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quinta-feira, 13 de novembro de 2025

Operação Carbono Oculto: A expansão do esquema financeiro do PCC, envolvendo políticos de direita e empresários da Faria Lima, de São Paulo para o Piauí

 O aprofundamento da apuração revelou uma conexão direta entre empresários locais e o grupo de operadores financeiros de São Paulo que já estavam na mira da Operação Carbono Oculto, deflagrada em agosto pela Polícia Federal e o Ministério Público de São Paulo contra um esquema bilionário de lavagem de dinheiro ligado ao PCC.

Do ICL:

Carbono Oculto: A expansão do esquema financeiro do PCC de São Paulo para o Piauí

Pima Energia foi aberta em um endereço em São Paulo, apenas seis dias antes de comprar a rede de postos HD


Por  Flávio VM Costa e Alice Maciel

Material apreendido pela Polícia Civil do Piauí durante a Operação Carbono Oculto 86 levanta  suspeita de que a distribuidora paulista Aster Petróleo, acusada de integrar o esquema de lavagem de dinheiro do PCC, controlava a rede de postos de combustíveis piauiense HD. Durante as buscas realizadas em endereços da companhia em Teresina (PI), na semana passada, os agentes também encontraram um papel com a descrição de uma fórmula de adulteração de gasolina semelhante à utilizada em São Paulo. O ICL Notícias teve acesso ao teor do documento.

Os autos do inquérito policial obtidos pela reportagem revelam ainda que além da Aster Petróleo, outras cinco empresas ligadas à dupla acusada de comandar o braço financeiro do PCC – Roberto Augusto Leme da Silva, o “Beto Louco”, e Mohamad Hussein Mourad, o “Primo” – passaram a atuar no Piauí desde 2023. Ambos estão foragidos da Justiça. Entramos em contato com a defesa dos dois, mas não obtivemos retorno.

A investigação teve início após a venda suspeita da rede de postos HD, que chamou atenção da Polícia Civil piauiense devido a “inconsistências patrimoniais, alterações societárias simultâneas e a criação de empresas com endereço na Avenida Paulista (SP), sem lastro econômico compatível com o volume de negócios”.

Agentes também encontraram um papel com a descrição de uma fórmula de adulteração de gasolina semelhante à utilizada em São Paulo

O aprofundamento da apuração revelou uma conexão direta entre empresários locais e o grupo de operadores financeiros de São Paulo que já estavam na mira da Operação Carbono Oculto, deflagrada em agosto pela Polícia Federal e o Ministério Público de São Paulo contra um esquema bilionário de lavagem de dinheiro ligado ao PCC.

A Polícia Civil do Piauí identificou modus operandi parecido ao descrito na operação paulista: aquisição de postos por empresas de fachada, substituição de bandeira comercial sem alterações operacionais reais, criação de fundos e holdings para mascarar os beneficiários finais, movimentação financeira atípica via fintechs e contas interligadas, adulteração de combustíveis e emissão de notas fiscais sobrepostas.

Por ser um desdobramento da operação Carbono Oculto, a investigação piauiense foi batizada com mesmo nome, mas com acréscimo do número 86, referente ao DDD do estado. A Justiça autorizou o compartilhamento de provas entre as duas operações.

“O presente procedimento investigativo com o esquema de atuação do Primeiro Comando da Capital no mercado de combustíveis, exposto pela Operação Carbono Oculto, conclui-se pela existência de fundados indícios de que a rede de postos em questão vem sendo instrumentalizada para a execução regional da mesma dinâmica criminosa”, lê-se na decisão judicial que autorizou os mandados de busca e apreensão no Piauí, Maranhão e Tocantins.

Conforme revelou o ICL Notícias, a Operação Carbono Oculto 86 atingiu o ex-assessor, aliado político e compadre do senador Ciro Nogueira (PP/PI), Victor Linhares, que recebeu R$ 230 mil de um dos donos da rede de Postos HD. Mostramos ainda que a incorporadora do senador, a Ciro Nogueira Agropecuária e Imóveis, recebeu R$ 63,9 mil de uma empresa investigada e que a firma do irmão de Ciro Nogueira dividiu endereço com um dos postos suspeitos de integrar o esquema de lavagem de dinheiro.

