terça-feira, 8 de julho de 2025

Projeto Brasil: a revolução financeira do BRICS, por Luís Nassif

 

Não se falou em moeda única, mas em maneiras de reduzir a influência do dólar e proceder a uma desdolarização progressiva.

Do Jornal GGN:

    Foto: Ricardo Stuckert

A cobertura das reuniões do Novo Banco do BRICS limitou-se às reuniões e discursos públicos. A parte mais relevante, no entanto, foram os relatórios com as conclusões.

Um dos temas centrais foram as formas de fugir ao domínio do dólar. Não se falou em moeda única, mas em maneiras de reduzir a influência do dólar e proceder a uma desdolarização progressiva.

Há grandes avanços sobre as propostas anteriores. 

Em vez de insistir numa “moeda única”, o BRICS está montando modelos permitindo a convivência entre as diversas moedas do grupo, além da criação de instrumentos financeiros e de seguros para fortalecer os investimentos

Os organismos centrais em construção são:

  1. Novo Banco de Desenvolvimento (NBD).

Já em operação. Uma das declarações conjuntas, no encontro no NBD no Rio de Janeiro,  foi o apoio à liderança de Dilma Rousseff. É atribuída à sua gestão a expansão dos membros do BRICS e do NBD. A  prioridade será a expansão do financiamento em moeda local e sua consolidação como instituição global de desenvolvimento.

  1. Plataforma Multilateral de Garantias (BMG)

Projeto piloto, incubado no NDB, para reduzir riscos e atrair investimentos privados em infraestrutura e sustentabilidade.

  1. Nova Plataforma de Investimentos (NIP)

Ainda em discussão, com foco na cooperação entre Ministérios da Fazenda e Bancos Centrais.

São mudanças significativas em relação às propostas anteriores.

Vamos entender esses instrumentos, com mais detalhes, com a IA ajudando a organizar as informações.

Peça 1 – Arranjo Contingente de Reservas (CRA)

O CRA é peça chave desse arranjo. O objetivo principal do CRA é proporcionar um colchão financeiro que possa ser utilizado para enfrentar choques externos, como crises econômicas, desastres naturais ou outras situações adversas.

Pretende-se ampliar a quantidade de moedas de pagamento elegíveis e novos membros com acesso aos recursos. E permitir que os países utilizem moedas locais em vez de dólares, em operações de swap.

Será uma espécie de Fundo Monetário Internacional (FMI), para acudir países em crises cambiais, mas sem as condicionalidades do FMI.

Confira uma simulação de swap (troca) de moedas funcionará da seguintes maneira:

1. Pedido formal de swap

  • O Brasil aciona o CRA para trocar R$32,5 bilhões por US$5 bilhões.
  • O montante equivale a 50% de sua cota total (US$18 bilhões).
  • O CRA aprova com base nos critérios técnicos (sem necessidade de programa do FMI).

2. Moeda de liquidação: real x yuan

  • Com a reforma de 2025, o swap pode ser feito em moedas locais.
  • O Brasil opta por realizar o swap em yuan chinês (CNY):
  • O Banco Central do Brasil recebe o equivalente a US$5 bilhões em CNY
  • A operação reduz a pressão sobre o real sem depender do dólar
  • Taxa acordada: 7,2 yuan por dólar (aprox. ¥36 bilhões)

3. Uso interno

O BC utiliza parte dos yuan recebidos para:

  • Intervir indiretamente no mercado por meio de contratos com bancos que atuam em câmbio
  • Aumentar liquidez e sinalizar confiança nos mercados
  • Financiar importações da China diretamente em yuan, evitando saídas de dólares

4. Prazo e retorno

  • O swap tem prazo de 6 meses, renovável
  • Se o real se estabiliza, o Brasil recomprará os reais em yuan, com taxa de juro acordada (por ex., 2% ao ano)
  • O custo final da operação é inferior ao de captar dólares nos mercados privados sob estresse

Peça 2 – As garantias do BMG

O BMG é um seguro-garantia multilateral, liderado pelos BRICS, que reduz riscos de investimento, mobiliza capital privado e fortalece a arquitetura financeira do Sul Global, de forma não subordinada ao sistema ocidental.

