sábado, 28 de dezembro de 2019

Estamos vivendo em uma sociedade midiota bolsonarista cínica, enganosa, mistificadora, hipócrita. Por Afrânio Jardim, jurista



  "Uma sociedade se degrada quando o cinismo resulta disseminado. Muitas das nossas mais importantes instituições, nos dias atuais, têm o cinismo como mais um dos seus instrumentos de sua atuação."

Manifestação contra medidas do governo Bolsonaro no Masp, em São Paulo. Foto: Mídia Ninja
Publicado originalmente no Facebook do autor:
POR AFRÂNIO JARDIM
Uma sociedade se degrada quando o cinismo resulta disseminado.
Muitas das nossas mais importantes instituições, nos dias atuais, têm o cinismo como mais um dos seus instrumentos de sua atuação.
A verdade é que estamos vivendo em uma sociedade enganosa, mistificadora, hipócrita.
Assim, a esperteza, a malandragem, a dissimulação e a falta de caráter passam a ser a regra, passam a ser normais e não mais são detectadas pelas consciências ingênuas.
A nossa sociedade está com carência de pessoas com absoluta honestidade intelectual. Estamos com carência de pessoas com absoluta dignidade.
Ademais, não resta dúvida de que este mau exemplo vem de cima e se dissemina em uma sociedade de pessoas desinformadas e incultas.
A internet, com suas “fakes news”, muito agrava essa caótica realidade. A ignorância e o fanatismo religioso fazem das pessoas presas fáceis desta prática odiosa.
Já se disse no passado: o problema não é o desonesto estar se beneficiando, pois isto sempre existiu. O problema é que o honesto está perdendo …
Em outras palavras: ser honesto não está valendo a pena … Falo aqui de honestidade intelectual, retidão de caráter e ausência de cinismo.
Este lamentável estado de coisas é muito decorrência da estrutura econômica de uma sociedade que aposta na competição, na ganância, no individualismo, na produção e no consumo desenfreado. Vale dizer, numa sociedade fundada no “salve-se quem puder”, no “levar vantagem em tudo” !!!
Desta forma, somente acredito em uma sociedade substancialmente ética, igualitária, fraterna e solidária quando evoluirmos para um outro modelo de produção e circulação de bens, que possibilite vida digna para todos.
Só haverá “vida digna para todos” se todos tiverem emprego, aposentadoria, habitação, saúde e educação de qualidade, tudo com base na absoluta distribuição da renda nacional.
Será mesmo impossível que o ser humano consiga formar uma sociedade onde não tenhamos pobreza e miséria? Onde não haja explorados e exploradores? A justiça social é algo inalcançável?
Se isso realmente for impossível, só resta uma constatação: a nossa civilização fracassou !!!
Ademais, sem justiça social, a criminalidade aumenta cada vez mais.
Sem justiça social, a eficácia intimidativa do Direito Penal é muito tênue.
Sem justiça social, a vida em sociedade se tornará em um verdadeiro “inferno” !!!
Sem justiça social, muitas pessoas perdem a sua indispensável dignidade e se degradam como seres humanos.
Justiça social ou barbárie !!!

Destruir a educação, a cultura e o meio ambiente: esse é o Plano Bolsonaro, por Ricardo Kotscho



Não por acaso, esses são os três setores da sociedade brasileira historicamente com maior capacidade de mobilização contra os governos tiranos.

