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quinta-feira, 17 de julho de 2025

UOL: Trump merece impeachment por tarifas contra o Brasil, diz Nobel de Economia Paul Krugman. Comentário de Mariana Sanches

  

Do UOL:

O economista americano Paul Krugman, vencedor do prêmio Nobel de Economia em 2008, afirma que as tarifas de 50% sobre o Brasil anunciadas pelo presidente americano Donald Trump marcam "um novo rumo" na guerra tarifária do republicano. A colunista Mariana Sanches detalha.



quinta-feira, 10 de julho de 2025

Tarifa de Trump ao Brasil é ‘megalomaníaca e maligna’, diz o Nobel de Economia Paul Krugman

 

O economista americano Paul Krugman, vencedor do Nobel de Economia, criticou as tarifas de 50% impostas por Donald Trump sobre as exportações brasileiras. Paul classifica a ação do presidente republicano como “maligna e megalomaníaca”, em texto publicado na noite desta quarta-feira (9).

Do ICL Notícias:




O economista americano Paul Krugman, vencedor do Nobel de Economia, criticou as tarifas de 50% impostas por Donald Trump sobre as exportações brasileiras. Paul classifica a ação do presidente republicano como “maligna e megalomaníaca”, em texto publicado na noite desta quarta-feira (9).

“Por que digo que é megalomaníaco? O Brasil tem mais de 200 milhões de habitantes. Veja para onde vão suas exportações: as exportações para os EUA representam menos de 2% do PIB brasileiro. Trump realmente imagina que pode usar tarifas para intimidar uma nação enorme — que nem sequer depende muito do mercado americano — a abandonar a democracia?”, escreveu o economista.

Krugman também defende que a ação seria “motivo suficiente” para o impeachment de Trump. “Estamos vendo mais um passo terrível na espiral de decadência do nosso país”. Segundo o economista, Trump usa o tarifaço no Brasil para “fins políticos”. “Repare que Trump mal finge ter uma justificativa econômica para essa ação. Tudo isso tem a ver com punir o Brasil por colocar Jair Bolsonaro em julgamento”.

“Não seria a primeira vez que os Estados Unidos usam a política tarifária para fins políticos”. “Agora, Trump está tentando usar tarifas para ajudar outro aspirante a ditador”, diz.

Tarifa de Trump

Nesta quarta (9), Trump enviou uma carta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para notificar a imposição de uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros. Ao justificar a elevação da tarifa sobre o Brasil, Trump cita Jair Bolsonaro e disse ser “uma vergonha internacional” o julgamento do ex-presidente no Supremo Tribunal Federal (STF).

trump, Ameaça

Trump enviou uma carta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Em resposta, o presidente Lula afirmou que o Brasil não aceitará ser tutelado por ninguém e que a elevação unilateral de tarifas sobre exportações brasileiras anunciada por Donald Trump será respondida com base na Lei da Reciprocidade Econômica.


quinta-feira, 15 de agosto de 2019

Guerra comercial: por que Trump vai perder, por Paul Krugman (Prêmio Nobel de Economia)



