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sexta-feira, 10 de junho de 2022

ICL Notícias - O Tigrão de papel virou tchutchuca na Cúpula das Américas e miou fino diante de Biden

 

Do Canal de Eduardo Moreira:



Pedro Barciela é consultor de análise e monitoramento de redes sociais online. Atuando na área há sete anos e com experiência em diversos países da América Latina, foca seus estudos, trabalhos e análises no debate político, polarização nas redes e disputas eleitorais nessas plataformas. Elias Vaz foi vereador por cinco mandatos em Goiânia, de 2001 a 2018, e foi eleito deputado federal pelo PSB-GO nas eleições de 2018, onde atua até o presente momento. O seu trabalho de fiscalização do dinheiro público é um dos destaques do mandato. Elias Jabbour é professor da Faculdade de Ciências Econômicas da UERJ e autor de diversos livros sobre a China, sendo o mais recente "China: o socialismo do século XXI" (Boitempo Editorial, 2021).


domingo, 26 de julho de 2020

Forças Armadas pagaram R$ 2,6 milhões, dinheiro dos cofres públicos, para empresas de militares da ativa


Pelo menos 14 empresas que têm militares da ativa no seu comando ou são sócios tornaram-se fornecedoras das Forças Armadas desde 2014


(Foto: Marcos Corrêa/PR)

247 - Pelo menos 14 empresas que têm militares da ativa no seu comando ou são sócios tornaram-se fornecedoras das Forças Armadas, informou reportagem do Metrópoles. A informação trata de negociações iniciadas em 2014 com informações que estão no Portal da Transparência. As empresas receberam pelo menos R$ 2,6 milhões dos cofres públicos, indica a matéria.
“Em alguns dos exemplos, os contratos foram fechados com unidades militares das mesmas regiões ou de iguais comandos. Em três situações, as empresas com militares no quadro de sócios venderam bens e serviços para os exatos batalhões onde eles estavam lotados na época da negociação ou em um período próximo”, destaca.

terça-feira, 9 de junho de 2020

New York Times: A cruzada hipócrita de Sérgio Moro contra Jair Bolsonaro (e vice-versa), por Gaspard Estrada




Agora que deixou o governo brasileiro, o ex-juiz e ex-ministro redescobriu os benefícios do estado de direito que ele contribuiu para colocar em risco. Não devemos esquecer isso.