Victor Linhares é homem de confiança do senador Ciro Nogueira

O ICL Notícias também publicou, em setembro, uma entrevista exclusiva com o ex-piloto da companhia Táxi Aéreo Piracicaba, Mauro Matosinhos, em que ele afirmou ter transportado em voo uma sacola de papelão que aparentava conter dinheiro vivo, na mesma data em que Beto Louco mencionou a outros passageiros que teria um encontro com o senador Ciro Nogueira.

O senador foi procurado, mas não respondeu aos questionamentos da reportagem sobre as possíveis conexões entre ele, seu ex-assessor e empresas investigadas na Operação Carbono Oculto 86. Linhares não retornou às tentativas de contato do ICL Notícias e não conseguimos contato com Raimundo Nogueira, irmão de Ciro Nogueira.

Mohamad Hussein Mourad, o “Primo”, e Roberto Leme, o Beto Louco

Ordens de SP e notas fiscais suspeitas

Uma conversa de Whatsapp retirada de um celular apreendido pela Polícia Civil do Piauí mostra um funcionário da Aster Petróleo dando ordens para Moisés Eduardo Soares Pereira, da rede de postos piauiense HD.

“Gu, tem um inspetor de qualidade da CIA Ipiranga no HD 10, querendo fazer análise do produto. Nossas compras foram em outras Cias. Autoriza fazer análise?” perguntou Pereira a um contato da Aster Petróleo.  “Não deixa”, respondeu o interlocutor. “Diz que não está autorizado”, acrescentou.

A Aster comercializa combustíveis fabricados pela Copape Produtos de Petróleo. O grupo Copape/Aster, ligado a Beto Louco e Primo, foi alvo da Operação Carbono Oculto, deflagrada em São Paulo. A Polícia Civil do Piauí identificou que a rede de postos HD emitiu notas fiscais para a Copape, evidenciando movimentações comerciais entre as empresas.

Além disso, foram emitidas 504 notas fiscais pela Duvale Distribuidora, também vinculada ao grupo de Beto Louco e Primo, conforme revelado pela investigação da Carbono Oculto. De acordo com relatório da Polícia Civil do Piauí, a maior parte dessas operações refere-se à comercialização de combustíveis, concentrando-se no período de dezembro de 2023 a maio de 2024.

“Verificou-se que parte das notas fiscais emitidas pela Duvale não apresenta rastreabilidade logística, em razão da ausência de documentos fiscais de transporte ou da inexistência de registro de passagem das mercadorias no Piauí”, informa o documento.

Investigadores ouvidos pela reportagem afirmam que as notas fiscais foram emitidas com fraudes para ludibriar a fiscalização. Insumos de combustível seriam registrados tendo como destino o Piauí, que tem uma alíquota de imposto menor, mas seriam enviados para São Paulo.

 

Carbono
Haran Santiago foi alvo da polícia quando estava no aeroporto de Guarulhos

Fundo de investimentos também conecta SP ao Piauí

A transferência de propriedade da rede piauiense de postos de combustíveis HD, que pertenciam aos empresários Haran Sampaio e Danilo Souza, para um fundo de investimento suspeito, é outra prova da ligação da expansão do esquema de São Paulo para o Piauí. Em dezembro de 2023, o grupo foi vendido para a Pima Energia Participações Ltda.

O que chama atenção, segundo relatório da Polícia Civil do Piauí, é que a Pima Energia foi aberta em um endereço em São Paulo, apenas seis dias antes de comprar a rede de postos HD, “levantando a suspeita de que foi criada especificamente para formalizar a referida transação comercial”.

Os investigadores suspeitam que foi uma venda de fachada, uma vez que houve uma “substituição de bandeira (de HD para Pima e Diamante) sem alteração operacional real”.

Em depoimento prestado à Polícia Civil, Sampaio e Souza negaram envolvimento no esquema de adulteração de combustíveis.

