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segunda-feira, 11 de março de 2019

8M: “A Internacional Feminista incorpora as lutas dos explorados e dos marginalizados mundo afora”, diz Isa Penna


8M: “A Internacional Feminista incorpora as lutas dos explorados e dos marginalizados mundo afora”, diz Isa Penna

Do Justificando:

8M: “A Internacional Feminista incorpora as lutas dos explorados e dos marginalizados mundo afora”, diz Isa Penna


Conheça a Internacional Feminista, a construção de uma articulação internacional feminista formada por Angela Davis, Nancy Fraser, Amelinha Teles, Isa Penna e mais de três mil feministas
No dia 8 de março, as flores, os chocolates e os parabéns distribuídos nas ruas, via de regra, não reverberam o significado do Dia Internacional de Luta das Mulheres, que é mais verossímil do que apenas Dia das Mulheres. O 8M vem para lembrar o lugar imposto às mulheres e a luta diária destas para sobreviver a essa estrutura patriarcal, capitalista, racista e misógina.
Mais do que conceitos, as estatísticas descortinam o motivo. De acordo com uma pesquisa realizada pelo Datafolha, encomendada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), em fevereiro de 2019, nos últimos 12 meses, 12 meses, 1,6 milhão de mulheres foram espancadas ou sofreram tentativa de estrangulamento, 22 milhões (37,1%) de brasileiras passaram por algum tipo de assédio, 42% dos casos de violência contra a mulher ocorreram no ambiente doméstico. Muitas vezes por medo ou por conhecer a negligência do Estado, mais da metade das mulheres (52%) não denunciou o agressor. Mais do que dados, os relatos dão gênero, cor e classe para os corpos que são diariamente violentados num processo de naturalização do lugar do corpo da mulher.
Na busca por uma construção de uma articulação internacional feminista, Angela Davis, Cinzia Arruzza e Nancy Fraser lançaram um chamado: aInternacional Feminista. O manifesto do movimento já foi assinado por mais de 3.400 mulheres de destaque no meio artístico, intelectual e político, como Sueli Carneiro (Geledés Instituto da Mulher Negra, Brasil), Amelinha Teles (União de Mulheres de São Paulo, Brasil), Angela Davis (Founder of Critical Resistance, Estados Unidos), Antonia Pellegrino (escritora e ativista, Brasil), Marta Dillon (Ni Una Menos, Argentina), Sonia Guajajara (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil), Esther Solano (professora da Unifesp, Brasil) e Letícia Sabatella (atriz, Brasil).
Isa Penna, deputada estadual em São Paulo pelo PSOL e parte da Internacional Feminista, explica que a ideia é partir dos países onde o movimento feminista já está mais estruturado para pensar a necessidade de uma articulação transnacional diante do avanço da extrema-direita. “Estamos pensando em reuniões das principais referências do movimento internacional para chegar ao ponto de conseguir fazer eventos grandes em algum lugar do mundo para de fato ter sustentação”, afirma a deputada.
Segundo o manifesto da Internacional Feminista, o feminismo está transformando e ressignificando o significado da solidariedade internacional. “Nos últimos meses o movimento feminista argentino usou o evocativo nome de “Internacional Feminista” para se referir à prática da solidariedade internacional reinventada pela nova onda feminista, e em alguns países, como a Itália, o movimento está discutindo a necessidades de encontros transnacionais para melhor coordenar e compartilhar visões, análises e experiências práticas”, apresenta o documento.
A Internacional Feminista defende que o feminismo que vem da nova geração feminista, a linha de frente contra o fortalecimento das forças de extrema-direita, é moldado “pelo sul não só no sentido geográfico, mas também no sentido político”, que é a “periferia do mundo” e, por isso, é anticapitalista, antirracista e anticolonial. “Há coerência nesse feminismo moldado por esses três eixos porque o processo histórico dá coerência a esse tres eixos. O capitalismo precisou do colonialismo para se estruturar e este, por sua vez, da escravização. Logo, o antirracismo, o anticapitalismo e o anticolonialismo são eixos de luta intrínsecos uns aos outros. O patriarcalismo vem antes, mas foi reforçado e violentou de formas diferentes dos países colonizados”, afirma Penna.
Para ela, a extrema-direita depende de um programa econômico para se consolidar e vem acompanhada “de um casamento nefasto com aquilo que há de mais conservador e machista”. No Brasil, isso pode ser observado nas alianças entre políticos desse espectro ideológico com setores conservadores das igrejas evangélicas. Nas eleições presidenciais de 2018, Jair Bolsonaro teve apoio e votos de lideranças evangélicas conhecidas por suas faces conservadoras, como Edir Macedo e José Wellington Bezerra da Costa.
No entanto, a história mostra quem são os sujeitos políticos a fazer a resistência. “Na minha opinião, a última década vem mostrando que é e vem sendo o feminismo, são as lutas da negritude, são as lutas da comunidade LGBTI capazes de fazer resistência e de agregar as lutas por direitos sociais. As lutas não só de resistência, mas de uma agenda política de direitos concretos”, comenta.
“É preciso construir essa ponte entre as feministas e é a serviço disso que estamos construindo essa internacional feminista, não é uma internacional feminista autossuficiente, é uma internacional feminista cujo programa incorpora as lutas dos explorados e dos marginalizados mundo afora”, diz Penna.
Para assinar o manifesto feminista da Internacional Feminista, clique aqui.