Foto Lula Marques

do The New York Times

A cruzada hipócrita de Sérgio Moro contra Jair Bolsonaro

por Gaspard Estrada

O Brasil está passando por muitas crises ao mesmo tempo. Ele está prestes a se tornar um dos epicentros globais da pandemia e uma crise política está se aprofundando a cada dia também.
Nas últimas semanas, pelo menos quatro ministros do governo de Jair Bolsonaro renunciaram ou foram forçados a renunciar. Talvez a demissão mais desafiadora para o presidente seja a de seu ex-ministro da Justiça, Sérgio Moro. Quando se demitiu, acusou Bolsonaro de querer interferir politicamente na polícia federal. Dessa forma, o ex-juiz – que liderou a operação anticorrupção Lava Jato – deixou clara sua intenção de recuperar o papel de “justiça” no Brasil que o levou à fama.
Mas, ao fazer isso, Moro se aventura em terrenos pantanosos.
No fundo dessa mudança repentina do ministro estelar de Bolsonaro para seu perseguidor, há um paradoxo de que os brasileiros não devem perder de vista. Em 2017, como autoridade do judiciário, Moro condenou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e sua frase se tornou popular: “A lei é para todos”. Mas quando as informações foram divulgadas mais tarde sobre como o ex-juiz manipulou os mecanismos de denúncia e que ocultou evidências do processo no Supremo Tribunal Federal – ele sentenciou Lula da Silva por “atos indeterminados ex officio” com a aprovação do tribunal de recurso de Porto Alegre, que considerou que a operação Lava Jato “não precisa seguir regras processuais comuns” –, ficou evidente que para ele a lei não é a mesma para todos.
Então, quando Moro acusou Bolsonaro de querer politizar a justiça, tentando interferir com a polícia federal para obter informações de investigações em andamento, faríamos bem em ver a ironia.
Embora seja essencial investigar a suposta tentativa de Bolsonaro de interferir em órgãos judiciais autônomos, a justiça e os cidadãos não devem parar de questionar (e investigar) os métodos de Moro em sua cruzada anticorrupção quando ele era juiz e seu silêncio e cumplicidade quando ele era um membro do governo Bolsonaro.
A revelação dos laços entre a família do presidente e as milícias que controlam grande parte do Rio de Janeiro e as tentativas do presidente, divulgadas ao público nos últimos meses, de impedir investigações judiciais dão credibilidade às alegações de Moro. No entanto, o que o ex-juiz não disse à opinião pública – ou aos policiais que o questionaram recentemente – é que, segundo algumas investigações jornalísticas, ele também usou sua influência política como ministro. Segundo o próprio Bolsonaro, Moro deu a ele informações privilegiadas sobre as operações policiais federais em andamento que poderiam afetar membros de seu governo.
Mesmo antes de sua chegada ao gabinete de Bolsonaro, durante seu período na magistratura, Moro deu sinais claros de não respeitar o Estado de Direito. Como juiz encarregado de Lava Jato, ele não parou de intimidar e intimidar as poucas pessoas que o criticaram na época, fossem jornalistas, advogados ou membros da academia. Embora ONGs como Repórteres Sem Fronteiras ou organizações como a Ordem dos Advogados do Brasil protestassem contra os métodos de Moro, o juiz manteve suas práticas e até espionou ilegalmente conversas telefônicas entre advogados e clientes para antecipar estratégias de defesa.
Em vez de apresentar sua demissão, Moro se limitou a pedir desculpas à Suprema Corte. Essa estratégia é comum no governo Bolsonaro: basta admitir culpa e não sofrer consequências legais. O ministro da Cidadania Onyx Lorenzoni pediu desculpas por receber dinheiro ilegal por suas campanhas eleitorais. Em vez de iniciar uma investigação oficial pela polícia federal – sob seu comando – Moro expressou “admiração” por seu colega “assumindo a culpa e tomando medidas para reparar seu erro”. O próprio Jair Bolsonaro pediu desculpas (recentemente, a um jornalista que ele havia silenciado) sem maiores repercussões.
Quando Moro era ministro de Bolsonaro, ficou calado diante de vários ultrajes democráticos. Ele não disse nada quando o presidente começou a intervir nos principais organismos estaduais com a intenção de controlá-los. E foi assim que o Tesouro e os serviços de inteligência foram progressivamente supervisionados pelo ambiente Bolsonaro. E mesmo alguns dias antes de renunciar, Moro sugeriu ao presidente uma maneira legal de reduzir os poderes de inspeção do IBAMA.
Um exercício de memória teria que ser feito. Bo final de 2018, quando Moro concordou em se juntar ao governo Bolsonaro, ele parecia vender a ideia de que sua incorporação seria uma garantia de respeito pelo Estado de Direito. Graças às revelações do jornalista Glenn Greenwald e do arquivo Vaza Jato, hoje conhecemos sua idéia do Estado de Direito: conluio entre o juiz e a promotoria, seletividade nas investigações, manipulação de reclamações e motivações financeiras por trás da faixa “anticorrupção”. Quando essas informações foram divulgadas, Moro respondeu adotando a mesma estratégia do Presidente: associando jornalistas a criminosos e tentando destruir evidências.
Agora que deixou o governo, Moro redescobriu os benefícios do Estado de Direito e a liberdade de imprensa que ele contribuiu para colocar em risco. Não devemos esquecer isso.
Hoje, a democracia brasileira está em perigo. Embora Moro tenha feito a coisa certa renunciando e denunciando possíveis violações da lei do presidente, o sistema de justiça brasileiro deve julgar as investigações de seus métodos como juiz e ministro o mais rápido possível.
Se o próprio Moro quis defender a democracia do país e impedir que os reveses autoritários aprofundassem a distopia brasileira, ele deveria desistir de suas ambições políticas e reconhecer que a corrupção não pode ser combatida usando métodos corruptos. Um pedido de desculpas não é suficiente.
Gaspard Estrada ( @Gaspard_Estrada ) é diretor executivo do Observatório Político para a América Latina e o Caribe (OPALC) da Sciences Po, em Paris. O autor é especialista em política latino-americana.