do Balaio do Kotscho

Destruir a educação, a cultura e o meio ambiente: esse é o Plano Bolsonaro

por Ricardo Kotscho


Aos que ainda cobram um programa de governo do capitão presidente, neste final do primeiro ano de mandato, o Plano Bolsonaro está a cada dia mais claro: é destruir a Educação, a Cultura e o Meio Ambiente para poder reinar absoluto. Simples assim.
Não por acaso, esses são os três setores da sociedade brasileira historicamente com maior capacidade de mobilização contra os governos tiranos.
Estudantes, professores, artistas e ambientalistas sempre estiveram na linha de frente na defesa da democracia e da liberdade em nosso país.
É até difícil acreditar que Fernanda Montenegro e Abraham Weintraub, Chico Buarque e Ricardo Salles, Paulo Freire e doutora Damares tenham nascido e vivam no mesmo país.
Com a destruição dos sindicatos e suas centrais, consumada pela “reforma trabalhista”, e a implosão dos partidos promovida pela Lava Jato, a única resistência que resta ao bolsonarismo em marcha vem das universidades, dos palcos e das ONGs que defendem a Amazônia e os povos da floresta ameaçada.
Os próximos alvos anunciados neste final de ano são os reitores das universidades federais e os estudantes em dívida com o Fies.
“MEC muda regra do Fies e pode cobrar na Justiça 584 mil alunos em atraso”, informa o Estadão deste sábado.
Criado nos governos do PT para facilitar o acesso de alunos pobres à universidade, o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) vai oferecer menos financiamentos a partir de 2021 e exigirá nota mínima de 400 na redação do Enem para firmar contratos.
Até hoje, a cobrança de prestações atrasadas era feita no âmbito administrativo, mas nesta sexta-feira o MEC do inominável Weintraub resolveu fazer a cobrança judicial dos contratos firmados até o segundo semestre de 2017.
Se antes os estudantes já não conseguiam pagar as prestações, com o aumento do desemprego e a queda na renda, muito menos agora terão condições de saldar uma dívida que já chegou a R$ 12 bilhões.
Ou seja, mais de meio milhão de estudantes podem ser jogados para fora das universidades pela Justiça.
Embora a ditadura ainda não tenha sido oficializada no Brasil, os métodos são os mesmos dos militares que deram o golpe em 1964 e colocaram a Educação e a Cultura na linha de tiro logo nos primeiros dias.
Uma das primeiras medidas dos generais foi acabar com o Programa Nacional de Alfabetização, baseado no método de Paulo Freire, criado em janeiro de 1964 pelo presidente deposto João Goulart.
Não é de agora que os militares qualificam o maior educador brasileiro de todos os tempos como “energúmeno comunista”.
No dia 2 de abril de 1963, na solenidade de formatura da primeira turma de alfabetização de adultos em Angicos, no Rio Grande do Norte, com a presença de Jango, o então comandante do IV Exército, general Humberto Alencar de Castello Branco, que um ano depois se tornaria ditador empossado, não gostou do que viu e ouviu.
Durante o jantar oferecido às autoridades naquela noite, Castello Branco disse ao secretário de Educação do Rio Grande do Norte, Calazans Fernandes, que aquele trabalho de alfabetização serviria para “engordar cascavéis nesses sertões”.
Ao próprio Paulo Freire, o general disse que já havia sido alertado sobre o seu “caráter subversivo” e que agora estava convencido disso por sua defesa de uma “pedagogia sem hierarquia” (página 72 do livro “O Educador”, de Sergio Haddad, sobre o qual já escrevi na coluna anterior).
O Programa Nacional de Alfabetização tinha como meta alfabetizar 5 milhões de pessoas, que ganhariam o direito de votar, ampliando o colégio eleitoral em quase 40%, um golpe fatal nos currais de gente cevados pelos coronéis nos grotões do país, que sobrevivem até hoje.
Paulo Freire teve que partir para um longo exílio e o Brasil viveria a longa noite de 21 anos de uma feroz ditadura, que prendeu, torturou e matou, e acabou com as liberdades públicas e os direitos civis.
O Plano Bolsonaro nada mais é do que o prolongamento desse regime de exceção e arbítrio, agora pelo voto.
Ninguém pode alegar que foi enganado: durante toda sua campanha, o ex-capitão anunciou o que faria e agora suas ameaças à democracia estão sendo cumpridas, uma a uma.
Bom final de semana.
Vida que segue.


Lojistas de shopping contestam propaladas (ou manipuladas informações sobre) altas de vendas do Natal da Globo pró-governo (para enganar o povo)



Esta não foi bem a realidade dos pequenos varejistas de shoppings, que entendem esse número inflado como uma ‘manipulação com alguma segunda intenção’

Do GGN:

Lojistas de shopping contestam propaladas altas de vendas do Natal


Foto Correio Braziliense
Jornal GGN – A Associação Brasileira dos Lojistas Satélites (Ablos) não ficou nada satisfeita com a comemoração da Alshop, que reúne lojistas de shoppings. Com adesão dos globais e grande imprensa a Alshop afirmou que o comércio natalino no varejo de shoppings subiu 9,5%, com crescimento anual de vendas superior a 7,5%. As informações são da coluna Painel, da Folha.
Esta não foi bem a realidade dos pequenos varejistas de shoppings, que entendem esse número inflado como uma ‘manipulação com alguma segunda intenção’, conforme declaração de Tito Bessa Jr, presidente da Ablos e fundador da TNG.
Bessa planeja processar a Alshop e questionar a fonte de informação divulgada sobre o crescimento das vendas de Natal.
O presidente da Ablos aponta que, segundo pesquisa interna da associação, 70% das lojas tiveram desempenho pior ou igual a 2018 e 30% disseram que melhorou pouco. E esse pouco é em torno de 2% ou 1,5%, jamais 9,5%. O aumento pode ter sido pontual, entende Bessa Jr., ‘mas falar que o varejo cresceu 9,5% é uma mentira’, completa.
Outros lojistas confirmam os números apontados por Bessa Jr., como Ângelo Campos, da MOB, que afirma que vários lojistas apontaram quedas nas vendas, ou Fernando Kherlakian, da Khelf, que diz ter tido uma queda de 2% e ‘eles estão falando que o mercado em geral cresceu 9%’, disse e completa, ‘Não é real isso’.
O fundador da SideWalk, Tinho Azambuja, também não está satisfeito com esses números inflados e diz que logo no começo do ano enviará notificação extrajudicial pedindo explicações. ‘Eu quero saber de onde veio esse número totalmente irreal’, diz ele.
A Ablos foi fundada justamente para atender lojistas insatisfeitos com a representatividade no setor, com mais de 90 marcas satélites, aquelas lojas menores com até 180 metros quadrados.
A Alshop respondeu à coluna que a pesquisa é por amostragem, para chegar aos números divulgados pela grande imprensa. “A entidade esclarece que o crescimento declarado de 7,5% é nominal, correspondendo a um crescimento real de 3,6%, descontada a inflação de 2019. As principais entidades de representação do comércio apresentam dados que corroboram nossa estatística”, diz a nota.
O GGN já vinha alertando sobre esta capacidade de selecionar indicadores para enfeitar o desempenho pífio da economia. A Alshop, bem como a grande mídia, estão replicando um modelo muito em voga atualmente. Leia aqui sobre como criar expectativas positivas no Raio X do Comércio, de Luis Nassif.

Balanço de 2019: o império da impostura, por Leonardo Boff



Ao fazer um balanço do ano, o teólogo Leonardo Boff afirma: "Estamos vivendo sob o império da impostura no campo nacional e no internacional". E apresenta um vaticínio assustador ao olhar para o Brasil com Bolsonaro e os EUA com Trump: "o destino humano dificilmente escapará de uma tragédia"


Bolsonaro e Trump
Bolsonaro e Trump (Foto: Alan Santos/PR)

Texto de Leonardo Boff, republicado pelo 247:

Afora os grandes empresários que aplaudem calorosamente o ministro Paulo Guedes porque ganham com a crise, o balanço de 2019 na perspectiva das vítimas dos ajustes fiscais, dos que perderam direitos na reforma da previdência e dos resistentes é repudiável.
Instalou-se aqui o império da impostura. Um presidente que deveria dar exemplo ao povo de virtudes que todo governante deve ter, realizou atos acintosos que na linguagem religiosa, bem entendida por ele, são verdadeiros pecados mortais. Pela moral cristã mais tradicional é pecado mortal caluniar certas ONGs, bem o ator Leonardo di Caprio culpando-os de incentivar os incêndios da Amazônia ou difamando o reconhecido educador Paulo Freire e o cientista Ricardo Galvão ou mentir contumazmente mediante fake news e alimentar ódio e rancor contra homoafetivos, LGBTI, indígenas, quilombolas, mulheres e nordestinos. A lentidão no julgamento do massacre de Brumadinho-MG e de Mariana-MG está mostrando a insensibilidade das autoridades. Algo parecido ocorreu com o derrame ignoto(?) de petróleo em 300 praias de 100 municípios do Nordeste.
Não cabe a ninguém julgar sua intenção subjetiva. Isso é coisa para Deus. Mas cabe fazer um juízo  sobre fatos e atos, portanto, realidades objetivas e concretas para as quais cabe um juízo ético e teológico. Tal atitude imoral foi entendida por muitos como carta branca para desmatar mais, assassinar lideranças indígenas e a polícia tornar-se mais violenta e até assassina.
Estamos vivendo sob o império da impostura no campo nacional e no internacional. Um psicanalista francês, Roland Gori escreveu um instigante livro “La fabrique des imposteurs”(Paris 2013). Para ele o impostor é aquele que prefere os meios aos fins, que nega as verdades científicas, que distorce a realidade solar, que não se rege por valores porque é apenas um oportunista, que afirma algo e logo depois o nega conforme suas conveniências, que pratica a arte de iludir as pessoas ao invés de emancipá-las pelo pensamento critico, que despreza o cuidado pelo meio ambiente, que passa por cima das leis, que culpabiliza os pobres e que não demonstra  amor nem  piedade.
O que transcrevi aqui está referido no livro “La fabrique des imposteurs” e representa um retrato da atmosfera de impostura reinante nas mais altas instâncias políticas do Brasil.
As medidas contra a educação, a saúde, a ciência, ao meio ambiente e aos direitos humanos concretiza a mais rude impostura contra tudo o que se construiu de positivo nos últimos decênios. Somos conduzidos a um estágio regressivo, anterior ao iluminismo, numa mentalidade fundamentalista com viés fascistóide.
Talvez o ato para nós mais humilhante foi o gesto de vassalagem explícita do atual governante ao presidente dos USA, oferecendo-lhe o que podia sem receber nada em troca. Risível e ridículo foi quando, numa recepção de chefes de estado lhe diz a Trump “I love you” e recebeu apenas 17 segundos de atenção.
A impostura grassa veemente, em primeiro lugar, nos USA onde o presidente Trump, segundo repete Paul Krugman, Nobel de economia, constitui um perigo para a humanidade. Mente a mais não poder e se justifica ao dizer que são “verdades alternativas”. Igual impostura ocorre nos países ultra neoliberais onde o povo se rebela como no Chile, no Equador,na Colômbia, culminando com um golpe de estado contra a população indígena e seu representante na Bolívia, lançando o povo na fome e no desespero.
Perigosa impostura ocorreu na COP25 em Madrid que contra todas as evidências e dados científicos predominaram os negacionistas do aquecimento global, o Brasil incluído. Contra eles o relatório final recolhe a advertência da ONU:”Se nada fizermos, no final do século, a temperatura pode aumentar de 4-5 graus”. Com estes níveis, a vida que conhecemos não subsistirá. Será um verdadeiro Armagedom ecológico. Nossa espécie correrá perigo.
Não obstante esta atmosfera tenebrosa cabe celebrar a libertação de Lula, vítima da aplicação da law fare, instrumento de perseguição política com o objetivo de prendê-lo. O que ocorreu.
Termino com as palavras severas do prêmio Nobel de medicina de 1974, Christian de Duve:”A perspectiva não é apenas preocupante: é aterrorizante. Se não conseguirmos conter o crescimento demográfico (poderia dizer o aquecimento global) racionalmente, a seleção natural fará isso por nós irracionalmente, às custas de privações sem precedentes e de danos irreparáveis ao meio ambiente. Tal é a lição que quatro bilhões de anos  nos oferece a história da vida na Terra”(Poeira vital 1997,369).
Bem o enfatizava o Papa Francisco em sua encíclica ecológica:”as previsões catastróficas não se podem olhar com desprezo e ironia”(n,161). A impostura nos faz surdos a estes clamores. Por causa disso, o destino humano dificilmente escapará de uma tragédia.
Leonardo é teólogo e filósofo e escreveu:A saudade de Deus-a força dos pequenos, Vozes 2019.

Jeferson Miola: PF de Moro não investiga terrorismo; mas é usada como Gestapo para perseguir Lula








Jeferson Miola acredita que o ministro da Justiça de Jair Bolsonaro, Sérgio Moro, é tão ou mais nefasto que seu chefe. Para Miola, Moro converteu a PF na Gestapo bolsonarista e a usa para praticar o seu esporte predileto: "a perseguição ao Lula"

Do Brasil 247:

(Foto: ADRIANO MACHADO - REUTERS)



O ministro da justiça Sérgio Moro transformou a Polícia Federal na sua polícia política. Ele converteu a PF na Gestapo bolsonarista – o equivalente à polícia política secreta da Alemanha nazista.


