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quinta-feira, 25 de julho de 2019

Depois de quebrar o Brasil com delações premiadas, Moro questiona palavra de hackers, por Paulo Moreira Leite


  "Depois de destruir o país numa operação baseada na palavra de empresários que confessavam ter pilhado o Estado, o ministro da Justiça tenta questionar a credibilidade dos hackers de Araraquara", escreve Paulo Moreira Leite, ex-executivo da Veja e da Época e articulista do 247; "O problema é que, no Senado, ele disse que não havia 'nada demais' no conteúdo das gravações

Brasília - O juiz federal Sérgio Moro, responsável pela Operação Lava Jato na primeira instância da Justiça Federal do Paraná, defendeu hoje (4), na Câmara, a revisão das penas mínimas aplicadas em casos de corrupção (José Cruz/Agência Brasil)
Por Paulo Moreira Leite, para o Jornalistas pela Democracia 
A menos que esteja preparando uma auto-crítica radical das condenações mais pesadas da Lava Jato, o ministro da Justiça e da Segurança Pública Sérgio Moro deveria ser mais cuidadoso nos tuítes sobre os quatro suspeitos de vazar diálogos eletrônicos para o Intercept-Brasil. 
Embora tenha se negado a fazer reparos à substância das mensagens quando depôs no Senado ( "Quanto ao conteudo, não vejo nada demais"), assim que a prisão dos russos de Araquaquara foi anunciada Moro  passou a questionar a credibilidade dos diálogos que lhe foram atribuídos. Referiu-se ao grupo como "pessoas com antecedentes criminais, envolvidas em várias espécies de crimes." Tentando avançar com ironia sobre o Intercept-Brasil, acrescentou: "Elas, as fontes de confiança daqueles que divulgaram as supostas mensagens obtidas por crime". 
Por uma questão de coerência se Moro tiver razão nos argumentos de hoje, os tribunais superiores deveriam iniciar, desde já, a revisão das condenações que a partir de 2014 como titular da 13a Vara Criminal de Curitiba. 
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Vamos combinar que, salvo pela conta bancária, até agora não dá para questionar os depoimentos de pessoas "envolvidas em várias espécies de crime" sem pensar como seria possível qualificar os executivos das grandes empreiteiras que produziram o filé mignon da Lava Jato no mercado milionário das delações premiadas. 
Para Deltan Dallagnol, parceiro de Moro em todas as horas, a corrupção é um "crime que mata mais do que homicídio. Ela mata quando tira R$ 200 bilhões dos cofres públicos por ano no Brasil. Ela mata quando a estrada fica esburacada porque o administrador corrupto não pode aplicar uma multa na empresa porque está com o rabo preso com aquela empresa." 
Ainda que essa opinião do chefe da força-tarefa servisse como slogan para cobrar cachês milionários em palestras pelo país inteiro, a palavra de executivos responsáveis por um crime que "mata mais do que homicídio" jamais foi colocada em questão. 
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Nunca foi desprezada como uma única opção de quem só queria recuperar uma parte do butim acumulado através de crimes e sair da cadeia para gozar nababescos prazeres da vida. Pelo contrário: a veracidade de suas palavras  alimenta imensas sentenças contra os verdadeiros alvos politicos da Operação, a começar por Lula.  
Por essa razão, não há motivo para que a veracidade das mensagens recolhidas pelos hackers seja colocada em questão. 
Quem tem motivo para isso são autoridades que até agora não mostraram a menor  disposição para explicar os diálogos comprometedores em que foram apanhados, a começar por Moro e Dallagnol. 
Vamos lembrar as palavras do Ministro da Justiça no Senado: "Quando ao conteúdo, não vejo nada demais".
Alguma dúvida? 
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domingo, 23 de junho de 2019

Se for no tocante ao vazamento ilegal de grampos igualmente ilegais para a chamada Grande Mídia igualmente golpista para fins político-golpistas, Sérgio Moro é o "hacker"... Por Fernando Rosa





É ele o individuo que, “com intensidade incomum, extrapolou os limites do funcionamento normal dos sistemas”. No caso, o Brasil, suas instituições, seu sistema de defesa, sua indústria, sua economia, enfim, a institucionalidade de uma Nação. 


Do Jornal GGN:


do blog Senhor X

Moro é o “hacker”