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terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

O Jornalista Eric Nepumuceno escreve sobre Jair Messias, sua família, o discurso de eliminação dos considerados inimigos ao tempo que grita, para se fazer de belo, por valores cristãos e a distorção da verdade e da memória sempre que estes lhes são inconveninetes...





"Quanto à própria memória, Jair Messias sabe perfeitamente distorcê-la a cada instante, mentindo enfaticamente sobre tudo que seja inconveniente lembrar. Triste, estranha, bizarra e perigosa, perigosíssima figura, esse Jair Messias. Até quando vai continuar destroçando tudo sem que ninguém se mostre capaz de conter semelhante voracidade?", escreve o jornalista Eric Nepomuceno 

 
 


Bolsonaro desmonta biblioteca do Planalto.
Bolsonaro desmonta biblioteca do Planalto. (Foto: Divulgação)

Eric Nepomuceno, para o Jornalistas pela Democracia 


Pode parecer um tema menor: Jair Messias mandou diminuir pela metade o espaço destinado à memória da República no Palácio do Planalto.

Sim, sim, pode parecer um tema menor, mas é altamente significativo e representativo do que está acontecendo neste país enlodaçado. 

E o que era esse espaço?

O guardião de uns 42 mil documentos, mais de três mil discursos, enfim, a memória da República. Foi criado há mais de cem anos, e nada será perdido, assegura Jair Messias: o que sumiu foi o espaço destinado a pesquisadores ou de qualquer um que quisesse consultar o acervo.
É que Jair Messias decidiu destinar esse à sua senhora esposa e seu trabalho de solidariedade voluntária. 

Como a senhora em questão já dispunha de gabinetes em outro edifício público, a decisão só pode obedecer a dois motivos.

O primeiro: para quem vive em combate permanente e implacável contra as artes e a cultura do seu próprio país, a memória é um estorvo. A não ser, claro, quando devidamente distorcida por ele e seus asseclas: afinal, basta lembrar que para Jair Messias e quem o cerca nunca houve ditadura neste país, e um dos mais abjetos torturadores é um herói incompreendido.

O segundo motivo é seu imenso amor pela família, o que leva Jair Messias a fazer o que for com tal de ter sua senhora esposa por perto o tempo todo ou quase: afinal, não se tem notícia concreta do trabalho dela e muito menos se pretende dar expediente em regime integral.
 
Nunca, porém, será demais destacar o valor que Jair Messias dá à família. Tanto é assim, que já está na terceira.

É bem verdade que das duas anteriores ele saiu enroscado. Uma de suas ex-companheiras o denunciou logo depois da separação tormentosa, assentando acusações de ameaças e até mesmo de ele ter se apoderado de uma considerável quantia de dinheiro, além de joias. 

A acusação foi depois retirada, ninguém até hoje sabe a que custo.

O fim de outra família foi igualmente conturbado: Jair Messias botou seu filho do meio, Carlos, na época menor de idade, para disputar uma cadeira de vereador contra a própria mãe, que tentava a reeleição. Para isso, emitiu uma autorização especial junto à Justiça Eleitoral. 

Carlos ganhou sua cadeira de vereador, mas não deve ter sido fácil derrotar a própria mãe. Isso, aliás, talvez explique o fato de ser ele o mais hidrófobo dos filhos do casal desfeito.

 Há também em seus discursos, pronunciamentos e falas espalhadas a esmo, uma defesa intransigente dos valores cristãos.

Bem: cada um pode ter uma visão pessoal de quais valores seriam esses. Eu, por exemplo, mesmo sendo agnóstico ateísta, ou seja, além de não ter como provar a existência de um deus sequer acredito que ele exista, entendo que generosidade, lealdade e solidariedade sejam valores cristãos.

Ora, Jair Messias não soube ser generoso a não ser com seus filhotes (com os abandonados e desprezados por esta sociedade de uma desigualdade indecente, nem pensar); não soube ser leal a quem o ajudou de maneira decisiva a chegar onde chegou (basta recordar Gustavo Bebbiano ou o patético Magno Malta, para não mencionar as Organizações Globo); e sua noção de solidariedade só vale para quem veste ou vestiu farda antes do pijama de agora. Para o resto dos brasileiros, ela é tão firme como seu equilíbrio emocional. Ou seja, não existe.
 
E a memória? Ah, a memória: aí está uma característica que ele despreza soberanamente. 