Nobel de Economia analisa: EUA já usaram todas as suas armas; a China, quase nenhuma. Pequim não quer o conflito – mas pode, se provocada, humilhar o adversário. Parvo, presidente perde-se em retórica oca e contradições.
Por Paul Krugman
Tradução de Antonio Martins
Para entender a guerra comercial em curso entre os Estados Unidos e a China, a primeira coisa a compreender é que nenhuma das ações de Donald Trump faz sentido. Suas visões sobre comércio são incoerentes. Suas demandas são incompreensíveis. E ele superestima em muito sua capacidade de ferir a China, enquanto subestima os danos que Pequim pode causar, ao reagir.
O segundo ponto a entender é que a resposta da China foi, até agora, muito modesta e comedida, ao menos considerando o cenário. Os EUA impuseram ou anunciaram tarifas sobre virtualmente tudo o que a China vende a eles, com tarifas médias não vistas há uma geração. Os chineses, em contraste, ainda têm um vasto espectro de ferramentas a seu dispor, para neutralizar as ações de Trump e ferir sua base eleitoral.
Por que os chineses não o fizeram? Tenho a impressão de que ainda estão tentando ensinar algo de Economia a Trump. O que estão dizendo, por meio de ações, é: “Você pensa que pode nos coagir, mas está enganado. Nós, por outro lado, podemos arruinar seus agricultores e quebrar seu mercado de ações. Que tal reconsiderar seus atos?”
Não há, contudo, indicação alguma de que esta mensagem seja compreendida. Ao contrário: sempre que chineses param, e dão a Trump chance de pensar de novo, ele interpreta o gesto como agressão e pressiona ainda mais. Este comportamento sugere que, mais cedo ou mais tarde, os tiros de advertência vão degenerar numa guerra comercial e cambial aberta.
A incoerência das visões de Trump é exposta a cada dia, mas um de seus tweets recentes foi a ilustração perfeita. Lembre-se, Trump não para de se queixar da força do dólar – a qual, ele assegura, coloca os EUA em desvantagem competitiva. Há cerca de dez dias, ele levou o Departamento do Tesouro a declarar a China “manipuladora cambial” – algo que era verdadeiro há sete ou oito anos, mas deixou de sê-lo. No entanto, apenas um dia depois ele escreveu, de modo triunfante, que “volumes maciços de dinheiro, da China e de outras partes do mundo, estão pingando nos Estados Unidos” – o que considerou “bonito de ver”.
O que ocorre quando “volumes maciços de dinheiro” pingam nos EUA? O dólar se fortalece, exatamente o que Trump condena. E se montanhas de dinheiro estivessem escorrendo da China, o yuan estaria despencando, e não sofrendo o declínio trivial (2%) que o Departamento do Tesouro condenou.
Bem, imagino que Aritmética seja apenas uma ilusão promovida pelo Estado Profundo.
Mas a China poderá curvar-se a Trump, apesar da falta de sentido de suas reivindicações? A resposta curta é: “Que reivindicações”? Trump parece obcecado por superávit comercial da China em relação aos EUA, um fato que tem múltiplas causas e não está, de fato, sob controle do governo chinês.
Outros membros de seu governo parecem preocupados pelo avanço da China em setores de alta tecnolocgia, algo que pode de fato ameaçar a supremacia norte-americana. Mas a China é uma superpotência econômica e, ao mesmo tempo, relativamente pobre, em comparação com os EUA. É grosseiramente irrealista imaginal que um país nestas condições possa ser coagido a refrear suas ambições tecnológicas.
O que suscita a questão de quanto poder Washington realmente tem nesta disputa.
Os EUA são, é claro, um grande mercado para produtos chineses, e a China compra relativamente poucos produtos norte-americanos, em contrapartida. Por isso, o efeito adverso direto de uma guerra tarifária é maior para os chineses. Mas é importante ter noção da escala. A China, ao contrário do Mexico, não vende 80% de seus exportações para os EUA. A economia chinesa é menos dependente do comércio que nações menores. Menos de um quinto de suas exportações dirige-se aos Estados Unidos.
Por isso, embora as tarifas de Trump possam certamente ferir os chineses, Pequim está muito bem guarnecida para conter os efeitos. A China pode elevar o consumo interno com estímulos fiscais e monetários; e pode turbinar suas exportações, tanto para os EUA quanto para o resto do mundo, deixando o yuan cair.
Ao mesmo tempo, a China pode infligir sofrimento. Pode comprar soja em outros países, atingindo os agricultores norte-americanos. E como vimos semana passada, mesmo um enfraquecimento simbólico do yuan pode fazer as ações de empresas norte-americanas desabarem.
E a capacidade dos EUA de conter estes movimentos está limitada por uma combinação de fatores técnicos e políticos. O banco central (FED) pode cortar as taxas de juros – mas não muito, pois já estão muito baixas. Washington poderia promover um estímulo fiscal, mas Trump – que impôs um corte de impostos plutocrático em 2017 – teria de fazer concessões reais aos democratas, algo a que ele provavelmente se recusa.
Que tal uma resposta internacional coordenada? É improvável, tanto porque não está claro o que Trump quer da China quanto porque sua beligerância geral (para não falar de seu racismo) deixou os EUA quase sem aliados nas disputas globais.
Significa que Trump está em posição muito mais frágil do que imagina. Meu palpite é que a mini-desvalorização do yuan foi uma tentativa de educá-lo para esta realidade. Mas duvido muito de que ele tenha apredido algo. Seu governo tem insistido em afastar todos os integrantes que entendem algo de Economia, e relatos indicam que o presidente já não ouve sequer o bando de ignorantes que manteve.
Por tudo isso, a disputa comercial provavelmente vai tornar-se muito pior para os EUA, antes de arrefecer.
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quinta-feira, 16 de agosto de 2018

O Prêmio Nobel de economia Paul Krugman explica porque o socialismo, frente à aberração direitista Trump, está crescendo nos Estados Unidos



PÔSTER DOS SOCIALISTAS DEMOCRÁTICOS DA AMÉRICA: SOCIALISMO OU BARBÁRIE (DSA)

Para Nobel de economia, republicanos promovem o socialismo ao rotular políticas de bem estar social como "socialistas"


Publicação em Inlgês no Alternet
Por Cody Fenwick
Tradução de Cynara Menezes

Os conservadores norte-americanos estão constantemente se descabelando para advertir o país de que o crescente apoio ao socialismo logo colocará os Estados Unidos no caminho da ruína, como a Venezuela.