Ele usará a estrutura do NDB e terá como prioridade projetos de infraestrutura resiliente, energia, projetos verdes e digitais. 

Haverá garantia de crédito parcial, garantia cambial e garantias políticas, entre outros. Pretende-se seu lançamento na Cúpula de 2026.

Confira uma pequena simulação para um projeto de Ferrovia Bioceânica, Trecho Mato Grosso-Porto de Santos:

O valor estimado é de US$ 1,6 bilhão. Os promotores são o governo federal, o estado de Mato Grosso e a concessionária privada brasileira. O financiamento será via NDB e bancos privados.

  1. O BMG garante até 40% da dívida emitida pelo consórcio. Isso reduz o risco percebido e permite taxas de juros menores no financiamento. Além disso, deverá atrair fundos de pensão e investidores institucionais.
  2. Oferece proteção contra a desvalorização do real acima de certo limite.
  3. O BMG ajuda a obter a classificação domo “projeto sustentável”. 

RESULTADO FINAL

IndicadorSem BMGCom BMG
Custo médio da dívida12% a.a.8% a.a.
Participação privada no CAPEX30%55%
Proporção de dívida em real50%80%
Tempo de estruturação financeiraLongo e incertoAcelerado com apoio técnico do NDB/BMG
Risco político percebidoAltoMitigado com selo BRICS/BMG

São nítidas as vantagens sobre os financiamentos apoiados pelo BID.

ElementoFinanciada com BMG (hipotética)Financiada com BID (histórica)
NomeTrecho brasileiro da Ferrovia BioceânicaCorredores logísticos Goiás–Minas
Investidor privadoElevada participação viabilizada por garantia de risco BRICSBaixa: financiamento e risco predominantemente público
MoedaReais com garantia BRICSEm dólar com risco cambial ao governo
EstruturaProjeto com selo verde e integração regional sul-sul (China–Peru–Brasil)Projeto com foco em integração regional hemisférica (Mercosul–EUA)
Autonomia nacionalAlta: controle da estrutura de garantias e política de créditoLimitada: regras de procurement, salvaguardas e governança impostas pelo BID
Participação localBancos públicos e privados brasileiros integrados desde o inícioMuitas vezes, empresas estrangeiras têm vantagem nos processos de licitação

Peça 3 – Pagamentos Transfronteiriços

Outro arranjo relevante será permitir comércio em moedas nacionais, sem a necessidade do uso do dólar. Para tanto, os estudos buscarão:

  • Interoperabilidade entre sistemas de pagamentos nacionais, para substituir o swift (o sistema para troca de dólar, que ficou comprometido pelo uso político contra a Rússia).
  • infraestrutura de pagamentos rápidos, baratos, acessíveis, eficientes e seguros. Integração do Pix (Brasil), UPI (Índia), CIPS (China) e SPFS (Rússia)
  • Facilitar comércio e investimentos intra blocos.

Conversão automática em moedas locais

  • Exemplo: um pagador na Índia envia em rupias, o recebedor no Brasil recebe em reais de forma quase instantânea.
  • Sem necessidade de passar por dólares ou bancos correspondentes nos EUA.

Taxas de câmbio definidas bilateral ou multilateralmente

  • Baseadas em acordos entre bancos centrais
  • Possibilidade futura de câmara de compensação multilateral BRICS (modelo parecido com a da ALADI)
VantagemExplicação
Redução de custosElimina taxas de bancos intermediários e de conversão cambial em dólar
VelocidadePagamentos quase em tempo real, como o Pix
Segurança jurídica e digitalPadrões compartilhados de cibersegurança e verificação
Menor dependência do dólarPagamentos diretamente em real, yuan, rupia etc.
Apoio ao comércio intra-BRICSIncentiva empresas a exportar/importar no bloco com maior previsibilidade

Peça 4 – os avanços no sistema

Do início de discussões para cá, houve grandes avanços na arquitetura do novo sistema – que deverá ser mais aprimorado para a reunião de 2026.