Costuma deixar claro de toda claridade que não acredita que alguém tenha memória suficiente para lembrar o que ele fez no passado (e ainda assim, do que se sabe que ele fez, porque há muito segredo nessa trama). 

Quanto à própria memória, Jair Messias sabe perfeitamente distorcê-la a cada instante, mentindo enfaticamente sobre tudo que seja inconveniente lembrar.

Triste, estranha, bizarra e perigosa, perigosíssima figura, esse Jair Messias. Até quando vai continuar destroçando tudo sem que ninguém se mostre capaz de conter semelhante voracidade?

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

Desde o golpe, na imposição da selvageria neoliberal do mercado financeiro, quanto mais economizamos, mais devemos




Um milagre às avessas rege nossa economia. Desde 2015, cortamos salários, aposentadorias e direitos sociais. Mas dívidas do Estado multiplicam-se: ano passado cresceu 9,5%, chegando R$ 4,2 tri. São os estranhos efeitos da “austeridade burra”
O cantochão da fé liberal é apresentado como ciência e tem por um dos dogmas a redução da dívida pública, “mal entre males”
A seita prega urbi et orbi que só a mais aloprada “austeridade” fiscal conduz o rebanho a esse paraíso do “dever pouco”. Para isso, vale cortar tudo: salários, aposentadorias, benefícios, direitos, fornecimento de remédios, conserto de teto de escola, obras que evitam enchentes, conservação das estradas, pesquisa científica, implantação de rede de esgoto.
Pois bem. Desde 2015, essa vara de econobreiros comanda a economia nacional. O que nos contam agora, do alto de seus púlpitos?
Que, após cinco anos de vodu, a dívida só cresce, atingindo R$ 4,2 trilhões em 2019, 9,5% acima do patamar de 2018 e que a projeção para 2020 é pior ainda. Até o demônio estrangulador da divida externa foi invocado: cresceu quase 12% e já está em R$ 166 bi.
Submetem o país a um ordálio, geram desemprego e subemprego escandalosos, não suprem os serviços públicos, não investem um vintém na infaestrutura a caminho de virar sucata e matar mais gente, travam o crescimento e o desenvolvimento para AUMENTAR A DÍVIDA.
O óbvio ululante é anátema para os monges do corta-corta: só a expansão da demanda – estatal, empresarial, das famílias – gera redução de dívida, via aumento acelerado das receitas tributárias que reduz a necessidade de captar outros recursos e gera recursos para liquidar dívida antiga
Nem fé cega explica essa insistência no erro. Só mesmo o fato de que há privilegiados, principalmente estrangeiros, que ganham com esse apocalipse pode explicar a persistência na destruição de um país.
Aqui para matéria da Folha de São Paulo abordando o tema.

domingo, 26 de janeiro de 2020

Relembre: Eike quis entregar repasses ao PSDB e reação da golpista ultra direitista parcial Lava Jato foi devolver a lista. Reportagem de Cíntia Alves



Procuradores descartaram informações do empresário contra políticos de outros partidos porque "extrapolavam" o campo de combate às gestões do PT