Moro tem uma mentalidade fascista, é adepto do direito penal do inimigo. Ele é um violador contumaz do ordenamento jurídico brasileiro. Moro aprofunda o regime de exceção para operar interesses ideológicos e partidários bem definidos.
Moro já comandava a Polícia Federal quando ainda chefiava a Lava Jato em Curitiba. Ele direcionava a instituição para atuar na perseguição ao único adversário político capaz de atrapalhar a viabilidade do seu projeto fascista. O alvo estratégico, principal – na verdade, sua obsessão doentia – sempre foi Lula.
Na verdadeira saga que foi [e continua sendo] a perseguição ao Lula, Moro praticou as pilantrices jurídicas reveladas pelo Intercept que, se o instituto do juiz de garantias estivesse vigente à época, ele seria preso e a Lava Jato detida [ler aqui] – desde, claro, que o juiz de garantias como contraparte do Moro não fosse um Vitor Laus, ou um Gerbran Neto, ou um Thompsom Flores, ou um Leandro Paulsen …
Como chefe da Lava Jato, e com o auxílio de Deltan Dallagnol, Moro deturpou o trabalho de combate à corrupção. Maniqueísta, instrumentalizou a retórica anti-corrupção para endeusar a si mesmo e, em contraste, demonizar Lula no imaginário social.
Não por outra razão o ministro do STF Gilmar Mendes define a força-tarefa da Lava Jato como uma autêntica ORCRIM, organização criminosa.
Neste momento terrível em que o Brasil se depara com o mais grave ato terrorista cometido no país desde os atentados a bombas na OAB em 1980 e no Riocentro em 1981, Moro não investiga o atentado terrorista perpetrado por um grupo de extrema-direita contra a sede do Porta dos Fundos. Em razão disso, Moro comete crime de responsabilidade [ler aqui].
Os terroristas assumiram a autoria do atentado em vídeo que tem a mesma estética dos vídeos da Al Queida, do Talibã e do Estado Islâmico, que infundem pânico, medo e terror generalizado.
O vídeo dos terroristas mostra ao fundo cenas dos bombardeios e explosões enquanto 1 dos 3 facínoras encapuzados lê – com a voz metalizada para dificultar sua identidade – um manifesto ameaçador e amedrontador.
Moro, apesar desse cenário aterrador, não só se calou, como deliberadamente se omitiu. Com sua omissão, ele desobedeceu o comando disposto no artigo 11 da Lei Antiterrorismo, que manda a Polícia Federal presidir a investigação criminal de atos de terrorismo [ler aqui].
Ao mesmo tempo em que passou uma mensagem de leniência ao extremismo da extrema-direita, Moro usou a PF para seu esporte predileto: a perseguição ao Lula.
E a PF fascistizada, para atender o desejo do tirano, indiciou Lula numa farsa que é mais que hilária, é burlesca.
O resumo da farsa continuada é o seguinte: no inquérito a PF [1] reconhece que o Instituto Lula recebeu doações legais de empresas, sob os mesmos parâmetros que entidades de outros ex-presidentes não molestados pela Lava Jato receberam. A PF também reconhece [2] a lisura e legalidade nos valores recebidos pelas palestras do Lula [aliás, algumas vezes maior que as merrecas pagas a palestras do FHC].
Mas, apesar da absoluta inexistência de motivos, a PF do Moro indiciou Lula por suposto recebimento de propina da Odebrecht [sic]. Melhor que mil parágrafos, a patética declaração do delegado da Gestapo Dante Pegoraro Lemos explica por si este desatino:
“A se considerar a missão específica das palestras proferidas pelo ex-presidente da República, não vislumbramos, isoladamente, a configuração de crime. Ressalvamos, contudo, que apurações específicas podem vir a demonstrar que alguma palestra em si ou mesmo serviços adicionais realizados possam configurar a prática de conduta típica”.
Mera coincidência ser Dante o delegado a escancarar as portas do inferno dantesco …
Note-se que primeiro Dante cita “a missão específica” que atesta que “não vislumbramos, isoladamente, a configuração de crime”.
Em seguida, um Dante contraditório e falsificador, a serviço do Moro na perseguição a Lula, ameaça que “apurações específicas” “possam configurar a prática de conduta típica”.
Moro é tão ou mais nefasto que Bolsonaro, porque ele não é menos nazi-fascista que Bolsonaro.
Moro descumpre conscientemente a Lei. Ele faz da afronta permanente ao Estado de Direito um método para erodir o ordenamento jurídico ainda vigente para aprofundar o Estado de Exceção no qual ele reina com seu sócio miliciano.
Com sua omissão no atentado terrorista contra a Porta dos Fundos e na perseguição descarada ao Lula, Moro cometeu crimes de responsabilidade e, por isso, tem de ser submetido ao rito de impedimento.