As mudanças em relação ao modelo anterior em discussão:

COMPARATIVO: MOEDA ALTERNATIVA NOS BRICS

AspectoPropostas AnterioresIniciativas Atuais (2025 – Rio de Janeiro)
Objetivo principalCriar uma moeda comum dos BRICS para reduzir a dependência do dólarCriar infraestruturas técnicas e financeiras para transações em moedas locais
Tipo de moeda proposto– Moeda comum dos BRICS (não nacional)- Alternativa digital (cripto lastreada em commodities ou moedas nacionais)– Pagamentos via moedas locais (real, yuan, etc.)- Integração de sistemas nacionais (ex: Pix, UPI, SPFS)
Veículo institucionalPropostas políticas ou acadêmicas sem estrutura executiva consolidada– BRICS Payment Task Force- CRA reformulado- Novo Banco de Desenvolvimento (NDB)- BRICS Multilateral Guarantees (BMG)
Base tecnológicaDiscussões sobre stablecoins ou plataforma blockchain própriaRelatório técnico sobre interoperabilidade de sistemas de pagamentos nacionais
Uso em crises cambiaisSem mecanismo claroCRA incorporando moedas locais e aumentando flexibilidade
Relação com o dólarSubstituição direta como moeda de comércio e reservaRedução gradual da dependência, via moeda local e compensações multilaterais
Envolvimento do NDBInicialmente periféricoCentral: NDB expande emissão de dívida e financiamento em moedas locais
Exemplo real mais próximoProposta russa de cripto-BRICS (2022) e estudos indianos sobre moedas digitaisDesenvolvimento de um sistema BRICS semelhante ao EUROCLEARSWIFT alternativo e garantias de crédito BRICS

Leia também:


Por que Trump teme o sistema monetário do BRICS, por Luís Nassif


 Não há mais nenhum setor da economia mundial capaz de se rivalizar com as big techs, com exceção dos Estados nacionais.

Do Jornal GGN:




Há certa dificuldade em entender os movimentos erráticos do presidente norte-americano Donald Trump. Especialmente as ameaças aos países que aderirem à moeda do BRICS.

Há uma mudança fundamental na lógica do poder norte-americano. A partir do acordo de Bretton Woods, o poder se manifestava através de um multilateralismo enviesado, em torno de instituições como FMI, Banco Mundial, Organização Mundial do Comércio, sempre com predomínio norte-americano e tendo como peça central o dólar.

As duas formas de poder de uma Nação são as Forças Armadas e a moeda. Desde então, o dólar cumpriu todas as funções de uma moeda referência:

  • Moeda de reserva internacional: cerca de 58% das reservas cambiais globais sendo denominadas em dólar.
  • Moeda de comércio internacional: mais de 80% do comércio mundial é faturado em dólar.
  • Moeda de financiamento internacional: emissão de dívida soberana e corporativa em dólar, especialmente em países emergentes.
  • Referência cambial: muitas moedas sendo atreladas ao dólar.
  • Moeda dos contratos internacionais: contratos de leasing, financiamentos de aviões, energia e infraestrutura.

Gradativamente, o dólar foi perdendo relevância. Nas represálias contra a Rússia, o país foi proibido de usar o swift (o sistema internacional de troca de reservas em dólares), um golpe político que feriu de morte a credibilidade do sistema.

Além disso, a dívida pública norte-americana criou uma relação negativa com a China. Esta aplicava suas reservas nos EUA, permitindo o crescimento da economia norte-americana via endividamento, enquanto a própria China crescia via produção voltada para o comércio exterior e, depois, para a economia interna.

Ao mesmo tempo, a diplomacia dos canhoneiros tornou-se muito onerosa para a economia norte-americana, da mesma maneira que sucedeu com outras civilizações, como a romana e a britânica.

O poder das big techs

Enquanto isto ocorria, as big techs norte-americanas ascendiam ao topo do mundo, mudando a natureza do poder norte-americano e confrontando o poder até então absoluto de Wall Street e da City londrina.

A ascensão de Trump mudou completamente a estrutura de poder. Agora não se trata especificamente de manter a supremacia norte-americana com o poder das canhoneiras e do dólar, mas de submeter o mundo – e o próprio EUA – ao poder das big techs. 