Matéria publicada originalmente em 22/9/2016
Jornal GGN – Imagine a seguinte cena: um grande empresário brasileiro lê nos jornais que a Lava Jato chegou ao casal de marqueteiros que fez as campanhas de Dilma Rousseff em 2010 e 2014 e decide, espontaneamente, procurar a força-tarefa para explicar por que fez um repasse à dupla, em conta no exterior, no valor de R$ 5 milhões.
Para mostrar boa-fé, o magnata aproveita a oportunidade para entregar à Lava Jato uma lista de doações que ele fez de maneira “oficial” ou “privada” – sugerindo uso de caixa dois com direito a formulação de contratos de prestação de serviços.
Essas doações, segundo ele, foram feitas “republicanamente”, com valores iguais a vários partidos e candidatos que o empresário sequer chegou a conhecer, como é o caso do senador Cristovam Buarque (PPS). E diz a frase mágica: se teve repasse de R$ 1 milhão ao PT, teve também ao PSDB.
Qual a reação dos procuradores? Descartar a informação porque extrapola o campo de combate contra as gestões petistas e devolver a lista? Pois foi o que aconteceu no caso Eike Batista e Guido Mantega.
Em operação casada, a Lava Jato prendeu e soltou o ex-ministro da Fazenda nesta quinta (22), enquanto o Estadão, simultaneamente, publicou os vídeos da delação de Eike gravados pela própria força-tarefa.
A cena narrada acima acontece por volta dos 5’30’’ do vídeo abaixo, quando os procuradores perguntam se Eike tem alguma observação a fazer logo no começo do depoimento.
“Talvez seja importante relatar aqui… Nós temos a lista de contribuições de campanha?”, pergunta o empresário ao advogado. O documento de cerca de duas páginas é entregue a Eike, que repassa a um membro da Lava Jato.
“Como eu fazia? Eu fazia, muito no espírito democrático – como meus projetos eram grandes, eu estava em todos os estados – (…) eu participei praticamente desde 2006 com o mesmo volume de recursos – um milhão de reais – para PT, PSDB… Isso daqui a gente deixa aqui”, diz Eike, entregando a lista de beneficiados aos procuradores.
Nesse segundo, um procurador diz: “Perfeito, se o senhor quiser a gente pode anexar no seu termo [de delação] depois…”, e segura o documento por alguns minutos, enquanto faz a conversa voltar ao dia em que Eike conversou com Mantega no gabinete do ex-ministro sobre uma doação de R$ 5 milhões para pagar dívidas da campanha de 2010.
Por volta dos 9 minutos e meio de gravação, o procurador devolve a lista com os políticos e partidos que receberam recursos de Eike Batista ao advogado do empresário.
Percebendo o pouco valor dado à lista de Eike, o advogado volta a colocar o assunto em pauta. “Desculpe interromper, mas só para deixar claro: várias dessas pessoas que receberam doações do Eike, ele nunca viu. Ele nunca procurou políticos. Eu posso falar do senador Cristovam Buarque, que o Eike nunca esteve com ele. Ele pode confirmar. Eike fez doações em caráter republicano”, diz o defensor.
O procurador, mais uma vez, corta o assunto e pediu que Eike contasse novamente como Mônica, a esposa de João Santana, buscou sua empresa para fazer o pagamento de R$ 5 milhões numa conta na Suíça.
O depoimento de Eike foi feito em 20 de maio deste ano. O empresário diz que antigamente, quando seu grupo não estava em crise, R$ 5 milhões em doações eram um trocado, mas um trocado que ele não gostava de dar como “simples remessa”. Ele gostava de ter uma contrapartida.
Para quitar a dívida do PT com João Santana, Eike exigiu um serviço do casal. Fez seu corpo jurídico bater um contrato de prestação de serviço. A dupla de marqueteiros entregou uma consultoria valiosa sobre investimentos que poderiam interessar a Eike na Venezuela, onde Santana tem bom trânsito por conta das campanhas que fez na América Latina.
No final do depoimento, por volta dos 25 minutos do segundo vídeo, quando a Lava Jato abre novamente espaço para Eike dizer o que quiser, um advogado volta a destacar a lista das doações eleitorais. “(…) acho que podia esclarecer justamente, para que os senhores tenham uma noção do que que ele fez, das doações que ele fez, não só doações eleitorais. (…) Não são só doações eleitorais, mas doações de cunho privado, entendeu?”
Mais uma vez, o grupo de Eike foi ignorado. A força-tarefa não teve curiosidade em saber se essas doações ocorreram, de fato, por fora e com quais contrapartidas.
[video:https://www.youtube.com/watch?v=YzCpNIJ12w4
O depoimento completo pode ser lido aqui. Nele, Eike diz que Mantega pediu, “se possível”, a colaboração de R$ 5 milhões, mas não fez nenhuma ameaça nem cobrou resultados após a reunião. A iniciativa de cobrar o serviço de João Santana foi do empresário.
A Lava Jato quis saber se Eike detinha contratos com o poder público à época, na tentativa de descobrir se ele se sentiu chantageado. Eike negou chantagens, mas sinalizou negócios com o BNDES.