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segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

Davos tem protestos contra Bolsonaro antes mesmo de sua chegada: “não é bem-vindo”



DCM. No final da noite de domingo (20), Jair Bolsonaro embarcou para Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça. O general Mourão assumiu como presidente no Brasil em sua ausência.
Antes mesmo de Bolsonaro chegar ao país, já há manifestações contra sua presença no país europeu.
Um dos cartazes diz: “não é bem-vindo”.
Protesto contra Bolsonaro em Davos. Foto: Reprodução

sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

Às vésperas de Davos, jornal suíço Les Temps compara Bolsonaro a Pinochet e diz que ele despreza as mulheres e admira ditadores

jornal Le Temps, o único francófono na Suíça, publicou um artigo sobre Bolsonaro na última quarta feira, 16, assinado por Charles Wyplosz, comparando-o a Pinochet.


DCM. - Na semana que vem, Bolsonaro fará sua estreia internacional no Fórum Econômico Mundial, em Davos.
Ficará quatro dias na cidade, um recorde — o costume é um pernoite. Trump, Angela Merkel e Emmanuel Macron já anunciaram que não vão.
jornal Le Temps, o único francófono na Suíça, publicou um artigo sobre Bolsonaro na última quarta feira, 16, assinado por Charles Wyplosz, comparando-o a Pinochet.
Alguns trechos:
O novo presidente do Brasil despreza abertamente as mulheres e defende uma atitude particularmente agressiva em relação às populações indígenas da Amazônia. Ele é um admirador dos generais ditatoriais dos anos 70 e de todos os militares que torturaram e executaram aqueles que protestaram.
Admira ainda mais Pinochet, que executou ainda mais pessoas do que seus colegas brasileiros e entregou as chaves das questões econômicas aos Chicago Boys. Esse atalho é importante: como Pinochet era um ditador particularmente cruel, tudo o que ele fazia era nojento. (…)
Como muitos outros populistas em todo o mundo, Bolsonaro foi eleito porque, há muito tempo, os brasileiros estão desesperados. As desigualdades são terríveis. A violência atingiu níveis alarmantes. A corrupção é generalizada. O orçamento é insustentável. Na década de 1990, o presidente Cardoso, um homem de centro-direita, parou a inflação líquida que durante anos ultrapassou mil por cento. Seu sucessor de esquerda, Lula, reduziu a desigualdade por meio de programas inteligentes, especialmente na educação. Ele cedeu o poder a Dilma Rousseff, que praticava o populismo de esquerda, arrastando Lula em sua queda. (…)
O sucesso de Bolsonaro é, acima de tudo, o fracasso da política brasileira desde o retorno da democracia em 1985. Diante do crime, ele pretende responder com a força. (…)
Ele nomeou como ministro da Justiça Sergio Moro, o pequeno juiz que mandou Lula para a prisão e que parece ter feito da luta contra a corrupção e a violência o negócio de sua vida. (…) Na economia, Bolsonaro recorreu a Paulo Guedes. Com um Ph.D. em Chicago, ele é altamente competente. Fervorosamente ligado aos benefícios da economia de mercado, ele obviamente pensa nos “Chicago Boys” de Pinochet.
Mas se o Chile tem agora a economia com melhor desempenho na América do Sul, isso deve muito aos Chicago Boys. Em um país como o Brasil, devastado por lobbies e corrupção, gastos públicos de interesse mais do que duvidoso e um sistema de pensões particularmente negligente, um retorno aos fundamentos não é insano, mesmo que a luta contra a pobreza seja esquecido ou, pior, revertida. (…)
Em questões fundamentais para o Brasil – violência, corrupção, economia pervertida -, a chegada ao poder de Bolsonaro representa uma aposta. Aposta arriscada, já que o personagem é sulfuroso e inexperiente, mas não necessariamente perdida com antecedência. O que é certo é que a outra questão essencial, das desigualdades, será esquecida.
00:00/00:40Diário do Centro do Mundo
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quarta-feira, 22 de agosto de 2018

Mídia internacional denuncia o novo Golpe dos golpistas Contra a ONU e contra Lula


Só o PiG (Partido da imprensa Golpista) brasileiro ignora a decisão da ONU...
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Do Conversa Afiada, de Paulo Henrique Amorim:


Do WhatsApp de um amigo navegante:
A imprensa do mundo inteiro destaca o documento da ONU, menos a imprensa brasileira.
Tem gente aqui no Brasil dizendo que a decisão da ONU é mentira da internet. 
Parece que são os mesmos que dizem que a Terra é plana.


domingo, 18 de fevereiro de 2018

Imprensa Internacional desconfia das reais intenções de Temer-Globo na intervenção do Rio....


NYT

Da CartaCapital:


Política

Crise de segurança

Mídia estrangeira desconfia das reais intenções de Temer ao intervir no Rio

por Redação — publicado 17/02/2018 11h57, última modificação 17/02/2018 12h24
Além da preocupação com ecos autoritários, vários jornais identificam manobra do governo para não votar a impopular reforma da Previdência