O único sócio da Pima Energia à época da venda era o Jersey Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia, que por sua vez é administrado por uma empresa também suspeita de lavar dinheiro e, igualmente, alvo da operação Carbono Oculto: a gestora de fundos Altinvest Gestão e Administração de Recursos de Terceiros.

Hub de soluções financeiras, a Altinvest é liderada pelo empresário Rogério Garcia Peres e administra 10 fundos citados pelos promotores na Carbono Oculto. O MP-SP afirma que Peres é um dos responsáveis pelas “dinâmicas fraudulentas envolvendo fundos e a BK Instituição de Pagamento”. A Altinvest e Peres negam envolvimento com o crime organizado.

Segundo relatório da Polícia Civil do Piauí, após a conclusão da venda dos postos de combustível da rede HD, Moisés Eduardo Soares Pereira passou a figurar como único sócio da Pima Energia Participações Ltda. Ele é um ex-funcionário de Haran Sampaio e Danilo de Souza. Investigadores suspeitam que ele é um laranja de seus patrões.

Após a compra pela Pima Energia, os postos de gasolina da rede “Postos HD” passaram a ser chamados de Red Diamante. De acordo com a investigação da Operação Carbono Oculto 86, há evidências de uso de empresas de fachadas vinculadas às marcas “Postos HD”, “Postos Pima” e “Postos Diamante”, “que tem suspeita de ligação com a organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC)”.

“As evidências apontam para possível sobreposição de registros ou compartilhamento de estrutura física entre diferentes pessoas jurídicas, indicando manobra para ocultar operações financeiras e dificultar a rastreabilidade de recursos, prática típica de lavagem de capitais”, destacam os investigadores.

sexta-feira, 22 de agosto de 2025

As investigações contra Malafaia e Eduardo Bolsonaro. Artigo de Luis Nassif

 As investigações apontaram a participação de Jair Bolsonaro nos mesmos delitos atribuídos a seu filho, Eduardo Bolsonaro.

Do Jornal GGN:

As investigações contra Malafaia e Eduardo Bolsonaro



Resumo do Inquérito 4.995 e Petição 14.305

Com base em um relatório da Polícia Federal (PF), o Ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), intimou a defesa de Jair Messias Bolsonaro a prestar esclarecimentos, em 48 horas, sobre o descumprimento de medidas cautelares, reiteração de condutas ilícitas e o risco de fuga. A decisão, datada de 20 de agosto de 2025, foi tomada no âmbito do Inquérito 4.995, que investiga o Deputado Federal licenciado Eduardo Nantes Bolsonaro por crimes como coação no curso do processo e abolição violenta do Estado Democrático de Direito.

Envolvimento de Jair Bolsonaro e Descumprimento de Cautelares

As investigações apontaram a participação de Jair Bolsonaro nos mesmos delitos atribuídos a seu filho, Eduardo Bolsonaro. O relatório final nº 3305694/2025 da PF indicou que o ex-presidente descumpriu reiteradamente as medidas cautelares impostas judicialmente.

As principais constatações da PF incluem:

  • Novo Aparelho Celular: Após ter um celular apreendido em 18 de julho de 2025, Jair Bolsonaro ativou um novo aparelho em 25 de julho de 2025, que também foi apreendido em 4 de agosto de 2025. A análise do backup revelou intensa atividade de produção e propagação de mensagens em redes sociais, contrariando ordem judicial.
  • Comunicação e Disseminação de Conteúdo: Menos de uma hora após ativar o novo celular, Silas Malafaia enviou mensagens a Bolsonaro pedindo que ele “dispare” vídeos. A PF identificou que Malafaia instigou Bolsonaro a usar sua “lista de transmissão” para compartilhar conteúdo, o que foi atendido pelo ex-presidente. Bolsonaro também utilizou quatro listas de transmissão (“Deputados”, “Senadores”, “Outros” e “Outros 2”) para enviar mensagens simultaneamente. Em 3 de agosto de 2025, ele compartilhou massivamente conteúdo pelo WhatsApp, incluindo vídeos sobre sanções da Lei Magnitsky. Uma das mensagens foi compartilhada ao menos 363 vezes.
  • Interação com Terceiros para Burlar Medidas: Para contornar a proibição de uso de redes sociais, Bolsonaro interagiu com o Deputado Federal Capitão Alden (PL-BA), orientando-o sobre como usar sua imagem em manifestações. O vídeo da interação foi publicado por Alden na rede social X. Mensagens e vídeos também foram enviados para um contato salvo como “Negona do Bolsonaro”, vinculado a Vanessa da Silva Oliveira, que publicou o conteúdo em um perfil no X.
  • Contato com Outros Investigados: A PF identificou que Bolsonaro violou a proibição de contato com Walter Souza Braga Netto, corréu na AP 2.668/DF. Braga Netto enviou um SMS a Bolsonaro em 9 de fevereiro de 2024, informando um novo número pré-pago para emergências. A mensagem foi enviada um dia após a Operação Tempus Veritatis, na qual ambos foram alvo de medidas cautelares que incluíam a proibição de contato.
  • Risco de Fuga: A investigação encontrou no celular de Bolsonaro um arquivo de texto (.docx) contendo um pedido de asilo político ao presidente da Argentina, Javier Milei. O documento, com 33 páginas e intitulado “Carta JAIR MESSIAS BOLSONARO.docx”, foi salvo no aparelho em 10 de fevereiro de 2024, dois dias após a Operação Tempus Veritatis. Os metadados indicam que o arquivo foi criado pelo usuário “FERNANDA BOLSONARO”. No texto, Bolsonaro alega ser perseguido por motivos “essencialmente políticos” e teme por sua vida e por uma prisão “injusta, ilegal, arbitrária e inconstitucional”.

Interação com Advogado nos EUA

A PF também identificou conversas entre Jair Bolsonaro e o advogado norte-americano Martin De Luca, representante da Trump Media & Technology Group (TMTG) e da plataforma Rumble. Em 14 de julho de 2025, De Luca enviou a Bolsonaro a íntegra de uma petição apresentada à Justiça Americana contra o Ministro Alexandre de Moraes no mesmo dia. Uma versão traduzida e impressa do documento foi encontrada na mesa de trabalho de Bolsonaro durante uma busca e apreensão em 18 de julho de 2025. Bolsonaro também pediu orientação a De Luca para elaborar uma nota a ser divulgada em suas redes sociais.

Medidas Cautelares Contra Silas Malafaia

Com base na representação da PF, que apontou o envolvimento de Silas Malafaia na articulação criminosa, o Ministro Alexandre de Moraes determinou medidas cautelares contra o líder religioso. A investigação mostrou que Malafaia atuava em conjunto com os Bolsonaro, definindo estratégias de coação e ameaçando retaliações pessoais contra ministros do STF e seus familiares.

As medidas impostas a Silas Malafaia incluem.

  • Busca Pessoal e Apreensão: De materiais como documentos e aparelhos eletrônicos.
  • Proibição de se Ausentar do País: Com entrega de todos os passaportes em 24 horas.
  • Proibição de Comunicação: Com os demais investigados, por qualquer meio.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) manifestou-se favoravelmente à decretação das medidas, afirmando que Malafaia aparece como “orientador e auxiliar das ações de coação e obstrução promovidas pelos investigados”33.


terça-feira, 26 de novembro de 2024

Em desespero, bolsonarismo ameaça a Polícia Federal

 

Do Blog da Cidadania, citando jornais e revistas:

Situação de Bolsonaro se agrava, ele surta e incita seus fanáticos a cometerem NOVOS crimes de ameaças à PF após a corporação indiciá-lo



quarta-feira, 18 de setembro de 2024

Da GLOBO: PGR denuncia três deputados do PL por corrupção e organização criminosa em esquema de desvio de emendas

 

Denúncias contra Josimar Maranhãozinho (MA), Pastor Gil (MA) e Bosco Costa (SE) foram encaminhadas ao STF. Procuradas, defesas dos políticos disseram que não vão comentar caso.