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quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

2020: a ascensão descarada do nazismo no Brasil. Por Gustavo Conde


"Nós precisamos recobrar a responsabilidade pelo país, antes que nos vejamos como cúmplices de um governo assassino, tal qual o povo alemão em sua chancela histórica e supostamente inconsciente ao nazismo", diz o colunista Gustavo Conde, ante a sucessão de catástrofes que vai se espalhando pelo país

Do Brasil 247:

Bolsonaro

Pobre da criança pobre que mora no Rio de Janeiro. Não bastasse a polícia com ordem para matar, tem também a água contaminada da Cedae.
Pobre do adolescente brasileiro que tem de enfrentar a podridão do processo de correção do Enem, repleta de prepotência, impostura, incompetência e má-fé, capitaneada pelo despreparo de um ministro com déficits básicos de letramento.
Pobres dos funcionários do Inep, que sempre prestaram um serviço de excelência na operação complexa que é lidar com a correção de milhões de provas e sonhos e que agora estão sequestrados por gente que opera sob a égide da vingança.
Pobres dos idosos, que assistem o desmantelamento do SUS e o derretimento do poder aquisitivo, já que a inflação do trabalhador é muito maior que a inflação dos mais ricos.
Pobre da população negra, que assiste o aumento do racismo, da violência policial e da imensa lacuna de representatividade política, sendo ignorada por partidos e governos.
Pobre da comunidade LGBTQ, que sofre o assédio permanente dos setores conservadores, brancos e homofóbicos e que, por isso, vê-se também sub representada na dimensão do Estado e ameaçada nas ruas pelo ódio de classe e de gênero.
Pobre do trabalhador, que vivencia o pior momento da história do emprego do país, com a precarização em massa das profissões, o assanhamento do patronato genocida e a extinção dos direitos e do ministério que lhe representava.
Pobre de quem precisa da justiça brasileira, casta de privilegiados com seus salários nababescos e indiferença atroz diante da mais indecente desigualdade social do planeta.
Pobre dos presidiários, que pagam as suas dívidas com a sociedade sob tutela do Estado, mas que são corroídos por bactérias desconhecidas devoradoras de pele humana, em assustadora violência contra a dignidade humana, espetáculo deprimente de tortura, vingança e sadismo, em que presídios brasileiros trepidam diante dos nossos olhos como 'Auschwitzes' contemporâneas disfarçadas de instituições carcerárias.
Sob o silêncio do Estado, sob o silêncio de ministro da Justiça, sob silêncio de ministra de direitos humanos, sob o silêncio da imprensa.
Pobre do país, pobres de nós, pobres dos indígenas, dos estudantes, da Amazônia, do Pantanal, do litoral, dos rios, das águas, dos sonhos, do futuro, dos animais, do convívio, das amizades, da memória, da história, da solidariedade, do amor, da tolerância.
Estamos todos sob a égide da pobreza material e de espírito para satisfazer a ganância desenfreada e o egocentrismo dos políticos oportunistas, milicianos trevosos, bestas salivantes, enunciadores de ódio, portadores de morte.
Pobre de toda a responsabilidade que nos recai sobre os ombros diante de tanta catástrofe social, porque devo dizer com toda as palavras que me restam: nós somos responsáveis por tudo isso.
Nós lutamos e perdemos a luta, mas a derrota é de todos.
Quando nos deparamos com uma criança brasileira, feliz com seu mundo particular e com o milagre da vida que lhe preenche o corpo e a mente, sem saber o que cerca o seu futuro e no meio dessa devastação social desumana, a dor é de tal grau lancinante que somos imediatamente arrebatados por uma espécie de 'desespero contido' e levados a perguntar às entidades imaginárias que nos habitam o espírito: por quê?
Nós somos responsáveis por elas. Nós precisamos recobrar a responsabilidade pelo país, antes que nos vejamos como cúmplices de um governo assassino, tal qual o povo alemão em sua chancela histórica e supostamente inconsciente ao nazismo.
Quando perceberam, era tarde demais.
Que não incorramos nesse mesmo erro. Que não deixemos as crianças sem futuro. Que não autorizemos o nosso próprio massacre, o nosso próprio egoísmo, a nossa própria abdução ao universo dos opressores e dos cúmplices.
Se a revolta coletiva nos é impossível pelo serviço de contenção paralisante que nos é prestado pelo nosso jornalismo de controle, tentemos, ao menos, a expressão de uma revolta interna.
Quem assiste a toda essa barbárie inerte é também seu agente, seu cúmplice e seu sócio.

sexta-feira, 22 de novembro de 2019

Placa e logotipo do Partido de Bolsonaro, o tal Aliança pelo Brasil, foi feito com cartuxos de bala... Dai as reflexões do Jornalista Kennedy Alencar: Partido da Família, da Bala e da Bíblia é concretização da ameaça democracia