por Fernando Rosa

Apesar de esfarrapadas, as explicações do ex-juiz Sérgio Moro para as conversas com os “agentes” operacionais da Lava Jato, divulgadas pelo site The Intercept, são elucidativas. Elas não só evidenciam quem comanda a operação Lava Jato, mas definitivamente deixam claro seu papel e das ações patrocinadas nos últimos três anos.
O ex-juiz Sérgio Moro diz insistentemente que as conversas, mesmo que havidas na forma como foram divulgadas, são resultado da ação de um “hacker” que teria não apenas capturado o conteúdo, mas também adulterado os textos, introduzindo palavras, diálogos e situações indevidas.
Na verdade, o Ministro da Justiça tem consciência que sua tese é uma armação. Uma invenção da “inteligência” dos EUA, com beneplácito da ABIN e PF para acobertar a maior fraude judicial da história do país. Um processo que, com apoio da grande mídia corporativa, destruiu a economia, sabotou as eleições presidenciais de 2018 e mantém preso injustamente e sem provas o ex-presidente Lula.
Mas a fala do ex-juiz Sérgio Moro é providencial ao trazer para o debate a figura do “hacker” que, segundo a Wikipedia, “é um indivíduo que se dedica, com intensidade incomum, a conhecer e modificar os aspectos mais internos (de dispositivos, programas e redes de computadores)”.
E, diz ainda a enciclopédia online, completando a definição, que “graças a esses conhecimentos um hacker frequentemente consegue obter soluções e efeitos extraordinários, que extrapolam os limites do funcionamento normal dos sistemas como previstos pelos seus criadores”.
Quer dizer, se existe um “hacker”, Sérgio Moro é o verdadeiro “hacker”. É ele o individuo que, “com intensidade incomum, extrapolou os limites do funcionamento normal dos sistemas”. No caso, o Brasil, suas instituições, seu sistema de defesa, sua indústria, sua economia, enfim, a institucionalidade de uma Nação.
Sérgio Moro “hackeou” o sistema judicial brasileiro. Por um lado, estabeleceu a falsa tese da “teoria do fato”. Por outro, em parceria com o TRF-4, que a Lava Jato tem “excepcionalidade (legal) relativa” para operar além dos limites da Constituição Federal e das leis nacionais.
Com base em informações privilegiadas, Moro “hackeou” a indústria, a tecnologia e a inteligência nacional, em especial a Petrobras, construídas e acumuladas por décadas. Em poucos anos, a operação lesa-Pátria devastou a economia, empurrando o PIB para próximo de zero e levando milhões de brasileiros para o desemprego, miséria e fome.
O ex-juiz de primeira instância, com a convivência das Forças Armadas, em especial do Exército, também “hackeou” a Defesa Nacional ao prender o Almirante Othon, responsável pela construção do submarino nuclear brasileiro, principal instrumento para proteger o defender o pré-sal da costa do país.
Aliando-se politicamente a milicianos declarados e militares despidos da farda que assaltaram o governo, “hackeou” o Ministério da Justiça. Autoridade máxima na área, acoberta o “caso Queiróz”, silencia sobre as investigações da PF sobre o assassinato da vereadora Mariele Franco e outros crimes cometidos cotidianamente em decorrência dos estímulos públicos de seu governo.
Por fim, o então juiz “chefe supremo” da operação Lava Jato “hackeou” o processo eleitoral, a vontade soberana de milhões de brasileiros, para afastar um candidato, eleger outro e, ainda, tornar-se ministro do presidente eleito para ampliar seus poderes às entranhas do aparelho de Estado.
Acuado pelas denúncias do site The Intercept, Moro apela para quem sempre bancou suas ações. Ou seja, os parceiros norte-americanos, destino de suas sucessivas e nebulosas viagens e sede da NSA (National Security Agency), a fonte das escutas telefônicas que, suspeita-se, deram origem à operação Lava Jato.
Segundo informação do próprio Ministério da Justiça, Moro tem missão nos Estados Unidos de 22 a 27 de junho, onde fará uma série de visitas aos órgãos de segurança e inteligência do país, segundo eles, “com o intuito de reunir experiências e boas práticas para fortalecer as operações integradas no Brasil”.
A Operação Lava Jato, portanto, nunca existiu para combater a corrupção, nem seu chefe trabalhou por isso, mas para destruir as conquistas da Nação brasileira e alinhar o Brasil aos Estados Unidos e aos seus interesses estratégicos na América Latina, incluindo cumprir o papel de “guarda pretoriana” do império na região.

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sexta-feira, 18 de março de 2016

O Jogo de Moro, espionagem e a Intimidade Devassada: A vítima também é você

Grampo em telefonemas entre Lula e Dilma é ponta de iceberg: vigilância e controle disseminaram-se na sociedade, praticados por polícia e empresas. É hora de banir estes abusos

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Num plenário do Senado, manifestantes usam máscaras de Edward Snowden, reindicando democracia na política e nas counicações
Grampo em telefonemas entre Lula e Dilma é ponta de iceberg: vigilância e controle disseminaram-se na sociedade, praticados por polícia e empresas. É hora de banir estes abusos
Nota coletiva da Rede LAVITS, GPoPAI e MediaLab (fonte: Outras Palavras)