Enquanto isso, figuras políticas como o senador independente Bernie Sanders e a candidata ao congresso por Nova York Alexandria Ocasio-Cortez, que se autointitulam socialistas democráticos, ganham o entusiasmo dos eleitores e a atenção do país, e muitos suspeitam que suas visões estão ganhando força dentro do Partido Democrata. E, de acordo com uma pesquisa recente do Gallup, mais democratas têm uma visão positiva do socialismo (57%) do que do capitalismo (47%).

O economista Paul Krugman, ganhador do Nobel em sua área em 2008, argumentou no twitter nesta quarta-feira que, apesar de suas terríveis advertências, os conservadores devem apenas culpar a si mesmos pela popularidade do socialismo. “Ando fazendo alguma pesquisa histórica sobre por que tantos norte-americanos agora dizem que apoiam o socialismo. É realmente importante admitir que os republicanos têm sistematicamente identificado a rede de proteção social com o socialismo”, ele escreveu.

Por exemplo, em 2008 John McCain chamou de “socialismo” as propostas de Barack Obama para um atendimento universal de saúde nos EUA (algo como o brasileiro SUS).

Em 2012, Mitt Romney concorreu contra Obama e disse que o então presidente queria trazer “as políticas socialistas europeias” para os Estados Unidos –referindo-se a países como a Dinamarca.

E quando o socialista democrático Sanders fala sobre sua visão política, ele explicitamente diz que gostaria de tornar os EUA mais parecido à Dinamarca. “Se você acha que a Dinamarca parece bacana, os republicanos dizem que você é socialista, e então as pessoas começam a achar que o socialismo parece bacana. Se os republicanos pretendem que apoio ao ‘socialismo’ significa controle do governo sobre os meios de produção, é propaganda enganosa”, Krugman escreveu. “Quer dizer, eu sei que Trump e outros têm problemas com geografia, fusos horários e tudo mais, mas a Dinamarca não é o mesmo país que a Venezuela.”

Socialistas dos EUA lutam por “saúde como direito humano”, que já está em nossa Constituição
Um aspecto dessa dinâmica que Krugman não mencionou é a concepção conservadora do “capitalismo”. Os republicanos frequentemente tentam aplicar a si mesmos o rótulo de defensores do capitalismo –o que, para eles, significa uma forma de capitalismo muito limitada, desigual e frequentemente perversa. Este estigma pode afastar as pessoas do capitalismo tanto quanto pode afastar do socialismo.

“Não à Ku Klux Klan, não aos fascistas”
Mas, enquanto os republicanos distorceram o debate, tornando-o uma discussão sobre grandes questões filosóficas, quando candidatos como Sanders e Ocasio-Cortez são pressionados sobre que políticas exatamente querem, muitas das respostas deles são na verdade bastante populares: atendimento universal de saúde, maior acesso à educação superior, um salário mínimo maior, regulação inteligente do setor financeiro e dos poluidores, maiores impostos sobre os que podem pagar por eles e maior apoio às famílias e crianças.

Não importa que estas políticas sejam chamadas de “socialismo”, “socialismo democrático”, “social-democracia” ou qualquer outro rótulo, elas claramente angariam um enorme entusiasmo. E se os conservadores tentam atacar estas políticas usando o epíteto de “socialista” contra elas, estão apenas aumentando o apoio ao socialismo.

Publicado originalmente no Alternet


segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Paul Krugman, Prêmio Nobel de Economia, discute as jogatinas do capitalismo das Bolsas e as políticas de austeridade que agravam a crise

"Tentativas de explicar as oscilações diárias nos mercados são normalmente insanas: uma pesquisa em tempo real sobre o crash de 1987 da bolsa de Nova York não encontrou evidência alguma para nenhuma das explicações que os economistas e jornalistas ofereceram para o fato. Descobriram, ao invés disso, que as pessoas estavam vendendo ações porque – você adivinhou! – os preços caíam. E o mercado de ações é um péssimo guia sobre o futuro da economia." - Paul Krugman