  "38, o famoso número do trabuco, é simbólico do calibre do retrocesso em curso no Brasil e da ameaça real à nossa democracia. Até o símbolo da legenda foi feito com cápsulas de bala. Com vocação cesarista, é um partido familiar que reúne o pior do conservadorismo dito 'cristão' no país." - Kennedy Alencar


Partido da Família, da Bala e da Bíblia ameaça democracia. Por Kennedy Alencar

Do DCM:



Publicado originalmente no blog do autor
POR KENNEDY ALENCAR

Imprensa vai continuar a se omitir diante de nova sigla de Bolsonaro?
Será que agora dá para a imprensa deixar de passar pano, parar de chamar absurdos de polêmicas e enxergar que o Aliança para o Brasil é um partido com ideário fascista, projeto nacionalista autoritário e pretensão de manipular os piores sentimentos morais e religiosos do povo brasileiro?
38, o famoso número do trabuco, é simbólico do calibre do retrocesso em curso no Brasil e da ameaça real à nossa democracia. Até o símbolo da legenda foi feito com cápsulas de bala. Com vocação cesarista, é um partido familiar que reúne o pior do conservadorismo dito cristão no país. É extrema-direita na veia, com toda a sua intolerância às diferenças e a pregação desabrida do ódio no debate público.
Em nome de uma suposta agenda liberal para lá de tosca, que estimula o empobrecimento do país, a precarização do trabalho e ignora as necessidades sociais, setores da sociedade civil vão tolerar um caminho claro de atraso e barbárie? O caminho é esse mesmo?
A paz dos cemitérios e a intensificação da exclusão social são as ofertas de Bolsonaro e companhia ao país. Parabéns aos que estão fechando os olhos e se omitindo em relação ao Partido da Família, da Bala e da Bíblia. Assim é como as democracias morrem.
PS – Caluniadora e mentirosa, a mílicia digital viciada em fake news e no ódio nestá incomodada com os comentários na CBN e os posts blog. Então, lá vai mais um.

quarta-feira, 23 de outubro de 2019

Notas sobre Lula, Moro, Deltan e um certo general, por Armando Coelho Neto, delegado aposentado da PF e ex-representante da Interpl em São Paulo




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Como fariseus e saduceus, Moro e Dalagnol desembarcaram na política e têm como protetor um general moribundo que nem nacionalista é. Estão vendendo o Brasil na bacia das almas…

CORRUPÇÃO. Notas torpes sobre Lula, Moro, Deltan e um general

por Armando Rodrigues Coelho Neto, no GGN

Moro, Deltan e um general* moribundo personagem de histórias em quadrinhos são três corruptos. Aliás, devo também ser corrupto. Quase nenhum de nós sobreviveria a uma sindicância mal feita. Pisamos na grama, furamos fila – um amigo “bondozo” ajudou. Deixamos de pedir nota fiscal, nos distraímos quanto ao troco errado… Infestados de pecadilhos, na escola fingimos não ver que alguém assinou a lista de frequência no lugar do colega. Aliás, vi um ministro do STF assinando no lugar de outro, durante uma banca de conclusão de curso. Ultrapassamos o sinal. Sob olhares de soslaio, de esguelha, fomos cúmplices omissos de violações éticas… E o mais grave: quando crianças, com a boca salivando, fomos omissos frente ao amiguinho dando lambidinha no bolo de aniversário…

Quero falar de rigidez de normas e valores, de sua relativização ao longo dos tempos. De como evoluímos da lambida do bolo à hipocrisia atual. Estão vivas as duas tabelas para médicos e dentistas: “Com recibo custa X, sem recibo é Y”. Paciente e médico entram num acordo para fraudar o fisco e nenhum dos dois tratam isso como crime. Têm como desculpa não pagar imposto, pois não vê contrapartida, seja em serviços seja de saúde, escola, saneamento. Na prática, eles não sabem como o cocô sai de suas casas, nem como a água chegou em suas descargas. Se não necessariamente as deles, das de milhões e milhões de pessoas nas localidades distantes, de onde sequer sai ou entra o serviço público.
 
