sexta-feira, 31 de julho de 2026

Não dá mais para esconder: há uma guerra híbrida da extrema direita em andamento contra o Brasil, por Luís Nassif

 

Os choques mais relevantes virão através das redes sociais — e, nesse terreno, a estratégia da direita tem sido certeira.

Do Jornal GGN:

    Javier Milei discursa em convenção do Partido Liberal, no Brasil | Crédito: Reprodução

Um dos aspectos mais ostensivos da guerra híbrida é a tentativa de desestabilizar as autoridades brasileiras por meio de gestos e atitudes calculadas.

A simples ameaça de aplicação da Lei Magnitsky contra uma autoridade brasileira já produz efeitos instantâneos sobre o sistema bancário, sobre a diplomacia e sobre o comportamento das próprias autoridades — o simples fato de cogitá-la já quebra um paradigma.

O mesmo vale para o carnaval fora de época de Javier Milei — com direito a fralda geriátrica em cena pública — que não foi apenas uma extravagância pessoal, mas parece se encaixar numa ação combinada com Donald Trump para conturbar o ambiente político brasileiro, assim como a manifestação do premiê israelense Benjamin Netanyahu.

Essas são apenas pedras jogadas no lago. Os choques mais relevantes virão através das redes sociais — e, nesse terreno, a estratégia da direita tem sido certeira. Numa ponta, Kassio Nunes Marques e André Mendonça à frente do TSE, justamente no ano eleitoral. Na outra, o mesmo Andr Mendonça conduzindo, como relator no STF, a Operação Master.

Os riscos maiores ainda não são plenamente perceptíveis. Há uma vinculação estreita entre as grandes empresas de inteligência artificial e o Pentágono. As versões mais recentes de alguns modelos foram recolhidas ou restringidas justamente por sua capacidade de romper barreiras de segurança de sistemas — um indicativo do quanto essa tecnologia já opera no limiar do uso militar e de inteligência.

A essas frentes, somam-se outras que merecem ser monitoradas:

  • Pressão sobre o sistema financeiro e de pagamentos — sanções, restrições de correspondência bancária e ameaças a instituições que operem com autoridades ou empresas brasileiras específicas, um instrumento que já vinha sendo usado em outros países antes de chegar ao Brasil.
  • Tarifas e barreiras comerciais usadas como instrumento de pressão política, não apenas econômica.
  • Campanhas de desinformação em massa nas redes sociais, amplificadas por perfis automatizados e por figuras políticas alinhadas, com potencial de interferência direta no processo eleitoral de outubro.
  • Dependência tecnológica e de infraestrutura digital (nuvem, IA, cabos submarinos) como vetor de vulnerabilidade estratégica.
  • Uso seletivo de vistos e sanções individuais contra ministros, magistrados e autoridades, como forma de constranger decisões internas.

Diante desse quadro, há a necessidade urgente de atrair técnicos qualificados e revigorar a ABIN, para construir barreiras adicionais em relação a essas novas ameaças — que não são mais hipotéticas, mas já operam no dia a dia da política brasileira.

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