Para o NYT, decisão atrasa votação da reforma da Previdência, 'cada vez mais condenada ao fracasso'
Com ampla repercussão internacional, a intervenção militar no Rio de Janeiro é vista com desconfiança por numerosos veículos de comunicação estrangeiros. Além da preocupação com o passado autoritário do País, muitas publicações, a exemplo do jornal norte-americano New York Times, da agência Bloomberg e do diário francês Le Monde, enxergam na medida uma desculpa do governo Temer para não colocar em votação a impopular reforma da Previdência, aparentemente fadada ao fracasso.
New York Times enfatizou que esta é a primeira intervenção federal em um estado desde o retorno da democracia no Brasil, nos anos 1980. Para muitos, acrescenta o jornal dos Estados Unidos, a decisão é vista como uma iniciativa do presidente Michel Temer “para melhorar os seus índices de aprovação, ​​e não como uma medida para combater o crime”.
Na avaliação do NYT, o decreto representa não apenas o endurecimento das ações contra a criminalidade, mas também o atraso da votação de uma “impopular proposta legislativa” de reforma do sistema de aposentadorias, “cada vez mais condenada ao fracasso”.
Wall Street Journal deu destaque à onda de violência no Rio, e registrou que os homicídios no estado cresceram 37% em três anos. "O número de crimes violentos aumentou em meio a uma crise fiscal no governo do estado e a uma grande recessão no setor de petróleo", diz o diário.
Wall Street Journal
O Wall Street Journal enfatizou a escalada da violência no Rio (Reprodução)
Bloomberg afirma que o movimento é uma resposta às demandas crescentes perto das eleições pelo combate ao crime e à violência. "Também pode oferecer uma desculpa para não votar a impopular reforma da previdência, pois as mudanças na Constituição não podem ser feitas enquanto uma intervenção militar está em vigor", afirma a agência.
Um dos mais relevantes diários da França, o Le Monde destacou que, em 2017, o Rio registrou 6.731 mortes violentas, duas a cada três horas. “Todos os dias, os jornais brasileiros relatam os absurdos tiroteios e tragédias de famílias atingidas por balas perdidas ou vítimas de agressão”.
Embora reconheça a gravidade da crise de segurança, a publicação francesa não deixou de registrar que muitos veem a decisão de intervir no Rio como “uma manobra visando apagar a incapacidade do governo de votar a reforma da Previdência, um elemento crucial” para a gestão Temer.
Le Monde demonstrou ainda preocupação com o passado autoritário do Brasil. “Em um país no qual a memória da ditadura militar (1964-1985) permanece nas mentes, essa demonstração de firmeza também faz tremer”, diz a reportagem, antes de observar que Temer chegou a ser comparado, nas redes sociais, com o marechal Castelo Branco, “principal arquiteto do golpe de Estado de 1964”.
Le Monde
Le Monde: Diante do passado autoritário do País, 'essa demonstração de firmeza também faz tremer'
Um dos primeiros veículos da Europa a noticiar a intervenção no Rio, o jornal britânico The Guardian explicou que a decisão é inédita, pois pela primeira vez desde a redemocratização as Forças Armadas assumirão o controle de todas as operações de segurança de um estado, além de comandar as distintas corporações policiais.
“Intervenção militar é um assunto delicado para muitos brasileiros, embora simpatizantes de extrema direita apoiem cada vez mais um retorno a um governo militar”, afirma o diário do Reino Unido. O Guardian relatou ainda o receio de moradores de favelas, que “temem o policiamento a cargo de soldados sem treinamento para isso”.

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Golpe de estado parlamentar-jurídico-midiático no Brasil é sofisticadíssimo, afirma o cineasta franco-helênico Costa Gravas


“Assino, com orgulho. Admiro muito o presidente Lula. Não hesite em contar comigo, por Lula e por um Brasil democrático”, diz o diretor em mensagem enviada ao ex-chanceler e ex-ministro da Defesa Celso Amorim



Do Brasil 247:


Por Paulo Donizetti de Souza, da RBA – O manifesto “Eleição sem Lula é Fraude” está perto de alcançar 140 mil assinaturas. O documento ganhou ontem (4) adesão do cineasta grego radicado na França Costa-Gavras, que afirma ser admirador do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Assino, com orgulho. Admiro muito o presidente Lula. Não hesite em contar comigo, por Lula e por um Brasil democrático”, diz o diretor em mensagem enviada ao ex-chanceler e ex-ministro da Defesa Celso Amorim, um dos organizadores do manifesto.
Prestes a completar 85 anos, em 12 de fevereiro, Costa-Gavras faz cinema há 60. O diretor notabilizou-se ao retratar nas telas processos históricos como golpes, conflitos sociais e intrigas internacionais. São longas-metragens baseados em dramas amorosos e familiares, tendo como pano de fundo conflitos político e atentados contra a democracia movidos por interesses econômicos e geopolíticos – tal como vê hoje a situação do Brasil.
Muitos se tornaram clássicos. Estado de Sítio (1972) narra a presença de agentes de inteligência norte-americanos no Uruguai para formar milícias e treinar métodos de tortura contra ativistas de esquerda no Cone Sul, em alusão à incipiente Operação Condor. Em Missing – Desaparecido, um Grande Mistério(1982), expõe a participação da CIA na deposição do presidente socialista Salvador Allende pela ditadura sangrenta de Augusto Pinochet (1973-1990), no Chile. Em Z (1968), aborda a resistência à instalação de bases militares dos Estados Unidos no país.
Em trabalho mais recente, O Capital (2012), baseado em romance do escritor francês Sthépane Osmont – Costa-Gavras desfila pelos bastidores do sistema financeiro e o papel da financeirização das economias na concentração de riqueza e perpetuação da pobreza. Seguidor atento de cada momento histórico de crises do capitalismo e seus efeitos nas sociedades contemporâneas, o cineasta greco-francês diz estar ciente dos acontecimentos no Brasil. “Já soube da exata situação e do sofisticadíssimo golpe de Estado pelo qual passa o Brasil”, diz em seu recado a Amorim.
Além do diplomata, participaram da divulgação do manifesto “Eleição sem Lula é Fraude” o economista Luiz Carlos Bresser Pereira, o cantor Chico Buarque, os escritores Raduan Nassar e Milton Hatoum, a socióloga Maria Victoria Benevides, o jurista Fábio Konder Comparato, a jornalista Hildegard Angel e o líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Teto (MST) João Pedro Stédile – como iniciativa do Projeto Brasil Nação.
Lançado em 19 de dezembro, o manifesto ganhou a adesão da ex-presidenta da Argentina, Cristina Kirchner, o historiador inglês Peter Burke, o sociólogo português Boaventura de Sousa Santos, a escritora portuguesa e presidenta da Fundação José Saramago, Pilar del Rio, do linguista e filósofo norte-americano Noam Chomsky, do prêmio Nobel (1980) da Paz Adolfo Pérez Esquivel e do ex-ministro das Finanças da Grécia Yánis Varoufákis.
Nesta semana, assinaram o documento o ator Wagner Moura, a atriz Marieta Severo, os diretores de cinema Kleber Mendonça e Sergio Machado, o escritor Mario Prata, o teatrólogo Amir Haddad, a psicanalista e fundadora do Instituto Augusto Boal Cecília Boal aderiram nesta semana ao documento, que denuncia a perseguição ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, defende eleições livres e a democracia no Brasil.
“A trama de impedir a candidatura do Lula vale tudo: condenação no tribunal de Porto Alegre, instituição do semiparlamentarismo e até adiar as eleições. Nenhuma das ações elencadas está fora de cogitação. Compõem o arsenal de maldades de forças políticas que não prezam a democracia”, diz o texto.
Também apoiam o teólogo Leonardo Boff, o economista Luiz Gonzaga Belluzzo, a sambista Beth Carvalho, as atrizes Bete Mendes, Silvia Buarque e Soraya Ravenle, o cartunista Renato Aroeira, os cineastas Silvio Tendler e Walter Lima Júnior, o artista plástico Ernesto Neto. Da cena política brasileira aderiram nomes como Manoela D´Ávila, deputada estadual do PCdoB-RS e pré-candidata do partido à presidência; Guilherme Boulos, coordenador do MTST, da Frente Povo Sem Medo e também presidenciável, pelo Psol; Vagner Freitas, presidente da CUT; João Carlos Gonçalves, o Juruna, secretário-geral da Força Sindical; Edson Carneiro Índio, secretário-geral da Intersindical; Raimundo Bonfim, da Central de Movimentos Populares (CMP) e da Frente Brasil Popular; e Nalu Faria, da Marcha Mundial das Mulheres.
O Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) marcou para o dia 24 de janeiro o julgamento do Lula na Operação Lava Jato no caso do triplex do Guarujá. Os signatários do manifesto denunciam que a tentativa de marcar em tempo recorde a data do julgamento em segunda instância do processo de Lula nada tem de legalidade. “Trata-se de um puro ato de perseguição da liderança política mais popular do país.” Para ler (também com versões em inglês, francês, espanhol e árabe) e assinar o manifesto, acesse aqui o link.
Pelo mundo
O manifesto ganha adesões de intelectuais e líderes mundiais preocupados com o quadro político no país e a perseguição ao ex-presidente Lula, como a australiana Sharan Biurrow, presidenta da Confederação Internacional de Sindicatos de Trabalhadores (Ituc) – que representa 170 milhões de pessoas em 155 países –, o ex-diretor executivo Abdrew Whitle, da The Elders (do inglês Os Anciãos, organização fundada em 2007 por Nelson Mandela), que reúne líderes globais e ex-chefes de Estado e o professor emérito da Universidade Jawaharlal Nehru de Nova Déli, o indiano Deepak Nayyar,
Da Europa, aderiram Heidemarie Wieczorek-Zeul, ex-ministra da Cooperação para o Desenvolvimento da Alemanha; Stefan Rinke, professor do Instituto de Estudos da América Latina da Universidade de Berlim; Inês Oliveira, cineasta (Portugal); Maria Luís Rocha Pinto, professora-associada da Universidade de Aveiro (Portugal); Filipe do Carmo, pesquisador, Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (Portugal); Pedro de Souza, pesquisador e editor (Portugal).
Na França, o manifesto circula nos principais centros de conhecimento, com a adesão de Luc Boltanski, sociólogo, diretor de honorário da Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais (EHESS); Francine Muel-Dreyfus, socióloga, diretora honorária da EHESS; Gisèle Sapiro, socióloga, diretora de estudos da EHESS; Héctor Guillén Romo, professor de economia da Universidade Paris; Jean-Yves Mollier, professor emérito do Centro de História Cultural das Sociedades Contemporâneas da Universidade de Versalhes; Michel Pialoux, sociólogo, professor aposentado e membro do Centro Europeu de Sociologia e Ciência Política (CESSP) na Universidade de Paris; Monique de Saint Martin, socióloga, diretora honorária da EHESS; Paul Pasquali, sociólogo, pesquisador do Centro Nacional da Pesquisa Científicado (CNRS, um espécie de CNPq da França); Rose-Marie Lagrave, socióloga, diretora honorária da EHESS; Pierre Salama, professor emérito da Universidade de Paris; Roger Chartier, diretor de estudos da EHESS e professor do secular tradicional centro universitário Colégio de França.
Na América Latina, estão entre os novos signatários Monika Meirelles, do Instituto de Pesquisas Econômicas da Universidade Nacional do Méxio; Juan Arturo Guillén Romo, professor e pesquisador da Universidade Autônoma Metropolitana (UAM, México); Pablo Edgardo Martínez Sameck, professor titular de sociologia da Universidade de Buenos Aires.
No Uruguai, aderiu ao manifesto um grupo de artistas reconhecidos da cultura uruguaia, formado pelos atores do Teatro El Galpón Jorge Bolani, Julio Calcagno, Myriam Gleijer, Héctor Guido, Solange Tenreiro, Silvia García, Pierino Zorzini, Dante Alfonzo, Elizabeth Vignoli e Anael Bazterrica, os produtores Laura Pouso e Gustavo Zidan, o escritor Atilio Perez da Cunha, os diretores de teatro Jorge Denevi e Dervy Vilas e os músicos Eduardo Larbanois e Mario Carrero.
Dos Estados Unidos, assinam Robert DuPlessis, professor emérito de História da Faculdade de Swarthmore (Filadélfia); Ronald H. Chilcote, professor de economia política da Universidade da Califórnia; Santiago Barassi, sociólogo da Universidade de Buenos Aires; Sean Mitchell, fundador e presidente da Sociedade Wojtyla; Michael D. Kennedy, professor de Sociologia e Relações Internacionais da Universidade Universidade Brown (Rhode Island); e Cyrus Bina, do periódico acadêmico Estudos Críticos de Mercado e Sociedade.
Inscreva-se na TV 247 e assista a entrevista com Celso Amorim sobre o manifesto:

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Da alemã Deutsche Welle: ex-ministra da Justiça da Alemanha questiona a politização da Justiça no Brasil



A advogada, que esteve à frente do Ministério da Justiça alemão entre 1998 e 2002, destacou os impactos da corrupção, que, segundo ela, encarece investimentos e desvia recursos necessários para manutenção da sociedade. Ela afirmou que nenhum país do mundo está livre do problema.
"Na Alemanha, também há casos de corrupção, mas são individuais e costumam ser tratados como escândalos públicos. São rapidamente investigados e punidos. A Justiça age com muito cuidado e independentemente", afirmou Däubler-Gmelin, que foi deputada federal por mais de 30 anos pelo Partido Social-Democrata (SPD) e hoje é professora na Universidade Livre de Berlim.

Da Deutsche Welle:

BRASIL

Ex-ministra alemã questiona politização da Justiça no Brasil

Em evento em Berlim com a presença de Dilma, Herta Däubler-Gmelin, que comandou Ministério alemão da Justiça, reforça necessidade de independência do Judiciário e afirma que nenhum país do mundo está livre da corrupção.
Herta Däubler-Gmelin
Däubler-Gmelin: "Na Alemanha, também há casos de corrupção, mas são individuais e rapidamente investigados e punidos"
Em um debate sobre o Brasil na Universidade Livre de Berlim, que contou com a participação da ex-presidente Dilma Rousseff, a ex-ministra alemã da Justiça Herta Däubler-Gmelin abordou nesta terça-feira (14/11) o papel da Justiça no combate à corrupção no Brasil, questionando uma politização da instituição.
"No Brasil, existem leis para combater a corrupção. Mas a transparência também é necessária para isso, além de uma imprensa independente, pluralista e controlada. Por fim, a Justiça precisa ser independente, precisa se posicionar contra qualquer suspeita de corrupção", afirmou Däubler-Gmelin.
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A advogada, que esteve à frente do Ministério da Justiça alemão entre 1998 e 2002, destacou os impactos da corrupção, que, segundo ela, encarece investimentos e desvia recursos necessários para manutenção da sociedade. Ela afirmou que nenhum país do mundo está livre do problema.
"Na Alemanha, também há casos de corrupção, mas são individuais e costumam ser tratados como escândalos públicos. São rapidamente investigados e punidos. A Justiça age com muito cuidado e independentemente", afirmou Däubler-Gmelin, que foi deputada federal por mais de 30 anos pelo Partido Social-Democrata (SPD) e hoje é professora na Universidade Livre de Berlim.
Däubler-Gmelin afirmou que o sucesso do combate à corrupção exige o desejo claro da sociedade e de governos de que a prática não seja tolerada. Ela elogiou as medidas anticorrupção dos governos petistas.
Dilma Rousseff em Berlim
"Não se combate corrupção sem vontade política", disse Dilma em Berlim
Em sua fala no evento em Berlim, Dilma também destacou as medidas anticorrupção promovidas pelos governos do PT – como a Lei da Transparência, que obriga estados, municípios e União a divulgar seus gastos, e a Lei das Organizações Criminosas, que abrange também crimes de corrupção.