Do G1:

Por Márcio Falcão, TV Globo — Brasília



Os deputados federais do PL Josimar Maranhãozinho (MA), Pastor Gil (MA) e Bosco Costa (SE) denunciados pela PGR — Foto: Cleia Viana/Câmara dos Deputados e Mário Agra/Câmara dos Deputados


A Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciou ao Supremo Tribunal Federal (STF) três deputados do PL pelos crimes de corrupção passiva e organização criminosa em um suposto esquema de desvio de recursos de emendas parlamentares.

A acusação foi enviada ao Supremo em agosto e atinge os deputados Josimar Maranhãozinho (PL-MA), Pastor Gil (PL-MA) e Bosco Costa (PL-SE). Procuradas pela TV Globo, as defesas dos congressistas disseram que não vão comentar as denúncias.

Além dos deputados, outras seis pessoas foram denunciadas pela PGR no caso.

  • A Procuradoria aponta que o grupo ligado aos parlamentares teria agido para desviar parte dos recursos destinados à Prefeitura de São José de Ribamar, no Maranhão.

Segundo a PGR, o então prefeito da cidade maranhense foi pressionado a devolver parte dos valores, mais de R$ 1 milhãomas a operação não chegou a ser concretizada neste caso.

A investigação foi aberta em 2021 – época em que o chamado "orçamento secreto" estava em vigor. Esse mecanismo pouco transparente de distribuição de recursos públicos via emendas foi declarado inconstitucional pelo STF no final de 2022.

Em março de 2022, os parlamentares foram alvos de uma ação da Polícia Federal que apurava esquema de desvio de emendas parlamentares para os municípios do interior do estado do Maranhão.

  • O caso está em sigilo no Supremo. O relator, ministro Cristiano Zanin, abriu prazo para que as defesas se manifestem sobre a acusação.

Na sequência, o caso deve ser levado a julgamento na Primeira Turma do Supremo. Se o colegiado acolher as denúncias da PGR, os parlamentares virarão réus de uma ação penal.

Em julho, a Procuradoria pediu ao Supremo a abertura de 13 apurações preliminares sobre suspeita de desvios utilizando recursos de emendas. Os casos também tramitam em sigilo na Corte.

sexta-feira, 11 de agosto de 2023

Do Metrópoles, as Joias e presentes: PF realiza busca e apreensão na casa do pai de Mauro Cid. Reportagem de Igor Gadelha

 

Operação na casa do general da reserva Mauro César Lourena Cid, pai de Mauro Cid, foi autorizada por Alexandre de Moraes


 atualizado 

Hugo Barreto/Metrópoles
Fardado, Mauro Cid chega para depor à CPI do 8:1 no Senado


A Polícia Federal realiza, na manhã desta sexta-feira (11/8), uma operação de busca e apreensão na casa do general da reserva Mauro César Lourena Cid. Ele é pai do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro.

Segundo apurou a coluna, policiais federais realizam as buscas na casa do general em Niterói, no Rio de Janeiro, e em endereços de São Paulo e Brasília. A operação foi autorizada pelo ministro do STF Alexandre de Moraes.

A Operação Lucas 12:2 investiga atuação de associação criminosa de peculato e lavagem de dinheiro. De acordo com a corporação, os investigados utilizariam “a estrutura do Estado brasileiro para desviar bens de alto valor patrimonial, entregues por autoridades estrangeiras em missões oficiais a representantes do Estado brasileiro, por meio da venda desses itens no exterior”.


terça-feira, 20 de junho de 2023

Florestan Fernandes Júnior: É hora dos militares golpistas enfrentarem a Justiça

 

Chega de nos submetermos, como nação, aos melindres dos fardados! Que todos respondam pelos crimes que cometeram

Militares do Exército e terroristas bolsonaristas

Militares do Exército e terroristas bolsonaristas (Foto: ABR | REUTERS/Adriano Machado)

Segue o texto de Florestan Fernandes Jr.

Dois documentos revelados pela Polícia Federal desnudam os planos para a execução de um golpe de estado, que teria seu auge em 8 de janeiro, dia dos atos terroristas. 