Não há mais nenhum setor da economia mundial capaz de se rivalizar com as big techs, com exceção dos Estados nacionais. Ora, uma das manifestações do poder nacional é o sistema monetário. Hoje em dia, o único poder a confrontar a postura ditatorial de Trump, nos Estados Unidos, é o FED – representando o poder do mercado financeiro.

Nos EUA, os embates de Trump com o FED e um conjunto de medidas intempestivas, tirando a previsibilidade do dólar, parecem ter a intenção de ser o último prego no caixão do sistema monetário pós-Bretton Woods.

A estratégia interna de Trump está explícita: a troca das moedas nacionais pelas moedas privadas.

  • No dia 1 do novo mandato (23‑jan‑2025), assinou a EO 14178 (Fortalecimento da liderança em finanças digitais), revogando regras anteriores e estabelecendo um grupo de trabalho para criar um marco regulatório claro para as criptomoedas.
  • Pouco depois, instituiu a criação de um Crypto Summit na Casa Branca e nomeou um “cripto czar”, David Sacks.
  • Em março de 2025, aprovou um Decreto Presidencial para criar uma Reserva Estratégica de Bitcoin e um Estoque Digital de Ativos (BTC, ETH, XRP, SOL, ADA) – chamados por ele de “crypto capital of the world”
  • A ordem determinou que os EUA mantenham e auditem cerca de 200 mil BTC apreendidos, comparando-a ao “Fort Knox Digital”.
  • A SEC foi orientada a suavizar sua atuação — novas empresas cripto cresceram e várias ações foram suspensas ou abandonadas .
  • A CFTC (Comissão de Negociação de Futuros de Commodities) recebeu reforço, enquanto uma unidade de combate a crimes cripto do DOJ foi dissolvida.
  • Trump é fortemente investidor: plataformas como World Liberty Financial (stablecoin USD1), memecoins ($TRUMP, $MELANIA), e grandes participações em Bitcoin e Ethereum, o que elevou sua fortuna em centenas de milhões 

O papel do BRICS

No Ocidente, o poder absurdo das big techs vem sendo questionado justamente pelos Estados nacionais – a União Europeia e o Brasil. Apesar de seu escorregão no episódio do IOF, o Ministro Alexandre de Moraes transformou-se na principal liderança global contra o poder sem limites das redes sociais.

Google, Apple, Amazon, PayPal estão avançando céleres para serem dominantes na categoria de meios de pagamento de base ampla (retail payment instruments), categoria onde se enquadram os cartões de crédito. No futuro, bastará trocar as moedas nacionais por criptomoedas. Com o avanço da Inteligência Artificial, o controle global ficará mais próximo.

É nesse quadro que surge o BRICS trabalhando um novo sistema monetário, articulando, preservando e fortalecendo o papel das moedas nacionais e desenvolvendo uma rede BRICS Pay e na interoperabilidade de sistemas de pagamento. A regulação das redes e, agora, a montagem do sistema monetário dos BRICS, são empecilhos às pretensões de Trump, de ser o novo dono do mundo.

Nas discussões do NDB (Novo Banco dos BRICS), uma das preocupações era justamente definir limites para o uso da IA e a preservação da chamada soberania monetária.

Todos os países BRICS defendem a preservação de suas moedas nacionais (real, rublo, rupia, yuan, rand, etc.) como pilar de autonomia macroeconômica. Isso se reflete em três frentes:

DimensãoEnfoque
Política cambialCada país mantém regime de câmbio próprio (flutuante, administrado ou fixo), com metas e prioridades nacionais.
Política monetáriaBancos centrais dos BRICS seguem regras locais: metas de inflação, crescimento ou estabilidade cambial.
DesdolarizaçãoA substituição do dólar é buscada, mas sem sacrificar a autonomia das moedas nacionais.