"Não se combate corrupção sem vontade política, instituições e leis", disse a ex-presidente. "Fortalecemos a Polícia Federal e nossa relação com o Ministério Público. Aceitamos que o órgão indicasse por eleição os nomes para Procurador-Geral da República (PGR) e escolhíamos o mais votado. Essa questão é hoje controversa", completou Dilma, aproveitando para alfinetar Michel Temer.
Em meados deste ano, o presidente quebrou a tradição petista ao nomear para assumir o comando da Procuradoria-Geral a segunda colocada em votação interna feita pelo Ministério Público, Raquel Dodge.
Parlamentarismo e autoritarismo
Em meio à instabilidade política no Brasil, alguns questionam se o parlamentarismo não seria a solução para o país. Em Berlim, Dilma defendeu o presidencialismo como sistema político ideal para o Brasil.
"Nós não podemos ser parlamentaristas porque as oligarquias regionais têm um grande poder quanto se trata do voto regionalizado. No Brasil, sempre haverá um governo federal, exceto golpista, mais progressista do que seu parlamento”, afirmou.
Enquanto alguns veem no parlamentarismo a solução, outros vislumbram uma volta do autoritarismo ao apoiarem o pré-candidato à Presidência Jair Bolsonaro. Dilma disse não acreditar que o político represente a volta da força militar. "Não acho que as Forças Armadas dão guarida ao tipo de política de Bolsonaro."
Quanto ao PT nas eleições de 2018, Dilma disse que o partido não pode abrir mão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e que lutará para isso. "O Lula tem que ser o candidato, não vamos buscar alternativa."
Condenação de Lula
No evento em Berlim, Däubler-Gmelin questionou o processo que levou à condenação de Lula. "Há, com certeza, dúvidas sobre a imparcialidade do processo e a independência da Justiça”, afirmou e ex-ministra alemã.
Em julho deste ano, o juiz federal Sergio Moro, responsável pela Operação Lava Jato na primeira instância, condenou o ex-presidente a nove anos e seis meses de prisão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do tríplex no Guarujá.
"O caso [de Lula] mostra como pode ser prejudicial quando a Justiça emprega a politização e não métodos jurídicos do Estado de Direito, e se preocupa mais em derrubar adversários políticos para proteger o seu interesse de poder", afirmou Däubler-Gmelin.
O evento sobre a situação política e judiciária brasileira que reuniu Dilma e ex-ministra alemã foi organizado pela Fundação Friedrich Ebert, ligado ao Partido Social-Democrata (SPD), e pelo Instituto de Estudos Latino-Americanos da Universidade Livre de Berlim.
Além de estudantes, brasileiros de várias cidades da Alemanha foram à capital para assistir à palestra da ex-presidente. As inscrições para o evento se esgotaram três dias após a sua divulgação.
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A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