O primeiro documento, uma proposta de decreto para reverter o resultado da eleição, foi encontrado na casa do ex-ministro da Justiça, Anderson Torres. O segundo estava no celular do ajudante de ordens de Bolsonaro, o tenente-coronel Mauro Cid. A divulgação desse último documento golpista revelou ainda uma série de diálogos em aplicativo de mensagens, onde oficiais da ativa e da reserva debatiam sem pudor o uso das forças armadas para impedir a posse do presidente eleito e, em pulsão golpista, a “solução” de colocar um interventor no seu lugar.  

 Nossa democracia nunca esteve tão ameaçada, desde o início da chamada Nova República, em 1985. Só não caiu, por conta da ação rápida dos três poderes e, principalmente, do presidente Lula e de seu ministro da Justiça, Flávio Dino. 

 Ainda durante a ditadura militar de 64, um dos mais importantes juristas brasileiros, o advogado Sobral Pinto, alertava que os militares, por terem proclamado a República se consideravam os donos do país: “enquanto a presidência da República e os cargos eminentes do país não voltarem para as mãos dos civis e, continuarem nas mãos dos militares, nós estaremos nessa situação terrível de falência e corrupção”.

 O primeiro golpe de Estado da República aconteceu logo na sucessão do marechal Deodoro da Fonseca, proclamador da República e primeiro Presidente do Brasil. Deodoro renunciou ao cargo e foi sucedido de maneira ilegal pelo vice-presidente, marechal Floriano Peixoto. O artigo 42 da constituição então vigente, dizia que em caso de vacância do cargo de presidente, há menos de dois anos do início do mandato, novas eleições deveriam ocorrer. 

 Em 3 de outubro de 1930, os militares liderados por Getúlio Vargas e pelo general Juarez Távora, depuseram o presidente Washington Luís. Uma junta militar assumiu o poder. Em novembro daquele ano, Getúlio Vargas tornou-se chefe do Governo Provisório, com amplos poderes. 

 Com o fim do Estado Novo, o ministro da Guerra, marechal Eurico Gaspar Dutra, é eleito presidente. Foi sucedido em 1951 por Getúlio Vargas, que três anos após, atirou contra o próprio coração para abortar um golpe que contava com o apoio de ministros militares. 

 Eleito em 1955, Juscelino Kubitschek precisou da ajuda do general Teixeira Lott para garantir sua posse, ameaçada pela UDN e pelos chefes militares. 

 Mas em janeiro de 1956, um grupo de oficiais da Aeronáutica se rebela contra o governo de JK e, durante 19 dias, controlam Santarém e várias pequenas cidades do Pará. São derrotados e fogem para Bolívia. O líder do grupo foi preso e, na sequência, anistiado.

 A trégua dos “humores” dos fardados não durou. Na madrugada do dia 01 de abril de 1964, veio o golpe militar, que seria pra "salvar o Brasil da ditadura comunista", e instalou um governo ditatorial, que se dizia provisório – asseguravam que seriam realizadas eleições no ano seguinte. Mas a eleição do ano seguinte não veio e o Brasil foi lançado em 20 anos de censura, tortura, violações e morte de seus opositores. Aqueles que se diziam hábeis, devolveram aos civis um país destruído, devastado pela pobreza, fome, desemprego, exclusão social, corrupção e uma hiperinflação que nos consumia a todos. Foi esse o legado da “expertise” militar. 

 Os oficiais voltam para a caserna e, mais uma vez, não foram julgados pelos crimes cometidos. 

 Essa falta de acerto de contas com o passado ditatorial nos custou (e custa) muito. Estimulou os frequentes refluxos autoritários daqueles que, mesmo após a redemocratização, insistem em avançar sobre os limites que a constituição lhes impôs. Nesse inconformismo com suas funções e papel constitucional, os militares continuam se arvorando “poder moderador”, árbitros para todas as questões nacionais e “garantidores da democracia”. Não são! As forças armadas são subordinadas aos poderes, tendo como comandante e chefe supremo o Presidente da República. Militares não são um poder, são, como bem lembrou o jornalista Daniel Sousa, uma burocracia do Estado, e burocracia do estado, obedece, não tem poder de mando e nem de palpite.