É interessante a comparação da BRICS+ AI Charter (Carta de Inteligência Artificial dos BRICS), com o EU AI Act (União Europeia) e as diretrizes OCDE/ONU:

📊 TABELA COMPARATIVA: BRICS+ AI Charter × EU AI Act × Diretrizes da OCDE/ONU

Critério🇧🇷🇷🇺🇮🇳🇨🇳🇿🇦 BRICS+ AI Charter🇪🇺 EU AI Act (2024)🌐 OCDE/ONU (Recomendações globais)
Modelo regulatórioÉtico, pluralista, voltado à soberania e inclusãoRegulação ex ante, com regras rígidas por nível de riscoDiretrizes não vinculantes, baseadas em consenso técnico
Base jurídicaProposta político-normativa em construçãoLei aprovada e vinculante em todos os países membros da UESoft law (recomendações e princípios)
Classificação de riscoEm discussão; princípio da contextualização cultural e socialDivisão em 4 níveis: proibido, alto risco, médio e mínimoAponta riscos, mas sem categorização jurídica obrigatória
Foco ético e culturalDiversidade, pluralismo ético, evita imposições culturaisDireitos fundamentais europeus (non-discrimination, privacy)Foco em transparência, inclusão, sustentabilidade
Uso militar e estatal da IAFlexível; pode incluir usos soberanos e militares (ex: China, Rússia)Proíbe IA para vigilância biométrica em tempo real em públicoRecomenda cautela, mas não veda
Transparência e explicabilidadeFortemente apoiada, mas com adaptação à realidade técnica localObrigatória para sistemas de alto riscoRecomendação central (princípio da “explainability”)
Proteção de dados e uso de conteúdoPropõe compensação a criadores de dados usados em treino de IAProteção forte via GDPR e proibição de scraping sem base legalRecomendação de consentimento informado e uso justo
Soberania digitalPonto central: dados, infraestrutura e LLMs locaisNão é prioridade; depende de empresas privadasPromove interoperabilidade, não necessariamente soberania
Governança internacional propostaONU + BRICS+ Secretariat + países do Sul GlobalUnião Europeia (comissão, parlamentos, tribunais)Fóruns multilaterais (UNESCO, OCDE, G7/20)

Nesse jogo, a posição do Brasil pode ser sintetizada em 3 princípios:

  • Valorização da ética, direitos humanos e justiça algorítmica, como o EU AI Act;
  • Também defende soberania tecnológica e dados locais, como o Charter BRICS;
  • Tem criticado propostas da OCDE por não refletirem as realidades do Sul Global.

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Ao primeiro sinal de desdolarização mundial pelo Brics, Trump ameaça

 

Apesar da declaração final não traçar planos, líderes como Lula e Putin deixaram as intenções claras no evento.

Do Jornal GGN:

Foto: Ricardo Stuckert / PR



O presidente dos EUA, Donald Trump, não tardou a responder ao evento do Brics, realizado neste final de semana, no Rio de Janeiro, formado por 11 importantes nações e alianças com países do Sul Global, incluindo Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.

O documento oficial do bloco, divulgado neste domingo (06), foi mais brando do que se esperava pelas reações internacionais às coerções econômicas de Donald Trump, com a jogatina de ameaças e taxações que vem empenhando aos países.

A expectativa era de que a 17ª Cúpula dos Líderes de Estado do Brics mostrasse uma resposta mais dura. Mas somente um parágrafo discreto, que sequer menciona o nome do mandatário norte-americano, foi dedicado ao tema na declaração final.

“Expressamos sérias preocupações com o aumento de medidas tarifárias e não tarifárias unilaterais que distorcem o comércio e são inconsistentes com as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC)”, trouxe o documento.

No tópico 13 do texto, os países membros do Brics afirmam que o “sistema multilateral de comércio está há muito tempo em uma encruzilhada”, com a “proliferação de ações restritivas ao comércio, seja na forma de aumento indiscriminado de tarifas e de medidas não-tarifárias, seja na forma de protecionismo sob o disfarce de objetivos ambientais”.

Não há, no texto, nada que informe uma política efetiva ou intenções claras de reação econômica às medidas de Donald Trump, seja na forma de bloqueios, taxações conjuntas ou até mesmo a desdolarização – uma das iniciativas discutidas entre os países, que buscam desatrelar o funcionamento dos bancos internacionais e nacionais ao dólar.