Krugman: políticas atuais agravarão a crise






Não culpe a China por novos terremotos financeiros. Fragilidade da economia global tem causas profundas. Resposta convencional – cortar gastos públicos e elevar juros – é a pior possível
Por Paul Krugman (Prêmio Nobel de Economia de 2008) ! Tradução: Antonio Martins
Que está causando as quedas abruptas das bolsas de valores? O que elas significam para o futuro? Ninguém tem muitas respostas.
Tentativas de explicar as oscilações diárias nos mercados são normalmente insanas: uma pesquisa em tempo real sobre o crash de 1987 da bolsa de Nova York não encontrou evidência alguma para nenhuma das explicações que os economistas e jornalistas ofereceram para o fato. Descobriram, ao invés disso, que as pessoas estavam vendendo ações porque – você adivinhou! – os preços caíam. E o mercado de ações é um péssimo guia sobre o futuro da economia.Paul Samuelson brincou, certa vez, que os mercados haviam previsto nove das cinco recessões anteriores, e nada havia mudado a este respeito…
De qualquer forma, os investidores estão claramente nervosos – e têm boas razões para isso. Nos EUA, as notícias econômicas mais recentes são boas (ainda que não ótimas), mas o mundo como um todo parece muito propenso a acidentes. Há sete anos, vivemos numa economia global que tropeça de crise em crise. Cada vez que uma parte do mundo finalmente parece colocar-se em pé, outra despenca.
Mas por que a economia mundial continua capengando?
Na superfície, parece uma sucessão incomum de azares. Primeiro, o estouro da bolha imobiliária e a crise bancária desencadeada em consequência. Então, quando o pior parecia haver passado, a Europa mergulhou numa crise de dívidas e numa recessão em dois mergulhos. A Europa ao fim alcançou uma estabilidade precária e começou a crescer de novo – mas agora, assistimos a grandes problemas na China e em outros mercados emergentes, que haviam sido pilares de força.
Contudo, não se trata de acidentes sem relação entre si. Estamos, na verdade, vivendo o que sempre ocorre quando muito dinheiro está em busca de poucas oportunidades de investimento
Mais de uma década atrás, Ben Bernanke, então o presidente do banco central dos EUA (FED), argumento que a disparada do déficit comercial norte-americano não era o resultado de fatores domésticos, mas de uma “abundância global de poupança”. Um volume de poupança muito maior que o de investimentos – na China e em outras nações em desenvolvimento, provocado em parte pelas políticas adotadas em reação à crise asiática dos anos 1990 – estava deslocando-se para os EUA, em busca de lucros. Ele alertou levemente para o fato de que o capital que entrava não estava sendo canalizado para investimentos produtivos, mas para imóveis. É claro que o alerta deveria ter sido muito mais forte (alguns de nós o fizemos). Mas a sugestão de que o boom imobiliário dos EUA era em parte causado por fraqueza em economias de outros países permanece válido.
É claro que o boom converteu-se numa bolha, que provocou enorme estrago ao estourar. E não foi o fim da história. Houve também uma inundação de capitais, da Alemanha e outros países do norte da Europa, para a Espanha, Portugal e Grécia. Isso também provocou a formação de uma bolha, cujo estouro, em 2009-2010 precipitou a crise do euro.
E ainda não acabou. Quando os EUA e a Europa deixaram de ser destinos atraentes para o capital [devido à redução das taxas de juro a quase zero], a abundância global saiu em busca de novas bolhas a inflar, levando moedas como o real brasileiro a altas insustentáveis. Não poderia durar e agora estamos em meio a uma crise de mercados emergentes que faz alguns observadores lembrarem-se da Ásia nos anos 1990 – lembre-se, onde tudo começou.
Portanto, para onde o fluxo cambiante da abundância aponta agora? Talvez, de novo para os EUA, onde um novo fluxo de capitais externos provoca a alta do dólar e pode tornar a indústria novamente não-competitiva.
O que provoca a abundância global? Provavelmente, uma soma de fatores. O crescimento populacional está arrefecendo em todo o mundo e, apesar de toda a fanfarra com as últimas tecnologias, elas não parecem criar nem um grande aumento de produtividade, nem demanda para investimentos. A ideologia da austeridade, que conduziu a um enfraquecimento sem precedentes dos gastos públicos, ampliou o problema. E a inflação baixa, em todo mundo, que significa taxas de juros baixas, mesmo quando as economias estão crescendo aceleradamente, reduziu o espaço para cortar estas taxas, quando as economias se contraem. Qualquer que seja o mix preciso das causas, o importante agora é que os governos assumam seriamente a possibilidade – eu diria probabilidade –de que excesso de poupança e fraqueza econômica global tenha se tornado a nova normalidade.
Minha percepção é de que há, hoje, uma profunda falta de vontade política, mesmo entre governantes sofisticados, para aceitar esta realidade. Em parte, é devido a interesses especiais: Wall Street e os mercados não gostam de ouvir que um mundo instável requer regulação financeira, e os políticos que desejam matar o estado de bem-estar social não querem ouvir que os gastos governamentais não são um problema, no cenário atual.
Mas há também, estou convencido, uma espécie de preconceito emocionalcontra a própria noção de abundância global. Políticos e tecnocratas gostam de se enxergar como pessoas sérias, que tomam decisões difíceis – como cortar programas populares e elevar taxas de juros. Eles não querem ser informados de que estamos num mundo em que políticas aparentemente rigorosas irão tornar as coisas piores. Mas nós estamos, e elas vão.