Mais uma vez temos a oportunidade histórica de tratar com os militares, cuja atuação no desastroso “governo cívico-militar” de Bolsonaro foi inegável. A investigação dos atos terroristas de 8 de janeiro e as provas da tentativa de golpe têm revelado a forte atuação de setores das forças armadas no desfecho tão trágico à democracia. 

 Chega de nos submetermos, como nação, aos melindres dos fardados! Que respondam pelos crimes cometidos, que se acomodem em suas funções constitucionais e que se resolva de vez essa crise de identidade, em respeito à democracia e aos princípios republicanos.

quinta-feira, 15 de junho de 2023

Áudios da Operação Spoofing demonstram a perseguição torpe da Lava Jato golpista aos “dissidentes” da Polícia Federal

 

Veja denunciara que setores da PF estariam vendendo dossiês contra a Lava Jato e queriam saber se eu conhecia aquele dossiê.


Jornal GGN. - As próximas revelações da Operação Spoofing vão mostrar um dos maiores abusos cometidos na Lava Jato: a perseguição de “dissidentes” pelo grupo de Policiais Federais que gravitavam em torno de Sérgio Moro.

Houve uma perseguição implacável a delegados legalistas – tratados como “dissidentes”, com um furor comparável aos processos de Moscou, na pior fase do período de Stalin.

Aqui, alguns dos policiais envolvidos na trama. Três deles me processaram, me obrigaram a ir a Curitiba e a pagar multas, dentro da cumplicidade com o judiciário local.

Mas a perseguição contra os “dissidentes” ficou clara quando fui intimado a depor em um inquérito na Polícia Federal em São Paulo. Foi tudo muito civilizado. Telefonaram antes informando que eu não era alvo do inquérito. Dois agentes vieram até o prédio em que eu morava trazendo a intimação. Como o sol estava forte convidei-os a entrar no saguão e tomar uma água. Na conversa com eles, percebi que a turma da Lava Jato decididamente não era bem vista pela corporação.

  • São policiais de computador, queixou-se um deles.

Fui ao depoimento sem sabe do tema. Chegando lá, uma bancada de três delegados de ar grave, tão grave quanto deveria ser o semblantes dos juízes da inquisição, me estenderam um material impresso. Disseram que a revista Veja denunciara que setores da inteligência da PF estavam vendendo dossiês visando atacar a Lava Jato. E queriam saber se eu tinha tomado conhecimento do conteúdo daquele dossiê.

Saí até o corredor para ler o material. Voltei e fui personagem de um diálogo hilário:

  • O senhor já tinha tomado contato com esse dosiê?, indagou um dos inquisidores.
  • Perfeitamente.
  • Como o senhor tomou contato?
  • Eu escrevi e eles copiaram sem me dar o crédito.

De fato, o dossiê se baseava quase integralmente nas minhas reportagens sobre o envolvimento da Rosângela Moro com a família Arns e a organização suspeita da APAE (Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais).

Aí começaram a me testar.

  • Como o senhor soube desses casos?
  • Namoro uma procuradora, pioneira na luta pela educação inclusiva, que me contou sobre o lobby das Apaes bem antes da Lava Jato.
  • E essa informação de que o senador Arns direcionou 450 milhões para as APAES?
  • No site da Secretaria da Educação.
  • E a informação de que o sobrinho dele, Marlus Arns, era advogado de todos os casos das APAES?
  • No portal do Tribunal de Justiça do Paraná.
  • O senhor deu alguma coisa sobre a acusação de que o escritório de Rosângela Moro trabalhou para a Schell?
  • Não dei.
  • Mas leu em algum lugar?
  • Li, mas não tinha elementos maiores de provas.
  • Como o senhor soube disso então?
  • Uso uma ferramente nova que surgiu, própria para investigações.
  • Que ferramenta é essa?
  • Google.

E a inquirição acabou ali.

Agora, é hora da corporação e do novo comando passar a limpo um dos episódios mais vergonhosos da história da Polícia Federal.

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