Ataque nazista-integralista ao “Porta dos Fundos”: canastrice, false flags e psi-zumbis, por Wilson Ferreira




Bem-vindo ao mundo das false flags Tabajara, terroristas canastríssimos de segunda mão em vídeos toscos, como o da “Frente Integralista Brasileira” que reivindicou a autoria do ataque à produtora do Porta dos Fundos.

por Wilson Ferreira 

Sim… Nós também temos terroristas! Mas não importa se estão em vídeos mal produzidos ou dirigidos, falando um espanhol com sotaque carioca ou mesmo um português macarrônico, e soltando palavras-clichê como “burguês” ou “revolucionário” a cada cinco segundos. Dizem representar “Comandos” ou “Sociedades” cujos nomes fariam rolar de rir os integrantes do grupo de humor Monty Python. Bem-vindo ao mundo das false flags Tabajara, terroristas canastríssimos de segunda mão em vídeos toscos, como o da “Frente Integralista Brasileira” que reivindicou a autoria do ataque à produtora do Porta dos Fundos. O que é mais engraçado? O vídeo “terrorista” ou um esquete do Porta dos Fundos?  Clamam por uma ação da Justiça contra um “atentado terrorista”, cuja prova é uma “false flag” tosca e mal produzida. Então o que há de real e mais preocupante nesse não-acontecimento? Certamente o vídeo deve ter vindo das insondáveis profundezas da Deep Web. Mas não de Integralistas. Mas de “Incels” (Celibatários Involuntários), Hominis Sanctus ou de algum tipo de supremacismo branco e hetero ressentido – o farto exército industrial de reserva psi-zumbi pronto para servir ao primeiro cripto-comando de um Estado Policial que busca o pretexto para impor o “Patriot Act Tabajara”.

Este Cinegnose vem ao longo desses dez anos insistindo na tese de que as diferenças entre ficção e realidade cada vez mais estão se perdendo – enquanto a ficção torna-se cada vez mais “realista” (ou hiper-realista com a evolução dos recursos tecnológicos), a realidade tende a querer emular essa realidade ficcional.
Por isso a realidade tende a se tornar cada vez mais “canastrona”: over, estereotipada, saturada. E o mais sério: a credibilidade ou verossimilhança de um evento estará na relação direta da semelhança com as imagens ficcionais.
A coisa fica ainda mais séria quando essa, por assim dizer, “ontologia invertida” começa a entrar no campo da Política. O velho paradigma hipodérmico da propaganda política começa a dar lugar a uma sofisticada engenharia de percepção para tornar críveis false flags ou inside Jobs que se tornam pautas sérias para agenda midiáticas.