Pela democracia na política e nas comunicações

As escutas telefônicas e a interceptação das comunicações do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da presidente Dilma Rousseff, conduzidas pela Policia Federal e divulgadas com fins políticos pelo juiz Sérgio Moro em ação legalmente duvidosa, trazem à tona alguns pontos fundamentais para discussão. Ao menos três aspectos, intimamente relacionados, se destacam neste episódio. São eles: a propagação de dispositivos de vigilância; a segurança de dados e suas comunicações; e a democratização dos meios de comunicação.
Assistimos à possibilidade, cada vez mais ampliada e irrestrita, de coleta de dados e da disseminação crescente de dispositivos de vigilância. Redes sociais, smartphones, telefonia celular, navegação na Internet estão sendo utilizadas para a imposição de um Estado policial que monitora, principalmente, populações marginalizadas, ativistas e organizações sociais e que, agora, atingem também membros do próprio Estado. Cabe destacar as ações coordenadas de órgãos policiais e investigativos com empresas especializadas na prestação de serviços de segurança da informação. São inúmeros os relatos recentes de atividades que praticam a vigilância em massa da população, em detrimento de garantias individuais e direitos fundamentais das pessoas. A combinação entre as possibilidades quase irrestritas de monitoramento e uma frágil legislação de proteção de dados pessoais tornam qualquer ator social e o próprio exercício do livre pensar vulneráveis destruindo a fronteira fundamental entre manifestação pública de opinião e liberdade de pensamento.
Ainda que existam no Brasil leis para interceptação de comunicações e quebra de sigilo de informações, o caso nos parece mais um exemplo de abuso de poder, como tantos que temos acompanhado. Informações têm sido utilizadas sobretudo como elemento incriminador e de barganha, a ser manipulado judicial e midiaticamente, do que como prova efetiva de qualquer crime. No caso em pauta, a culpabilidade de investigados se dá pela espetacularização de supostas evidências, coletadas e manipuladas de forma obscura, que suportam hipóteses judicialmente frágeis, com interesse de promover a desestabilização das instituições democráticas. Preocupa, ainda, nesse caso, a crescente demanda de autonomia por parte de autoridades policiais e judiciárias bem como por parte de instâncias do próprio Ministério Público. Deve-se reiterar que a autonomia operacional não deve, de forma alguma, confundir-se com ausência de transparência, prestação de contas e controle democrático por integrantes não eleitos da Administração Pública, em conformidade à Constituição Federal e ao ordenamento jurídico brasileiro.
Muito distante de casos como o de Edward Snowden, que usou do vazamento de informações para a denúncia da infraestrutura estatal e corporativa de vigilância, o caso atual serve à chantagem política que ameaça o Estado de direito. No Brasil, recorrentes casos vitimam a liberdade de expressão e manifestação daqueles que denunciam, entre outros, o abuso policial e a manipulação dos grandes meios de comunicação.
Há 15 anos no poder, depois de ter sido comprovadamente espionado pela Agência de Segurança Nacional (NSA) dos Estados Unidos, o governo brasileiro não tomou iniciativas efetivas no sentido de garantir a segurança nem mesmo dos seus próprios dados e comunicações. Soma-se a isso a postura conivente com uma Lei Antiterrorismo sancionada ontem pela Presidente Dilma Rousseff, que afronta ainda mais as liberdades individuais, e ironicamente ameaça os movimentos populares que tentam sustentar os direitos democráticos deste mesmo governo.
A percepção da Internet enquanto fórum de debate público demorou a aparecer e tem sido pautada pelo acordo com megacorporações. A estas, que fazem uso comercial e político de nossos dados, têm sido confiados o relacionamento com a população e a comunicação oficial. O cenário atual pede — além do pleno respeito ao regime posto de proteção e promoção dos direitos dos usuários da Internet no país — por políticas efetivas no sentido da democratização das comunicações com o incentivo a iniciativas autônomas e independentes. Somente uma comunicação popular e democrática, capaz de superar a extrema concentração da propriedade dos meios de comunicação, poderá fazer frente a episódios de evidente manipulação midiática. Urge a retomada do apoio a projetos de implementação de softwares livres nas esferas públicas; a adoção de padrões tecnológicos abertos e socialmente mais inclusivos na radiotransmissão digital; o fomento à infraestrutura pública para o acesso universal à Internet; o respeito à privacidade e à liberdade de expressão; o reconhecimento do espectro eletromagnético como um bem comum; e o incentivo ao aprendizado da comunicação criptografada e navegação anônima, aprimorando a segurança de máquinas, programas e dados.
A turbulência deste momento apenas reforça essas necessidades e evidencia a fragilidade da jovem democracia brasileira. Reiteramos, portanto, o respeito à soberania do voto e às liberdades individuais e coletivas. Esperamos que o momento difícil sirva para a construção de políticas públicas e realizações sociais que fortaleçam esses princípios que são garantias fundamentais para a democracia.
Adriano Belisário (MediaLab.UFRJ); Bruno Cardoso (LAVITS e NECVU/UFRJ); Bruno Ricardo Bioni (GPoPAI/USP); Diego R. Canabarro (CEGOV/UFRGS); Diego Vicentin (Unicamp);Fernanda Bruno (LAVITS e MediaLab.UFRJ); Henrique Parra(LAVITS e Depart. Ciencias Sociais-Unifesp); Márcio Moretto Ribeiro (GPoPAI/USP); Marta M. Kanashiro (LAVITS  e Unicamp); Paulo Lara (LAVITS, Unicamp e Goldsmith College);Pablo Ortellado (GPoPAI/USP); Rafael Evangelista (LAVITS e Unicamp); Rodrigo Firmino (LAVITS e PUCPR); Vinicius W. O. Santos (LAVITS e GEICT/Unicamp)