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Economista e Prêmio Nobel Paul Krugman discorre sobre como a Alemanha de Merkel destrói cruelmente a soberania da Grécia em favor do capEtalismo




Alemanha destrói a soberania da Grécia em golpe talvez fatal para a União Européia


Por Paul Krugman, no blog Viomundo:

Vamos que você considere [o primeiro-ministro grego] Tsipras um incompetente desprezível. Que você queira o Syriza fora do poder. Que você dê boas vindas à perspectiva de empurrar os irritantes gregos para fora do euro.

Mesmo que tudo isso seja verdade, essa lista de exigências do Eurogrupo é loucura. A hashtag do twitter ThisIsACoup [IssoÉUmGolpe] é exata. A lista é mais que dura, é vingança pura, destruição completa da soberania nacional e sem esperança de alívio. É, presumivelmente, uma oferta para que a Grécia não aceite; ainda assim, é uma traição grotesca de tudo o que o projeto europeu supostamente representava.

Há algo que tire a Europa do precipício? Dizem que Mario Draghi [primeiro-ministro da Itália] está tentando reintroduzir alguma sanidade, que [o presidente francês] Hollande finalmente está demonstrando alguma reação à “economia da moralidade” alemã, que ele fracassou em demonstrar no passado. Mas a maior parte do dano já está feito. Quem vai acreditar nas boas intenções da Alemanha depois disso?

De certa forma, a questão econômica se tornou secundária. Ainda assim, sejamos claros: o que aprendemos nas últimas semanas é que ser membro da zona do euro significa que os credores podem destruir sua economia se você sair da linha. Isso não tem nada a ver com os princípios econômicos da austeridade. É tão certo quanto antes que impor austeridade dura sem alívio da dívida é uma política fracassada independentemente de o país aceitar ou não o sofrimento. Isso significa que mesmo uma completa capitulação da Grécia é uma rua sem saída.

A Grécia conseguirá sair do euro? A Alemanha tentará bloquear uma recuperação econômica? (Desculpem, mas essas são as perguntas que agora precisamos responder).

O projeto europeu — que eu sempre elogiei e apoiei — recebeu um golpe terrível, talvez fatal. O que quer que você pense do Syriza ou da Grécia, não foram os gregos que deram este golpe.

PS1 do Viomundo: De Wolfgang Munchau, no Financial Times:

Ao forçar uma derrota humilhante de Alexis Tsipras, os credores da Grécia fizeram mais que provocar mudança de regime na Grécia ou colocar em risco as relações do país com a zona do euro. Eles destruiram a zona do euro como a concebíamos e demoliram a ideia de uma união monetária como um passo em direção à união política democrática. Ao fazer isso, reverteram às disputas de poder nacionalistas da Europa dos séculos 19 e 20. Eles transformaram a zona do euro num sistema tóxico de câmbio fixo e moeda única, governado pelos interesses da Alemanha, mantido pela ameaça de destituição absoluta daqueles que desafiarem a ordem. A melhor coisa que pode ser dita sobre as negociações do fim de semana é a honestidade brutal daqueles que perpetraram a mudança de regime.

PS2 do Viomundo: Pelos termos do acordo, a Grécia não receberá qualquer alívio em sua dívida e, sob monitoramento da troika, será obrigada a tomar medidas ainda mais duras do que aquelas que rejeitou no referendo, inclusive colocando 50 bilhões de euros em bens públicos sob controle dos credores. É uma forma de “punir” coletivamente a população que votou majoritariamente contra a troika, em outras palavras, de punir a democracia. Abre as portas para a ascensão na Grécia da extrema-direita anti-europeia do partido neonazista Golden Dawn.

* Artigo publicado originalmente no New York Times.