Em outro trecho, os países do Brics afirmam: “Condenamos a imposição de medidas coercitivas unilaterais contrárias ao direito internacional e reiteramos que tais medidas, na forma de, entre outras, sanções econômicas unilaterais e sanções secundárias, têm implicações negativas de longo alcance para os direitos humanos, incluindo os direitos ao desenvolvimento, à saúde e à segurança alimentar da população em geral dos estados atingidos, afetando de maneira desproporcional os pobres e as pessoas em situações vulneráveis, aprofundando a exclusão digital e exacerbando os desafios ambientais.”

Apesar de não constar no documento final, Lula defendeu uma nova política de financiamento por bancos e o uso de moedas alternativas para transações entre os países do Brics. A posição de Lula foi demonstrada em discurso da reunião do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), o banco do Brics, que foi realizada na sexta-feira (04), um evento inaugural prévio à Cúpula dos Líderes.

Antes de acenar para a defesa da desdolarização, que foi também enfatizada no discurso do presidente russo, Vladimir Putin, posteriormente, Lula falou do cenário global “cada vez mais instável, marcado pelo ressurgimento do protecionismo e do unilateralismo”.

“É por isso que a discussão de vocês sobre a necessidade de uma nova moeda de comércio é extremamente importante. É complicado, eu sei. Tem problemas políticos, eu sei. Mas se a gente não encontrar uma nova fórmula, a gente vai terminar o século 21 igual a gente começou o século 20 e isso não será benéfico para humanidade”, foi a fala de Lula.

Dois dias depois, de forma mais incisiva, Vladimir Putin também defendeu o aumento do uso de moedas locais no comércio entre os países do Brics, dando diretrizes mais claras sobre como isso seria feito, com um sistema de liquidação e depósito para os países membros, que não tenha que utilizar o dólar como moeda comercial, fortalecendo as economias internas.

Ele participou da Cúpula por videochamada, na manhã deste domingo (06). Ele lembrou que uso da moeda da Rússia, o rublo, e de outros membros do Brics chegou a 90% das transações com o país no último ano. O presidente russo concluiu que esse era um exemplo do caráter multipolar das relações internacionais, que já está migrando, ou seja, deixando a concentração monetária dos EUA.

Diferente das falas, no texto da Cúpula, os países adotaram uma posição mais sutil e afirmaram de forma generalizada que apoiam “um sistema multilateral de comércio baseado em regras, aberto, transparente, justo, inclusivo, equitativo, não discriminatório e consensual, com a OMC em seu núcleo”.

Mas o parágrafo discreto já foi suficiente para o mandatário norte-americano ameaçar todos os países do mundo que “se alinharem às políticas antiamericanas do Brics” a uma taxação “extra de 10%”.

“Qualquer país que se alinhe às políticas antiamericanas do Brics será taxado com tarifa extra de 10%. Não haverá exceções a essa política. Obrigado pela atenção em relação a essa questão”, escreveu Trump, em sua rede social Truth Social.

Trump defende Bolsonaro, ameaça o Brasil e Lula responde: “esse país tem lei, dê palpite na sua vida e não na nossa”

 

Donald Trump disse que o processo contra Jair Bolsonaro por tentar um golpe de Estado é uma “caça às bruxas” e o Brasil “está agindo de forma terrível no tratamento dado ao ex-presidente Jair Bolsonaro”“Esse país tem lei. Dê palpite na sua vida e não na nossa”, respondeu o presidente Lula.

Do Jornal GGN:


Trump defende Bolsonaro e Lula responde: “esse país tem lei, dê palpite na sua vida e não na nossa”

Trump havia defendido Bolsonaro, chamando o processo por golpe de Estado de “caça às bruxas”

Ricardo Stuckert

Donald Trump disse que o processo contra Jair Bolsonaro por tentar um golpe de Estado é uma “caça às bruxas” e o Brasil “está agindo de forma terrível no tratamento dado ao ex-presidente Jair Bolsonaro”“Esse país tem lei. Dê palpite na sua vida e não na nossa”, respondeu o presidente Lula.

