomás Paiva. 

>>> Plano golpista encontrado no celular de Mauro Cid envolveu cúpula das Forças Armadas

Na declaração conjunta, os presidentes do clubes militares também expressam apoio ao tenente-coronel Mauro Cid, que foi chefe da ajudância de ordens de Jair Bolsonaro (PL) e está preso em Brasília desde 8 de maio, por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Os clubes militares apoiaram abertamente a campanha de Bolsonaro à reeleição e se tornaram uma espécie de núcleo do bolsonarismo no meio militar.

Áudios e mensagens trocadas entre Cid e Lawand encontrados pela Polícia Federal revelam que o coronel o incitou a convencer o então presidente Jair Bolsonaro (PL) a liderar um golpe contra o resultado das eleições de 2022. "Manifestamos nosso apoio ao Cel. Jean Lawand Júnior e ao Ten Cel. Mauro Cid, o que, de acordo com as mensagens divulgadas pela revista Veja (órgão de propaganda e desinformação do regime Lula), prova que naquele momento ainda existiam homens em Berlim e não 'golpistas', como afirma o órgão de propaganda do regime", diz um outro trecho da nota em referência à revista Veja, que divulgou parte dos diálogos encontrados pela PF durante uma perícia no celular de Mauro Cid.  

Ainda conforme a reportagem, o documento destaca que as mensagens nas quais Lawand defende um golpe de estado “não são “provas” de crimes, "mas provas robustas de que ainda existem soldados valorosos que juraram defender a pátria contra inimigos INTERNOS e externos e que merecem todo o nosso respeito". Os oficiais também acusam o ministro Alexandre de  Moraes de ilegalidades e dizem que Cid se encontra “em cárcere privado”.

No texto, os militares também criticam o governo Lula, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e elogiam o guru ideológico do bolsonarismo, o astrólogo Olavo de Carvalho, além de afirmarem que fizeram um juramento para "defender a pátria mesmo com o emprego de nossas vidas e não nos omitiremos. É hora de ação", Eles, porém, não informaram quais seriam essas ações (mas que é outra ameaça golpista).

O Código Penal Militar, em seu artigo 155, qualifica como crime "incitar à desobediência, à indisciplina ou à prática de crime militar". O delito, que pode ser praticado tanto por militares da ativa quanto da reserva, prevê pena de 2 a 4 anos de prisão.


domingo, 14 de maio de 2023

domingo, 23 de abril de 2023

Cobiça do ministro Múcio e dos militares que querem a todo o custo o poder e meios de se impor reforça necessidade de extinção do GSI. Artigo de Jeferson Miola

 

"A manutenção do GSI representa um risco permanente à democracia, como bem evidenciaram os atos de 8 de janeiro", escreve o colunista Jeferson Miola

www.brasil247.com - Gabinete de Segurança Institucional e o ministro da Defesa, José Múcio

Gabinete de Segurança Institucional e o ministro da Defesa, José Múcio (Foto: Reprodução / Marcelo Camargo - Agência Brasil)

A cobiça do ministro da Defesa José Múcio Monteiro e das cúpulas fardadas na manutenção do GSI como território de domínio dos militares reforça necessidade de extinção do GSI.

Para preservar o GSI e, ainda por cima, mantendo-o controlado pelos militares, o ministro Múcio “até admite” a mudança de nome do órgão, desde que continue controlado por generais conspiradores e colonizado por militares da estirpe daqueles que trataram os criminosos que vandalizaram o Planalto com escandalosa amabilidade e camaradagem.

“Tem que ter um sistema misto [?], como sempre foi. Acabar não. Pode até mudar o nome, outra sigla, mas acabar com o GSI, não. Aquilo [sic] é instrumento de trabalho do presidente da República”, declarou Múcio.

O GSI é o sucessor contemporâneo do ancestral SNI, o Serviço Nacional de Informações da ditadura militar. Em 2015, a presidente Dilma extinguiu o órgão.

Não por acaso, imediatamente após o golpe oligárquico-militar que derrubou Dilma, uma das primeiras providências dos militares quando da instalação do usurpador Temer no Planalto foi a recriação do GSI com a designação do general conspirador Sérgio Etchegoyen para o cargo de ministro, por meio da Medida Provisória nº 726, de 12 de maio de 2016.

Ainda que não se soubesse com a certeza que se tem hoje, já naquela época estava claramente delineado o projeto secreto dos militares para tomar o poder com Bolsonaro, tanto que a candidatura do capitão havia sido lançada na AMAN 18 meses antes, em 29 de novembro de 2014, quando a Academia era comandada pelo general Tomás Ribeiro Paiva, ninguém menos que o atual comandante do Exército.

O GSI foi fundamental no exercício permanente da tutela da democracia pelos militares. E foi, também, uma peça central para o governo militar a partir da eleição de Bolsonaro.

É desta relevância estratégica do GSI para o projeto de poder dos militares que advém tamanha cobiça das cúpulas partidarizadas das Forças Armadas em continuarem controlando este órgão instalado no coração do poder civil.

O GSI já tinha sido esvaziado na transição de governo, quando o presidente Lula prudentemente optou pela segurança da PF em lugar da tradicional segurança por militares – inconfiáveis, dado que totalmente bolsonarizados e movidos por um irascível ódio antipetista.

Após os atentados criminosos de 8 de janeiro, o governo transferiu a ABIN para a Casa Civil, o que significou o esvaziamento completo do GSI.

Hoje o órgão está convertido numa repartição militar inútil dentro do Palácio do Planalto. Não tem nenhuma atribuição essencial, salvo a de albergar militares conspiradores, vinculados à extrema-direita, que representam uma ameaça permanente ao governo e à democracia.

No caso dos militares, vale ser observado o mesmo princípio que Leonel Brizola adotava em relação à Rede Globo: “Quando vocês tiverem dúvidas quanto à posição a ser tomada diante de qualquer situação, atentem … Se a Globo [Múcio/militares] for a favor, somos contra. Se for contra, somos a favor!”.

A extinção do GSI é um passo importante que precisa ser dado para se avançar na desfascistização e na desmilitarização do Estado e da sociedade brasileira. A permanência do GSI interessa exclusivamente aos militares, não ao poder civil e à restauração do Estado de Direito.

A manutenção do GSI representa um risco permanente à democracia, como bem evidenciaram os atos de 8 de janeiro, quando militares vinculados ao general Heleno e às cúpulas das Forças Armadas participaram dos ataques à democracia e da devastação do Palácio do Planalto.