O 11 de setembro foi o (pseudo) evento inaugural da ação política através de armas não-convencionais (guerra híbrida, bombas semióticas etc.) – trazer para a realidade a recorrente destruição de Nova York, recorrente na indústria do entretenimento daquele país desde a transmissão radiofônica de “Guerra dos Mundos”, de 1938.
Esse não-acontecimento justificou o “USA Patriot Act” de George Bush, paradigma para o século XXI, onde sem qualquer autorização da Justiça (seja dos EUA ou de outros países) órgãos de segurança e inteligência dos EUA poderão invadir a privacidade de qualquer um suspeito de conexões com “práticas terroristas” – conceito tão elástico quanto se queira.
Outro exemplo? A célebre Guerra Fria, glamourizada dos filmes de James Bond às incursões de Rambo no Afeganistão cenográfico dos anos 1980, é requentada num “conflito cibernético” que poderá interferir nas eleições americanas de 2020 – quando sabemos que as fábricas de memes e fake news que que beneficiaram Trump foi tudo, menos exclusividade dos RAVs (Russos, Árabes e vilões em geral) hollywoodianos – clique aqui.
 E… sim, nós também temos terroristas! Pelo menos é o que vem sendo ensaiado no Brasil, logo imediatamente após do impeachment da presidenta Dilma Rousseff.
O evento-encenação da “célula-amadora” dos terroristas com armas de paintball
Com um ministro Raul Jungman vestido de colete de campanha e “papagaios de pirata” para as câmeras com roupas de camuflagem e o ministro do STF Alexandre Moraes grave e gaguejante, anunciando a poucos dias dos Jogos Olímpicos a existência de uma “célula amadora” islâmica no Brasil – a “verdade” comprovada com fotos do terrorista que, na verdade, tinha uma arma de paintball – clique aqui.
Desde então é recorrente o controle da agenda midiática para pautar o discurso da ameaça terrorista como ensaio para o fechamento político, através do estímulo de um cenário progressivo de confrontação.
O vídeo que apenas foi visto no Brasil sobre a FARC ameaçando Bolsonaro (num sofrível espanhol com sotaque carioca…), a matéria da revista Veja de julho desse ano o líder terrorista da Sociedade Secreta Silvestre (SSS) revelava planos para matar Bolsonaro (terrorista que anuncia seus planos “secretos”…), claro, numa entrevista direta das profundezas irrastreáveis da Deep Web…
… e agora um revival do vídeo de um grupo com o inacreditável nome de “Comando de Insurgência Popular Nacionalista da Família Integralista Brasileira”, reivindicando a autoria do ataque a bombas caseiras contra a produtora do grupo Porta dos Fundos – supostamente, um grupo inconformado com o especial de Natal do grupo de humor “A Primeira Tentação de Cristo”, figurando um Jesus gay.
Porém, o mais inacreditável nem foi o atentado com bombas incendiárias, mas levar à sério um vídeo mal produzido e canastríssimo como evidência de “atentado terrorista”.
A melhor descrição desse vídeo talvez venha da ironia do escritor Antonio Prata: “Sei que é ingenuidade minha, mas ainda aguardo a revelação de que o atentado do Porta dos Fundos era uma piada deles mesmos só para lança a piada mor: o vídeo dos integralistas carioquistas sotaquistas de neopentecostalistas avec monty python no úrtimo”.
Dentro do contexto político atual de um governo que deliberadamente está buscando a confrontação para criar seu próprio Patriot Act, por meio da estratégia de saturação na pauta midiática da figura do terrorista (inédita por essas plagas), é impossível não considerar esse vídeo uma false flag, um “não-acontecimento”.
Porém tosco, mal dirigido e produzido e que não consegue chegar ao nível dos vídeos false flags das execuções do Estado Islâmico produzidos em 2015 por empresas terceirizadas do Pentágono e da CIA – clique aqui.

O vídeo tosco

De tão tosco e infantil, certamente o vídeo deve ter vindo das insondáveis profundezas da Deep Web. Mas não de Integralistas que tentam manter os ideais de Plínio Salgado. Mas de “Incels” (Celibatários Involuntários), Hominis Sanctus, PUAs (Pickup Artists) ou de algum tipo de supremacismo branco e hetero ressentido – o farto exército industrial de reserva psíquico zumbi pronto para servir ao primeiro cripto-comando de um Estado Policial – voltaremos a esse ponto adiante.
Primeiro, é uma paródia over de todos os vídeos da Al Qaeda, ISIS, Estado Islâmico etc. Algo assim como o roqueiro Supla ser uma paródia de Billy Idol que, por sua vez, já era nos anos 80 uma caricatura de Sid Vicious do punk dos anos 70… O vídeo é uma cópia da cópia da cópia… até virar uma nota de três reais.
Mal produzido: a bandeira (Brasil do Império!) e as roupas parecem que foram tiradas naquele instante de alguma arara ou guarda-roupa cenográfico – não estão surradas ou usadas como se presa de um grupo clandestino com intensa atividade terrorista. E ainda mal-ajambradas e com péssimo caimento sobre o corpo dos “atores” – parece algum vídeo feito nas coxas no quarto da casa de um dos “atores”, enquanto a mãe impaciente grita chamando todos para o almoço…
O discurso ambíguo: a cada cinco segundos o sujeito fala “burguês”, “popular” e “revolucionário”, sugerindo um discurso de esquerda. Mas a pauta é de direita: defesa da família, “contra a atitude antipatriótica, blasfema do grupo de militantes marxistas do Porta dos Fundos”.

Efeito Firehose

Na mosca! O vídeo dá munição tanto à direita quanto à esquerda para se acusarem mutuamente sobre a natureza fake do vídeo e do próprio “atentado” – só poderia ter sido armação de um dos lados…