A resposta do presidente brasileiro ocorre após às ameaças de Donald Trump aos países que apoiarem os Brics (entenda sobre isso aqui). Desta vez, o mandatário dos EUA anunciou, novamente por meio de sua rede social, que os que apoiarem o bloco econômico e uma possível desdolarização teriam que pagar um adicional de 10% de tarifas internacionais.

Mas não só. Trump também divulgou em sua rede, a Truth Social, opiniões a respeito do processo contra Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado. Ignorando todo o processo, com as acusações e provas de atentado e crimes, Donald Trump disse que “o Brasil está agindo de forma terrível no tratamento dado ao ex-presidente Jair Bolsonaro” e que a eleição no Brasil “foi muito acirrada e, agora, ele (Bolsonaro) está liderando as pequisas. Isso não é nada mais, nada menos, do que um ataque a um oponente político”.

Ao ser questionado sobre a ameaça tarifária aos países do Brics e aliados, na tarde desta segunda (07), o presidente Lula disse não considerar “uma coisa muito responsável e séria um presidente da República de um país do tamanho dos Estados Unidos ficar ameaçando o mundo através da internet”.

Relatório revela ligações de Ciro Nogueira, representante dos super ricos da extrema direita, com empresário que explora Jogo do Tigrinho, diz revista

 

Do ICL:

Fernandin OIG, dono de Bet e bolsonarista radical, comprou três apartamentos em edifício construído pela empresa da família de Ciro Nogueira

POLÍTICA

Relatório revela ligações de Ciro Nogueira com empresário que explora Jogo do Tigrinho, diz revista




Novos detalhes sobre a ligação do senador Ciro Nogueira, presidente do PP e ex-ministro da Casa Civil de Jair Bolsonaro (PL), com Fernando Oliveira Lima, o Fernandin OIG, dono de empresa de bet associada ao Jogo do Tigrinho, vieram à tona em reportagem da revista Piauí, assinada pelos jornalistas Alessandra Medina e João Batista Jr.

A matéria revela um relatório enviado pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) à CPI das Bets sobre Fernandin: ele comprou três apartamentos em Teresina em edifício construído pela Ciro Nogueira Agropecuária e Imóveis, empresa que tem o senador como sócio.

A empresa tem como sócios-administradores Gustavo e Silva Nogueira Lima e Raimundo Neto e Silva Nogueira Lima, irmãos do senador. Eles já atuaram como secretários parlamentares de Ciro Nogueira.

Ao ser questionado sobre a negociação, o senador disse: “Nunca ouvi falar dessa compra”. Para justificar o desconhecimento da negociação, ele alegou que a empresa é administrada pelo irmão.

A reportagem também afirma que Fernandin repassou R$ 625 mil, entre dezembro de 2023 e setembro de 2024, a  Victor Linhares de Paiva, ex-assessor de Ciro Nogueira. Hoje, Victor é secretário do prefeito de Teresina, Silvio Mendes (União).

Tigrinho

Fernandin OIG

Ciro Nogueira afirmou à revista que perguntou ao ex-assessor sobre o valor recebido do empresário das bets e foi informado que se referia à venda de um relógio de luxo da marca Richard Mille “e que estava tudo no Imposto de Renda dele e do Fernandin”.

O assessor também repassou mais de R$ 30 mil ao senador entre 2023 e 2024. Nogueira, no entanto, diz que foi reembolso de um hotel na luxuosa Ilha de Capri, na Itália. “Eu desisti da viagem [para Capri, na Itália] e transferi para Victor a reserva [do hotel] que já estava paga, e ele me ressarciu”, respondeu o presidente do PP.

Senador Ciro Nogueira (PP-PI)

Empresário do Tigrinho poupado ao fim da CPI

Piauí traz a público que os documentos do Coaf não entraram no relatório final da CPI, feito pela senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS), que foi reprovado por 4 a 3, em 12 de junho.