lava jato seria anulada na Itália por seus absurdos, diz ex-magistrado do tempo da Operação Mãos Limpas


Do Blog do Esmael



Gherardo Colombo, ex-ministro da Corte de Cassação no período da Operação Mãos Limpas, disse que na Itália o processo da lava jato seria nulo.
Em entrevista ao Estadão, o ex-magistrado garante que em seu país um juiz que fez a investigação não podia condenar nem mesmo com o Código de Processo Penal que era de 1930.
O ex-ministro notou que o juiz que fez a investigação no processo contra o ex-presidente Lula (Sérgio Moro) era o mesmo que fez a sentença e isso me deixou um pouco surpreso porque aqui na Itália isso não poderia acontecer.
“Ora, não existe na Itália um sistema para a corrupção similar ao vosso da delação premiada. Não existe. A delação premiada é um termo que não se pode usar. Nós falamos de colabores de Justiça no campo da Máfia e do terrorismo. A Máfia e o terrorismo são tratados geralmente de um modo muito particular. Não se pode pôr na cadeia uma pessoa para fazê-la falar”, explicou.
Resumo da ópera: aos olhos do mundo a lava jato é uma operação ilegal porque fere os direitos fundamentais do homem, ao processo justo e julgamento por um juízo imparcial; aos olhos do Brasil, a força-tarefa é partidarizada e tem o objetivo político de tirar Lula das eleições de 2018.