 Do mesmo modo, um comerciante que após adquirir um produto nele inclui impostos e despesas com funcionários e cobra do consumidor. Repassa o valor para clientes, não recolhe e se queixa aos quatro cantos do custo dos impostos. Tributos que pagam policiais, bombeiros, profissionais que recolhem o lixo, consertam as ruas bem ou mal iluminadas pelas quais chegam produtos e clientes. Quer eficiência nas chamadas para o 190, 191, 192, 193, mas na hora de pagar esse serviço em forma de tributo, apropria-se criminosamente do dinheiro público. Gente que alardeia não roubar um tostão de ninguém, mas não dá um centavo para a viúva (Estado), ainda que por vezes lese os dois.
Esse mesmo contingente social consegue poupar para pagar as melhores escolas privadas, cujos recibos são utilizados para dedução do imposto de renda. Depois, vai para as universidades públicas, por ele sabotadas com a sonegação de impostos. Eis a mesma classe que se encanta com discursos de menos impostos. Por terem perdido a noção civilizatória de Estado, contraditoriamente querem menos Estado na hora do Leão e mais Estado quando a violência bate a própria porta. Donos de imóveis, “na hora de vender valem milhões, mas na hora do imposto vale vintém” (Obrigado Lula!). Classe que não se sente pobre e vive como Kika Jordão, sonhando com “as portas douradas da sociedade”, que só mesmo Laís Souto Maia podem abrir, ambas personagens de uma novela da TV Globo.

Nesse contexto, diz a imprensa, Moro “esqueceu” de informar ao imposto de renda, valores de palestras. Até hoje não explicou muito bem o esquema de venda de delações premiadas por advogado próximo ao seu círculo de amizade. Não explicou o submundo revelado pelo The Intercept, já que não convenceu sequer o deputado pornô Alexandre Frota. De outro giro, o The Intercept diz que Deltan tentou burlar o MPF e o fisco criando uma empresa em nome da esposa. Deltan teria adquirido (para investir) imóvel destinado a pessoas de baixa renda do programa Minha Casa Minha Vida. Ele e não só ele, chafurdam em busca de dinheiro publicando livros, palestras – muitas vezes utilizando telefones e computadores públicos para fins particulares.

 Abraham Lincoln lambeu o bolo. Comprou votos para acabar com uma guerra e garantir direitos aos negros. Num parlamento, votos se ganha, se conquista, se troca. Até se vende! Faz parte, ironicamente, do instrumentalismo das composições democráticas, tão viciadas quanto a própria democracia. É possível pois, que numa composição política, governos tropecem. Ricardo Semler, empresário tucano, chocou o farisaísmo da elite do atraso, quando disse que nunca se roubou tão pouco no país. Posso deduzir: num governo que mais construiu mais gente ganhou comissão.


Tudo tão familiar quanto a cultura do general moribundo e entreguista quanto a lambida no bolo. Mas, tem coisas que chocam os olhos do povo, como a dinheirama sobre a mesa de Roseana Sarney. Não dava sequer para eleger um vereador no Maranhão, mas aos olhos do povo… Eis que um triplex e um sítio, sem prova, prova discutível ou adulterada podem convencer o povo de que Lula é ladrão.

Retrato máximo do fariseimos, sei que o triplex e o sítio juntos, os quais Moro, Dallagnol e a rede Globo querem dar a Lula na marra, não dariam para comprar o Templo de Salomão,  nem o apartamento de FHC em Paris, nem a mansão ilegal dos Marinho em terras sob proteção ambiental. Mas…

 Estou preso à ideia fixa de que Moro, Deltan e o general moribundo são corruptos por “ato de ofício indeterminado”. Não sei dizer o ato de ofício, nem determinar o modo que condenaram Lula. Não tenho PowerPoint para exibir em cadeia nacional de televisão. Tenho convicções calcadas na ideia de que corrupção por dinheiro é conceito capital. Há corruptos por ideias, prestígio, dinheiro, virar ministro do STF, ganhar cargos, estar bem com Trump. Corromper e quebrar um país para combater a corrupção não soa mais leve do que pretensamente se corromper para acabar com fome, garantir trabalho, emprego, futuro, justiça social.


Eis minhas notas torpes, escritas depois de ler os apelativos laudos da PF sobre o Sítio de Atibaia.

*General Zod

Armando Rodrigues Coelho Neto – jornalista, delegado aposentado da Polícia Federal e ex-representante da Interpol em São Paulo.