Soraya explica que não colocou a íntegra do documento no relatório em razão das ameaças que vinha sofrendo. Ela afastou Ciro Nogueira da CPI, em que era membro suplente, após a divulgação da informação que o senador viajou para a França, onde acompanhou o Grande Prêmio de Mônaco de Fórmula 1, em uma aeronave pertencente a Fernandin.

Os relatórios financeiros mostram que o patrimônio do empresário, que negou à CPI ser dono do jogo do Tigrinho, saltou de R$ 36 milhões em 2022 para R$ 143 milhões em 2023 – um crescimento de 300%.

Apesar de ter começado com muito alarde e imensa expectativa, os trabalhos da comissão chegaram ao fim do dia 12 de junho passado com resultado frustrante. Pela primeira vez na última década, o relatório final de uma cpi foi rejeitado no Senado. Quatro senadores votaram contra. São eles: Angelo Coronel (PSDB-BA), Efraim Filho (União-PB), Professora Dorinha Seabra (União-TO) e Eduardo Gomes (PL-TO), ex-líder do governo de Jair Bolsonaro. Três votaram a favor: Eduardo Girão (Novo-CE), Alessandro Vieira (MDB-SE) e a relatora Soraya Thronicke.

Boa parte do relatório era dedicado a sugestões para conter os avanços e os efeitos nocivos das bets sobre os brasileiros — incluindo a proibição de jogos caça-níqueis, como o Fortune Tiger, conhecido como o Jogo do Tigrinho. Havia também o pedido de indiciamento de Fernandin OIG, por suspeita de lavagem de dinheiro e associação criminosa.

sábado, 5 de julho de 2025

Mais 18 Deputados: A Farra da Direita e do Centrão no Congresso Que Você Vai Pagar

 

Do Canal Chica Marrenta:

O Congresso quer “cortar gastos”? Só se for na sua pele! Enquanto o governo Lula se esforça para equilibrar as contas e manter os programas sociais vivos, a Câmara dos Deputados aprova o aumento de parlamentares — passando de 513 para 531 deputados federais! 😡 A Chica Marrenta expõe o teatro da falsa moral, o cinismo institucional e o cinismo do “corte de gastos” enquanto criam mais cargos pra garantir poder. E adivinha quem paga a conta? Adivinha quem continua elegendo esses sabotadores da democracia?



Agora é a vez do povo: O Brasil se levanta contra o Congresso dominado pela extrema direita e o Centrão fisiológico de direita.

 

Do Canal Último Jornal do Mundo:

O povo brasileiro começa a se levantar contra um Congresso cada vez mais distante da realidade do país. Neste vídeo, mostramos por que a expressão “Agora é a vez do povo” ganhou força nas ruas e redes sociais, revelando gastos absurdos, privilégios inaceitáveis e o início de uma mobilização nacional. Entenda o que está por trás do movimento, os protestos já em andamento, os números que chocam e os interesses que se escondem por trás das decisões de Brasília. Uma análise completa, informativa e urgente sobre o confronto que se intensifica entre o povo e o Congresso Nacional.



O melhor do Hugo Nem se Importa

 


Do Canal Marcelo Marcenga/Democracia Explicada:




Golpe dos ricaços expõe aliança mafiosa da Globo com Centrão,com o bolsonarismo e com Faria Lima banqueira pelo neoliberalismo vampiro.

 

Vídeo da TV Fórum:




Congresso da Mamata: Se Brasil quebra não importa, eles riem.

 

Do Canal O Último Jornal do Mundo:

Neste vídeo revelamos os bastidores do chamado Congresso da Mamata, um sistema que favorece aumentos de salários, privilégios parlamentares e decisões que impactam diretamente o bolso do povo brasileiro. Explicamos como propostas como o acúmulo de aposentadoria com salário, o aumento no número de deputados, cortes sociais, reajustes na energia elétrica e o crescimento do fundo partidário revelam um Congresso cada vez mais distante da realidade do país. Este vídeo não é sobre esquerda ou direita — é sobre justiça social, responsabilidade política e o direito de um povo que paga a conta por decisões que não aprovou. Entenda por que o Congresso brasileiro é considerado um dos mais caros do mundo e o que isso representa para o futuro do Brasil.